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Tera-feira, 26 de Setembro de 2017






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OCDE reduz projeção de crescimento mundial em 2016 para 3%

O desapontamento com dados recentes e as incertezas à frente fizeram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) cortar a previsão de crescimento da economia global em 0,3 ponto porcentual – para 3% em 2016. Todas as economias do G-7 – o grupo das sete maiores economias do mundo desenvolvido – tiveram piora das previsões de crescimento. Agora, a OCDE acredita que a economia neste ano terá o mesmo ritmo de 2015. A previsão de crescimento em 2017 também foi reduzida em 0,3 ponto, para 3,3%.

“O crescimento do Produto Interno Bruto global em 2016 não deve superar o de 2015, que foi o ritmo mais lento nos últimos cinco anos. Previsões têm sido novamente revisadas para baixo à luz do desapontamento com dados recentes. O crescimento está mais lento em muitas economias emergentes, com uma muito modesta recuperação nas economias desenvolvidas e baixos preços deprimindo exportadores de commodities”, cita o relatório divulgado nesta manhã.

A entidade lembra ainda que o comércio exterior segue fraco e a demanda vagarosa tem levado países a um quadro de baixa inflação e crescimento inadequado dos salários e empregos. Os problemas também estão no mercado financeiro, onde os “riscos são substanciais”. “Mercados financeiros reavaliam as perspectivas de crescimento levando a queda no preço das ações e maior volatilidade”, diz o documento.

Por isso, a OCDE cortou a previsão de crescimento em 2016 para todas as economias desenvolvidas listadas no documento. O crescimento dos Estados Unidos, por exemplo, foi reduzido em 0,5 ponto porcentual, para 2%. Para a Alemanha, a estimativa teve corte idêntico, para 1,3%. Mais dependente das commodities, o Canadá teve redução da estimativa para o PIB de 0,6 ponto, para 1,4%. Para o conjunto da zona do euro, houve diminuição da previsão de crescimento de 0,4 ponto, para 1,4%.

Diante do cenário de desaceleração global, a OCDE sugere um conjunto de fortes políticas para fortalecimento da demanda. “A política monetária não pode trabalhar sozinha, política fiscal é contracionista em muitas grandes economias e as reformas estruturais estão mais lentas. Todas essas três ferramentas de política devem ser usadas de forma mais ativa para criar um crescimento mais forte e sustentado”, diz a entidade.

China. Mesmo com o aumento das incertezas globais, a OCDE manteve a previsão de crescimento para a China em 2016 e 2017. Neste ano, a maior economia asiática deve crescer 6,5% e o ritmo desacelerará para 6,2% em 2017 – quadro idêntico ao divulgado em novembro. A organização entende que o uso de estímulos fiscais e monetários deve afastar o risco de que a economia chinesa desacelere ainda mais profundamente.

A OCDE reconhece que o esforço que o governo da China tem feito para amenizar o processo de desaceleração que está em curso. Por isso, a entidade não cortou as previsões para o crescimento chinês na atualização do cenário divulgada nesta manhã. “A atividade está sendo apoiada por estímulos fiscais e monetários”, resume a OCDE, ao lembrar que o déficit público chinês cresceu 2,1 pontos do PIB em 2015 e deve aumentar.

Apesar de não ter piora nos números, a OCDE ressalta que a China está em tendência de desaceleração. Em 2015, o país cresceu 6,9%, estima a organização. “O crescimento abranda enquanto a economia se reequilibra da indústria para os serviços. Isso tem implicações substanciais para os preços das commodities globais e o comércio”, diz o relatório. A entidade nota que administrar esse processo de transformação da economia chinesa é ainda mais desafiador em um quadro de volatilidade do mercado financeiro.

A OCDE cita ainda que todo o conjunto das economias emergentes tem mostrado sinais de desaceleração. Além do ritmo menos vigoroso da China, a entidade destaca o aprofundamento da recessão no Brasil e o impacto negativo da queda do petróleo para a Rússia.

Entre as 11 economias com previsões divulgadas pela OCDE, a Índia é a única que teve melhora da estimativa de crescimento em 2016. A previsão para o PIB indiano avançou 0,1 ponto ante novembro, para 7,4%. Mesmo assim, há riscos e a estimativa para 2017 caiu 0,1 ponto, para 7,3%. “O crescimento indiano deve permanecer robusto ainda que as enchentes recentes tenham tido impacto negativo no curto prazo e são necessários progressos adicionais na execução de reformas estruturais”, diz o documento da OCDE.

