Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

Filiado a FIESP

Tera-feira, 21 de Novembro de 2017






Associe-se!
Clique aqui e conheça as vantagens

Barbosa vai ao Fórum de Davos para reverter desconfiança da elite global

O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, deve repetir o percurso feito pelo antecessor Joaquim Levy há um ano e subir os Alpes suíços na tentativa de reverter o mau humor dos investidores internacionais com o Brasil. Ele pretende ficar três dias no Fórum Econômico Mundial, em Davos, com objetivos claros: buscar um voto de confiança, assegurar à elite global que o ajuste nas contas públicas não está sendo abandonado e demonstrar como a economia brasileira poderá sair da crise.

Barbosa, que nunca esteve entre os frequentadores habituais de Davos, foi incentivado pela própria presidente Dilma Rousseff a escalar a montanha mágica e enfrentará seu primeiro grande teste internacional no novo cargo. O fórum, que ocorre desta vez de 20 a 23 de janeiro, tem debates públicos e também costuma propiciar uma avalanche de reuniões bilaterais entre seus participantes. Barbosa já recebeu diversos pedidos de encontros com autoridades estrangeiras e empresários, mas sua assessoria ainda não divulgou quais estão agendados.

O Palácio do Planalto não confirma, mas Dilma não deve ir a Davos neste ano, e o cerimonial do Itamaraty já foi parcialmente desmobilizado dos preparativos. Ela havia sinalizado interesse em ir quando esteve com o fundador do fórum, Klaus Schwab, em paralelo à última Assembleia Geral das Nações Unidas. Schwab havia até proposto o lançamento do “ano olímpico” em uma cerimônia com o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, e Dilma gostou da ideia.

No entanto, enfrentando dificuldades políticas, ela prefere ficar em Brasília neste mês. Dilma só esteve em Davos uma vez em seus cinco anos de mandato, em 2014, quando ocupou a principal sala de conferências do evento para falar a um auditório tomado de investidores. Leu um discurso de quase 30 minutos, repleto de estatísticas, e a pontualidade suíça impediu a abertura de uma tradicional sessão de perguntas capitaneada por Schwab.

No ano passado, Dilma desistiu na última hora de ir ao fórum porque ele coincidia com a posse do presidente da Bolívia, Evo Morales. Coube a Levy, falando sempre em inglês impecável, expor o receituário do segundo mandato: estímulo ao investimento, redução do déficit fiscal, realinhamento de preços e reformas econômicas. Foi elogiado por figuras como a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, e esteve com o secretário americano do Tesouro, Jack Lew. Ao lado do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, ele atraiu 80 empresários e executivos a um almoço organizado pelo Itaú Unibanco.

Tombini, que esteve em quatro das últimas cinco edições do fórum, também não deve participar neste ano. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que avaliará a possibilidade de um novo aumento da Selic para conter a inflação, está marcada para os dias 19 e 20.

Valor Econômico – 05/01/2016

continue lendo:

‘O cenário externo vai potencializar o cenário interno’

Para o professor da PUC-Rio e economista-chefe da gestora Opus, José Márcio Camargo, a reação do mercado ontem pode ser uma constante neste ano. Além do cenário interno delicado, as notícias vindas do exterior, especialmente da China e Estados Unidos, não vão ajudar na recuperação da economia doméstica. Veja trechos da entrevista:

O que pressionou mais os mercados?
Do lado externo, os dados da China vieram relativamente fracos, indicando que a economia está em desaceleração mais forte que a esperada. Tem ainda a questão da regulação das bolsas na China, com algumas proibições inseridas em meados de 2015 e que vão acabar dia 8. Os investidores temem que isso afete o preço das ações. Os indicadores de produção industrial nos Estados Unidos também vieram fracos e fizeram as bolsas caírem. Estamos esperando um crescimento da indústria americana menor do que o mercado. Com a forte valorização do dólar, redução da taxa de desemprego e aumento dos salários reais, nossa expectativa é de perda de competitividade da indústria americana, o que deve fazer com que as margens de lucro caíam. Neste ano, o cenário externo vai potencializar o cenário interno.

