Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

Filiado a FIESP

Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017






Associe-se!
Clique aqui e conheça as vantagens

Um horizonte com menos riscos e mais previsível

O ambiente econômico em um mundo interdependente e em constante mudança é sempre um ambiente de incerteza. O progresso econômico tem sido através do tempo um processo pelo qual os homens tratam de reduzir ao mínimo possível os graus de incerteza, como forma de incentivar decisões de poupar e de investir, que vão produzir seus resultados num futuro ainda não conhecido. A redução da incerteza dá-se por meio da estrutura institucional, ou como diz Douglass North, das regras do jogo.

Todos sabemos que a economia brasileira está passando por uma crise severa. A renda nacional em 2015 voltou ao nível de 2011, num declínio inédito em nossa história. A renda por habitante está encolhendo, o desemprego aumenta, a inflação voltou a se elevar e a formação de capital, que vai determinar o crescimento futuro, está praticamente estagnada. Para coroar essa sequência de problemas, temos um grave desequilíbrio entre gastos e receitas públicas, que vai se traduzindo numa elevação do endividamento público.

Em qualquer sociedade moderna, a estagnação econômica e o declínio da renda das pessoas produzem desesperança e medo, forjam o ambiente para o surgimento de perturbações sociais. Esse potencial pode ser explosivo em sociedades ainda pobres e nas democracias de massa. Na verdade, ainda não sabemos como uma democracia de massa pode funcionar num ambiente recessivo e sem horizontes.

Não pode haver dúvidas de que a economia brasileira precisa reencontrar o caminho do crescimento econômico e que deixar as coisas como estão não é alternativa. Mas para que isso seja possível é necessário compreender porque a economia deixou de crescer. Uma percepção imperfeita de nossos problemas reais pode tornar a nossa crise cada vez mais grave. No entanto, esta possibilidade infelizmente não pode ser descartada pois ainda há gente que clama por mais gasto público e mais crédito para o consumo pessoal.

O ponto de partida para voltarmos a crescer é a recuperação e a volta do investimento privado. O investimento público, dada a dimensão da crise fiscal que afeta todos os níveis de governo, não será ainda por muito tempo o motor de qualquer crescimento duradouro. Nem pode ter qualquer papel relevante o aumento do consumo privado por meio de crédito.

Crescer de verdade nunca deixou de ser produzir mais para o mercado doméstico e para as exportações. Enquanto não nos convencermos disto não daremos qualquer passo à frente. O investimento privado não reage porque as regras do jogo tornam nosso futuro excessivamente incerto. E as incertezas derivam predominantemente da atividade do Estado, numa certa medida em razão da Constituição e das leis.

Mas, também e complementarmente, são resultado de algumas crenças e percepções compartilhadas pelos atores políticos e por grande parte da sociedade. Reduzir essas incertezas vai depender de reformas legais e de um diálogo sincero com a sociedade.

A primeira fonte de incerteza em relação ao futuro diz respeito à situação fiscal do Estado. Nos últimos vinte e cinco anos, os gastos primários do Estado cresceram em média acima da taxa de crescimento do produto. Num primeiro momento esse excesso foi financiado com a elevação da carga tributária, que cresceu quase 50% no período. Quando a disposição da sociedade de pagar mais impostos diminuiu, o Estado passou a incorrer em déficits e aumento da dívida pública, processo que se aproxima neste momento de um limite crítico.

Este aumento de gastos é resultado de normas legais que tornam certas despesas obrigatórias, estabelecem vinculações orçamentárias e determinam a indexação de rendas e benefícios. Uma outra parte resultou de decisões do governo que geraram expansões da interferência e do papel do Estado. No momento, o déficit do governo se aproxima de 10% do PIB e a dívida pública de 70% do PIB. Este cenário projeta uma trajetória futura claramente insustentável para a economia, com aumento da inflação, dos juros, do câmbio, e com a total ocupação do mercado de capitais pelo financiamento da dívida pública.

Nestas circunstâncias tudo se torna imprevisível e empreendedores compreendem que o risco de investir é grande demais. Tornar o futuro menos arriscado e mais previsível, condição indispensável para o investimento privado, é a primeira tarefa com que se defronta o governo. Para isso é preciso reordenar o funcionamento do Estado, reconhecendo as limitações derivadas da escassez. Para tal, é necessário constituir maioria política capaz de mudar as regras da Constituição e das leis que tornam automático e inevitável o desequilíbrio fiscal. Significa devolver a autonomia do Parlamento na definição do orçamento público, condicionando-o às necessidades e exigências de uma economia normal, com baixa inflação, juros baixos e câmbio num nível de equilíbrio.

