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Tera-feira, 26 de Setembro de 2017






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Decepção com os emergentes

Correio Braziliense – 11/01/2016

Os países emergentes despontaram, na década passada, como os motores da economia global. No auge da euforia, chegou-se a projetar que, com a nova ordem, a produção de riquezas do Brics — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — ultrapassaria a do G7, grupo das sete maiores economias do mundo, até 2030. O que se vê agora, no entanto, é um racha. A China ainda é protagonista, apesar da severa desaceleração, a Índia mantém o vigor, Rússia e Brasil desandaram, mergulhando numa grave recessão, e a África do Sul segue seu papel de mera coadjuvante. Nada indica, portanto, que a previsão vai se concretizar. Responsável pela maior decepção do acrônimo, o Brasil empurrou, além do próprio, o futuro do Brics para depois.

Na avaliação de Barry Eichengreen, professor de economia e ciência política da Universidade Berkeley, na Califórnia, a ideia de que os mercados emergentes têm a capacidade de crescer mais rapidamente do que as economias avançadas permanece intacta, apesar de tudo. “Eles vão continuar a representar uma parcela crescente do Produto Interno Bruto (PIB) global ao longo do tempo. Mas não vão crescer até 2030 tão rapidamente quanto ocorreu nos últimos 10 anos. Acho que 2030 pode ser um pouco cedo demais para a data do cruzamento, quando os mercados emergentes e os países em desenvolvimento representarão mais da metade do PIB global”, afirma.

Nessa postergação, o Brasil tem papel fundamental ao perder as características que o credenciavam a fazer parte do grupo. Mas, para entender por que, é preciso saber o que era a nova ordem global. O termo Bric foi criado em 2001 pelo economista inglês Jim O’Neill — a letra S, de África do Sul (em inglês South Africa) foi agregada pelos integrantes do bloco, sem o seu consentimento — para denominar o conjunto de países com bom crescimento econômico, estabilidade política, mão de obra em grande quantidade e em processo de qualificação e diminuição da desigualdade social, entre outras características em comum.

Barbeiragens
A confiança nos emergentes era tamanha, que, em 2013, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) reconfigurou radicalmente o mundo do século 21, anunciando que as nações em desenvolvimento assumiriam a liderança do crescimento econômico, ao retirar centenas de milhões de pessoas da pobreza e levar bilhões a integrar uma nova classe média mundial. “A ascensão tem decorrido a uma velocidade e escala sem precedentes. Pela primeira vez, em muitos séculos, os emergentes, no seu conjunto, serão o motor do crescimento econômico global e das mudanças sociais”, diz o relatório daquele ano, que ainda estima: até 2020, a produção conjunta das três principais economias do Brics — China, Brasil e Índia — terá superado a produção agregada de Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França, Japão, Itália e Canadá.

Com as crises de Brasil e Rússia e a forte desaceleração da China, isso não vai ocorrer. A última previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI), feita em outubro de 2015, aponta quo o PIB do G7 somará US$ 41,9 trilhões em 2020, enquanto a produção de riquezas dos cinco países do Brics será de US$ 24,7 trilhões. Marcos Troyjo, diretor do BricLab da Universidade de Columbia, em Nova York, admite que houve um sério desapontamento. “A China não cresce mais 10% ao ano. A Rússia, que prometia uma economia em transição, com estoque de capital muito importante, também teve um freio. Mas a maior decepção foi o Brasil, por conta da falta de reformas competitivas, além das barbeiragens macroeconômicas que a gente conhece”, avalia.

Troyjo explica, contud o, que houve uma mudança. “Aumentou muito a importância dos emergentes, porque os desenvolvidos também frearam. Não tem nada muito brilhante vindo da Europa, e os Estados Unidos demoraram muito para retomar o crescimento”, lembra. Ele destaca que a Índia, que é a economia mais promissora, com previsão de crescimento na faixa de 8%, teve alívio porque é importadora de petróleo e foi beneficiada, na balança comercial, com o preço baixo da commodity. “A Índia também aproveitou o aumento do custo de produção na China, o que fez a demanda por mão de obra migrar para lá”, emenda.

