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Tera-feira, 19 de Setembro de 2017






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Poucos setores escaparão do impacto da desaceleração

Mercados pelo mundo foram sacudidos neste mês pelas incertezas sobre a expansão da economia da China e pela reação ineficaz das autoridades locais às turbulências.

Embora tenham sido os operadores do mercado financeiro os que sofreram os golpes mais fortes até agora, há um impacto bem mais amplo ­ e mais traiçoeiro ­ que vem se disseminando e atingindo empresas bem distantes das costas chinesas.

Com a economia do país crescendo em seu menor ritmo desde 1990, segundo as estatísticas oficiais divulgadas ontem, alguns setores, como os de mineração e automotivo, estão bem mais expostos à desaceleração do que outros.

São poucos os setores, contudo, que conseguirão escapar de algum tipo de transformação de suas perspectivas como resultado da desaceleração. Fora da Ásia, a América Latina está particularmente vulnerável, uma vez que 10% de suas exportações têm a China como destino. A Europa sentirá um impacto maior do que os EUA.

“A China deu início a uma grande correção e isso vai virar uma bola de neve”, alertou Andrew Roberts, chefe de crédito do Royal Bank of Scotland, em nota recente.

Turbulências nos mercados financeiros raramente têm impacto direto sobre o setor empresarial na China porque as empresas locais em grande parte não se financiam dessa forma. A percepção de que a agitação dos mercados está além do controle das autoridades chinesas, no entanto, vai influenciar a confiança e, portanto, as decisões futuras sobre quando e onde investir, dizem analistas.

“O que estamos descobrindo nas últimas semanas é o impacto indireto que chega por meio do abalo na confiança”, diz a analista Marie Diron, da agência avaliadora de crédito Moody’s.

O desempenho do mercado também é reflexo de preocupações mais graves sobre o futuro crescimento da China. Não se trata mais de saber se a economia está em desaceleração, mas de calcular seus efeitos.

A China é responsável por 50% do consumo mundial de algumas matérias­primas e, dessa forma, sua desaceleração até agora teve impacto mais profundo nos setores ligados a commodities. Para muitas empresas, o efeito mais imediato é sentido na demanda. Os investimentos mais do que exuberantes que caracterizavam muitos setores de commodities e as empresas de navegação vão levar anos e não meses para serem revertidos.

“Para as indústrias mundiais que investiram em excesso, há realmente um desequilíbrio de oferta, boa parte disso relacionado à China nos setores de siderurgia, metalurgia, mineração, petróleo e a navegação, tanto em contêineres quanto a granel”, diz Paul Watters, da Standard & Poor’s.

O impacto regional também é grande. A exposição comercial direta da Europa à China é moderada, mas, se as reexportações forem incluídas, a exposição quase dobra, segundo o UBS. A China compra cerca de 8% das exportações da União Europeia ­ a maior parte, de longe, da Alemanha, seguida por Finlândia, Áustria e França.

As empresas automotivas da Alemanha obtêm entre 15% e 30% de seu lucro operacional e fluxo de caixa a partir das vendas na China.

Analistas também alertam para o fato de que o impacto sobre fábricas e fornecedores é mais difícil de detectar porque as empresas ocidentais operam por meio de um grande número de empreendimentos conjuntos.

“Muitos fornecedores europeus e americanos operam na China via empreendimentos conjuntos, então o impacto pode estar chegando diluído ou atrasado”, diz Diron.
Empresas específicas também vêm pagando o preço ­ ainda que temporário ­ por suas apostas na China. A firma de consultoria política Global Counsel estima que metade da receita da Volkswagen é originada no país.

Produtores de conhaque também foram atingidos pela campanha do governo chinês contra extravagâncias. De acordo com o UBS, a Rémy Martin ganha pouco menos de um terço de seu lucro operacional na China e a Pernod Ricard, em torno a 12%.
Também há um efeito dominó. À medida que a China perde força, o mesmo acontece com vizinhos, parceiros comerciais e fornecedores. Os setores mais afetados na região são os de petróleo e gás e de produtos químicos, indicam analistas, mas a freada do PIB chinês também deverá reduzir a renda disponível e, assim, por exemplo, afetar a demanda por viagens aéreas e quartos de hotel.

Para muitas empresas ocidentais, a China e os países emergentes em geral foram o centro de seus investimentos nos últimos anos ­ o raio de esperança em um mundo de baixo crescimento.

Para o analista Gareth Williams, da Standard & Poor’s, o argumento para investir na China não perdeu força com os eventos recentes. “Isso muda o equilíbrio sobre em quais setores [investir] e torna [a decisão] mais complexa”, diz. “Mas a China ainda vem crescendo a um ritmo relativamente rápido.”

