Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

Filiado a FIESP

Sbado, 18 de Novembro de 2017






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Steel Warehouse Cisa quer preencher lacuna
Ao detectar uma lacuna no mercado brasileiro de aços com espessuras diferenciadas, a Steel Warehouse Cisa investiu em uma operação local para atender a diversos segmentos da indústria. A meta é fornecer cerca de 160 mil toneladas localmente até 2025.

A Steel Warehouse, de capital norte-americano, se aliou à brasileira Cisa Trading para produzir aços com espessuras diferenciadas em uma planta em Paulínia (SP). O investimento foi de R$ 200 milhões e cada empresa terá 50% de participação.

“Estamos entrando em um negócio ainda inexplorado no Brasil”, afirma o diretor-geral da companhia recém-formada, David Sánchez. Ele conta que a empresa comprará bobinas de usinas locais como Usiminas, Gerdau, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e ArcelorMittal e fará o processo de planificar o aço em espessuras que chegam a 25 milímetros, com a chamada “garantia de planicidade”.

“Os concorrentes locais não conseguem oferecer essa garantia”, destaca. O processo chamado de temper pass garantirá mais competitividade aos clientes, garante Sánchez. “Com o fornecimento local, o cliente final terá redução de custos”, pondera.

Segundo a empresa, existem apenas 20 equipamentos no mundo que fazem o temper pass. “O nosso será o primeiro no Brasil.” A planta deve começar a operar em março deste ano.

A Steel Warehouse Cisa atenderá segmentos como máquinas de construção (linha amarela) e agrícolas, automotivo e implementos rodoviários. “Alguns dos nossos clientes nos EUA pediram nossa presença no mercado brasileiro.”

Cenário

A capacidade de produção da unidade de Paulínia é de 200 mil toneladas por ano. “Apesar da crise que o País atravessa, existe espaço para crescermos”, observa o executivo.

Ele afirma que a chegada da empresa trará competitividade ao mercado local. “Nossos clientes vão depender menos das oscilações cambiais ao deixar de importar”, observa.

Sánchez também acredita que a Steel Warehouse Cisa não deve ter problemas na compra de insumos mesmo com a paralisação de diversas linhas de produção de siderúrgicas brasileiras, resultado da crise de sobrecapacidade no País e no mundo.

“Não vamos sofrer com falta de aço. A oferta ainda é muito maior do que a demanda”, complementa o executivo.

Fonte: DCI

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Crise na Usiminas coloca 30 mil vagas de emprego em risco na Baixada Santista

Previsão é do sindicato dos metalúrgicos; empresa pode até entrar em recuperação judicial A siderúrgica mineira Usiminas, que mantém operações em Cubatão e Ipatinga (MG), passa por um momento dramático. Altamente endividada e sem caixa para tocar suas operações, a companhia, que já foi um dos principais símbolos da indústria do aço de Minas Gerais e do País, corre risco de entrar em recuperação judicial. O processo de demissões em curso pelo grupo já afeta a economia tanto da Baixada Santista quanto a de Ipatinga.

Em janeiro, a Usiminas suspendeu as áreas primárias de produção de Cubatão (coquerias, sintetizadores e aciarias), desligou mais um dos seus altos-fornos e deve concluir até o fim deste mês o corte de 1,8 mil trabalhadores diretos.

O anúncio de suspensão das atividades de Cubatão e de cortes foi feito pela siderúrgica em outubro do ano passado. À época, o grupo informou que as medidas tinham de ser feitas para que pudesse “se readequar à realidade do mercado”. Em maio, um dos altos-fornos de Ipatinga já tinha sido desativado. Agora, apenas dois dos cinco estão em operação.

Em crise, Usiminas suspendeu produção de aço na unidade de Cubatão e irá demitir até 1,8 mil trabalhadores

Fato recorrente

Há pelo menos três anos, a Usiminas tem reduzido suas atividades e demitido funcionários. Procurada na sexta, a empresa informou que não divulga o total de trabalhadores diretos do grupo. Afirmou apenas que as recentes demissões somam 1,8 mil funcionários diretos em Cubatão até este mês. Sendo que, em seu último relatório anual, de 2014, o grupo reportou que tinha um total de 20,2 mil trabalhadores.

Crise no setor

O setor siderúrgico como um todo passa por um ciclo de baixa, como reflexo da superoferta global e baixa demanda da China, maior consumidora de commodities. No Brasil, a situação se agravou ainda mais com a crise econômica. O consumo de aço teve forte recuo com a baixa demanda das indústrias automobilística e da construção civil, sobretudo, como apontam especialistas.

Em situação financeira delicada e com uma disputa societária em curso – os principais controladores, a japonesa Nippon Steel e o grupo ítalo-argentino Techint, romperam relações em setembro de 2014 –, a Usiminas não tem liquidez para atravessar o período mais crítico da crise, de acordo com um dos acionistas do grupo, que pediu para não ser identificado.

A empresa, que vai divulgar na próxima quinta-feira seu balanço de resultados de 2015, está tentando renegociar o alongamento de suas dívidas entre 2016 e 2017, que somam quase R$ 4 bilhões (de um total de R$ 8,1 bilhões registrados no terceiro trimestre de 2015) e corre para tentar vender ativos.

Fontes ligadas à empresa afirmaram, contudo, que ela dificilmente conseguirá fechar as vendas. Entre os principais ativos estão a Usiminas Mecânica (bens de capital), a Musa (mineração) e uma participação na ferrovia MRS, além de imóveis.

