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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017






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Preços da indústria caem 0,28% em novembro, diz IBGE

Em 12 meses, índice ficou em 9,55%, e no acumulado do ano, em 9,35%. Entre as 24 atividades, 12 apresentaram variações positivas de preços
Os preços da indústria caíram 0,28% de outubro para novembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O acumulado no ano foi de 9,35%, contra 9,66% em outubro. O acumulado em 12 meses foi de 9,55%, contra 10,89% em outubro. Entre as 24 atividades das indústrias extrativas e de transformação, 12 apresentaram variações positivas de preços, contra 18 do mês anterior.
O Índice de Preços ao Produtor (IPP) mede a evolução dos preços de produtos “na porta de fábrica”, sem impostos e fretes.
O índice de preços ao produtor mede as mudanças nos preços de oferta, portanto, é um acompanhamento da variação média dos preços de produção de bens e serviços. O índice levanta setores que estão na base da cadeia (produtores de bens intermediários, por exemplo) e outros no topo (produtores de bens de consumo).
O IPP está restrito às indústrias extrativas e de transformação. No futuro todas as atividades econômicas (setor de serviços, agricultura etc) serão incorporadas no índice, segundo o IBGE.
Atividades e setores
Em novembro, as maiores influências na variação de -0,28% vieram das indústrias extrativas,  refino de petróleo e produtos de álcool, alimentos e outros produtos químicos.
Em 12 meses, influenciaram mais alimentos, outros produtos químicos, papel e celulose e outros equipamentos de transporte. As quatro maiores variações de preços ocorreram em outros equipamentos de transporte (34,05%), fumo (32,18%), papel e celulose (26,22%) e alimentos (14,19%).
No acumulado do ano, as maiores influências vieram de alimentos, outros produtos químicos, papel e celulose e outros equipamentos de transporte. As maiores variações vieram de outros equipamentos de transporte (31,13%), fumo (29,52%), papel e celulose (23,56%) e outros produtos químicos (15,03%).
No caso dos alimentos, os dois produtos que tiveram maior influência na comparação mensal – resíduos da extração de soja e açúcar cristal – aparecem também entre as maiores variações. Completam a lista dos quatro produtos de maior influência óleo de soja em bruto, mesmo degomado e óleo de soja refinado, assim como açúcar cristal.
Em relação a outros equipamentos de transporte, a variação negativa de 2% em novembro está ligada à taxa de câmbio. Segundo o IBGE, no acumulado do ano, houve uma variação de preços de 31,1% contra uma variação cambial de 43,2%, e nos últimos 12 meses foi de 34,1% contra uma variação cambial de 48,3%.
Assim, o setor apresentou uma redução de preços em aviões de peso superior a 2.000 kg e motocicletas com mais de 50 cm³ e um aumento na fabricação ou manutenção de embarcações. Para os demais índices analisados (acumulado no ano e acumulado nos últimos 12 meses) todos os produtos tiveram resultados positivos.
Em novembro, os preços de bens de capital caíram 0,22%; os de bens intermediários recuaram 0,76%, os de bens de consumo subiram 0,5%. No caso dos bens de consumo duráveis, a variação foi de -0,15% e na de bens de consumo semiduráveis e não duráveis, houve avanço de 0,71%.


Fonte: G1

 

Produção de bens de capital retrocede mais de dez anos e vai afetar retomada

Valor Econômico – 08/01/2016

A produção de bens de capital caiu 24% nos 12 meses encerrados em novembro do ano passado e retrocedeu mais de dez anos. O volume produzido de máquinas, equipamentos, veículos pesados, tratores e outros produtos desse grupo no trimestre encerrado em novembro é semelhante ao de boa parte do ano de 2004.

Ao longo desses 11 anos, o pico da produção de bens de capital foi semelhante em três períodos, sempre em meados do ano: 2008, 2011 e 2013. Em relação a esses momentos, a produção do trimestre encerrado em novembro foi 40% menor, na série com ajuste do IBGE.

No conjunto, a produção industrial caiu 8,1% no acumulado do ano e 7,7% em 12 meses, considerando novembro de 2015. O penúltimo mês de 2015 foi muito ruim (queda de 2,4% sobre outubro na série com ajuste), não apenas devido ao acidente na Samarco e da greve dos petroleiros. A produção do setor de transformação caiu 1,8%, com recuo forte em outros setores, além das refinarias de petróleo. Onde houve crescimento, como veículos, a alta mal arranhou a queda nos meses anteriores.

