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Tera-feira, 26 de Setembro de 2017






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Mais 2 mil empresas vão exportar em 2016, diz ministro

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, disse ontem que mais 2 mil empresas devem entrar na lista de exportadores em 2016. Segundo ele, cerca de 1.100 companhias voltaram ou começaram a exportar no ano passado.

Monteiro fez essas projeções em conversa com integrantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que teve sua primeira reunião de diretoria do ano ontem, em Brasília. No encontro, fechado à imprensa, o ministro apresentou o roteiro das principais ações da pasta nos próximos meses.

“O câmbio recompôs a nossa competitividade”, afirmou aos dirigentes da entidade. Monteiro seguirá hoje à tarde para Buenos Aires, onde tentará convencer autoridades do governo do presidente Mauricio Macri a aceitar o livre comércio no setor automotivo, a partir de julho.

O atual acordo automotivo entre os dois países tem vigência até o fim de junho. Ele foi renovado, nos mesmos termos, por um ano em junho de 2015. Para cada dólar que o Brasil importa da Argentina em automóveis ou autopeças, pode exportar até US$ 1,5 sem a incidência de imposto.

Na segunda-feira da próxima semana, Monteiro comandará uma nova rodada de negociações para ampliar o acordo comercial entre Brasil e México. A intenção do governo brasileiro, segundo informou aos dirigentes industriais, é elevar o número de produtos com descontos nas tarifas de importação de 800 para em torno de 6 mil.

Valor Econômico – 17/02/2016

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Barsil apresentará a Macri proposta de livre comércio no setor automotivo

O Brasil apresentará ao novo governo argentino de Mauricio Macri, em reunião em Buenos Aires nesta quinta-feira, 18, uma proposta de acordo de livre comércio no setor automotivo. “Caminhamos para o livre comércio no setor automotivo dentro do Mercosul. As condições estão dadas”, disse ao jornal “O Estado de S. Paulo” o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro. Um acordo liberando o comércio automotivo foi assinado no ano passado com o Uruguai. Monteiro aposta na postura mais liberal do novo governo argentino para costurar a proposta.

O ministro avaliou que há espaço para que o comércio automotivo entre o Brasil e a Argentina possa se fortalecer, assim como em toda a região. Um acordo automotivo também foi assinado com a Colômbia em 2015. A estratégia brasileira é aumentar o acesso a mercados, principalmente neste momento em que a taxa de câmbio no Brasil está mais “amigável” para os produtos brasileiros.

Para ele, o aumento das exportações é a saída para as empresas enfrentarem a redução da demanda doméstica, que não demonstra perspectiva de recuperação rápida. Ele avaliou que a balança comercial brasileira vai surpreender este ano e apresentar um resultado maior do que a previsão de US$ 35 bilhões de superávit comercial.

O ministro ponderou que o setor automobilístico não tem outra saída a não ser aumentar as exportações. “Temos que combinar a questão de câmbio com ações da política comercial brasileira para melhorar as condições de acesso ao mercado”, disse.

A liberalização do comércio de veículos com a Argentina é uma agenda antiga que sempre enfrentou resistência do governo e dos empresários argentinos, que temem uma invasão de carros brasileiros no País, afetando a indústria local. A Argentina já deu sinais de que não será tarefa fácil o fechamento do acordo.

O ministro brasileiro destaca, no entanto, que a indústria automotiva argentina tem vendido muitos veículos para o Brasil e que o livre comércio vai beneficiar os dois lados.

“Um acordo de livre comércio foi assinado no ano passado entre Brasil e Uruguai, um mercado muito menos expressivo e com uma indústria local menos forte do que a Argentina”, lembrou.

O acordo automotivo entre Brasil e Argentina já foi prorrogado várias vezes, com cotas, toda vez que se aproxima a data fixada para que o livre comércio entre em vigor. A última renovação ocorreu em 1º de julho de 2015, com vigência de um ano. O acordo prevê um sistema chamado de “flex”, pelo qual para cada dólar que a Argentina exporta ao Brasil em autopeças e veículos, sem incidência de impostos, pode importar 1,5 dólar em produtos brasileiros.