Impactos

Os impactos das demissões anunciadas pela Usiminas em Cubatão ainda não atingiram a região com força total, mas serão fortemente sentidos nos próximos meses, avalia o vice-presidente do Sindicato dos Siderúrgicos e Metalúrgicos da Baixada Santista, Claudinei Rodrigues Gato – desde outubro de 2015, o sindicato já homologou 1,1 mil demissões de associados que eram funcionários da Usiminas.

“A previsão é de que, com a desativação da produção de aço na fábrica, o número de pessoas que ficarão sem emprego possa chegar a 30 mil, somando os funcionários diretos, terceirizados e aqueles que trabalham em empresas que prestam serviços exclusivamente para a Usiminas”, diz Gato.

Mas, para algumas pessoas e entidades, a expectativa pode ser ainda mais pessimista. A Prefeitura de Cubatão, por exemplo, já prevê quedas substanciais na arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Imposto Sobre Serviços (ISS).

“Em um pior cenário, onde a Usiminas ficaria com apenas 30% de sua atividade, a queda de arrecadação no ICMS seria de aproximadamente R$ 40 milhões por ano (14% do total de arrecadação do tributo). A perda anual com o ISS seria de R$ 37 milhões (16% do total)”, estima a administração.

Famílias

A desativação da produção de aço na Usiminas afetou diretamente a rotina de famílias como a do operador de máquinas Sérgio Claudio Araújo, de 55 anos, demitido no dia 1º de fevereiro de uma empresa de reciclagem de materiais pesados que mantinha 122 funcionários em Cubatão, todos a serviço da usina.

“Não sobrou ninguém em Cubatão, do gerente-geral ao faxineiro. Ainda estou assimilando a pancada, porque meu salário era a única renda da minha família, e avaliando qual rumo tomar”, diz Araújo. “Nós já soubemos de 12 colegas que conseguiram emprego no Ceará e foram embora, mas eu não posso fazer isso, porque preciso pensar nos meus filhos (de 20 e 12 anos) e na minha mulher, saber como uma mudança desse tipo afetará a vida deles”, afirma o operador.

No comércio, a expectativa de retração nas vendas é geral. Para Nery Ambrozio, de 69 anos, dono de um estacionamento no centro da cidade, 2016 será um ano de estagnação. “Nós já percebemos uma redução de aproximadamente 20% no movimento e a tendência é isso piorar, porque tem muita gente indo embora de Cubatão”, observa.

Reações

Desde o anúncio de cortes feito pela Usiminas, o único contato exclusivo entre a Prefeitura de Cubatão e a direção da empresa ocorreu no dia 18 de novembro do ano passado. “Depois disso, os encontros ocorreram na CPI do BNDES, em Brasília, em que a Usiminas foi ouvida, e nas rodadas de negociações no Ministério Público do Trabalho (MPT), onde também estavam representantes das entidades sindicais que representam os trabalhadores”, informou em nota a administração municipal.

Para tentar diminuir o impacto causado pelo fim da produção de aço, a prefeitura reformulou contratos e priorizou os serviços públicos. “Também buscamos novas fontes de arrecadação, porque infelizmente a cidade é muito dependente da produção industrial”, diz Fábio Inácio, secretário de Governo da Prefeitura de Cubatão.

“Em médio prazo, queremos atrair novos empreendimentos e empresas para o município, principalmente os ligados à economia limpa e ao setor de tecnologia. Essa não está sendo uma tarefa nada fácil”, ressalta o secretário.

Em nota enviada à reportagem, a Usiminas disse que “a diretoria executiva está trabalhando para aumentar a competitividade da empresa”, destacando que manteve a área de laminação em operação na cidade. Também declarou que “a desativação das áreas primárias de Cubatão foi necessária, pois o mercado siderúrgico vive a maior crise de sua história”.

Fonte: A Tribuna

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Governo mineiro começa a encarar crise da Usiminas

A situação de uma das principais siderúrgicas do país virou assunto de governo em Minas Gerais. O governador Fernando Pimentel (PT) tem procurado mediar pessoalmente um entendimento entre os dois maiores acionistas da Usiminas, o grupo italiano Terniun – Techint e a japonesa Nippon Steel & Sumitomo. Todavia, até agora, seu esforço deu em nada.

O governo fala na necessidade de uma reestruturação da gestão e financeira e avalia que os japoneses – que há mais de um ano comandam efetivamente a empresa — estão subestimando a gravidade do momento por que passa a empresa, disse ao Valor Marco Antônio Castello Branco, presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e ex-presidente da Usiminas.

O temor é que a empresa seja forçada a iniciar uma onda de demissões em massa em Ipatinga (MG), no chamado Vale do Aço, como fez em Cubatão (SP), e que acabe entrando num processo de recuperação judicial. Perder uma empresa do porte da Usiminas seria um grande golpe para a economia de Minas, que, além de sentir os efeitos da retração do país, já convive com a possibilidade de que outra grande companhia mineira, a mineradora Samarco, feche suas portas em definitivo.

“Desde que assumiu, o governador tem tido contatos regulares com os sócios da Usiminas, os grupos Techint e Nippon”, disse Castello Branco. O objetivo é tentar um acordo que “possa levar os acionistas a preservarem a empresa, empregados, fornecedores e clientes”. Ele diz que o Estado tem poucos instrumentos na mão para agir no caso. “É um esforço muito ligado a tentar mediar, mas todas as tentativas têm sido infrutíferas.”

Castello Branco disse que já houve várias reuniões de Pimentel com Paolo Rocca, herdeiro e principal nome do grupo Techint e Paolo Basseti, que está à frente da Ternium no Brasil; com Eiji Hashimoto e Yoichi Furuta, da Nippon, e com o presidente da Usiminas.

