Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Tera-feira, 21 de Novembro de 2017






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Inflação da construção civil desacelera a 0,12% em dezembro

SÃO PAULO  –  A inflação da construção civil medida pelo Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) desacelerou para 0,12% em dezembro, de 0,40% em novembro, e acumulou alta de 7,22% em 2015, informa a Fundação Getulio Vargas (FGV). No ano passado, o indicador teve alta de 6,74%.

Em dezembro, a desaceleração foi puxada pelos materiais, equipamentos e serviços, cuja taxa cedeu de 0,86% para 0,23%. O custo da mão de obra, que tinha ficado estável em novembro, teve pequena alta de 0,02% neste mês.

No ano, materiais, equipamentos e serviços subiram 6,66% e a mão de obra ficou 7,72% mais cara.

A inflação da construção caiu em dezembro em cinco das sete capitais pesquisadas pela FGV: Salvador (0,26% para zero), Belo Horizonte (0,38% para 0,13%), Rio de Janeiro (0,48% para 0,23%), Porto Alegre (0,43% para 0,20%) e São Paulo (0,55% para 0,11%). Em contrapartida, Brasília (0,08% para 0,13%) e Recife (zero para 0,02%) registraram aceleração.

Confiança

Em queda durante todo o ano, a confiança dos empresários do setor também se reduziu este mês, de acordo com sondagem da FGV. O Índice de Confiança da Construção (ICST) recuou 0,7 ponto, para 68,9 pontos, ante novembro. Em relação a dezembro de 2014, a queda acumulada ficou em 19,1 pontos.

“Houve uma pequena melhora na percepção corrente dos negócios. No entanto, o mercado imobiliário continua com excesso de estoques; o ajuste fiscal e a queda na arrecadação têm penalizado a infraestrutura; e os planos de investimentos das empresas vêm sendo sistematicamente adiados. Assim, as expectativas das empresas voltaram a piorar neste final de ano, atingindo a confiança. Os empresários chegam ao final do ano bastante pessimistas em relação à possibilidade de reversão da crise setorial no curto prazo” observou Ana Maria Castelo, Coordenadora de Projetos da Construção da FGV/Ibre.

A piora da confiança em dezembro foi motivada pelo aumento do pessimismo em relação aos próximos meses: o Índice de Expectativas recuou 2,6 pontos, alcançando 70,3 pontos, o nível mais baixo da série, iniciada em julho de 2010. Já o Índice da Situação Atual cresceu pelo segundo mês consecutivo, para 68,0 pontos.

O indicador que mede o otimismo em relação à tendência dos negócios para os próximos seis meses exerceu a maior contribuição para a queda das expectativas, com recuo de 4,0 pontos entre novembro e dezembro, para 70,3 pontos.

A maior contribuição para a alta do ISA em dezembro foi dada pelo indicador que capta informações sobre a carteira de contratos no momento, que subiu 2,9 pontos em relação ao mês anterior, atingindo 68,6 pontos. Este indicador, no entanto, permanece muito abaixo da média histórica e do patamar observado há um ano. Para que este indicador sinalize uma efetiva recuperação da atividade, os contratos ainda terão que se elevar mais significativamente.

Falta de demanda

Os fatores apontados pelas empresas como limitativos à expansão dos negócios retratam bem o quadro do setor da Construção ao longo de 2015. Em dezembro de 2015, o principal fator limitativo foi a Insuficiência de Demanda, apontado por 49,0% das empresas. Em dezembro de 2013, somente 24,9% dos empresários se preocupavam com esta questão. Em contrapartida, a Escassez de Mão de Obra Qualificada, que em 2013 era assinalada por 34,5% das empresas, foi lembrada por somente 9,7% das empresas. Acesso ao Crédito Bancário foi um fator que apresentou forte crescimento, ao passar de de 9,4%, em 2013, para 23,7% em 2015. Por fim, vale notar o crescimento das limitações associadas ao cenário macroeconômico, incluídas em Outros.

