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Problemas na China devem respingar em toda a economia global

Valor Econômico – 08/01/2016

Se as notícias de economia dos últimos seis meses ensinaram alguma coisa ao mundo é que uma retração econômica na China não pode ser ignorada. A pergunta é se o restante do mundo sentirá uma marolinha ou um tsunami.

O FMI prevê que a China ­ atualmente a maior economia do mundo, em termos de quantidade produzida de bens e serviços, ­ responderá por quase 18% da atividade econômica mundial em 2016. Isso implica que a queda de sua taxa de crescimento, a partir de uma expansão de mais de 10% em 2010, para os 6,3% previstos para este ano, ceifou diretamente cerca de 0,75 ponto percentual da taxa de crescimento mundial.

Os efeitos decorrentes do contágio são mais amplos do que esse cálculo direto. Maury Obstfeld, o economista­-chefe do FMI, disse que suas maiores preocupações são essas reações em cadeia em 2016. “Os efeitos de contágio mundiais da redução da taxa de crescimento da China (…) têm sido muito maiores do que teríamos previsto”, disse ele nesta semana.

Como a China afeta o mundo:
Comércio e câmbio Embora os volumes das importações da China ainda estejam crescendo, uma economia mais fraca que a prevista reduz a expansão das exportações de países dependentes da demanda chinesa por petróleo, metais, insumos e máquinas­-ferramenta.

Vizinhos dotados de cadeias de suprimentos integradas, como o Japão e a Coreia do Sul, são profundamente afetados; a Alemanha é o país em maior risco da Europa como produtor de bens de capital para a China, e países especializados em commodities como a Austrália também estão na linha de fogo. Mas os efeitos comerciais diretos raramente são fatores determinantes imediatos, e, na condição de maior exportador líquido do mundo, a China é mais dependente da economia mundial do que o contrário.

Uma das maneiras de amplificar os efeitos comerciais seria por meio de uma enorme depreciação do yuan, para tentar revitalizar o crescimento chinês puxado pelas exportações. O yuan caiu 6% no câmbio com o dólar desde julho, disseminando temores de uma guerra cambial, mas, em relação às moedas de seus parceiros comerciais maiores, a taxa de câmbio da China teve uma leve valorização em 2015. Uma guerra cambial ainda parece distante.

Petróleo e commodities
Preocupações com a força econômica da China são parte do motivo de mais uma queda sofrida pelos preços do petróleo, que arrastou a cotação do petróleo tipo Brent para uma nova baixa recorde dos últimos 11 anos ­ de menos de US$ 33 o barril ontem. A fragilidade dos preços do petróleo e de outras commodities empurrou a Rússia e o Brasil para recessões e comprometeu as finanças dos países do golfo Pérsico.

Os investimentos mundiais em extração de petróleo caíram, minando partes da economia americana e setores de outros países que abrigam fabricantes de bens de capital. Mas o baixo preço do petróleo e das commodities redistribui, em grande medida, perspectivas econômicas para todo o mundo, em vez de restringi­-las. Os países produtores de petróleo perdem, mas os consumidores, inclusive os chineses, ganham com essa retração, equivalente a uma redução dos impostos. O FMI ainda considera que o efeito líquido da queda dos preços das commodities é positivo. No pior dos casos, ele reduz as consequências mais graves de um crescimento da demanda chinesa inferior ao previsto.

Inflação e política monetária
Seja devido ao yuan mais desvalorizado ­ o que torna as mercadorias chinesas mais acessíveis ­, ao barateamento das commodities ou à queda da demanda na economia mundial, uma desaceleração na China esvazia as pressões inflacionárias, provocando temores de uma espiral deflacionária e defaults de dívida em todo o mundo. Mas inflação baixa proporciona às autoridades econômicas margem de manobra para manter uma política monetária mais frouxa por mais tempo nos Estados Unidos e no Reino Unido e facilita a flexibilização quantitativa na Europa, se as economias avançadas parecem sofrer de estagnação de preços. Os temores de uma espiral descendente são exagerados. Muitos desses preços mais baixos elevam a prosperidade dos consumidores em nível mundial e devem impulsionar a demanda em outros países, compensando as forças deflacionárias chinesas.

Confiança
Apesar de todos os outros efeitos da China sobre a economia mundial serem azoavelmente previsíveis e, potencialmente, terem poderes compensatórios, o efeito da fraca confiança tem o maior potencial de criar choques.

