Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 23 de Setembro de 2017






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Crédito para exportação, micro e pequenas

O Globo – 08/01/2016

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, disse ontem que, seguindo o foco do governo de estudar medidas sem impacto fiscal, sua pasta vai propor à equipe econômica a melhora das condições do crédito, para aumentar a base exportadora brasileira e, ao mesmo tempo, assegurar maior capital de giro ao setor de construção civil e às micro e pequenas empresas. Ele citou como fator positivo o pagamento das “pedaladas fiscais” aos bancos públicos:

— O pagamento dos bancos públicos, do que se chamava “pedaladas”, proporcionou certa injeção de liquidez. Há um espaço adicional para se fazer alguma coisa do lado do crédito.

Segundo ele, o dinheiro para o crédito poderia sair do BNDES, da Caixa, do Banco do Brasil e do próprio FGTS. Perguntado se haveria chance de serem cobrados juros mais baratos nos empréstimos, Monteiro ponderou:

— O desafio é fazer algo para melhorar o crédito, sem que isso demande mais subsídios.

O ministro afirmou ao GLOBO que não há pacote de medidas:

— Vamos fazer as coisas sem “espetacularizar”, sem pacotes.

A questão do crédito para capital de giro de micro e pequenas empresas foi discutida na manhã de ontem, no Ministério da Fazenda, em reunião entre o ministro Nelson Barbosa e o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos.

Segundo Afif, um caminho vislumbrado pela equipe econômica é usar o dinheiro do BNDES, que tem taxas de juros menores do que as do mercado:

— Na próxima semana, haverá uma reunião com o BNDES.

A nova linha deverá ser limitada a R$ 3,6 milhões, como prevê a lei. Afif disse ainda que quer reduzir o custo do capital de giro, hoje entre 4%e 6% ao mês.

Inflação fecha 2015 com alta de 10,67%, a maior desde 2002

O Estado de S.Paulo – 08/01/2016

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2015 com alta de 10,67%, a maior taxa anual desde 2002 (12,53%), informou nesta sexta-feira, 8, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em dezembro, o índice teve alta de 0,96% ante 1,01% em novembro.

O resultado anual ficou próximo ao piso do intervalo das estimativas coletadas pela Agência Estado, que ia de 10,66% a 10,88%, com mediana de 10,78%. Em 2014, o IPCA havia sido de 6,41%.

Os chamados preços administrados são os principais responsáveis pela volta da inflação ao patamar de dois dígitos, o que não se via há 13 anos. Esses são os itens cujos preços são controlados pelo governo – como energia, gasolina, gás de cozinha e plano de saúde. Somente energia elétrica teve alta de 51% no ano.

O desequilíbrio nas contas públicas, segundo os especialistas, também contribui para a escalada dos preços em 2015. Isso ocorre porque o aumento dos gastos do governo injeta dinheiro na economia, o que estimula a demanda e, por fim, acaba gerando inflação na ponta da cadeia.

Os dados do IBGE confirmam a expectativa de rompimento do teto da meta perseguida pelo governo, que é de 4,5% com tolerância de 2,0 pontos porcentuais para mais ou menos. A última vez que isso aconteceu foi em 2003, quando o IPCA fechou o ano em 9,30% – o teto também era de 6,5% naquela época.

Em 2016, a expectativa é de que a inflação siga pressionada, podendo fechar, novamente, acima do teto da meta. Segundo as projeções de analistas do mercado financeiro divulgadas no último Boletim Focus, o IPCA de 2016 deve ficar em 6,87%.

Carta aberta. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, terá agora de escrever uma carta ao ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, para justificar publicamente os motivos que levaram ao estouro da meta de inflação. Isso porque em 1999 o governo federal adotou o sistema de metas de inflação para dar um sinal claro ao mercado. Desde então, em caso de descumprimento da meta, o presidente do BC precisa se explicar.

Em 17 anos, presidentes do BC tiveram de redigir esta carta aberta, encaminhada ao ministro da Fazenda, em três ocasiões. A última vez que isso aconteceu foi em 2003, quando Henrique Meirelles teve de se explicar ao ministro Antonio Palocci. A carta deve conter uma descrição detalhada das causas que levaram ao estouro do teto, seguida de uma lista de providências para que a inflação retorne aos limites estabelecidos. Por fim, é preciso que o presidente do BC apresente um prazo para que tais providências surtam efeito.