A empresa divulga quinta-feira seus números do último trimestre e de 2015. Ela vem acumulando resultados operacionais fracos e alto endividamento. O excesso de oferta de aço no mundo associado à retração da demanda doméstica são dois dos fatores que prejudicam o setor. Mas a crise foi agravada na siderúrgica com a desavença entre os sócios sobre a gestão da empresa, que vinha desde 2013. No fim de 2014, se agravou com o afastamento, pelo conselho de administração, do presidente e dois vice-presidentes ligados à Ternium. A briga foi para os tribunais e CVM, sem reversão das destituições.

“A Nippon não tem feito com que a Usiminas tenha uma desempenho comparável com outras siderúrgicas. Todo o setor passa por problemas, mas nenhuma delas chegou à situação da Usiminas. Há um problema estrutural de gestão”, disse Castello Branco, que presidiu a empresa de 2008 a 2010 e deixou o cargo sem apoio dos acionistas da época e empregados, tendo a gestão questionada.

Ele diz que o governo tenta aprofundar o diálogo mais com os japoneses, por estarem na direção da empresa. E que Pimentel não toma parte entre os sócios, mas que a visão no governo é que a situação da companhia pode não estar sendo avaliada corretamente pela Nippon. “Sentimos que há subestimação por parte da Nippon. É preciso haver um plano de recuperação crível, com refinanciamento de dívida e aporte de capital”.

Valor Econômico – 15/02/2016

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Maior indústria de máquinas pesadas da China estuda negócios no Acre

Comitiva da montadora XCMG esteve com o governador Tião Viana estreitando relações diplomáticas.
Por Samuel Bryan/ Notícias do Acre

PublicidadeO governador Tião Viana recebeu na tarde desta quinta-feira (11) representantes da indústria estatal de máquinas pesadas da China, XCMG. A comitiva da empresa foi formada pelo presidente mundial da montadora, Yansong Wang, e o presidente da indústria no Brasil, Jinshing Cui, que vieram ao Acre para conhecer as potencialidades da região, além de demonstrar interesse em instalações próprias no Estado para poderem negociar com o mercado andino.

A XCMG é uma empresa estatal, a maior fabricante de máquinas para construção civil da China e a quinta no mundo. A empresa conta com mais de 35 mil funcionários, distribuídos em 22 fábricas em sua cidade sede, Xuzhou, além de outras instalações em Shanghai e Beijing, também na China. Possui uma montadora em Pouso Alegre (MG), num investimento de 500 milhões de dólares.

“Vivemos um momento em que podemos transformar o Acre num portal para o Pacífico. Por 500 anos o Oceano Atlântico foi nossa maior rota comercial, mas nos próximos séculos será o Pacífico”, disse o governador Tião Viana ao apresentar as potencialidades do Estado. Ele também falou que esteve recentemente no Peru – em viagem por terra – e encontrou a Rodovia Interoceânica em perfeitas condições. Segundo o governador, utilizando-a em vez do Canal do Panamá, pode-se economizar até 14 dias para a China.

O presidente mundial da XCMG, Yansong Wang, conta que sua visita também tem um caráter diplomático entre o Acre e a China. Ele conheceu de perto empreendimentos do Estado voltados à área de alimentos, madeira, criação de animais e plantio, e convidou o governador para uma visita à China.

Wang destacou ainda que tentará agendar uma nova visita do embaixador chinês ao Acre e ressaltou a importância do projeto da Ferrovia Interoceânica, que tem parceria entre Brasil e China.

“O Acre é um estado estratégico para alcançar os países andinos. A XCMG tem estabelecido um fundo de investimentos de R$ 30 milhões para o Brasil. E até maio deste ano finalizaremos o projeto da ferrovia, e esperamos que o governo do Brasil dê prioridade”, explicou Yansong Wang.

Tião Viana também relatou as vantagens da instalação de uma indústria da XCMG na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) acreana, e o presidente Wang prometeu um estudo de viabilidade. O deputado federal Leo de Brito acompanhou a reunião e garantiu apoio nos interesses da indústria no Acre.

CIMM – 12/02/2016

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Demissões na indústria metalúrgica podem chegar a 30 mil

A extensão a que chegaram as demissões na indústria metalúrgica preocupa em polos produtores não só do aço, como da cadeia movida pelo setor. Em Sete Lagoas, na Região Central de Minas Gerais, o sindicato local dos metalúrgicos registrou as dispensas de 3,2 mil trabalhadores no último ano que estavam há mais de 12 meses em serviço. Segundo o presidente da entidade e da Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos da Força Sindical em Minas, Ernane Geraldo Dias, dos 23 produtores independentes de ferro-gusa que atuam na cidade, nove estão operando e do total de 37 fornos existentes apenas 13 permanecem ligados.

O desemprego é grande também nas empresas do setor de autopeças, que atendem às montadoras Iveco, do grupo Fiat, instalada em Sete Lagoas, e à fábrica de automóveis da empresa italiana de Betim, na Grande Belo Horizonte. “Vivemos um cenário muito ruim. O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socio-econômicos) aponta que o Brasil poderá ver demitidos mais de 30 mil metalúrgicos neste primeiro semestre”, afirma Ernane Dias. Em Minas Gerais, dados da Fiemg indicam que no ano passado o nível do emprego no ramo da metalurgia caiu 8,7%, ante a média de 7,3% da indústria no estado. Em dezembro, a atividade operava com 58,4% da sua capacidade total instalada de produção.