Valor Econômico – 22/12/2015

 

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Mercado prevê inflação e juros maiores e PIB menor
Sem sinais de trégua na inflação, os analistas do mercado financeiro aumentaram suas projeções para a taxa básica de juros da economia brasileira no ano que vem. Segundo o Boletim Focus, do Banco Central, o mercado prevê agora que a taxa básica Selic, hoje em 14,25% ao ano, chegará ao fim de 2016 em 14,75% ao ano. Até semana passada, na média das previsões, a estimativa era de uma Selic a 14,63%.

Foi a terceira alta seguida na projeção para a taxa de juros.

O mercado financeiro também piorou suas estimativas para a inflação e para o crescimento da economia brasileira. Agora, os analistas acreditam que o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) terminará este ano em queda de 3,7%. Até semana passada, a estimativa era de uma recessão de 3,62%. Para 2016, a previsão é de uma queda de 2,80% no PIB — contra recuo de 2,67% previsto na semana passada.

A queda mais intensa na atividade econômica virá acompanhada por um aumento mais forte dos preços. Os analistas agora estimam que o IPCA, índice usado nas metas de inflação do governo, fechará este ano em 10,70% e, em 2016, em 6,87%. Até semana passada, a previsão era de uma inflação de 10,61% em 2015 e de 6,80% no ano que vem.
O Globo – 22/12/2015

 

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BC vê US$ 60 bi de investimento direto em 2016

A recessão econômica, o dólar alto e a consequente recuperação do saldo da balança comercial levam o Banco Central (BC) a projetar um déficit em conta corrente de US$ 41 bilhões para 2016, um recuo de 34% sobre os US$ 62 bilhões previstos para 2015 e um expressivo ajuste de 61%, em comparação com déficit recorde de US$ 104 bilhões vistos em 2014. A série histórica disponível no BC começa em 2010, mas certamente esse é um dos maiores ajustes externos na história do país.

Outra boa notícia é que o financiamento do déficit externo deve voltar a ser feito integralmente pelo Investimento Direto no País (IDP), visto como capital de maior qualidade por ser de longo prazo e mais relacionado aos fundamentos da economia. Assim, o país parece se afastar de uma trajetória insustentável de endividamento externo, que vinha se desenhando no fim do ano passado e começo deste ano, com déficit na casa de 4,5% do PIB.

Em percentual do PIB, o BC calcula que o déficit externo de 2016 vai corresponder a 2,7%, enquanto o IDP deve somar US$ 60 bilhões, ou 3,9% do PIB. Já neste ano o rombo nas contas externas deve ser financiado integralmente por investimentos produtivos, estima o BC, com ingresso de US$ 66 bilhões em IDP, contra um déficit estimado em US$ 62 bilhões, ou 3,5% do PIB.

É uma mudança importante em relação ao ano passado, quando o país recebeu US$ 96,9 bilhões em recursos produtivos, mas teve saldo negativo em conta corrente de US$ 104 bilhões, o equivalente a 4,31% do PIB.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, vem destacando o avanço no ajuste externo, um dos três vetores de realinhamento da economia. Os outros dois, nos quais os progressos são menores, são o fiscal – já que o país caminha para fechar o ano com déficits primário e nominal recordes -, e o monetário, uma vez que a inflação ruma para encerrar 2015 próxima de 11%, quase o dobro do teto da meta de 6,5%.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel, a previsão de forte retomada do saldo da balança comercial embasa o prognóstico de menor déficit para 2016. Segundo ele, há uma interrupção na tendência de retração das exportações, que vinha ocorrendo há mais de um ano.

O BC estima que o saldo da balança comercial vai dobrar, passando de um superávit de US$ 15 bilhões neste ano para US$ 30 bilhões em 2016. Maciel aponta que haverá continuidade no movimento de recuperação no volume das exportações e não se estima uma queda mais acentuada dos preços de produtos vendidos ao exterior no ano que vem, após a firme retração já registrada neste ano. No lado das importações, Maciel avalia que o principal fator de influência é a atividade mais fraca aliada ao dólar valorizado.

