Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

Filiado a FIESP

Sbado, 18 de Novembro de 2017






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Indústria do Brasil encolhe em dezembro, pelo 11º mês seguido, mostra PMI
Flavia Bohone

A indústria brasileira marcou em dezembro seu 11º mês seguido de contração, com queda no volume de produção e de novos pedidos, mostrou o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) nesta segunda-feira.

O Markit informou que o PMI da indústria nacional ficou em 45,6 em dezembro, ante 43,8 em novembro, quando atingiu a pior marca em cerca de seis anos e meio. Apesar da ligeira melhora, o índice ficou abaixo da marca de 50 que separa retração de crescimento em todos os meses de 2015, exceto em janeiro, quando a leitura foi de 50,7.

“O setor industrial brasileiro encerrou 2015 de uma forma conhecida, com fortes quedas na produção, novos pedidos e emprego. O único dado positivo na pesquisa de dezembro foi uma recuperação nas encomendas por exportações, apesar do crescimento apenas marginal”, disse, em nota, a economista do Markit Pollyanna De Lima.

O índice de produção mostrou queda em dezembro, também pelo 11º mês consecutivo, refletindo a diminuição no volume de novos pedidos. O Markit destacou que a queda na produção foi verificada nos três grupos monitorados: bens de consumo, bens intermediários e bens de investimento.

O volume de novos pedidos recuou pelo 11º mês seguido, apesar de a taxa de retração ser a menor desde setembro, com o fraco cenário econômico e a queda no poder de compra dos consumidores. A queda na quantidade de novos negócios aconteceu nos três subsetores pesquisados.

“Parece que a economia ainda está para atingir o fundo do poço, com o PMI ficando em média em 44,5 no trimestre final do ano (contra 46,7 no 3º trimestre)”, afirmou Pollyanna.

“Com o país bombardeado por más notícias, indo de depreciação cambial, corte de ratings, tensões fiscais, inflação em forte alta, prisões após investigações envolvendo a Petrobras e crescente déficit orçamentário, há pouco que indique qualquer melhora nas condições econômicas no futuro próximo, e 2016 parecer ser mais um ano de grandes desafios”, acrescentou ela.

A retração da economia brasileira e a queda no poder aquisitivo levaram à diminuição da demanda doméstica em dezembro, informou o Markit. Por outro lado, o volume de pedidos vindos do exterior aumentou, com a valorização do dólar em relação ao real ajudando as empresas a buscarem novas oportunidades de negócios no exterior, apesar de o ritmo de expansão ter sido “marginal apenas”.

O nível de emprego na indústria caiu pelo 10º mês seguido, em meio à fraca demanda e às tentativas de reduzir custos, mostrou o PMI.

Com o dólar mais forte encarecendo importados, os preços médios de compra de insumos voltaram a aumentar em novembro e parte desses custos foi repassado aos clientes.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostraram que a produção industrial no país iniciou o último trimestre do ano em baixa, com queda de 0,7 por cento em outubro em relação a setembro, sendo a quinta leitura mensal negativa mais acentuada desde 2011.

Pesquisa Focus do Banco Central, que ouve semanalmente uma centena de economistas, mostra que a mediana das projeções indica contração do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,71 e 2,95 por cento em 2015 e 2016, respectivamente, enquanto a produção industrial deve encolher 7,80 e 3,50 por cento no período.

Fonte: Reuters

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Efeito Usiminas já atinge Cubatão

A decisão da Usiminas de encerrar a produção de aço em Cubatão (SP) no fim deste mês já causa impactos na economia da microrregião de Santos, que perdeu em 2015 o maior número de vagas de trabalho desde 2002, quando começou a série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em 2015 foram fechados mais de 13 mil postos na região e tudo indica que neste ano o cenário vai piorar, com o efeito em cascata da Usiminas.