Essa maioria política e parlamentar não é um sonho impossível. Mesmo nas tumultuadas relações presentes entre governo e Congresso, muitas medidas de prudência foram aprovadas, embora insuficientes numa visão mais integrada e de longo prazo de uma trajetória de equilíbrio fiscal. Está se constituindo aos poucos no sistema político, na mídia e nos setores mais informados da sociedade, uma compreensão mais realista dos limites do gasto público, da carga de impostos e mesmo da ação do Estado.

Penso que a sociedade brasileira nesta quadra de nossa vida está evoluindo para entender que estamos correndo grande perigo. Está se formando uma consciência de que algo errado está acontecendo e que soluções não cairão do céu. A economia brasileira está à deriva e esta constatação cria o clima propício ao entendimento e a alguma forma de união.

Se persistimos na ilusão da hegemonia e na divisão sistemática da sociedade entre “nós” e “eles”, ou, pior, de “nós” ou “eles”, nosso drama político e econômico alcançará o paroxismo, a partir do qual tudo será possível. Temos hoje uma grande oportunidade de evitar isto, compondo forte maioria, mesmo que transitória, para devolver ao país sua capacidade de crescer com ordem, justiça e juízo. E não podemos perdê-la.

Valor Econômico – 18/12/2015

continue lendo:

Congresso aprova nova meta fiscal e Orçamento de 2016

O Congresso aprovou ontem a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o Orçamento de 2016. Com isso, o governo conseguiu autorização do Legislativo para realizar uma meta de superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) de R$ 30,58 bilhões, ou 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano que vem. Para isso, contará com a ajuda de receitas ainda incertas, como a CPMF. O Orçamento, que em seu total chega a R$ 3 trilhões, conta com R$ 10,15 bilhões decorrentes da proposta de recriação da CPMF, que ainda não foi votada e sofre forte resistência da oposição.

— O relator jamais poderia ter colocado essa receita, esse absurdo — reclamou o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA).

TJLP SOBE PARA 7,5% A proposta do Orçamento agora vai à sanção da presidente Dilma Rousseff.

Já o Conselho Monetário Nacional (CMN) aumentou de 7% para 7,5% a taxa de juros de longo prazo (TJLP), usada em empréstimos do BNDES. Foi a quinta alta consecutiva da taxa, que no início do ano era de 5,5%. O objetivo é diminuir o descasamento entre a taxa básica de juros (Selic), hoje em 14,25%, e a taxa dos empréstimos do BNDES. Com a taxa mais alta, o Tesouro reduzirá gastos com subsídios ao banco.

O Globo – 18/12/2015

continue lendo:

CPMF já está no Orçamento

O Congresso Nacional aprovou ontem mais uma obra de ficção do governo federal: o Orçamento de 2016, que conta com previsão de arrecadação de R$ 10,3 bilhões da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPFM), que sequer foi criada. Caso os parlamentares resistam a dar aval ao tributo, defendido pelo quase ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e não haja outra fonte de receita para substitui-lo, o governo será obrigado a passar pelo vexame de propor mudança na meta de superavit primário, de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o correspondente a R$ 30,5 bilhões, que foi ratificada pelo Legislativo. Desse total, R$ 24 bilhões são de responsabilidade do governo federal e R$ 6,5 bilhões, de estados e municípios.

Para que possa engordar os cofres públicos na proporção prevista, A CPMF terá que ser aprovada até maio do próximo ano, algo considerado quase impossível pelos especialistas, diante da crise política que arrasta o país para o buraco. A meta é que, passada a noventena, o tributo seja cobrado a partir de setembro. A previsão inicial de Levy era de que a CPMF fosse avalizada pelo Congresso ainda em 2015, o que garantiria, no ano que vem, arrecadação de R$ 32 bilhões. O governo acredita que, caso a presidente Dilma Rousseff consiga sobreviver ao pedido de impeachment, terá força suficiente para ressuscitar o imposto do cheque.

O senador Acir Gurgacz (PDT-RO), relator de receitas da proposta orçamentária de 2016, não havia acatado o pedido do governo para incluir a arrecadação da CPMF, nem acolhido em seu relatório emendas de parlamentares com o mesmo objetivo. Além de não concordar com aumento de impostos, ele argumentou que não poderia prever receita de um tributo que ainda não existe. No entanto, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), líder do governo na Comissão Mista do Orçamento (CMO), apresentou emenda avulsa e conseguiu incluir a CPMF no projeto.

