Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Tera-feira, 26 de Setembro de 2017






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BENJAMIN STEINBRUCH

Pra frente, Brasil!
PERDE O sono quem se debruça a avaliar os inúmeros problemas globais deste início de ano.Ao mau humor brasileiro somam-se avaliações bastante pessimistas sobre o comportamento da economia mundial.

Para o Brasil, a má notícia, pior de todas,é o desaquecimento da China, o grande consumidor de commodities industriais e agrícolas.O crescimento da economia da China, de 6,9% em 2015, ainda é robusto quando comparado com os dos demais países emergentes ou desenvolvidos, mas está longe do conhecido “ritmo chinês” dos últimos 25 anos, quase sempre em índices de dois dígitos.

O desaquecimento da demanda chinesa derruba o preço das matérias-primas, desde o petróleo até os metais e as commodities agrícolas.

No caso do petróleo, a estratégia dos grandes produtores, que visa a inviabilizar a concorrência de outras fontes de energia, levou o preço a níveis inacreditavelmente baixos. Desde junho de 2014, em pouco mais de um ano e meio, portanto, a cotação do barril de petróleo caiu 70%, de US$110 para US$30.

Nesse cenário, as petrolíferas, entre elas a Petrobras, já adiaram quase 70 projetos de exploração ao redor do mundo,o que levou a um corte de investimentos de quase de US$400 bilhões no ano passado.

O efeito petróleo se espalha por todas as cadeias globais.

A Europa patina, os emergentes perdem posições e só a economia americana ainda vai bem.

Além disso, há uma série de problemas geopolíticos, sendo o principal deles o grande número de imigrantes do Oriente Médio que buscam refúgio na Europa.

Nesse contexto se enquadra o Brasil, com seus velhos problemas internos – tributação elevada, juros exorbitantes, burocracia, baixa produtividade e corrupção-, agravados por crise política e polarização ideológica.

O que fazer? Como voltar a crescer e a criar empregos?

Ninguém tem fórmula mágica, mas é preciso agir.

Não dá para o país aguardar sentado a melhora das condições globais.

A desvalorização do real, uma das maiores entre as moedas emergentes, já começou a ajudar as exportações.

É indispensável incentivá-las ainda mais, especialmente nas áreas em que o país é competitivo, como em produtos agroindustriais. Não se pode esperar, porém, que a recuperação da economia venha apenas do impulso exportador.

Até porque, segundo todasas previsões,a demanda global vai se retrairainda mais no curto prazo com a queda do petróleo.

É obrigatório, portanto, olhar para o vasto mercado interno, com mais de 200 milhões de consumidores.

Reativá-lo épossível,apesar do pessimismo e das críticas injustas ao modelo adotado na crise de200& É obrigatório também retomar investimento em infraestrutura e construção, grandes geradores de emprego.

Areceita para reaquecer o consumointerno passa pelo crédito. Às famílias endividadas e inadimplentes pode ser oferecida a renegociação dos empréstimos com juros civilizados. Eàs empresas combalidas, refinanciamentos para que possam levantar e andar.

Os juros civilizados são fundamentais. Na semana passada prevaleceu o bom senso, quando o Banco Central abortou uma elevação da Selic. Um país arrasado pela recessão não pode aumentar sua taxa básica de juros, a menos que queira ser motivo de chacota global.

Por fim, o país precisa de um choque de confiança, que podería vir da apresentação de um plano de reformas, há muito esperadas, ao Congresso.

BENJAMDI STEINBRUCH. 62. empresário, é diretor presidente da CSN e presidente do conselho de administração da empresa. Escreve às terças-feiras, a cada 14 dias. nesta coluna.

Não há fórmula mágica, mas é preciso agir; Não dá para aguardar sentado a melhora das condições globais.