Na reunião com os argentinos, Monteiro também espera discutir a troca de oferta entre Mercosul e União Europeia para o início das negociações de livre comércio entre os blocos. Outro tema espinhoso. Há anos, as negociações se arrastam. Seja por resistência do Brasil e da Argentina em abrir o mercado para produtos industriais europeus, seja por parte da União Europeia, que resiste em derrubar barreiras aos produtos agrícolas brasileiros.

Monteiro espera que a troca de ofertas – que indica os produtos e serviços que terão redução das tarifas de importação até chegar a zero – seja feita ainda no primeiro semestre deste ano. O Brasil esperava fazer essa troca de ofertas no ano passado, mas houve uma demora no fechamento da proposta do Mercosul, sobretudo por dificuldades impostas pela Argentina, ainda sob o comando do governo Kirchner. Depois foi a vez de os europeus pedirem o adiamento do processo para este ano. Monteiro acredita que uma reunião entre os dois blocos para fechar um cronograma deve ocorrer em março.

“Não tenho dúvida nenhuma que dá para avançar para viabilizar os ajustes necessários à oferta aos europeus no primeiro semestre”, disse Monteiro, que depois da Argentina embarca no domingo para o México para tentar fechar a negociação de acordo que pretende ampliar de cerca de 500 para 2 mil produtos o livre comércio bilateral.

Na reunião com os argentinos, também será discutida a reativação de uma comissão de monitoramento do comércio bilateral, temas fitossanitários e temas setoriais para acordos de lácteos, pêssegos e carne suína.

Ainda como estratégia para ampliar mercados para os produtos brasileiros, o ministro espera avançar nos acordos do Mercosul com Peru e Colômbia, que ficaram “congelados” nos últimos anos por conta de problemas setoriais. Ao final de 2017, a expectativa é que quase todo o nosso comércio com esses dois países esteja livre da tarifa de importação.

Segundo o ministro, o Brasil também vai trabalhar para fechar um acordo do Mercosul com o Canadá e depois ampliar com a Índia. Hoje, a lista com os indianos é considerada muito modesta com alcance de apenas 450 produtos. Se espera aumentar para 2 mil produtos.

Proex

O ministro disse que não faltará financiamento para o comércio exterior e descartou a possibilidade de cortes no Proex em 2016, linha administrada pelo Banco do Brasil com recursos do Tesouro. “Não estou vendo corte no Proex”, garantiu. A estratégia desse ano é ampliar as linhas de pré-embarque e manter o orçamento que atenda às necessidades. “Não consta que alguém deixou de exportar por falta de financiamento”, frisou.

Monteiro avaliou ainda que o preços das commodities agrícolas, que caíram no ano passado, tendem a se estabilizar e que as exportações de produtos manufaturados devem crescer este ano, ajudadas pelo câmbio. Segundo ele, não é intenção do governo fazer um novo plano nacional de exportação, mas novas medidas pontuais poderão ser anunciadas. “Queremos mais ações. Anúncio de planos já teve muito. Vamos agir para entregar o que está no plano”, disse.

Fonte: O Estado de São Paulo

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Insumo para o setor produtivo eleva importações no Ceará
Aquila Leite e Bruno Cabral

Quando o assunto é comércio exterior, é possível dizer que o Ceará começou 2016 da mesma forma como encerrou o ano passado, ou seja, com déficit na balança comercial. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), as exportações do Estado somaram US$ 77,6 milhões em janeiro, enquanto as importações atingiram US$ 100,3 milhões no período. Com o resultado, portanto, a balança cearense apresentou um saldo negativo de US$ 22,6 milhões.

Entretanto, levando-se em consideração os produtos importados durante o mês, o resultado não preocupa, pois entre os principais itens estão insumos para o setor produtivo, como a hulha betuminosa (tipo de carvão mineral com betume) que movimentou US$ 18 milhões, representando a maior participação das importações do Ceará em janeiro, com 18% do total. Outros tipos de hulha tiveram participação de 5,23% das importações, com US$ 5,2 milhões.

A hulha é destinada principalmente à Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) e à Usina Termelétrica do Pecém. “A gente vai ter uma tendência de déficit porque estamos começando a importar matéria-prima para a CSP e para a Silat (Siderúrgica Latino-Americana). Então, são investimentos que estão sendo trazidos para a produção e que vão gerar recursos para o Estado”, avalia o consultor Alcântara Macêdo.

