Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 23 de Setembro de 2017






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Atividade industrial deve seguir fraca em 2016, após cair 8,3% no último ano

A produção industrial deve continuar fraca no início deste ano, depois de registrar um dos piores desempenhos da história em 2015, avaliam economistas. A atividade caiu 8,3% no ano passado ante 2014, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O indicador geral do IBGE apresentou queda pelo 22º mês consecutivo, na comparação anual. “Esse foi o maior recuo desde o início da série histórica em 2003, inclusive suplantando a perda de 7,1% observada em 2009”, afirmou o gerente de pesquisa do IBGE, André Macedo.

Além de confirmar a perspectiva negativa de economistas e industriais, a Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, não indica estabilidade ou possível retomada da produção para os próximos meses.

“A atividade econômica dá sinais reiterados de piora como um todo. O processo de ajuste macroeconômico derivado do choque de preços administrados e da depreciação cambial, apesar de ter um efeito benéfico no médio prazo, ainda vai continuar a deteriorar a atividade ao longo de janeiro”, destacaram analistas da Gradual Investimentos, em relatório.

Na visão dos analistas do Itaú, a baixa confiança dos empresários e o elevado nível de estoques podem limitar a atividade no curto prazo. “O resultado da produção industrial reforça um viés de baixa para o crescimento do PIB em 2016”, observou a equipe do banco, em relatório.

Em janeiro, a indústria brasileira teve nova queda nas encomendas de acordo com o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) divulgado na segunda-feira (1) pelo Markit e HSBC. O indicador atingiu 47,4 pontos em janeiro ante 45,6 pontos em dezembro, abaixo dos 50 pontos que separam alta de declínio.

“Com a demanda ainda fraca, especialmente no mercado doméstico, e o impasse político, as chances de uma retomada em breve são pequenas”, destacou o economista sênior do Markit, Rob Donson.

Para a equipe da Gradual, a opção dos empresários é manter margens de retorno baixas, em função da demanda retraída no mercado doméstico. “Este é o feito desejado do aperto monetário em curso. Há que se considerar, contudo, que ao longo do ano o setor externo tende a melhorar a atividade pela ponta comercial, mas recentes informações da China impõem cautela.”

O economista Nelson Marconi, da Fundação Getulio Vargas (FGV), também vê no setor externo uma oportunidade para este ano, embora a expectativa para o mercado interno ainda seja negativa. “O volume de exportações de produtos industrializados já mostra sinais de melhoria e [há] um indício do processo de substituição de importados. Ambos os fatores podem arrefecer a queda da produção industrial esperada para 2016”, disse Marconi.

O indicador antecedente do HSBC apontou que, em janeiro os novos pedidos para exportação cresceram pelo segundo mês seguido, na melhor taxa dos últimos seis anos favorecidos pelo fortalecimento do dólar em relação ao real.

Categorias

No ano passado fabricação de bens de capital (-25,5%) teve a queda mais intensa sobre 2014, seguida por bens duráveis (-18,7%), semiduráveis e não duráveis (-6,7%) e bens intermediários (-5,2%).

De novembro para dezembro de 2015, enquanto as demais categorias registraram ligeiro avanço, a produção de bens de capital continuou em baixa (-8,2%). “O setor de bens de capital continua encolhendo. Isso é grave não só por ter sido o maior recuo do ano todo, mas principalmente porque pode indicar uma nova rodada de queda do investimento”, ressaltou o Instituto de Estudo para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Para os economistas do Iedi, a baixa demanda por bens de capital pode refletir uma “piora adicional das decisões de investir na economia que, bem ou mal, deve se alastrar para os demais segmentos industriais”.

O levantamento do IBGE mostra que houve recuo em 25 dos 26 ramos e 78,3% dos 805 produtos analisados no último ano. O ramo extrativo (mineração e petróleo) foi o único a registrar desempenho positivo em 2015, com alta de 3,9%.

“Chama a atenção para o resultado de 2015 não só a magnitude da queda, mas o espalhamento entre as categorias”, disse André Macedo, do IBGE. Os indicadores, segundo ele, mantiveram na passagem de novembro para dezembro o comportamento de queda registrado desde o segundo semestre de 2014.

DCI – 03/02/2016

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Especialistas enxergam fundo do poço seletivo na indústria

A queda de 0,7% da produção industrial entre novembro e dezembro de 2015, feitos os ajustes sazonais, veio pior do que esperavam os economistas e mostrou um quadro bastante ruim para os investimentos, mas pode ter representado o “fundo do poço” para alguns setores. Segundo especialistas, isso não significa que a tendência negativa da indústria será revertida nos próximos meses, mas sim que as retrações ficarão mais modestas, dado que os empresários parecem ter adequado o nível de atividade nas fábricas de modo a não elevar ainda mais o volume de estoques. A grande exceção neste cenário fica por conta do setor de bens de capital, que despencou 25,5% no ano passado, mostrando um quadro de desolação para os investimentos.

Segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), divulgada ontem pelo IBGE, a indústria recuou 8,3% de janeiro a dezembro de 2015, pior resultado na série histórica do levantamento, iniciado em 2003. O setor opera em patamar semelhante ao de janeiro de 2009 e está 19,5% abaixo do pico histórico alcançado em junho de 2013.

A forte contração ao longo do ano reflete um cenário macroeconômico deteriorado, avaliou o gerente da coordenação de indústria do IBGE, André Luiz Macedo. Baixa confiança de empresários e consumidores, mercado de trabalho desaquecido, renda em queda, crédito mais caro e restrito e inflação em alta foram fatores negativos para a indústria, apontou Macedo.

Na comparação mensal, a principal influência negativa sobre a atividade industrial em dezembro veio dos fabricantes de bens de capital, que reduziram sua produção em 8,2% sobre novembro. As demais três categorias de uso subiram no período, com destaque para a de bens duráveis (ver quadro), que havia acumulado perda de 18,1% nos últimos quatro meses.

Também na passagem mensal, 13 dos 24 ramos pesquisados pelo IBGE recuaram. As maiores quedas ocorreram nos segmentos de máquinas e equipamentos, bebidas e metalurgia. Do outro lado, entre os 11 setores que aumentaram sua atividade, estão os de veículos automotores, equipamentos de informática e papel e celulose.

Os números de dezembro indicam um “desastre” para os investimentos, dado o desempenho do segmento de bens de capital, avalia Júlio Gomes de Almeida, professor da Unicamp e consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), mas podem significar que o “fundo do poço” finalmente chegou para os demais grandes setores. Reforçam essa análise os índices de confiança empresarial de dezembro e janeiro da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirma Almeida, que subiram puxados pela melhora de expectativas de curto prazo.

“O grande problema é que se a queda do investimento não for definida por um fator episódico, e eu acredito que não, tudo o que se revelou um pouco melhor em dezembro vai por água abaixo”, pondera ele. Isso porque, quando cai a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida das contas nacionais do que se investe em máquinas, construção civil e pesquisa), primeiramente a indústria de bens de capital é afetada, mas, em um segundo momento, a geração de renda é reduzida, o que tem impacto sobre todos os demais segmentos industriais.

De qualquer forma, o economista do Iedi afirma que os dados do IBGE trouxeram notícias positivas, relacionadas principalmente ao processo de ajuste dos estoques indesejados. “Parece que chegou um ponto em que os empresários não estão mais acumulando estoques indesejados. Isso significa uma grande melhora? Ainda não, mas significa que agora o empresário está deixando de perder tanto.”

De acordo com a Sondagem da Indústria de Transformação da Fundação Getulio Vargas (FGV) referente a janeiro, o indicador de nível de estoques do setor caiu 4,3 pontos sobre dezembro, para 117,3 pontos. Cinco das seis categorias de uso pesquisadas reportaram volume menor de mercadorias paradas, com exceção de bens duráveis, em que a proporção de empresas com estoques excessivos superou em 51,7 pontos a fatia com estoques insuficientes.

Por conta do volume ainda expressivo de inventários acumulados no setor e da retração das vendas de veículos em janeiro, calculada pela Fenabrave (entidade que reúne concessionárias), o economista Rodolfo Margato, do Santander, diz que a alta na produção de bens duráveis em dezembro terá vida curta. Por outro lado, ramos como papel e celulose, alimentos e calçados já podem ter recebido impulso positivo do setor externo naquele mês, tendência que deve continuar neste ano.

A produção de alimentos cresceu 2,6% ante novembro, enquanto a atividade no segmento de papel e celulose aumentou 5,4%. A produção de couro, artigos de viagem e calçados teve alta menor no mês, de 0,6%. “Esses setores vão mostrar alguma recuperação, ainda que de forma bastante lenta, neste ano”, disse.

Como, porém, a herança estatística deixada por 2015 para o ano seguinte é negativa em cerca de 6% e o quadro segue desafiador para os setores de bens de capital e bens duráveis, Margato descarta qualquer chance de reação da indústria em 2016, quando a atividade industrial deve recuar 5,5% em seus cálculos.

A queda de 25,5% da produção de bens de capital em 2015 indica que a indústria está cortando investimentos e que a recuperação do setor não virá em 2016, concorda Natalia Cotarelli, do banco ABC Brasil. Ela espera redução de 3,5% da produção industrial neste ano.

Valor Econômico – 03/02/2016

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Indústria ladeira abaixo

A produção industrial caiu 8,3% no ano passado, e analistas preveem nova retração em 2016. A indústria brasileira registrou queda recorde de 8,3% na produção em 2015 — o maior tombo em 13 anos — e caminha para acumular três anos seguidos de retração, quando consideradas as previsões para 2016. Analistas de mercado dão como certa uma nova queda este ano, estimada em 3,8%. E nem em 2017 a recuperação estaria garantida: a média do mercado prevê crescimento de 1,5%, patamar longe de compensar as perdas recentes. Mas já há quem estime recuo no próximo ano, de 2%, como a MB Associados.