Empresas cujos negócios dependem da usina vão fechar unidades industriais na vizinhança. A partir de abril, a Votorantim encerra a produção de cimentos no município devido à falta de escória, subproduto do aço utilizado na fabricação do insumo. A fábrica, ao lado da Usiminas, passará a operar como centro de distribuição para o cimento ensacado da marca Votoran, mantendo a distribuição para o mercado regional. O cimento a granel será fornecido por outras de suas fábricas. Cerca de 30 funcionários serão demitidos.

A InterCement, do grupo Camargo Corrêa, outra cimenteira situada na Baixada Santista, também usa escória da Usiminas. A empresa diz que o estoque garante a produção de cimento “a médio prazo”, mas avalia importar escória quando a reserva terminar, entre outras alternativas. A InterCement não revelou se e quantas demissões haverá.

Devido ao baixo preço internacional do aço e à queda da demanda doméstica, a Usiminas vai utilizar a usina cubatense apenas para laminação de chapas. A paralisação completa da produção de aço – a usina tem capacidade para fazer 4,5 milhões de toneladas ao ano – ocorrerá até o fim de janeiro, a partir de quando é esperado um efeito dominó de fechamento de vagas na região. A antiga Cosipa é, ao lado da refinaria da Petrobras, a maior empregadora da região.

A siderúrgica estima que serão demitidos 4 mil trabalhadores – dois mil diretos e dois mil indiretos. Já a regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Cubatão calcula uma perda de pelo menos 5 mil vagas no primeiro semestre, 12,5% dos cerca de 40 mil postos do polo industrial.

O Sindicato dos Siderúrgicos e Metalúrgicos da Baixada Santista traça um cenário mais desalentador. Diz que o número pode chegar a 9 mil, com perdas que vão atingir de grandes a pequenas empresas, como as firmas que fazem o transporte diário dos trabalhadores e fornecedores de alimentos.

“É um número grande”, diz o diretor titular da regional do Ciesp, Valdir José Caobianco, segundo quem a desindustrialização nacional afeta primeiro a indústria de base, como as de Cubatão, que competem com empresas estrangeiras que já trazem a matéria-prima processada. Para reanimar o polo industrial de Cubatão, ele defende incentivos de longo prazo, como redução de custos fixos (energia elétrica e gás), e queda do ICMS. Uma saída, diz, seria apostar na cadeia integrada produção-processamento-exportação.

O parque industrial de Cubatão vive um esvaziamento nos últimos anos. Um dos setores que vêm sofrendo é o de fertilizantes, devido, entre outros, à alta alíquota do ICMS. “Nos últimos 12 meses as antigas unidades da Yara e da Mosaic fecharam. O custo do ICMS é alto, as empresas vão para outros estados”, diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fertilizantes da região, Herbert Passos Filho.

E mais uma empresa vai reduzir a marcha. A filial da Fertilizantes Heringer vai encerrar a atividade de mistura de fertilizantes no município e transferi-la para Paulínia (SP). Procurada, a Heringer disse apenas que a medida se deve aos “atuais volumes de entregas de fertilizantes menores do que os do ano anterior”.

Para Alcindo Gonçalves, cientista político e professor do programa de mestrado e doutorado em Direito da UniSantos, 2016 será “muito problemático” para a Baixada Santista, já frustrada com o estouro da bolha imobiliária devido à especulação em torno do pré-sal da Bacia de Santos.

A atividade portuária, mesmo com a expectativa de aumento de cargas e os novos arrendamentos, não será suficiente para contrabalançar o efeito local da Usiminas e o nacional da recessão, diz. “A construção civil não retoma, nem com um milagre. O setor público é outro que está em crise profunda”.

 

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Montadoras têm em 2015 maior queda nas vendas em quase três décadas

RIO  –  Com 2,57 milhões de veículos comercializados — entre carros, utilitários leves, caminhões e ônibus — as montadoras terminaram 2015 amargando queda de 26,6% em relação às vendas de 2014, o que representa o maior tombo do mercado automotivo nacional em 28 anos. Desde 1987, ano de recessão econômica e quando o consumo de veículos mostrou retração de 33,1%, não se via queda tão expressiva.