O BC estima que as exportações serão de US$ 190 bilhões em 2016, repetindo o valor previsto para este ano. Já as importações devem cair mais e ficar na casa de US$ 160 bilhões no fim do próximo ano, recuo de 8,6% sobre os US$ 175 bilhões previstos para 2015. Em 2014, as exportações tinham somado US$ 224,1 bilhões, enquanto as importações foram de US$ 230,6 bilhões. Assim, em um período de dois anos, a corrente de comércio brasileira aponta uma retração de 23%.

Todas as principais linhas do balanço são afetadas pela queda da atividade e valorização cambial, que beira os 40% em 2015. O BC não trabalha com valorização do dólar semelhante para 2016, mas de acordo com Maciel o câmbio médio de 2016 tende a ser superior ao de 2015.

Apesar de terem ocorrido mudanças na metodologia, o que torna mais difícil comparações precisas, a maior virada do déficit em conta corrente já registrada se deu de 1983 para 1984, depois de duas maxidesvalorizações cambiais. O país saiu de um déficit de 3,6% do PIB em 1983 para um superávit de 0,1% do PIB em 1984.

Para a balança de serviços, o BC estima déficit de US$ 33,4 bilhões em 2016, resultado menor que os US$ 38,7 bilhões em 2015, primeira queda nos últimos anos. Em 2014, o déficit nessa linha somou US$ 48,1 bilhões. A conta de viagens internacionais, que chegou a ser deficitária em quase US$ 20 bilhões, deve fechar 2016 com saldo negativo de US$ 9 bilhões, nível não visto em mais de cinco anos. Para 2015, o BC prevê déficit de US$ 11,7 bilhões.

As remessas de lucros e dividendos, tanto em 2015 quanto em 2016, estão estimadas em US$ 20 bilhões. Em 2014, essa linha do balanço tinha somado US$ 31,2 bilhões. Aqui, a queda da atividade afeta a lucratividade das empresas e o câmbio desvalorizado resulta em menos dólares quando os resultados são convertidos. Já o pagamento de juros apresenta certa estabilidade. A conta fechou 2014 em US$ 21,3 bilhões, recuando para US$ 21,2 bilhões em 2015 e para US$ 20,9 bilhões em 2016.

Os investimentos em carteira mostram forte ajuste de baixa, notadamente no mercado de renda fixa. Os ingressos de US$ 27 bilhões de 2014 ficarão em US$ 13 bilhões em 2015 e devem recuar para US$ 6 bilhões em 2016. No mercado de ações, o BC estima outros US$ 6 bilhões para 2016, menos que os US$ 10 bilhões estimados para 2015 e cerca de metade dos US$ 11,8 bilhões de 2014. De acordo com Maciel, todas as projeções já levam em conta o rebaixamento do Brasil pela Fitch na semana passada.

Questionado se também capta a mudança de ministro da Fazenda, Maciel apontou que “naturalmente não”, pois a troca ocorreu na sexta-feira. “Mas isso não altera em nada as nossas projeções”, disse. Segundo Maciel, mudanças de curto prazo na taxa de câmbio, como as observadas na sexta-feira, são circunstanciais. “Há fundamentos que justificam as projeções de forma mais consistente”, disse.

Sobre a estimativa de US$ 60 bilhões em IDP para 2016, Maciel disse que diante da redução do ritmo de atividade e dos “eventos não econômicos” poderia se perceber essa previsão como elevada. Ele lembrou que o fluxo tem mostrando resiliência e que esses investimentos captam perspectivas de mais longo prazo e não aspectos conjunturais. “O país continua sendo um mercado atrativo e o preço dos ativos recuou em moeda estrangeira. Esses US$ 60 bilhões em IDP são factíveis”, concluiu.

