Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Tera-feira, 21 de Novembro de 2017






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Busca de compradores requer planejamento minucioso

Há nichos promissores e mercados a serem conquistados ou retomados para as empresas brasileiras que exportam ou querem começar a vender no exterior: calçados para a China e o Paraguai; moda para o Japão, Egito, Angola e Peru; flores e produtos orgânicos para a Europa, climatizadores para os Estados Unidos e Emirados Árabes, automóveis para o México e leite e derivados para a Rússia.

Para chegar lá, é preciso olhar com lupa o ambiente de negócios e reforçar o planejamento. A Calçados Bibi, empresa gaúcha de 67 anos, voltada ao mercado infantil, já vende para 65 países e este ano quer chegar a outros dez. Dos 2,6 milhões de pares de sapatos que produz anualmente, 800 mil são comercializados no exterior. A expectativa é crescer 23% no comércio internacional neste ano. A empresa planeja abrir lojas nos Estados Unidos e no Peru.

Ao mesmo tempo, a Bibi mantém o foco na China, por causa de seu grande potencial – em dez anos, o número de crianças, que hoje é 130 milhões, deve aumentar para 200 milhões com a recente permissão do governo para que os casais possam ter dois filhos. “A exportação é muito importante para a marca”, diz Marlin Kohlrausch, presidente da Calçados Bibi.

Novos mercados também podem ser desbravados. A Joape Climatizadores fez no ano passado sua primeira venda para o Irã, antes mesmo do levantamento das sanções dos Estados Unidos ao país. Antes, já havia explorado os rigores do clima para vender para o Catar.

A empresa gaúcha, que começou como metalúrgica e hoje só produz artigos de refrigeração de ambientes industriais, comerciais e residenciais, está no mercado externo desde 2005. O primeiro embarque foi para o Paraguai. Hoje, exporta para mais de 40 países.

As vendas internacionais representam 10% do faturamento da empresa, mas mais da metade da receita no exterior vem dos Estados Unidos. Foi lá que a Joape estrategicamente abriu um escritório para conquistar o mundo. “Climatizador não é Coca-Cola, não é ventilador, não é ar-condicionado. A melhor forma de vender é participar de feiras. É lá que se faz a prospecção de compradores”, diz Lucas Pohlmann, gerente de negócios internacionais da Joape.

Parcerias com empresas de outros países são valiosas no processo de ganhar as prateleiras globais. O foco do TexBrasil, programa de internacionalização da moda brasileira criado há 15 anos, é o Japão. No ano passado, a Brazilians to Be (BtoBe), aceleradora de empresas do projeto, fez parceria com butiques multimarcas japonesas. Um dos estilistas fechou contrato com uma rede de lojas de departamentos.

O programa aposta também no nicho de serviços de moda, como a venda de estampas e licenciamento de coleções para fabricantes como Nike e Adidas. “A concorrência em moda é global. É preciso gestão, inovação, design e conhecimento de comércio exterior para internacionalizar a moda brasileira”, afirma Evilásio Miranda, gerente de moda e design do TexBrasil.

É condição básica ter um produto de qualidade e competitivo para ser apresentado aos potenciais compradores. O Plano Nacional de Exportações 2015-2018, do Mdic, considera a capacitação essencial à conquista do mercado internacional. No fim de janeiro, o ministério lançou um programa para incentivar as exportações de produtores do Agreste e do Sertão de Pernambuco.

O Plano Nacional da Cultura Exportadora (PNCE) ambiciona capacitar 146 micro, pequenas e médias empresas de Santa Cruz do Capibaribe, Caruaru, Araripina e Toritama. As MPEs de todo o Brasil representam 44% dos exportadores brasileiros, mas pesam apenas 1% na pauta de exportações.

O trabalho de preparação das empresas pernambucanas para o mercado internacional será feito por técnicos do Projeto Extensão Industrial Exportadora (Peiex), executado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), sob a coordenação da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

O programa mira as MPEs do setor de gesso de Araripina, responsável por 95% da produção nacional, e da indústria têxtil e de confecções. “Quando a economia interna passa por retração, o mercado externo ajuda a diversificar. O processo de exportação não é nenhum bicho de sete cabeças”, diz Herlon Brandão, do Mdic.