A sucessão de quedas na indústria ainda está longe do fim. Economistas estimam que a indústria terá novos recuos nos próximos meses — embora menos intensos — e algum sinal de recuperação só é esperado em meados do segundo semestre. O caminho para a reação da indústria passaria necessariamente pelo aumento das exportações, beneficiadas pelo dólar alto, mas seu impacto é considerado limitado, segundo especialistas. O peso das exportações na indústria — o chamado coeficiente de exportações, segundo a Confederação Nacional da Indústria ( CNI) — era de apenas 19,8% no terceiro trimestre de 2015.

A retração na indústria no ano passado foi ainda mais intensa que em 2009, quando o setor recuou 7,1% sob os efeitos da crise financeira internacional. A indústria voltou a operar no mesmo patamar de 2009 e está 19,5% abaixo de seu nível recorde, obtido em junho de 2013. O resultado do ano passado chama a atenção não apenas pela intensidade da perda, mas também pelo comportamento generalizado: 25 dos 26 setores tiveram taxas negativas. A única exceção foi a indústria extrativa, com alta de 3,9%.

— Infelizmente teremos que nos conformar em 2016 e 2017 com uma indústria que terá nível de produção de 2004 e 2005. Mesmo com algum crescimento no ano que vem, a indústria mal retomará o patamar de 2015. As consequências serão mais desemprego no setor, com pessoal realocado para outros setores, como serviços. Só que a indústria é o setor que mais concentra trabalho formal e vagas com renda maior — afirma o diretor de Pesquisa Econômica da GO Associados, Fabio Silveira.

Ele destaca que um dos entraves à recuperação é que o governo não tem como recorrer a fórmulas recorrentes para estimular o setor, como redução de juros ou diminuição da carga tributária. Neste cenário, os sinais de alento viriam das exportações de produtos como automóveis, têxteis e produtos industrializados. A retomada da economia argentina também teria efeito positivo.

RAZÕES PARA A CRISE SE MANTÊM
Para Leonardo Carvalho, técnico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ( Ipea), a solução para a crise do setor dependerá de ações de efeito mais lento, como redução do custo- Brasil e investimento em logística.

O pessimismo em relação a 2016 se explica porque fatores que comprometem o desempenho da indústria — como confiança em baixa de empresários e consumidores, crédito mais caro e mercado de trabalho mais fraco, com aumento de desemprego e queda na renda — se mantêm, segundo Carvalho:

— A indústria está parada desde o segundo semestre de 2010 e, mais recentemente, a situação se intensificou com problemas ligados à demanda. Já foram perdidos cinco anos desta década. Se as coisas continuarem em passo lento, e a solução do problema parece nebulosa, poderíamos ter mais um ano perdido, o de 2016.

Gerente da Coordenação de Indústria do IBGE, André Luiz Macedo avalia que a conjuntura econômica permanece com as mesmas características observadas ao longo de 2015. A alta na produção de bens duráveis em dezembro, de 9,4%, não deve ser interpretada como um alívio, já que a base de comparação é muito deprimida.

E há quem acredite que o fundo do poço ainda não foi alcançado, como o economistachefe da MB Associados, Sergio Vale. Na sua avaliação, os primeiros sinais de janeiro no setor de veículos “não dão alento para o resto do ano”. A Federação Nacional de Veículos Automotores ( Fenabrave) divulgou que a venda de veículos novos caiu 38,8% em janeiro, frente a janeiro de 2015. Sua projeção é de recuo de 5,5% da indústria em 2016. Sem mudança política, diz Vale, há risco de queda em 2017:

— Dado que a incerteza política continuará durante todo o semestre, é difícil imaginar que consiga haver recuperação. O que se precisa urgentemente é uma mudança política. Sem isso a indústria afunda não apenas neste ano, mas também em 2017.

Economista do Instituto para o Desenvolvimento Industrial ( Iedi), Rafael Cagnin diz que “as exportações favorecem, mas não salvam”:

— O peso das exportações na indústria não é tão grande, então as exportações não são uma panaceia. É um fator favorável pela substituição de importações, mas precisamos lembrar que a economia internacional não está crescendo tanto.
Como reforçam Silveira, da GO Associados, e Sergio Vale, da MB Associados, o setor exportador não é capaz de alavancar a indústria sozinho.

— Nem as exportações conseguirão ser um alívio, pois a dependência do mercado doméstico ainda é maior — diz Vale.

Uma das preocupações é a perda de participação da indústria. Economistachefe da Rosenberg& Associados, Thais Zara lembra que a fatia da indústria no Produto Interno Bruto ( PIB) caiu de 18% em 2005 para uma parcela de 12%.
Considerando apenas o mês de dezembro, a produção caiu 0,7% frente a novembro e 11,9% em relação a dezembro de 2014.