Valor Econômico – 22/12/2015

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Dilma defende retomada sem ‘guinadas bruscas’

Em um discurso cauteloso para tranquilizar os mercados, a presidente Dilma Rousseff deu posse aos novos ministros da Fazenda, Nelson Barbosa, e do Planejamento, Valdir Simão, enfatizando que o governo não fará mudanças “bruscas” na economia e que é preciso conciliar o equilíbrio fiscal com o crescimento econômico.

Na abertura do discurso, a presidente fez um enfático agradecimento ao ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy, destacando que sua atuação foi “decisiva” para os “ajustes imprescindíveis” na economia. Destacou que Levy atuou com “serenidade” no momento conturbado da política e superou desafios para garantir estabilidade e governabilidade. Nesse momento, Levy foi aplaudido efusivamente pelos presentes.

Em relação à nova equipe, Dilma fez questão de deixar claro que vai “trabalhar com metas realistas e factíveis, atuar para estabilizar a economia e fazer o que for preciso para retomar o crescimento, sem guinadas e mudanças bruscas”. Segundo ela, não faltou compromisso fiscal do governo federal e “não faltará”. “Não faltou determinação do governo na busca da governabilidade. Perseguimos, em 2015, estratégia de estabilização fiscal que continuará nos guiando nos próximos anos com metas realistas e transparentes.”

Dilma frisou que a mudança da equipe não vai alterar objetivos de curto prazo que, diz, são: “restabelecer o equilíbrio fiscal, reduzir a inflação, eliminar a incerteza e retomar, com urgência, o crescimento”. “A tarefa dos ministros Nelson Barbosa e Valdir Simão é, de imediato, contagiar a sociedade brasileira com a crença que equilíbrio fiscal e crescimento econômico podem e devem ir juntos”.

No fim da tarde, a troca dos nomes já fez surgir na Fazenda discurso mais alinhado às reivindicações petistas. Em sua primeira declaração oficial como novo titular da pasta, Barbosa fez um aceno a políticas voltadas à baixa renda ao atacar a inflação – que, diz ele, prejudica os mais pobres. “O controle da inflação é indispensável para a estabilidade econômica e retomada do crescimento. Mais importante: é crucial para preservar o poder de compra das camadas mais pobres. Por isso, a redução da inflação é uma política social e uma prioridade do governo”, afirmou.

O ministro afirmou que a autoridade monetária terá independência para agir. “O Banco Central tem e continuará tendo total autonomia para administrar a taxa básica de juros de modo a reduzir a inflação para o centro da meta estabelecida pelo governo”, disse.

Mesmo assim, afirmou que o Ministério da Fazenda pode “auxiliar” o BC em duas frentes. A primeira delas é por meio do próprio reequilíbrio fiscal, o que “contribui para o controle da demanda agregada e para a redução da volatilidade dos preços dos ativos financeiros, sobretudo da taxa de câmbio – o que ajuda no controle da inflação”, disse. A segunda maneira é por meio de medidas que aumentam a produtividade, que criam condições para trabalhadores e empresas no país “sem gerar pressões inflacionárias”.

Barbosa ressaltou que o maior desafio no momento é fiscal, para reduzir o endividamento público. “Temos todas as condições de superar o desafio. Ao contrário do passado em que o problema era cambial, agora é [um problema] interno”, ressaltou.

Ele mencionou que dará continuidade aos projetos de reforma tributária, sobretudo, de ICMS e PIS/Cofins. “Devido a nossa situação fiscal, o foco da reforma deve ser e será a desburocratização. Não podemos reduzir receita tributária, mas devemos melhorar perfil e eficiência da arrecadação”, disse Barbosa. Segundo ele, outras medidas – como CPMF e DRU (Desvinculação de Receitas da União) – possibilitarão melhora fiscal.