Se as commodities foram as mais atingidas até agora, outros setores mundiais também estão altamente expostos.

Empresas de semicondutores, automóveis, bens duráveis, aparelhos de tecnologia e bens de capital vêm, todas, sentindo o impacto.

Semicondutores

Na semana passada, durante a apresentação do balanço anual da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, executivos da maior fábrica de chips do mundo sofreram duros questionamentos.

A preocupação: o anúncio em dezembro de investimento de US$ 3 bilhões na cidade de Nanjing para aproveitar “o rápido crescimento do mercado chinês de semicondutores”.

As fabricantes chinesas foram responsáveis quase totalmente pela alta de 48% nas vendas de semicondutores de 2009 a 2014. A demanda de empresas não chinesas, enquanto isso, foi impulsionada pelo aumento na demanda na China pelos aparelhos eletrônicos dessas empresas ­ em especial smartphones, cujo maior mercado é de longe é o chinês.

Esse crescimento na demanda chinesa, contudo desacelerou­se bastante em 2015, o que lança uma sombra sobre as perspectivas para a indústria mundial de semicondutores. O maior fator foi a forte retração no crescimento do mercado de smartphones na China:

depois de ter crescido a taxas anuais de dois ou até três dígitos percentuais durante cinco anos, o aumento das vendas de smartphones na China pode ter se desacelerado para até 1,2% em 2015, segundo o grupo de pesquisas IDC.

Isso em grande parte se deve a um mercado cada vez mais saturado. O analista Steven Pelayo, do HSBC, porém, diz que a desaceleração foi muito maior do que se previa, indicando que também há relação com a desaceleração econômica geral da China.

Apesar desse declínio gradual, a demanda por produtos equipados com semicondutores é expressiva. As importações de chips somaram US$ 241 bilhões em 2014, mais do que qualquer outra categoria. Pequim empenha­se em um plano de investimento de 1 trilhão de yuans chineses (aproximadamente US$ 152 bilhões) para fortalecer a capacidade de produção local.

“Apesar de o ambiente poder não estar tão bom quanto antes, o investimento da China em semicondutores prosseguirá”, disse Jian­Hong Lin, analista da Trendforce. “E todas as empresas de semicondutores ainda estão focadas na China. Elas querem manter sua posição no mercado, lá.”

Automóveis

Ao longo da década passada, a China proporcionou céus ensolarados para as montadoras de todo o mundo, e empresas como a Audi, Porsche, BMW e Mercedes­Benz costumaram­se a vender muitos carros e a cobrar preços elevados por eles. Mas o céu ficou nublado, no ano passado, e as marcas estrangeiras em todo o espectro de preços sentiram o impacto.

Uma repressão à ostentação impactou empresas com a Bentley e a Rolls­Royce, cujas vendas caíram substancialmente na China no ano passado. Grandes flutuações no mercado de ações afastaram o dinheiro das compras de carros, segundo a associação da indústria local, e as marcas estrangeiras foram fustigadas por uma mudança no gosto do consumidor que passou a preferir marcas nacionais.

Enquanto isso, o esfriamento da economia em geral freou as vendas de automóveis em geral, e as matrículas de novos autos caíram por três meses consecutivos, entre junho e agosto, intensificando os temores de excesso de oferta e guerras de preços. Então o governo chinês interveio. Pequim reduziu à metade o imposto veicular sobre carros com motores de 1,6 litros ou menos ­ categoria que representa cerca de 70% das vendas de novos veículos no país. Isso deteve a paralisia e as vendas de carros voltaram a apresentar um crescimento sólido a partir de outubro.

O corte de impostos deverá vigorar até o fim de 2016, mas analistas continuam cautelosos. Seus temores dizem menos respeito ao crescimento das vendas do que aos retornos que podem ser esperados pela Volkswagen e General Motors, que dependem da China para obter mais de um terço de seus lucros operacionais.
Robin Zhu, analista da Bernstein Research, diz que os preços de autos no varejo ainda estão em queda, na China, havendo uma concorrência intensa, “superpopulação” de vendedores e um boom de SUVs baratos.

Novas e rigorosas regras para restringir as emissões que passarão a vigorar em 2017 elevarão os custos para os fabricantes que vendem [autos] no país.
Contrariamente ao argumento de muitos executivos da indústria automobilística, Zhu vê pouco espaço para expansão em áreas urbanas de menor escala, dizendo que a maioria das marcas já vendem veículos nas cidades “dignas de crédito” na China.

Bens de luxo

Um em cada três produtos de luxo são comprados por chineses, um número que torna o setor particularmente sensível aos acontecimentos na China. A desaceleração e a repressão do governo contra a corrupção impactou muito as empresas de bens de luxo.

