Sindicato Nacional da Indústria de
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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017






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Para entidades, só o câmbio anima o setor

A desvalorização do câmbio é o único aspecto que entusiasma representantes de associações industriais em 2016. Para eles, o real mais fraco proporciona uma porta de saída para um setor que enfrenta custos ainda elevados, forte redução da demanda doméstica e enormes incertezas sobre os desdobramentos que a crise política terá sobre a economia.

Esse é um dos fatores que contribuem para que este ano seja tão ruim quanto foi 2015, afirmam representantes dessas associações ouvidos pelo Valor. “O ano de 2016 vai ser um pouco melhor do que o ano passado, mas não muito”, diz Humberto Barbato, presidente da Abinee, que reúne os fabricantes de equipamentos elétricos e eletrônicos. A entidade projeta queda de 6% do faturamento em termos reais neste ano, contra uma retração de cerca de 10% estimada para o ano passado, também já descontada a inflação do período.

Para Barbato, o cenário macroeconômico e político não permite vislumbrar melhora da situação doméstica e nem retomada da confiança de empresários e consumidores. Para ele, basicamente o único fato positivo deixado por 2015 foi a forte desvalorização do real, de cerca de 50% em relação ao dólar. “Mas a recuperação do mercado está difícil, porque não foi só a nossa moeda que perdeu valor. Mesmo assim, as exportações ganharam representatividade no faturamento global em 2015”, diz.

Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o coeficiente de exportação do setor teve ligeira alta, de 11,4% para 11,5% entre 2014 e 2015, levando em consideração a evolução no terceiro trimestre de cada ano.

Mais animado, Heitor Klein, presidente da Abicalçados, traça uma clara divisão entre o comportamento das vendas para os mercados doméstico e externo. Para ele, houve significativa retração da demanda interna em 2015, mas há uma boa recuperação em curso das negociações com o exterior, o que deve aparecer nas estatísticas de janeiro.

A temporada de negociações, que ocorre entre julho e setembro, foi muito boa, segundo ele. “A desvalorização do câmbio possibilitou grande melhora na formação de preços. Hoje as empresas que têm parte das operações voltadas para o mercado internacional estão bastante atarefadas com produção dessas encomendas.”

No início deste mês, as empresas que participaram da feira Riva del Garda, na Itália, fecharam US$ 2,2 milhões em negócios, segundo pesquisa realizada com expositores brasileiros pela Abicalçados, mais do que o dobro dos US$ 970 mil realizados na edição de janeiro de 2015.

Para ele, o varejo doméstico, na melhor das hipóteses, só vai ter alguma recuperação no segundo semestre. “Quando se olha para frente, não vemos encaminhamento da situação política antes do primeiro semestre, o que vai alongar a crise e retardar a resposta da economia. A demanda tem toda tendência de se manter tão reprimida como está hoje, ou até mais. ”

Já o benefício dado pelo real mais fraco deve permitir crescimento sustentado das exportações ao longo de 2016 para o setor calçadista. “Mas não faço mais projeções, porque ao longo de 2015 queimei a língua diversas vezes, ora por excesso de confiança, ora por desesperança”, brinca ele. Para Klein, há várias empresas no segmento que não abandonaram o mercado internacional nos anos de valorização do real, o que permite resposta mais rápida e firme. “Mantido o câmbio, em três ou quatro anos podemos recuperar performance de 2008, de [exportações] cerca de US$ 2 bilhões”.

Outros ramos industriais também consideram o câmbio um aspecto positivo, embora ressaltem que os efeitos benéficos demoram a ser sentidos pelo setor. “É o que pode evitar um ano ainda pior do que 2015”, diz José Velloso, presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Segundo cálculos da associação, na comparação com moedas de importantes concorrentes comerciais, apenas em agosto do ano passado o setor passou a ter real vantagem competitiva ao vender para o exterior.

“Ainda é um período curto. Agora a moeda está competitiva, mas antes [de exportar] tem que montar rede de distribuição, ter peças em estoque para reposição, construir uma rede de manutenção. A recuperação da exportação não é instantânea”, afirma Velloso, para quem a resposta deve aparecer nos próximos meses. Com isso, afirma, é possível que as vendas de máquinas para o exterior encerrem o ano com alta entre 3% e 5%, depois de queda de 20,4% em 2015.