Variações negativas dessa magnitude são incomuns na história da indústria automobilística brasileira. Além de 1987, apenas em 1981, quando o recuo foi de 40,8%, as vendas de veículos no país caíram mais do que no ano passado nas últimas seis décadas, tendo-se como base a série histórica iniciada em 1957 do anuário divulgado pela Anfavea, a entidade que representa os fabricantes de automóveis instalados no Brasil.

O setor completou três anos consecutivos de queda nas vendas. Nesse período, perdeu quase um terço — 32,4%, mais precisamente — do volume que tinha em 2012, o último de um ciclo de nove anos ininterruptos de crescimento que colocou o Brasil entre os quatro maiores mercados de carros do mundo. Com a queda expressiva de 2015, que fez o mercado regredir oito anos em termos de volume de vendas, o país, segundo balanço preliminar, caiu para a sétima colocação nesse ranking.

Tradicionalmente o melhor mês nas vendas de automóveis, dada, principalmente, à injeção de recursos do décimo terceiro salário na economia, dezembro não ajudou a aliviar a crise das montadoras. No mês passado, os emplacamentos, incluindo caminhões e ônibus, somaram 227,8 mil unidades, numa queda de 38,4% em relação ao mesmo período de 2014, segundo balanço preliminar que se baseia nos licenciamentos de veículos pelos departamentos estaduais de trânsito, os Detrans. Foi o pior dezembro desde 2008, quando a crise financeira internacional, ao secar a disponibilidade de crédito, levou as vendas para menos de 200 mil unidades.

Como reflexo do quadro de recessão e desconfiança dos consumidores e das empresas quanto aos rumos da economia — fatores que se combinam à retirada de incentivos fiscais e às dificuldades no acesso ao crédito —, as concessionárias entregaram durante o ano passado 929 mil veículos a menos do que em 2014, o que, se considerado o ritmo do ano retrasado, significa a perda de três meses inteiros de venda.

Valor Econômico – 04/01/2016

 

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Importação de máquinas só deve se recuperar em 2020

Se os fabricantes de máquinas não vislumbram recuperação antes de 2017, mesmo com o dólar valorizado, as importadoras de bens de capital mecânicos estão ainda mais pessimistas. O economista da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (Abimei), Otto Nogami, prevê uma recuperação apenas para 2020. Mas não é só o câmbio que atrapalha os negócios. Segundo a entidade, o elemento chave da crise de demanda é a imprevisibilidade.

“O empresário tem necessidade e desejo de investir, mas não tem a segurança de que é o momento certo”, resumiu o presidente da entidade Ennio Crispino.

No acumulado de 2015 até novembro, a importação de bens de capital teve uma queda de 19,3%, para US$ 35,1 bilhões. A expectativa é de que o ano fechado fique em US$ 36 bilhões, o equivalente a uma retração de 24,6%, conforme dados apresentados por Nogami. Para 2016, a previsão também é de queda.

O começo de 2015, para as importadoras, foi marcado pela crença de que o governo faria sua parte – ou seja, implementaria as medidas de ajuste fiscal e, assim, a recuperação teria início já em meados de 2016. Em um ano, porém, o que aconteceu foi a deterioração da economia e a avaliação é de que o governo não dá sinais claros do que pretende fazer pela indústria. “Passamos o ano inteiro e não há sequer o esboço de uma política industrial”, diz Crispino.

Com uma demanda consolidada, ele defende que os importadores se adaptariam a um patamar de dólar mais alto. Um dos fatores que contribuem para os negócios, inclusive, é a nacionalização de máquinas e componentes. Isso porque esses processos produtivos muitas vezes requerem maquinário importado.

Diante dessa crise, porém, Crispino afirma que as importadoras já estão desistindo de repor seus estoques. No caso daqueles modelos que não foram repostos, o prazo para uma resposta quanto a encomendas é de pelo menos 90 dias.

