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Mercado espera alta da Selic após deterioração das expectativas

Valor Econômico – 15/01/2016

A primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2016, que acontece nos próximas dias 19 e 20, deve retomar o ciclo de aperto monetário interrompido há quatro meses e levar a taxa básica Selic para 14,75%, nível não alcançado desde julho de 2006. A decisão deve vir em resposta, principalmente, à deterioração persistente das expectativas: depois de descumprir o teto da meta de inflação em 2015, as projeções de mercado já apontam para um novo estouro desse limite. Mas o que chama a atenção é que, pela primeira vez durante toda a gestão deste Banco Central, é o próprio mercado financeiro que demonstra preocupação com os riscos de uma postura mais firme da autoridade monetária.

“É uma valentia tardia do Banco Central”, afirma o professor do Insper e sócio da SM Managed Futures, João Luiz Mascolo.

“Ele deveria ter sido valente antes”, acrescenta, lembrando que o BC ainda colhe os frutos de ter iniciado um corte de juros antes da hora, em 2012, e ter demorado a agir com firmeza antes, quando as projeções de inflação já superavam o centro da meta de inflação. “É bom lembrar que as pressões de administrados e câmbio em 2015 ocorreram porque esses preços foram represados no ano anterior”,
afirma. “Isso significa que, entre 2014 e 2015, a inflação média teria sido de 8,5%, sempre acima do teto da meta.”

Mascolo é um dos 33 economistas, de um universo de 36 entrevistados, que dizem acreditar que haverá aumento de juros na próxima semana. Ele está dentro da maioria (28) que prevê um aumento de 0,5 ponto percentual.

Cinco economistas projetam um ajuste mais brando, de 0,25 ponto, enquanto outros três mantêm a previsão de estabilidade da Selic.

O que há em comum entre os profissionais consultados é a visão de que o principal argumento para o Banco Central se mover é a disparada das expectativas de inflação, o que afeta em cheio a confiança de empresários e consumidores. Mas há divergências sobre o quão adequada e eficaz é essa estratégia.

Em relatório, economistas do Itaú Unibanco dizem que a política monetária tem hoje um “trade ­off” negativo. Ou seja, subir os juros provocará mais perdas, como o aprofundamento da recessão, do que ganhos.

“No contexto de recessão profunda e diversas incertezas exógenas ao Banco Central, acreditávamos que o BC optaria por manter a taxa de juros no atual patamar. No entanto, o Banco Central não mudou a sinalização de elevação de juros em janeiro”, afirma o relatório.

O documento cita como sinal de que a autoridade monetária quer subir a taxa básica de juros a afirmação feita pelo presidente da instituição, Alexandre Tombini, de que “independente do contorno das demais políticas, o BC adotará medidas necessárias de forma a (…) circunscrever a inflação aos limites estabelecidos pelo CMN, em 2016, e fazer convergir a inflação para a meta de 4,5%, em 2017”.

“Não vemos qualquer risco de credibilidade para a autoridade monetária com uma decisão de manutenção da taxa básica, desde que seja construída uma comunicação franca e realista da situação doméstica e global que só se agravou tremendamente nas últimas semanas”, afirma o diretor do departamento de pesquisa econômica e
economista­chefe do Bradesco, Octávio de Barros, que prevê estabilidade da Selic na próxima semana.

“A credibilidade da autoridade monetária não pode ser medida a cada ano­calendário. Em condições normais, seria compreensível a defesa de uma pronta reação do Banco Central, mas acredito que não vivemos numa situação normal.

Muitíssimo longe disso”, diz Barros. A economista-­chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, diz acreditar que, a despeito da atividade fraca, o BC não tem outra saída senão subir os juros. “Muitos argumentam que o problema da inflação não é de demanda, é preponderantemente fiscal. Isso é fato. Mas o BC deve cruzar os braços quando a inflação sofre choques de oferta [câmbio, administrados]? Não deve combater os efeitos secundários, ainda mais quando a inflação está bem
acima do teto da meta?”, observa.