Ajustes
Na visão do diretor do BricLab, a situação do Brics está tão polarizada, que o grupo foi segmentado em Chíndia e Brússia, com o primeiro grupo avançando, ainda que mais lentamente, e o segundo atolado na recessão. “No caso da Rússia, a recuperação passa pelo fim das sanções que existem desde que decidiu incorporar a Criméia, em 2014, e entrou em guerra com a Ucrânia. Como houve uma aproximação contra o terrorismo, pode haver uma atenuação. A normalização vai melhorar a situação do país”, analisa. A Rússia amargou queda no PIB de próxima de 4,5% em 2015 e deve encolher 3,5% neste ano.
No caso do Brasil, diz Troyjo, a instabilidade política impede a recuperação do equilíbrio econômico. As medidas de ajuste precisam ser aprovadas pelo Congresso. Mas não se consegue fazer reformas estruturantes porque o Executivo é fraco e tem as mãos atadas pela eventual perda do poder, com o impeachment. “Enquanto isso, o Legislativo opera sempre na micropolítica, sem tomar decisões importantes para a agenda do país”, observa.

Acomodação
Na opinião de Celina Ramalho, doutora em economia pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e conselheira do Conselho Federal de Economia (Cofecon), a acomodação do Brics é um fato, mas não deve retirar a importância dos países na ordem global a longo prazo. “Jim O’Neil, que cunhou essa expressão Brics, há dois anos criou o acrônimo Nint, de Nigéria, Indonésia e Turquia. Juntos, Brics e Nint incorporam entre um terço e a metade dos recursos produtivos do mundo, dos mercados consumidores e das transações financeiras. Ou seja, tudo o que teoricamente está em movimento no ciclo econômico”, ressalta.

Baixa produtividade atrapalha

Correio Braziliense – 11/01/2016

O lento crescimento da produtividade nos países emergentes é o principal motivo para a desaceleração de algumas economias e a paralisia de outras, afirma o professor Barry Eichengreen, da Universidade Berkeley, na Califórnia. “Escrevi um livro sobre a Europa em 2008 chamado A economia europeia desde 1945: capitalismo coordenado e além, que, agora, se aplica a mercados emergentes”, diz. Na publicação, o professor explica que, atrasada em relação aos EUA depois da Segunda Guerra Mundial, a Europa precisou investir para correr atrás do prejuízo, com forte ajuda do Estado.

Para alcançar a produtividade capaz de realmente eliminar a lacuna face à maior economia do mundo, foi preciso, porém, o Estado dar um passo atrás e permitir que o mercado desempenhasse um papel maior. “É o que ocorre agora nos emergentes. É hora de o Estado recuar para o mercado fazer sua parte e aumentar a produtividade. Mas é difícil para os governos dar esse passo atrás”, diz.

Nova matriz
O especialista lembra que a insistência da política econômica brasileira, baseada na “nova matriz econômica” — estímulo ao crédito, mais inflação e expansão dos gastos públicos —, provocou o atraso. “Esse modelo teria que ter vindo com medidas do lado da oferta, com as reformas estruturais, para impulsionar o crescimento da produtividade. Alguns economistas brasileiros com quem converso afirmam, e eu concordo, que o Brasil precisa de duas mãos na política econômica, enfatizando tanto a oferta quanto a procura”, argumenta.

Eichengreen assinala que os preços das commodities, que permitiram ao Brasil fazer um grande processo de distribuição de renda, estiveram elevados demais no passado, mas, neste momento, estão artificialmente baixos. “Os preços dessas mercadorias com cotação internacional vão se recuperar e voltar aos patamares de 2008 a 2010. De qualquer forma, o Brasil tem que diversificar a sua economia”, diz.

Crescimento econômico de Brasil e China se estabiliza, diz OCDE

Na Grã-Bretanha e nos EUA, indicador aponta para enfraquecimento.
Indicador econômico visa capturar os pontos de virada econômicos.