Valor Econômico – 04/01/2016

 

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Nissan investirá R$ 750 milhões para produzir utilitário Kicks no RJ

RIO  –  A Nissan anunciou nesta segunda-feira que vai entrar na briga pelo cada vez mais concorrido mercado de utilitários esportivos compactos, com a produção do modelo Kicks — apresentado, em outubro de 2014, como protótipo no salão do automóvel de São Paulo — em sua fábrica no sul do Rio de Janeiro.

A montadora japonesa, que já tinha desembolsado R$ 2,6 bilhões na construção do parque industrial no município de Resende, vai investir mais R$ 750 milhões para fabricar o Kicks no local, onde hoje são montados o hatch March, seu carro mais popular, e o sedã Versa.

O utilitário esportivo será lançado neste ano — a empresa não antecipou datas — e, sendo um modelo global, será também exportado para mercados da América Latina.

Com o início da produção do novo modelo, a Nissan pretende contratar 600 novos funcionários e abrir um segundo turno de produção em Resende, que no momento emprega 1,5 mil pessoas.

Carlos Ghosn, chefe global da montadora, que veio ao Brasil para anunciar o projeto na sede administrativa da Nissan no centro do Rio de Janeiro, destacou durante entrevista coletiva à imprensa a resistência à crise de um segmento que, em 2015, cresceu mais de 20% num ano em que o consumo de carros no Brasil teve queda superior a 25%.

O mercado de utilitários esportivos — também conhecidos como SUVs, na sigla em inglês —  ficou, entretanto, mais concorrido após a chegada no ano passado de marcas como Peugeot, Jeep e Honda para brigar por um filão até então dividido entre Ford, com o EcoSport, e Renault, com o Duster.

Durante a entrevista, Ghosn disse estar otimista na disputa pela liderança desse mercado, mas evitou revelar quais são as ambições da Nissan no novo segmento. “Vamos trazer a nossa expertise em crossovers a um novo mercado, que é a América Latina”, afirmou Ghosn, numa referência a outros modelos do tipo já produzidos pela marca no mundo.

Valor Econômico – 04/01/2016

 

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Setor deve apresentar pior resultado desde 1985, afirma a Abigraf

A indústria gráfica brasileira encerrou o ano passado com o pior desempenho desde 1985, diante da forte queda nas encomendas registradas pelos segmentos promocional, editorial e digital. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), o setor deve ter fechado 2015 com queda de 15% na produção física, pior do que a expectativa de retração de 1,1% calculada no início do ano e do que a previsão revisada, que apontava baixa de 7,5%.

“A redução do nível de atividade econômica no país se refletiu fortemente na indústria e o segmento menos penalizado foi o de embalagens, que está mais ligado a consumo, e deve ter fechado o ano com queda de 5%”, diz o presidente nacional da Abigraf, Levi Ceregato.

Para 2016, a expectativa é a de que a indústria recupere a baixa do ano passado e ainda avance ao menos um ponto percentual em termos de produção. “Para este ano, quero traçar uma mera otimista e possível de ser alcançada”, acrescenta o empresário.

O otimismo tem como ponto de partida a esperança de solução rápida para a crise política – “as empresas voltaram a investir se houver credibilidade”, defende Ceregato – e a existência de um sofisticado parque gráfico nacional. “O Brasil importou US$ 5 bilhões em equipamentos para gráficas nos últimos anos. Com qualquer vento a favor, a indústria se levanta”.

No terceiro trimestre, a produção gráfica encolheu 17,4% na comparação anual, conforme a entidade, pressionada também pelo segmento de embalagens, que mostrou queda de 7%. Frente ao segundo trimestre, o declínio foi de 4,1% e, para o curto prazo, a expectativa era a de nova queda da produção, diante da percepção de que os ajustes de estoques ainda não estavam encerrados.

O desempenho negativo, porém, não foi acompanhado pela indústria de papéis para embalagens, que tem direcionado volume crescente de produção ao mercado internacional. Com essa estratégia, essas papeleiras garantiram queda de apenas 0,9% no terceiro trimestre, na comparação com o mesmo intervalo de 2014.