Segundo dados da CNI, o porcentual da produção do setor destinado ao mercado externo está subindo desde 2010 e alcançou 19,9% no terceiro trimestre de 2015, alta de três pontos em relação ao mesmo período de 2014.

O problema, observa Velloso, é que a demanda, que ainda representa a maior parte das vendas do setor, não deve reagir. Diante da expectativa de que este seja o terceiro ano seguido de queda dos investimentos, as estimativas da Abimaq são de recuo de 7% a 10% do faturamento, desempenho em linha com o observado em 2015.

Paulo Francini, diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), avalia que, de modo geral, a retomada das vendas ao exterior deve trazer algum benefício para a indústria, mas lembra que a fatia que elas representam da produção, de menos de 20%, limita a capacidade de reação do setor com apoio nas exportações. “Se as vendas crescerem 10%, a atividade industrial cresce 0,2%. A ajuda é pequena diante das agressões”, como juros altos e anos de câmbio sobrevalorizado, diz.

Mesmo assim, diz, a mudança de nível do real é relevante e já é possível ver que ao menos o processo de substituição de importações está “claramente em andamento”. “Se me perguntarem se vemos algum sinal de que isso está começando a ocorrer, nós vemos, mas não dá para ler ainda nas estatísticas formais e de atividade econômica, ainda não deu tempo”, afirma Francini.

Fonte: Valor Econômico

Com produção menor, peso das exportações aumenta na indústria

Em 6 de 23 setores industriais, a participação das exportações na produção já voltou – ou superou – ao nível de dez anos atrás. Na comparação com o fundo do poço da exportação de manufaturados, em 2010, apenas dois setores ainda estão no negativo.

O impacto dessa recuperação do coeficiente de exportação da indústria, contudo, é ilusório, pois se dá sobre uma produção menor em volume e tecnologicamente mais pobre. A indústria exportou, nos primeiros nove meses do ano passado, 16% de tudo que produziu, percentual superior aos 13,6% de 2010. O volume produzido, contudo, foi mais de 10% menor na mesma comparação.

Apesar do câmbio, que devolveu uma boa dose de competitividade à indústria nos últimos quatro anos, o retorno à patamares mais altos e de maior densidade tecnológica na exportação vai demorar por conta de um efeito que os economistas chamam de “histerese” da relação câmbio e competitividade. Em grego, histerese significa atraso. Na física, o conceito está relacionado à tendência de um material de conservar propriedades mesmo quando cessados os estímulos que as provocaram.

Na economia, explica David Kupfer, diretor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), histerese significa a defasagem temporal entre causa e efeito. “Há comprovação de que taxa de cambio interfere de forma importante na corrente de comércio, mas com uma defasagem “, diz Kupfer. Quando a indústria vem de um forte período de valorização da moeda e a perda de valor da divisa ocorre de forma errática, com muita volatilidade, esse intervalo pode ser mais longo.

“A reação da indústria ao patamar mais competitivo do real vai demorar”, resume Paulo Gala, professor da Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas em São Paulo (EESP-FGV) e economista da Fator Administração de Recursos. O atraso na reação industrial também está relacionado à perda de densidade tecnológica da produção industrial brasileira, observa Gala.

Dados coletados pelo economista no Atlas da Complexidade, desenvolvido pela Universidade de Harvard e que compila dados de exportação de quase todos os países, mostra que o setor de transportes respondeu por 12% da exportação brasileira em 2004, percentual que recuou para 7% em 2014, sendo que automóveis prontos caíram de 3% para 1%, enquanto partes e peças para motores e motores para caminhões perderam menos espaço. A participação de máquinas e material elétrico passou de 11% para 6% do total, na mesma comparação, e dentro desse grupo, a exportação de celulares, que representava quase 10% do total, praticamente acabou.

“O Brasil não só reduziu as exportações em muitos setores importantes, mas dentro desses setores, os produtos mais nobres perderam espaço. Perdemos complexidade”, resume Gala.