A Hugo Boss citou “desafios persistentes” ao reportar um declínio de dois dígitos em suas vendas anuais na China ­ seu mercado mais lucrativo. A empresa sofreu devido a sua expansão excessiva no país, e suas lojas não estão todas nas melhores localizações, segundo analistas do HSBC.

Mas a Richemont, controladora da Cartier, e a britânica Burberry , revelaram­se mais otimistas, na semana passada, nas atualizações trimestrais de seus volumes de negócios. O grupo suíço disse que a taxa de crescimento das vendas na China continental “continuou a melhorar”, ao passo que, para a Burberry, é muito cedo para dizer se o aumento de suas vendas no continente foi o início de uma recuperação sustentada.

A recente turbulência no mercado de ações na China “afeta o ânimo”, diz Carol Fairweather, diretora financeira da Burberry, “e por isso nos concentramos em marketing inovador. Nós não podemos controlar o que está acontecendo na situação macro mais ampla”. A maioria das compras de artigos de luxo pelos chineses é feita no exterior, totalizando até 80%, segundo a consultoria Bain. Mas os padrões do turismo estão mudando, e menos chineses estão visitando Hong Kong, onde alguns se sentem indesejados, e mais chineses estão começando a preferir o Japão. As vendas da Burberry em Hong Kong caíram 20% no trimestre passado, em comparação com o mesmo período de 2014.

Claudia d’Arpizio, sócia na Bain, diz que mesmo com uma economia desaquecida, o desejo de possuir bens de luxo entre os consumidores chineses mantém­se forte. “Agora, a verdadeira questão é a lucratividade”, diz ela. “As marcas abriram lojas rapidamente, por vezes escolhendo locais inadequados, e muitas delas estão em processo de redimensionamento em termos de localização e formato”.

Mineradoras

As consequências da desaceleração chinesa para o setor de mineração têm sido diretas e brutais.

O país ascendeu da condição de mercado insignificante ao status de quem responde por metade da demanda mundial de algumas commodities. À medida que a oferta ficou aquém da demanda, os altos preços resultantes atraíram as mineradoras para um “superciclo” de fortes investimentos.

Agora companhias mundiais como Rio Tinto, Vale e BHP Billiton estão diante de uma demanda chinesa bem mais moderada, pois muitas das minas construídas durante os anos de boom começaram a produzir para os mercados internacionais. A freada foi particularmente difícil para os produtores de commodities como minério de ferro e carvão, que eram injetadas na construção de cidades, usinas e linhas ferroviárias chinesas. A BHP diz não estar planejando investir em minério de ferro ou carvão.

Se o mercado consumidor chinês começar a crescer rapidamente de novo, alguns metais e minerais deverão ser beneficiados. O cobre, por exemplo, é usado em carros e artigos elétricos. Mas enquanto isso não acontece, grandes mineradoras de cobre, como a Glencore e a Freeport McMoRan, estão em dificuldades.
Mineradoras de diamantes, como a De Beers, de propriedade da Anglo American, foram apanhadas pela desaceleração do crescimento, que deixou o setor com estoques inchados.

As companhias estão tendo que considerar o fechamento de minas não rentáveis para reduzir a oferta. Mas o fechamento de minas pode sair caro, de modo que há em curso uma corrida para cortar custos ou vender minas.

No curto prazo, tanto vendas de ativos como cortes de custos mantêm mais minas em atividade, agravando o problema do excesso de oferta e exercendo mais pressão sobre os preços. Mas no longo prazo, o desejo das mineradoras de reduzir os gastos pode resultar em escassez de investimentos na produção e iniciar outro dos inevitáveis ciclos do setor.

Fonte: Valor

Governos patinam na busca de soluções para desaceleração global

Nos meses que antecederam a reunião para discutir o plano econômico da China para 2016, no fim do ano passado, os principais assessores do presidente Xi Jinping analisaram estudos sobre reformas econômicas que já foram defendidas pelo ex­presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan e pela ex­primeira­ministra britânica Margaret Thatcher.

A tradicional dependência de Pequim de empréstimos bancários baratos para impulsionar a demanda havia chegado ao limite. Os assessores buscavam novas formas de reanimar a economia chinesa, incluindo corte de impostos e de tarifas para empresas para incentivar gastos e investimentos.

“O velho modelo econômico keynesiano não funciona mais para a China”, disse uma autoridade sênior próxima ao alto escalão do governo chinês.