Ele ressalta ainda que, quando a Companhia Siderúrgica do Pecém – cuja maior parte da produção será destinada ao mercado externo – estiver em operação, a balança comercial do Ceará passará a ser superavitária, de modo “muito expressivo”.

Tendência

O resultado de janeiro segue uma tendência que vem sendo registrada ao longo dos últimos anos no Estado. A última vez em que a balança comercial cearense apresentou superávit para o mês foi em 2009, com saldo positivo de US$ 2,4 milhões, fruto de US$ 83,9 milhões exportados e US$ 81,5 milhões importados.

Na comparação com janeiro de 2015, porém, o déficit do estado do Ceará foi bem menor em 2016, já que, em igual período do ano passado, o saldo negativo atingiu US$ 548 milhões, conforme o Mdic.

Destaques

Outros destaques das importações em janeiro foram: aviões e outros veículos aéreos, a turbojato (US$ 7,5 milhões); outros trigos e misturas de trigo com centeio, exceto para semeadura (US$ 3,5 milhões) e glifosato e seu sal de monoisopropilamina (US$ 3,5 milhões).

Entre os itens mais exportados pelo Ceará no mês, o maior destaque pertence ao setor calçadista do Estado. A categoria “calçados de borracha ou plásticos, com parte superior em tiras ou correias, fixados à sola por pregos, tachas, pinos e semelhantes” foi a que mais gerou recursos no mês, com US$ 11,3 milhões. Na comparação com igual período de 2015, contudo, houve queda na exportação de tais produtos, já que US$ 12 milhões haviam sido gerados.

Frutas

Ainda na exportação de janeiro, a comercialização de melões frescos com outros países também foi destaque no Ceará, gerando US$ 8,8 milhões. As vendas de castanha de caju, fresca ou seca, sem casca (US$ 8,4 milhões), outros calçados cobrindo o tornozelo, parte superior de borracha, plástico (US$ 7,2 milhões) e couros e peles, incluindo as tiras, de bovinos, preparados, divididos, com o lado flor (US$ 5,3 milhões) também se destacaram no período.

EUA, Holanda e Reino Unido

O principal destino das exportações cearenses em janeiro foram os Estados Unidos, com US$ 18,8 milhões, ou seja, 24,2% do total das exportações. Holanda (US$ 8,9 milhões), Reino Unido (US$ 4,7 milhões), Hungria (US$ 4,6 milhões) e Itália (US$ 4,4 milhões) compõe a relação dos cinco principais destinos.

Já o país que mais vendeu produtos para o Ceará foi a China, com o valor de US$ 24,8 milhões no total das importações do Estado em janeiro deste ano.

Países como Estados Unidos (US$ 16,4 milhões), Colômbia (US$ 13,7 milhões), Moçambique (US$ 5,2 milhões) e Alemanha (US$ 4,7 milhões) também tiveram grande participação no que foi importado pelo Ceará no primeiro mês do ano.

País tem bom resultado

Nacionalmente, a balança comercial registrou um bom resultado, tendo que vista que obteve superávit de US$ 923 milhões em janeiro, o primeiro resultado positivo para o mês inicial do ano desde 2011. O resultado também é o maior superávit para o mês desde o ano de 2007.

No mês, as exportações nacionais alcançaram a cifra de US$ 11,246 bilhões – o que representa uma retração de 13,8% contra um ano antes. Já as importações somaram US$ 10,323 bilhões – uma queda de 35,8% frente a janeiro anterior.

Fonte: Diário do Nordeste

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Unctad sugere a países ricos mais gastos para favorecer crescimento

A economia mundial está passando pela terceira etapa da grande crise financeira iniciada em 2008, agora com o contágio aos emergentes. E a saída passa por mobilização mais acelerada de países ricos para recuperar a demanda global, inclusive por parte dos que têm déficit.

A avaliação é do Alfredo Calcagno, chefe da unidade de macroeconomia e políticas de desenvolvimento da Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), em entrevista ao Valor.

A Unctad calcula que um incremento do gasto público em bens e serviços de 4,4% do PIB durante cinco anos, até 2020 (ou seja, gasto extra de 0,87% ao ano), comparado com o cenário atual, resultaria num crescimento acumulado adicional de 2,5 pontos percentuais globalmente (0,5 p.p. anual). Acompanhado de política fiscal progressiva, esse cenário é considerado consistente com uma redução do déficit fiscal.