Entre as siderúrgicas que anunciaram desligamento de altos-fornos, como ajuste à crise do setor, estão Usiminas, em Ipatinga e Cubatão, e CSN. A siderúrgica mineira confirma que até meados deste mês 1,8 mil trabalhadores diretos terão sido demitidos na usina paulista. Recentemente, foi a vez de o grupo Vallourec, um dos maiores fornecedores mundiais de tubos de aço sem costura, anunciar um plano de reestruturação, que determina em abril o desligamento do alto forno 2 da Usina Barreiro em Belo Horizonte, antiga Mannesmann, e a desativação do alto-forno 1 e da aciaria na mesma fábrica no segundo semestre de 2018.

A companhia decidiu concentrar toda a produção de ferro-gusa e aço na nova usina de Jeceaba, na Região Central de Minas Gerais. Na usina de BH permanecerão operando os laminadores e as plantas de acabamento de tubos. “A empresa terá dois anos para minimizar os impactos sociais dessas medidas por meio de transferências internas na própria Usina Barreiro, transferências voluntárias de empregados de Belo Horizonte para Jeceaba e, também, por meio da rotatividade natural da força de trabalho”, diz o comunicado da Vallourec. A companhia mantém em torno de 3,4 mil empregados na usina de BH e 2,1 mil na siderúrgica de Jeceaba.

Em Jeceaba, os trabalhadores esperam que a siderúgica inaugurada em 2011, e com tecnologia de ponta, seja beneficiada no plano de reestruturação. “Como a planta é nova, tem tecnologia avançada e é mais econômica, acreditamos que será favorecida no médio prazo”, disse o diretor administrativo do Sindicato dos Metalúrgicos de Ouro Branco, Carlos José Ribeiro Cavalcanti.

O sindicalista Ernane Dias afirma o plano de renovação da frota nacional de veículos, que está em discussão no governo, é a alternativa com efeitos possíveis para combater a crise na indústria. “Acreditamos muito no plano de reciclagem de veículos. A gente acha que poderia salvar um pouco a lavoura”, afirma. (MV | Estado de Minas)

Fonte: Diário de Pernambuco

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Janeiro reforça pessimismo sobre as vendas de carros

Antes mesmo de 2016 começar, a tendência de mais um ano de baixa, o quarto consecutivo, estava, em geral, consolidada em cenários traçados por montadoras e consultorias que acompanham a indústria de veículos. O tombo das vendas em janeiro, porém, além de realçar o desânimo manifestado em expressões e declarações de executivos do setor, engrossou o coro das previsões mais pessimistas, dando um perigoso sinal de que as apostas num mercado ao redor de 2 milhões de veículos podem estar corretas.

Logo após a divulgação do balanço que revelou o pior desempenho num mês dos últimos nove anos, projeções foram atualizadas a um quadro pior do que se imaginava. Entre elas, a IHS Automotive, que em dezembro via um ano de 2,1 milhões de carros, agora fala em vendas na faixa de 1,9 milhão de unidades – queda de 23,1% frente a 2015 – ou 1,8 milhão se a taxa de desemprego, hoje em 9%, ultrapassar a barreira dos 10%.

Pior do que isso, a IHS avaliou ainda que o mercado não deve ultrapassar a marca de 2,5 milhões de automóveis, perdida no ano passado, antes de 2021, assim como não vê o início de uma reação nos próximos quatro ou seis trimestres, já que o governo levará mais tempo para controlar a inflação e equilibrar as contas públicas.

Antes mais otimista, a Jato Dynamics chegou a considerar a possibilidade de um 2016 estável, mas depois revisou seus números a uma queda de 8% e, com o balanço de janeiro divulgado, ajustou para 8,9%, incorporando uma tendência que passou a ser de queda nos licenciamentos de caminhões, incluídos na conta, juntos com veículos leves e ônibus.

As vendas do mês passado ficaram 38,8% abaixo das de igual período de 2015, com apenas 155,3 mil veículos emplacados. É um número que, nos bons tempos, o setor não levava mais do que duas semanas para perfazer.

Na Anfavea, a entidade que representa as montadoras – e que costuma levar mais tempo para rever estimativas -, a avaliação transmitida por seu presidente, o economista Luiz Moan, é que o resultado de janeiro não ficou fora do que estava no radar. Assim, sua expectativa de um mercado 7,5% menor em 2016 foi mantida.

Os analistas, inclusive os mais pessimistas, e a associação das fabricantes, que nos últimos três anos apresentou projeções que se revelaram otimistas demais, concordam que a curva de queda vai se acomodar ao longo do ano – sobretudo no segundo semestre -, à medida que a base comparativa for atenuada.

Janeiro não se deparou com uma base de comparação fraca, tendo em vista que no primeiro mês do ano passado as concessionárias ainda tinham a oferecer carros em estoque com descontos no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Por isso, não causou surpresa a ninguém que 2016 tenha começado no vermelho, até por que a demanda não vinha dando sinais de reação.

Porém, só os mais pessimistas davam conta de um movimento tão baixo nas concessionárias: menos de 8 mil veículos a cada dia que abriram as portas no mês passado.

Mantido o ritmo, 2016 terminará com vendas próximas de 2 milhões de unidades, o que é uma possibilidade cogitada em cenários de montadoras como Fiat, General Motors (GM) e Ford. Seria uma queda de 22%, se incluídos caminhões e ônibus, além de um retrocesso aos patamares de 2006, quando 1,93 milhão de veículos saíram das lojas.