Barbosa disse que os desafios econômicos do país demandam ações com urgência. “Nossos desafios econômicos demandam ações imediatas, mas devemos agir com serenidade”, afirmou.

O ministro da Fazenda ainda mandou um recado para investidores, dizendo que “podem continuar acreditando no Brasil” porque ele trabalhará “incansavelmente para trazer oportunidades para empresas e para a população”. Antes de terminar, ele não deixou de fazer uma espécie de alfinetada a seu antecessor, que tinha discordâncias de outros integrantes do governo: “Não basta a Fazenda elaborar propostas, pois tem o dever e missão de gerar consenso em torno das medidas. Planejo ter uma intensa colaboração entre Fazenda e demais ministérios”, afirmou.

Na cerimônia, foi anunciada a nova composição da equipe da Fazenda. Grande parte dos novos integrantes vieram do Planejamento. O novo secretário-executivo é Dyogo Oliveira, que já acompanhava Barbosa no Planejamento como secretário-executivo da pasta. Ele substitui Tarcísio Godoy. Manoel Pires, até então secretário de Assuntos Econômicos do Planejamento, assumirá o comando da Secretaria de Política Econômica da Fazenda no lugar de Afonso Arinos de Mello Franco Neto. Marcelo Saintive, que pediu para sair, deixa o comando da Secretaria do Tesouro Nacional e Otávio de Medeiros assume interinamente. Fabrício Da Soller é o novo Procurador-Geral da Fazenda Nacional. Continuam nos cargos: Paulo Corrêa, secretário de Acompanhamento Econômico; Jorge Rachid, secretário da Receita Federal; e Luis Balduíno, secretário de Assuntos Internacionais.

Ainda ontem, após a posse, por meio de nota, Barbosa agradeceu o apoio dos líderes partidários da base na Câmara dos Deputados.

Valor Econômico – 22/12/2015

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Moody’s considera corte de só um degrau em nota do Brasil

A agência de classificação de risco de crédito Moody’s provavelmente seguirá a Standard & Poor’s e a Fitch e cortará a classificação da dívida do país para grau especulativo, disse em entrevista à Reuters o analista-chefe para títulos soberanos da agência, Alastair Wilson.

“É brusca a velocidade com que as projeções de crescimento para o Brasil pioraram… e também os problemas políticos que não foram resolvidos. Há quase uma tempestade perfeita”, afirmou Wilson.

“Neste caso, estamos avaliando um rebaixamento de um degrau, e não de vários. A questão é, se rebaixarmos, qual será a nova perspectiva, porque ela precisaria refletir se acreditamos que a posição é estável ou se pode piorar”, acrescentou.

No início de dezembro, a Moody’s advertiu que está considerando retirar em breve o selo de bom pagador do Brasil, argumentando que o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff aumentou as incertezas políticas, entre outros fatores.

A agência reforçou a mensagem na sexta-feira, após a nomeação de Nelson Barbosa para substituir Joaquim Levy no Ministério da Fazenda. Segundo a Moody’s, a troca pode complicar os esforços de consolidação econômica no país.

A Moody’s atualmente classifica o país como “Baa3”, último nível dentro da escala de grau de investimento. Tanto a Fitch quanto a Standard & Poor’s rebaixaram recentemente o país para “BB+” com perspectiva negativa, já no grau especulativo.

Wilson afirmou que a África do Sul é outro foco importante, após o presidente Jacob Zuma inesperadamente demitir Nhlanhla Nene neste mês e substitui-lo pelo relativamente desconhecido David van Rooyen, antes de chamar Pravin Gordhan de volta a seu emprego antigo.

A economia está cambaleando e economistas temem que o país pode ser o próximo grande mercado emergente a perder seu grau de investimento. A Moody’s atualmente classifica a África do Sul dois degraus acima do grau especulativo e um degrau acima da S&P e da Fitch, em “Baa2”, mas cortou a perspectiva da nota na semana passada.