As autoridades do Federal Reserve, o banco central americano, estavam fazendo seu próprio planejamento na reunião de política de outubro. Com a melhora do mercado de trabalho nos Estados Unidos, o Fed se preparava para iniciar uma alta dos juros de curto prazo, mas havia uma preocupação persistente: Um novo choque poderia levar a economia de volta à recessão e os juros rapidamente de volta a zero. E o Fed teria pouco espaço para fornecer mais estímulos via crédito barato.

“Seria prudente ter ferramentas adicionais na política monetária para situações como essa”, observaram algumas autoridades, segundo as atas da reunião.

Em diferentes centros de poder econômico do mundo, um tema sombrio surgiu no fim de 2015. A prática dos bancos centrais de usar o crédito para induzir crescimento foi usada à exaustão. Caso os estrategistas econômicos queiram impulsionar uma expansão global em 2016 e além, eles precisarão apresentar novas soluções econômicas, como um foco em reformas de longo prazo.

Fortes quedas em mercados ao redor do mundo no início do ano indicam que os investidores não têm muita confiança de que os formuladores de políticas sejam capazes de executar a tarefa.

A média da taxa de juros de curto prazo do mundo desenvolvido está agora em 0,36% ao ano, segundo o J.P. Morgan Chase, e está em terreno negativo em muitos países europeus. A carteira de títulos de dívida e outros ativos dos bancos centrais dos EUA, Europa e Japão está abarrotada. O mundo desenvolvido tem problemas de longo prazo que não podem ser resolvidos diretamente com crédito barato ­ como o envelhecimento da população e redução do crescimento da produtividade, além da combinação de desequilíbrio fiscal e embates políticos que estão limitando investimentos de longo prazo e reformas fiscais.

“A necessidade de uma infraestrutura mais moderna em muitas partes da economia americana é difícil de passar despercebida” disse Stanley Fischer, vice­presidente do Fed, em um discurso de janeiro sobre os limites da política monetária dos EUA.

“E não devemos esquecer que investimentos adicionais eficazes em educação também elevam o capital do país.”

À medida que as filas de aposentados engrossam e os custos de previdência aumentam, elevando os déficits do país, os EUA terão menos espaço para cortar impostos ou gastos em resposta à próxima desaceleração.

O Fed tem estudado algumas estratégias, inclusive estudando a necessidade ou não de juros negativos ou de uma elevação ou manipulação de sua carteira de títulos de dívida, que já soma US$ 4,5 trilhões, para administrar não apenas os juros de curto prazo, mas também as taxas de longo prazo. Fischer citou as duas opções em seu discurso.

Ao mesmo tempo, os limites do afrouxamento monetário se tornaram mais aparentes no fim de 2015, depois que o Banco Central Europeu expandiu um programa de compra de títulos de dívida elaborado para reduzir os juros de longo prazo e desvalorizar o euro. As ações europeias caíram e o euro se valorizou quando o BCE não foi tão longe quanto os investidores esperavam.

Mesmo enquanto o BCE adotava medidas drásticas de estímulo em 2014 e 2015 para impulsionar a frágil economia europeia, suas autoridades ressaltavam os limites do sucesso de sua política na ausência de reformas econômicas. A taxa de desemprego da zona do euro está acima de 10% ­ mais que o dobro que nos EUA ­ e supera os 20% na Grécia e Espanha.

O presidente do BCE, Mario Draghi, termina cada uma de suas coletivas de imprensa enaltecendo as virtudes das reformas econômicas e regularmente alerta sobre os perigos da burocracia e impostos excessivos. “Tenho dado o exemplo de um jovem empreendedor que tem que esperar 9 meses, 12 meses, para ter a autorização para abrir uma loja e, então, quando ele consegue a licença, é bombardeado com impostos de todos os tipos. Você não esperaria que ele solicitasse crédito”, disse Draghi em outubro de 2014. “Precisamos de reformas estruturais também.”

Na China, as turbulências recentes foram parcialmente provocadas pela incerteza em relação às prioridades de Pequim e criaram mais dúvidas sobre a gestão econômica do governo.

O banco central chinês tem mais espaço para cortar os juros que as autoridades monetárias do mundo desenvolvido, mas a liderança vê riscos na aplicação dessa estratégia com rigor. As autoridades chinesas responderam à crise financeira global de 2007­2009 criando um boom de gastos e investimentos que levou a excessos no mercado imobiliário e na capacidade industrial. Agora, elas estão tentando responder aos desequilíbrios do lado da oferta da economia.

“O problema não é falta de demanda”, diz a autoridade chinesa. “O que precisamos fazer é ajustar o lado da oferta para atender à demanda por produtos de maior qualidade, como alimentos mais seguros e melhor assistência médica.”