Retorno da CPMF é essencial para que inflação possa ser reduzida, diz Dilma

DCI – 08/01/2016

“Não há como tirar um coelho da cartola para consertar os erros na economia.” A presidente Dilma Rousseff parafraseou o ministro da Casa Civil para defender que o equilíbrio fiscal é essencial para contenção da crise. Na leitura do governo, ajustes tributários devem convergir na redução da inflação e o caminho para atingir esse objetivo não pode ser travado pelo processo de impeachment na Câmara.

Durante encontro com jornalistas, ontem (7), Dilma classificou três medidas como essenciais para o equilíbrio fiscal, são elas: a volta da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF), a prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU) e a reforma previdenciária. Todas dependem de apoio do Congresso Nacional, porém, o primeiro e principal ponto negativo para as articulações do governo é a oposição do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que prioriza o impedimento na gestão da presidente.

Mobilização

“Com o equilíbrio fiscal, é possível garantir o superávit de 0,5% [do Produto Interno Bruto] e criar condições para trazer a inflação para o centro da meta”, disse Dilma. Ela acrescentou que fará o possível para atingir esse resultado no ano e assegurar que a inflação comece a convergir para o centro da meta, de 4,5%. “Todo o governo está empenhado em garantir” que 2016 seja melhor que 2015.

Em meio ao recesso entre deputados e senadores do Congresso, o governo federal tem articulado diálogos com partidos aliados, gestores estaduais, municipais e, agora, com a imprensa. As duas últimas semanas foram marcadas por reuniões do novo líder da Casa Civil, Jacques Wagner, fortalecendo a ideia de que a saída de Joaquim Levy não representou mudança na estratégia do Planalto.

Como argumento para as aprovações que precisa, Dilma enfatizou que parte dos recursos da CPMF irá para os estados e municípios e que estes aportes ajudarão a resolver os problemas graves da Saúde, por exemplo, principalmente no Rio de Janeiro. “Eu te asseguro que uma parte expressiva [da CPMF] resolve [o problema da saúde]”, disse, ao salientar que é necessária mais esta fonte de recursos.

A precariedade do sistema público de saúde fluminense ocasionou a contratação temporária de 2,5 mil profissionais, aprovada ontem, até o final deste mês. A medida, que tem possibilidade de ser prorrogada por dois anos, vai custar à União cerca de R$ 130 milhões anualmente.

Questionada a fazer uma avaliação sobre os erros que o governo cometeu nos últimos anos, a presidente afirmou que o maior deles foi não ter percebido o tamanho da crise que atingiria o País em 2015, “em decorrência de problemas internos e externos”.

Agora, “o Brasil não pode parar [pelo processo de impeachment]”, retrucou. Para ela, as questões de política interna são mais importantes, mas será necessária uma forte ação do governo para convencer os integrantes da Casa.

Desafio

Com o fim do recesso legislativo em 1º de fevereiro, o governo terá de promover uma mobilização da base aliada para fazer andar o projeto da volta da CPMF, o tributo sobre movimentações financeiras, e aprovar proposta da Reforma da Previdência, com a fixação de idade mínima para aposentadoria aos 65 anos. Só com a CPMF, o Planalto espera arrecadar cerca de R$ 10 bilhões, recursos previstos no Orçamento da União aprovado no mês de dezembro.

Em entrevista ao DCI, o líder do governo no Senado, José Guimarães (PT-CE), admitiu que a discussão está aberta sob bombardeio da oposição. “Estamos trabalhando para ver se a gente faz uma faixa de isenção”, comentou, sobre a estratégia do partido.

Antes mesmo da reabertura dos trabalhos, o presidente da Câmara, pretende apresentar os embargos de declaração da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, em dezembro, fez o processo do impeachment retornar à estaca zero. “Mesmo que tenhamos que reiterar depois da publicação, já há jurisprudência de que esses embargos podem ser apresentados com base nos votos dos ministros”, explicou.

