Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 18 de Novembro de 2017






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Brasil aprende medidas anticrise com EUA

O governo brasileiro deverá receber uma lista de políticas que foram adotadas pelos Estados Unidos para promover o comércio, após a crise financeira de 2008, para auxiliar as empresas locais a desenvolver suas atividades na superação da atual recessão no Brasil.

Os secretários de Comércio dos dois países – o americano Kenneth Hyatt, do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, e Marcelo Maia, do Ministério do Desenvolvimento – iniciaram uma parceria para facilitar a atividade empresarial entre os dois países.

Eles tiveram uma reunião bilateral, na semana passada, em Nova York, durante uma feira internacional do varejo, na qual discutiram mecanismos de equalização de procedimentos capazes de ampliar ainda mais as trocas comerciais entre os dois países. O governo americano se dispôs a trocar experiências sobre as medidas que foram adotadas, após 2008, durante a crise financeira, de modo a dar subsídios para o Brasil.

“Eles têm um programa de internacionalização das empresas americanas e nós vamos levar isso para dentro de casa. Vamos pensar como aplicar isso no Brasil e ver quais as políticas necessárias para apoiar os varejistas brasileiros a se internacionalizar”, disse Maia, após o encontro com Hyatt.

De acordo com o secretário brasileiro, os americanos fizeram uma campanha para reativar o comércio, após a crise iniciada em setembro de 2008, trabalhando as possibilidades de aumentos nas vendas Estado por Estado. “Eles foram desde o sujeito que tinha uma lojinha no interior do Arizona, para mostrar a importância dele no sentido de manter a atividade econômica, até as grandes redes. Isso foi importante para a população dar relevância para o comércio e continuar a consumir”, disse Maia. “Agora, nós queremos ouvi-los para ver quais ferramentas poderemos usar para manter o setor ativo”, disse, referindo-se ao varejo.

Hyatt afirmou que uma das principais medidas para facilitar a atividade comercial das empresas americanas após a crise de 2008 foi a de reunir informações para que elas pudessem ter acesso mais facilitado às oportunidades de negócios. Segundo ele, o Departamento de Comércio procurou promover as exportações americanas, desenvolvendo uma série de programas de aproximação com Estados, cidades e organizações de desenvolvimento econômico locais para auxiliá-los a verificar para quem poderiam vender e ampliar o alcance de seus mercados.

“Aprendemos que as companhias precisam de informações sobre oportunidades e desafios no mercado externo, então, fornecemos dados para elas. As companhias que obtêm mais informações sobre onde podem fechar negócios sabem onde é mais fácil e mais difícil atuar”, disse o americano.

“Nós também aumentamos os nossos esforços no investimento direto estrangeiro formal”, continuou o subsecretário. Foi criada uma organização chamada “Select USA” com a missão de atrair negócios e comunicar que os Estados Unidos são um mercado atrativo para o comércio. Também foram implementadas medidas para reduzir o custo de movimento entre as fronteiras. “Na última década, adotamos várias medidas para aperfeiçoar a economia e melhorar o crescimento.”

O secretário de Comércio americano acredita que há potencial para aumentar o comércio com o Brasil. “O Brasil é a sétima maior economia mundial, mas é o nono parceiro comercial dos EUA. Há muito o que fazer e muito potencial para crescimento tanto no comércio quanto no investimento.”

Hyatt definiu quatro prioridades no diálogo comercial com o Brasil. A primeira é a transparência regulatória. “Estamos trabalhando juntos para institucionalizar boas práticas regulatórias que tragam mais transparência. É importante para as companhias compreenderem o processo regulatório”, disse, referindo-se às empresas que procuram vender para o Brasil e também para os Estados Unidos.

A segunda é alinhar os padrões de acesso aos mercados pelas companhias de um país ao outro. De acordo com o secretário americano, essa tarefa é importante para reduzir as barreiras à entrada.

A terceira área é a associação comercial. “Nós temos um memorando de entendimento sobre isso e estamos nos focando em construir capacidade para pequenas e médias empresas”, disse Hyatt.

