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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017






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Setor externo em 2015 tem o pior resultado desde 2010

Déficit: o rombo nas contas externas em 2015 somou US$ 58,942 bilhões, o equivalente a 3,32% do PIB do Brasil

Célia Froufe e Victor Martins

O rombo nas contas externas em 2015 somou US$ 58,942 bilhões, o equivalente a 3,32% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme informou nesta terça-feira, 26, o Banco Central.

Os números levam em conta a nova metodologia do BC para as estatísticas de Setor Externo.

Com as mudanças adotadas pela instituição, em abril do ano passado, a série histórica foi reduzida e há dados disponíveis somente a partir de 2010. Anteriormente, as informações iam até 1947.

Com isso, o resultado do ano passado foi o mais baixo desde 2010.

Em relação ao PIB, a taxa é a menor desde 2013. Em 2010, o déficit foi de US$ 75,760 bilhões; no ano seguinte, de 76,970 bilhões; em 2012, de US$ 74,059 bilhões; em 2013, de US$ 74,769 bilhões e, em 2014, de US$ 104,077 bilhões.

Já a relação das contas correntes com o PIB nesses anos, pela ordem, foi de: 3,43%, 2,95%, 3,07%, 3,13% e 4,31%.

O mercado esperava um déficit de US$ 59 bilhões este ano, segundo mediana obtida pelo AE Projeções com 14 instituições financeiras, que projetavam um rombo de US$ 57,700 bilhões a US$ 61,926 bilhões. A última estimativa do BC era de um déficit de US$ 62 bilhões para 2015.

Dezembro

Após um rombo de US$ 2,931 bilhões em novembro, o déficit das transações correntes somou US$ 2,460 bilhões em dezembro do ano passado. A projeção do Banco Central para a conta corrente do mês era de um saldo negativo de US$ 5,6 bilhões.

Já no mercado financeiro, as estimativa iam de déficit de US$ 1,3 bilhão a US$ 5,52 bilhões, conforme apuração feita pelo AE Projeções com 16 instituições. A mediana era negativa em US$ 2,5 bilhões.

A balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 6,068 bilhões no mês, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 2,531 bilhões. A conta de renda também ficou deficitária em US$ 6,455 bilhões.

Remessas de lucros e dividendos

A remessa de lucros e dividendos de companhias instaladas no Brasil para suas matrizes foi de US$ 3,965 bilhões em dezembro do ano passado, segundo dados do Banco Central. A saída líquida ficou abaixo dos US$ 5,228 bilhões que foram enviados, já descontados ingressos, em igual mês de 2014.

No acumulado do ano, a saída líquida de recursos via remessa de lucros e dividendos alcançou US$ 20,793 bilhões. O resultado é inferior ao registrado em igual período de 2014, quando as remessas foram de US$ 31,187 bilhões.

A redução reflete a crise pela qual passa o país e a disparada do dólar em 2015, que chegou a 48,5%. Pelas contas do BC, o montante de remessa ao exterior no ano passado seria de US$ 20 bilhões.

Juros externos

O BC informou também que as despesas com juros externos somaram US$ 2,524 bilhões em dezembro ante US$ 1,990 bilhão em igual mês do ano anterior. Em 2015, essas despesas alcançaram US$ 21,913 bilhões, valor levemente maior que os US$ 21,340 bilhões de igual período de 2014. Para o BC, o pagamento de juros somaria US$ 21,2 bilhões em 2015.

Dívida externa

A estimativa do Banco Central para a dívida externa brasileira em dezembro é de US$ 337,732 bilhões. O último dado verificado pela instituição foi em setembro, quando estava em US$ 344,914 bilhões. Segundo a autarquia, em dezembro de 2014 a dívida estava em US$ 352,684 bilhões. No fim de 2013, a dívida era de US$ 312,517 bilhões.

A dívida externa de longo prazo atingiu US$ 281,629 bilhões em dezembro, enquanto o estoque de curto prazo ficou em US$ 56,103 bilhões no fim do mês passado, segundo as estimativas do BC.