“Se temos uma economia indexada, o BC deve ser mais ativo ainda, porque a alta inflação leva a uma indexação cada vez maior. Essa é a nossa história dos anos anteriores ao Real. Acho que é uma história muito recente parase r esquecida.”

A urgência de mexer com as expectativas também é apontada pelo economista­-chefe do Banco Safra e ex-secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, como argumento para subir os juros. Mas, depois desse ciclo, o BC pode voltar a reduzir a taxa Selic ainda este ano ­ expectativa compartilhada por outros sete entrevistados.

Para Kawall, a Selic deve subir até 15,75%, mas voltar a cair até 14,75% nas últimas duas reuniões do ano. “Apesar do hiato do produto, intensificaram-­se ao longo do período recente os choques de administrados e câmbio. É necessário disciplinar as expectativas através de um juro real mais elevado”, afirma Kawall.

” A incerteza quanto à política fiscal continua a gerar impactos nos preços dos ativos [câmbio]”, diz.

Com crise e Lava­Jato, sobram R$ 22 bi no FI­FGTS

Valor Econômico – 15/01/2016

Antes disputado por megaempresas como Petrobras, Odebrecht, Queiroz Galvão, Estre e BTG – às vezes com brigas públicas entre algumas delas –, o recheado cofre do Fundo de Investimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS) foi praticamente esquecido. Dentro dele, considerado um dos principais veículos de financiamento de infraestrutura no país, existem atualmente R$ 22 bilhões de capital disponível à espera de interessados em receber recursos por meio de aportes ou crédito.

Por enquanto, a perspectiva é que a fortuna do fundo fique praticamente intocada – justamente em um momento de forte necessidade de crédito vivido por grandes empresas. A paralisia no fundo de investimento do FGTS é explicada por um “detalhe” no regulamento.

Pelas regras, é necessário que a empresa contemplada use os recursos em um projeto concreto de investimento. E, em decorrência da Operação Lava-Jato e da desaceleração da economia, os planos de novos empreendimentos ou de expansão sumiram das mesas dos executivos. O foco da iniciativa privada atualmente é a preservação da liquidez e a busca por capital de giro.

O diagnóstico de fontes que acompanham a situação do FI-FGTS é que existe vontade de usar os recursos, mas que as possibilidades são escassas por falta de procura das empresas. “O que se verificou ao longo de 2015 foi uma menor demanda por recursos para o desenvolvimento de projetos de investimentos em infraestrutura, bem como maior prazo nas análises, devido principalmente às revisões nos planos de investimentos”, afirmou, em nota, a Caixa Econômica Federal, gestora do fundo.

Um exemplo é da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que havia pedido R$ 1,2 bilhão para expansão de um porto em Itaguaí, no Estado do Rio de Janeiro. A solicitação já estava sendo analisada pelo conselho do FI-FGTS, mas a própria empresa – segundo relatos ouvidos nos bastidores – deixou de apresentar os documentos necessários para o andamento do processo. A CSN foi procurada para comentar, mas não se manifestou até a publicação da reportagem.

Como resultado da fraca demanda, o fundo deixou de fazer negócios com a iniciativa privada em 2015. A única operação no ano foi a engenharia financeira feita pelo governo para destinar R$ 10 bilhões do fundo ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por meio de compra de debêntures, o que exigiu uma mudança de regulamento no FI-FGTS. Desse montante repassado à instituição financeira, nada foi usado ainda, porque os projetos ainda estão em estudo.

Atualmente, o fundo segue avaliando internamente pedidos feitos por empresas que exigiriam, caso aprovados, um montante de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões. Entre as demandas atuais, está a da Rumo Logística (empresa controlada pelo grupo Cosan), que pede ao fundo até R$ 1 bilhão para aplicar em debêntures conversíveis para investimentos em ferrovias.

A empresa passou recentemente por um processo de fusão com a América Latina Logística (ALL) e pretende fazer aportes para expandir a capacidade operacional da malha.