O pessimismo de segunda-feira foi mais efeito externo ou interno?
Em parte, o movimento ainda reflete a substituição de Joaquim Levy por Nelson Barbosa no Ministério da Fazenda. Acho que o mercado também ficou apreensivo com a possibilidade de um pacote de medidas que ninguém sabe do que se trata. Pesou também o fato de que há sintomas de algumas medidas que apontam para um compromisso menos forte com uma situação fiscal mais equilibrada.

Que sintomas são esses?
Algumas medidas tomadas nos últimos dias sugerem que o governo está um pouco menos preocupado com a questão fiscal. No fim do ano, o governo mandou três medidas provisória que indicam mais leniência fiscal. Uma eleva o prazo de maturidade dos créditos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e do Banco do Brasil; em outra o governo assume o custo de manutenção de algumas estradas repassadas aos governos estaduais; e o aumento de gastos da ordem de R$ 1,4 bilhão. Outra coisa que foi feita nos últimos dias foi que o governo decidiu que o BNDES – apesar de ter recebido as pedaladas – não precisa antecipar o pagamento das dívidas com o tesouro, da ordem de R$ 30 bilhões.

Quais os riscos disso?
A situação fiscal é insustentável e, se o governo não tiver um projeto duro de reequilíbrio fiscal, a gente vai entrar numa trajetória perigosa. Temos um déficit público de 9% do PIB; a relação dívida/PIB passará de 70%. Isso vai gerar mais rebaixamento da nota de risco, mais aumento no prêmio de risco, mais desvalorização cambial e mais pressão inflacionária. O que ocorreu hoje (ontem) é um sinal do que pode vir pela frente.

O Estado de S.Paulo – 05/01/2016

continue lendo:

Mercado mundial despenca em meio a mais sinais de desaceleração na China

Os problemas econômicos da China golpearam os mercados globais no primeiro dia de negociações do ano, derrubando ações, desvalorizando moedas e gerando temores entre investidores de uma continuidade das fortes oscilações registradas no ano passado.

Nos Estados Unidos, as bolsas permaneceram em baixa durante todo o pregão, na esteira do declínio dos mercados europeus e asiáticos. A Média Industrial Dow Jones chegou a perder 467 pontos antes de se recuperar ligeiramente, para fechar em queda de 1,6%, para 17.149 pontos. O declínio marcou o pior primeiro dia de negociação do ano desde 2008. O índice S&P 500 perdeu 1,5%, e o índice Composto Nasdaq recuou 2,1% Investidores individuais se desfizeram de ações na China depois da divulgação de mais evidências de que a economia do país está desacelerando e de que Pequim está desvalorizando sua moeda. O declínio também parece ter sido acelerado pelas expectativas de que uma medida desenhada para dar suporte ao mercado chinês desapareça em breve, além da estreia de um novo “circuit­breaker”, mecanismo que interrompe as operações da bolsa em momentos de grande oscilação.

Além da China, o aprofundamento das tensões entre o Irã e seus vizinhos levou a amplas oscilações nos preços do petróleo, contribuindo para o mal­estar em todos os mercados.

Os eventos oferecem um vislumbre sobre os temas que devem conduzir os mercados este ano, segundo investidores.

“A velocidade feroz [das vendas] nos primeiros minutos na China pegou algumas pessoas de surpresa”, diz Rob Bernstone, diretor­gerente da divisão de negociação de ações do Credit Suisse em Nova York. “Seja o que for que os operadores planejavam fazer hoje [para abrir] 2016, acho que essas apostas voaram pela janela.”