De acordo com a instituição, entre os determinantes de longo prazo da dívida estão as amortizações de títulos realizados pelos setores financeiros e não financeiros, somando US$ 1 bilhão e US$ 746 milhões, respectivamente.

As amortizações de empréstimos também tiveram influência, no caso do setor financeiro, em US$ 1,3 bilhão; no setor não financeiro, o número é de US$ 604 milhões.

A dívida também sofreu uma redução cambial de US$ 279 milhões. Já a dívida de curto prazo foi determinada por amortização de empréstimos e pelos setores financeiros e não financeiros, de US$ 1,5 bilhão e US$ 995 milhões, respectivamente.

Fonte: Exame

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América Latina na berlinda? Em meio a crise, líderes se reúnem para buscar ‘voz comum’
Ruth Costas

Presidentes e primeiros-ministros de toda a América Latina e Caribe tomarão seus aviões nesta semana rumo a Quito, capital do Equador, para a quarta cúpula da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), cujos temas oficiais serão a integração regional, o combate à pobreza e a redução das desigualdades na região.

Até a noite de domingo, estava confirmada a presença das 33 delegações dos países-membros da Celac e de 22 presidentes e premiês, segundo o governo do Equador. A presidente brasileira, Dilma Rousseff, tinha sua chegada prevista para a terça-feira, quando terá uma reunião com o equatoriano Rafael Correa.

Algumas autoridades – entre elas o novo presidente argentino, Maurício Macri – alegaram questões médicas para não viajar à capital equatoriana, que fica a 2.850 metros de altitude, encravada na Cordilheira dos Andes.

A reunião de chefes de Estado e de Governo ocorrerá na quarta-feira. Analistas ouvidos pela BBC Brasil, porém, se dividem sobre o peso desse megaencontro latino-americano.

Para alguns, a Celac é um esforço importante para se cooperar na busca de soluções de problemas comuns. Para outros, trata-se apenas um evento para “cumprir tabela” na agenda regional, como define o especialista em Relações Internacionais José Augusto Guilhon de Albuquerque, professor aposentado da USP, que ressalta a dificuldade de se chegar a consensos em encontros como esse.

“Acho que a Celac está se tornando tão vazia e irrelevante quanto a OEA (Organização dos Estados Americanos) foi em boa parte de sua história”, diz.

Entre os menos céticos está Luis Fernando Ayerbe, especialista em América Latina da Unesp.

“De fato acho difícil que se chegue a uma posição comum sobre a crise política na Venezuela, por exemplo. E transformar essa numa organização mais econômica, como propõem alguns, não seria uma tarefa simples. Mas esse é um fórum em que se pode discutir as mais diversas questões relevantes para a região – e em alguns temas pode haver comunhão de interesses”, diz ele.

“A Colômbia por exemplo já pediu que integrantes da Celac, junto com a ONU, supervisionem o cessar-fogo do processo de paz com a guerrilha – o que interessa a toda região”, exemplifica.

O subsecretário-geral do Itamaraty para a América do Sul, Paulo Estivallet, tem uma argumentação na mesma linha. “A Celac não tem vocação para ter uma agenda que cubra todos os temas”, disse, em entrevista coletiva. “Mas em muitos deles há grande coincidência, como na questão do desenvolvimento. E em como lidar com a desigualdade.”

Falando sobre o pedido da Colômbia, ele diz que o Brasil já se dispôs a ajudar: “Haverá a necessidade de verificação de desarmamento, o que requer tropas ou policiais em condições de fazer isso.”

Dificuldades econômicas

Neste ano, a cúpula da Celac ocorre em um momento econômico particularmente delicado para a América Latina e em meio a incertezas políticas que podem criar obstáculos para a cooperação sobre alguns temas.

Em 2011, quando a Celac foi criada, a região era uma das que mais crescia no mundo.

A entidade, que não inclui EUA nem Canadá, foi concebida como uma espécie de contraponto à Organização dos Estados Americanos, acusada por governos de esquerda de servir a interesses americanos.