O Estado de S.Paulo – 18/02/2016

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Encomendas de máquinas no Japão saltam 4,2% em dezembro

O avanço em dezembro vem após um drástico recuo de 14,4% no mês anterior, a maior queda mensal em 2015

As principais encomendas de máquinas do setor privado do Japão subiram 4,2% em dezembro ante novembro, mês em que o país viu o índice sofrer a maior queda mensal em 2015, de acordo com dados sazonalmente ajustados e divulgados nesta quarta-feira (17) pelo governo do país.

O núcleo das encomendas de máquinas, que excluem os pedidos das empresas de energia elétrica e do setor naval por causa da volatilidade, totalizou 806,6 bilhões de ienes em dezembro de 2015, informou o Escritório do Gabinete Japonês.

O avanço em dezembro vem após um drástico recuo de 14,4% no mês anterior. Apesar da melhora no último mês do ano passado, o governo deixou inalterada a sua avaliação básica do indicador, na qual diz que “as encomendas estão mostrando sinais de recuperação”.

No período em análise e na mesma base de comparação, as encomendas do setor de manufatura declinaram 3,4%, para 326,9 bilhões de ienes, marcando o segundo recuo mensal consecutivo e que tem sido puxado pelas quedas das encomendas em empresas do setor químico e automotivo, principalmente os fabricantes de autopeças.

Já as encomendas de empresas não manufatureiras, como as relacionadas com construção e serviços (excluindo os fornecedores de energia e do setor naval), deram um salto de 8,5%, para 475,3 bilhões de ienes, refletindo um forte aumento nos investimentos relacionados à indústria do mercado financeiro, incluindo empresas seguradoras. O ótimo resultado em dezembro vem após o setor despencar 18% no mês anterior.

Na comparação trimestral, o núcleo das encomendas de máquinas no período outubro-dezembro aumentou 4,3% em relação ao trimestre anterior, para 2,48 trilhões de ienes. No período de julho a setembro, o indicador registrou forte recuo de 10%.

As encomendas de máquinas representam cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) do Japão e são vistas pelo primeiro-ministro Shinzo Abe como um dos pilares para o crescimento do país. (Com Agência Kyodo)

Fonte: Mundo-Nipo

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Governo chinês reforça discurso de crescimento

As autoridades chinesas voltaram do recesso do feriado do Ano Novo Lunar com um recado coletivo para os inquietos investidores locais e externos. Asseguraram que Pequim dará sustentação à economia, em desaceleração, manterá sua moeda estável e garantirá a estabilidade do nível de emprego.

A série de garantias antecede dois acontecimentos políticos relevantes para a China: o encontro de ministros das Finanças do G-20 em Xangai, nos próximos dias, e a reunião anual, no mês que vem, do Legislativo da China – que vai concluir o próximo plano quinquenal de desenvolvimento econômico.

O colapso das ações chinesas ocorrido no terceiro trimestre do ano passado e a inesperada desvalorização do yuan promovida em agosto abalaram os mercados mundiais, levantando temores quanto à saúde da economia chinesa, a segunda maior do mundo, e quanto à capacidade de Pequim de conduzir bem o país simultaneamente ao longo de um período prolongado de desaceleração e de reformas radicais.

“Os fundamentos econômicos chineses não mudaram”, disse ontem à imprensa Zhao Chennxin, porta-voz da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o principal órgão de planejamento econômico do país, em Pequim. “A economia vai manter um crescimento de médio a elevado.”

“A condição da China de maior detentora mundial de reservas cambiais não mudou, o superávit comercial de grande escala não mudou e o firme avanço da internacionalização do yuan não mudou”, reforçou Zhao.

No entanto, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 6,9% em 2015, seu ritmo mais lento dos últimos 25 anos, e economistas preveem novo esfriamento para este ano, apesar da expansão, pelo governo, de sua campanha de incentivos, iniciada há um ano.

“Consideramos que o crescimento poderá alcançar de 6,7% a 6,8% neste ano”, disse Xu Gao, economista-chefe da China Everbright Securities de Pequim. “O risco de um pouso forçado não é grande. O risco de um pouso forçado pode vir de políticas governamentais inadequadas. Se as políticas forem corretas, o risco de um pouso forçado é muito baixo.”