A maior parte dos fatores atribuídos à debandada dos investidores na China não é nova; a surpresa foi o impacto da China no resto do mundo. Durante o colapso das bolsas chinesas em meados do ano passado, demorou semanas para que outros mercados reagissem às vendas na China, enquanto que ontem, apenas um dia ruim num mercado que costuma ser volátil ajudou a derrubar ativos em outros países.

Os mercados emergentes também sofreram grandes perdas em meio ao declínio na China. O fundo negociado em bolsa Vanguard FTSE especializado em mercados emergentes perdeu 2,8%. E o real se desvalorizou 2% em relação ao dólar.

O fator mais óbvio por trás da onda de vendas na China foi a divulgação de um índice do setor privado da atividade manufatureira do país, pela Caixin Media Co., mostrando que a atividade de siderúrgicas, construtores navais e outras indústrias desacelerou pelo 10º mês consecutivo. Além disso, os índices que monitoram a produção, novos pedidos e novas exportações chinesas recuaram. As informações se somam a outros dados preocupantes sobre a China, que deve revelar no fim de janeiro se atingiu sua meta de crescimento de cerca de 7% para 2015.

Esse seria o crescimento mais lento do país em 25 anos, e economistas dizem que o governo poderia definir uma meta ainda menor, de cerca de 6,5%, para 2016.

Outra preocupação dos investidores é a desvalorização da moeda chinesa. O yuan caiu para seu menor nível ante o dólar em quase cinco anos, pressionando desde o won sul­-coreano até o ringgit malaio, com o aumento dos temores de que a queda da divisa chinesa possa afetar as exportações de seus parceiros comerciais. A expectativa de que o uan vai enfraquecer ainda mais é uma das razões que levam os chineses a enviar dinheiro para o exterior, o que, por sua vez, aprofunda ainda mais o declínio da moeda.

Outro ponto de pressão sobre os mercados ontem foi a preocupação dos investidores em relação ao possível fim, na sexta­feira, de uma das medidas de resgate criadas pelo governo durante o colapso das bolsas no ano passado, o que poderia disparar novas vendas de ações. A medida impôs um embargo de seis meses sobre a venda de ações por grandes acionistas.

A bolsa de Xangai caiu quase 7% ontem, o pior desempenho desde o auge do colapso de meados de 2015. As perdas de ontem anularam grande parte dos ganhos de 9,4% do Índice Composto de Xangai em 2015, com o índice de referência mantendo uma alta de apenas 1,9% nos últimos 12 meses. As perdas também acionaram as novas regras de circuitbreaker que as autoridades chinesas colocaram em vigor este ano para evitar as fortes oscilações vistas no ano passado.

A primeira suspensão nas negociações das bolsas chinesas aconteceu quando o CSI 300, índice das 300 maiores ações listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 5%, acionando uma parada de 15 minutos de acordo com as novas regras. Uma nova queda de 7% levou ao fechamento da bolsa pelo resto do dia.

Alguns analistas e investidores dizem que o circuit­breaker pode provocar mais vendas.

“O sistema de circuit­breaker na verdade cria uma espiral de queda” com mais investidores nervosos querendo sair antes dos outros, diz Hao Hong, diretor­gerente do Bank of Communications Co., de Nova York.

Observadores do mercado dizem não acreditar que a queda de ontem se transforme em uma repetição do colapso de meados do ano passado. Uma grande diferença é que os investidores agora reduziram o uso dos empréstimos de margens, ou o uso de dinheiro emprestado para comprar ações. Durante a alta da bolsa do primeiro semestre de 2015, investidores locais emprestaram dinheiro de corretoras chinesas para fazer operações, ajudando a impulsionar as cotações das ações. A queda subsequente do mercado em meados do ano foi acelerada pelas vendas feitas por esses investidores para pagar suas dívidas. Desde então, os empréstimos de margem no mercado da China continental caíram mais de 17%, de um pico de 2,3 trilhões de yuan (US$ 354 bilhões) em junho.