Seus objetivos, oficialmente, eram promover a coordenação e cooperação política. Também projetar globalmente a voz e interesses de uma região que, em parte em função de seu vigor econômico, na época parecia destinada a ampliar sua relevância no cenário internacional.

Hoje, no campo econômico, a região sofre com o desaquecimento da China, a queda das commodities e – em alguns casos – a queda dos preços do petróleo.

“Estamos na passagem de um ciclo. Durante muito tempo as nossas economias – não só as da América do Sul mas também de países desenvolvidos como EUA e Canadá – tiveram suas exportações muito voltadas para a Ásia e direcionadas em função da demanda por commodities”, disse Estivallet, ao falar sobre a Celac.

“Esse ciclo aparentemente acabou, o que é um desafio para os países sul-americanos, mas isso também gera oportunidades e a percepção clara de que é preciso encontrar outras fontes de crescimento econômico e dinamismo para o comércio.”

Para este ano, o FMI projeta uma queda de 0,3% no PIB regional, puxada pela recessão brasileira (o PIB do país deve se contrair 3,5%, na estimativa do Fundo).

E em parte em função dessas dificuldades há algum tempo há quem defenda uma ampliação da pauta da Celac. No ano passado, a própria Dilma propôs uma extensão das atribuições do grupo para incluir ações de comércio e integração econômica.

“Os países da Celac devem se unir para enfrentar os problemas da economia mundial e retomar o crescimento robusto”, disse a presidente. “Torna-se urgente nossa cooperação, priorizando o comércio intrarregional e ao mesmo tempo estimulando o desenvolvimento e a integração de nossas cadeias produtivas.”

Nessa linha, em 2015, chanceleres dos países da Celac participaram pela primeira vez de um fórum com a China, em Pequim, com o objetivo de atrair mais investimentos chineses para a região e definir diretrizes para as relações com o gigante asiático. Também foi realizada a primeira reunião com a União Europeia, em junho, na qual foram debatidas oportunidades de negócios.

Venezuela

No aspecto político, as grandes preocupações regionais são a instabilidade no Brasil e Venezuela. E a questão venezuelana em especial já é fonte de conflitos.

Alguns membros da Celac defendem a não-interferência. Outros, que o tema seja abordado de forma sutil, para que os países e fóruns regionais não percam o papel de mediadores junto ao governo e a oposição venezuelana. Já um terceiro grupo, liderado por Macri, defende uma pressão forte e direta sobre Caracas.

“Não está prevista uma discussão sobre a situação venezuelana na Celac, mas é sempre possível que em um encontro presidencial o tema seja suscitado”, diz Estivallet.

Ayerbe lembra que, na última reunião do Mercosul no Paraguai, o presidente argentino exigiu que o governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro liberte opositores presos, batendo de frente com a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez. Em resposta, Rodríguez acusou o argentino de “ingerência política”.

“Macri levantou a questão de forma bem contundente e o governo argentino parece disposto a manter essa posição, o que indica que o tema pode gerar divisões e conflitos nesse tipo de fórum”, diz Ayerbe.

Como o mandatário argentino cancelou sua participação em Quito – ele será representado pela vice-presidente Gabriela Michetti -, evitou-se um confronto direto.

O próprio Maduro, ao confirmar sua ida à Celac, disse que sua ideia era ir “com tudo” contra o governo argentino e seus colegas “de direita” na região.

“Ou nos respeitamos ou se acabam as regras do jogo nesta batalha por uma nova América”, ameaçou.

Pouco depois, foi anunciado que o médico de Macri havia lhe recomendado não viajar porque recentemente ele teve uma fratura em um acidente doméstico, enquanto brincava com a filha, o que lhe “impediria de realizar esforços respiratórios”.

Para Guilhon de Albuquerque, a questão é que a vitória de Macri na Argentina mudou a dinâmica na Celac ao enfraquecer o eixo Buenos Aires–Caracas.