Por fim, há a promoção de investimentos diretos. “Vamos ver o que cada um pode fazer para promover mais investimentos”, afirmou, destacando a realização de “road shows” para promover a atuação das empresas dos EUA no Brasil. “Os Estados Unidos têm uma base de comércio histórica muito forte com o Brasil”, ressaltou Hyatt.

“O Brasil e os EUA são os maiores mercados consumidores nas Américas”, disse Maia. Na avaliação dele, como são “países de dimensão continental e diversidade cultural enorme”, eles acabam focando muito a atenção para o mercado interno e, depois, miram as exportações. Por isso, há, segundo ele, a “necessidade muito forte” de promover o comércio bilateral.

Nessa missão, Maia disse que os dois países estão discutindo a harmonização de regras para o comércio eletrônico, o setor de remessas expressas, a cadeia refrigerada do varejo e até para a prestação de serviços profissionais. Hoje, por exemplo, o Brasil não tem regras específicas para companhias estrangeiras que queiram entrar no país na chamada “cadeia do frio” – o segmento de logística e distribuição de produtos refrigerados, como alimentos e vacinas.

Também é preciso harmonizar as regras com os americanos para o segmento de remessas expressas – envio de produtos por companhias de entrega e de comércio eletrônico – e na prestação de serviços profissionais, na qual conselhos regulamentam a prestação de atividades por brasileiros e costumam limitar a atuação de estrangeiros.

“No setor de serviços, os EUA medem as transações de maneira diferente da nossa e queremos equalizar essa situação”, exemplificou. Naquele país, as companhias não têm obrigação de registrar as vendas, mas, no Brasil, há esse dever e o Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços (Siscoserv) acaba funcionando para prover estatísticas para mensurar o mercado na exportação e importação de serviços.

“O sistema ajuda, porque antes não conseguíamos ver quais os principais serviços oferecidos a eles”, disse Maia. De acordo com o secretário, esse é outro tema em discussão na agenda entre o Ministério do Desenvolvimento brasileiro e o Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

A aproximação comercial entre o Brasil e os Estados Unidos foi descrita como “multissetorial” por Hyatt. “Há uma diversidade nas nossas economias que cria muitas oportunidades e vamos trabalhar com muitos setores”, definiu.

Segundo o secretário americano, há várias áreas que podem ser desenvolvidas, como energia renovável e aparelhos médicos. No setor de serviços, por exemplo, há várias áreas em que pode haver aperfeiçoamentos, como o comércio eletrônico. “Estamos trocando dados, mapeando as dificuldades do setor e trocando informações sobre políticas públicas para apoiá-lo”, disse Hyatt.

Valor Econômico – 27/01/2016

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Entrada de redes americanas no país é aceita por grandes varejistas brasileiros

A possível entrada de grandes redes varejistas americanas no Brasil, atraídas por custos menores com a desvalorização do real, e a redução da atividade econômica devido à recessão deve ampliar a competição no mercado local e é bem vista por representantes de grandes companhias brasileiras.

Para Luiza Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, os americanos perceberam que há espaço para atuar no crescente mercado de consumo brasileiro, o que favorece esse movimento. “Toda a competição é saudável desde que a gente entenda o país que a gente tem”, afirmou. “Nós vivemos em um país que tem consumo e está em construção”, continuou ela, ressaltando que apenas 54% das famílias brasileiras têm máquina de lavar roupas automática.

“Falar que o consumo acabou não é verdade. As pessoas têm o direito de ter sua geladeira, sua televisão, seu fogão”, completou Luiza Trajano, durante a Feira Nacional do Varejo, realizada na semana passada, em Nova York. “Os americanos veem isso e não podemos nós achar que o consumo acabou.”

O presidente da Riachuelo, Flavio Rocha, também prevê dinamismo no varejo brasileiro, mesmo em ano de recessão. “Eu não tenho dúvida de que o Brasil da próxima década será tão dinâmico quanto será o seu varejo.” Segundo ele, se ingressarem no Brasil, os americanos “serão muito bem-vindos”.

“O nosso mercado, que chegou a ser clandestino no passado, com muita informalidade, agora, se modernizou, se formalizou, se organizou e o principal sinal disso foi a entrada dos ‘players’ globais no mercado doméstico”, afirmou. o executivo.