Já um porta-voz do Ministério do Comércio chinês minimizou ontem o risco de fuga de capitais, dizendo que não há base para dar continuidade à desvalorização do yuan, um dos fatores responsáveis pelo enorme movimento de venda em massa ocorrido nos mercados mundiais no início do ano.

Mesmo assim, os mercados mundiais e os principais parceiros comerciais da China continuam a encarar com nervosismo a política cambial do país. O BC chinês surpreendeu os investidores por duas vezes em seis meses – em agosto e no início deste ano – ao autorizar quedas repentinas e fortes do yu-an, para depois intervir com rapidez e vigor para estabilizar a moeda. O BC consumiu um volume recorde de reservas cambiais em 2015, ao vender dólares e comprar yuans para sustentar a moeda.

O yuan deverá estar entre os pontos principais de discussão da reunião dos ministros das Finanças e presidentes de BCs do G-20.

Embora as garantias de estabilidade de Pequim possam amenizar temores de uma desvalorização iminente e significativa, analistas preveem que o yuan seguirá sob pressão e que as saídas de capital continuarão até que a economia dê sinais de recuperação.

“Depois do Ano Novo Lunar, o conselho de Estado e os ministros do governo emitiram sinais positivos”, disse Xu, da China Everbright Securities. “Para a economia, ainda há muito espaço para o governo intensificar os investimentos. 2016 é o primeiro ano do 13º plano quinquenal (2016-2020), e o governo vai garantir um crescimento de pelo menos 6,5% neste ano.”

Zhao, da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, disse ainda que a China pode manter níveis de emprego estáveis, apesar das iniciativas do governo de coibir o excesso de capacidade em alguns setores e de eliminar as empresas conhecidas como “zumbis”. O plano da China de reduzir sua capacidade de produção de aço em 100 a 150 milhões de toneladas levará ao fechamento de até 400 mil empregos, disse a agência de notícias oficial Xinhua em janeiro.

Embora a maioria dos economistas do setor privado concorde que a economia chinesa não parece estar em perigo de severa deterioração no momento, a maioria sustenta previsões de uma desaceleração gradual e acidentada.

Valor Econômico – 18/02/2016

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Brasil vê presidente como fator de estabilização

Em dificuldades para assegurar a vitória do “sim” no referendo que decidira sobre a possibilidade de concorrer eternamente à reeleição, Morales conta com uma discreta torcida do governo brasileiro. As razões para essa torcida, entretanto, são mais pragmáticas do que ideológicas

“O Evo é um fator de estabilização em um país com histórico de golpes [de Estado] e instabilidade política e econômica”, afirma uma fonte do governo brasileiro.

O presidente boliviano completou em janeiro dez anos no poder – algo que, quando ele assumiu a Presidência, poucos poderiam prever. Entre 2001 e 2005, ano em que Morales eleito pela primeira vez, a Bolívia teve quatro presidentes.

Morales, então líder cocaleiro e de etnia aimará, ascendeu politicamente nesse período, como protagonista de protestos pela estatização do gás e a maior distribuição da renda do principal recurso natural do país.

Apesar da polêmica envolvendo as expropriações, como a das instalações da Petrobras no país, em 2006, o bom uso que seu governo fez desses recursos é um dos segredos para sua longevidade no poder. Em meio ao boom das commodities, a pobreza no país caiu de 60,5% para 37,7% entre 2006 e 2015, e a pobreza extrema de 38,3% a 17,8%.

Apesar da baixa dos preços do petróleo, o PIB cresceu 4,1% em 2015 – enquanto a economia da parceira Venezuela, com uma gestão desastrosa, se retraiu 10%. E, após acumular anos de superávit fiscal, o país tem hoje um colchão de dois ou três anos para suportar o choque do petróleo, de acordo com economistas.

Valor Econômico – 18/02/2016

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Perto de acerto com credores, Argentina já espera virar o jogo

Há confiança em Buenos Aires de que o jogo está virando na disputa para reconquistar acesso aos mercados de capital internacionais, à medida que sua batalha jurídica de dez anos contra fundos hedge americanos inflexíveis se aproxima de momentos decisivos.