Para chegar à meta da Anfavea, o desempenho de janeiro terá que ser um “acidente” num já tortuoso percurso e o setor voltar a girar uma média ao redor de 9,5 mil veículos por dia. Com exceção de dezembro, tem sido assim o padrão desde que a crise se agravou no segundo semestre do ano passado.

Retomar essa média diária não só permitiria ao setor ter um ano menos desastroso, como ajudaria nos esforços da indústria de normalizar o nível de automóveis encalhados nos pátios de fábricas e concessionárias. Após as sucessivas paradas de produção, as montadoras já tiraram 86,4 mil veículos dos estoques nos últimos três meses. Porém, como o movimento nas revendas caiu muito, o giro do encalhe segue alto: 49 dias, quando o ideal seria algo ao redor de 30 dias.

Valor Econômico – 15/02/2016

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Mercedes-Benz coloca 1,5 mil funcionários em licença remunerada

Após o fraco início de ano para o setor automotivo, com queda de 38% nas vendas de veículos novos em janeiro, a Mercedes-Benz informou que vai dar licença remunerada a 1,5 mil funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo, em São Paulo, a partir da próxima quarta-feira, dia 17. O número representa 15% dos cerca de 10 mil trabalhadores da fábrica.

A medida foi tomada por tempo indeterminado, mas a assessoria de comunicação da empresa afirmou que os trabalhadores devem ficar nesta condição pelo menos até maio, quando a montadora irá reavaliar o cenário para decidir se mantém a medida ou se recorre a um novo instrumento. Segundo a Mercedes-Benz, a fábrica conta hoje com um excedente de 2 mil trabalhadores. Os 1,5 mil colocados em licença remunerada fazem parte desse grupo.

Além disso, todos os 10 mil empregados, incluindo os que vão entrar em licença remunerada, estão cadastrados no Programa de Proteção ao Emprego (PPE), do governo federal. O programa permite que as empresas diminuam a jornada de trabalho dos funcionários em até 30%, com redução salarial no mesmo nível. Metade da perda salarial, contudo, é compensada pelo governo, com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Quando aderiu ao PPE, a Mercedes-Benz optou por reduzir a jornada em 20%.

Em nota, a empresa disse que 2016 começou com o mercado de veículos comerciais ainda mais baixo, sinalizando que terá um volume de vendas inferior a 2015, “o qual já foi bastante ruim”. “Diante desse cenário, a fábrica de São Bernardo do Campo tem utilizado apenas metade da força de trabalho, o que a mantém em uma situação difícil mesmo com o uso do PPE”, acrescentou.

Os chamados veículos comerciais são os caminhões e os ônibus, produzidos pela Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo. Em janeiro de 2016, a venda de caminhões teve queda de 42,4% ante igual mês do ano passado, considerando o setor como um todo, enquanto os ônibus recuaram 44,9%, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Em todo o ano de 2015, as vendas do setor apresentaram tombo de 47,7% e 38,9%, respectivamente. Não há dados disponíveis sobre o desempenho da Mercedes-Benz.

No ano passado, a forte queda nas vendas do mercado automotivo como um todo resultou no fechamento de 14,7 mil vagas de trabalho. Em janeiro de 2016, mais 379 empregos foram eliminados.

O Estado de S.Paulo – 15/02/2016

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Lorenzetti aposta em expansão modesta

A fabricante de duchas, chuveiros elétricos, metais sanitários e purificadores de água Lorenzetti cresceu 4% no ano passado, alcançando R$ 1,09 bilhão e interrompendo uma década de expansão anual de dois dígitos. A variação foi o menor aumento da receita em 15 anos. O desempenho inferior ao dos anos anteriores refletiu o aumento do desemprego e a queda da confiança do consumidor.

“Crescemos 4% em um ano em que todo mundo foi mal. Comemoramos como se tivéssemos ganhado o campeonato”, diz o vice-presidente executivo da Lorenzetti, Eduardo Coli. As vendas internas de materiais de construção caíram 12,6% em 2015, segundo a Associação Brasileira de Materiais de Construção (Abramat).

A Lorenzetti projeta elevar seu faturamento em 5% neste ano. “Diferentemente dos anos anteriores, optamos por um orçamento mais conservador”, conta Coli. De acordo com o executivo, o mês de janeiro foi, “surpreendentemente, bom”, com vendas acima do mesmo mês de 2015″.

A expansão projetada para este ano ocorrerá pela continuidade de lançamento de produtos de maior valor no mercado interno e de expansão das exportações. “Teremos linhas novas em todas as unidades, mas esperamos um mercado muito difícil”, diz. Em 2015, a melhora do mix foi uma das razões para o faturamento e a rentabilidade terem crescido. O lucro cresceu 6%, alta maior do que a de vendas.

No ano passado, as exportações tiveram alta de 18%. A Lorenzetti vende seus produtos para países da América Latina e da África. Coli não informa a que parcela do faturamento as exportações correspondem. A fatia tende a crescer, em 2016, devido ao real desvalorizado. “O dólar a R$ 4 possibilita abrir novos mercados”, diz.

A estimativa inicial da Lorenzetti para 2015 era de expansão de 12%, após o aumento de 13% do faturamento no ano anterior. Em outubro, Coli avaliava que a alta seria na faixa de 5% a 7%. Com o resultado do quarto trimestre, o crescimento consolidado acabou ficando em 4%.

Os dados de faturamento e a projeção de crescimento da Lorenzetti não incluem a fábrica de louças sanitárias, adquirida em meados do ano passado. Futuramente, a Lorenzetti Louças Sanitárias – novo nome da Sanitex Sanitários Togni – será incorporada à empresa, com a consolidação dos números. Localizada em Poços de Caldas (MG), a fábrica produz vasos sanitários, pias, cubas e tanques.