A leitura na agência da ONU é de que as turbulências atuais nos mercados não indicam necessariamente que uma nova recessão global esteja próxima. Certo mesmo é que a grande crise global não foi superada. E que “a confiança no mercado financeiro volta com o crescimento e não com austeridade”.

Alfredo Calcagno nota que na primeira etapa da grande crise, em 2008, todo mundo foi golpeado simultaneamente pelo choque financeiro, a súbita interrupção de crédito interbancário, e o colapso do comércio. Diante de uma situação tão grave, tanto países desenvolvidos como em desenvolvimento adotaram política anticíclica de sustentação dos mercados financeiros – injeção maciça de dinheiro e políticas fiscais muito ativas.

“Todo mundo fez política expansionista, com bons resultados, e conseguiu controlar [o pior da crise]”, diz ele. Em seguida, já por volta de 2010, países desenvolvidos pensaram que a crise tinha passado e que o risco seria inflação ou endividamento excessivo do setor privado.

A partir daí vários governos, principalmente na Europa, combinaram política fiscal restritiva com política monetária expansionista, levando à segunda etapa da crise. Para a Unctad, foi uma receita equivocada. “Se as empresas e famílias estão se desalavancando [reduzindo suas dívidas], não vão recorrer a crédito. Se não há demanda, é difícil investir. A enorme liquidez [fornecida pelos bancos centrais] serviu não para relançar a economia e sim para evitar que os bancos não quebrassem”, acrescenta Calcagno.

Indicadores de liquidez, levantados pela Unctad, mostram que os quatro principais bancos centrais – o Federal Reserve dos EUA, o Banco Central Europeu, o Banco do Japão e o Banco da Inglaterra – expandiram seus ativos totais em US$ 7,1 trilhões e a base monetária em US$ 6,1 trilhões entre agosto de 2008 e fins de 2015.

Essa liquidez não aumentou os investimentos nos países desenvolvidos, que caíram de 23% para 19,6% do PIB nos EUA; de 22,7% para 21,3% no Japão; de 22,7% a 19,9% na Europa e de 18,8% a 16,9% no Reino Unido, na comparação entre os períodos 2005-2007 e 2012-2014. O problema, diz Calcagno, não foi falta de financiamento ou lucros baixos, porque os ganhos das empresas aumentaram. O problema foi a falta de demanda agregada.

A grande liquidez dada nos países industrializados tomou em grande parte o rumo dos emergentes ou o setor imobiliário. Esse fluxo gerou facilidade financeira e acumulou risco nos países que receberam um volume de dinheiro que não necessitavam.

Agora, os emergentes também são golpeados com desaceleração ou contração econômica, saída de capital, degringolada dos preços de matérias-primas. Nos países em desenvolvimento, a taxa de crescimento está por volta de 1%, positiva, mas insuficiente para resolver problemas de desemprego como na Europa.

“A demanda segue crescendo muito menos rapidamente do que antes”, diz o economista. Além disso, maturaram muitos investimentos, como no setor de petróleo, gerando uma superoferta.

Para Calcagno, os problemas de fundo que geraram a crise não foram suficientemente atacados até hoje. Ele menciona a concentração de renda que vem desde os anos 1980, o uso inadequado de políticas macroeconômicas, a regulação financeira que estima ser ainda deficiente. Tudo isso debilitou o crescimento da demanda e fragilizou as economias.

Nesse contexto, a Unctad defende uma grande ação sobretudo por parte dos países desenvolvidos. “Segue havendo problema de demanda global e os que têm mais margem de manobra são os países industrializados”, diz o economista.

No rastro da crise, quase todos os países da zona do euro passaram a ter superávit nas contas correntes. Para Calcagno, esses países podem ser os primeiros a aumentar os investimentos públicos, em infraestrutura, transição para economia verde e programas de redistribuição progressiva de renda.

“Algumas coisas assim estão ocorrendo, como na Alemanha, mas é um processo que deveria ser acelerado”, diz. “Inclusive países que têm déficit fiscal, com os juros tão baixos hoje, podem estimular investimento público. O crescimento econômico se recupera com maior gasto em infraestrutura, por exemplo. Isso aumenta depois a arrecadação de impostos, portanto não teria mais déficit. Tambem é importante combater a evasão fiscal.”

