Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

Filiado a FIESP

Tera-feira, 21 de Novembro de 2017






Associe-se!
Clique aqui e conheça as vantagens

Atraso de salários e demissões provocam greves e protestos na China

Valor Econômico – 18/01/2016

Enquanto a maior parte do mundo se concentrou na queda vertical das bolsas de Xangai e Shenzhen e nas medidas equivocadas de Pequim na gestão de sua moeda, o mercado de trabalho da China se fragilizou cada vez mais. Com o acúmulo dos episódios de atraso de pagamento de salário e dispensas temporárias ou definitivas, a agitação das fábricas e canteiros de obras está aumentando.

Os protestos e manifestações de operários dobraram no ano passado, para 2.774. O total de dezembro, por exemplo, foi de mais de 400 desses incidentes, número que alcançou um recorde mensal. Os protestos ocorrem num momento em que a desaceleração do crescimento da China compromete os lucros e em que os temores em torno das deficiências da formulação das políticas públicas solapam a confiança do investidor.

“O aumento das greves e protestos começou em agosto passado, por volta da época da desvalorização do yuan e do subsequente colapso das bolsas, e continuou a ganhar corpo durante o último trimestre do ano, diante dos fracos sinais de recuperação da economia”, diz Geoffrey Crothall, diretor de comunicações da organização de defesa dos trabalhadores China Labour Bulletin, sediada em Hong Kong.

Isso é alarmante para o Partido Comunista da China, que subiu ao poder em 1949 dizendo­se representante das massas trabalhadoras. Em um sinal de seu nervosismo, Pequim prendeu no dia 8 quatro dirigentes trabalhistas em Guangdong, em meio a uma série de medidas restritivas contra ativistas de direitos humanos.

A taxa oficial de desemprego de trabalhadores urbanos divulgada pelo governo é fictícia: ela permaneceu em grande medida inalterada, em cerca de 4%, mesmo nas épocas em que a economia chinesa despencou significativamente, como na crise financeira mundial. A maioria dos observadores estrangeiros estima que a cifra verdadeira possa estar alguns pontos percentuais acima (o China Center for Economics and Business, do instituto privado americano Conference Board, a situa em cerca de 6%).

A expansão da criação de vagas tem sido mais acelerada que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos anos, e 10,7 milhões de empregos urbanos foram criados nos nove primeiros meses do ano passado, ultrapassando a meta oficial de 10 milhões para todo o ano.

Empresas com dificuldades de caixa dos setores de construção, indústria de transformação, mineração e serviços estão atrasando o pagamento de seus funcionários. O problema é a principal causa dos protestos e representa um provável precursor dos cortes de funcionários, diz Crothall.

“As empresas têm retardado o pagamento de salários e reduzido a semana de trabalho. Elas experimentaram essas medidas para manter as pessoas empregadas. Mas agora prevemos afastamentos definitivos maiores”, diz Andrew Polk, economista­sênior do China Center do Conference Board.

De acordo com pesquisas entre gerentes de compras, as empresas vêm reduzindo seus quadros já há pelos menos 11 meses.

As dispensas, temporárias ou definitivas, têm sido especialmente elevadas entre fabricantes de produtos voltados para a exportação do delta do Rio das Pérolas, ou Xi Jiang, no sul da China. Levantamento entre 570 empresas de Guangdong realizado pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong e pela Universidade Tsinghua de Pequim mostrou que as empresas tinham reduzido seus quadros em uma média de 3,5% de 2013 para 2014, enquanto trabalhadores de baixa qualificação tinham sofrido cortes de 5%. Os salários mensais dos trabalhadores subiram mais de 10% anuais em 2013 e 2014. Sua expansão no fim do primeiro semestre do ano passado, porém, foi de menos de 2%.

As empresas multinacionais que operam nas grandes cidades chinesas tentam controlar os custos com mão de obra. Cerca de um terço dessas companhias informou em sondagem realizada em outubro que pretendia contratar em 2016. Esse foi o menor contingente já registrado desde o início de 2009, durante a crise financeira mundial, diz Elley Cao, uma das diretoras da consultoria de recursos humanos Mercer em Xangai. As empresas estrangeiras revelaram que pretendem elevar os salários em 6,9%, em média, neste ano, o menor aumento desde 2009. “Essa será a tendência nos próximos anos”, diz Elley.