O Globo – 03/02/2016

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Apesar de dólar caro, indústria brasileira é pouco competitiva

A forte desvalorização do real e a recessão têm sido insuficientes para reduzir de forma relevante o custo da mão de obra na indústria e elevar a competitividade do setor no exterior.

O chamado CUT (Custo Unitário do Trabalho) da indústria caiu 27,5% de janeiro para novembro de 2015, segundo cálculo do BC com base nos dados do IBGE.

O CUT é um índice relevante para medir a competitividade da indústria, porque aponta o custo do trabalho para produzir uma unidade de bem industrial. No seu cálculo, é utilizado o índice de folha de pagamentos da indústria do IBGE, ponderado pelo índice de produção física e pela taxa de câmbio.

Até agora, no entanto, a redução do custo do trabalho é muito pequena quando comparada ao significativo aumento dessa despesa, que ocorreu nos anos Lula. O CUT na indústria em novembro de 2015, último dado disponível, ainda é 158% superior ao de dezembro de 2002, antes de o PT assumir o poder.

Vários fatores incentivaram o aumento do custo do trabalho, principalmente entre 2003 e o fim de 2012, como os significativos reajustes do salário mínimo e o forte crescimento do PIB.

“A desvalorização do câmbio sempre traz alguma competitividade, mas não é sustentável. O efeito vai acabar quando a moeda brasileira estabilizar. A indústria não vai melhorar sem mais produtividade”, diz Renato Fonseca, gerente-executivo da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

Nas últimas décadas, a indústria brasileira encontra muita dificuldade para elevar sua produtividade, por causa de má gestão, infraestrutura precária e baixa qualificação dos trabalhadores.

Para José Marcio Camargo, especialista em trabalho do PUC-RJ, o forte aumento do preço dos serviços acabou impactando todos os salários do país, inclusive da indústria, por causa da disputa por trabalhadores entre os dois setores e do peso de serviços como educação e saúde no orçamento das famílias.

Ele acredita que o custo do trabalho na indústria só vai cair significativamente quando os preços do serviços subirem em ritmo compatível ou até menor que os produtos industriais e agrícolas.

Para o professor Naércio Menezes, do Insper, o custo do trabalho na indústria hoje não é alto e apenas voltou aos patamares de 1994. “Tudo depende do período de comparação”, diz.

O levantamento do BC efetivamente aponta que o custo unitário do trabalho na indústria em novembro de 2015 estava apenas 4,4% maior do que em janeiro de 1994.

Naércio explica que, entre 1995 e 2003, houve forte queda do salário no Brasil por causa do desequilíbrio externo e do fraco crescimento da economia nos últimos anos do governo FHC.

A economista Patrícia Pelatieri, especialista do Dieese, também contesta a tese de que o custo elevado do trabalho é um dos fatores que mais pesa na competitividade da indústria no exterior.

Ela afirma que o custo brasileiro do trabalho sempre foi baixo pelo menos em na comparação com outros países latino-americanos.

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Custo das empresas com logística cresce ainda mais em 2015
A escola de negócios Fundação Dom Cabral (FDC) divulgou nesta terça-feira (02) um estudo sobre os custos logísticos para empresas e o impacto disto nos negócios. A pesquisa, intitulada “Custos Logísticos no Brasil 2015”, consultou 142 companhias brasileiras, cuja região mais expressiva foi a Sudeste, de 22 segmentos industriais e que obtiveram faturamento total equivalente a 15% do PIB nacional.

Na análise, observou-se que o custo logístico de 2015 cresceu 1,8%, considerando a média ponderada pelo volume de vendas das empresas pesquisadas, em relação à pesquisa de 2014 – foi de 11,52% para 11,73%. Nas empresas com volume de vendas entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão, o custo logístico aumentou em 30%. Tal comportamento se repetiu entre as empresas que faturam entre R$ 150 a R$ 200 milhões e R$ 2 a R$ 10 bilhões, entretanto, em menor escala: houve um aumento de 5% e 6%, respectivamente.

De todas as regiões, a Centro-oeste foi a que mais apresentou crescimento nas despesas com logística (30%), enquanto a Sul foi a única que apontou queda – de 10,6% para 10%. Em relação ao setor, os maiores acréscimos foram em agronegócio, alimentação e auto indústria: tais segmentos tiveram um crescimento de 14%, 9% e 3%, respectivamente.

Os entrevistados do estudo apontaram os custos com transporte, distribuição urbana e armazenagem como os principais fatores que impactam o preço final. Além disso, o transporte de longa distância é o aspecto mais representativo nas despesas logísticas, representando 50% do total, seguido do transporte de curta distância, em área urbana, com 20%. A pesquisa também ressaltou que os elementos de maior dependência das companhias neste aspecto são as rodovias, máquinas e equipamentos e profissionais qualificados.