Cunha vai cobrar do STF esclarecimentos da decisão que determinou nova escolha para os integrantes da Comissão Especial do impeachment. Desta vez, a chapa terá que ser composta por nomes indicados pelos líderes dos partidos, a votação deve ser aberta e o Senado poderá rejeitar o processo. Era tudo que o governo queria.

Mesmo que sufoque o processo, o presidente da Câmara avalia que o governo enfrentará impasses para emplacar novas propostas que envolvam aumento de tributos.

Para Cunha, a escolha da comissão especial do impeachment por votação secreta e a escolha de chapa alternativa por 199 dos 513 parlamentares mostrou a fragilidade do governo na Casa. O peemedebista avaliou que esse resultado mostra a falta de votos para aprovar o impedimento da presidente. São necessários 342 votos a favor para a abertura do processo.

Caso as medidas não passem no Congresso, o governo cogita a elevação de outros tributos, como a Contribuição por Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina. Basta a caneta do Executivo para entrar em vigor.

Taxa de juros ao consumidor sobe pelo 15º mês consecutivo, para o maior nível em sete anos

O Globo – 08/01/2016

As taxas de juros das seis principais linhas de crédito oferecidas por bancos e financeiras tiveram novo aumento em dezembro, completando 15 meses consecutivos de alta, segundo levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac). Na média, as taxas cobradas mês passado eram de 7,56% ao mês, ou 139,78% ao ano. É o maior patamar de juros desde janeiro de 2009.

O cartão de crédito foi a linha mais cara, com juros de 14,35% ao mês (399,84% ao ano), os mais altos desde 1995.

— Uma dívida de mil reais no cartão de crédito se transforma em R$ 4.998,43 em 12 meses — calcula Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor de pesquisas econômicas da Anefac.

O cheque especial tinha a segunda maior taxa do mercado: 10,76% ao mês e 240,88% ao ano. No crédito direto ao consumidor (CDC), a taxa média era de 2,28% ao mês e 31,07% ao ano. Os juros do comércio estavam em 5,50% ao mês. Já a taxa do empréstimo pessoal subiu a 4,40% nos bancos e a 8,04% nas financeiras.

— A tendência de alta dos juros em dezembro já era esperada. Há muitos fatores que podem aumentar a inadimplência, fazendo com que bancos e financeiras elevem ainda mais as taxas nas operações de crédito — explica Oliveira.

Ele cita, entre outros fatores, a questão política, que traz incerteza tanto para consumidores quanto para empresários, e a atividade econômica fraca, que aumenta o desemprego.

— Além disso, duas agências de classificação de risco rebaixaram a nota do Brasil, e a terceira deve fazer o mesmo. E, no cenário externo, temos a China trazendo uma nova onda de incertezas — diz Oliveira.

‘Vamos encarar a Previdência’

O Globo – 08/01/2016

A presidente Dilma Rousseff disse ontem que o governo fará grande esforço para que 2016 seja melhor do que 2015, ano em que a queda do PIB deverá se confirmar como a mais acentuada dos últimos 25 anos. Ela afirmou que é possível voltar a ter uma inflação dentro da meta até o fim do ano — ressaltando que o objetivo é levá-la ao limite de 6,5% — e avaliou que no ano passado as crises econômica e política se retroalimentaram. Em uma entrevista de quase duas horas a jornalistas que cobrem o Palácio do Planalto, Dilma disse que o governo se desgastou muito lutando contra as pautas-bombas, que, segundo ela, consumiram R$ 100 bilhões, mas que este ano a situação é outra, de maior consciência sobre a crise econômica dentro do próprio Congresso. Em um raro mea-culpa, admitiu que o maior erro do governo foi não ter percebido, ainda em 2014, o tamanho da desaceleração que ocorreria em 2015. Dilma repetiu seu ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, dizendo que não há “coelho na cartola” para a economia, mas prometeu “encarar” a reforma da Previdência e voltou a defender a aprovação da CPMF como fundamental, inclusive para que estados como o Rio de Janeiro consigam superar a crise na Saúde. Essas medidas, no entanto, sofrem resistências até na base do governo, seja por partidos de esquerda, caso da reforma da Previdência, ou por aliados que temem bancar novos impostos em ano eleitoral. No PT, o discurso da reforma da Previdência gerou reações imediatas. O senador Lindbergh Farias (RJ) criticou a presidente por trazer à tona o debate sobre idade mínima da aposentadoria: — É um erro colocar a reforma da Previdência no centro da pauta em um momento de conflito político como esse. Se a Dilma está preocupada com a questão fiscal, devia se concentrar em um esforço para o Banco Central baixar as taxas de juros.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) afirmou que antes de qualquer ação sobre a Previdência é preciso um pacto com as centrais sindicais: — Entendo que, no caso de uma reforma da Previdência, o melhor é realizá-la no primeiro ano de governo, e não foi possível fazê-lo. É um tema sensível. O primeiro passo é ser pactuado com as centrais para poder prosseguir. A oposição ironizou a autocrítica da presidente. — Pedir desculpas tem um limite. Ela não tem credibilidade para fazer uma agenda propositiva e vem com esse discurso — disse o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado.