A expressiva queda na produção das gráficas se refletiu no nível de emprego. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), somente no terceiro trimestre o setor fechou 3.111 postos formais. No mesmo período de 2014, 245 novas vagas foram abertas. Em todo o ano passado, pelo menos 5,6 mil empregos na indústria foram cortados.

Nesse ambiente, a confiança dos empresários da indústria gráfica também diminuiu. De julho a setembro, o Índice de Confiança do Empresário da Indústria Gráfica ficou em 38,3 pontos (de um total de 100 pontos), com queda de 11 pontos em relação a igual período de 2014. Leituras abaixo de 50 pontos indicam pessimismo.

A avaliação da “Situação Atual” caiu a 33 pontos, em uma onda de pessimismo liderada pelas empresas de grande porte, que mostraram resultado de 31,8 pontos. Já o indicador “Expectativas” atingiu 43,7, também com as empresas de porte grande liderando a queda, com 38,6 pontos.

Valor Econômico – 04/01/2016

 

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Falta de crédito e dólar alto derrubam faturamento da indústria em Manaus

Em um ano de queda acentuada para a indústria nacional, o Polo Industrial de Manaus (PIM) terminou 2015 com um dos piores desempenhos da história. Voltada para o consumo doméstico, a indústria local registrou queda do faturamento de pelo menos 30% no ano, estimam a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), a Federação e o Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam e Cieam).

A projeção para 2016 também não é das melhores, com nova queda em cima da retração do ano passado, prevê Wilson Périco, presidente do Cieam.

Os dois principais sustentáculos do PIM, o polo de duas rodas e as montadoras de eletrônicos tiveram forte queda. A venda de motocicletas foi afetada pela falta de crédito. O segmento vinha crescendo como alternativa de transporte pessoal e também de renda. Segundo Périco, muitos dos compradores dos últimos anos destinavam as motos de baixa cilindrada para serviços de motoboy e mototáxi.

O Cieam estima queda de 25% no faturamento das indústrias de motocicletas em 2015, depois do recuo de 10,2% na receita em dólar de 2014, enquanto os produtores de eletrônicos podem ter encerrado o ano com retração de 30% a 32% sobre um exercício sem crescimento em 2014 – apesar da Copa do Mundo, que tradicionalmente impulsiona as vendas, em especial de televisores.

“Para o Amazonas, o ano foi difícil, porque o mercado consumidor dos produtos da Zona Franca é interno”, comenta Rebecca Garcia, superintendente da Suframa, cargo que ocupa há apenas dois meses. Economista, Rebecca afirma que além da queda do consumo e da falta de crédito, a valorização do dólar (cerca de 50% ao longo do ano) também afetou a oferta de insumos para a produção de motocicletas.

Rebecca quer propor ao Ministério do Desenvolvimento algumas mudanças no modelo da Zona Franca. A principal delas requer o empenho da diplomacia comercial a fim de fechar acordos com países vizinhos, em especial da América Andina a fim de expandir as exportações da ZFM. Hoje as vendas externas estão restritas a alguns poucos negócios com Argentina, Venezuela e Colômbia, basicamente.

O alvo principal de Rebecca é o mercado peruano. Um dos líderes de crescimento econômico na América Latina em 2015 – expansão de 3,5%, conforme projeções da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) -, o Peru pode absorver parte da produção, se forem derrubados entraves burocráticos e tarifários que retiram a competitividade da indústria brasileira, principalmente em relação aos produtos chineses. Um dos objetivos é transformar o Brasil em fornecedor de componentes para a indústria peruana de motocicletas.

O governo do Amazonas já realiza estudos e pretende fazer gestões para uma ligação aérea direta entre Manaus e a capital peruana, Lima. Hoje, para voar entre as duas cidades, é preciso ir para São Paulo ou para o Panamá, mas a viagem exige pelo menos um pernoite na conexão.