Em relação ao transporte de insumos e produtos, as rodovias se destacam e é o modal mais utilizado pelas empresas (80%), seguido do ferroviário (8%) e aeroviário (5%). Desta forma, a melhoria das condições das rodovias é um fator importante para reduzir os custos logísticos (87%), acompanhado da mudança na cobrança de ICMS (67%) e expansão da malha ferroviária (59%).

Para as companhias consultadas, a participação da iniciativa privada é crucial para o desenvolvimento dos projetos de infraestrutura no Brasil. Neste sentido, destacam-se os projetos de concessão rodoviária – 89% consideram a participação privada essencial ou extremamente essencial –, concessão ferroviária (90%), administração portuária (88%) e gestão de aeroportos (88%). (América Economia)

Fonte: Portos e Navios

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Formalizar empresas não resolve produtividade

Cristiano Romero

Existe um consenso antigo, no debate econômico, de que empresas informais são menos produtivas que as formais. A baixa produtividade limita, por sua vez, o crescimento da economia. Nas últimas décadas, inspirados por organismos internacionais, vários países adotaram incentivos, principalmente de natureza tributária, para formalizar negócios e, assim, aumentar a produtividade de suas economias.

O que se vê agora, por meio de estudos de especialistas, é que incentivar a formalização não resolve o problema da produtividade. Pode até ajudar, mas não é panaceia.

A princípio, as empresas informais, observa o economista Luiz Guilherme Schymura, diretor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), são menos produtivas por quatro razões. A primeira é o difícil acesso a crédito, uma vez que banco não empresta dinheiro a firma sem registro. Além disso, geralmente, empresas informais empregam mão de obra de baixa qualificação.

Incentivo tributário para formalização não é melhor política

Pode-se dizer também que negócios informais têm ganhos de escala limitados pela necessidade de não chamar a atenção das autoridades fiscalizadoras. Uma quartão razão é que suas redes de distribuição são bem mais restritas. A combinação desses fatores provoca consequências negativas, como o uso de máquinas e equipamentos precários e a adoção de piores práticas de gestão e organização.

“Uma visão impressionista, portanto, sugere que, com a formalização, todos esses entraves tendem a se dissolver, o que naturalmente seria um impulso direto e potente à produtividade geral”, diz Schymura, que se dedicou ao estudo da recente literatura sobre o assunto. “Existe, porém, um crescente corpo de pesquisa econômica a indicar que a tão propalada causalidade que vai da formalização à melhora da produtividade não é necessariamente verdadeira. Na realidade, o tema é bem mais complexo do que parece à primeira vista e bem mais suscetível de ser abordado de forma errada pelas políticas públicas do que se imaginava.”

O economista argentino radicado nos Estados Unidos Rafael La Porta, em coautoria com o russo-americano Andrei Shleifer, concluiu em artigo – “Informality and Development”, publicado em 2014 no “Journal of Economic Perspectives – que a informalidade surge mais como consequência do que causa da baixa produtividade das empresas. O trabalho acabou sendo um contraponto às ideias de economistas como Hernando de Soto e Diana Farrell.

Soto desenvolveu a visão de que as companhias informais são um reservatório de produtividade pronto a ser explorado pela formalização. A formulação foi classificada de “romântica” por La Porta e Shleifer. Farrell, em trabalho feito para a consultoria McKinsey (“The hidden dangers of the informal economy”), argumentou que as empresas informais apresentam como característica o parasitismo e as práticas desleais à concorrência, fatos que prejudicam o crescimento econômico.

A questão central, para La Porta e Shleifer, é que as empresas informais são criadas e comandadas por empresários de baixa educação. As empresas são improdutivas e pequenas e produzem mercadorias ou serviços de má qualidade, destinados a consumidores de baixo poder aquisitivo. Na produção, usam pouco capital e adicionam pouco valor.

“Em contraste, empresas formais são administradas por empreendedores mais educados, que pagam impostos e se sujeitam à regulação por terem capacidade de explorar os benefícios do crédito e de detectar e aproveitar oportunidades de negócios, ganhos de escala e maior sofisticação operacional”, diz Schymura, que tratará do tema na próxima Carta de Conjuntura do Ibre.

O Banco Mundial, por meio do “Doing Business” (um ranking global sobre o custo de regulação em 189 países), estabeleceu a “facilidade de abertura de empresas” como critério fundamental para se medir o ambiente de negócios de uma economia. Nesse critério, o Brasil é o 174º colocado. A pesquisa acabou estimulando governos em todo o mundo a adotar medidas para estimular a formalização das empresas.

O problema é que se constatou que, após mais de uma década de iniciativas para facilitar o processo de formalização de firmas, nos países em desenvolvimento houve um aumento apenas modesto das empresas formais, segundo pesquisa conduzida, em 2013, por dois pesquisadores do próprio Bird – Miriam Bruhn e David McKenzie.