 

 

 

França vai destinar mais de € 2 bilhões ao emprego

Valor será financiado por cortes orçamentários e sem aumento de impostos.
Desemprego afeta mais de 3,5 milhões de pessoas no país.
O presidente francês François Hollande anunciou nesta segunda-feira (18) um plano de emergência a favor do emprego por um valor de mais de “dois bilhões de euros”, financiados por cortes orçamentários e sem aumento de impostos.
“Estes dois bilhões de euros serão financiados sem taxas suplementares de nenhum tipo, ou seja, serão financiados por economias”, disse Hollande, ao apresentar uma série de medidas para lutar contra o desemprego, que afeta mais de três milhões e meio de pessoas na França.


Fonte: G1

 

 

 

Índices chineses fecham em alta, ajudados pelas ações imobiliárias

Índice MSCI de ações regionais sem Japão recua 0,7%. Preocupações com recessão continuam a crescer no mundo.
As ações chinesas se recuperaram da mínima intradia de 13 meses mais cedo nesta segunda-feira (18) e fecharam em alta, lideradas pela forte recuperação do índice ChiNext, enquanto no restante do continente as ações caíram ao menor nível desde 2011 após dados fracos dos Estados Unidos e a queda do petróleo aumentarem ainda mais as preocupações com uma retração econômica global.
O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 0,38%, enquanto o índice de Xangai teve alta de 0,47%.
O índice ChiNext saltou 3,2%, enquanto as ações de companhias imobiliárias se recuperaram das perdas iniciais e subiram 0,4%, após dados mostrarem que os preços das propriedades na China continuaram a subir em dezembro de 2015, dando sinais de melhora no mercado imobiliário.
O petróleo encarava nova pressão após as sanções internacionais contra o Irã serem suspensas no fim de semana, permitindo que Teerã retorne a um mercado de petróleo já com excesso de oferta.
Às 7:16 (horário de Brasília), o índice MSCI que reúne ações da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão caía 0,71%, a seu menor nível desde 2011.
No Japão, o índice Nikkei chegou a cair 2,8%, tocando sua mínima de um ano, mas fechou com desvalorização de 1,12%. O índice já perdeu cerca de 20% em relação ao pico atingido em junho, se enquadrando em uma definição comum de mercado pessimista.
“Estamos entrando em um estágio onde precisamos considerar o risco de recessão da economia global”, disse o estrategista-chefe de renda fixa do SMBC Nikko Securities, Chotaro Morita.
Uma queda inesperada nas vendas do varejo e o terceiro mês seguido de recuo na produção industrial em dezembro dos Estados Unidos adicionaram mais uma indicação de que o crescimento econômico do país freou com força no quarto trimestre.
Em TÓQUIO, . O índice Nikkei recuou 1,12%, a 16.955 pontos.
Em HONG KONG, o índice HANG SENG caiu 1,45%, a 19.237 pontos.
Em XANGAI, o índice SSEC ganhou 0,47%, a 2.914 pontos.
O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em XANGAI e SHENZHEN, avançou 0,38%, a 3.130 pontos.
Em SEUL, o índice KOSPI teve desvalorização de 0,02%, a 1.878 pontos.
Em TAIWAN, o índice TAIEX registrou alta de 0,63%, a 7.811 pontos.
Em CINGAPURA, o índice STRAITS TIMES desvalorizou-se 1,44%, a 2.593 pontos.
Em SYDNEY o índice S&P/ASX 200 recuou 0,7%, a 4.858 pontos.


Fonte: G1

 

 

 