Folha São Paulo – 26/01/2016

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Focus projeta IPCA fora do centro da meta até pelo menos 2020

As projeções para a inflação subiram no boletim Focus, do Banco Central, depois que a autoridade monetária decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) inalterada em 14,25% na semana passada. Na média das opiniões, os analistas de mercado não mais esperam que a inflação retorne ao centro da meta de 4,5% até pelo menos 2020. A mediana das estimativas para o IPCA em 2018 subiu de 5% para 5,1%; em 2019 e 2020, de 4,5% para 5%.

A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2016 subiu de 7% para 7,23% e, para 2017, de 5,40% para 5,65%. Entre os analistas Top 5, os que mais acertam as previsões, as estimativas subiram para de 7,54% para 7,92%, em 2016, e de 5,50% para 7,19%, em 2017.

A previsão para o IPCA em janeiro também subiu, de 0,92% para 1,05%. Na sexta-feira, o IBGE informou que o IPCA-15, prévia do mês, subiu 0,92%.

Os analistas também revisaram as projeções para a taxa de juro neste e no próximo ano. A mediana das estimativas para a Selic ao fim de 2016 saiu de 15,25% para 14,64%. Para 2017, foi de 12,88% para 12,75%.

No Top 5, os analistas agora esperam que a Selic termine este ano em 13,75%, de expectativa anterior de 15,38%. Em 2017, a taxa básica de juros deve terminar o ano em 12,63%. Antes, esperava-se 13%.

A mediana das projeções dos analistas de mercado para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano teve ligeira piora na última semana. A expectativa agora é de uma retração de 3%, em vez de queda de 2,99%. A estimativa para 2017 passou de expansão de 1% para aumento de 0,80%.

Na terça-feira passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou a previsão para a economia brasileira, de queda de 1% para contração de 3,5% em 2016, e de crescimento de 2,35% para zero em 2017. Essas novas projeções levaram o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, a emitir uma nota no primeiro dia da reunião do Copom, algo incomum. A nota dizia que as revisões eram “significativas”, uma sinalização de que, ao contrário do que o BC tinha defendido até ali, uma alta de juro poderia não vir em janeiro, o que de fato aconteceu. Na nota que se seguiu à decisão sobre a Selic, na quarta-feira, o BC citou a “elevação das incertezas domésticas e, principalmente, externas”.

As projeções para a produção industrial também pioraram. A de 2016 saiu de queda de 3,47% para recuo de 3,57%. Para 2017, mudou de alta de 1,80% para 1,50%.

Valor Econômico – 26/01/2016

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Tesouro defende engenharia utilizada para quitar as pedaladas

Em meio a críticas de economistas e parlamentares, o secretário interino do Tesouro Nacional, Otávio Ladeira, defendeu a engenharia montada pelo governo para o pagamento das pedaladas fiscais.

Ele negou que tenham sido utilizados recursos do lucro do Banco Central e de royalties para quitar as dívidas com bancos públicos.

De acordo com Ladeira, o dinheiro utilizado para o pagamento das pedaladas em dezembro veio do colchão da dívida (R$ 21,1 bilhões), da remuneração da conta única e de recursos de loterias e do FGTS que estavam retidos no Tesouro Nacional, além de valores de tributos ordinários.

“Não foram utilizados recursos do resultado positivo do Banco Central para pagamento de passivos, nem foram utilizados recursos de royalties para pagamentos dos passivos.”

Questionado sobre a legalidade da operação, Ladeira disse “ter certeza que sim”, mas ressaltou que não cabe ao Tesouro avaliar a questão legal, mas sim a órgãos de controle.

Em entrevista coletiva, Ladeira defendeu ainda o repasse de recursos entre o Tesouro e o Banco Central, disse que está baseado em uma legislação de 1999 e que não há inconsistência técnica ou legal.

Pela lei, quando o Banco Central tem lucro, repassa recursos em dinheiro ao Tesouro e, em caso de prejuízo, há o repasse de títulos pelo Tesouro para a autoridade monetária. Até março, o Tesouro receberá R$ 152,46 bilhões do Banco Central relativo ao resultado positivo do Banco Central.