“Em outro estudo, abordando o caso mexicano, Bruhn indica que o tipo de empresário informal em relação ao qual reformas pró-formalização fazem algum efeito é justamente aquele que tem características parecidas com as dos empreendedores formais, como maior escolaridade e capacidade e vontade de tomar riscos de negócio”, explica Schymura. “Entre os empreendedores informais de baixa escolaridade, tão comuns no mundo em desenvolvimento, frequentemente a motivação do negócio é a sobrevivência – o ‘bico’, que muitas vezes é abandonado quando surge a oportunidade de um emprego formal.”

No fundo, o que faz a diferença, em termos de aumento da produtividade, não é necessariamente o fato de uma empresa informal se tornar formal. A diferença está na capacitação do empreendedor. Formar capital humano de alta qualidade é, portanto, muito mais importante do que formalizar empresas. Nos Estados Unidos, esse capital surge, em grande medida, nas universidades, onde em geral o ambiente é rico em conhecimento, é estimulante e pró-inovação.

“É recomendável não caminhar de forma açodada nas políticas de renúncia tributária que buscam estimular a formalização, na pressuposição de que são medidas que automaticamente se traduzem em ganhos de produtividade para a economia. Ainda mais em um momento que as contas públicas passam por extrema vulnerabilidade”, adverte o diretor do Ibre, lembrando que, recentemente, a Comissão de Assuntos Econômicos aprovou a ampliação dos limites de enquadramento do Simples.

“A formalização, ao contrário do que muitos pensam, não é uma panaceia, mas sim uma agenda que está inexoravelmente ligada ao esforço em múltiplas frentes do desenvolvimento, e que tem na educação e na formação do capital humano um elemento central e indispensável.”

Cristiano Romero é editor-executivo e escreve às quartas-feiras

E-mail: cristiano.romero@valor.com.br

Valor Econômico – 03/02/2016

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Usiminas congela os salários

Siderúrgica oferece reajuste zero aos empregados e sindicato quer aumento de 10,33% do IGPM

Ludmila Pizarro

A crise na Usiminas pode fazer o poder de consumo dos funcionários da usina de Ipatinga voltar a um padrão de quase 15 anos atrás, nos cálculos do Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga e Região (Sindipa). “A Usiminas está oferecendo um acordo trabalhista com reajuste zero aos trabalhadores. A gente quer pelo menos o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) que, em 2015, foi de 10,33% para não perder poder de consumo. Isso porque nos últimos 15 anos, os funcionários da Usiminas tiveram 12,48% de ganho real no salário e a empresa quer tirar 10,33% desse ganho de uma vez”, explica Geraldo Magela Duarte, diretor de finanças do Sindipa.

A empresa alega que a proposta aos funcionários é fruto da queda do consumo do aço, que teve uma retração de 16,7% em 2015, segundo o Instituto Aço Brasil (IABr). Em nota, a Usiminas declara que “um excesso de capacidade produtiva da ordem de 700 milhões de toneladas de aço no mundo, tem depreciado os preços internacionais”. Com isso, “a Usina de Ipatinga, devido a este desaquecimento do mercado, tem operado com níveis mínimos de produção. Um dos três altos-fornos teve que ser temporariamente desativado em junho, sem previsão para retorno”, declara a empresa. Além disso, a Usiminas diz que “nos nove primeiros meses de 2015, a empresa acumulou um prejuízo líquido de R$ 2 bilhões”.

Queda de braço. O Sindipa e a Usiminas negociam há cerca de três meses o reajuste. Segundo Magela, já foram realizadas oito reuniões de negociação, uma delas mediada pelo Ministério do Trabalho. Um novo encontro está marcado para esta sexta-feira, dia 05.

Polêmica. Outro ponto polêmico é a proposta da Usiminas de garantir 98,4% dos empregados em Ipatinga. “Não podemos assinar um acordo autorizando a empresa a demitir 1,6% dos funcionários. Esse número não envolve aposentados, demissão por justa causa, ou pedido de demissão. Pelos nossos cálculos, isso significaria cerca de 200 demissões em um ano”, diz Magela. “Os 1,6% representam uma média do turnover (rotatividade) natural da empresa, Não significa, absolutamente, que 1,6% serão demitidos”, diz a Usiminas.

Na primeira semana de janeiro, o eletricista de manutenção André Vital, 34 – que há seis anos trabalhava na Usiminas, em Cubatão, cidade do litoral de São Paulo – foi demitido. Com o fim da produção de aço na unidade, anunciado em outubro passado, cerca de 4.000 funcionários – 2.000 diretos e 2.000 terceirizados – foram desligados.

As demissões da Usiminas provocarão um efeito dominó sobre o emprego. Uma estimativa feita por José Nicolau Pompeo, economista e professor da PUC-SP, aponta que 4.000 demissões na Usiminas, maior empregadora da região ao lado da Petrobras, fechará até 30 mil vagas a curto prazo nas nove cidades da região.