Segundo Wilson, as perspectivas para a Argentina melhoraram após a eleição do presidente Maurício Macri, que apoia a implementação de reformas. Uma importante questão para o país é se ele será capaz de trazer a economia de volta aos mercados de crédito dando fim a uma disputa de anos com credores que rejeitaram os termos das reestruturações da dívida de 2005 e 2010.

Valor Econômico – 22/12/2015

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Erro do BNDES levou a correção contábil bilionária

A reunião do Conselho de Administração do BNDES de 27 de março de 2015 mal havia começado quando o então ministro da Fazenda, Joaquim Levy, pediu a palavra para questionar um ponto da contabilidade da instituição financeira que serviu de base para grande parte das políticas desenvolvimentistas do governo Dilma Rousseff.

A observação de Levy levou a um processo de ajuste que envolveu o BC e obrigou quatro bancos estatais a corrigirem informações sobre a contabilidade desde o fim de 2013.

As informações fazem parte das atas das reuniões do conselho do banco, enviadas à CPI do BNDES, às quais a Folha teve acesso.

Pela nova conta, o patrimônio do BNDES passou a R$ 30,7 bilhões em 31 de dezembro de 2014, menos da metade dos R$ 66,3 bilhões publicado antes na demonstração Cosif (norma brasileira para instituições financeiras).

Na reunião de março, o então ministro Levy pediu ao banco que fizesse uma consulta formal ao BC sobre o tratamento contábil a ser dado aos recursos que o Tesouro injetou na instituição na forma de dívida.

Em janeiro, o BC já havia determinado a quatro bancos federais (BNDES, BB, Caixa e Banco da Amazônia) que refizessem as contas.

No BB, a diferença foi de R$ 8,1 bilhões. Na Caixa, R$ 35,9 bilhões. No Banco da Amazônia, R$ 982 milhões.

O problema havia sido descoberto pelo BC, que pediu esclarecimentos sobre a falta de padrão na prestação de informações. Segundo o BC, os quatro bancos haviam interpretado incorretamente norma de 2013 do CMN (Conselho Monetário Nacional): os empréstimos do Tesouro deveriam constar como dívida e não como parte do patrimônio líquido.

Os bancos estatais, em conjunto, recorreram, mas a instituição negou o pedido e exigiu a publicação da correção. Por entender que não houve má-fé dos bancos nem dos auditores independentes, não foi aplicada punição.

Segundo técnicos do governo, o problema era apenas contábil e não afetou a saúde financeiras dos bancos.

Um dos motivos do erro é que, pelas normais internacionais de contabilidade (conhecidas pela sigla IFRS), que possuem regras mais flexíveis que as da norma nacional, esse dinheiro pode entrar no patrimônio do banco.

OUTRO LADO

O BNDES informou que, quando houve a solicitação do ministro, o assunto já vinha sendo discutido com o BC. O banco disse ainda que adotava a fórmula anterior de cálculo porque este era o entendimento vigente entre o BNDES e seus auditores.

O BNDES reiterou que a mudança não teve impacto negativo sobre o patrimônio que serve de referência para a capacidade de empréstimos da instituição nem sobre quaisquer outros indicadores do banco de fomento estatal.

O BB informou que, nas demonstrações contábeis individuais de março promoveu a reclassificação contábil. A Caixa não se pronunciou sobre o caso. A reportagem não conseguiu entrar em contato com o Banco da Amazônia até o fechamento desta edição.

Folha de S.Paulo – 22/12/2015

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Dilma pede a novos ministros que aliem ajuste a crescimento econômico

Pressionada pela maior recessão desde o período Collor e ameaçada por um processo de impeachment, a presidente Dilma Rousseff deu posse nesta segunda-feira (21) à sua nova equipe econômica com a orientação de fazer o “que for preciso” para retomar o crescimento.