“Politicamente, a diferença desse encontro é que o eixo bolivariano deixou de prevalecer, sua coalizão está mais enfraquecida. E isso também faz com que as divisões no grupo tendam a se acirrar”, opina. (BBC Brasil)

Fonte: BBC

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Brasil vislumbra oportunidade de expandir cooperação comercial

Em uma estratégia para se antecipar ao fim das sanções ao Irã, anunciado semana passada, o Brasil negocia com os iranianos, desde setembro de 2015, um Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos ( ACFI), nos moldes dos que já foram fechados com Colômbia, México, Angola e Moçambique. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a proposta foi apresentada pessoalmente por ele ao presidente iraniano, Hassan Rouhani, em viagem a Teerã. Vieira revelou que já há tratativas para a vinda de Rouhani a Brasília ainda este ano, para encontrar a presidente Dilma Rousseff.

Vieira avalia que o Brasil perdeu, com as sanções, cerca de US$ 1 bilhão ( R$ 4,1 bilhões) por ano no que antes eram embarques de alimentos, medicamentos e equipamentos hospitalares ao mercado persa. Embora esses produtos fossem exceções na lista de itens proibidos pelos EUA, os bancos tinham receio de terem problemas com o mercado financeiro americano.

— O Brasil fez uma aproximação com o Irã muito antes de as sanções caírem. O Brasil nunca deixou de estar a seu lado. Todas as autoridades iranianas com as quais conversei falaram sobre a grande gratidão do país ao apoio do Brasil em 2010 — disse o ministro ao GLOBO.

Ele se referia à participação de Brasil e Turquia na elaboração de uma proposta para um acordo nuclear com o Irã. A minuta do pacto foi rejeitada pelos EUA. Além disso, estima- se que foram bloqueados, desde o início das sanções, em 2010, US$ 100 bilhões de dinheiro iraniano em bancos americanos. Esses recursos agora podem ajudar o país a renovar a frota de aviões, a indústria de petróleo e petroquímica e o sistema de transporte, entre outros investimentos.

— O fim das sanções vai ajudar o mundo inteiro. O Irã é um país rico, importante, com quase 90 milhões de habitantes. É um povo com altíssimo nível de educação, com cientistas de primeira — afirmou Vieira.

Empresários de vários setores deverão ir em missão a Teerã, em março, para melhorar o ambiente de negócios — impulsionados pelo desejo do Irã de atrair empresas dando isenções fiscais.

— Temos agora mais um importador importante para produtos brasileiros, num momento em que o Brasil precisa aumentar exportações. Sempre tivemos uma relação comercial com o Irã. A indústria brasileira trabalha estrategicamente para atender às demandas dos iranianos, que são bem receptivos aos produtos brasileiros — disse o diretor de desenvolvimento industrial da Confederação Nacional da Indústria ( CNI), Carlos Abijaodi.

O Globo – 26/01/2016

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Empresas enfrentam ações coletivas no exterior

A listagem de empresas brasileiras no mercado de ações dos Estados Unidos, que se tornou um dos mais ativos em negociações e ao mesmo tempo o mais rígido no controle de obrigações administrativas, acabou expondo os problemas e irregularidades internas das companhias aos investidores no exterior.

No último ano, surgiram litígios de acionistas envolvendo recibos de ações (ADRs) da Petrobras, Eletrobras, Vale, Braskem e, mais recentemente, da CNova, empresa de comércio eletrônico do grupo Casino. Os detentores das ADRs alegam ter perdido dinheiro com a desvalorização desses ativos, após escândalos e acidentes que mancharam a imagem das companhias, além de prejudicá-las financeiramente.

Os advogados americanos, em nome desses investidores, avaliam se a Vale violou dois artigos da lei que determina as regras do mercado de capitais dos Estados Unidos. Os artigo citados – 10(b) e 20(a) – protegem os investidores de práticas de fraude e manipulação e tratam também da responsabilidade dos controladores da companhia. A violação da Vale é referente ao rompimento das barragens de sua subsidiária Samarco, em Mariana (MG), que deixou 13 mortos em novembro do ano passado.