A parceria com os andinos poderia viabilizar também uma solução logística. Atualmente, o escoamento da produção está limitado ao aeroporto de Manaus (usado nas cargas de baixo volume e alto valor, como celulares) e à hidrovia Solimões-Amazonas. Única ligação por terra da capital do Amazonas com o centro-sul do país, a BR-319 (Manaus-Porto Velho) encontra-se em condições precárias de tráfego, com parte da estrada tomada pela floresta. O governo federal e os Estados do Norte sonham com uma ligação por terra, de preferência ferroviária, com o Pacífico. São muitas as propostas, sem nada de concreto até agora.

O especialista em logística Augusto Rocha, doutor em engenharia de transportes e professor da Universidade Federal do Estado do Amazonas (Ufam), não crê em saída para o problema de logística no curto ou médio prazos: “Não vejo a Suframa com orçamento ou projeto para estabelecer uma solução para essa questão”. Rocha diz esperar que “a boa vontade da nova superintendente consiga liderar uma mudança de postura das demais áreas do Executivo, que não parece ter esta pauta com qualquer grau de prioridade”.

Para ele, o cenário de contração da economia torna a atividade uma questão mais premente que a deficiência logística. O problema, porém, é que a crise local é “mais severa que no restante do Brasil”.

Rocha entende que o acesso ao exterior é benéfico, mas os países vizinhos têm mercados consumidores limitados. Ele acha mais importante mudar o modelo para explorar outras alternativas. “A maior oportunidade ainda não explorada é a biotecnologia. Como nunca começa, cada dia fica mais distante, pois os ciclos de desenvolvimento e de aprovação para comercialização são cada dia maiores.” A superintendente da Suframa defende, ainda sem um projeto específico, o desenvolvimento do setor de fármacos via parcerias internacionais, em especial com chineses.

Nos planos de Rebecca estão também abrir a exploração de atividades como o turismo regional, exploração de madeira – hoje vetada no Estado – e a criação de um polo naval destinado a produzir balsas para as hidrovias da região.

Valor Econômico – 04/01/2016

 

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Na crise, Vulkan reforça as exportações

A Vulkan do Brasil, produtora de tecnologias de transmissão de potência e sistemas de frenagem, aposta no aumento das exportações para crescer na crise. A meta é ampliar a fatia das vendas externas de atuais 10% a 15% para entre 20% e 30% até 2018, com o avanço da presença em mercados para os quais já exporta – Austrália, África do Sul e Europa -, e para destinos incipientes em seu portfólio – China, Índia e Estados Unidos. Hoje, os países da América Latina concentram 50% das exportações da subsidiária brasileira.

A fábrica da empresa, em Itatiba (interior de São Paulo), é uma das cinco do grupo alemão Vulkan, que tem ainda unidades industriais na Alemanha, China, Estados Unidos e Itália.

Fundada em 1889, a Vulkan está há 40 anos no Brasil, onde começou atendendo a então pulsante indústria naval – a empresa é líder no mercado de acoplamentos navais. Com o desaquecimento do setor, diversificou as áreas de atuação no Brasil. A fábrica brasileira se tornou centro de desenvolvimento de tecnologias industriais e polo exportador. Cerca de 6% do faturamento anual da planta é destinado ao desenvolvimento de novos produtos.

No mercado doméstico são clientes ativos da Vulkan do Brasil as empresas Sandvik, Vale, CSN, Gerdau, Alstom , WEG, Caterpillar, Marinha do Brasil, Wilson Sons, grupo Aliança, Stemac, Electrolux, Whirlpool, Valeo, Esmaltec e Haceb. Uma das áreas de negócio da empresa é a tecnologia de conexões de tubos e mangueiras para refrigeração e ar-condicionado com o sistema patenteado Lokring. Trata-se de um anel que evita métodos convencionais de conexões como solda, sendo, assim, mais seguro (não há chamas).