Segundo o presidente do Sindicato dos Siderúrgicos e Metalúrgicos da Baixada Santista, Florêncio Resende de Sá – mais conhecido como Sassá – as demissões em janeiro de 2016, somando empregados e terceirizados, chegaram a 2.000 pessoas. “Ontem (segunda-feira) mesmo, eles demitiram 126 terceirizados de um fornecedor que tinha contrato até 2021”, afirma Sassá.
“Empresas que prestam serviços para a Usiminas já estão demitindo. E, com menos dinheiro circulando, farmácias, supermercados, restaurantes, lojas de roupas e sapatos e os consultórios de dentistas e médicos vão sentir o baque”, diz o economista Pompeo.

A Usiminas admite a demissão de 1.800 empregados diretos. “Para minimizar o impacto, a Usiminas conseguiu redirecionar 300 empregados para outras atividades da usina, reduzindo o número de empregados diretos desligados de pouco mais de 2.100 para 1.800”, diz a empresa por meio de nota.

Fonte: O Tempo

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Volkswagen afastará 800 operários em fábrica no ABC, afirma sindicato

SÃO PAULO  –  A partir deste mês, a Volkswagen voltará a afastar operários da produção no parque industrial de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, conforme informação divulgada pelo sindicato dos metalúrgicos da região, porém não comentadas pela montadora.

A fábrica, que produz o Gol e a picape Saveiro, vai parar as máquinas durante toda a semana que vem, emendando o feriado de Carnaval. Na volta, porém, um grupo de 800 metalúrgicos — ou mais de 10% dos pouco mais de 7,5 mil trabalhadores empregados em setores produtivos — seguirá afastado por um período superior a cinco meses.

Primeiro, a partir de 15 de fevereiro, eles entrarão em férias coletivas de 20 dias. Com o fim das férias, serão colocados em “layoff”, sistema em que os contratos de trabalho são suspensos por cinco meses. Nesse período, parte dos salários (R$ 1,4 mil) é custeada pelo governo com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

A montadora acertou em setembro a adesão ao programa de proteção ao emprego, o PPE, o que lhe permite reduzir jornadas de trabalho e gastos com salários em 20%. A fábrica passou, então, a operar com um dia útil a menos por semana, mas essa alternativa tem sido insuficiente diante do aprofundamento da crise na indústria automobilística.

Com a adoção do “layoff”, os operários que serão afastados deixam temporariamente de fazer parte do PPE.

Valor Econômico – 03/02/2016

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Nem programa do governo impede dispensa de trabalhador

Sem perspectivas de melhora no mercado, a Mercedes-Benz, fabricante de caminhões e ônibus, vai dar licença remunerada por tempo indeterminado para 1,5 mil trabalhadores da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) a partir do dia 17. O número equivale a 20% da mão de obra da área de produção.

Já a Volkswagen vai colocar cerca de 800 funcionários em lay-off (suspensão temporária dos contratos) por cinco meses também na fábrica do ABC Paulista. Com isso, aumenta para 2 mil o total de operários da unidade em lay-off, ou 10% do quadro de pessoal da linha de montagem dos modelos Gol, Saveiro e Jetta.

As duas fábricas adotam o Programa de Proteção ao Emprego (PPE), que reduz jornada e salários dos funcionários em 20%. Mas a medida, lançada pelo governo no ano passado para tentar evitar demissões, não tem sido suficiente.

“O mercado em 2016 começou pior do que os níveis de 2015, que já foram muito baixos”, diz o diretor de Comunicação e Relações Institucionais da Mercedes-Benz, Luiz Carlos de Moraes. “E não vemos nenhum sinal de melhora pelo menos até maio, quando vamos reavaliar a medida adotada agora.”

A produção de caminhões e ônibus na empresa caiu mais de 40% em janeiro na comparação com o mesmo mês de 2015, segundo dados fornecidos pela empresa ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A Mercedes afirma ter atualmente mais de 2 mil trabalhadores excedentes.

Licença e PPE. Segundo a Mercedes-Benz, como os funcionários participam do PPE e não trabalham quatro dias por mês – programa iniciado em setembro e válido até maio –, a licença remunerada (sem descontos futuros) será considerada para os demais dias.

No PPE, o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) banca metade do corte dos salários – nesse caso, 10%. No período do lay-off, cada trabalhador recebe parte do salário (cerca de R$ 1,4 mil) também do FAT e frequenta cursos de qualificação.
Na Volkswagen, os 800 trabalhadores ficarão em casa na semana do carnaval, junto com todos os demais funcionários, emendam essas folgas com 20 dias de férias coletivas e, na sequência, entram em lay-off, somando-se a outros 1,2 mil trabalhadores que já estão nesse programa, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos. A montadora não comentou o assunto.

As vendas totais de caminhões e de ônibus no mercado brasileiro caíram 43% no mês passado em relação aos números de um ano atrás, para 4,3 mil unidades e mil unidades, respectivamente. As de automóveis recuaram 40%, para 108,5 mil unidades, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Carnaval mais longo. Nesta semana, a General Motors também informou que demitiu 517 de um grupo de funcionários que estava em lay-off e que deveria ter retornado ao trabalho na segunda-feira na unidade de São José dos Campos (SP).