Para Rocha, o varejo é o protagonista na economia brasileira devido à alta produtividade. “Nós assistimos, na última década, ao desabrochar do varejo de alta produtividade, o varejo empresarial e organizado e é ele que está próximo do consumidor.”

O consultor Alberto Sorrentino, da Varese Retail Strategy, acredita que o país pode ser objeto de um novo foco de aquisições por meio de fundos de investimentos, que estão calculando o melhor momento para fechar negócios no país.

O “timing” seria o auge da depreciação de ativos no Brasil por causa da alta do dólar e eventuais dificuldades de caixa de algumas empresas diante da retração na atividade econômica doméstica. “Há muitos fundos com recursos captados olhando oportunidades, mas eles também observam os cenários “, diz Sorrentino.

Para o consultor, os investidores estão calculando se os ativos podem ficar mais baratos no Brasil, se a depreciação do câmbio irá aumentar e qual será a fragilidade das empresas caso a recuperação da economia demore um pouco mais. “A cada trimestre que passa, as empresas vão perdendo atratividade e valor”, disse. Nesse cenário, os fundos tendem a identificar o auge da depreciação para fazer aquisições a preços mais baixos.

“O interesse no Brasil como mercado estratégico de longo prazo não arrefeceu. O que aconteceu foi a postergação dos planos”, afirmou Sorrentino. “Quando teve início um cenário de maior turbulência, de desaceleração na economia, e essa desaceleração começou a se tornar retração, caiu o estímulo à entrada”, disse. Mas esse estímulo, afirma, pode ser retomado com a redução dos preços dos ativos das companhias brasileiras.

Valor Econômico – 27/01/2016

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Recessão e dólar caro reduzem rombo externo

A forte desaceleração da economia em 2015 e o dólar nas alturas ajudaram a melhorar o saldo do balanço de pagamentos do Brasil com o resto do mundo. O rombo na conta de transações correntes do país despencou 43,4%, de US$ 104,2 bilhões, em 2014, para US$ 58,9 bilhões, no ano passado. Foi a primeira queda e o menor resultado negativo desde 2010, início da série histórica atualizada mantida pelo Banco Central (BC).

O chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, observou que o ajuste foi expressivo, uma vez que o deficit recuou de 4,3% para 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB). “O saldo ficou menor que a nossa última estimativa, de US$ 62 bilhões, e também abaixo das previsões do mercado”, frisou o economista. Ele destacou que a valorização do dólar foi essencial para o resultado. “Em termos estruturais, é importantíssimo ter em conta o regime de câmbio flutuante. O câmbio é a primeira linha de defesa das contas externas, e isso efetivamente ocorreu em 2015”, destacou.

O economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, ponderou que, apesar da melhora, o país ainda está longe de voltar a ter superavit nas contas externas, como ocorria no início dos anos 2000. Além disso, a redução do deficit resultou, em grande parte, de uma piora acentuada no ritmo da atividade econômica. “O país está em uma recessão profunda, com crise de confiança, e com os investimentos em queda”, destacou.

No ano passado, o fluxo total de Investimentos Diretos no País (IDP), ou seja, recursos investidos em atividades produtivas, encolheu 22,5%, somando US$ 75,1 bilhões, ante US$ 96,8 bilhões em 2014. Maciel minimizou a retração. “O volume ainda é elevado e cobre inteiramente o deficit de conta-corrente, ou seja, a necessidade de financiamento externo do país”, explicou.

Especialistas do mercado, no entanto, mostram preocupação. Eles lembram que, devido ao elevado grau de desconfiança dos investidores no governo e à perda do grau de investimento dos títulos soberanos, no ano passado, há nítidos sinais de declínio do interesse do capital estrangeiro pelo país. Conforme os dados do BC, os investimentos de estrangeiros em carteira encolheram 55%, de US$ 41,5 bilhões, em 2014, para US$ 18,5 bilhões, em 2015. Nesse volume, estão incluídas as aplicações em papéis de renda fixa, que despencaram 71,7%, passando de US$ 29,7 bilhões para US$ 8,4 bilhões.