As autoridades também reprimiram empréstimos de um sistema financeiro paralelo, conhecido como “shadowbanking”, e tomou medidas severas para acalmar o mercado, limitando vendedores a descoberto e exigindo que fundos do governo comprassem ações.

Mais recentemente, as autoridades afrouxaram algumas dessas medidas, incluindo uma suspensão de novas ofertas públicas, que foram reabertas em dezembro ­ um sinal que muitos investidores interpretaram como um voto de confiança das autoridades na estabilidade dos mercados de ações.

Valor Econômico – 05/01/2016

continue lendo:

Posse em pé de guerra

Na véspera de assumir a presidência da Assembleia Nacional da Venezuela, o deputado Henry Ramos Allup foi barrado na entrada pelo chefe da segurança do edifício, que estava cercado por simpatizantes do chavismo e do presidente Nicolás Maduro. Escolhido pela ampla maioria de oposição eleita em dezembro, o próprio Allup e correligionários relataram pelas redes sociais o clima tenso, que prenuncia uma queda de braço entre os poderes Legislativo e Executivo.

Os contornos da disputa foram esboçados nos últimos dias de 2015, quando o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) acolheu pedido liminar do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, chavista) e suspendeu a posse de três deputados oposicionistas. Embora sujeita a análise de mérito, a medida retira temporariamente à oposição a inédita maioria qualificada de dois terços. É a primeira vez desde a primeira eleição de Hugo Chávez, em 1998, que a direita venezuelana tem maioria parlamentar.

Diante dos temores de que a nova legislatura seja empossada em um clima de confrontação e intimidações, Allup afirmou que cabe às Forças Armadas garantir a integridade dos deputados. O novo chefe do Legislativo denunciou, porém, o “desrespeito à vontade popular por parte de grupos violentos que são estimulados pelo partido do governo e por funcionários públicos”.

Allup considerou “ilegítima” a decisão TSJ sobre os mandatos oposicionistas contestados pelo PSUV — que também teve suspensa a posse de um legislador. Os quatro deputados atingidos pela decisão foram eleitos pelo estado do Amazonas, no sul do país. Ao todo, os chavistas tentam impugnar oito dos 112 deputados eleitos pela MUD, sob a alegação vaga de “compra de votos”.

O novo presidente da Assembleia, eleito na noite de domingo, não vê risco de que a oposição perca o controle do parlamento. Em entrevista ao canal de televisão Globovisión, ele ponderou que a suspensão do mandato dos deputados amazonenses não compromete a posição da MUD. Sobre a possibilidade de Maduro vetar leis aprovadas pela nova maioria, Allup destacou que os deputados farão o trabalho que lhes corresponde e que “ao governo cabe aplicar as leis”. “Não vamos perder tempo, vamos legislar. Não vamos chegar e ficar mudos”, prometeu.

Contra-ataque
O político opositor de 73 anos é um dos fundadores da tradicional Ação Democrática (AD), partido de origem social-democrata que por décadas se alternou no poder com a democracia cristã — até a ascensão do chavismo, na virada do século. Alupp esteve fora do parlamento na última década e é frequentemente apontado por Maduro como exemplar da “velha oligarquia”.

Considerado um dos políticos mais antigos e respeitados da Venezuela, ele rebateu as críticas de que sua eleição representaria um retrocesso para o país, e disparou contra o chefe de Estado. “Acho que o presidente Maduro deveria pensar na possibilidade da renúncia. Se esse é um mecanismo de solução para a crise política, por que descartá-lo?”, questionou. “Temos que dar a democracia seu verdadeiro significado que é o respeito à maioria e o respeito à minoria. Aqui não há hegemonias”, ponderou.

O opositor ressaltou que trabalhará por um Legislativo independente e não aceitará ataques da bancada governista. Ele recordou que, em julho passado, a MUD concordou em cooperar na busca de uma solução “democrática, constitucional, pacífica e eleitoral para a mudança do atual governo”.