Ele estima que o investimento público é o que precisa ser feito mais rapidamente, para impulsionar o investimento privado. Nesta semana, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, prometeu manter o dinheiro barato, mas cobrou investimentos públicos num cenário em que a crise está no meio de nova turbulência e a Europa não sai da apatia.

Valor Econômico – 17/02/2016

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Da África à Ásia, dependência do óleo deixa países à beira do colapso

A queda no preço do petróleo atingiu em cheio as contas públicas de nações que dependem fortemente do óleo. Após anos de abundância de recursos, as receitas desses países minguaram, abrindo rombos crescentes no orçamento. Sem alternativa, alguns resolveram pedir socorro a órgãos multilaterais, casos de Nigéria e Azerbaijão, que negociam empréstimos emergenciais com Banco Mundial ( Bird) e Fundo Monetário Internacional ( FMI), respectivamente. Outros, como Venezuela, Rússia e Equador, enfrentam convulsões sociais ou têm sido obrigados a tomar medidas impopulares para equilibrar as contas.

A Nigéria é o país mais rico da África. Cerca de 35% de seu Produto Interno Bruto ( PIB), 75% da receita do governo e 90% das exportações vêm do petróleo. Quando o preço da commodity despencou 35% em 2015, o país se viu em uma situação contraditória. Mesmo com reservas petrolíferas abundantes, falta gasolina nos postos, pois não há dinheiro para importar o combustível. Por ironia, o país exporta, mas não tem capacidade de refino para produzir o combustível.

Em dois anos, o governo queimou mais de um quarto de suas reservas internacionais para compensar a queda na arrecadação. As autoridades nigerianas negociam empréstimos com Bird, Banco de Desenvolvimento da África e até Eximbank chinês. O montante poderia chegar a US$ 9 bilhões, segundo o canal de TV americano CNN.

ECONOMIAS SEM DIVERSIFICAÇÃO
Situação semelhante vive o Azerbaijão, país asiático onde o petróleo responde por mais de 90% das exportações. Em meio à crise, a moeda local teve 35% de desvalorização frente ao dólar desde dezembro. Os preços dos alimentos não param de subir, o que tem levado a população a fazer protestos frequentes. Uma equipe do FMI esteve no país no fim de janeiro para avaliar a situação e iniciar conversas sobre um possível socorro de US$ 4 bilhões.

— Esses países precisam diversificar a economia para reduzir a dependência do petróleo. Empréstimos emergenciais não vão resolver — diz David Zylbersztajn, ex- diretor da Agência Nacional do Petróleo ( ANP).

A notícia de que as nações negociavam ajuda financeira fez acender o alerta sobre qual seria a próxima vítima. No topo das apostas de especialistas em energia e política internacional está a Venezuela, dona da maior reserva petrolífera do mundo e que enfrenta uma crise sem precedentes, com racionamento de energia e desabastecimento. Mais de 95% das exportações do país estão atreladas ao óleo.

O receio de alguns analistas é que o país dê calote nos investidores. Em relatório, o banco britânico Barclays aventou essa possibilidade, considerando que a Venezuela não teria como honrar seus compromissos com o barril do petróleo abaixo de US$ 37. Cerca de US$ 10 bilhões em títulos do governo e da petrolífera estatal PDVSA vencem este ano, segundo levantamento da agência de notícias Reuters.

— É questão de quando, não se — disse Russ Dallen, sócio da Latinvest em Miami, referindo- se à possibilidade de calote.

NO BRASIL, UM GANHA E PERDE
A dúvida, dizem especialistas, é sobre a disposição dos parceiros para eventuais empréstimos.

— A Venezuela está à beira de um colapso econômico. O problema é que não há disposição política para ajuda financeira, nem interna, nem externamente — afirma o economista Ricardo Sennes, sócio- diretor da consultoria Prospectiva.

Na Rússia, onde metade das receitas governamentais vêm das exportações de óleo e gás, os gastos públicos serão cortados em 10% este ano. A previsão do FMI para a economia russa é de retração de 3,8% em 2015 e recuo de 0,6% este ano. O Irã, por sua vez, apesar do fim das sanções, no mês passado, relacionadas ao programa nuclear dificilmente reativará sua economia rapidamente com o atual patamar de preços do petróleo.