Ajuste fiscal
“Esses números mostram que o investidor em títulos já começou a deixar o país. O Brasil paga os maiores juros do mundo, mas isso não compensa a desvalorização cambial, que foi de quase 50% em 2015 e dá sinais de que continuará, em torno de 22%, neste ano”, explicou o economista Thiago Biscuola, da RC Consultores. Para ele, a queda dos investimentos diretos (IDP) só não foi maior porque houve entrada de recursos em áreas específicas, como indústria automotiva e papel e celulose. No entender do economista o governo precisa fazer um ajuste nas contas públicas para aumentar a poupança interna e atrair investimentos.

Tombo
Com a queda da produção interna, as importações despencaram 25% no ano passado, e as exportações recuaram 15%. Com isso, a balança comercial passou de deficit de US$ 6 bilhões, em 2014, para superavit de US$ 17,7 bilhões em 2015. O fraco desempenho das multinacionais instaladas no país também ajudou a reduzir o rombo nas contas externas. As remessas de lucros e dividendos para o exterior caíram 33,3% no ano passado, para US$ 20,8 bilhões.

Correio Braziliense – 27/01/2016

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Para Dilma, retomada no Brasil depende da AL

A presidente Dilma Rousseff disse ontem que o Brasil não terá condições de retomar sua capacidade de crescimento sem que os demais países da América Latina também consigam se recuperar. Dilma classificou como “crucial” a integração econômica entre os países da América Latina para o enfrentamento da crise econômica internacional.

“Não haverá uma América Latina forte e temos muita consciência de que Brasil não retoma sua capacidade de crescer, que o Brasil não consegue restabelecer suas condições sustentáveis de crescimento nesse novo contexto internacional, sem o crescimento dos demais países da América Latina, sem que os demais países da América Latina tenham também condições de se recuperar”, disse Dilma, após reunir-se com o presidente do Equador, Rafael Correa, na capital equatoriana.

A presidente participa hoje, em Quito, de encontro de cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos Celac). Com vocação para debates políticos, o grupo vai se concentrar em questões de interesse comum, sobretudo o intercâmbio de experiências em programas sociais e a busca por uma voz comum para os países da Celac. Ainda ontem, Dilma destacou que os espaços de encontro dos países da região “conquistaram também uma inequívoca opção pela democracia”.

A Celac espera, internamente, que países aliados à Venezuela busquem conter o ímpeto do presidente Nicolas Maduro no sentido de evitar o direcionamento das discussões do grupo para divergências bilaterais.

Valor Econômico – 27/01/2016

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Uso das reservas para limitar queda do yuan causa preocupação sobre a China

A estratégia da China de usar suas reservas internacionais para limitar a desvalorização do yuan é um dos motivos das preocupações dos investidores com o país. O sinal de temor do governo com a fraqueza da moeda local somado a indicadores ruins – como o Produto Interno Bruto (PIB), que teve em 2015 a menor expansão em 25 anos – vem alimentando uma fuga de capital dos mercados chineses.

Hoje, a corretora Shenwan Hongyuan Securities comentou que a China voltou a registrar saídas de capital na semana até 20 de janeiro. Durante o fim de semana, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, havia alertado para a estratégia chinesa de usar as reservas internacionais, dizendo que o “uso massivo das reservas não é particularmente uma boa ideia”.

Desde agosto do ano passado, quando anunciou a inesperada desvalorização de 1,9% do yuan, o Banco do Povo da China (PBoC, o banco central do país) tem usado uma porção significativa das gigantescas reservas internacionais para anular apostas contrárias à moeda. Como resultado, dados divulgados no começo de janeiro mostraram que em dezembro as reservas tiveram queda recorde de US$ 108 bilhões ante o mês anterior, para US$ 3,33 trilhões, o nível mais baixo em três anos. A redução foi quase cinco vezes maior que o previsto.

Na semana passada a Administração Estatal de Câmbio da China (Safe, na sigla em inglês) ressaltou em um comunicado que as reservas internacionais do país continuam sendo as maiores do mundo e que o “risco da dívida externa é controlável”.