“É uma legislação bastante antiga que define esse fluxo de pagamento. Essas legislações passaram por análise criteriosa, são muito avaliadas por juristas e especialistas que não veem qualquer tipo de inconsistência técnica ou jurídica no relacionamento do BC com o Tesouro”, afirmou.

O relacionamento do Banco Central e Tesouro Nacional é foco hoje de críticas de economistas e parlamentares da oposição e há um movimento para mudar essa legislação.

Legalidade

Ladeira citou ainda acórdão de 2011 do Tribunal de Contas da União que avalia as transferências de recurso entre as instituições e disse que o tribunal não encontrou qualquer tipo de inconsistência em relação à “legalidade e constitucionalidade” desse relacionamento.

Ladeira saiu em defesa também da ampliação do estoque de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), que foi de R$ 418,6 bilhões em dezembro de 2014 para R$ 626,19 bilhões em dezembro do ano passado. “Não nos incomoda o fato de estarmos avançando na ampliação das LFTs”, disse. No passado, a estratégia do Tesouro era reduzir essa parcela de LFTs na dívida. Segundo ele, títulos desse tipo terão vencimento baixo em 2016, com R$ 16 bilhões. O secretário explicou que o fato de os vencimentos serem baixos faz com que a sua participação aumente na dívida total.

DCI – 26/01/2016

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Desembolsos do BNDES caem 28%, maior queda desde 1996

Em meio à falta de confiança na economia e à restrição ao crédito, o volume de desembolsos do BNDES despencou em 2015. No ano passado, o banco de fomento emprestou R$ 135,9 bilhões, valor 28% menor que o registrado em 2014. O tombo é o maior desde 1996, início da série histórica. Considerando valores absolutos, trata- se do menor montante desde 2008, ano que marcou a eclosão da crise financeira internacional, quando foram emprestados R$ 90,9 bilhões. As variações são nominais, ou seja, não levam em conta a inflação do período.

O BNDES também viu o número de consultas a empréstimos diminuir, sinal de menor disposição do setor produtivo para investir. O volume ficou em R$ 124,6 bilhões, recuo de 47% frente ao ano anterior. A queda também é a maior desde 1996.

O resultado reflete não só a recessão, mas também o ajuste fiscal, que apertou as condições de financiamento, explica o banco. Para reduzir o gasto do governo com subsídios ao banco público, o Conselho Monetário Nacional ( CMN) começou, no ano passado, a elevar a Taxa de Juros de Longo Prazo ( TJLP), usada como referência para as operações de crédito do BNDES. Hoje, a taxa está em 7,5% ao ano. Entre janeiro de 2013 e dezembro de 2014, ficou congelada em 5% ao ano.

QUEDA DE 26% NA INDÚSTRIA
Diante dos números fracos, a instituição avalia, junto ao governo, medidas para reativar a atividade econômica. Um dos focos pode ser o incentivo à exportação, que tem potencial de crescer graças ao dólar alto. Claudio Leal, superintendente de planejamento do BNDES, destaca que ainda é cedo para avaliar o cenário para 2016, contaminado pelos acontecimentos de 2015. O executivo, no entanto, ainda não tem detalhes sobre que medidas podem entrar em campo.

— ( O ano de) 2016 ainda está começando carregado das incertezas de 2015. O banco está participando de negociações com o governo. São movimentos para responder a essa pergunta: como potencializar o apoio — afirma.

O pagamento das chamadas “pedaladas fiscais” ( atrasos nos repasses de recursos do Tesouro) pode ajudar nesta tarefa. No fim do ano passado, o BNDES recebeu uma parcela da equalização de atrasados do Programa de Sustentação do Investimento ( PSI).