O Brasil ganha e perde com o petróleo baixo. Pois exporta óleo e importa derivados — mais de 20% vêm de fora.

— O canal de contágio para a economia brasileira é indireto. O petróleo baixo afeta a Petrobras, que reduz os investimentos, impactando a economia como um todo — diz Sennes.

O Globo – 17/02/2016

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China reforça estímulo e crédito dispara no país

A China está reforçando a sustentação da economia com a elevação dos gastos e estuda também adotar novas medidas para estimular a concessão de crédito

O principal órgão de planejamento do país está colocando mais dinheiro à disposição dos governos locais para financiar novos projetos de infraestrutura, segundo fontes. Já o Conselho de Estado da China discutiu a possibilidade de diminuir o coeficiente mínimo de provisões que os bancos precisam reservar para cobrir empréstimos não quitados, o que liberaria mais dinheiro para empréstimo.

As autoridades, além disso, estão elevando o tom de sua retórica. O premiê Li Keqiang disse que o governo “ainda têm muitas cartas na manga” para combater a desaceleração da economia chinesa, a segunda maior do mundo.

Para propagar essa mensagem e destacar a sua importância, os maiores órgãos de planejamento econômico do país prometeram ontem reduzir os custos de financiamento, num momento em que tentam controlar o excedente de capacidade. Acrescente-se a tudo isso alta recorde da concessão de empréstimos de janeiro e se terá um quadro de um governo determinado a reforçar o crescimento.

“As autoridades estão se empenhando em evitar uma nova desaceleração, que poderá se exacerbar para um pouso forçado”, disse Rajiv Biswas, economista-chefe para a Ásia-Pacífco da IHS Global Insight, de Cingapura. “Essas medidas impulsionarão a liquidez no setor bancário e elevarão os gastos dos governos provinciais em desenvolvimento de infraestrutura.”

Os dirigentes comunistas do país tentam manter o crescimento da economia em pelo menos 6,5% ao ano até 2020, para cumprir a promessa de criar “uma sociedade moderadamente próspera”.

A China cresceu 6,8% no último trimestre, seu ritmo mais lento desde a crise financeira mundial. A desaceleração coincidiu com o colapso das bolsas chinesas e com a desvalorização do yuan, que fizeram os investidores temer que a economia esteja ainda mais frágil.

Agora surgem sinais de que os seis cortes dos juros promovidos pelo Banco do Povo da China, o BC do país, desde novembro de 2014, juntamente com outras medidas destinadas a impulsionar o crédito, estão começando a dar resultado. Dados divulgados ontem revelaram que o financiamento agregado disparou para US$ 525 bilhões em janeiro. O total dos empréstimos bancários em yuan a setores não financeiros bateu novo recorde no mês passado, somando US$ 390 bilhões.

Analistas advertiram para a possibilidade de o salto do crédito ser um sinal de que os bancos estatais do país estão sendo instruídos a abrir as torneiras do crédito, no momento mesmo em que as autoridades prometem controlar o crescente endividamento do país.

“As perspectivas de curto prazo parecem melhores, mas um crescimento desenfreado do crédito não vai ajudar em nada a atenuar o temor do risco financeiro dos bancos e do superendividamento das empresas”, segundo os economistas Tom Orlik e Fielding Chen, da Bloomberg Intelligence.

A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma pretende oferecer 400 bilhões de yuans neste trimestre para que governos locais financiem obras de infraestrutura, informaram fontes.

O acesso a 400 bilhões de yuans em cada um dos próximos três trimestres significará dobrar o ritmo de financiamento do programa. No ano passado foram oferecidos 800 bilhões de yuans. A Comissão divulgou o programa especial de bônus no ano passado, como parte dos esforços destinados a impulsionar os gastos públicos.

Para os bancos, o nível mais elevado de empréstimos não quitados dos últimos dez anos comprometeu os lucros e reduziu seus coeficientes de cobertura para contratos de crédito problemáticos para níveis próximos do mínimo fixado pelos órgãos reguladores. Isso fez com que bancos como o Industrial & Commercial Bank of China pedissem que os reguladores abrandassem a exigência de provisões para empréstimos não quitados, o que poderá dar aos bancos mais espaço para empréstimos.