Valor Econômico – 28/01/2016

 

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Argentina recupera atraso tecnológico e pode aceitar acordo

A Argentina conseguiu recuperar uma boa parte do atraso tecnológico que marcou a sua indústria de veículos há alguns anos. Ao ter se tornado uma base importante de produção de picapes, estaria pronta para aceitar a oferta brasileira de livre comércio entre os dois lados da fronteira.

Grandes montadoras conseguiram, apesar das amarras impostas durante o kirchnerismo, avançar em projetos importantes. Um dos casos mais emblemáticos é o da Toyota, que acaba de concluir investimento de US$ 800 milhões na modernização da fábrica, em Zárate, para produzir a picape Hilux totalmente renovada.

O caso da Toyota complementa uma tendência voltada às picapes inaugurada anos atrás pela Ford. Mas será consagrada este ano, com a estreia da subsidiária da General Motors da Argentina no segmento de picapes. Para isso, a montadora ampliou e renovou a fábrica, em Rosario.

É bem provável que nas recentes conversas entre os ministros das equipes econômicas do Brasil e Argentina esse novo momento da indústria argentina tenha sido ressaltado. Daí a esperança brasileira de que o novo governo aceite uma abertura maior.

Faltaria, no entanto, o velho sonho do governo de Cristina Kirchner de elevar o índice de conteúdo de peças nacionais nas linhas de montagem da Argentina. Mas, segundo já confidenciaram executivos do setor, a indústria de autopeças estaria pronta a voltar a investir no país, se o novo governo der sinais de um programa econômico com metas claras.

A exigência estabelecida nos últimos acordos, de o Brasil poder exportar o equivalente a US$ 1,5 para cada US$ 1 importado dos argentinos, também perdeu força com a crise de demanda em ambos os países e agora mais forte no Brasil. Talvez os dois países estejam finalmente prontos para abrir as fronteiras automotivas.

Valor Econômico – 28/01/2016

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BC dos EUA não se compromete com nenhuma direção nos juros

O Federal Reserve (Fed, BC americano) não se comprometeu com nenhum movimento em sua próxima reunião em março, diferentemente do que se viu em setembro em antecipação a primeira alta de juros desde a crise.

Uma das dúvidas que os investidores tinham era sobre a avaliação do BC americano acerca da tensão nos mercados financeiros, que redundaram em queda importante das ações americanas no primeiro mês do ano, o que poderia indicar uma guinada da atividade para pior, algo que foi contemplado sem muito alarde.

O Fomc (comitê de política monetária) disse estar “acompanhando de perto os desenvolvimentos econômicos e financeiros globais e avaliando suas implicações para o mercado de trabalho e inflação, e para o balanço de riscos para as perspectivas”.

É inegável que desde a decisão de elevar a meta de taxa de juros para 0,25% a 0,50% em dezembro, o quadro econômico global piorou, o que deve levar o Banco Central Europeu e o Banco do Japão a ampliar as medidas de estímulo à economia. Mas o Fed provavelmente deseja observar mais o cenário ainda recente de turbulência.

Outro ponto é o cenário econômico nos Estados Unidos. Os dados recentes apontam para um arrefecimento do crescimento no quarto trimestre de 2015 e no começo deste ano, com exceção, até agora, do mercado de trabalho. Há o imbróglio nada trivial da inflação, que continua a correr muito abaixo da meta de 2%, refletindo em parte, segundo o BC, o declínio nos preços da energia e dos preços das importações não relacionadas à energia.

Além disso, o Fed reconheceu que as expectativas baseadas no mercado caíram de novo e medidas baseadas em pesquisa de expectativas no mais longo prazo pouco mudaram nos últimos meses.

Diante desse quadro, o mercado não demonstra acreditar que o juro possa ser apertado novamente no curto prazo. Pelos preços dos títulos soberanos, a probabilidade de nova alta em março é de menos de 30% e haveria apenas um movimento ao longo do ano. É um contraste importante com o que esperavam os membros do Fomc em dezembro – algo como quatro elevações.

Em março serão divulgadas as novas projeções do Fed, mas, antes disso, a presidente Janet Yellen falará ao Congresso americano em fevereiro, boa oportunidade para se aferir a disposição da autoridade em continuar o ciclo de aperto monetário.

Yellen, aliás, contou com o voto unânime do Fomc, que inaugurou nova composição, considerada pelos analistas mais “hawkish” do que a anterior.