Existe a expectativa de ocorrerem mais liberações de capital neste ano, com os leilões de logística sendo preparados pelo governo. São esperadas licitações de estradas federais (como a chamada Rodovia do Frango, trecho de 400 quilômetros que BR-476, BR-153, BR-282 e BR-480, entre Paraná e Santa Catarina) e de quatro aeroportos (Porto Alegre, Florianópolis, Salvador e Fortaleza).

Com isso, o capital disponível no FI-FGTS ganha chance de ser direcionado a investimentos concretos. O fundo tem como objetivo usar recursos do FGTS para investir em energia, ferrovias, portos, saneamento, rodovias, hidrovias, aeroportos e na infraestrutura complementar a estes setores. Água e esgoto são considerados prioridade.

A Caixa acredita que uma “melhora” do cenário econômico também vai ajudar a retomar a liberação dos recursos. “O FI-FGTS dará continuidade à análise de oportunidades de investimento no setor de infraestrutura em 2016, tendo como base o pipeline de projetos aprovados ou em processo de aprovação, além de novas oportunidades que surgirem no setor, especialmente aquelas decorrentes dos programas de concessões em andamento. A melhora no ambiente econômico também deverá ajudar a ampliar as oportunidades de investimento e com isso elevar as alocações de recursos do FI-FGTS em uma maior quantidade de projetos”, afirma o banco, em nota.

Dilma sanciona sem vetos lei orçamentária para 2016

Valor Econômico – 15/01/2016

A presidente Dilma Rousseff sancionou ontem, sem vetos, a Lei Orçamentária Anual (LOA) 2016. A íntegra do Orçamento para este ano será publicada na edição de hoje do “Diário Oficial da União”. Em função da proibição do financiamento privado de campanhas eleitorais, Dilma manteve o total previsto para o fundo partidário, que foi elevado de R$ 311,4 milhões para R$ 819,1 milhões.

Os parâmetros empregados na elaboração do Orçamento levam em conta uma previsão de PIB negativo de 1,9% em 2016, inflação de 6,47% e Selic de 13,99%. Os investimentos previstos com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) somam R$ 20,3 bilhões. Os demais investimentos somam R$ 21,7 bilhões.

O projeto reserva R$ 1,8 bilhão para atualizar os gastos com salário mínimo, mas esse montante terá de ser acrescido, pois foi proposto com um reajuste que levaria o piso salarial para R$ 870,99. Posteriormente à aprovação do Orçamento, a presidente assinou decreto fixando em R$ 880 o mínimo. Técnicos da Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso avaliam que serão necessários mais R$ 2,9 bilhões para custear o novo valor.

Os parlamentares terão direito a R$ 9 bilhões em emendas individuais, conforme a regra do Orçamento Impositivo. Isso dará uma cota de R$ 15,3 milhões para cada um dos 513 deputados e 81 senadores. O texto aponta meta de superávit primário de R$ 30,5 bilhões (0,5% do PIB), sem a possibilidade de abatimentos. Caberá ao governo central economizar R$ 24 bilhões, e a Estados e municípios, R$ 6,5 bilhões. Para o governo central, a meta foi reduzida em R$ 10 bilhões para evitar o corte de recursos do Bolsa Família.

A previsão de receita conta com R$ 10,1 bilhões a serem obtidos com a volta da cobrança da CPMF partir de setembro, descontado o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), que será reduzido.

Os técnicos da CMO corroboraram, em informativo técnico publicado após a aprovação no Congresso, o excessivo “otimismo” do governo com a expectativa de receita. “Tendo em mente a atual conjuntura e o fato de que as receitas de 2015 serão R$ 173,9 bilhões inferiores ao projetado na lei orçamentária, antevemos que a execução do Orçamento de 2016 pode se frustrar diante do otimismo quanto às receitas, que terão que crescer no próximo ano R$ 169,8 bilhões, ou 16,5%.”

Governo sinaliza retomada com estímulo ao crédito para investimento

DCI – 15/01/2016

As sinalizações do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, apontam para uma retomada, ainda que tímida, do estímulo ao crédito pelo lado dos investimentos, diferentemente do que ocorreu na última década, com o incentivo ao consumo.