No entanto, em linha com o comentário de Lagarde, analistas alertam para o tamanho da redução das reservas chinesas. Segundo cálculos do DBS Bank, as autoridades da China já gastaram US$ 663 bilhões das reservas para evitar uma desvalorização rápida do yuan.

O Estado de S.Paulo – 27/01/2016

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Ministério defende integração trabalhista no grupo do Brics

O ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto, defendeu a integração de informações e o intercâmbio das melhores práticas de trabalho, durante a Reunião de Ministros do Trabalho do Brics, que se encerrou ontem, em Ufa, na Rússia.

“O desenvolvimento de indicadores relacionados ao mercado de trabalho e o estabelecimento de metas coletivas têm sido recorrentes em outros fóruns internacionais, como é o caso do G20”, destacou Miguel Rossetto.

As propostas de ações conjuntas fazem parte da Declaração Final dos Ministros do Trabalho do Brics. No texto, as autoridades do Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul consideram que a expansão da cooperação dos países para promover o trabalho de qualidade e inclusivo “é um importante passo à frente na cooperação de longo prazo para o benefício desses povos e da comunidade internacional”.

O documento defende também a formalização do mercado de trabalho e a importância da negociação coletiva. “No Brasil, a taxa de informalidade caiu de 56,9% em 2002 para 39% em 2014”, ressaltou o ministro brasileiro no encerramento do encontro com seus pares do Brics.

DCI – 27/01/2016

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FMI corta projeções de crescimento global pela 3ª vez em menos de um ano

Três meses após suas últimas previsões, o Fundo Monetário Internacional (FMI) avisou ontem que está agora mais pessimista, retirando 0,2 ponto percentual à previsão de crescimento no mundo para 2016 e indicando que se os diversos riscos existentes não forem bem geridos, a economia mundial “pode descarrilar”.

De acordo com as previsões intercalares apresentadas pelo FMI, a taxa de crescimento do PIB mundial irá situar-se em 3,4% em 2016 e 3,6% em 2017. Estes números significam que a retomada da economia mundial, depois dos 3,1% registados no ano passado, vai ser mais lenta do que aquilo que era previsto nas projeções de outubro do ano passado. Naquela época, o fundo apontava para crescimento mundial de 3,6% em 2016 e de 3,8% em 2017.

O FMI cortou suas projeções de crescimento global pela terceira vez em menos de um ano, com novos números de Pequim mostrando que a economia chinesa cresceu no menor ritmo em 25 anos. Para apoiar suas projeções, o FMI citou acentuada desaceleração no comércio da China e os preços fracos das commodities que estão prejudicando economias como as do Brasil e de outros mercados emergentes.

O Fundo prevê que a economia mundial vai crescer 3,4% em 2016 e 3,6% em 2017, ambos os anos com corte de 0,2 ponto percentual das previsões anteriores de outubro. O FMI disse que as autoridades devem considerar maneiras de impulsionar a demanda no curto prazo.

As previsões atualizadas do relatório “Perspectiva Econômica Global” vêm no momento em que os mercados financeiros globais são afetados pelas preocupações com a desaceleração da China e a forte queda dos preços do petróleo.

O FMI manteve suas previsões sobre o crescimento da China de 6,3% em 2016 e de 6% em 2017, o que representa forte desaceleração em relação ao ano passado.

O Fundo disse que uma desaceleração maior da demanda na China continua sendo um risco ao crescimento global e que os dados mais fracos do que esperado das importações e exportações chinesas estão pesando com força sobre outros mercados emergentes e exportadores de commodities.

O relatório do FMI diz que a continuada agitação do mercado também pode ajudar a reduzir o crescimento se levar a uma maior aversão ao risco e depreciação das moedas nos mercados emergentes. Outros riscos incluem mais valorização do dólar e uma escalada das tensões geopolíticas.

O FMI disse que a perspectiva para uma aceleração da produção nos Estados Unidos está diminuindo com o dólar forte pesando sobre a indústria e com os preços baixos do petróleo reduzindo os investimentos em energia.