Os credores “holdout”, que ficaram de fora das renegociações do calote da dívida argentina de US$ 100 bilhões em 2001 e que depois foram bem-sucedidos na ação judicial contra o país, precisam persuadir hoje um juiz de que um bloqueio financeiro contra a Argentina deve continuar em vigor. O governo argentino propôs neste mês pagar aos credores cerca de US$ 6,5 bilhões por reivindicações que giram em torno a US$ 9 bilhões.

“Parece que estamos bem perto da linha de chegada”, disse Alejo Costa, estrategista-chefe do banco de investimento Puente, de Buenos Aires, depois de a Argentina ter requerido na semana passada que os credores “holdout” justificassem por que uma liminar impedindo o país de pagar os demais credores não deve ser cassada. “Se a Argentina decidiu fazer isso, deve ser porque receberam um bom sinal [do mediador indicado pelo tribunal] ou do próprio juiz de que isso resultaria em boa conclusão.”

Os “holdouts”, no entanto, liderados pelo fundo Elliot Management, do bilionário americano Paul Singer, não dão sinais de recuar na disputa judicial que levou o país a um novo calote, em 2014, pela oitava vez em sua história.

“Há pouco incentivo para os ‘holdouts’ pararem com o jogo duro. É uma situação em que não há o que perder. Mesmo se a liminar for cassada, eles ainda podem conseguir o mesmo acordo que aqueles que já aceitaram. Então, por que não pressionar por mais?”, disse Marco Schnabl, sócio da firma de advocacia americana Skadden, Arps, Slate, Meagher & Flom.

Embora dois dos seis maiores “holdouts” tenham aceitado a oferta argentina, que implica desconto entre 25% e 30%, outros reclamam que os credores vêm sendo tratados de forma diferente dependendo de suas queixas legais.

Charles Blitzer, que trabalhou no Fundo Monetário Internacional (FMI), criticou o “unilateralismo” da Argentina, que é o “que os colocou em problemas”, referindo-se à reestruturação original da dívida em 2005, que foi recusada pela primeira vez pelos “holdouts”.

Uma pessoa familiarizada com as negociações argumentou que a decisão da Argentina, de na prática abandonar as negociações apenas quatro dias após elas terem sido iniciadas e, depois, pedir a cassação da liminar, apenas complicou a situação, forçando os “holdouts” a manter o litígio. “As negociações ainda estavam sendo construtivas e as duas partes não estavam distantes em termos econômicos. Isso vai apenas gerar animosidade e transformar a situação numa disputa muito mais prolongada do que a Argentina aparentemente desejava”, disse a fonte, argumentando que a Argentina “subestimou enormemente” a dificuldade de enfrentar os “holdouts”.

A retomada de uma disputa legal já prolongada certamente comprometerá os planos de Mauricio Macri, o novo presidente argentino simpático ao mercado, de apresentar a Argentina como um país novamente aberto ao setor privado, após 12 anos de governos populistas que assustaram os investidores.

Mas Costa argumenta não fazer sentido, para os credores intransigentes, embarcar em um novo processo legal, uma vez que a Argentina apresentou uma proposta que resultará em retornos, para os investidores, que representam até dez vezes seu investimento inicial.

Ele disse que muitos dos títulos de propriedade dos credores intransigentes foram comprados por cerca de 30 centavos de dólar na esteira do calote, em 2001, quando os preços dos títulos argentinos despencaram, ao passo que a proposta do governo, apresentada neste mês, equivale a quase 300 centavos por dólar, devido a juros acumulados a taxas punitivas ao longo da última década.

“Você teria que dar uma boa resposta a seus investidores sobre por que motivo quer enfrentar a tramitação de um processo na Justiça que pode demorar pelo menos mais um ano, após uma oferta que lhe proporcionaria muito dinheiro. Como gestor financeiro, não tenho certeza de que eu faria isso”, disse Costa.

Muitos observadores dizem também que Thomas Griesa, juiz de 85 anos, em Nova York, que está à frente do que tem sido chamado de “julgamento do século” no terreno de dívida soberana, está farto do caso. Ele declarou publicamente que quer se aposentar assim que o caso for encerrado. Se o juiz Griesa cassar a liminar, os credores intransigentes perderiam muito da sua influência nas negociações, embora a Argentina permanecesse vulnerável a sequestro de ativos e a interferência nos pagamentos de sua dívida.