Correio Braziliense – 05/01/2016

continue lendo:

Ano-novo chinês

Míriam Leitão – 05/01/2016

O ano começou com o susto da bolsa chinesa, cujos índices despencaram e levaram à suspensão do pregão. O governo chinês desvalorizou o yuan, e o indicador de atividade do setor industrial veio fraco. Foi o suficiente para que os poupadores tivessem a mesma reação de outras vezes, em que vendem pelo temor de novas quedas. Durante o ano, a dúvida continuará em relação à China.

‘Aqueda da bolsa chinesa reflete a enorme incerteza que ronda o PIB chinês em 2016. O PMI, que é uma sondagem com gerentes do setor industrial, ficou abaixo de 50 pontos e veio mais fraco do que o esperado. Então fica aquela dúvida: será que o PIB vai ficar abaixo de 6%? O governo vai conseguir atingir a meta de crescimento de 7%? Como a China é a segunda maior economia do mundo, ela consegue provocar essa forte volatilidade em todos os mercados, explicou o economista Sérgio Vale, da MB Associados.

Além disso, a China foi a economia que mais puxou o PIB global na última década e foi a grande formadora de preços dos produtos que exportamos. O que acontece lá nos afeta diretamente, e isso fez o ano inaugurar com desvalorização do real. Há outra variável pressionando as moedas dos países emergentes, que é a elevação da taxa de juros nos Estados Unidos, mas o grande enigma continua sendo o que acontecerá com a China, diz Sérgio Vale:

— O governo chinês tem pouco espaço para estímulos monetários ou fiscais. Então, quando acontece uma desvalorização do yuan, fica o temor de que o governo esteja pensando em usar a moeda como forma de estímulo, ou seja, que isso seja mais um sinal de que os problemas da economia do país são maiores do que o mercado consegue enxergar.

Esse é sempre o ponto em relação à China. Uma desvalorização da moeda poderia ser vista como um impulso para a manutenção da competitividade das exportações chinesas, mas na verdade a pergunta que surge é: o que o governo chinês está escondendo? Há sempre o temor de que as autoridades estejam camuflando parte da fragilidade. É isso que eleva o temor em relação a uma economia que, no fim das contas, permanece crescendo em ritmo invejável, ainda que reduzindo o patamar ano a ano.

Os juros americanos em alta também afetam o mundo inteiro, inclusive a China, pela intensidade e complexidade das relações entre as duas maiores economias do mundo. A desvalorização do real poderia ser vista também como uma forma de aumentar a capacidade brasileira de exportar, mas há dúvidas sobre por quanto tempo os Estados Unidos subirão os juros e até se esta é a política certa. A economia americana está retomando o crescimento e já recuperou o alto nível de emprego, mas a inflação permanece ainda muito baixa. A elevação dos juros é uma forma de prevenir a formação de bolhas, mais do que o combate a alguma pressão inflacionária.

Na China, há também o temor de que os ativos estejam valorizados demais. As ações tiveram anos de alta e chegaram a mais que dobrar de valor. Depois, caíram, devolvendo parte da valorização. Existe a dúvida sobre se ainda assim as ações estão valorizadas.

Com juros em alta e a incerteza sobre a China, o mundo fica mais hostil para um país como o Brasil, que tem tantos motivos para dúvidas dos investidores. O Brasil está em recessão, com inflação alta, um processo de impeachment em andamento, já perdeu o grau de investimento por duas agências — Standard & Poor’s e Fitch — e pode perder também pela Moody’s. A perspectiva não é boa também para 2016.