A estratégia de Xi para 2016, do lado da oferta, envolve o fechamento de empresas com excesso de capacidade, como siderúrgicas; redução dos estoques de imóveis encalhados ao facilitar a migração de agricultores para as cidades; dar baixa em dívidas não pagas e levar adiante reformas estruturais destinadas a fortalecer a economia.

A China também está procurando cortar impostos para reduzir custos corporativos. Em vez de se concentrar na elevação da demanda, a China tenta consertar o lado da oferta da economia, um eco da estratégia de Reagan e Thatcher.

Outra preocupação do país é o alto endividamento de empresas. Estatais ineficientes continuaram tomando emprestado e a dívida corporativa chinesa representa hoje a 160% do PIB, estima a Standard & Poor’s, ante 98% em 2008. Na China, como em outras regiões, o dilema tem a mesma raiz. O crédito fácil chegou até onde podia.

Agora, é preciso achar novas soluções.

Fonte: Valor Economico

China desacelera e prejudica mineração no Brasil

Segunda maior economia mundial e motor da expansão global nos últimos anos, a China registrou, em 2015, o pior desempenho em um quarto de século, ao manter a desaceleração de seu ritmo de crescimento. A economia chinesa avançou 6,9% no ano passado, frente a uma alta de 7,3% em 2014, pouco abaixo da meta de 7% do governo. Em 2012 e 2013, a taxa tinha sido de 7,7%.

O ano de 2015 foi também o primeiro em 25 anos em que a produção de aço no país registrou queda, de 2,3%. O fraco resultado reflete o processo de transição do modelo de crescimento do país asiático, de uma expansão a partir de investimento e exportações para outro baseado no consumo doméstico. Como dizem alguns analistas, de um modelo de “Made in China” para “Made for China”. Com a desaceleração dos setores imobiliário e de infraestrutura no país asiático, a demanda por aço cai.

— O crescimento de 2015 ficou um pouco abaixo do registrado em 2014 e mostrou que a China continua em desaceleração gradual, em um processo controlado de perda do ritmo de crescimento — afirma o economista do Itaú Unibanco Artur Manoel Passos.
E não apenas a desaceleração do ritmo, mas também a mudança do perfil do crescimento tem efeitos no Brasil, que tem no minério de ferro um dos principais produtos da pauta de exportações para a China. Com a demanda do país asiático em baixa, os preços passaram a cair, e a expectativa é que se mantenham em um patamar baixo.

— O setor de mineração, que teve investimentos muito elevados do lado da oferta, sofreu com a frustração da demanda chinesa. E quanto maior for a incerteza sobre a economia chinesa e mais intensa a desaceleração da demanda, menores serão os preços de commodities — explica Fabiana D’Atri, diretora de Economia do Conselho Empresarial Brasil-China e economista do Bradesco.

A avaliação é compartilhada por Passos, que não vê espaço para aumento nos preços de commodities metálicas. A projeção da Associação Chinesa de Minério de Ferro e Aço é de queda de 5% do consumo doméstico de aço em 2016, enquanto a consultoria Gavekal Dragonomics estima um recuo de 5% da produção deste ano, segundo o jornal britânico “Financial Times”.

PERDA DE RITMO O cenário é diferente para quem produz alimentos. O mercado é garantido tanto pela população de 1,367 bilhão de chineses, quanto pelo próprio foco no consumo doméstico como motor de crescimento da economia, destaca Fabiana:
— A demanda por alimentos continua aquecida, tanto em agrícolas quanto em proteínas. A mudança em curso na economia chinesa, com maior dinamismo do consumo, reforça essa tendência.

Nesse panorama, soja e seus derivados, milho, açúcar, carne bovina e de frango se destacam.

Diretor do BricLab, da Universidade Columbia, Marcos Troyjo, lembra que, apesar da desaceleração, o tamanho da economia chinesa é muito superior hoje do que há alguns anos. Isso significa que sua contribuição para a economia global é maior do que já foi no passado.

— Há dez anos, a China é responsável por um terço do crescimento da economia global. A cada ano, só o seu crescimento corresponde ao de uma grande economia — ressalta.

Mas até mesmo essa contribuição está diminuindo, alertam alguns. O chamado Produto Interno Bruto (PIB) nominal da China (que não considera a inflação) avançou de US$ 10,352 trilhões em 2014 para US$ 10,867 trilhões em 2015, segundo cálculos de Artur Manoel Passos. O ganho de um ano para o outro corresponde a US$ 515 bilhões, o que é mais que uma Noruega (com PIB nominal de US$ 471 bilhões).

Entre 2013 e 2014, no entanto, esse incremento na economia chinesa foi maior, de US$ 864,2 bilhões. Como mostrou reportagem do “Financial Times”, isso é mais do que a economia da Turquia.