Seja através de turbulência nos mercados financeiros, a disposição das empresas no sentido de investir ou o desejo das famílias de apertar o cinto, a confiança na segurança da economia mundial é tanto vital para a prosperidade como quase totalmente imprevisível.

Na melhor das hipóteses, a confiança pode voltar rapidamente sem muito afetar as perspectivas da economia mundial, como aconteceu após a turbulência no verão passado em mercados também centrados na China. Mas como 2008 ensinou a todos, depois que a confiança desaparece, o efeito sobre a economia mundial pode ser grande ­ derrubando empresas, bancos, mercados e o sistema financeiro. Não admira que especialistas se perguntem como Andy Haldane, economista­chefe Banco da Inglaterra, fala dos mercados emergentes como sendo potencialmente a terceira perna da crise financeira mundial.

O efeito mais amplo dos renovados problemas chineses dependerá de se as pessoas e empresas vão esperar antes de tomar uma decisão de gastar e investir ­ ou seguirão fazendo­o.

México tem a menor inflação de sua história

Apesar da desvalorização da moeda, da alta do consumo interno e da alta geral na América Latina, o México registrou a menor taxa de inflação de sua história, tendo alcançado uma alta de preços ao consumidor de apenas 2,13% no ano, transformando-se na menor taxa desde o início da série histórica, em 1968.

Enquanto isso no Brasil, o mal desempenho do sistema econômico associado a diversos eventos negativos puxaram o motor da inflação pra cima e os reflexos já são visivelmente devastadores de acordo com os números apresentados por agências especializadas.

Mercado refaz contas com novo sobressalto da China

Folha de S.Paulo – 08/01/2016

A rápida desvalorização do yuan e os solavancos nas Bolsas chinesas, que interromperam negócios duas vezes nesta semana, deram uma amostra do impacto potencial que uma desaceleração maior do que a esperada na China terá para países emergentes produtores de matérias-primas, como o Brasil.

Maior comprador de insumos e de alimentos do mundo, o país asiático deve divulgar até o final do mês se cumpriu a meta de crescimento de 7% em 2015 (Banco Mundial e o mercado esperam 6,9%), além de estabelecer a meta para 2016. A expectativa é que reduza a até 6,5%, mas há analistas que veem expansão de 5,7% em 2016.

Dependendo da meta estipulada (e do resultado de 2015), o mercado tenta projetar o que acontecerá com o câmbio do yuan e os preços de alimentos e minerais.

Por esse motivo, cada indicador de tendência é aguardado e interpretado como balizador dessa meta. Foi o que ocorreu na segunda (4), com a produção industrial, e na quarta (6), com serviços.

Uma expansão mais vigorosa (perto de 7%) teria, em princípio, menor potencial de desvalorizar as commodities, portanto beneficiando o Brasil —70% das exportações brasileiras para a China são soja e minério de ferro.

Por outro lado, poderia sinalizar que a China deixará o yuan se desvalorizar com maior velocidade com o objetivo de aumentar a competitividade das exportações.

A China responde por quase um terço do desempenho da economia mundial. Apenas nesta semana, o yuan perdeu mais de 2% de seu valor em relação ao dólar. Desde agosto de 2015, flutua segundo uma banda cambial baseada no volume de negócios com moedas.

“A desvalorização do yuan é mais relevante para a economia mundial do que o que ocorre hoje na Bolsa. Significa que a transição para uma economia voltada ao mercado interno está acontecendo mais devagar do que o esperado e a China precisa continuar exportando”, disse Marco Troyjo, professor da Universidade Columbia (EUA).

OLHOS EM XANGAI

Desde o ano passado, porém, os analistas passaram a olhar o que ocorre na Bolsa de Xangai, principal praça financeira do país, também como um termômetro do que será o desempenho da economia chinesa no futuro.

Apesar de a Bolsa chinesa ser relativamente pequena (só 5% investem em ações) e isolada (quase não há fundos estrangeiros ou grandes investidores), trata-se de um mercado de “insiders” –são executivos que estão dentro das empresas que estariam vendendo ações por saberem que as vendas estão fracas, segundo esse raciocínio.

Esse seria um dos motivos que levaram as autoridades chinesas a limitar a venda de ações pelas próprias empresas, como forma de conter a sangria na Bolsa.

Outra medida foi suspender o mecanismo de “circuit breaker”, que interrompia os negócios pelo restante do dia quando a Bolsa recuava mais de 7%. Instituído em dezembro, ele intencionava dar tempo aos investidores de esfriarem os ânimos e reavaliarem os cenários.