Entraram Loretta Mester (Fed de Cleveland), Eric Rosengren (Boston), James Bullard (de St. Louis) e Ester George (de Kansas City). E saíram Jeffrey Lacker (Fed de Richmond), Dennis Lockhart (Atlanta), John Williams (São Francisco) e Charles Evans (Chicago).

Valor Econômico – 28/01/2016

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China aperta o cerco para impedir fuga de capitais

A China está ampliando os esforços para deter a fuga de capitais desencadeada pela desaceleração econômica.

Mas as medidas ameaçam as ambições de Pequim de elevar a influência do yuan no cenário mundial.

As ações mais recentes incluem limitar a capacidade de empresas estrangeiras com operações na China de repatriar lucros, diminuir a quantidade de yuans disponíveis para os bancos em Hong Kong concederem empréstimos e proibir os fundos com carteiras em yuans de investir no exterior, segundo pessoas com
conhecimento direto sobre o assunto.

As medidas, que em sua maioria não foram divulgadas publicamente, acompanham outras iniciativas do banco central da China para desencorajar os investidores a apostar contra o yuan e reprimir as transferências de dinheiro para o exterior.

“Eles não estão poupando esforços para evitar saídas de capital”, diz um executivo do setor bancário que tem uma relação próxima com o banco central. Em conjunto, “as medidas são as mais agressivas vistas na história recente”, segundo ele.

As pessoas a par da estratégia do Banco Popular da China dizem que o banco central também está considerando maneiras de atrair recursos de volta ao país, inclusive permitindo que empresas e residentes estrangeiros comprem certificados de depósito por períodos fixos. Atualmente, eles estão restritos a contas de depósitos comuns.

O banco central não respondeu aos pedidos de comentário.

As iniciativas incomuns ocorrem num momento em que a China vem usando boa parte de suas reservas em moeda estrangeira para sustentar o yuan e controlar um ciclo vicioso de crédito fácil, moeda enfraquecida e fuga de capital. Um fluxo muito grande de dinheiro deixando o país poderia ameaçar a estabilidade do sistema
financeiro, dizem as autoridades.

Há apenas dois meses, o Fundo Monetário Internacional classificou o yuan como uma das moedas de reserva do mundo, o que foi considerado uma afirmação da China como uma potência econômica global. Mas agora Pequim está voltando atrás nas promessas que fez de dar aos mercados mais poder de influência na definição do valor do
yuan. Muitos investidores se dizem preocupados com o que consideram ser uma comunicação inadequada por parte do banco central.

A última vez que o presidente do banco central, Zhou Xiaochuan, falou publicamente foi no início de setembro, quando procurou tranquilizar as autoridades dos bancos centrais e os ministros da Fazenda do G­20, o grupo das
20 economias mais industrializadas do mundo, afirmando que o declínio nos mercados acionários da China estava chegando ao fim.

Investidores e analistas têm questionado o comprometimento do governo com a liberalização do mercado depois das tentativas de Pequim d e dar impulso às bolsas em meados do ano passado e ter enviado recentemente mensagens desencontradas sobre sua política cambial.

“A China está agressivamente reinserindo controles de capital”, diz Scott Kennedy, vice­-diretor do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais, de Washington.

O sinal mais evidente do esforço da China para conter a fuga de capitais é uma queda abrupta em suas reservas cambiais, que até dezembro tinham encolhido em cerca de US$ 700 bilhões, de um recorde de quase US$ 4 trilhões em meados de 2014.

A China vinha acumulando reservas regularmente desde meados dos anos 90, à medida que suas exportações cresciam. Mas o fluxo se inverteu depois que o país desvalorizou o yuan em agosto, o que levou o banco central a usar suas reservas para defender a moeda. O risco era que uma desvalorização acentuada pudesse provocar uma fuga de capitais, já que ativos em yuan se tornaram menos atraentes para os investidores.

Em seus esforços mais recentes, o banco central instruiu os bancos da China continental a exigir documentação mais detalhada dos clientes corporativos no caso de envio dos lucros obtidos no país de volta a seus países de origem. “O processo é muito mais rigoroso que antes”, afirma uma incorporadora americana que tem investimentos em Xangai.

Na segunda­feira, o banco central também passou a exigir que bancos estrangeiros mantenham reservas de capital sobre depósitos em yuan feitos em Hong Kong em uma agência do Bank of China Ltd., dizem pessoas a par do assunto.