Para o especialista em contas públicas Raul Velloso, o governo utiliza um expediente chamado de receita condicionada, que já foi usado no passado. “Não há nada que proíba isso. O orçamento no Brasil não é impositivo e pode ser executado abaixo do previsto. O que materializa o gasto é o empenho da verba. Mas o governo está empenhando o que ainda não existe. Está forçando a barra ao colocar uma receita condicionada de uma fonte ainda não aprovada pelo Congresso”, alertou.

Na avaliação de José Matias-Pereira, professor de Finanças Públicas da Universidade de Brasília (UnB), se a CPMF não for aprovada, o governo não vai conseguir fazer o superavit prometido, de R$ 30,5 bilhões, e terá que pedir nova autorização ao Congresso para reduzir a meta fiscal. “Isso mostra como a peça orçamentária, que era para ser um dos instrumentos mais importantes do país, é tratada com inconsistência. O governo nem sabe de onde virão as receitas. A única certeza, com a atual crise, é que a arrecadação será menor”, afirmou.

Salário mínimo

O texto aprovado ontem prevê uma arrecadação total de R$ 2,954 trilhões e despesas de R$ 2,923 trilhões em 2016. Inicialmente, a proposta do Orçamento determinava uma meta maior para o superavit primário, de R$ 43,8 bilhões, correspondentes a 0,7% do PIB, mas o governo articulou para reduzir a meta e não ter que cortar gastos. O salário mínimo, hoje em R$ 788, subirá para R$ 871, mas o valor exato ainda será definido pelo governo.

Para calcular os valores da peça orçamentária, o relator-geral, deputado Ricardo Barros (PP-PR), usou como parâmetros uma projeção de queda de 1,9% do PIB e estimativa de inflação de 6,47% no próximo ano, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A taxa Selic média foi calculada em 13,99% ao ano, abaixo do nível atual de 14,25%.).

Correio Braziliense – 18/12/2015

continue lendo:

Modelo de gestão da ‘era pós-Levy’ já começa a surgir

Embora não tenha sido oficializada a saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda, a gestão do governo pós-Levy já começou.

Fontes da área econômica viram uma primeira iniciativa de mudança da política econômica, que se seguirá à demissão do ministro, na decisão do BC que, na quarta feira, liberou compulsório para financiar projetos de infraestrutura do PAC e para bancos de menor porte. São cerca de R$ 3 bilhões que serão, segundo essas fontes, destinados a financiar as empresas construtoras do Minha Casa, Minha Vida credoras do governo, que não tem dinheiro para pagá-las. Levy não gostou do que viu.

A presidente Dilma Rousseff teria manifestado interesse em colocar na Fazenda um nome que saiba vender esperança no futuro. Levy teria ficado muito focado no ajuste fiscal, no entender de fontes do Planalto. Dilma e o ex-presidente Lula querem um ministro que fale em crescimento econômico para mostrar que a recessão e o desemprego são passageiros.

Em conversas com amigos nas duas últimas semanas, Levy comentava que, ao contrário do que se espalhou pelos quatro ventos, sua agenda na Fazenda nunca foi só o ajuste fiscal. No discurso de posse, lembrou que desfiou os principais eixos da política econômica que pretendia imprimir, começando por “enfrentar hábitos arraigados, consertar equívocos e avançar nas reformas para preparar o Brasil pós-commodities”.

Se o governo pretendeu focar no fiscal, disse ele, foi porque “provavelmente não quer reformas” e que, muito provavelmente, “ainda pensa, como no caso do impeachment, que pode manter tudo igual só com ajustes de curto prazo”.

O custo da deriva fiscal ficou cristalino com o envio, ao Congresso, do Orçamento de 2016 deficitário e a consequente perda do grau de investimento pelas agências de rating Standard & Poor’s, em setembro, e pela Fitch, nesta semana. O preço do ajuste vai aumentar porque o Congresso entra em recesso sem ter votado medidas de aumento de impostos que exigem o princípio da anterioridade.

Levy encontrou as finanças públicas devastadas pelo governo durante o primeiro mandato. Errou por ter firmado uma meta de superávit primário de 1,2% do PIB ainda no fim de 2014, mas não conhecia a extensão da gastança, das pedaladas, dos impactos nos anos seguintes de medidas tomadas até 2014. Nem todas as informações lhe foram passadas durante a transição. Houve uma farta distribuição de generosos subsídios, durante a vigência da nova matriz econômica, as contas não fechavam e o buraco era gigantesco.