Na média, o bimestre outubro­-novembro registrou queda de 3,2% em relação ao terceiro trimestre do ano. Mesmo que dezembro zere toda a retração de novembro, ainda assim esse será o patamar de queda do período. Talvez sugira um PIB ainda menor que o já previsto no último trimestre do ano.

Se a produção geral resume a brutal recessão de 2015, a queda na fabricação de bens de capital indica que há uma perda de capacidade produtiva e de produtividade em gestação. A indústria sairá dessa crise defasada tecnologicamente e pior preparada para ganhar mercados no exterior, uma das saídas na qual se aposta para a retomada do crescimento.

A importação de bens de capital ­ que poderia ser um contraponto ­ também está em queda. O volume importado desse grupo foi 19% menor de janeiro a novembro de 2015 em relação a igual período de 2014.

Por segmento, a produção doméstica mais recente mostra que a crise afeta fortemente setores que antes ajudavam a economia, como a agricultura. Entre o pico mais recente da produção de bens de capital agrícolas e o trimestre encerrado em novembro de 2015, a queda supera 35% em peças e é de 28% em bens agrícolas finais.

Outro segmento afetado é o de construção, cujo auge foi atingido no primeiro semestre de 2014. De lá para a cá, o recuo já chega a 48%, refletindo os efeitos da Lava­-Jato, da desaceleração de programas como PAC e Minha Casa, Minha Vida e da contenção e aumento do custo do crédito imobiliário.

Por isso, como são fortes e generalizados, os efeitos da atual contração na produção de bens de capital serão sentidos muito além do biênio recessivo já contratado.

Tombo maior da indústria piora herança de 2016

Valor Econômico – 08/01/2016

A trajetória negativa da indústria se intensificou em novembro de 2015 e piorou perspectivas já ruins para o desempenho do setor neste ano. Na comparação com outubro, a produção industrial registrou o sexta recuo consecutivo e caiu 2,4%, feitos os ajustes sazonais, com tombo de 10,9% no setor extrativo e de 1,9% no de
transformação, segundo a Pesquisa Industrial Mensal-­Produção Física, divulgada ontem pelo IBGE.

O resultado ficou abaixo do piso das projeções de 17 analistas consultados pelo Valor Data, de recuo de 1,8%. A média contava com retração de 0,8%. Com a surpresa desfavorável, a herança estatística deixada pela produção industrial para o ano seguinte ficou ainda mais fraca, dizem economistas, em torno de ­6%.

Por isso, mesmo com alguma ajuda do setor externo, a indústria terá mais um ano medíocre, depois de queda acima de 8% em 2015. Com o dado de novembro, a produção industrial está 19,2% abaixo do pico histórico registrado em junho de 2013 e regrediu ao nível de janeiro de 2009.

De janeiro a novembro do ano passado, a atividade industrial encolheu 8,1% sobre o mesmo período de 2014. Em relação a igual mês do ano anterior, o recuo foi de 12,4%, o maior para o mês desde 2003.

Em relação a outubro, a maior influência negativa partiu do setor extrativo, que representa cerca de 11% da indústria, seguida da queda de 7,8% na produção de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis. Os dois setores foram afetados, respectivamente, pelo rompimento de uma barragem da Samarco em Mariana (MG) e pela greve dos petroleiros.

Alexandre Andrade, da GO Associados, diz que o impacto do setor extrativo sobre a indústria em novembro foi significativo, mas não determinante para a queda mais forte do que o esperado da produção total. “A surpresa maior é em relação à atividade, que se enfraqueceu de maneira mais rápida e acentuada no segundo semestre.

A indústria acumulou perda 11,7% em outubro e novembro, retração mais forte que a registrada no terceiro trimestre, de 9,4%, e também abaixo dos resultados do primeiro e segundo trimestres (quedas de 5,7% e de 6,3% sobre igual período de 2014). Para Andrade, a deterioração do consumo das famílias é o principal fator responsável pelos números mais fracos do setor. O desaquecimento do mercado de trabalho e do crédito apontam que o declínio tende a se acentuar nos próximos meses.