— O pagamento restitui ao banco uma capacidade de formular essas políticas com um pouco mais de liberdade para enxergar as necessidades reais da economia. Lembre- se que, em 2014, a gente encerrou o ano tendo que fazer exatamente o inverso, um ajuste de política operacional que encareceu marginalmente as linhas num cenário de grave insuficiência de funding — explica Claudio Leal.

Todos os ramos da economia tomaram menos empréstimos no ano passado. Um dos destaques foi a indústria. Os desembolsos para o setor recuaram 26%, para R$ 36,9 bilhões — só 27,1% do total, participação semelhante à registrada em 2014. Para se ter uma ideia, o financiamento para a indústria chegou a representar 52,8% dos desembolsos do BNDES em 2006, quando o volume total de empréstimos ficou em R$ 51 bilhões.

A área de infraestrutura representou 40,4% dos empréstimos no ano passado. Em 2015, R$ 54,9 bilhões foram destinados a projetos desse segmento. O valor é 20% inferior ao registrado no ano anterior. A maior retração, de 41%, foi registrada no setor de comércio e serviços, que captou R$ 30,4 bilhões em 2015.
Na contramão, os projetos de energia eólica se destacaram, com expansão de 85% dos desembolsos, para R$ 6,1 bilhões.

Para o economista Maurício Canêdo, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas ( Ibre/ FGV), os números do ano passado servem para repensar o papel do BNDES na economia.

— O que está acontecendo agora é um pouco a ressaca do modelo de desenvolvimento que a gente optou nos últimos anos. O desembolso do BNDES mudou de patamar de 2008 para cá. Boa parte do aumento foi gerada pelas operações do Tesouro com o BNDES, que têm um custo fiscal não trivial. Não tem mais espaço. O banco deveria priorizar projetos de retorno privado baixo, risco alto e retorno social alto — afirma Canêdo.

O Globo – 26/01/2016

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Fim de ciclo de commodities reduz receita dos 30 municípios que mais exportam

O fim do superciclo das commodities atingiu duramente os principais municípios exportadores brasileiros e retirou US$ 17,811 bilhões das 30 cidades que mais venderam para o exterior entre 2014 e 2015. O número é mais da metade da redução total das exportações em 2015 (US$ 33,967 bilhões). Com a queda dos preços de minério de ferro e petróleo, por exemplo, apenas oito desses municípios conseguiram aumentar as exportações no período.

A redução das vendas externas, associada à recessão no mercado interno, está provocando uma reviravolta nas finanças das prefeituras. A economia de muitas delas gira em torno de empresas ligadas às commodities. Para minimizar os efeitos da queda de arrecadação, as prefeituras estão, desde o ano passado ajustando despesas.

Os casos mais emblemáticos são os de Parauapebas (PA), cujas exportações caíram 47,44%, de US$ 7,619 bilhões em 2014 para US$ 4,004 bilhões em 2015 e Anchieta (ES), com recuo de 40,39%, de US$ 3,569 bilhões para US$ 2,128 bilhões. Essas cidades têm em comum uma economia altamente dependente de uma empresa ou do parque industrial construído em volta dela.

Parauapebas, a 700 km de Belém, é o quinto município mais populoso do Pará com quase 190 mil habitantes e segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, atrás apenas da capital. A economia da cidade, como reconhece o secretário de Desenvolvimento do município, Wander Nepomuceno, depende de duas variáveis: a cadeia extrativa mineral e o preço do minério de ferro.

O preço da commodity caiu 48,7% em 2015, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. “A Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) caiu 50%”, disse Nepomuceno. Essa receita representa 16% da receita corrente líquida da cidade.

O recuo foi compensado, em parte, por um aumento da produção de minério de ferro, cujas exportações em volume avançaram 20,3% em 2015. “A atividade econômica cresceu por conta do volume, porque os serviços também cresceram na mesma proporção”, explicou o secretário.