“Se o juiz decidir em favor da Argentina e cassar a liminar, esses desdobramentos poderão ocorrer mais cedo do que tarde”, disse Schnabl.

valor Econômico – 18/02/2016

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Indústria dos EUA reage em janeiro

A produção manufatureira dos Estados Unidos teve em janeiro o maior crescimento desde julho do ano passado, num possível sinal de que o setor está começando a se estabilizar.

Segundo os dados divulgados ontem pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), o avanço de 0,5% nas fábricas, que respondem por 75% de toda a produção, seguiu-se à queda de 0,2% de dezembro. A produção total, que também inclui mineração e serviços públicos como fornecimento de gás e eletricidade, registrou uma alta ainda maior, de 0,9%, que superou a previsão de analistas.

A atividade fabril foi impulsionada pelo maior ganho na produção de bens de consumo desde julho, com aumento tanto dos duráveis como dos não duráveis. O melhor desempenho sugere que o maior impacto do dólar forte, da fraqueza nos mercados exteriores e da queda dos gastos no setor de energia já ficou para trás.

Valor Econômico – 18/02/2016

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Siga o dinheiro — e a mulher

Folha de S.Paulo – Clóvis Rossi – 18/02/2016

O filme “Todos os homens do presidente”, que conta a trama de Watergate, que levou à renúncia do presidente Richard Nixon, popularizou a expressão “follow the money” (siga o dinheiro).

Consta que o conselho teria sido dado aos repórteres que investigavam o caso, no pressuposto de que o dinheiro deixa rastros que podem levar aos mais altos escalões, públicos ou privados.

Esse conselho também vale para a presente situação na Bolívia, desde que ao dinheiro se acrescente “siga a mulher”.

Explico: o presidente Evo Morales teve um caso amoroso, a partir de 2007 ou pouco antes, com Gabriela Zapata, do que resultou um filho que morreu pouco depois do parto.

Em 2013, Gabriela foi contratada pela CAMC Engineering, companhia chinesa, que ganhou concorrências do Estado boliviano para realizar obras no valor aproximado de US$ 580 milhões.

Detalhe: desse total, US$ 366 milhões (63%, portanto) foram adjudicados depois que Gabriela foi contratada, o que sugere uma de duas coisas: ou a jovem é de um talento extraordinário ou houve tráfico de influência.

Os contratos estão agora sob investigação, nas vésperas do plebiscito que, no domingo (21), decidirá se haverá ou não uma reforma constitucional para permitir a Evo disputar uma terceira reeleição e, se ele vencer, um quarto mandato sucessivo.

A proximidade da votação levou o presidente a sacar do coldre um clássico do esquerdismo: a acusação de que a denúncia de um suposto tráfico de influência fora arquitetada pelo “imperialismo” norte-americano.

Que os Estados Unidos promovem desestabilizações na América Latina é história antiga, mas que ficou fora de moda com o fim da Guerra Fria. Não há ameaça aos interesses norte-americanos na região nem mesmo por parte de governos esquerdistas como o de Evo.

Tanto não há que Evo, depois de atritos iniciais, recompôs boas relações com o setor privado boliviano, uma das razões pelas quais a Bolívia, nos dez anos do presidente, surfou em uma onda de prosperidade que contrasta violentamente com o fracasso dos companheiros bolivarianos da Venezuela.

As primeiras pesquisas após a eclosão do caso Gabriela Zapata mostraram um avanço do “não” (a uma nova reeleição). Por mais que pesquisas na Bolívia sejam pouco confiáveis, fica a sensação de que, pela primeira vez desde que foi eleito em 2005, Evo Morales corre o risco de perder uma votação.

O tema da corrupção deu a seguinte conotação à campanha eleitoral, na avaliação de Horácio Villegas Quino, professor da Universidade Católica boliviana:

“Não se trata de um plebiscito sobre Evo, mas de definir se se quer continuar com o modelo econômico e social dos últimos dez anos (ponto de vista do governo) ou, como prefere a oposição, de definir se se continua com um governo corrupto”.

O argumento da continuidade é forte: o país cresceu em média 4,48% ao ano nos dez anos de Evo, e a pobreza diminuiu de 59,91% em 2006 para 39,06% em 2013 (último ano com estatísticas disponíveis).

Resta ver se a corrupção terá igual peso na hora do voto.

Redação On fevereiro - 18 - 2016
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