“As autoridades parecem determinados a fazer com que a economia cresça acima dos 6,5% estabelecidos por eles”, disse Larry Hu, diretor de economia chinesa da Macquarie Securities de Hong Kong. “Embora muitos temam a perspectiva de um pouso forçado na China neste ano, o quadro geral é que a China terá outra transição de poder em 2017. Antes disso, os dirigentes máximos farão o possível para manter um ambiente relativamente estável.”

Valor Econômico – 17/02/2016

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Fartura de dólares

Celso Ming – 17/02/2016

Há dinheiro saindo pelo ladrão no mercado internacional. Só o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) despejou US$ 3,5 trilhões no mercado global. Há oito anos, os grandes bancos centrais vêm trabalhando a juros muito próximos do zero. E, agora, toma corpo o que antes apenas excepcionalmente chegou a acontecer: os grandes bancos centrais ou já começaram a operar com juros negativos ou vêm estudando a partir para essa.

Juro zero ou juro negativo (abaixo de zero) é a situação em que o dinheiro está tão abundante que o preço pago por ele (no crédito, por exemplo) fica insignificante. No caso dos juros negativos, em vez de ganhar dinheiro com aplicações financeiras, o investidor tem de pagar para que o banco aceite ficar com o dinheiro dele. Quando um banco central opera a juros negativos, os bancos também têm de pagar para deixar suas reservas no banco central. O objetivo é levá-los a emprestar.

Nessa paisagem de dinheiro sobrando por falta de interessados em tomá-lo por empréstimo, fica a pergunta a respeito do que fazer com ele. Os países avançados estão em recessão e, nessas condições, não têm forte demanda para o crédito. É por isso, também, que tanto dinheiro vai sobrando.

A pergunta que está ao alcance das boas cabeças é por que os bancos ou os países hoje encharcados de dinheiro não canalizam boa parte desses recursos para os países emergentes ou até mesmo para os países pobres, que têm tanta necessidade de financiamentos.

Do ponto de vista dos bancos, por exemplo, trata-se de garantir um bom retorno por um dinheiro que já não rende nada ou até mesmo tem um custo quando depositado no banco central.

Todas as análises sobre o mau desempenho da economia dos países ricos apontam como um dos fatores explicativos a má situação econômica dos emergentes. São economias que passaram a ser obrigadas a cortar encomendas aos países avançados que, por sua vez, enfrentam redução de exportações. Se com maior aporte de capitais, as economias emergentes fossem acionadas, seria inevitável que as economias maduras também fossem beneficiadas, porque aumentariam suas exportações.

O problema é que, nas atuais condições, os emergentes também não estão em condições de enfrentar novos endividamentos. Já apresentam dívidas enormes que, na maioria dos casos, correm o risco de sair do controle, como acontece aqui no Brasil.

Em outros casos, o problema é de falta de consistência nos projetos de desenvolvimento ou, até, de falta de regras consistentes de jogo nas concessões de obras públicas. Quem, por exemplo, seria o maluco que se disporia a investir dinheiro em infraestrutura na Venezuela?

No caso do Brasil, o capital estrangeiro ainda vem acreditando. A entrada líquida de Investimentos foi de US$ 75 bilhões em 2015 e pode ficar por aí também em 2016. Em parte, isso acontece pelo que ficou dito acima: diante da abundância de recursos, o investidor acaba optando por aumentar suas opções de risco e, nessas condições, algum dinheiro acaba aportando no Brasil. Por aí se vê quanto o Brasil poderia tirar proveito dessa abundância de recursos se tivesse um mínimo de consistência em sua política econômica e regras estáveis de jogo para investimentos em infraestrutura.

Dezembro é mês tradicionalmente de vendas ao varejo. A queda de 2,7% em relação a novembro pode causar perplexidade: como em novembro as vendas podem ser mais altas? É que os números já vêm descontados do seu desvio sazonal. Portanto, o efeito vendas de Natal já vem compensado. Mas há a novidade, a black friday (27 de novembro), que antecipou vendas que antes só aconteciam em dezembro. Trata-se de um evento novo que tem evidentemente sua dimensão sazonal já levada em conta pelo IBGE, mas inteiramente captada pelos modelos dos bancos e das consultorias.

O Estado de S.Paulo

Redação On fevereiro - 17 - 2016
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