A nova regra efetivamente reduz o volume de recursos no sistema bancário de Hong Kong em cerca de 150 bilhões de yuans (US$ 23 bilhões), estima Larry Hu, economista para a China do banco de investimento australiano Macquarie Securities. Os depósitos em moeda chinesa em Hong Kong somam 1 trilhão de yuans.

“O banco central está restringindo a liquidez em Hong Kong, então ficará mais caro apostar contra o yuan no exterior”, diz Hu.

Entre outras iniciativas, o banco central também proibiu gestores de ativos estrangeiros, como fundos de hedge e firmas de private equity, de captar recursos em yuan para investimentos no exterior, contrariando iniciativas anteriores de promover a internacionalização do yuan.

Valor Econômico – 28/01/2016

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Com revisão, Brasil será um dos 10 maiores do FMI

O Fundo Monetário Internacional ( FMI) informou ontem à noite que está dando início à revisão das quotas entre os países- membros da instituição, antiga demanda dos emergentes — que queriam maior peso nas votações do organismo. Embora essa tivesse sido aprovada pela direção em 2010, apenas agora o FMI começa a instituir a mudança. De acordo com o Fundo, após essa alteração, quatro países emergentes estarão entre seus dez maiores membros: Brasil, China, Índia e Rússia.

Completam o top ten Estados Unidos, Japão, França, Alemanha, Itália e Reino Unido.

Em nota, o FMI afirmou que “mais de 6% das quotas do Fundo se deslocarão para mercados emergentes, dinâmicos e em desenvolvimento, de países sobrerrepresentados para membros subrepresentados no FMI.”

Um dos principais entraves para que a mudança entrasse em vigor era a necessidade de aprovação dos EUA, o maior quotista do Fundo. O aval foi dado pelo Congresso americano em dezembro do ano passado.

“Eu recomendo que os membros do FMI ratifiquem essas reformas verdadeiramente históricas. Essas mudanças vão garantir ao Fundo uma capacidade de melhor atender e representar as necessidades de seus membros em um ambiente global em rápida transformação”, afirmou a diretora- gerente do FMI, Christine Lagarde, no documento. Na semana passada, ela informou que vai tentar um segundo mandato.

Ontem, o ministro da Fazenda brasileiro, Nelson Barbosa, divulgou nota com o apoio do governo à reeleição de Lagarde.

A reforma também vai aumentar a quota de repasse dos 168 países- membros do FMI, de cerca de US$ 329 bilhões para US$ 659 bilhões. E, pela primeira vez, o Conselho de Administração do Fundo será composto integralmente de diretores executivos eleitos, encerrando a fase de diretores nomeados pelos cinco maiores membros do organismo.

O Globo – 28/01/2016

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Alemanha vai bem, mas exportações vão cair

A Alemanha reduziu a previsão de crescimento para 2016 diante da desaceleração dos países emergentes, o que afeta suas exportações e deixa sua demanda doméstica como único pilar de apoio para a maior economia da Europa.

Ao apresentar o relatório econômico anual do governo, o vice-premiê, Sigmar Gabriel, disse ontem que a economia está bem, mas que tanto Estado como empresas têm de elevar investimentos para manter a Alemanha competitiva.

Em 2015, os gastos do governo subiram quase € 30 bilhões, elevando taxa de investimento do setor público para 20,45% do PIB, um pouco acima da média dos países da OCDE, destacou.

Ainda assim, o governo precisa acelerar o processo de digitalização, esforçar-se mais para promover os carros elétricos e facilitar os investimentos privados, disse Gabriel, acrescentando que a meta do ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, de ter um orçamento equilibrado não deve ser vista como um dogma.

O governo prevê agora que a economia alemã crescerá 1,7% neste ano, repetindo o desempenho de 2015, mas abaixo da projeção anterior, de 1,8%.

O relatório destaca uma mudança importante na economia, com o país afastando-se da dependência das exportações e passando a um crescimento mais baseado no mercado interno, uma vez que a demanda da China e outros mercados emergentes está em queda.

Berlim prevê que as importações crescerão mais que as exportações em 2016. Isso cortará 0,4 ponto percentual da expansão da economia. A mudança é marcante para um país que há décadas conta em grande medida com as exportações, em especial as das empresas automotivas e de engenharia.