A queda da produção em novembro impõe viés de baixa ao cenário já bastante negativo para a indústria neste ano, diz Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria. Como a previsão de retração de 8% para a atividade em 2015 será revista para baixo, a estimativa para 2016, atualmente em contração de 3%, também deve ser cortada. “É bem provável uma queda maior da produção neste ano”, diz Bacciotti, tendo em vista não somente o efeito estatístico do ano anterior, mas também o nível de estoques em excesso no setor industrial e a fraqueza da demanda interna.

Segundo André Macedo, gerente da coordenação de indústria do IBGE, o desastre ambiental ocorrido em Mariana deve ter reduzido a produção da indústria extrativa também em dezembro. Além desse efeito, Macedo afirmou que a conjuntura formada por crédito mais caro e restrito, inflação elevada, demissões e queda da renda estão afetando diretamente o setor industrial. “O ambiente de incerteza econômica e política traz para os empresários um adiamento das decisões de investimento e pelo lado das famílias, um adiamento nas decisões de consumo”, disse.

Refletindo, os fabricantes de bens de capital e de bens duráveis seguem com desempenho pífio. A equipe da Rosenberg Associados observa que, com exceção do segmento voltado para a produção agrícola, todas as demais aberturas relacionadas aos investimentos estão indo “de mal a pior”, com destaque para os bens de capital para construção, cuja produção caiu 53,9% sobre novembro de 2014.

Na passagem mensal, a produção de insumos típicos da construção civil encolheu 1%, segundo cálculos com ajuste sazonal da Rosenberg. “Com a desaceleração das concessões de financiamento imobiliário e o mercado de trabalho em deterioração, sem mencionar o imbróglio em que a construção civil se encontra por conta da Lava­Jato, a tendência é de continuidade desta trajetória de queda”, afirma a consultoria em relatório.

O único elemento positivo é o câmbio mais desvalorizado, que ajudou alguns setores. Macedo, do IBGE, cita como exemplo a produção de celulose, que cresceu 4,5% nos últimos dois meses, na comparação com igual período de 2014.

“O câmbio favorece determinados itens, mas não é suficiente para reverter o ritmo de queda que a indústria mostra”, diz Macedo.

Para Bacciotti, da Tendências, “no médio prazo existe a possibilidade de alguma melhora do desempenho da indústria por conta da depreciação cambial, mas no curto prazo é difícil observar esse efeito positivo”.

Marcha a ré na produção

Correio Braziliense – 08/01/2016

O dinamismo de uma economia pode ser medido pelo desempenho de sua indústria. Estão associados aos parques fabris a inovação tecnológica, a produtividade e a eficiência. Deveria ser assim no Brasil. Mas, nos últimos quatro anos, o que se viu foram a produção definhando e os empregos nas fábricas, evaporando. Quando se olha à frente, não há perspectiva de retomada. A indústria, que somente em 2015 encolheu mais de 8%, levará anos para retomar o fôlego e reassumir o papel de protagonista no crescimento do país.

“Infelizmente, ainda veremos a indústria andar para trás por um bom período”, diz o economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, professor do Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp). “O desânimo é geral”, ressalta, sobretudo quando se olha para a indústria da transformação, a essência do setor produtivo. Esse segmento, segundo levantamento do Instituto de Estudo de Desenvolvimento da Industrial (Iedi), com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representa hoje apenas 10% do Produto Interno Bruto (PIB), praticamente a metade dos 19,9% observados em 1947, quando o Brasil ainda estava em processo de construção de seu parque fabril.

Numa economia diversificada, é natural que a indústria ceda parte de seu espaço no PIB para o setor de serviços. Esse movimento ocorreu em todas as grandes economias do planeta, acompanhando o fortalecimento do consumo interno. “Mas o que vimos no Brasil foi dramático”, afirma o gerente executivo da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. Em 1985, a indústria da transformação respondia por 48% do PIB, seu ápice. De lá para cá, o encolhimento foi brutal. Não por acaso, a pauta de exportação brasileira voltou a ser dominada por produtos primários, sem qualquer agregação de valor.