— Esse ganho menor do PIB nominal tem um efeito do câmbio, já que a moeda chinesa se depreciou em relação ao dólar. Mas, em moeda local, o PIB nominal cresce em ritmo bem menor que nos anos anteriores, e isso é um bom indicador do que está acontecendo com a China — destaca Fabiana D’Atri.

Fonte: O Globo

Executivos estão mais pessimistas este ano

Palco que reúne a elite global nos Alpes Suíços há 45 anos, o Fórum Econômico Mundial de Davos começará amanhã sua edição deste ano com pessimismo em relação às perspectivas para 2016. Pesquisa da consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC) com 1.409 diretores executivos de grandes corporações de 83 países revela que eles estão menos confiantes tanto em relação à economia mundial quanto ao crescimento dos próprios negócios.

Segundo a pesquisa, só 27% dos entrevistados acreditam na recuperação da economia global nos próximos 12 meses. Em 2015, eram 37%. Aqueles que esperam uma piora do quadro mundial eram 17%, agora são 23%. Quando questionados sobre o crescimento dos próprios negócios em 2016, 35% disseram ter uma perspectiva otimista. No ano passado, o número era maior: 39%.

Outro indicador do cenário negativo é o número de executivos que acreditam que seus negócios sofrem mais ameaças hoje do que há três anos: 66% dos entrevistados.

Sobre os mercados que consideram mais interessantes para seus negócios nos próximos 12 meses, os empresários continuam apostando em EUA e China, seguidos por Alemanha e Reino Unido. O Brasil aparece em sexto lugar, após perder uma posição para a Índia, que agora está em quinto. O mercado brasileiro ainda está à frente de Japão, Rússia e México.

BRICS ‘SEPARADOS’ “Os CEOs também veem oportunidades na Índia e no Brasil, apesar das dificuldades econômicas e políticas do país”, ressalta o comunicado assinado pelo presidente mundial da PwC, Dennis Nelly.

Ao longo da pesquisa, o Brasil é citado sete vezes. Num dos trechos, a PwC destaca que os executivos têm evitado tratar os integrantes dos Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) como um bloco, uma vez que essas economias têm apresentado comportamentos diferentes.

De acordo com a pesquisa, os fatores que mais preocupam os executivos são excesso de regulação nos mercados (79%), incerteza geopolítica (74%), volatilidade na taxa de câmbio (73%), falta de mão de obra qualificada (72%) e dificuldades dos governos em responder ao déficit fiscal e ao aumento da dívida pública (71%).

EXECUTIVOS BRASILEIROS Considerando só os executivos brasileiros, a pesquisa mostra que eles estão ainda mais pessimistas que a média em relação a seus negócios. Apenas 24% estão confiantes no crescimento de suas atividades nos próximos 12 meses. Em 2015, esse percentual chegava a 30%. Além disso, 72% acreditam que suas empresas sofrem mais ameaças hoje do que há três anos.

Por outro lado, esses empresários veem com mais otimismo o cenário para a economia global em 2016: 39% deles acreditam numa recuperação da economia mundial este ano, ante 27% em 2015.

Quando perguntados sobre quais seriam os principais riscos para seus negócios, os executivos brasileiros apontaram o desequilíbrio fiscal em primeiro lugar, seguido por carga tributária elevada, excesso de regulação e desemprego. Os principais mercados para esses profissionais são Estados Unidos, China e Argentina.

Fonte: O Globo

Vendas de manufaturados subiram 2,3% em 2015

Depois de uma queda de 12,9% das exportações de manufaturados, os embarques desses produtos voltaram a subir no ano passado, levando em consideração as quantidades vendidas ao exterior, segundo dados preliminares da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex) obtidos pelo Valor.

Com ajuda da desvalorização de quase 50% do real no ano passado, as vendas e manufaturas para o exterior subiram 2,3% no ano passado. Ainda assim, a alta não foi suficiente para compensar uma queda de 11,3% dos preços de exportação de itens manufaturados, o que levou o valor dos embarques desses produtos a encerrar 2015 com uma queda de 9,3%. No total, foram exportados US$ 72,8 bilhões em manufaturados no período, contra US$ 80,2 bilhões em 2014.

Nos produtos semimanufaturados, no qual estão incluídos itens como açúcar em bruto, óleo de soja e cacau em pó, a alta das exportações em volume foi um pouco maior, de 8,5% em 2015. O movimento de recuperação das quantidades vendidas ao exterior, porém, também foi insuficiente para compensar a queda de 16,1% dos preços desses produtos, influenciados pela queda das cotações de commodities. Assim, no ano, os valores exportados de bens semimanufaturados diminuíram 9%.