No caso da Petrobras, os advogados argumentam que a estatal violou os direitos dos investidores, devido ao envolvimento da petroleira com as investigações da Operação Lava-Jato. A baixa contábil de mais de R$ 50 bilhões feita pela companhia nos resultados de 2014 também contam a favor dos requerentes na Justiça dos Estados Unidos,.

A mais nova companhia brasileira a se tornar alvo de investigações internacionais é a CNova, que controla sites como Pontofrio.com e CasasBahia.com, do grupo Casino. A empresa é acusada de má gestão diante das denúncias de que funcionários roubavam produtos de centros de distribuição da empresa no Brasil.

“O que essas empresas têm em comum é o fato de terem falhado com a divulgação disciplinada de informações importantes. Para vender ações lá fora, as empresas têm que comprovar o que valem, se comprometer em dia com as regras e agir de forma correta”, ressaltou Ricardo Dalmaso Marques, advogado do Pinheiro Neto.

Para Celson Plácido, estrategista-chefe da XP Investimentos, além dos riscos de serem processadas, a conjuntura econômica atual não oferece mais motivos para emitir ações em bolsas internacionais. “Temos muitas empresas fechando capital, preocupadas em perder investimentos. No Brasil, diversas empresas que estão em patamar barato já estão realizando agrupamentos e recompras de ações. Vamos ver quais são as alternativas nos Estados Unidos”, diz.

Segundo Marques, as empresas começarão a ver com outros olhos agora a emissão de ações nos EUA. “Agora elas podem ver claramente o ônus das ADRs. Se antes, a falta de clareza das obrigações era desculpa, hoje não é mais.”

Valor Econômico – 26/01/2015

 

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Levará meses para a Argentina normalizar estatísticas, diz Indec

Quando sua consultoria recebeu uma multa do governo argentino, em 2011, por tornar públicos cálculos de inflação diferentes dos oficiais, o economista Jorge Todesca não tinha ideia de como isso se reverteria a seu favor anos mais tarde. Em dezembro ele recebeu convite do presidente Mauricio Macri para dirigir o Instituto Nacional de Estatísticas (Indec) e abraçar uma missão especial: calcular os verdadeiros índices de inflação, crescimento do PIB, pobreza e outros dados ocultados dos argentinos e do mundo durante os oito anos de governo de Cristina Kirchner.

Todesca avisa que levará meses para que dados confiáveis voltem a ser divulgados pelo Indec, que chegou a ser uma referência na América Latina. Para não deixar os argentinos na mão, para a taxa inflacionária serão sugeridos provisoriamente os Índices de Preços ao Consumidor de duas regiões – da cidade de Buenos Aires e da província de San Luis. O primeiro reflete a realidades urbana e o de San Luis, o interior do país. Em ambos os casos, as metodologias são vistas com confiança pela nova direção do Indec.

Ontem foram divulgados os dois índices alternativos. Em Buenos Aires a inflação foi de 3,9% em dezembro e 26,9% em 2015. Já em San Luis foi apurada taxa de 6,5% no mês passado, o que resulta em 31,6% no acumulado do ano.

A inflação oficial com Cristina no poder deixou de ser medida em novembro, o que deu 14,3% no acumulado de 11 meses. A nova gestão não pretende fazer contas do passado. “Não podemos dar a fotografia que não foi tirada naquele momento”, diz Todesca.

Durante o governo de Cristina a inflação do Indec transformou-se em motivo de piada. O consumidor percebia claramente que a fantasia dos dados oficiais cada dia se distanciavam mais do que ele testemunhava no supermercado.

Quando foi informado, em 2011, que teria que pagar o equivalente a mais de US$ 120 milhões por anunciar cálculos próprios de inflação Todesca decidiu recorrer à Justiça e venceu ação. O economista ainda aguarda, no entanto, decisão judicial de outra ação “por abuso de autoridade” contra o então secretário do Comércio, Guillermo Moreno, autor da multa. O polêmico secretário não conseguiu penalizar nenhuma das consultorias que passaram a fazer cálculos próprios com a intervenção governamental no Indec, em 2007.