A maior parte da arrecadação de Parauapebas tem origem no repasse de ICMS pelo Estado e na receita com o ISS, impostos que se baseiam mais na cadeia em torna da indústria extrativa do que na mineração em si. Junto com a CFEM, os tributos representam 72% da receita da cidade. Para compensar, o município vem cortando gastos desde 2014, com a redução de secretarias, por exemplo. Para 2016, a meta é cortar 30% do orçamento.

A cidade de Anchieta está localizada no sul do Espírito Santo, a 82 km de Vitória. Segundo o secretário de Fazenda de Anchieta, Pablo Torres, a Samarco Mineração é uma de suas principais fontes de receita. Devido ao desastre ambiental em Mariana (MG), o futuro da empresa pode se refletir diretamente no município capixaba.

A empresa siderúrgica é responsável pelo maior repasse de tributos para Anchieta. De forma direta pelo ICMS, e de forma indireta por meio do ISS recolhido pelas empresas terceirizadas No município também funciona a Usina de Tratamento de Gás (UTG).

Torres explicou que houve uma queda de mais de 40% nas exportações do município por causa da redução do preço dos minérios. Após o acidente de Mariana, disse, a Samarco deve diminuir a produção, o que vai prejudicar ainda mais a economia da região. Na avaliação do secretário, a deterioração das receitas deve ficar ainda mais nítida nos próximos anos, porque o cálculo para repasses para os municípios leva em conta as exportações do ano anterior. “A cidade poderá não ter recursos para arcar com a folha de pagamentos em 2017 e 2018”, afirmou.

Temendo demissões na Samarco no município, a prefeitura corre contra o tempo e está investindo na expansão do turismo, mas o secretário da Fazenda está ciente que não dá para compensar do “dia para noite” a queda das receitas com exportações. “Também vamos investir em obras públicas para minimizar o fantasma do desemprego. A situação é difícil e faremos o que for preciso”, disse Torres.

Na contramão dessas cidades, estão Serra (ES) e Porto Alegre, com altas de 27,69% e 18,6%, respectivamente, nas exportações. Das 30 que mais exportam no Brasil, somente as duas conseguiram aumentar as vendas internacionais em 2015.

No caso de Serra, na região metropolitana de Vitória, o desempenho se deve à proximidade da indústria local com o mercado americano. As exportações para os EUA caíram em 2015, mas menos do que verificado em relação a outros mercados. A consequência é que a participação dos EUA nas exportações brasileiras cresceu de 12,1% em 2014 para 12,7% em 2015.

“Há dois setores muito fortes na cidade, e que se beneficiaram muito com a economia dos EUA: as rochas ornamentais e a ArcelorMittal “, disse o prefeito de Serra, Audifax Barcelos. Segundo ele, Serra representa 20% do PIB do Espírito Santo. “O aumento das exportações é muito importante. Nós fomos a sétima cidade que mais perdeu receita no Brasil, mas esses setores sustentaram o emprego, a renda e impostos para a cidade. A queda foi por conta da crise”, afirmou Barcelos.

Valor Econômico – 26/01/2016

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Governo vai anunciar novas linhas de crédito via bancos públicos

Dentro de sua estratégia de se reaproximar do empresariado, a presidente Dilma Rousseff vai anunciar, durante a reunião do Conselhão na quinta (28), a criação e o reforço de linhas de crédito para exportadores e micro e pequenas empresas.

Ela vai também divulgar a liberação de recursos do Banco do Brasil para financiamento do pré-custeio da próxima safra agrícola e da Caixa Econômica Federal para o setor habitacional.

Essas ações estão sendo elaboradas pelo ministro Nelson Barbosa (Fazenda) com os bancos públicos por determinação de Dilma, na tentativa de tentar fazer a economia voltar a crescer ainda neste ano.

Em 2016, o mercado prevê que o país possa registrar uma retração de 3%, depois de enfrentar um tombo no PIB próximo de 4% no ano passado.

Segundo assessores, a presidente decidiu não lançar um pacote de medidas econômicas na reunião do Conselhão, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, para evitar críticas de que não é aberta ao diálogo e sempre apresenta um “prato feito” aos empresários.