O Fundo agora projeta o crescimento econômico dos EUA em 2,6% tanto para 2016 quanto para 2017, 0,2 ponto percentual menor para os dois anos em comparação à projeção de outubro. Na Europa, os preços mais baixos do petróleo vão ajudar a apoiar o consumo privado, de modo que o FMI acrescentou 0,1 ponto percentual à sua previsão de crescimento para a zona do euro, levando-a para 1,7%, patamar que continuará em 2017.

O economista-chefe do Fundo Monetário, Maurice Obstfeld, disse que o FMI está encorajando a manutenção da política monetária expansionista em alguns países, como no Japão e na Europa.

Em seu relatório, o FMI também revisou sua projeção para a economia russa, indicando que esta deve contrair 1% em 2016. A estimativa anterior do fundo era de contração de 0,6%, feita em outubro, antes da nova queda nos preços do petróleo ter enfraquecido ainda mais as receitas com exportações do país. A redução na perspectiva de crescimento segue a outra similar do Banco Mundial, que projeta que a economia da Rússia vai contrair 0,7% em 2016. Para a Itália, a previsão é de que o PIB avance 1,3% neste ano.

Reação exagerada

Os mercados financeiros globais parecem estar reagindo de maneira exagerada à queda dos preços do petróleo e ao risco de forte desaceleração da economia da China, disse Obstfeld. Ele também disse que é importante que a China seja clara sobre sua estratégia econômica, incluindo sua postura em relação ao câmbio.

“Não é um exagero sugerir que (os mercados) podem estar reagindo de maneira muito forte às pequenas evidências em ambiente de volatilidade e aversão a risco”, disse . “O preço do petróleo pressiona os exportadores da commodity, mas há um lado bom para os consumidores no mundo todo, então isto não é inteiramente negativo”, completou o economista.

DCI – 20/01/2016

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Déficit cai quase à metade em um dos recuos mais fortes desde 1947

O ajuste nas contas externas em 2015 foi um dos maiores já registrados nas estatísticas do Banco Central compiladas desde 1947. O déficit em transações correntes caiu de US$ 104,181 bilhões para US$ 58,942 bilhões, queda de 43%. Em proporção do Produto Interno Bruto (PIB) saiu de 4,31% para 3,32%. Ajustes dessa magnitude só foram vistos e momentos históricos de forte reorientação macroeconômica ou graves crises como 1998, 1994 e 1982. A previsão é que o ajuste continue em 2016, mas com menor intensidade. A projeção do próprio BC é de déficit de US$ 41 bilhões, ou 2,69% do PIB.

A valorização do dólar (quase 50%) e a retração da economia explicam a redução de mais de 30% em quase todas as linhas do balanço externo (serviços, viagens e remessas de lucros e dividendos.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, diz que o câmbio é a primeira linha de defesa das contas externas e isso efetivamente ocorreu. “O regime de câmbio flutuante, não tenho dúvida, se portou como primeira linha de defesa.” Outro aspecto fundamental, segundo Maciel, é a composição do passivo externo, que agora é composto por investimentos e não mais por dívidas como nos anos 90. A implicação disso, segundo ele, é que em períodos de conjuntura adversa, como crises externas, a conta de juros não é mais um gargalo que se eleva e implica em um ciclo vicioso.

Hoje, como o passivo é de investimentos, a contraparte são os lucros e dividendos, que é uma rubrica pró-cíclica. Em momentos de bonança o fluxo cresce e não causa adversidade, em momentos adversos, se retrai.

O financiamento do déficit também voltou a ter perfil mais saudável, sendo coberto integralmente pelo Investimento Direto no País (IDP), o que não acontecia desde 2012. O IDP somou US$ 75,075 bilhões no ano passado, ou 3,94% do PIB. O BC previa US$ 66 bilhões. Em 2014, o IDP foi de US$ 96,895 bilhões, ou 4,01% do produto.

A redução do déficit do ano ficou melhor que o previsto pelo BC (US$ 62 bilhões) e pelo mercado (US$ 63 bilhões) resultado dos dados de dezembro, que surpreenderam, com déficit de US$ 2,460 bilhões, ante US$ 11,654 bilhões um ano antes. Aqui a balança comercial explica boa parte do ajuste, com superávit de US$ 6,068 bilhões, em comparação com déficit de US$ 8 milhões um ano antes.