Para ele, a agenda de crescimento do Ministério da Fazenda teve início com o “combate ao patrimonialismo”, a exemplo do Conselho Administrativo da Receita Federal (Carf), envolvido nas investigações de corrupção da Operação Zelotes, que mesmo diante desse processo passou por profundas reformas.

Sob sua gestão, a Fazenda cortou subsídios sem retorno, com a reoneração parcial da folha de pagamento das empresas. Já anunciados ministros – ele e Nelson Barbosa, no fim do ano passado -, reformaram as condições dos empréstimos do Programa de Sustentação dos Investimentos (PSI), que abriu um rombo de R$ 30 bilhões nas contas públicas.

O Conselho Monetário Nacional sob a presidência da Fazenda, aumentou a TJLP e os juros no plano safra, que haviam gerado pedaladas bilionárias no Banco do Brasil. Reduziu focos de tensão com o TCU dando maior transparência nas receitas e despesas da União e acatando sugestões do tribunal.

Em várias conversas que teve nos últimos dias, o ministro fazia um verdadeiro testamento. Citou que com o ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, fez todo o conserto do setor elétrico, cujas empresas estavam com sérios problemas financeiros por causa das heranças da MP 579, pilar do plano da presidente Dilma Rousseff para baixar as contas de luz. Restabeleceu-se o realismo tarifário e as tarifas de energia aumentaram em média 52% este ano.

Também encontrou uma solução para o fornecimento de energia em condições mais vantajosas à indústria eletrointensiva do Nordeste, que estava à beira do colapso. Lá foram adotadas tarifas compatíveis com a expansão da oferta e reajustes usando a inflação implícita nas NTN-Bs. Esse, aliás, foi o primeiro passo para a desindexação da economia desde o Plano Real, ressaltava.

Após as reformas no setor, o governo conseguiu levantar R$ 17 bilhões em um leilão de hidrelétricas, em que pela primeira vez não houve a triangulação de recursos públicos a partir de financiamentos do BNDES. Parte do dinheiro novo, cerca de R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões, será destinado à capitalização das empresas distribuidoras da Eletrobras, facilitando sua venda e fechando um dos muitos ralos da estatal, comentou.

Outras áreas que estavam sendo abordadas se referiam ao desenvolvimento de financiamentos para as grandes obras que o país demanda, com novas debêntures para a infraestrutura e realinhamento da tributação dos instrumentos financeiros como LCA, LCI e renda variável, dentre outros.

Na área tributária, tentou-se avançar em duas reformas, a do ICMS e a do PIS/Cofins, cuja proposta de introdução do regime de crédito financeiro já está na Casa Civil. A proposta de financiamento da transição do ICMS com os recursos da “repatriação”, sem criar mais despesas para o Tesouro Nacional, foi, segundo o Ministério da Fazenda, “descarrilhada” na Câmara dos Deputados, mas voltaria aos trilhos com a proposta de emenda constitucional do Senado.

Levy propôs, com o Banco Central, uma nova lei de punição do sistema financeiro, aproveitando as reformas do novo Código de Processo Civil, que criaria um conselho de recursos especial para o setor de mercado de capitais, separado da área bancária, e um decreto com reforma do conselho recursal da Susep, para melhorar a governança desses órgãos.

A desvalorização do câmbio, apesar do impacto nos preços domésticos, permitiu a queda do deficit na conta corrente à metade e deu um novo alento para os exportadores. Durante esse período, não houve debate no Palácio do Planalto nem na área política e nem na Fazenda sobre a condução da taxa de juros pelo Copom.

A crise política e as investigações da Lava-Jato, porém, deram um tombo na economia e na arrecadação de impostos, inviabilizando o superávit fiscal de 2015. A recuperação da Petrobras ainda não ocorreu e a reforma da Previdência não avançou.

Valor Econômico – 18/12/2015

continue lendo:

Para analistas, índice de atividade do BC cai pelo quinto mês seguido

Apesar da queda um pouco menor do que o esperado no varejo, os fracos indicadores de atividade econômica em outubro apontam para mais um mês de retração do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que deve ter o quinto mês seguido de recuo.