A Vulkan do Brasil previa aumentar o faturamento de 2015 em cerca de 10%, para R$ 100 milhões – a margem de lucro não é divulgada. A perspectiva de alta é resultado da adoção de alternativas para enfrentar o duro ambiente interno. Presidente da unidade brasileira desde setembro de 2014, Klaus F. Hepp explica que o crescimento se daria pelo aumento das exportações e pelo desenvolvimento de novas aplicações. “Estamos entrando com força no segmento de energia eólica”, diz, para o qual a Vulkan fornece peças do sistema de frenagem das turbinas. Integram o plano de negócios dos próximos três anos o aumento do portfólio com clientes menores e a pulverização das aplicações. Há dois anos 80% da carteira era dominada por 10 a 15 clientes.

Hepp afirma que a expansão das vendas no exterior vai gerar um ganho estrutural ao negócio. Com a adequação dos produtos a requisitos mais altos, condição para entrar em mercados mais exigentes, a Vulkan do Brasil terá um portfólio maior de produtos certificados.

Apesar do aumento de receita previsto para 2015, a Vulkan do Brasil já contabiliza para 2016 um recuo nos negócios domésticos devido à crise, o que deve ser compensado pela ampliação da atuação em outros países na América Latina – a empresa abriu em dezembro uma sucursal de vendas na Colômbia e inaugurará neste mês uma no México. “Devemos ter em 2016 o mesmo faturamento de 2015. Já até 2018 devemos crescer 30% sobre os R$ 100 milhões de 2015”, diz Hepp.

De capital fechado e 100% familiar, o grupo Vulkan tem gestão profissionalizada. Além das fábricas, tem 21 filiais (a do México será a 22ª) e está presente em 50 países com escritórios de representação.

Valor Econômico – 04/01/2016

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Grande ABC teve 25,5 mil adesões ao PPE em seis meses
Fábio Munhoz

Lançado no meio do ano passado pelo governo da presidente Dilma Rousseff (PT), o PPE (Plano de Proteção ao Emprego) já foi adotado por 13 empresas da região como mecanismo para evitar demissões durante a crise econômica no Brasil – que deve perdurar ao longo de 2016. Ao todo, nos últimos seis meses do ano passado, 25,5 mil trabalhadores do Grande ABC tiveram redução temporária nos salários e na carga horária.

Em todo o Brasil, o Ministério do Trabalho e Previdência Social contabilizava em novembro 32,6 mil pessoas inscritas no plano emergencial em todo o País, sendo 30,1 mil no Estado. Ou seja, do total de trabalhadores incluídos no PPE no País, aproximadamente 78,6% estão na região.

Além disso, as adesões superaram as expectativas dos sindicalistas do Grande ABC, que em julho, quando o programa foi lançado, estimavam até 24 mil trabalhadores beneficiados.

O mecanismo permite às empresas atingidas pela crise que reduzam em até 30% a carga horária e os salários pagos aos funcionários. Metade do valor suprimido é coberta com recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), com limite de R$ 900,84, o equivalente a 65% do maior valor do seguro-desemprego.

A maior parte das adesões no Grande ABC ocorreu na base do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que engloba São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Segundo a direção da entidade, nove fábricas adotaram o PPE, sendo três montadoras (Mercedes-Benz – a primeira do setor a aderir no País –, Ford e Volkswagen, todas em São Bernardo) e seis empresas de autopeças, aço e trefilação. A sãobernardense Rassini Automotive, inclusive, foi a primeira a assinar o programa em território nacional. Esses metalúrgicos representam 25 mil trabalhadores afetados diretamente pela medida.

Em Santo André, duas metalúrgicas aderiram ao PPE: a Scórpios e a Dalpino, que, juntas, reduziram a carga horária e os salários de cerca de 360 funcionários. O vice-presidente da entidade, José Braz da Silva, o Fofão, avalia que mais acordos devem ser fechados após a segunda semana deste mês, quando as empresas retornam das férias coletivas. “Se a situação financeira dessas fábricas não melhorar, deveremos ter outras adesões ainda em janeiro”, comenta. Segundo ele, entre as companhias que estão verificando a possibilidade de participar do plano está a Alcoa Alumínios, que possui planta em Santo André.