Surpresa positiva também veio com o IDP de dezembro que somou US$ 15,211 bilhões – o próprio BC falava em US$ 6,1 bilhões. Aqui, chama atenção um ingresso de mais de US$ 2 bilhões para o setor elétrico, que pode estar relacionado aos leilões realizados no fim do ano passado. Os dados também captam a série de compras de empresas em diversos setores anunciados no encerramento de 2015. Os números reforçam a avaliação de que o Brasil “está barato” para os investidores internacionais.

No ano, a balança comercial apontou superávit de US$ 17,670 bilhões, revertendo déficit de US$ 6,629 bilhões um ano antes. Para este ano, o BC estima um superávit de US$ 30 bilhões.

Na balança de serviços, o déficit cedeu 23%, para US$ 36,978 bilhões. Aqui, a conta de viagens teve um forte ajuste, com o dólar caro e a menor renda fazendo o gasto do brasileiro no exterior cair 32%, de US$ 25,567 bilhões em 2014 para US$ 17,357 bilhões. Descontando o que os estrangeiros deixaram por aqui, US$ 5,844 bilhões, a rubrica fechou o ano deficitária em US$ 11,513 bilhões, menor déficit desde 2010, após US$ 18,724 bilhões em 2014. Parciais de janeiro, até o dia 22, mostram déficit de US$ 180 milhões.

Menor lucratividade e dólar valorizado resultaram em redução de 33% nas remessas de lucros e dividendos, que fecharam o ano em US$ 20,793 bilhões. Em dezembro, as saídas nessa conta foram de US$ 3,965 bilhões, contra US$ 5,228 bilhões um ano antes. Com outra dinâmica, a conta de juros fechou em US$ 21,913 bilhões, contra US$ 21,340 bilhões em 2014. Para 2016, o BC estima remessas de US$ 20 bilhões e pagamento de juros de US$ 20,9 bilhões.

Os investimentos em carteira, principalmente os voltados à renda fixa, parecem captar a perda do grau de investimento. Os ingressos caíram a US$ 16,296 bilhões em 2015, contra US$ 27,068 bilhões em 2014 e US$ 30,957 bilhões em 2013. Para este ano, o BC estima modestos US$ 6 bilhões, mostrando que juro alto não é a única variável considerada pelo investidor estrangeiro.

Na bolsa, as entradas para compra de ações somaram US$ 6,528 bilhões, menor valor da série iniciada em 2010, depois de US$ 10,872 bilhões em 2014. As parciais de janeiro, até dia 22, mostram saída de US$ 1,094 bilhão da renda fixa e perda de US$ 269 milhões em ações. Para o mês de janeiro de 2016, a projeção do BC é de déficit em conta corrente de US$ 6,7 bilhões, com IDP de US$ 4,6 bilhões. Até o dia 22, o IDP já mostrava entrada de US$ 3,6 bilhões.

Valor Econômico – 27/01/2016

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Turbulência cambial na China reflete desequilíbrio mais perigoso

Quando o investidor George Soros fez sua famosa aposta contra e libra esterlina, em 1992, ele estava convicto de que o valor da moeda estava distorcido. O Reino Unido acabou deixando sua moeda se desvalorizar, depois de queimar reservas numa vã tentativa de defendê-la. Soros embolsou pelo menos US$ 1 bilhão. Para a surpresa de muitos, a economia britânica logo começou a se recuperar, depois que a libra encontrou o patamar certo.

A intensa batalha da China contra especuladores dos mercados de câmbio provavelmente não deve ter um final tão feliz para o país. Isso porque a turbulência nesses mercados reflete um desequilíbrio muito mais perigoso do que um yuan sobrevalorizado. A China hoje depende excessivamente de injeções cada vez maiores de crédito por parte dos bancos locais para impedir uma desaceleração ainda maior de sua debilitada economia.