SOBRE 2016
“Eu acho que esgotou o modelo de 2015 do quanto pior melhor. Está esgotado porque o pior atinge todo mundo de forma muito profunda. O melhor é retomar o crescimento, retomar o emprego. Nós temos que ter uma expectativa de que vai ser melhor o ano de 2016. Nós vamos lutar com unhas e dentes para que isso ocorra.”

ERROS
“O maior erro do governo, estou falando de 2014 e tem repercussão em 2015, (é que) nós, assim como muitos, não percebemos o tamanho da desaceleração que aconteceria em decorrência de efeitos externos e internos. Externos: crise das economias estratégicas com as quais nos relacionamos, ou seja, uma séria diminuição do crescimento de alguns países do mundo, que até hoje causa turbulência. E a queda brutal dos preços das commodities. Ligado a isso, nós também enfrentamos a pior seca desde que começamos a registrar seca.”

INFLAÇÃO
“Uma das melhores diferenças de 2016 para 2015 é que nós temos todas as condições para esse processo da redução da inflação ocorrer. Acho que de uma certa forma o mercado avalia um pouco nessa direção, de que os fatores que levaram ao aumento dos preços estão em declínio. Vamos fazer de tudo para perseguir também o superávit de 0,5%. Nosso objetivo é que ela (a inflação) volte o mais rapidamente para o centro da meta. O Banco Central está falando que nós olharemos isso num horizonte até 2017, a respeito dos 4,5%. Eu estou dizendo que nós queremos nos aproximar da banda de cima da meta (6,5%) o mais rápido possível este ano”.

REFORMA DA PREVIDÊNCIA
“Nós vamos encarar a reforma da Previdência sempre considerando que ela tem a ver com modificação. Primeiro: na idade, no comportamento etário da população brasileira. Nós estamos envelhecendo mais e morrendo menos. Nossa expectativa de vida nos últimos anos aumentou bastante. Não é possível que a idade média de aposentadoria no Brasil seja 55 anos. Os países desenvolvidos, emergentes, todos buscaram aumentar a idade de acesso à aposentadoria. E o outro caminho é o 85-95. Nos dois casos, uma coisa tem que ser considerada: não se pode mexer nos direitos adquiridos”.

CPMF
“Uma das formas (de resolver a crise na saúde) é aprovar a CPMF e destinar a metade para os estados e municípios, que querem destinar esse valor para a saúde.O pessoal da saúde sempre falou que faltava financiamento. Óbvio que tinha problema de gestão, mas precisava de novas fontes de financiamento. Acho que a CPMF não é só uma questão de reequilíbrio fiscal. No caso de estados e municípios, ela é uma questão de saúde pública.”

PAUTAS-BOMBAS
“Acho que houve uma relação entre crise econômica e crise política ao longo de 2015. Isso, inclusive, se expressou em alguns momentos nas pautas bombas de quase R$ 100 bilhões. Eu acho que havia também uma consciência baixa sobre a situação de crise. Acho que essa situação mudou. Não acredito hoje que alguém poderá fazer o que fez ao longo de 2015 que é considerar pautas bombas daquela dimensão.”