Até o fim do ano, a unidade de louças vai alcançar produção correspondente a 100 mil peças por mês. O faturamento estimado para 2015 é de R$ 50 milhões. A produção está no patamar de 35 mil a 40 mil peças mensais. A Lorenzetti já investiu R$ 40 milhões em modernização da fábrica e no aumento da capacidade, que chegará a 100 mil peças por mês. Para 2017, a projeção é que sejam produzidas 200 mil peças de louças mensais.

A fabricante não tem buscado novas aquisições, de acordo com Coli, apesar de considerar que os preços dos ativos estejam “muito baixos”. Isso porque não valeria à pena, segundo o executivo, fazer os investimentos necessários no atual cenário de mercado.

Valor Econômico – 15/02/2016

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Wetzel começa negociação com credores

Em recuperação judicial desde a semana passada, a Wetzel, fabricante de peças fundidas e usinadas em ferro e alumínio para a indústria automotiva e componentes para instalações elétricas, prepara-se para iniciar nos próximos dias uma rodada de negociações com os credores. A empresa vai buscar o alongamento da dívida, com redução de encargos e a conversão de parte do passivo em participação societária, mediante emissão de ações com opção de recompra.

Segundo o advogado Thomas Müller, do escritório Dulac Müller, que representa a companhia listada na BMF&Bovespa, a transferência de controle ou a cisão e venda de uma ou mais das três unidades de negócios (ferro, alumínio e eletrotécnica) também podem ser alternativas para a recuperação. O objetivo do controlador André Wetzel, que detém 97,2% das ações ordinárias (ON), é, de acordo com o advogado, preservar a empresa.

As frequentes paradas de produção nas montadoras, levando à queda drástica nas encomendas de autopeças, agravaram a situação financeira na indústria de componentes automotivos, tendo como resultado o fechamento de fábricas e um maior número de empresas insolventes. No ABC paulista, a Arteb, que produz sistemas de iluminação em fábricas nas cidades de São Bernardo do Campo e Diadema, entregou pedido de recuperação judicial. Em nota de esclarecimento enviada a funcionários, a companhia, que demitiu 220 trabalhadores apenas na quinta-feira, cita dificuldades decorrentes do aumento de custos e da falta de crédito para fazer frente a compromissos financeiros.

Na Wetzel, sediada em Joinville (SC), a dívida sujeita à recuperação judicial é de R$ 101,1 milhões, sendo cerca de R$ 60 milhões com bancos e apenas R$ 2 milhões em compromissos trabalhistas. O endividamento total, incluindo passivos não listados no pedido de proteção judicial como contratos de leasing e alienação fiduciária, é de R$ 144 milhões. Há ainda cerca de R$ 100 milhões em dívidas tributárias, mas um pouco mais de 90% do valor já está parcelado e a empresa conta com créditos de aproximadamente R$ 80 milhões.

Conforme o advogado da Wetzel, a empresa está negociando a contratação de um DIP, ou “debtor-in-possession”, um financiamento extraconcursal para capital de giro que garante prioridade de pagamento ao credor em caso de falência, da ordem de R$ 10 milhões. Ao mesmo tempo, vai propor aos bancos credores o alongamento da dívida atual por pelo menos dez anos, com dois a três de carência. Já aos fornecedores de matérias-primas será proposto um cronograma mais acelerado de pagamento.

De acordo com Müller, as dificuldades da fabricante foram provocadas pela retração generalizada dos setores em que ela atua. A companhia encerrou 2015 com receita bruta de R$ 201,5 milhões, ante R$ 260,3 milhões em 2014 e R$ 303,4 milhões em 2013. O patrimônio líquido negativo soma R$ 113 milhões e o prejuízo apurado no ano passado foi próximo de R$ 60 milhões.

Com a queda no faturamento, a Wetzel aumentou a tomada de financiamento para capital de giro e foi apanhada pela alta expressiva dos custos do crédito nos últimos anos, acrescentou o advogado. De 2013 a 2015, enquanto passivo financeiro total passou de R$ 74 milhões para R$ 81,8 milhões, com expansão de 10,5%, as despesas financeiras anuais mais que dobraram: de R$ 7,9 milhões para R$ 17,3 milhões.

A crise também provocou estragos no quadro de funcionários. De 2013 até agora o contingente foi reduzido em 40%, para cerca de mil pessoas, e alguns dias antes do pedido de recuperação judicial 150 empregados foram demitidos. A recuperação judicial, segundo Müller, foi a última alternativa da empresa para manter as operações. No ano passado, a Wetzel chegou a contratar uma consultoria para renegociar as condições do endividamento diretamente com as instituições financeiras, mas não obteve sucesso devido à resistência dos credores.

Valor Econõmico – 15/02/2016

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Arteb demite centenas de trabalhadores e pede recuperação judicial

SÃO PAULO E PORTO ALEGRE  –  A Arteb, que produz sistemas de iluminação em fábricas nas cidades de São Bernardo do Campo e Diadema, na Grande São Paulo, entregou pedido de recuperação judicial na sexta-feira. Em nota de esclarecimento enviada a funcionários, a companhia cita dificuldades decorrentes do aumento de custos e da falta de crédito para fazer frente a compromissos financeiros.