Segundo estimativa média de 16 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, o indicador, que tenta reproduzir o comportamento mensal do PIB, caiu 0,4% em outubro, após retração de 0,5% em setembro, feitos os ajustes sazonais. As projeções para o IBC-Br, que deve ser divulgado hoje, vão de queda de 0,06% a 1%. Na comparação com outubro do ano passado, a expectativa média é de que a atividade recuou 6,1%.

Para Natalia Cotarelli, economista do Banco ABC Brasil, o desempenho ruim do IBC-Br reforça a avaliação de que o PIB do quarto trimestre será negativo, embora com variação um pouco menos intensa do que observado entre julho e setembro. Natalia estima queda de 0,3% do índice calculado pelo BC entre setembro e outubro. Para ela, o varejo ampliado, que considera as vendas de automóveis e de material de construção, até teve um desempenho melhor do que o esperado, ao cair 0,1% na passagem mensal, mas não foi o suficiente para compensar a nova retração da produção industrial no período.

De acordo com o IBGE, o setor teve o quinto resultado negativo em outubro, com variação de -0,7% em relação a setembro e de -7,2% em 12 meses. “E a indústria tem um peso um pouco maior do que o varejo nos nossos modelos para projetar o IBC-Br”, explica Natalia.

Para André Muller, economista da AZQuest, a estimativa de retração de 0,6% do IBC-Br reforça a percepção de que o quarto trimestre será mais um período de recuo do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo ele, apenas pelo carregamento estatístico deixado pelo terceiro trimestre, a queda do IBC-Br entre outubro e dezembro seria de 1,1% na comparação com o trimestre anterior, feitos os ajustes sazonais. Como a atividade não para de cair, diz Muller, a estimativa é que o IBC-Br encerre o período com variação negativa de 1,4%, mesmo ritmo do trimestre anterior.

O número para o PIB deve ser levemente menos negativo, com tombo de 1,1%, após a queda de 1,7% registrada no terceiro trimestre. “É uma variação um pouco menor, mas pelos números que temos para novembro e dezembro já disponíveis, o viés é para baixo”.

Natalia, do ABC, também avalia que por enquanto não há sinais de estabilização da atividade. A economista ainda não tem projeções fechadas para o trimestre, mas a estimativa preliminar é de nova contração do PIB, ainda que não na mesma magnitude do terceiro trimestre. “E o recuo é generalizado entre os setores: indústria, serviços, comércio”.

A renda, por exemplo, caiu 8,8% em novembro, na comparação com igual mês do ano passado, o que deve ter reflexos sobre o comércio em 2016. “Vamos continuar a ter quedas fortes do varejo, por enquanto não dá para enxergar recuperação da atividade em 2016”.

Valor Econômico – 18/12/2015

continue lendo:

CMN eleva TJLP para 7,5% ao ano

O Conselho Monetário Nacional (CMN) elevou a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) em 0,5 ponto percentual, de 7% para 7,5% ano. A taxa vai vigorar ao longo do primeiro trimestre de 2016. A TJLP serve de parâmetro para os financiamentos do BNDES. Neste ano, a taxa foi elevada em 2,5 pontos, saindo de 5% no fim de 2014, patamar mantido durante dois anos.

A formulação da TJLP leva em conta a meta para o IPCA, mais um prêmio de risco. De acordo com nota da Fazenda, o CMN decidiu elevar o prêmio de risco em 0,5 ponto, “tendo em vista a evolução média dos índices que refletem o risco-Brasil em mercados internacionais”.

Valor Econômico – 18/12/2015

continue lendo:

Reconquistar a confiança no Brasil

As múltiplas crises que atingem o Brasil -no plano fiscal e econômico, no campo moral e político – se alimentam mutuamente e caminham a passos largos para um agravamento ainda maior, dada a ausência de rumo do governo Dilma Rousseff. É zero a confiança que a gestão do PT inspira hoje tanto nos investidores quanto em quem trabalha e produz. Ou, pelo menos, naqueles que ainda restam depois de o país ser novamente rebaixado.

Vivemos um retrocesso de no mínimo uns 20 anos. Experimentamos sensações que pareciam ter ficado no passado, mas ora ressurgem. Corremos céleres para uma nova década perdida.

É importante entender que as causas por trás da combinação perversa de crescimento negativo, inflação de dois dígitos, desemprego caminhando para ultrapassar 10% já no início de 2016, crescente desequilíbrio fiscal e perda de confiança da população e dos investidores no governo são domésticas, e não externas.

É verdade que o menor crescimento mundial, em especial da China, derrubou os preços de commodities a partir de 2011. Mas nossos vizinhos exportadores de matérias-primas, ao contrário de nós, continuaram e continuam crescendo.