Opep prevê que mercado de petróleo começará a se reequilibrar em 2016

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) está otimista de que o mercado da commodity começará a se reequilibrar este ano, à medida que os preços fracos afetarem a produção fora do grupo.
“Após sete anos seguidos de crescimento fenomenal da oferta fora da Opep, frequentemente maior que 2 milhões de barris por dia, 2016 deverá ver uma diminuição na produção, conforme os efeitos dos profundos cortes nos investimentos de capital começarem a ser sentidos”, afirmou a Opep, em relatório mensal publicado nesta segunda-feira.
Embora reconheça que novos projetos representando mais de 2 milhões de barris por dia (bpd) seguirão adiante este ano, a Opep estima que a oferta de produtores não pertencentes ao cartel recuará quase 700 bpd em 2016, como resultado dos gastos menores da indústria petrolífera.
Os EUA deverão registrar a maior retração na oferta, com queda prevista em cerca de 400 mil bpd, mas a Opep avalia que certas localidades, como Canadá, Mar do Norte, América Latina e partes da Ásia, também estão particularmente vulneráveis.
A produção da Opep, por outro lado, continua elevada, apesar de ter caído 200 mil bpd em dezembro, segundo fontes secundárias. O resultado da Opel, incluindo a Indonésia, que recentemente foi reintegrada ao cartel, recuou para 32,2 milhões de bpd no mês passado, em função da produção menor na Arábia Saudita, Nigéria e Iraque. Apenas na Arábia Saudita, a produção recuou 60 mil bpd, a 10,1 milhão de bpd.
A Opep, no entanto, continua produzindo acima da demanda que espera ver neste ano. O cartel prevê elevação de 1,7 milhão de bpd na demanda por seu petróleo em 2016, a 31,6 milhões de barris por dia.
Enquanto isso, o levantamento de sanções contra o Irã, anunciado no último fim de semana, deverá contribuir para o aumento da oferta da Opep nos próximos meses.


Fonte: DCI

 

 

 

Venda de siderúrgicos cai 16% no Brasil

Foram comercializadas 18 milhões de toneladas no ano passado. As exportações cresceram 40% em volume, mas as receitas recuaram 3,3%.

Rio de Janeiro – As vendas de produtos siderúrgicos no mercado brasileiro fecharam o ano passado com retração de 16,1% em relação a 2014, totalizando 18,2 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (18) pelo Instituto Aço Brasil (IAB).

Em dezembro, o total vendido ficou em 1,1 milhão de toneladas, queda de 26,1% sobre o mesmo mês de 2014.

No que se refere às importações, registrou-se em dezembro o volume de 115 mil toneladas, ao custo de US$ 143 milhões. Ao longo de 2015, as importações totalizaram 3,2 milhões de toneladas de produtos siderúrgicos.

O IAB ressaltou ainda que “apesar das condições adversas do mercado internacional”, o setor conseguiu fechar dezembro com exportações de produtos siderúrgicos que somaram 1,6 milhão de toneladas, no valor de US$ 546 milhões.

Com isso, as exportações fecharam 2015 em 13,7 milhões de toneladas, o equivalente a US$ 6,6 bilhões, um crescimento de 40,3% em volume, mas uma queda de 3,3% em receita. Segundo o IAB, esse resultado se deve, sobretudo, às operações entre companhias “para fornecimento de semiacabados a plantas na Europa e nos EUA” e “a ações emergenciais do setor para evitar redução ainda maior do grau de utilização da capacidade instalada causado pelo fraco desempenho do mercado doméstico”.

Produção

Em dezembro, a produção brasileira de aço bruto ficou em 2,5 milhões de toneladas, redução de 6,1% na comparação com o mesmo período de 2014. No caso de laminados, a produção somou 1,5 milhão de toneladas – queda de 12,4%.

A produção de aço bruto encerrou o período de janeiro a dezembro em queda de 1,9% em relação a 2014, totalizando 33,2 milhões de toneladas. A produção acumulada de laminados ficou em 22,6 milhões de toneladas, redução de 9,2%, na comparação com o ano anterior.

 

 

 

Com ajuda do câmbio, lucro nas exportações é o mais alto em 11 anos

Valor Econômico – 18/01/2016

Em 2015, o exportador brasileiro teve o melhor índice de rentabilidade nas exportações dos últimos 11 anos. Isso foi puxado principalmente pelo avanço da margem de lucro no embarques da indústria de transformação. De janeiro a novembro do ano passado, a margem de ganho na exportação da indústria de transformação avançou 12,7% contra igual período de 2014. O desempenho ficou bem acima da alta média de 2,2% da margem de lucro das exportações totais brasileiras.

A indústria também contribuiu para melhorar a rentabilidade das exportações totais, que deverá ficar em 2015 com índice entre 91 e 92, o melhor resultado desde 2004, quando o indicador atingiu 98,8, segundo cálculos da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).