O órgão estava sem reunir desde meados de 2014 e foi, segundo seus integrantes, esvaziado pela própria presidente. Está sendo reativado agora na busca de melhorar o relacionamento da petista com empresários, trabalhadores e outros setores da sociedade num momento de crise política e econômica.

Os recursos para exportadores e micro e pequenas empresas serão bancados pelo BNDES. Os empréstimos serão corrigidos pela TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), de 7,5% ao ano, mais uma taxa. Ao final, o custo dos empréstimos deve ficar entre 15% e 18%, pouco acima da taxa Selic, de 14,25% ao ano.

O financiamento para exportadores é uma aposta no setor para que possa liderar a recuperação da economia diante de um dólar mais valorizado.

Dilma quer focar ainda suas próximas medidas na área da construção civil, com a liberação de mais crédito habitacional pela Caixa, porque o setor reage mais rápido à injeção de recursos e gera mais empregos no curto prazo.

Folha de S.Paulo – 26/01/2016

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Bancos privados avançam no financiamento ao agronegócio

Um dos poucos setores em crescimento, o agronegócio tem despertado o interesse de bancos privados, advogados, securitizadoras (empresas que emitem títulos) e de investidores do mercado de capitais antes avessos a trabalhar com o risco do campo, como seca ou pragas.

O crédito na cadeia agropecuária, que estava nas mãos do BB e dependia quase que exclusivamente de crédito subsidiado, agora cresce nas linhas comerciais com juros de mercado, busca recursos no exterior e capta dinheiro com a emissão de dívida no mercado local.

A aposta é reflexo do desempenho do setor, que cresceu 2,1% de janeiro a setembro de 2015, ante queda de 3,2% do PIB brasileiro no mesmo período. A agricultura foi o único segmento que apresentou saldo positivo de vagas no ano passado, com 9.821 postos criados.

A agropecuária, que já teve fama de caloteira, hoje tem um índice de inadimplência menor do que a média.

O objetivo é buscar parte do financiamento que hoje está nas mãos das tradings (grandes compradoras de commodities, como Bunge e Cargill) e também dos fornecedores de insumos, como fertilizantes, agroquímicos e sementes.

Eles bancaram, por exemplo, 34% do custeio da última safra de soja em Mato Grosso, maior produtor do país, segundo o Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Aplicada).

A trading financia o produtor ao antecipar o pagamento pela compra do produto que será entregue meses depois, no final da safra. Já o vendedor de insumos faz o caminho inverso: vende “fiado” o insumo para receber só após a colheita.

Em ambos os casos, os juros da operação estão embutidos nos preços negociados.

Tomar o mercado das tradings, que captam em dólares com juros baixos no exterior, é desafio ainda distante.

Já as revendas de insumos, a maioria empresas regionais também com dificuldade de financiamento, vêm reduzindo sua contribuição. Na última safra, responderam por 17% do custeio da safra em Mato Grosso, ante 31% na temporada anterior –a fatia do juro subsidiado também caiu (ver quadro acima).

“Os bancos têm a oportunidade de competir com as tradings por um espaço maior no financiamento do setor”, disse Frederico Azevedo, gerente da Aprosoja-MT (que reúne produtores do Estado).

Segundo Azevedo, Bradesco, Itaú e Santander têm procurado estreitar o relacionamento com os produtores.

O Santander elegeu o campo como uma das prioridades no crédito. O banco está contratando agrônomos para ir até a fazenda entender as necessidades do produtor.

Eles querem bancar o capital de giro, cuidar da folha de pagamento, emitir cartões para os trabalhadores rurais e financiar a exportação.

As instituições visam também outros elos da cadeia do agronegócio, como indústria, comércio, transporte e distribuição.

Folha de S.Paulo – 26/01/2016

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Redação On janeiro - 26 - 2016
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