Foi suspenso, porém, na madrugada da sexta (tarde de quinta no Brasil), porque os investidores chineses estavam correndo para vender as ações antes da interrupção dos negócios. Nesta quinta (7), a Bolsa parou de funcionar após 28 minutos.

Para conter a venda maciça de ações, a Comissão Reguladora das Bolsas anunciou ainda novas regras que limitarão a venda de papéis a um máximo de 1% do total de uma companhia.

Com isso, grandes acionistas, que detêm 5% ou mais de uma empresa, não poderão negociar mais de um 1% do total em um prazo de três meses. Também deverão anunciar seus planos de venda ao menos 15 dias antes.

ANALISTAS

A Folha ouviu também seis analistas sobre o cenário chinês e seus impactos no Brasil. Confira:

*

Vitor Salgado/Valor/Folhapress

“Grande parte do impacto direto da desaceleração da China sobre a atividade econômica já aconteceu: a queda dos termos de troca e a redução dos investimentos na cadeia de commodities metálicas. O espaço para queda nos preços é limitado, pois a demanda do setor imobiliário já teve parte importante do ajuste.”

Fabiana D’Atri, economista do Bradesco

“O Brasil passou os últimos sete anos surfando na economia chinesa, mas era previsível que essa desaceleração ocorreria e não nos preparamos para isso. Mas acredito que o impacto mais significativo para o país já foi dado: as exportações brasileiras já caíram.”

Luiz A. de Castro Neves, embaixador na China de 2004 a 2008

“A Bolsa de Xangai tem sido olhada pelos mercados mundiais como uma representação da economia chinesa. Se o índice cai, os investidores já imaginam que a economia vai entrar em colapso. Mas isso não faz sentido, porque ela não é como as outras.”

André Soares, ex-coordenador de pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China

“Uma desvalorização maior na China poderá afetar mais as importações do Brasil do que as exportações. A melhora na balança comercial brasileira ocorreu pela queda na importações; se houver uma reversão disso, o real também precisará se desvalorizar mais.”

Hsia Hua Sheng, professor da FGV

“A verdadeira crise brasileira virá quando a China desvalorizar para valer o yuan. A moeda chinesa pode perder até 50% do seu valor, arrastando junto a maioria das moedas emergentes. Imagine para onde vai o real, as contas externas e o calote das empresas brasileiras.”

Marcelo Ribeiro, estrategista da Pentágono Asset

“Mesmo com a desaceleração, a China contribui com quase um terço do crescimento global há quase dez anos. A baixa no preço das commodities ocorre mais pela superoferta nos países emergentes do que pela desaceleração na China.”

Marcos Troyjo, professor da Universidade Columbia

 

 

Mercado de trabalho avança nos EUA e melhora perspectiva econômica

A criação de vagas fora do setor agrícola somou 292 mil no mês passado.

A taxa de desemprego permaneceu na mínima de 7 anos e meio, de 5%.

O crescimento do mercado de trabalho nos Estados Unidos avançou em dezembro e a criação de vagas nos dois meses anteriores foi revisada acentuadamente para cima, sugerindo que a recente desaceleração do crescimento econômico puxada pela indústria será temporária.

A criação de vagas fora do setor agrícola somou 292 mil no mês passado, informou o Departamento do Trabalho nesta sexta-feira (8). A taxa de desemprego permaneceu na mínima de 7 anos e meio, de 5%, mesmo que mais pessoas tenham entrado na força de trabalho, em um sinal de confiança no mercado de trabalho.

Os relatórios de outubro e novembro foram revisados para cima para mostrar a criação de 50 mil vagas a mais do que anteriormente divulgado, dando um tom mais otimista ainda ao relatório.

O único ponto negativo foi a queda de US$ 0,01 na renda média por hora, mas o que muito provavelmente é causado pelos efeitos do calendário, que devem se reverter no relatório de janeiro.

Os dados sólidos de criação de vagas devem amenizar os temores dos investidores com a saúde da economia, e sugerem que a fraqueza recente da atividade é praticamente limitada aos setores industrial e orientados para a exportação, que têm sido atingidos pelo dólar forte e pela demanda global fraca. Os esforços das empresas em reduzir o excesso de estoques e os cortes de gastos das companhias de energia também têm atrapalhado.