Em um discurso de 12 minutos na cerimônia de posse dos ministros Nelson Barbosa (Fazenda) e Valdir Simão (Planejamento), a presidente repetiu pelo menos cinco vezes que ajuste fiscal e retomada do crescimento “podem e devem vir juntos”.

“Três orientações imediatas eu levo aos ministros da área econômica: trabalhar com metas realistas e factíveis para construir credibilidade; atuar para estabilizar e reduzir consistentemente a dívida pública; e fazer o que for preciso para retomar o crescimento sem guinadas e sem mudanças bruscas, atuando neste ambiente de estabilidade, previsibilidade e flexibilidade.”
Segundo Dilma, os novos ministros precisam “contagiar a sociedade brasileira com a crença de que o equilíbrio fiscal e crescimento econômico podem e devem vir juntos”.

Em sua despedida, Joaquim Levy agradeceu à sua equipe que, segundo ele, ajudou no trabalho de “reconstrução do Ministério da Fazenda”. “A política econômica tinha de mudar de rumo. E assim foi feito”, afirmou o ex-ministro.

Dilma buscou ainda responder às críticas do mercado financeiro, que recebeu mal a indicação de Barbosa. Segundo ela, os objetivos de curto prazo são “restabelecer o equilíbrio fiscal, reduzir a inflação, eliminar a incerteza e retomar com urgência o crescimento”.

Participaram da posse do novo ministro Lázaro Brandão (Bradesco), Luiz Carlos Trabuco (Bradesco), Roberto Setúbal (Itaú), Pérsio Arida (BTG Pactual), Murilo Portugal (Febraban), Luiz Moan (Anfavea), entre outros.

Folha de S.Paulo – 22/12/2015

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Voto de desconfiança

Apesar dos esforços do novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, para tranquilizar investidores, a reação do mercado foi de ceticismo quanto à continuidade da política econômica. O dólar comercial avançou 1,89%, superou a barreira dos R$ 4 e fechou a R$ 4,024, a maior cotação desde 29 de setembro. A escalada da moeda americana ganhou fôlego após as declarações de Barbosa, que reiterou o discurso de compromisso com o ajuste fiscal e combate à inflação. Além disso, afirmou que a reforma da Previdência é prioridade e o governo deve enviar uma proposta ao Congresso no primeiro semestre de 2016.

Mesmo assim, o real foi a moeda que mais perdeu valor frente ao dólar ontem numa lista de 32 principais divisas do mundo. A nova onda de turbulência no mercado financeiro com a troca de comando na Fazenda também contribui para consolidar o papel do real como moeda que mais se desvalorizou nos últimos 12 meses, período em que acumulou queda de 33,76%.

O nervosismo também foi visível no mercado de ações. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 1,62%, aos 43.199 pontos, a menor pontuação desde 1º de abril de 2009. O pregão de ontem movimentou R$ 8,232 bilhões, 29% mais que a média diária registrada em novembro. Considerando apenas o Ibovespa, índice de referência dos investidores, o pregão teve giro 8,2% superior à média dos últimos 20 dias. As demais Bolsas ao redor do mundo operaram com volume 20% abaixo da média em razão da proximidade do Natal.

‘FALTOU DETALHAR CORTE DE GASTOS’
Das 63 ações que compõem o Ibovespa, 44 fecharam em baixa, com destaque para Petrobras. Os papéis com direito a voto da estatal recuaram 4,04%, a R$ 8,31, afetados não só pelo cenário econômico como pela queda do preço do petróleo. As ações de bancos também tiveram desvalorização. Os papéis do Banco do Brasil recuaram 6,52%, a R$ 14,91.

Identificado pelo mercado financeiro como defensor da chamada “nova matriz econômica” aplicada durante o primeiro mandato do governo Dilma Rousseff, Barbosa buscou sem sucesso acalmar o ânimo do mercado com uma teleconferência com investidores organizada pelo J. P. Morgan e pelo Ministério da Fazenda. Reiterou que a intenção do governo é perseguir uma meta fiscal equivalente a 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2016.