Serviços
É verdade que a indústria no Brasil, em boa parte, cresceu dependurada em subsídios concedidos pelo governo e protegida por reservas de mercado. Mas, independentemente dessas distorções, foi possível criar um parque produtivo de ponta. Não é só. Tradicionalmente, o setor é o berço dos melhores empregos, com as maiores remunerações. “A indústria não é o único setor a gerar vagas de boa qualidade, mas continua sendo aquele em que a qualidade da mão de obra é melhor do que a média”, destaca Almeida. “Pena que os empregos estão desaparecendo”, acrescenta.

João Oliveira Santos, 39 anos, trabalhou por 15 em uma montadora no interior de São Paulo. “Comecei muito jovem, bastante inexperiente. Mas posso garantir que passei, no chão da fábrica, por uma grande revolução. Vi um avanço tecnológico impressionante”, conta. Os olhos do metalúrgico se enchem de lágrimas ao descrever o trabalho diário na montagem de carros. Demitido no ano passado, ele sabe que são mínimas as chances de voltar para a linha de produção. “O volume de carros produzidos no Brasil retornou aos níveis de 2006. Em vez de um futuro promissor, o que vemos é um retorno ao passado. Não é esse o país que sonhei para mim e para meus filhos”, enfatiza.

Na avaliação do economista Rafael Fagundes Cagnin, do Iedi, será preciso um esforço monumental para se revitalizar a indústria. De nada adiantarão os remendos de programas de incentivos que marcaram os últimos anos. Para se tornarem competitivas, as fábricas precisam que o governo empreenda uma série de reformas estruturais, que resultem em um sistema tributário mais simples e eficiente, em relações mais flexíveis entre patrões e empregados e em um sistema previdenciário sólido. Só assim o país poderá espantar a desconfiança que inibe os investimentos produtivos e pôr fim à crise fiscal.

Lobbies
Entre os empresários, é clara a visão de que não há mais espaço para políticas setoriais, que privilegiam aqueles que fazem os melhores lobbies em Brasília. “Não adianta dar subsídios. Isso apenas aumenta a rentabilidade de um setor ou de outro, aliviando a situação, mas não resolvendo os problemas”, explica Júlio Gomes de Almeida, comparando o incentivo fiscal com um lança-perfume, que só dá um barato momentâneo. “O país necessita de uma política industrial de verdade”, recomenda. “E mais: de uma infraestrutura sólida, pois, hoje, as falhas na logística encarecem os produtos que saem das fábricas entre 20% e 30%.”

Para Flávio Castelo Branco, da CNI, não bastassem todos os entraves estruturais, que minam o futuro da indústria e do país, há a questão cambial. Durante um longo período, o real se manteve valorizado em relação do dólar. O resultado disso foi que, desde 2010, o deficit da indústria na balança comercial vem girando em torno de US$ 100 bilhões ao ano. “Os produtos brasileiros perderam espaço no mercado internacional. O custo de produção com mão de obra, energia elétrica e carga tributária aumentou, enquanto havia excesso de manufaturados no mundo”, frisa.

No entender do economista Mansueto Almeida, a recuperação da indústria vai demorar porque não existe uma estratégia de melhoria da competitividade do país. Ele lembra que uma das formas de fazer a produção crescer é por meio de acordos comerciais, algo que não ocorre há muitos anos em se tratando de Brasil. “O governo não melhorou a política industrial, não fechou acordos comerciais, não proporcionou uma revolução na educação para melhorar a qualidade da mão de obra”, pontua.

Não à toa, os recursos destinados à produção estão em queda livre. “O investimento é a base para a melhoria da competitividade da indústria. Para que o desembolso ocorra, o país precisará retomar a confiança e ter uma taxa poupança expressiva”, diz Mansueto. Nos países asiáticos, a taxa média de poupança é de 35% do PIB, aqui, está em 17%. “A recuperação da indústria não pode se dar a qualquer preço, mas a longo prazo, superando todos os gargalos que resultam no custo Brasil”, explica. “Pena que, por enquanto, tudo está apenas no campo dos desejos.”

Montadoras ainda devem enfrentar desempenho decepcionante em 2016

DCI – 08/01/2016

As vendas de automóveis, que já foram ruins em 2015, não devem melhorar muito neste ano. A expectativa em 2016 é de que a queda do emprego, o aperto da renda e a falta de confiança ainda devem pressionar os negócios no mercado doméstico.