A avaliação é do professor de economia da ESPM, Orlando Assunção Fernandes, que pondera, entretanto, que os estímulos precisarão ser feitos sem oneração ao Tesouro Nacional, para que se cumpra o ajuste nas contas públicas neste ano.

Ontem, Barbosa se reuniu com bancos públicos e privados para discutir medidas de incentivo ao crédito. O líder da Fazenda tem defendido que os setores da construção civil, infraestrutura e agronegócio sejam foco prioritário das linhas de financiamento.

“As áreas mencionadas pelo ministro me parecem ser as mais adequadas nesse momento para serem foco de incentivo. Pois elas têm relação com o desenvolvimento da oferta, algo que não feito no País na última década. Pelo contrário. Foi dado incentivo em massa ao consumo”, afirma o professor da ESPM.

Orlando acrescenta que a falta de investimentos na oferta provocou uma queda no Produto Interno Bruto (PIB) potencial do Brasil, que saiu de cerca de 4% em 2010 para 2% em 2015. O PIB potencial é a capacidade que o País tem de crescer sem provocar pressões inflacionárias. “Investir em infraestrutura e construção civil é uma forma de desenvolver a capacidade produtiva para que, quando a demanda for retomada, não ocorra pressões inflacionárias. Você equilibra produção com consumo. Já o crédito ao setor agrícola é importante para alavancar o segmento exportador, que já está se beneficiando com o patamar do câmbio”.

O professor de administração do Instituto Mauá de tecnologia (ITM), Francisco Olivieri, é crítico ao caminho sinalizado por Barbosa. Na avaliação dele, o ministro indica que dará continuidade à política de incentivos setoriais dos três governos anteriores.

“Direcionar crédito traz desequilíbrios para a economia, pois alguns setores, nesse modelo, se desenvolvem menos que outros. O ideal é criar linhas de crédito de inovação para segmentos com potencial de agregar valor à economia”, analisa Olivieri.

Otto Nogami, do Instituto Insper, concorda com a avaliação de Olivieri, acrescentando que as áreas prioritárias listadas por Barbosa indicam que o financiamento tende a ir para as grandes empresas, em detrimento das pequenas e médias, repetindo o modelo de financiamento utilizado em períodos anteriores.

Olivieri comenta ainda sobre a proposta do governo feita para os bancos públicos, como o BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil (BB), de utilizar os pagamentos das “pedaladas fiscais” no oferecimento para criar as linhas de crédito. Para ele ainda, esses recursos, que somam cerca de R$ 60 bilhões, são insuficientes para impulsionar o crescimento da economia.

Já na opinião de Fernandes, apesar do montante não ser suficiente para reverter toda a queda no PIB, este traria, ao menos, um alívio ao indicador e pode servir como o início de um processo de desenvolvimento da oferta no País.

Além disso, afirma que, na atual conjuntura, é inviável estimular o crescimento de todos os segmentos da economia.

A preocupação comum dos economistas é o modelo financeiro a ser utilizado na criação das linhas de crédito. Para todos eles, o executivo não pode mais utilizar os recursos do Tesouro para subsidiar taxas de juros menores, como a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), atualmente em 7,5%. “Não há espaço fiscal para subsídios. Se isso acontecer, terá um impacto forte nas contas públicas, deteriorando ainda mais a percepção de risco do País”, alerta o economista da GO Associados, Alexandre Andrade.

Para Olivieri, será difícil, para Barbosa, convencer os bancos privados a conceder linhas de crédito com juros menores, em um momento em que o “risco do País” é alto.

Além disso, Andrade acrescenta que a crise de confiança no governo pode fazer com que os empresários fiquem receosos para tomar crédito.

Para ele, as medidas mais viáveis para a retomada de crescimento, atualmente, são o ajuste fiscal como forma de retomar credibilidade, o “destravamento” das agendas de concessões e parceria públicos-privadas (PPPs), além de maior segurança jurídica dos marcos regulatórios.

BNDES

Após um ciclo de alta puxado por investimentos de governos locais e avanços em parcerias público-privados (PPP), os desembolsos BNDES para os projetos de mobilidade urbana terão um tombo de 20% a 25% em 2016. A falta de dinheiro público para investir, diante da crise fiscal da União e dos Estados, inibe a chegada de mais projetos e, sem eles, 2017 também será ano de queda.