As condições econômicas estão se estabilizando no Brasil e na China e a perspectiva é de crescimento estável na zona do euro, enquanto as economias dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha estão perdendo força, disse a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta segunda-feira (11).

A OCDE informou que seu indicador econômico, que tem o objetivo de capturar os pontos de virada econômicos, mostrou sinais de estabilização tanto na China quanto no Brasil.

“Na Grã-Bretanha e nos EUA, o indicador aponta para enfraquecimento do crescimento, embora em níveis relativamente altos”, disse a organização em um comunicado.

“Entre as principais economias emergentes, os índices da China e do Brasil confirmam sinais de estabilização, indicados na avaliação do mês passado”, completou. “Na Rússia, o indicador prevê que o crescimento está perdendo ritmo enquanto o da Índia sinaliza crescimento em fortalecimento.”

Em um índice onde 100 representa a média de longo prazo, a OCDE disse que a economia da zona do euro continuou em 100,6 em sua última revisão das condições, com a Itália e França em 100,9.

A leitura dos EUA caiu para 99,1 de 99,2, enquanto a da Grã-Bretanha foi a 99,1 de 99,3.

A China ficou em 98,4, acima dos 98,3 do relatório anterior. A leitura do Brasil subiu para 99,5 de 99,3, enquanto a da Rússia foi de 99,6 a 99,4.

Fonte: G1

 

 

PC chinês já divide com o mercado o comando da economia

Valor Econômico – 11/01/2016

A convulsão no mercado de ações da China na semana passada alimentou um dos piores temores dos investidores: a segunda maior economia do mundo está em apuros e suas autoridades não têm poder para consertar a situação.

A verdade é menos assustadora, mas ainda preocupante. A China está tentando mudar o modelo de crescimento econômico para um ritmo mais lento, mais seguro e menos dependente dos gastos de capital e de dívida. Os tecnocratas sabem que isso significa abertura cada vez maior às forças do mercado, mas a elite dominante ainda não está disposta a aceitar a perda de controle.

A economia da China é hoje aberta o suficiente para impedir que o Partido Comunista simplesmente determine seu resultado preferido e espere que isso aconteça. Os investidores dentro e fora do país agora também têm influência. O
resultado é que, à medida que o crescimento desacelera, os dirigentes chineses tentam repetidamente domar a turbulência gerada nos mercados, muitas vezes piorando ainda mais a situação. Se esse instinto intervencionista, em última análise, vai descarrilar a transformação da economia ou não é uma questão em aberto.

O colapso do mercado da semana passada é um exemplo desse desafio. Após uma série de medidas tomadas para deter a bolha de ações em meados do ano passado, os reguladores de mercado da China propuseram novos “circuit braker” ­ ou ferramentas para interromper a negociação por 15 minutos se o principal índice da bolsa subir ou cair mais de 5%, ou ainda fechar totalmente o pregão se o índice se mover mais que 7%.

Mas a medida era muito ilimitada e irrealista, talvez um reflexo de uma aversão à elevada volatilidade inerente ao mercado. Os “circuit breakers” foram acionados quando notícias econômicas pessimistas e um yuan em queda provocaram uma disparada nas vendas. Isso acelerou o colapso e não deixou dúvida de que o “circuit braker” seria acionado novamente. As interrupções provocaram uma ansiedade que contagiou outros países.

Um estresse similar aflige a política cambial chinesa. O governo há muito mantém controle estrito sobre os fluxos de capital para fora de suas fronteiras, o que ajudou a manter o yuan atrelado ao dólar. Mas, para tornar o yuan uma moeda de reserva mais difundida, Pequim relaxou aos poucos esses controles.

Quando a economia começou a se desacelerar em 2015 e o Banco Popular da China (BC) cortou as taxas de juros, os investidores naturalmente procuraram levar capital para fora do país. O BC respondeu com uma desvalorização do yuan em agosto, descrevendo­-a como uma medida para dar ao mercado mais poder para determinar os movimentos da moeda.

Redação On janeiro - 11 - 2016
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