“A maré continua muito ruim para o setor. Apesar de projetarmos uma melhora gradual do cenário macroeconômico, esse fator em si não será suficiente para estancar a crise generalizada”, afirma o analista automotivo da Tendências Consultoria, Rodrigo Baggi.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou nesta quinta-feira (7) projeção de queda de 7% das vendas de veículos em 2016, incluindo pesados. Contudo, a previsão da Tendências contempla um recuo ainda maior, de 17%, retornando ao patamar visto há dez anos.

“O que vemos é uma queda de propensão ao consumo, puxada pela falta de confiança do consumidor e pelas incertezas no País”, diz Baggi.

Frequentemente, a Anfavea é mais otimista do que outras entidades ligadas à cadeia e até das próprias associadas. Prova disso é que, há alguns meses, o diretor financeiro da General Motors, Carlos Zarlenga, já trabalhava com uma projeção de recuo de 20% para o mercado em 2016. No início de dezembro, executivos da Ford também estimaram quedas próximas a esse índice.

“Existe ainda um risco de piora caso o cenário político apresente mais surpresas negativas”, pondera Baggi. Nessa seara, o presidente da Anfavea, Luiz Moan, também se mostra favorável a uma solução rápida da crise institucional que se instalou no Brasil.

“As questões políticas acabaram contaminando a economia. A crise de 2015, da forma como se desenrolou, não tem precedentes”, declarou ontem o dirigente em balanço anual da entidade.

A Tendências estima que, neste ano, a massa de renda da população tenha recuo de 2,3% sobre um 2015 que já apresentou queda de 4,5%. Além disso, a taxa média de desemprego deve atingir 9,5%, ante 7% no ano passado. “No segundo semestre, teremos um cenário de desemprego ainda pior”, avalia Baggi.

Com isso, a propensão à compra de veículos deve ser fortemente afetada, movimento que não deve ser compensado nem pela oferta de crédito.

“A carteira dos bancos está disponível para a compra de automóveis e existe liquidez em várias linhas, mas hoje o problema está muito mais do lado da demanda do que da oferta de crédito”, observa.

Baggi ressalta, no entanto, que as taxas dos bancos aumentaram, o que acaba se tornando também um obstáculo para a contratação de crédito. “O poder de compra está muito corroído e a confiança do brasileiro está no chão”, avalia.

Ociosidade x emprego

Em entrevista exclusiva ao DCI, no mês passado, o presidente da Anfavea calculou que a ociosidade do setor girava em torno de 40%. Ontem, Moan acrescentou que diante da inatividade, as montadoras têm aproximadamente 40 mil funcionários afastados entre férias coletivas, suspensão temporária do contrato de trabalho (layoff) ou pela adesão ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE).

E apesar de ressaltar de forma veemente que as associadas irão evitar ao máximo futuras demissões, o dirigente sinalizou que ainda existe espaço para mais cortes.

“Considerando que a produção voltou ao patamar de 2006 e o nível de emprego retornou a meados de 2010, claramente existe um excesso de mão de obra”, declarou.

O setor encerrou dezembro com o equivalente a 36 dias de estoques. No mês anterior, esse índice era de 42 dias e, um ano antes, de 50 dias. “O volume atual ainda não é considerado o ideal”, pontua Moan.

Para este ano, a Anfavea projeta um tímido crescimento da produção em 0,5%, diferentemente da Tendências, que prevê queda de 10%.

“Se a indústria mantiver o ritmo de vendas de dezembro, o recuo pode ser ainda maior, de aproximadamente 17%”, destaca Baggi.

O analista acrescenta que as expectativas de melhora gradual da economia ao longo de 2016 – ainda que insuficiente para evitar um novo tombo da indústria – e de crescimento das exportações podem estancar a situação dramática vivida pelo setor somente a partir do ano que vem.

“A busca por novos mercados é um ponto positivo para o setor, que por muitos anos foi altamente dependente da Argentina”, explica.

Em 2015, as exportações cresceram 75% para o México; 63% para o Peru; 83% para o Chile e 5,8% para a Argentina, totalizando um crescimento de 24,8% em volumes.

Contudo, em valores, houve um recuo de 8,7%, justificado pelo mix de vendas, especialmente devido à redução dos embarques de caminhões.

No ano passado, a Argentina respondeu por quase 65% das vendas externas da indústria automotiva. “Ao menos a trajetória para exportações se mostra positiva”, avalia Baggi.

Redação On janeiro - 8 - 2016
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