Para Daiane Santos, economista da Funcex, a expectativa é que a manutenção do dólar em torno de R$ 4 continue a impulsionar as vendas de produtos industriais para o exterior ao longo deste e do próximo ano. No fim de 2015, por exemplo, já foi possível notar altas mais relevantes das vendas desses bens.

Em novembro, na comparação com igual mês de 2014, o aumento dos embarques de manufaturados foi de 9,6%. Em dezembro, as exportações desses produtos saltaram 26,9%, também em relação ao mesmo mês do ano anterior. Aqui, a economista faz a ressalva de que houve exportação de uma plataforma de petróleo, o que inflou o número. “Ainda assim, nos últimos meses há indícios de que o câmbio está ajudando mais. O efeito sempre demora um pouco para se refletir nas quantidades exportadas”, observa ela.

Para Daiane, como é difícil prever o comportamento dos preços de manufaturados, não é possível afirmar que a alta do quantum nas vendas de itens industriais vai levar a um aumento também dos valores embarcados para o exterior.

Ainda assim, em alguns setores essa tendência já começa a aparecer, observa Daiane. É o caso dos bens de consumo duráveis, em que o volume exportado aumentou 11,4% em 2015, o que compensou a queda de 8,1% dos preços. No ano, as vendas em valor subiram 2,4%, para US$ 5,5 bilhões, única categoria de uso que encerrou o ano com alta na comparação.

Fonte: Valor

Dívidas e crises internas enterram ambições dos Brics

Há cinco anos, os maiores países em desenvolvimento do mundo estavam dominando o globo e seu crescimento econômico emergente alimentava os temores do Ocidente de que uma nova ordem mundial estava se formando.

Mas em vez de levar a economia mundial para águas mais serenas, os países do chamado Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – agora estão afundando.

O fraco consumo global, os preços das commodities em queda e uma série de outros problemas econômicos e políticos levaram a Rússia e o Brasil a uma recessão e produziram o maior êxodo de capital dos países emergentes em mais de 20 anos, com investidores retirando US$ 500 bilhões líquidos nos últimos 12 meses.

O futuro econômico desses países é incerto. E seus esforços para formar um bloco que desafiaria o poder coletivo do grupo das sete maiores economias industriais têm sido vistos com uma dose saudável de ceticismo, alimentado agora por perspectivas cada vez mais sombrias para o grupo.

“A expectativa de uma nova ordem mundial dos Brics foi um pouco exagerada”, diz Hung Tran, diretor executivo do Instituto para Finanças Internacionais, entidade que reúne instituições financeiras globais. À medida que as economias avançadas aceleram e os mercados emergentes enfraquecem, a ideia de que os emergentes ganhariam um peso maior e um papel mais importante na coordenação econômica perdeu força, diz Tran.

Há poucos anos, ninguém esperaria tal reversão. A China crescia a uma taxa média de mais de 10% ao ano, atingindo o pico de 14% em 2007. O crescimento médio da Índia era de 8%; o da Rússia de 5%; e o do Brasil e África do Sul, em torno de 4%. Colocando tudo em perspectiva, as economias do G-7 cresceram a uma média inferior a 1,4% no mesmo período.

Mas uma análise retrospectiva sugere que observadores e investidores deveriam ter desconfiado da história dos Brics. Tais economias emergentes dependentes da exportação de commodities sempre estiveram inclinadas a altos e baixos, com suas ascensões e quedas ocorrendo em sintonia com as ondas da demanda global. Sua contribuição coletiva ao crescimento mundial caiu de um pico de quase 50% em 2013 para apenas 36% hoje.

Desde 2011, três fatores cruciais que impulsionaram o crescimento estelar dos Brics foram revertidos. Os preços das commodities – que subiram cerca de 80% entre 1999 e 2011 – recuaram para níveis vistos pela última vez há mais de 10 anos. O crescimento do comércio mundial caiu da média de cerca de 7% ao ano vista nos seis anos antes da crise global para perto de 2% agora.

E o crescimento da China – o grande propulsor do grupo – caiu vertiginosamente. Ontem, ela divulgou que seu produto interno bruto avançou 6,9% em 2015, o ritmo mais baixo em 25 anos. E o país corre o risco de estagnar agora que o governo tenta transformar sua economia baseada nas exportações e inflada pelo excesso de crédito em um modelo mais sustentável e mais dependente do consumo interno.

Mas esses não são os únicos obstáculos prejudicando os Brics. Eles também enfrentam graves problemas com dívidas, turbulências políticas e grandes desafios demográficos. “As condições financeiras globais estão ficando mais difíceis e países emergentes e em desenvolvimento são especialmente sensíveis aos efeitos disso, porque enfrentam outras dificuldades”, diz o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, Maurice Obstfeld.