“O câmbio foi o principal fator responsável para essa ótima notícia”, diz Daiane Santos, economista da Funcex. Ela alerta, porém, que a ajuda do câmbio não deve ser tão grande em 2016, ao mesmo tempo em que os preços não dão sinais de melhora e a evolução do custo de produção acendeu a luz amarela. De janeiro a novembro, o custo de produção do total dos produtos exportados pelo Brasil aumentou 7,8%. O que mais preocupa é a aceleração na alta desse componente nos últimos meses. Em novembro, em relação a igual mês de 2014, a alta do custo de produção atingiu os dois dígitos, com salto de 12,5%.

A rentabilidade das exportações, explica Daiane, é medida levando­se em conta o câmbio, o custo de produção e o preço de exportação em dólar. Na indústria de transformação, o custo de produção e os preços de exportação jogaram contra o ganho do exportador. O custo de produção aumentou 8,62% de janeiro a novembro de 2015, contra igual período do ano anterior enquanto o preço das exportações teve queda média de 12,5%.

O efeito da elevação de custo e da redução de preço de exportação foi porém, compensado integralmente pela depreciação de 41% do real frente ao dólar. Como resultado, o setor manufatureiro atingiu 12,7% de ganho de rentabilidade. Tudo indica, diz Daiane, que a indústria de transformação também teve em 2015 o melhor índice de rentabilidade desde 2004.

A elevação da margem de ganho na exportação do setor manufatureiro é uma boa notícia, mas é preciso levar em conta que nem todas as indústrias ainda são capazes de exportar, diz Fabio Silveira, economista da GO Associados. Ou seja, quem embarca, tem maior margem na venda ao exterior, mas na verdade várias empresas deixaram o mercado externo de lado nos últimos anos e tentam voltar agora.

E a parte da produção voltada para a exportação não tem conseguido suprir o que a indústria deixou de vender no mercado doméstico. Silveira dá como exemplo o setor automotivo. De acordo com dados da Funcex, o segmento de veículos automotores, reboques e carrocerias experimentou alta de rentabilidade de 19% nas exportações de janeiro a novembro do ano passado.

Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) indicam que o valor exportado de automóveis de passageiros cresceu 6,6% em 2015, na comparação com o ano anterior. “As montadoras exportaram, mas isso não compensou a perda nas vendas locais e não impediu a queda de receita de cerca de 23% no ano passado”, diz Silveira.
Considerando a exportação total de todos os grandes setores ­ indústria de transformação, indústria extrativista e também os setores não industriais ­, a desvalorização cambial precisou compensar a elevação de 7,8% no custo de produção e recuo de 21,4% nos preços de exportação em dólar.

Os preços castigaram mais ainda o grupo da indústria extrativista. Nesse setor, o custo de produção aumentou apenas 2,6% de janeiro a novembro, mas a redução média de preço chegou a 46,5%. Mesmo a alta depreciação do real frente ao dólar no ano passado não foi capaz de compensar essa variável. No período, a rentabilidade caiu 26,9% para a indústria extrativista.

“Em 2016 o nível de desvalorização do câmbio deve ser menor e não há nada que nos faça acreditar em aumento de preços de exportação. Os preços, na verdade, devem continuar caindo, embora num nível menor”, diz Daiane. “Por isso é necessário que haja medidas para reduzir o custo de produção.”

As perspectivas para os custos de produção, principalmente na indústria de transformação, não são boas, diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). “O efeito do câmbio demora a chegar completamente aos preços. Por isso, mesmo com depreciação menor, o dólar mais alto continuará a pressionar o custo dos insumos importados”, diz. Isso, somado ao reajuste do salário mínimo e às elevações de tributos como ICMS, além de eventual retorno da CPMF, continuará a pressionar os custos de produção.

Em 2015, segundo dados da Funcex, a elevação de custo de produção na exportação foi puxada principalmente por insumos importados, cujo custo aumentou 20,8%, contra 3,8% do insumo nacional. Serviços e salários cresceram 10,8%.

“A desvalorização cambial de 10% a 12% esperada para este ano poderá ser insuficiente para compensar a elevação de custo de produção e os preços”, avalia Castro. Pelas estimativas da AEB, o minério de ferro ainda deve perder 5% no preço médio em 2016 enquanto os preços dos manufaturados devem recuar perto de 10%.