Em nota divulgada nesta segunda-feira, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC informou que a Arteb demitiu cerca de 300 trabalhadores, “alegando falta de crédito para saldar dívidas com fornecedores, bancos e para pagar impostos”. O Valor apurou que, apenas na quinta-feira, haviam sido demitidos 220 trabalhadores.

Para o presidente do sindicato, Rafael Marques, a situação da Arteb não é diferente do que vem enfrentando outras empresas de base, que precisam de capital para manter os negócios.

As frequentes paradas de produção nas montadoras, levando à queda drástica nas encomendas de autopeças, agravaram a situação financeira na indústria de componentes automotivos. O resultado é o fechamento de fábricas e um maior número de empresas insolventes.

O sindicato diz que vai acompanhar o plano de recuperação judicial da Arteb, para garantir a preservação dos empregos. O plano é discutir com representantes da empresa, nesta semana, as demissões que já anunciadas.

Valor Econômico – 15/02/2016

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Didímio metálico é produzido no Brasil

Uma tecnologia que permitiu obter didímio metálico pela primeira vez no país foi desenvolvida por pesquisadores do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo).

O didímio é uma liga metálica constituída dos elementos praseodímio e neodímio, elementos das terras raras. Ele é a base para a fabricação de superímãs usados em turbinas eólicas, motores para veículos elétricos e discos rígidos de computador, entre vários outros.

“A obtenção do didímio mostra que é possível, num futuro breve, a sua produção em escala industrial, contribuição definitiva para completar a cadeia dos ímãs de alto desempenho, peças-chave nas turbinas eólicas e carros elétricos, mas também necessários em dispositivos eletrônicos.

“A ideia é que se tenha no país domínio tecnológico de toda a cadeia produtiva dos ímãs permanentes, desde a extração mineral das terras raras até a fabricação dos ímãs,” afirmou João Batista Neto, coordenador do projeto.

Didímio

O projeto é fruto de uma parceria do IPT com a mineradora CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), líder mundial na produção de nióbio, metal que é extraído de uma mina situada em Araxá (MG).

Além de nióbio, a reserva mineral possui alto teor de terras raras, que estão sendo concentradas em uma planta-piloto construída pela empresa. Entre os produtos já separados está o óxido de didímio.

O elo que faltava para dar andamento à produção dos superímãs era justamente a redução do óxido de didímio em metal, gerando o didímio metálico.

Para obter o material, a equipe do IPT desenvolveu um processo que usa reatores nos quais é feita a redução do óxido, retirando o oxigênio e deixando o didímio metálico purificado.

Com previsão de término para junho de 2016, o projeto agora se concentrará na otimização dos parâmetros de operação e controle do nível de pureza do didímio, já com vistas ao escalonamento do processo para escala industrial.

A seguir, a intenção é purificar o didímio e desenvolver a produção do neodímio metálico.

Inovação Tecnológica – 15/02/2016

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Com a crise, emprego doméstico é alternativa

A recessão em que o país está mergulhado tem levado milhões de brasileiros a perder as conquistas acumuladas nos anos de bonança econômica. Vera Lúcia Pereira, 35 anos, trabalhou oito anos como empregada doméstica até conseguir, em 2012, uma vaga como atendente de telemarketing. Como milhares de trabalhadores, ela ascendeu socialmente, beneficiada pelo aumento do consumo e da oferta de empregos. Com a crise, tudo mudou. A empresa na qual trabalhava cortou funcionários e ela foi dispensada. Para piorar, o marido, Cleidisson Silva, 27, que era vendedor, também foi demitido. A renda familiar, que chegava a R$ 2 mil, minguou para menos da metade de um salário-mínimo.

Com as contas de água, de luz e de aluguel atrasadas, Vera passou a fazer bicos como faxineira e Cleidisson, a buscar uma vaga como caseiro. Sem renda, ela quer voltar a ser uma trabalhadora doméstica com carteira assinada. Prefere ser cozinheira ou arrumadeira. O marido quer ser caseiro para morar na casa dos patrões e tentar fugir da crise. “Com o aluguel alto do jeito que está, não sobra dinheiro pra mais nada. Não conseguimos comprar nem construir uma casa”, afirma. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o aumento da desocupação tem sido acompanhado pela elevação da quantidade de pessoas que trabalham como caseiros, motoristas, babás, jardineiros e faxineiros.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-Contínua) mostra que, em dezembro de 2012, a quantidade de domésticos começou a cair. Naquele mês, 6,1 milhões de brasileiros declararam que tinham uma ocupação em casas de família. Em março de 2013, o número encolheu para 6 milhões, e, em setembro de 2014, para 5,9 milhões. A queda tinha uma explicação. Diante da grande oferta de vagas no comércio, em empresas de serviços ou na construção civil, muitos trabalhadores puderam optar por empregos de maior qualificação. É o oposto do que acontece agora. Com a deterioração do mercado de trabalho, muitas pessoas estão fazendo o cominho de volta, e o número de empregados domésticos voltou a subir. Em 2015, ano que 1,5 milhão de pessoas ficaram desempregadas, a quantidade de domésticos chegou a 6 milhões, em junho, e a 6,2 milhões, em outubro.

Contraste

A piauiense Aurineide Bastos de Negreiros Cardoso, 38 anos, migrou do sertão nordestino para Brasília com o marido em 2008 em busca de melhores condições de vida. Em São Raimundo Nonato (PI), ela trabalhou como doméstica, vendedora de roupas e balconista em uma farmácia, mas tinha uma renda que não ultrapassava R$ 411, o piso salarial da época. Na capital federal, conseguiu uma vaga no comércio e o salário mais que dobrou. Além dos R$ 880 fixos, Aurineide recebia uma comissão sobre as vendas. Em média, garantia R$ 1 mil por mês.