Corte de investimentos na Petrobras afeta toda a cadeia de fornecedores

O congelamento de investimentos e o corte de novos aportes na Petrobras vão gerar um efeito perverso na cadeia de fornecedores da estatal no Brasil e em Minas. A avaliação é do diretor regional da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), Marcelo Veneroso. Segundo ele, a paralisia nas encomendas do setor, que já anda a passos muito lentos, põe em risco empregos e até mesmo a permanência das empresas no mercado.
“Investir pouco é melhor do que nada, mas as notícias só vêm piorando. Até pouco tempo, uma ou outra empresa ainda conseguia fazer negócio. Mas com os novos cortes substanciais anunciados pela Petrobras, não se pode esperar mais nada dela. Vai ficar quase tudo parado”, lamenta Veneroso.
Na última terça-feira, o Conselho de Administração da estatal aprovou redução de 24,5% nos investimentos da companhia em quatro anos. A justificativa é a forte queda dos preços do petróleo e a valorização cambial. De acordo com fato relevante ao mercado, no período de 2015 a 2019, os aportes totais cairão a US$ 98,4 bilhões, contra os US$ 130,3 bilhões previstos anteriormente.
Segundo Marcelo Veneroso, o parque industrial depende de mão de obra especializada e por isso segura os empregos até onde pode. “Quando há uma perspectiva de melhora da economia, os fabricantes relutam para mandar o funcionário embora e o mantêm ocioso no quadro da empresa até as coisas melhorarem. Mas com o horizonte cinzento, fechado como o de agora, fica muito difícil sustentar a situação”, afirma.
7 mil demitidos
Veneroso diz que, no ano de 2015, foram 7 mil demissões no setor de máquinas e equipamentos só em Minas. No país, foram 40 mil demissões. “Se nada for feito, os cortes de pessoal vão aumentar até culminar com o encerramento das atividades”, diz.
Na avaliação do executivo, os juros para o setor produtivo deveriam ser reduzidos para incentivar a produção. Funcionaria como uma injeção de ânimo na desesperança que hoje toma conta dos empresários. As reformas política e tributária também são pleitos do setor, que reclama da inoperância do governo. “Hoje a única ferramenta que temos a nosso favor é o câmbio. Mas o ambiente de negócios está travado”, reclama.

Prévia do PIB tem queda de 0,52% em novembro

Valor Econômico

A economia brasileira seguiu perdendo tração no quarto trimestre de 2015, segundo cálculos feitos pelo Banco Central (BC). O Índice de Atividade Econômica do BC (IBC­Br), uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), aponta queda de 0,52% em novembro, após baixa de 0,55% em outubro (dado revisado de queda de 0,63%).

Mas a retração foi menor que a estimada pelo mercado. A previsão média das 17 instituições ouvidas pelo Valor Data era de contração de 0,8%. As
estimativas variavam de retração de 0,4% a 1,2% na leitura mensal

No ano, o IBC­Br aponta queda de 3,85% no dado observado (baixa de 3,88% com ajuste sazonal). Nos 12 meses encerrados em outubro, o indicador aponta retração de 3,53% na série sem ajuste (baixa de 3,63% no dado dessazonalizado). Devido às revisões constantes do indicador, o IBC­Br medido em 12 meses é mais estável do que a variação mensal. Em comparação com novembro de 2014, a baixa é de 6,14% na série observada (queda de 6,72% com ajuste).

Na média móvel trimestral, indicador mais utilizado para se tentar capturar tendência, o IBC­Br aponta nova baixa ao cair 0,57% em novembro após contração de 0,69% em outubro e de 0,55% em setembro, na série com ajuste. Sem ajuste, a média móvel aponta baixa de 1,59% em novembro, após baixa de 1,12% em outubro.