Naquele momento a equipe do Indec estava desmantelada. Alguns profissionais foram demitidos e outros pediram para sair. Uma parte, porém, foi afastada da função, mas não do emprego. Alguns dos que passaram oito anos batendo cartão sem ter o que fazer precisaram de tratamento psicológico para superar a angústia, segundo contam funcionários. Dos 25 diretores recém-contratados boa parte trabalhava no instituto antes da intervenção.

Ao assumir o cargo, em 22 de dezembro, Todesca assustou-se com o que viu. Ninguém entendia metodologias, sobretudo para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), usado para medir a inflação na Argentina e, como diz Todesca, “o mais “destruído”. “Houve uma clara intervenção na metodologia, mas as formas usadas para isso só poderemos revelar quando estiverem documentadas”, afirma.

O diretor avisou o governo que seria impossível normalizar a situação a curto prazo. Há poucos dias Macri assinou um decreto de emergência estatística, que suspendeu temporariamente o calendário da divulgação de índices e permitiu a reorganização do sistema, o que inclui os IPCs alternativos. Os papeis da dívida pública, por exemplo, serão corrigidos pelo IPC de Buenos Aires.

Todesca prevê um ano inteiro de trabalho para retomar o ritmo de divulgação dos mais de 50 índices calculados pelo instituto. A divulgação acontecerá à medida que os cálculos ficarem pronto. O crescimento do Produto Interno Bruto, segundo sua previsão, será apresentado em dois ou três meses. Já o índice de pobreza levará mais tempo, com dados parciais entre abril e maio.

O Fundo Monetário Internacional já foi avisado sobre o processo de “reconstrução do Indec”. Em 2013 o governo argentino recebeu do FMI uma moção de censura por “manipular os índices de crescimento econômico e inflação”. Mas a pressão pelas estatísticas confiáveis não vem só do FMI. Desde que assumiu o cargo, em 22 de dezembro, Todesca não parou de atender chamados de consultorias internacionais e empresários. “Muitas decisões para investimentos dependem desses dados”, destaca.

O economista pede paciência. Aos que necessitam cálculos para urgências como reajustes salariais ele argumenta que os dois índices de inflação sugeridos, de Buenos Aires e San Luis, “preenchem muito melhor o vazio que ficou nessas medições do que antigos dados oficiais irreais”.

Será, no entanto, difícil fugir da pressão. A imprensa argentina tem comentado sobre a inquietação do ministro da Fazenda Alfonso Prat-Gay. O Indec é ligado ao seu Ministério e depende de orçamento aprovado em Congresso. Mas conta com autonomia, agora, para usar os recursos e organizar o trabalho técnico.

Para o novo diretor, no entanto, entregar dados confiáveis é muito mais importante do que o tempo que isso pode levar. Por mais que consultores independentes, como ele próprio no passado, tenham se esforçado nos cálculos certas coisas, diz, dependem do setor público.

O ex-consultor tem agora em suas mãos um símbolo. O instituto de estatísticas transformou-se numa espécie de vitrine do país no processo de reconquista da confiança do mercado internacional e do investidor. “O Indec é uma das demonstrações mais visíveis da linha que se estabeleceu entre a verdade e a mentira na Argentina”, afirma.

Valor Econômico – 26/01/2016

 

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FMI corta projeções de crescimento global pela 3ª vez em menos de um ano

Três meses após suas últimas previsões, o Fundo Monetário Internacional (FMI) avisou ontem que está agora mais pessimista, retirando 0,2 ponto percentual à previsão de crescimento no mundo para 2016 e indicando que se os diversos riscos existentes não forem bem geridos, a economia mundial “pode descarrilar”.