IMPEACHMENT
“Quais são as alegações existentes para a construção de uma crise política? Porque agora tudo vai ser julgado, tudo vai ser analisado. A partir do momento em que é analisado e julgado, fica claro quem é a favor e quem é contra. Eu não estou dizendo que tem que apoiar o governo para ser a favor do Brasil. Mas eu estou falando que tem que tomar algumas medidas a favor do Brasil que podem coincidir com aquelas que o governo propuser”.

PT E A GUINADA À ESQUERDA
“Eu acho muito bom que o PT tenha suas posições. Agora, o governo não responde só ao PT, só ao PMDB, só a qualquer um dos partidos da base aliada. Responde a todos, mas também responde à sociedade e às necessidades da sociedade”.

TEMER
“Está ótima a relação. Inclusive, eu ia encontrálo hoje. Mas, eu não vou poder encontrar.”

CORRUPÇÃO
“Sobre a minha conduta não paira nenhum embaçamento, nenhuma questão pouco clara. Ao mesmo tempo, como presidenta da República, eu entendo a diferença das diferentes operações que ocorreram no país e que vão permitir que, no médio e no longo prazo, tenhamos uma relação, não só dos agentes públicos, mas dos agentes privados, mais correta com a coisa pública. A impunidade no Brasil começou a ser de fato ameaçada e, doa a quem doer, as coisas são apuradas.”

VAZAMENTOS
“Eu tenho medo é da espetacularização e dos vazamentos. Eu tenho muito medo porque os vazamentos não se dão num quadro de apuração de responsabilidades. Quando eles se derem num quadro de apuração de responsabilidades, eu acho que é importante que sejam difundidos para a população. Agora, não é possível ter dois pesos e duas medidas para ninguém no Brasil. É só você fazer contagem de páginas de notícias que você descobre para quem (os vazamentos se dirigem).”

PETROBRAS
“A (situação da) Petrobras não é a Lava-Jato, a Petrobras é uma queda brutal do preço do petróleo, como a Vale é uma queda brutal no preço do minério.”

União pode usar recursos do FGTS para ampliar investimentos

Valor Econômico – 08/01/2016

Com um orçamento apertado, o governo não terá dificuldades para converter em investimentos parte dos R$ 22 bilhões pagos pelo Tesouro Nacional ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como parte do acerto de contas das “pedaladas fiscais”. Os recursos do FGTS podem ser usados, conforme legislação, para as áreas de habitação popular, saneamento básico e infraestrutura urbana. A elevação da verba destinada para cada área depende apenas de aprovação do Conselho Curador do FGTS.

Para ampliar os investimentos em infraestrutura com dinheiro do FGTS, o governo precisa apenas solicitar uma suplementação de recursos ao Conselho Curador, segundo fonte ouvida pelo Valor. Nos últimos anos, a equipe econômica só pediu suplementação, por área, quando o orçamento está totalmente comprometido. Como a maioria dos votos é do governo, não há como um pedido do Executivo ser negado, acrescentou um outro especialista na área.

Pelas regras vigentes, o Conselho Curador conta com 24 representantes ­12 do governo, 6 dos trabalhadores e outros 6 dos empregadores. Além disso, os recursos só podem ser destinados para viabilizar melhorias em saneamento, habitação e infraestrutura.

No caso do saneamento e infraestrutura, poderiam ser atendidas como obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), caso seja anunciada uma nova etapa. O orçamento do FGTS para este ano prevê a destinação de R$ 62,6 bilhões para habitação popular, R$ 7,5 bilhões para saneamento e R$ 12 bilhões para mobilidade urbana.

Segundo fontes que fazem parte do Conselho Curador do FGTS, a entrada dos recursos pelo acerto das “pedaladas” vai aumentar a disponibilidade para o fundo gastar no que quiser, inclusive nos programas governamentais e ajudar o resultado do FGTS. A previsão do Ministério do Trabalho, antes desse acerto de contas, era que o FGTS fechasse 2015 com um lucro líquido de R$ 13 bilhões. A próxima reunião ordinária do fundo está marcada para 22 de março, mas nada impede a convocação de um encontro extraordinário.

A presidente Dilma Rousseff quer apresentar na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, prevista para início de fevereiro, medidas para turbinar a economia brasileira. O boletim Focus, levantamento semanal do Banco Central (BC) com o mercado financeiro, prevê que o PIB deve ter retração de 2,95% neste ano.