A maioria dos países acumulou pilhas de dívida durante uma era sem precedentes de dinheiro fácil, tomando emprestado mais do que as estimativas de crescimento permitiam. A dívida total dos emergentes atingiu um recorde de 200% do PIB – cerca de US$ 58 trilhões – e o maior salto ocorreu no setor corporativo.

Isso está criando uma legião de complicações financeiras. A volatilidade cambial está colocando balanços financeiros no vermelho, à medida que o dólar mais forte encarece o pagamento de trilhões de dólares em dívidas emitidas em moeda americana com a receita em moedas locais. Enquanto fábricas ficam ociosas, o setor imobiliário também recua e outros ativos têm um desempenho pior, o que tem levado empresas à inadimplência.

O grande fardo da dívida deve impedir novos empréstimos necessários para impulsionar o crescimento e elevar os custos de financiamentos, especialmente à medida que empresas em apuros criam problemas para os credores que sustentam essas economias. E com a elevação dos juros pelo banco central dos Estados Unidos, o Fed, a pressão aumenta sobre os custos de empréstimos.

A política também tem criado obstáculos ao crescimento. A economia dependente do petróleo da Rússia, já afetada pela queda nos preços do combustível, também foi golpeada pelas sanções em resposta às intervenções na Ucrânia. O governo brasileiro está sob ameaça de um colapso devido a um amplo escândalo de corrupção que o impede de reestruturar sua economia.

E muitos analistas questionam se o Partido Comunista da China será capaz de domar os dragões da corrupção local e a atual turbulência financeira enquanto Pequim tenta ajustar sua economia. Os países do Brics enfrentam ainda um dilema demográfico: a força de trabalho está crescendo mais lentamente ou, no caso da China, encolhendo. Isso reduz sua capacidade de expansão.

Para superar esses desafios crescentes, o FMI e o Banco Mundial alertaram que esses países devem adotar medidas urgentes para reformar suas economias e torná- las mais produtivas e competitivas. As fórmulas são diferentes para cada país, mas incluem estímulo aos investimentos do setor privado, reformas no mercado de trabalho, proteções mais eficazes aos direitos de propriedade intelectual e apoio aos sistemas judiciários. O Brasil e a África do Sul, por exemplo, devem resolver os gargalos críticos de infraestrutura que limitam o crescimento do comércio. A Rússia e a China devem incentivar uma concorrência maior nos mercados e privatizar estatais ineficientes.

Mas poucos economistas estão otimistas, e a maioria está no mínimo preocupada com as perspectivas para os Brics. O Banco Mundial estima que a taxa de crescimento potencial dos Brics tenha caído para menos de 4% ante 6% há poucos anos.

Esforços para reformar as economias dos Brics se tornarão especialmente importantes considerando que os preços das commodities devem permanecer baixos por um longo período e não há sinal de um aumento na demanda vindo das economias avançadas no curto prazo. Isso explica por que o Banco Mundial e outros alertam que os Brics e outros mercados emergentes podem estar apenas no início de uma era de fraco crescimento.

Fonte: Valor

China marca a pauta na América Latina

O peso argentino perdeu 40% de seu valor nas últimas seis semanas. A produção industrial do Brasil despencou cerca de 8% nos últimos 12 meses. A Venezuela está à beira da hiperinflação.

Costumava-se dizer que quando os Estados Unidos se resfriavam, a América Latina pegava uma gripe. Hoje, a China superou os EUA como o principal determinante da situação (boa ou ruim) na maior parte da região. Agora, quando a China espirra, a América do Sul tem febre.

O declínio global que a desaceleração da economia chinesa provocou nos preços das commodities prejudicou a América Latina mais do que qualquer outra região, levando a produção econômica a recuar 1% em 2015, segundo o Banco Mundial. Este ano não parece que será muito melhor.

Ainda assim, há grandes diferenças entre as economias da região. México, América Central e Caribe devem apresentar um crescimento de moderado a bom, enquanto a América do Sul enfrenta uma recessão. O Banco Mundial espera que o Peru cresça 4,5% e a Colômbia, 3%. A Venezuela, por sua vez, deve se contrair 4,8% e a o Brasil, 2,5%.

A surpresa deste ano pode ser a Argentina, onde o novo presidente, Mauricio Macri, tem agido rápido para reverter anos de políticas econômicas populistas dos governos de Cristina Kirchner, e seu falecido marido, Néstor. – David Luhnow

Fonte: Valor

Redação On janeiro - 20 - 2016
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