A Ford abriu um programa de demissão voluntária (PDV) na fábrica de Camaçari (BA). Diversas montadoras anunciaram que vão parar a produção durante toda a semana do carnaval, algumas por períodos mais longos, entre elas a Volvo, de Curitiba (PR) e a General Motors nas filiais de Gravataí (RS) e Joinville (SC).

Demissões. No ano passado, com forte queda nas vendas, a indústria automobilística demitiu 14,7 mil trabalhadores e, hoje, as fábricas empregam menos de 130 mil pessoas.

A produção de veículos caiu 22,8% em 2015, chegando a 2,4 milhões de veículos. Para este ano, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta uma estabilidade na produção, tendo como base um crescimento de 8% nas exportações (para 451 mil veículos) e uma nova queda de 7,5% nas vendas domésticas (para 2,37 milhões de unidades).

O Estado de S.Paulo – 03/02/2016

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Fiat Chrysler quer reduzir emissões

A Fiat Chrysler Automobiles NV divulgou ontem que vai reduzir as emissões de seus veículos, numa tentativa de se antecipar ao debate sobre futuras regras de emissões na Europa.

A montadora ítalo-americana está atualizando a maneira como mede as emissões de seus motores a diesel para que seus veículos tenham o mesmo desempenho durante testes realizados em laboratórios ou em condições reais de tráfego. A Fiat Chrysler afirmou que apoia a iniciativa da UE de adotar novos procedimentos de teste baseados nas condições reais de tráfego, o que tornaria os resultados mais claros para o setor e os consumidores.

A iniciativa da Fiat segue o exemplo de outras montadoras europeias, num momento em que elas se preparam para um aperto na fiscalização deflagrado pelas revelações, nos Estados Unidos, de que a Volkswagen AG fraudou testes de emissões de poluentes por anos.

Enquanto isso, investidores tentam avaliar se o escândalo da Volks pode se espalhar pelo setor. Em janeiro, a ação da Renault SA caiu 20% depois que autoridades investigando a questão das emissões deram uma busca em suas instalações.

Com muitas cidades europeias lutando para combater a poluição, há grande apoio público para testes mais rigorosos, mas cumprir as novas normas será oneroso para as montadoras, que já investem mais de US$ 1 bilhão para desenvolver um novo sistema.

Valor Econômico – 03/02/2016

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Produção do setor de bens de capital recua uma década

Nos últimos dois anos, o empresário Cesar Prata reduziu de 50 para 14 a quantidade de funcionários da Asvac Bombas – o destino principal das bombas são navios e plataformas de petróleo. “Com essa crise, a saída da empresa foi diminuir de tamanho e ficar quieta até passar a tempestade”, afirma Prata.

A tempestade que atinge a Asvac é formada por uma combinação de duas crises: a de confiança, que adia os investimentos, e a provocada pela Lava Jato, que afetou financeiramente possíveis compradores de bombas.

“O volume de investimento vem caindo, e os nossos negócios diminuíram entre 20% e 30% por causa da recessão do País”, afirma Prata. “Essa piora se somou à crise da Lava Jato, que, para nós, começou há dois anos.”

O empresário está no setor há 44 anos e a crise atual ganha um tom dramático porque, por ora, é difícil enxergar uma retomada. “Estamos vendo este ano com muito pessimismo”, afirma. “Já passei por algumas crises. Eu me lembro de algumas similares, como o Plano Collor, que foi grave também. Mas, naquela época, a economia não chegou a parar.”

A forte retração da Asvac Bombas ajuda a ilustrar como a indústria de bens de capital ficou menor nos últimos anos. O setor é considerado o coração da indústria e, portanto, um bom sinalizador de como está o investimento no País.

Década perdida. Os dados da produção industrial divulgados ontem mostraram que o setor de bens de capital opera no mesmo patamar de 2005 e 2006. Apenas em dezembro do ano passado, o setor recuou 31,9% na comparação com o mesmo mês de 2014.

“O resultado de dezembro surpreendeu de forma negativa”, afirma Felipe Beraldi, analista de bens de capital da Tendências Consultoria Integrada. “Esperávamos uma queda na comparação anual, mas o resultado veio muito pior.”

Na avaliação de Beraldi, a crise da indústria de bens de capital tem como pano de fundo a conjuntura econômica negativa. Boa parte dos analistas acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) pode ter recuado perto de 4% em 2015. Para 2016, a previsão é de que a recessão deverá ser de 3%.

Uma retomada do setor passa obviamente pela volta da confiança de consumidores e empresários na economia brasileira. Somente dessa maneira os investimentos serão destravados, o que beneficiaria a indústria de bens de capital. “Atualmente, há uma paralisia em diversos setores. O mais grave que vivemos é a crise de confiança”, diz Beraldi. “Além das expectativa serem ruins, elas não pararam de piorar nos últimos meses.”

O Estado de S.Paulo – 03/02/2016

Redação On fevereiro - 3 - 2016
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