Para muitos analistas, isso não foi suficiente para dirimir as dúvidas.

— Não houve surpresa. A gente já conhece o perfil dele, bem alinhado com o que pensa o governo Dilma. Ele fez um discurso tentando, a todo momento, convencer os investidores de que haverá retomada do investimento em 2016, mas nada com muita credibilidade. Como sua postura já é bastante conhecida, nada do que ele falasse poderia mudar essa percepção — afirmou Camila Abdelmalack, economista-chefe da CM Capital Markets.

Para Adeodato Volpi Netto, chefe da divisão de mercados de capitais da Eleven Financial Research, o discurso passou a impressão que Barbosa tentava copiar seu antecessor, Joaquim Levy:

— Há meses, Barbosa já era o ministro da Fazenda de fato, embora não de direito. Todas as medidas propostas pelo Joaquim Levy, em sua grande maioria, não foram aprovadas, enquanto o Barbosa sempre apoiou algo diferente. O mercado reage assim porque ninguém acredita no que o novo ministro está falando. Na teleconferência, parece que ele leu um discurso escrito previamente para o Levy. Mas ele não é o Levy.

Os sinais de mau humor dos investidores não se restringiram ao câmbio e às ações.

O mercado de juros futuros também demonstrou a preocupação dos investidores com o novo ministro, sugerindo a necessidade de maior aperto nas taxas daqui para frente. A taxa do contrato de DI com vencimento em janeiro de 2017 avançou de 15,9% para 16,01%, enquanto o contrato com prazo em janeiro de 2018 subiu de 16,55% para 16,72%. O mesmo movimento ocorreu em papéis com vencimento em janeiro de 2021, que avançaram de 16,33% para 16,57%.

O contrato de Credit Default Swap (CDS) do Brasil em dólar e com prazo de cinco anos — espécie de seguro contra calote e termômetro do risco associado a um país — subiu de 488,9 para 502,3 pontos-base, maior nível desde 29 de setembro.

Para Paulo Gomes, economista-chefe da Azimut, faltou no discurso de Barbosa detalhamento sobre corte de gastos. Ele avalia ainda que a ênfase na promoção do ajuste fiscal por meio da aprovação da CPMF tem poucas chances de dar certo:

— O discurso dele não é ruim, o problema é que o mercado quer ver para crer. Na época do Levy, o mercado acreditava antes de ver o resultado. O que ele falou sobre a Previdência, por exemplo, é positivo. Mas esse é um problema de longo prazo. Ele tem que anunciar cortes mais profundos e de curto prazo. O mercado esperava mais anúncios em relação aos cortes. Os investidores estão céticos.

Quando ele falou da CPMF, a probabilidade de ela ser aprovada no Congresso é muito baixa. Se ele está usando isso para chegar a meta, não vai conseguir.

OTIMISMO NO SETOR PRODUTIVO
Se a reação do mercado financeiro foi marcada por críticas e tensão, representantes do setor produtivo presentes à posse do novo ministro no Palácio do Planalto se mostraram bem mais otimistas. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, afirmou que o novo ministro vai trazer uma agenda de estímulo ao crescimento sem se descuidar do ajuste fiscal.

— A chegada de Barbosa será positiva. Ele tem uma preocupação com o setor produtivo e vai conduzir essa agenda muito bem — disse Moan.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins, que também compareceu à posse, também deu um voto de apoio a Barbosa:
— O setor da construção ficou muito animado com o anúncio de Nelson Barbosa. Ele vai trabalhar pela retomada do crescimento.

Durante a posse, Joaquim Levy aparentava desânimo. Ele saiu do Planalto sem dar declarações e seguiu direto para a cerimônia de transmissão de cargo no Ministério da Fazenda. Antes, ele tirou uma foto com todos os secretários que compunham sua equipe.

O Globo – 22/12/2015

Redação On dezembro - 22 - 2015
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