Para tentar a reverter esse dado negativo, o governo federal pretende apostar no setor da construção civil, cuja retomada traz um resultado rápido para a economia e também para contratação de empregos. A dificuldade para atingir esse objetivo seria, no entanto, a falta de orçamento para investir, o que poderia ser resolvido, em parte, com o uso dos recursos do FGTS.

Segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, o importante no momento seria o governo federal fazer o pagamento de dívidas com o setor para que as obras possam ser concluídas.

“É preciso ainda focar investimentos e estimular as PPPs [parcerias público privadas) em todas as esferas de governo e as concessões”, disse Martins.

Pressionado por tarifas, alimentos e dólar, IGP-­DI sobe 10,7%, maior alta desde 2010

Valor Econômico – 08/01/2016

O câmbio e a alta dos alimentos in natura pressionaram o Índice Geral de Preços ­ Disponibilidade Interna (IGP­-DI) em 2015. O indicador encerrou o ano em 10,70%, ante 3,78% em 2014. Foi a maior alta desde 2010 (11,30%). Para o superintendente adjunto de Inflação do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Salomão Quadros, o índice deve arrefecer no começo de 2016 porque o dólar tem subido, mas não na mesma intensidade e frequência de 2015.

Quadros ressalva: o indicador trouxe sinal preocupante no núcleo da inflação varejista, que exclui maiores altas e quedas. Para ele, o núcleo sinaliza expressiva inércia inflacionária para este ano.

A alta respondeu à forte desvalorização cambial de em 2015, que influenciou principalmente preços no atacado, com peso de 60% no IGP-­DI. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), subiu 11,31% no ano passado, contra apenas 2,15% em 2014. “Além do câmbio, houve forte aceleração da inflação de alimentos in natura, de 2,06% para 32,04% entre 2014 e 2015”, acrescentou Quadros. Só em dezembro o IPA desacelerou com força, de 1,41% em novembro para 0,33%, afetado pela queda do minério de ferro (­7,95%).

Os preços ao consumidor (IPC) dispararam principalmente por causa da alta dos administrados, como energia elétrica e gasolina, e também ajudaram a pressionar. O IPC tem peso de 30% no IGP­DI. Em 2015, o IPC subiu 10,53% (6,87% em 2014). O subíndice também desacelerou de 1% em novembro para 0,88% em dezembro.

Mesmo citando outras influências, ao detalhar o cenário inflacionário do ano passado, Quadros classificou o impacto do câmbio no atacado como principal motivo para o aumento do IGP­DI. A variação de preços no segmento materiais para manufatura, espécie de “termômetro” da influência do dólar nos preços devido à grande presença de importados e commodities, saltou de 1,99% em 2014 para 11,95% em 2015. O mesmo impacto cambial não deve se repetir, avalia.

“Hoje, o câmbio sobe, mas sobe pouco [em comparação com ano passado]. E sobe por incertezas no cenário internacional, como problemas na China, Irã e Arábia Saudita”, disse. “Mas ao mesmo tempo que está subindo nesse começo de 2016, o câmbio é acompanhado por forte desvalorização nos preços das commodities lá fora.” Para ele, a queda das commodities contribui para reduzir a aceleração dos preços no atacado. “Creio que, em janeiro, teremos uma taxa [mensal] do IGP­DI não muito diferente da de dezembro [0,44%].”

Para ele, é preocupante o patamar elevado do núcleo da inflação varejista. Esse indicador acelerou de 0,69% para 0,79% entre novembro e dezembro, e terminou o ano em 8,44% (6,14% em 2014). Houve, em 2015, frequência atípica de reajustes fortes em preços administrados, alimentos em alta e impacto cambial, que “contaminaram” o núcleo, afirmou Quadros.

Pressão da cúpula do PT dificulta o trabalho da equipe econômica

O Globo – 08/01/2016

A equipe econômica avalia que a pressão da cúpula do PT para que o governo adote medidas heterodoxas para recuperar a economia dificulta o trabalho do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, de convencer o mercado de seu compromisso com o ajuste fiscal. Integrantes do governo afirmaram ao GLOBO que algumas ideias propostas pelo partido, como usar reservas internacionais para estimular o crédito e baixar os juros num momento de alta da inflação, precisam ser deixadas de lado para que se reconquiste a confiança dos agentes econômicos. Nessa tarefa, Barbosa ganhou a aliada mais importante: a própria presidente Dilma Rousseff, que em café da manhã com a imprensa ontem, defendeu os pontos básicos da agenda do novo ministro, como a reforma da Previdência e o enxugamento da máquina pública.