Silveira, da GO Associados, tem avaliação semelhante em relação ao comportamento dos preços de exportação para 2016. As commodities agrícolas, avalia ele, devem ter nova redução média este ano, embora em nível menor que a do passado. As metálicas devem ter pequeno recuo de preço. Nos manufaturados, os preços também seguem tendência baixista, estima Silveira. A queda de preços de matérias-­primas, como commodities metálicas e aço contribui para o cenário, diz. “Além disso, o crescimento global fraco deve gerar um excedente adicional China.”

Para Silveira, salários devem pressionar menos o custo em 2016, mas insumos importados devem continuam sendo um peso importante. Ele estima uma desvalorização média de 20% do câmbio em 2016 contra o ano passado, o que vai ajudar na rentabilidade no exportador, mas vai salgar a aquisição de insumos do exterior. “E ao contrário do que se acreditava há cerca de seis meses, o processo de substituição de importações não deve ajudar. Isso demanda investimento e confiança na economia. Com o cenário atual, a substituição deve ser apenas residual”.

América Latina vive ressaca pós­boom

Valor Econômico – 18/01/2016

Após viver o sonho dourado de alto crescimento, melhora na renda e uma chuva de dólares obtidos com financiamento abundante, exportações e investimentos, a América Latina mergulhou desde o segundo semestre de 2014 em um período de vacas magras. O boom de commodities, iniciado em 2004 com o impulso do apetite chinês por matérias­-primas, acabou. E, em uma região altamente dependente da exportação de petróleo e derivados, metais e produtos agrícolas, esse fim de ciclo tem se traduzido também em instabilidade política e econômica.

Economistas de diversos matizes ouvidos pelo Valor dizem acreditar que o atual período de preços baixos das commodities deve durar pelo menos mais três anos. Mas afirmam que os diferentes países serão impactados de maneira distinta ­ de acordo tanto com sua dependência em relação às commodities quanto com o manejo que cada um fez dos recursos nos tempos de prosperidade.

“Vêm aí tempos muito difíceis para a América Latina. Vamos atravessar anos de muito baixo desempenho econômico, moedas débeis e altos níveis de inflação, porque os países precisam desvalorizar e isso gera efeitos inflacionários”, diz o venezuelano Francisco Rodriguez, economista­chefe do Bank of America (BofA) para a Região Andina. “Em muitos países haverá crises políticas geradas por esses choques externos e a má administração dos recursos dessa bonança.”

Segundo Alberto Ramos, economista-­chefe para a América Latina do banco Goldman Sachs, o ajuste pelo qual os países latino-­americanos estão passando não significa necessariamente uma crise. De maneira geral, diz ele, economias bem manejadas ainda têm espaço para fazer políticas contracíclicas a fim de atenuar o ajuste típico de países expostos a commodities: a desaceleração do crescimento e a desvalorização da moeda.

É o que tem acontecido, por exemplo, no Chile, no Peru e na Colômbia nos últimos dois anos. Com os preços do cobre, do ouro e do petróleo em queda, suas moedas se desvalorizaram significativamente frente ao dólar. Mas o trio teve “espaço para usar a política fiscal a fim de dar algum apoio à atividade”, afirma Ramos.

“Esses países vêm crescendo metade do que cresciam lá atrás”, afirmou. “Isso não é uma crise. É se ajustar a essa nova realidade e esperar que venham dias melhores.”
Também surpreendente para muitos é o caso da Bolívia. Apesar do alinhamento retórico do presidente Evo Morales à Venezuela chavista, o país ­ que depende da exportação de gás ­ adotou uma postura ortodoxa, acumulou anos de superávit fiscal e agora, dizem economistas, tem um colchão de três anos para suportar a crise.
O caso boliviano, além disso, mostra que não necessariamente o bom manejo da economia é prerrogativa da direita. A exemplo de Peru e, mais recentemente, Chile, o país é governado pela esquerda.