De acordo com as previsões intercalares apresentadas pelo FMI, a taxa de crescimento do PIB mundial irá situar-se em 3,4% em 2016 e 3,6% em 2017. Estes números significam que a retomada da economia mundial, depois dos 3,1% registados no ano passado, vai ser mais lenta do que aquilo que era previsto nas projeções de outubro do ano passado. Naquela época, o fundo apontava para crescimento mundial de 3,6% em 2016 e de 3,8% em 2017.

O FMI cortou suas projeções de crescimento global pela terceira vez em menos de um ano, com novos números de Pequim mostrando que a economia chinesa cresceu no menor ritmo em 25 anos. Para apoiar suas projeções, o FMI citou acentuada desaceleração no comércio da China e os preços fracos das commodities que estão prejudicando economias como as do Brasil e de outros mercados emergentes.

O Fundo prevê que a economia mundial vai crescer 3,4% em 2016 e 3,6% em 2017, ambos os anos com corte de 0,2 ponto percentual das previsões anteriores de outubro. O FMI disse que as autoridades devem considerar maneiras de impulsionar a demanda no curto prazo.

As previsões atualizadas do relatório “Perspectiva Econômica Global” vêm no momento em que os mercados financeiros globais são afetados pelas preocupações com a desaceleração da China e a forte queda dos preços do petróleo.

O FMI manteve suas previsões sobre o crescimento da China de 6,3% em 2016 e de 6% em 2017, o que representa forte desaceleração em relação ao ano passado.

O Fundo disse que uma desaceleração maior da demanda na China continua sendo um risco ao crescimento global e que os dados mais fracos do que esperado das importações e exportações chinesas estão pesando com força sobre outros mercados emergentes e exportadores de commodities.

O relatório do FMI diz que a continuada agitação do mercado também pode ajudar a reduzir o crescimento se levar a uma maior aversão ao risco e depreciação das moedas nos mercados emergentes. Outros riscos incluem mais valorização do dólar e uma escalada das tensões geopolíticas.

O FMI disse que a perspectiva para uma aceleração da produção nos Estados Unidos está diminuindo com o dólar forte pesando sobre a indústria e com os preços baixos do petróleo reduzindo os investimentos em energia.

O Fundo agora projeta o crescimento econômico dos EUA em 2,6% tanto para 2016 quanto para 2017, 0,2 ponto percentual menor para os dois anos em comparação à projeção de outubro. Na Europa, os preços mais baixos do petróleo vão ajudar a apoiar o consumo privado, de modo que o FMI acrescentou 0,1 ponto percentual à sua previsão de crescimento para a zona do euro, levando-a para 1,7%, patamar que continuará em 2017.

O economista-chefe do Fundo Monetário, Maurice Obstfeld, disse que o FMI está encorajando a manutenção da política monetária expansionista em alguns países, como no Japão e na Europa.

Em seu relatório, o FMI também revisou sua projeção para a economia russa, indicando que esta deve contrair 1% em 2016. A estimativa anterior do fundo era de contração de 0,6%, feita em outubro, antes da nova queda nos preços do petróleo ter enfraquecido ainda mais as receitas com exportações do país. A redução na perspectiva de crescimento segue a outra similar do Banco Mundial, que projeta que a economia da Rússia vai contrair 0,7% em 2016. Para a Itália, a previsão é de que o PIB avance 1,3% neste ano.

Reação exagerada

Os mercados financeiros globais parecem estar reagindo de maneira exagerada à queda dos preços do petróleo e ao risco de forte desaceleração da economia da China, disse Obstfeld. Ele também disse que é importante que a China seja clara sobre sua estratégia econômica, incluindo sua postura em relação ao câmbio.

“Não é um exagero sugerir que (os mercados) podem estar reagindo de maneira muito forte às pequenas evidências em ambiente de volatilidade e aversão a risco”, disse . “O preço do petróleo pressiona os exportadores da commodity, mas há um lado bom para os consumidores no mundo todo, então isto não é inteiramente negativo”, completou o economista.

DCI – 20/01/2016

 

Redação On janeiro - 26 - 2016
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