Para Fofão, ainda são baixas as adesões por parte de empresas da sua base. “Acredito que os empresários não tenham entendido muito bem o programa”, lamenta. O sindicato de Santo André e Mauá é filiado à Força Sindical, central que não apóia o PPE. Entretanto, o vice-presidente defende a medida. “Para um sindicalista, é estranho falar em reduzir salário. Mas, neste momento, é melhor pingar do que faltar. Sem contar que, em caso de demissão, o trabalhador perde muito mais do que somente o emprego. Além de todos os benefícios, como convênio médico e PLR (Participação nos Lucros e Resultados), a pessoa perde a autoestima. Há casos de gente que começa a beber, por exemplo. Isso gera consequências muito mais graves.” Outra tese defendida pelo movimento sindical é de que a manutenção do emprego diminui os impactos da crise em outras áreas, como comércio e serviços. Isso porque a renda do trabalhador é mantida, ainda que não seja de maneira integral. Vantagem citada, ainda, é a maior rapidez na retomada do crescimento, já que a mão de obra será preservada.

Químicos – No segmento da indústria química, duas companhias da região já participam do PPE: a Tirreno, de Diadema, que foi a primeira do setor a aderir ao plano em todo o País; e a Inaflex, de São Bernardo. As empresas somam 150 trabalhadores com jornada e salário reduzidos.

O presidente do Sindicato dos Químicos do ABC, Raimundo Suzart, elogia o programa como mecanismo para enfrentar a crise. Entretanto, ele avalia que a medida não atende o setor adequadamente. Isso porque, para aderir ao PPE, o empregador não pode possuir dívidas com o governo federal. “Cerca de 80% da categoria é formada por micro e pequenas empresas. Muitas delas têm problemas na arrecadação e, por isso, não conseguem ficar em dia com os pagamentos de impostos, por exemplo. Nas grandes até dá para discutir.”

Para participar, empresas não podem ter dívidas

Empresas interessadas em aderir ao PPE (Programa de Proteção ao Emprego) têm de estar em dia com o Fisco, a Previdência Social e o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e comprovar redução no índice de emprego causada pela crise econômica do País.

Também é preciso ter zerado todos os outros mecanismos de adequação da produção, como banco de horas, lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho) e férias coletivas. Preenchidos todos esses critérios, o acordo precisa ser aprovado em assembleia dos trabalhadores.

Uma das empresas da região que quis aderir ao PPE mas não pôde por não ter conseguido zerar o banco de horas foi a Prensas Schuler, de Diadema. Para conseguir adequar a produção sem demitir, a companhia fez acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC semelhante ao programa do governo federal, que prevê redução da jornada de trabalho em 8% e, o salário, em 4%, durante cinco meses.

Como funciona – O PPE permite aos empregadores reduzir em até 30% a carga horária e os salários pagos. Como contrapartida, o Ministério do Trabalho e Previdência Social, por meio do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), complementa metade do valor suprimido do pagamento dos empregados, com limite de R$ 900,84, o equivalente a 65% do maior benefício do seguro-desemprego. Ou seja, na prática, o funcionário recebe 15% a menos durante o período de adesão, de, no máximo, 12 meses. As inscrições podem ser feitas até o dia 31 de dezembro de 2016.

Durante o período em que a empresa estiver incluída no PPE, não poderá demitir sem justa causa. A estabilidade será mantida por mais um terço do tempo de adesão. Ou seja, se o programa vigorou na companhia por um ano, não poderá haver demissões arbitrárias nos quatro meses seguintes ao término.

O governo criou o PPE no dia 6 de julho, por meio da Medida Provisória 680. Pouco mais de quatro meses depois, o texto foi convertido na lei 13.189.

Fonte: Diário do Grande ABC

Redação On janeiro - 4 - 2016
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