O discurso da presidente foi importante especialmente porque os técnicos avaliam que a nova equipe tem quatro meses para sair da situação entre “a cruz e a caldeirinha”. Esse seria o prazo para dar algum fôlego à atividade sem as ferramentas do passado (como subsídios e desonerações) e ao mesmo tempo mostrar um trabalho firme pelo reequilíbrio das contas. Assim, Barbosa conseguiria agradar aos agentes econômicos sem se tornar persona non grata no partido.

— Temos que normalizar o ambiente de modo que o crescimento entre na agenda sem deixar de lado o fiscal. Isso vai ficar claro aos poucos. Precisamos de tempo para mostrar alguns resultados — afirmou um técnico, citando como um primeiro passo importante o pagamento das “pedaladas” fiscais.

A troca de Joaquim Levy por Barbosa no comando da Fazenda criou no PT a expectativa de que o novo ministro partiria para uma política mais agressiva para tirar o país da recessão, incluindo medidas que causam arrepios no mercado, como redução dos juros na marra e estímulos ao crédito com o uso de reservas internacionais. No entanto, as primeiras falas de Barbosa, em defesa de ajuste e reformas previdenciária e trabalhista, desagradaram à cúpula do partido. O presidente do PT, Rui Falcão, cobrou do governo a adoção de medidas mais ousadas na economia. O ex-presidente Lula também tem conversado com o Planalto sobre a urgência de medidas para reverter a recessão.

CENÁRIO DEVE AJUDAR MINISTRO Os integrantes das equipe econômica afirmam que defender o uso das reservas internacionais para incentivar o crédito demonstra desconhecimento. Eles lembram que vender reservas e usar o dinheiro para gastos públicos significaria deteriorar ainda mais as contas públicas.

Outro elemento que deve ajudar a acabar com a encruzilhada, dizem os técnicos, é que o cenário econômico estará melhor no segundo trimestre. O câmbio, por exemplo, não terá a mesma desvalorização de 2015, a balança comercial continuará melhorando, a inflação será um pouco menor. Isso, apostam, deixará o PT mais aberto ao discurso de Barbosa ao mercado.

A área econômica também aposta que, em quatro meses, o processo de impeachment terá sido concluído, dando segurança à presidente para tocar as reformas mais polêmicas. Interlocutores do Palácio afirmam que, por cautela, não haverá movimento na Previdência e nem na área trabalhista nos primeiros meses de 2016.
— Nada vai ser feito antes de resolver o impeachment — afirmou uma fonte do Planalto — O governo não quer ganhar a antipatia dos sindicalistas e nem contrariar a base no Congresso.

A área econômica conta com a ajuda de alguns interlocutores no Congresso que podem ajudar na aprovação de medidas do ajuste e também a construir o discurso moderado de que Barbosa precisa. Entre os petistas, além de ações pelo crescimento, há uma expectativa de que o ministro tenha um diálogo mais aberto com a base. Eles não querem ser surpreendidos pela imprensa com as propostas a serem enviadas ao Congresso, como Levy costumava fazer.

HORA DE AFINAR OS DISCURSOS
O líder do governo na Comissão Mista de Orçamento (CMO), deputado Paulo Pimenta (PT-RS), foi quem encampou as posições de Barbosa na CMO, onde ele e Levy travaram as principais batalhas fiscais no fim do ano:

— O ministro tem consciência da gravidade da crise e tem compromisso com a responsabilidade fiscal. O melhor seria uma reunião da bancada do PT para ajustar o discurso e falar a mesma língua. É preciso encontrar medidas que reaqueçam a economia e não tenham impacto na inflação, no fiscal. É essa a equação que todos estão tentando fechar — disse Pimenta, admitindo que “todos no PT” defendem a queda dos juros.

Redação On janeiro - 8 - 2016
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