O país já está repleto de fábricas ociosas, blocos de apartamentos vazios que formam bairros fantasmas, estações de energia desativadas e outras obras de infraestrutura de que ninguém precisa. Ainda assim, há mais projetos dispendiosos a caminho, apesar do discurso do governo sobre reduzir a capacidade industrial ociosa.

“Essa é a distorção – todo o resto é ruído”, diz Rodney Jones, líder da consultoria Wigram Capital Advisors, sediada em Pequim, e que era sócio do Soros Fund Management nos anos 90.

Se o endividamento continuar aumentando no ritmo atual, a China pode acabar enfrentando uma crise financeira que talvez leve a anos de crescimento abaixo da média, a exemplo do que ocorreu com o Japão depois do estouro de sua bolha econômica, no início dos anos 90. Jones argumenta que os mercados acionários globais não se ajustaram devidamente a esse risco, mesmo após uma queda de 16%, em dólar, ante a máxima que atingiram em maio de 2015. “O mundo terá que aprender a viver sem a demanda da China”, diz ele. “Isso vai ser um choque.”

Uma desvalorização drástica do yuan não vai consertar essas distorções e pode até piorar a situação caso, como é provável, desencadeie um caos financeiro nos parceiros comerciais da China. Uma alternativa – apertar ainda mais o controle sobre as saídas de capital do país – seria um recuo humilhante das iniciativas do governo para tornar o yuan uma moeda mais internacional. Pequim também poderia permitir a livre flutuação da moeda, que subiu a seu nível atual, insustentável, só por estar atrelada a um dólar cada vez mais forte. Mas qualquer queda acentuada do yuan é arriscada.

As autoridades da China não pretendem deixar os mercados concluírem que a cotação do yuan está fora da realidade e, principalmente, que o governo está administrando mal a economia. Elas têm defendido a manutenção da “estabilidade básica” da moeda, apesar de enfrentarem uma tarefa árdua: o yuan se desvalorizou em 4,5% em relação à moeda americana no ano passado, e muitos operadores creem que ela só tende a cair mais. É verdade que parte da fraqueza do yuan se deve à nova metodologia do BC de ajustar seu valor em relação a uma cesta de moedas. Não é mais uma aposta única, então os investidores estão diversificando.

Também não se deve ignorar os pontos brilhantes da economia chinesa. O Boston Consulting Group destacou recentemente um deles: os gastos dos jovens ricos, que segundo a consultoria devem elevar o mercado de consumo da China para US$ 6,5 trilhões em vendas até 2020, um crescimento de 54% em relação ao ano passado.

Ainda assim, uma corrida especulativa contra o yuan nos mercados fora da China continental indicam uma falta de confiança crescente na capacidade dos líderes chineses de evitar uma desaceleração drástica. Os investidores experientes da China estão nervosos. O banco central luta contra uma onda de saídas de capital. As pessoas estão transferindo parte de suas economias para o exterior.

E a China está queimando suas reservas para tentar evitar que o yuan desvalorize mais. Segundo o DBS Bank, o governo já gastou US$ 663 bilhões de suas reservas desde junho de 2014, no esforço de segurar o yuan. Elas hoje somam US$ 3,3 trilhões. Líderes financeiros internacionais estão cada vez mais receosos que o caos cambial na China possa levar a já frágil economia global à recessão. Alguns atribuem a situação à falta de habilidade dos reguladores chineses em sua comunicação com o mercado, e não a deficiências mais sérias.

Mas o problema está nas esferas mais altas. O presidente Xi Jinping centralizou nas suas mãos a formulação da política econômica. E ele não aceita bem as críticas. Como ocorre com frequência quando a liderança chinesa se sente acuada, a mídia estatal está culpando os estrangeiros.

Na semana passada, a agência estatal de notícias Xinhua atribuiu as turbulências a “especulações irresponsáveis” e “atividades mal-intencionadas de venda a descoberto” no exterior, alertando que os responsáveis enfrentarão “severas consequências legais”. Tais ameaças, se levadas a cabo, vão apenas intensificar a crise de confiança. Afinal, os especuladores não estão apenas apostando contra a moeda chinesa. Estão apostando contra a própria China.

Valor Econômico – 27/01/2016

Redação On janeiro - 27 - 2016
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