A crise, porém, enfraqueceu as vendas. “Era muito complicado manter a família com salários incertos, porque as comissões diminuíram. Sem contar que isso gerava muita rivalidade entre os colegas de trabalho”, relembra. Aurineide trocou o emprego no comércio por uma vaga como doméstica. A piauiense passou por várias casas até se fixar em uma residência e garantir uma remuneração mensal de R$ 2 mil. “A situação está melhor. Agora tenho a segurança de saber que, se ficar desempregada, vou ter um dinheiro para receber”, diz.

O economista Jorge Arbache, professor da Universidade de Brasília (UnB), explica que a criação de vagas para faxineiros, caseiros, cozinheiras, babás e arrumadeiras contrasta com a realidade brasileira. Ele destaca duas hipóteses para explicar o aumento do número de domésticos. A categoria passou a ter os mesmos direitos dos demais trabalhadores, como Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), jornada de trabalho com garantia de horas extras e adicional noturno. Além disso, em muitos casos os empregados garantem alimentação e moradia. “A criação de empregos domésticos é positiva em um ambiente de alta desocupação. Se não houvessem patrões dispostos a contratar, a situação seria pior”, ressalta.

Rendimento da categoria diminui

A alta do desemprego e o aumento na busca por uma vaga de empregado doméstico implicaram queda do rendimento médio real habitual da categoria. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em outubro de 2014, o salário médio desse grupo de trabalhadores era de R$ 760 no país. O valor encolheu para R$ 751 em julho de 2015 e para R$ 742 em outubro do ano passado.

O economista-chefe da Opus Investimento, José Márcio Camargo, explica que quem perdeu um posto de trabalho tem aceitado vagas com pior remuneração para garantir o sustento da família. E projeta que a situação continuará ruim nos próximos anos porque não há sinais de que o país sairá da crise tão cedo. “Quem foi demitido está fazendo qualquer negócio. E ser um faxineiro, um caseiro ou até um motorista voltaram a ser opção para as pessoas que haviam melhorado de vida. Está havendo um retrocesso, e o aumento do número de trabalhadores domésticos é um exemplo disso”, comentou.

Dificuldades

Com o sonho de estudar e conseguir trabalho com remuneração digna, a maranhense Patricia Nascimento Souza, 28, chegou ao Distrito Federal em 2009. Na cidade natal, Imperatriz, ela trabalhou como empregada doméstica até conseguir uma vaga como garçonete em um restaurante. Na época, o salário aumentou significativamente. Passou de R$ 300 para R$ 580. A convite de uma amiga, Patrícia resolveu tentar a sorte na capital e começou a trabalhar como doméstica. “Dei sorte em conseguir uma oportunidade. Eu não sabia fazer nada”, relembra.

Com o salário de doméstica, Patrícia pagou um curso de técnico em enfermagem na esperança de trabalhar em um hospital. Chegou a fazer estágios na área e a concluir o curso, mas, com a crise, a oferta de vagas na área despencou. “Meu sonho era ser técnica de enfermagem, mas nunca consegui trabalhar na área.”

Desiludida, voltou a trabalhar como doméstica e o salário nunca ultrapassou os R$ 800. Com a experiência de técnica em enfermagem, ela resolveu procurar uma vaga como babá e já fez algumas entrevistas. Para Patrícia, as novas leis trabalhistas para as domésticas são um avanço. “Melhorou muito a nossa situação. Agora, temos os mesmos direitos do que outros profissionais.” Mas ela conta que, com as novas regras, ficou mais difícil conseguir um bom emprego, pois muitos patrões trocaram as empregadas domésticas por diaristas, para não precisarem assinar a carteira.

Informais aumentam

A extensão dos direitos dos trabalhadores do setor privado aos domésticos não acarretou aumento da formalização. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o número de empregados dessa categoria que tem a carteira assinada encolheu. Eles eram 1,9 milhão em março de 2012 e passaram para 1,8 milhão em outubro de 2015. Já o número de informais passou de 4,1 milhões para 4,2 milhões.

Silavanei Evangelista, 27 anos, é um dos que passou a ser um trabalhador doméstico informal. Natural de São Francisco (MG), ele chegou à capital há sete anos em busca do sonho de uma vida melhor e de um emprego que pagasse um salário mais alto. A primeira ocupação foi como caseiro, que lhe rendia um salário-mínimo. Com o bom momento do setor da construção civil, conseguiu uma vaga como armador de ferros em canteiros de obras. Além do salário maior, que chegou a R$ 1 mil, mudou de emprego para ter um horário mais flexível.

Surpresa

Há quatro semanas, a empresa em que Silvanei trabalhava declarou falência e demitiu todos os funcionários. Pego de surpresa e sem receber o salário do último mês trabalhado, ele está procurando emprego no setor, mas não tem encontrado vagas. “Nunca foi tão difícil encontrar emprego como armador. Não me lembro de ter passado tanto tempo desempregado”, relata.

Mas a preocupação vai muito além das contas. O filho, Carlos Henrique, 10 anos, é a principal motivação para que Silvanei continue buscando trabalho. “Ele é estudante e precisa. Eu não posso atrasar a pensão”, conta. Recentemente, cadastrou-se em uma agência para tentar vagas na antiga profissão. “Eu não queria voltar a trabalhar como caseiro. A qualidade de vida é melhor como armador. Mas não tem outro jeito”, explica.

Correio Braziliense – 15/02/2016

Redação On fevereiro - 15 - 2016
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