A analista Jennifer McKeown, da Capital Economist, diz que mesmo uma forte desaceleração na China não deve jogar a Alemanha numa recessão. “Mas se, ao contrário de nossas previsões, a desaceleração na China levar a uma desaceleração mais generalizada na demanda mundial, isso atingiria a economia alemã como muita força”.

Valor Econômico – 28/01/2016

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O Fed, em nova parada

Celso Ming – 28/01/2016

A atuação dos grandes bancos centrais são como os macrofenômenos climáticos. Enchentes no Sul, seca no Nordeste ou tempestades elétricas por todo o Brasil podem ser o resultado do El Niño, a megarrelação de forças naturais produzidas pelo aumento da temperatura no longínquo Oceano Pacífico.

Assim, também, a simples disposição do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) de aumentar ou não os juros básicos (Fed funds), como aconteceu nesta quarta-feira, produz impactos de grande repercussão na economia do Planeta.

O Fed levou anos estudando quando aumentaria os juros, na operação que retiraria do mercado mais de US$ 3 trilhões despejados desde 2008 para enfrentar a crise.

Depois de muita vacilação decidiu começar o processo. Em dezembro, os juros foram finalmente aumentados em 0,25 ponto porcentual ao ano, o primeiro passo de uma presumivelmente longa caminhada de enxugamento. Os sinais então eram de que haveria mais três ou quatro altas dos juros nos Estados Unidos neste ano.

Mas de lá para cá muita coisa mudou a ponto de comprometer todo o processo e colocar em dúvida o que há apenas três semanas o vice-presidente do Fed, Stanley Fischer, avisou: que o Fed trataria de aumentar os juros pelo menos quatro vezes ao longo de 2016.

A crise global tomou novas feições. A economia da China entrou em forte desaceleração. Os preços do petróleo, que afundaram a níveis de 13 anos atrás, ameaçam provocar falências em cadeia e, mais que tudo, tendem a derrubar a inflação nos países ricos. O tombo do petróleo não veio sozinho. Veio acompanhado pelo mergulho vertiginoso dos preços das commodities.

Tudo isso junto derrubou a economia dos emergentes o que, por sua vez, tende a prejudicar as exportações e a atividade econômica da Europa e dos Estados Unidos. E, também por lá, o desemprego vai aumentando, com prejuízo para o nível de confiança geral.

Mais especificamente, multiplicaram-se as preocupações do Fed em três áreas: excessiva valorização do dólar provocada pelo aumento dos juros; ameaça de deflação, que coloca em risco a arrecadação e aumenta as dívidas em termos reais; e redução da atividade econômica com aumento do desemprego.

A decisão anunciada nesta quarta-feira foi a de esperar antes de avançar o processo de normalização da política monetária. E que novos movimentos obedeceriam a um ritmo muito gradual. É uma decisão que, sozinha, vai produzir e deixar de produzir efeitos em cadeia ao redor do mundo, embora não estejam claros.

Esperar até quando? Se foi um erro aumentar os juros em dezembro, por que não corrigi-lo imediatamente. Se as coisas se deterioram tão rapidamente em duas ou três semanas, o que impediria que se deteriorem ainda mais?

Mais que tudo, fica a percepção geral de que as autoridades que estão no comando, a começar a presidente do Fed, Janet Yellen, não sabem exatamente como avaliar o comportamento anômalo da economia mundial sob esta forte derrubada dos preços do petróleo. Operam no escuro, mais por tentativa e erro do que por certezas de que estejam em terreno firme e rumo certo.

É um momento em que o mundo vive uma situação de forte insegurança e isso vai refletido todos os dias na enorme volatilidade do mercado financeiro.

Desaceleração
Em 2015, o saldo do crédito concedido pelo sistema financeiro avançou 6,6%, abaixo da inflação, que ficou nos 10,67%. É um número que comprova a desaceleração do crédito em consequência da recessão e da queda de renda. Outro número que aponta para a mesma conclusão é a relação do estoque de crédito com o PIB. Atingiu em 2015 os 54,2%. Ficou algo acima da mesma relação em 2014 (53,1% do PIB). Mas o crescimento é aparente, porque o PIB caiu mais.

O Estado de S.Paulo

Redação On janeiro - 28 - 2016
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