O economista Ilan Goldfajn, do Itaú Unibanco, contou em relatório divulgado ontem aos clientes que na viagem que acaba de fazer aos Estados Unidos defrontou-se o tempo todo com perguntas sobre o desdobramento da crise econômica e política. Ele diz que, se a China desacelerar a economia mais do que o esperado, deve ocorrer mais queda das commodities, o que desvalorizaria mais o real. Quando a presidente Dilma assumiu, o dólar estava em R$ 1,66. Ontem, fechou em R$ 4,03. A valorização do dólar foi de 145%; a queda do real foi de 58%. Essa mudança cambial é uma das razões do superávit comercial de quase US$ 20 bilhões em 2015. O que, pelo menos, é uma boa notícia para o ano-novo brasileiro.

O Globo – 05/01/2016

continue lendo:

A primeira surpresa do ano

Celso Ming – 05/01/2016

Este 2016 vem provocando tanta apreensão que muita gente já vinha desejando Feliz 2017, como querendo pular de uma vez este 2016 prenhe de incertezas. E, no entanto, este início de ano tão preocupante começa com excelente notícia.

O fato de que já era esperada não diminui sua importância. O resultado da balança comercial em 2015 é o contraponto fortemente positivo a tantos resultados ruins. O saldo ultrapassou todas as expectativas, inclusive as mais otimistas: superávit no ano de US$ 19,7 bilhões. Embora parte das exportações de dezembro corresponda a “vendas fictas” de plataforma de petróleo, que na prática não saiu do País, é o maior superávit comercial desde 2011.

Também é verdade que se trata de consequência de muita coisa ruim, especialmente da recessão, que derrubou o consumo, a produção e, portanto, as importações. Daí a queda de 19,2% na corrente de comércio, item que registra a soma de exportações e importações.

O comércio exterior é o primeiro setor importante da economia a responder ao ajuste geral, apesar da derrubada dos preços das commodities, especialmente do minério de ferro e dos produtos agrícolas. Também contribuiu para a derrubada das importações, e alguma recuperação das exportações, a desvalorização do real, de 37% ao longo de 2015.

Ao contrário do que acontece com o PIB e a inflação, que descarregaram tração negativa para 2016, esse forte superávit comercial de 2015 empurra impulso positivo para este ano, com substancial reforço para todas as contas externas e não só para o fluxo de mercadorias.

Em 2016, o saldo comercial vem com força para ultrapassar a marca dos US$ 35 bilhões. O Banco Central já vinha esperando superávit de US$ 30 bilhões e o mercado, tal como aferido pela Pesquisa Focus, de US$ 35 bilhões.

Esse resultado tende a derrubar substancialmente o déficit em Conta Corrente (fluxo de moeda estrangeira, exceto o da conta de capitais), que deve ter fechado 2015 ao redor dos US$ 60 bilhões, para a altura dos US$ 33 bilhões. Como a entrada de investimentos externos neste ano deverá alcançar alguma coisa entre US$ 55 bilhões e US$ 60 bilhões, segue-se que, apesar das incertezas na área política, fica reduzido o risco de fuga de capitais.

As exportações de manufaturados já mostram reação à desvalorização cambial, o fator que barateou em dólares o produto destinado ao mercado externo. Em todo o ano de 2015, enquanto as exportações de produtos básicos (commodities) recuaram 19,5%, as de industrializados caíram apenas 8,1% (veja o Confira). A queda poderia ter sido ainda menor, caso não houvesse a forte dependência que o setor produtivo interno passou a ter de máquinas, de peças e de componentes importados.

O excelente resultado da balança comercial, a nova queda esperada do rombo externo, a manutenção do estoque de US$ 370 bilhões em reservas internacionais e os juros internos no patamar em que estão constituem o principal conjunto de fatores que, apesar da recessão, do desemprego e das incertezas políticas, devem impedir novas escaladas do dólar no câmbio interno.

Redação On janeiro - 5 - 2016
  • Central de atendimento
  • Telefone: (11) 3285-3522 / e-mail: sicetel@sicetel.com.br
Associe-se!
        Clique aqui
Cadastre seu e-mail e receba periodicamente notícias do SICETEL.