Se o choque negativo, por outro lado, atinge economias mais vulneráveis, seja por uma inflação acima da meta ou o crescimento que já estava fraco mesmo antes do fim do ciclo de commodities, muitas vezes não há como usar políticas fiscais para dar apoio à demanda, diz Ramos. A alguns, portanto, não só falta capacidade para mitigar esse choque, como muitas vezes essas vulnerabilidades se propagam e amplificam seus efeitos.

Nesse perfil se encaixam países como a Argentina, o Brasil e a Venezuela, cuja economia está se retraindo e a inflação disparou.

“É como o sistema imunológico de um indivíduo. Se você come bem, faz um exercício, toma vitaminas, às vezes você pega um resfriado no inverno. Mas, ao final de um ou dois dias, você se recupera”, afirma o economista do Goldman Sachs. “Agora, se você está muito debilitado, seu organismo já estava fora de controle, qualquer coisa agrava, você fica uma semana de cama, pode ter qualquer tipo de complicações. Na economia é a mesma coisa.”

De acordo com essa metáfora, com uma inflação oficial de 140% ao ano e retração do PIB estimada em 10%, a Venezuela “é um caso terminal”, afirma Ramos.
Ponto fora da curva é o México que, apesar de sofrer um impacto em sua arrecadação por causa do choque do petróleo, deve seguir crescendo na esteira da recuperação americana. O PIB do país cresceu 2,3% em 2015 com inflação de 2,21% ­ a mais baixa da história.

Segundo Carlos Capistran, economista­chefe para o México do BofA, o país tem adotado uma política de “valorização nula” do salário mínimo para manter seus produtos manufaturados competitivos, sobretudo nos EUA ­ destino de 90% das exportações mexicanas. Isso tem atraído muitos investimentos produtivos para o país.
“Por 20 anos, não houve aumento do salário mínimo real no México. Só nos últimos dois anos, o salário mínimo real subiu 1% ao ano”, afirma Capistran. No Brasil, diz ele, “a política de valorização do salário mínimo muitas vezes se reflete em inflação dos serviços”.

Fatores externos como o regime cambial da China e a política de monetária do Fed, o banco central dos EUA, também afetam a economia da região. As recentes desvalorizações do yuan chinês, por exemplo, colocam pressão sobre as moedas da América Latina, afirma Ramos.

“Do ponto de vista de dinâmica da balança de pagamentos, até pode ser que ainda haja tendência para alguma depreciação [das moedas da região]”, diz ele. “Não da magnitude com que ocorreu em 2015, mas pode haver algum ajuste residual na maior parte das economias.”

Para Carlos Mussi, diretor do escritório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) no Brasil, a região perdeu ao longo do último ciclo de alta a oportunidade de reduzir sua dependência das commodities. “A incapacidade da região de se inserir no comércio internacional e a falta de progresso técnico são problemas há muito apontados pela Cepal”, afirma. “As crises, infelizmente, tendem a ressurgir no fim desses ciclos de preços.”

Por outro lado, diz ele, a região entra nesse período de baixa em melhores condições do que no final de ciclos anteriores. “Houve cenários piores, como nos anos 1980, em que a queda de preços de commodities foi acompanhada de uma crise de endividamento. Os países não tinham reservas. Isso pega os países tanto no fluxo [de divisas] quanto nas dívidas”, disse ele. “[O fato de não haver uma crise de dívida na região] está fazendo diferença nessa crise. Pode ter evitado um custo maior mais cedo.”

Pedro Silva Barros, diretor de Assuntos Econômicos da União de Nações Sul­Americanas (Unasul) destaca ainda que a região conseguiu conjugar o crescimento fruto do ciclo das commodities “com uma histórica redução nas desigualdade em praticamente todos os países”. “Com intensidades diferentes, mas foi um movimento geral”, diz.

Segundo ele, porém, esses ganhos sociais em alguns países estão mais consolidados do que em outros. “No Brasil, houve uma consolidação importante. É o país em que a economia mais se retraiu na região, excluindo-­se a Venezuela, no ano passado, e não foi o país em que mais se deteriorou a situação social”, afirma Barros. “O desafio é justamente esse. Numa situação economicamente adversa, fazer com que os ganhos sociais não caiam na velocidade com que tem caído a economia.”

Para Mussi, da Cepal, os governantes terão agora que decidir “como distribuir os prejuízos, as consequências do ajuste”. Em outras palavras, “quem vai pagar a conta”.