Na sequência de relatórios fracos da indústria, gastos da construção e crescimento das exportações, economistas cortaram suas estimativas de crescimento do quarto trimestre nesta semana em até 1,0 ponto percentual da taxa anual. A economia cresceu à taxa de 2% no terceiro trimestre do ano passado.

Embora a resiliência do mercado de trabalho seja um ponto a favor de mais uma alta dos juros em março, economistas disseram que a turbulência nos mercados financeiros e as preocupações entre os membros do Fed sobre a inflação baixa sugerem que o banco central norte-americano pode aguardar um pouco mais.

 

Brasil deve manter volume de exportação para a China, mesmo com queda do yuan

Valor Econômico – 08/01/2016

A desvalorização gradual do yuan desde agosto do ano passado tem sido marcada por solavancos no mercado, mas o efeito sobre a balança comercial brasileira deve ser marginal. Para analistas, a desaceleração da economia chinesa se reflete sobre os preços de commodities, principais produtos exportados para o país, mas os volumes de desembarques de matérias-primas ainda devem subir em 2016.

Ao mesmo tempo, a maioria dos analistas não acredita que a perda de valor da moeda chinesa irá elevar muito a competitividade das manufaturas do país e prejudicar o incipiente movimento de recuperação de mercados externos pela indústria brasileira.

Para os analistas, as rodadas de desvalorização do yuan promovidas pelo governo chinês não são uma tentativa de reaquecer o setor externo. “A contribuição das exportações líquidas para o crescimento da China vem diminuindo e, para estimular o setor, a desvalorização teria que ser muito maior do que a que estamos observando”, diz Livio Ribeiro,pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre­FGV), que descarta essa intenção.

Ribeiro acredita que ainda podem ocorrer movimentos adicionais de perda de valor do yuan, em função do aumento da liberdade de fluxo de capitais na China. “O governo mudou a regra de determinação da taxa de câmbio e esse não é um sinal negativo. Tornar a conta de capitais mais porosa significa que o câmbio vai depender mais de oferta e demanda, de movimentos de mercado”, diz ele.

Para Bruno Lavieri, economista da 4E Consultoria, Pequim está apenas corrigindo parte das distorções observadas nos meses anteriores, quando o câmbio se encontrava artificialmente valorizado, e não forçando uma desvalorização.

“Se levarmos em conta o diferencial de inflação entre a China e os Estados Unidos e os movimentos cambiais recentes,na verdade a moeda chinesa ainda está apreciada”, diz Lavieri.

O foco da administração chinesa, diz ele, continua a ser a transição para uma economia mais voltada para o consumo doméstico e menos para o setor industrial.

Para ele, não são as oscilações cambiais na China que vão determinar o sucesso da retomada de mercados pela indústria do Brasil. “A recuperação das manufaturas passa por outros parceiros comerciais, como Argentina e os Estados Unidos. Não é isso que vai mudar o jogo.”

Rodrigo Branco, pesquisador da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), também não acredita que a competitividade dada pela queda do real em relação ao dólar está ameaçada. “Tivemos quase uma maxidesvalorização e os movimentos do yuan são mais suaves. Pensando estritamente em competitividade, ainda saímos ganhando nessa evolução recente.”

Welber Barral, ex­secretário de Comércio Exterior, levanta uma preocupação. A desvalorização do yuan tende a ter um efeito colateral ­ a perda de valor das moedas dos demais países asiáticos ­ e esse movimento pode fazer com que o Brasil perca competitividade nos mercados internacionais. “Infelizmente, pode afetar a tentativa por parte da indústria de voltar a exportar.”

Barral avalia que os movimentos recentes da moeda chinesa também se refletem sobre as commodities. “A queda do yuan significa perda de poder de compra do chinês e menor demanda interna, então há pressão para redução do valor de alguns produtos, como soja e minério de ferro”, afirma ele.

Branco, da Uerj, acredita que a cotação em trajetória descendente das commodities é uma resposta à desaceleração da economia chinesa, movimento que já está em evidência há algum tempo e que não deve ser particularmente influenciado pela evolução da taxa de câmbio. “É um efeito marginal. Os preços já estavam caindo e se olharmos para os volumes exportados, eles ainda estão em alta.”

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), dos cinco principais produtos da pauta de exportação brasileira para a China, em todos as quantidades aumentaram em 2015, com queda nos valores por causa do efeito­-preço.

Redação On janeiro - 8 - 2016
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