Embora seja anunciado como “PIB do BC”, o IBC­Br tem metodologia de cálculo distinta das contas nacionais calculadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador do BC leva em conta a trajetória das variáveis consideradas como bons indicadores para o desempenho dos setores da economia (agropecuária, indústria e serviços). A estimativa do IBC­Br incorpora a produção estimada para os três setores acrescida dos impostos sobre produtos. Já o PIB calculado pelo IBGE representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país durante certo período.

No Relatório de Inflação de dezembro, o BC projetou uma queda do PIB de 3,6% em 2015 e de 1,9% em 2016. Os analistas consultados para a confecção do boletim Focus estimam contração de 2,99% para este ano.

Para Fórum de Davos, corrupção e crise política ‘travam’ o País

O Estado de S.Paulo – 15/01/2016

O maior obstáculo para se fazer negócios no Brasil em 2016 é o fracasso da governabilidade do País. O alerta é do Fórum Econômico Mundial que, no dia 20, inicia seu evento anual na estação de esqui de Davos, na Suíça. Num informe publicado nesta quinta-feira, 14, sobre os maiores riscos globais para o ano, a entidade apontou para a crise política brasileira e a corrupção.

Numa pesquisa realizada com 13 mil empresários, 60% deles indicaram o “fracasso da governabilidade” como o maior risco para se fazer negócios no Brasil hoje. A taxa supera aqueles que consideram a falta de água ou de infraestrutura como os maiores problemas.

No restante do mundo, porém, a questão da falência da administração pública aparece apenas como o quarto maior risco e é apontado como problema para apenas 27% dos 13 mil entrevistados. Os maiores riscos globais, segundo Davos, seriam a imigração e mudanças climáticas em 2016.
“Fracasso na governança nacional é uma preocupação proeminente na América Latina, especialmente na América do Sul, onde a corrupção e a falta de confiança no funcionamento das instituições estão cada vez mais criando dificuldades para se administrar um negócio”, alertou.

O risco, segundo explica a pesquisa, se refere à “incapacidade de governar uma nação, o que é a causa ou resultado de fatores como um fraco estado de direito, corrupção, comércio ilegal, crime organizado, impunidade e impasse político”.
Na avaliação do fórum, o “fracasso na governança mina a competitividade dos países, a criação de empregos e o desenvolvimento econômico”.

Davos também aponta que empresas são obrigadas a lidar com riscos adicionais ao operar em países com uma administração fraca: um ambiente imprevisível e seguir padrões, quando o próprio governo não segue os seus.

Infraestrutura. Outro obstáculo brasileiro e latino-americano é a situação da infraestrutura, considerada ainda como inadequada. Para Davos, novos investimentos no setor poderiam “estimular a economia e fortalecer a resistência da região a riscos globais”.

Por fim, a queda nos preços de commodities também se apresenta como um risco numa região que tem suas exportações baseadas em minérios, petróleo ou produtos agrícolas.

“Preços baixos das commodities reforçam os desafios existentes, como a elevada dívida pública e crescimento econômico baixo”, indicou. “Isso está associado a um aumento d um risco de uma crise fiscal.”

Ao Estado, a economista-chefe de Davos, Jennifer Blanke, alertou que o Brasil desperdiçou sua chance de fazer reformas enquanto existia um boom nos preços de commodities. “Agora, será muito mais difícil”, disse.

A presidente Dilma Rousseff era uma das figuras mais aguardadas no fórum neste ano, já que parte dos 2,5 mil empresários esperava ouvir da brasileira o que ela pretende fazer para restabelecer a confiança em seu governo. Mas ela acabou cancelando sua viagem e o Brasil, neste ano, desembarca com uma delegação pequena.

O governo será representado pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, pelo ministro de Minas e Energia, Eduarda Braga, e pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho.

Mais de 50 chefe de governo ou Estado estarão neste ano na “Montanha Encantada” de Davos, entre eles o argentino Mauricio Macri, o mexicano Enrique Pena Nieto, o colombiano Juan Manuel Santos, mas também Alexis Tsipras (Grécia), David Cameron (Reino Unido), Joe Biden (Estados Unidos) e o canadense Justin Trudeau.

Redação On janeiro - 15 - 2016
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