“O quadro é difícil. A região vai ter que tomar decisões sobre opões de trajetória de desenvolvimento, não somente crescimento. E sobre como gerenciar os ganhos da distribuição obtida no último ciclo com a receita mais magra agora”, afirma.

Brasil amplia acordos e dispensa mútua de visto já é válida para outros 86 países

Valor Econômico – 18/01/2016

Uma mudança recente na legislação deu novo impulso à dispensa de visto de turismo e negócios para cidadãos brasileiros que viajam ao exterior. Mais 12 países retiraram essa exigência desde maio de 2014 e transformaram o passaporte azul naquele que dá, entre todos os latino-­americanos, maior acesso internacional aos seus portadores sem a necessidade de emissão do documento. Agora já se podem cruzar 86 fronteiras com a facilidade de não tirar um visto antes.

O benefício foi facilitado pela Lei 12.968, que deu nova redação ao Estatuto do Estrangeiro, há pouco menos de dois anos. A mudança permite que acordos bilaterais para a isenção recíproca de vistos possam entrar em vigência logo depois de firmados. Basta uma comunicação diplomática entre os países signatários para colocá-­los em prática. Antes disso, os acordos percorriam um longo caminho até ter validade: saíam do Palácio do Planalto para aprovação na Câmara dos Deputados, depois no Senado e voltavam para promulgação. Esse penoso processo esbarrava na própria demora da Presidência da República em enviar os textos ao Congresso Nacional e na lentidão dos parlamentares em apreciá-­los. Normalmente isso leva anos.

Novos acordos assinados desde então garantiram isenção dos brasileiros em viagens para Albânia, Antígua e Barbuda, Armênia, Belize, Dominica, Geórgia, Granada, Jamaica, Mongólia, São Cristovão e Névis, São Vicente e Granadinas e Suíça. Cidadãos de todos esses países também ganharam o direito de entrar no Brasil sem a necessidade de visto.

Um acordo com os Estados Unidos, no entanto, ficou mais distante. O Valor apurou que a crise fez disparar o índice de recusas de pedidos feitos por brasileiros nos consulados americanos. Para dar aval à isenção de visto com outros países, a Casa Branca exige que não mais do que 3% das solicitações sejam rejeitadas. Nos últimos anos, o Brasil vinha reduzindo aceleradamente o número de “reprovados” nas entrevistas consulares, chegando muito perto de 3,5%.

Em 2015, segundo relatos feitos por autoridades americanas a funcionários do governo brasileiro, esse índice teria subido para algo em torno de 5%. A embaixada dos Estados Unidos não informa o percentual de recusas.

Uma das explicações é que teria aumentado a quantidade de brasileiros sem comprovação adequada de renda e vistos como potenciais migrantes ­ um fenômeno causado pela piora da economia no ano passado. Outro fator seria a queda no volume de turistas que têm emprego fixo e prova de remuneração. Isso faria com que o volume de recusados seja proporcionalmente maior.

De qualquer forma, conforme frisa reservadamente uma fonte do governo, não é isso o que impede um acordo de isenção de vistos com os Estados Unidos. Para avançar em um tratado, os americanos exigem acesso a informações de posse da Polícia Federal, como brasileiros suspeitos de crimes ou condenados em primeira instância. O Planalto não admite compartilhamento desse tipo de informação e alega que isso feriria, inclusive, a legislação nacional.

Mesmo sem o acordo com os Estados Unidos, o Brasil tomou a dianteira e ultrapassou a Argentina como o latinoamericano que tem maior número de isenções recíprocas de vistos com outros países. Os argentinos têm acesso facilitado a 147 países, no entanto, quando se incluem aqueles que permitem a concessão de visto dentro de suas próprias fronteiras. Nações como Egito e Etiópia exigem visto prévio de brasileiros que embarcam com destino aos seus aeroportos, por exemplo, mas autorizam os argentinos a obter o documento no momento de sua chegada.

Redação On janeiro - 18 - 2016
  • Central de atendimento
  • Telefone: (11) 3285-3522 / e-mail: sicetel@sicetel.com.br
Associe-se!
        Clique aqui
Cadastre seu e-mail e receba periodicamente notícias do SICETEL.