Mariano Laplane, presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e professor da Unicamp, concorda que o tecido industrial brasileiro ficou menos complexo depois de anos de real forte. “Vamos exportar material de transporte, vamos exportar também pasta de celulose, alimentos, mas teremos enormes dificuldades para transformar o Brasil em uma plataforma de exportação de eletrônicos ou de produtos farmacêuticos. Nós estamos sim nas cadeias globais de valor, só que na ponta do consumo”, afirma.

Esse é apenas um dos fatores que estão atrasando a reação do setor industrial ao câmbio mais competitivo, observa. Há ainda a necessidade de adequar a produção ao que é demandado fora do país, restabelecer contratos e reconstruir o relacionamento com o exterior perdido quando a indústria se voltou para o mercado interno. “Nós perdemos mercado até na vizinhança, na América do Sul. Recompor isso demora meses”.

O baixo crescimento do mercado mundial, disputado por outros emergentes que também têm excesso de capacidade ociosa, é outro aspecto que mitiga a reação das vendas ao exterior. “Isso tudo é para dizer que a reação vai ocorrer, mas é bom não termos expectativas irrealistas”.

Renato da Fonseca, gerente de Pesquisa e Competitividade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), lembra que não foi apenas o câmbio o responsável pela redução das exportações de manufaturados. Ao mesmo tempo em que o real estava apreciado, o mercado doméstico crescia mais do que o mundo. Entre 2004 e 2010, a absorção interna cresceu 43%, bem acima do crescimento mundial, de 34%. Agora, além de um câmbio mais competitivo, as indústrias têm pela frente um encolhimento da demanda interna de 10% no biênio 2015-2016.

“O mundo está crescendo pouco, mas está crescendo. O aumento da demanda externa, enquanto a interna encolhe, também impulsiona as exportações. Não é uma boa razão, mas é real”, diz ele. Nas previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Produto Interno Bruto (PIB) mundial crescerá 6,8% no mesmo período.

Como consequência da queda do PIB, há excesso de capacidade ociosa na indústria brasileira, o que deve levar alguns setores a tentar reativar os canais de exportação, mesmo com margens baixas, diz Kupfer, da UFRJ. Um exemplo claro, afirma, é o da metalurgia, que teve produção 21% menor no terceiro trimestre de 2015, mas conseguiu exportar 18% a mais. “É um setor que tem muita capacidade ociosa, tem bastante flexibilidade para fazer reestruturação, pode ser que adote estratégia exportadora mais firme.”

Há outros segmentos, porém, em que esse processo vai demorar mais, porque certa readequação dos processos de produção se faz necessária. “Muitas vezes o longo período de valorização do câmbio eliminou exportadores, e só o cambio não faz com que eles voltem”, afirma Kupfer. “Quem comprava já tem outros fornecedores, com inovações tecnológicas, aperfeiçoamentos que a gente não acompanhou. A mudança cambial vai trazer certo ânimo para as exportações, mas possivelmente não para retomar os níveis anteriores”.

Muitas indústrias, diz Gala, ficaram muito tempo fora do mercado exterior e precisam achar os clientes de novo, estabelecer linhas de crédito, remontar equipes de pós-venda, entre outros mecanismos fundamentais para atuar no exterior. Saem na frente empresas que reduziram mas não abandonaram a exportação (apesar das perdas) e que mantiveram canais ativos com clientes do exterior e filiais de multinacionais que podem ser “escolhidas” pela matriz para atender clientes globais, porque o custo de produção no Brasil ficou mais barato que o da Turquia, por exemplo.

Em parte, essa estratégia esbarra nas cadeias globais, avalia Fonseca. Em muitos casos, diz ele, cada fábrica produz um pedaço de um bem final ou um modelo de automóvel. “A lógica de deslocamento da produção já não funciona para todos os setores”, afirma. Na sua avaliação, o país e as empresas não devem subestimar qualquer espaço para voltar ao mercado global. A China, lembra, produz só 4% do valor agregado de um iPod. “Mas isso gera muito emprego e renda no país. Podemos voltar ao mercado externo pegando pedaços de uma produção”, argumenta.

Fonte: Valor Economico

Redação On janeiro - 20 - 2016
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