No Brasil, uma sucessão de decisões erradas e políticas de governo ruinosas adotadas desde 2009 geraram o cenário atual, que não é outro senão o de um desastre de grandes proporções, que ora se transforma em aguda crise social. O fracasso poderia ter sido pelo menos atenuado se houvesse nos últimos anos algum compromisso do governo petista que não fosse apenas com seus interesses próprios. Nunca houve.

Neste e no próximo ano duas quedas sucessivas importantes acontecerão: do PIB e da renda per capita, esta acumulando baixa de 9% entre 2014 e 2016. São os brasileiros empobrecendo, é o país andando para trás.

Um exemplo da irresponsabilidade com que o governo vem conduzindo o país – e tudo indica que a vontade da presidente da República é perseverar nos erros – foi a expansão da dívida pública a partir de 2009. O que deveria ter sido um instrumento temporário de combate à restrição do crédito decorrente da crise mundial naquele ano acabou se transformando em política permanente de concessão de subsídios, aumentando o endividamento bruto em mais de R$ 500 bilhões. Quem ganhou com isso?

Em momento posterior, essa expansão da dívida pública e das subvenções dadas levou às pedaladas fiscais, quando o Tesouro Nacional atrasou de forma planejada o ressarcimento dos subsídios concedidos pelos bancos públicos. O problema das pedaladas não foi o Minha Casa Minha Vida ou outros programas sociais, mas sim os empréstimos para empresas amigas e o atraso em pagamentos de subsídios de mais de R$ 50 bilhões.

Ao invés de promover reformas estruturais fundamentais para o país (tributária, trabalhista e previdenciária) e definir marcos regulatórios adequados para atrair investimento privado em infraestrutura, o governo do PT percorreu o caminho contrário: agigantou o Estado, interviu onde não deveria e aprofundou distorções.

Junto a isso, uma política pretensamente nacionalista voltada a aumentar o investimento nos setores de petróleo, gás e energia transformou-se num desastroso controle de preços que levou ao crescente desequilíbrio financeiro das duas principais estatais brasileiras, a Petrobras e a Eletrobras. A conta está sendo paga agora pela população.

A redução forçada das tarifas de energia – em torno de 20% – em 2013 resultou em aumentos de mais de 76% nos últimos dois anos, na queda de investimentos e na paralisia do setor, que precisará ainda de novos aumentos de tarifas para restaurar o equilíbrio dos contratos. Ao mesmo tempo, nossa matriz energética tornou-se mais suja, na contramão da sustentabilidade.

Com o controle artificial dos preços dos combustíveis, a Petrobras foi afetada não apenas no seu fluxo de caixa e no aumento exponencial de seu endividamento, mas também pela sua utilização como instrumento de desvios de recursos públicos para financiar, segundo o STF, uma organização criminosa. Uma empresa de excelência com mais de 60 anos de história foi desestruturada, está hoje imersa em graves problemas administrativos e financeiros, obrigada a cortar investimentos e a vender ativos na bacia das almas.

Como se não bastasse, a estratégia de equívocos foi ainda agravada pela política ideológica que nos isolou do comércio mundial e atrasou ainda mais nosso parque produtivo, hoje reduzido a uma sombra do passado. A cada ano, despencamos nos rankings mundiais de competitividade.

Às consequências de todos esses erros somou-se a constatação de que os brasileiros foram deliberadamente enganados durante as eleições do ano passado: a bonança apresentada e prometida pela presidente-candidata em sua campanha não existia. Com isso, o segundo governo Dilma começou com enorme déficit de credibilidade, o que contribuiu para inviabilizar a agenda de reformas estruturais, muitas vezes adiada, mas necessária para nos tirar da crise.

Ao contrário do que costuma apregoar o governo, o problema do país não é a oposição. O governo Dilma simplesmente não sabe aonde ir e não mobiliza mais sequer sua base política em torno de suas propostas. Como liderar assim um país como o Brasil?

Mesmo se contasse hoje com apoio suficiente no Congresso para fazer os ajustes necessários, como já teve, falta ao governo e ao PT a convicção sobre o quê fazer. Falta-lhes clareza até sobre quais metas almejam com suas políticas públicas. Sua única certeza é tentar dar continuidade a seu projeto de poder, custe o que custar, doa a quem doer.

Vive o país hoje sem parâmetros fiscais, sem perspectiva de retomada de crescimento, sem horizonte para investimentos. O que deveria ser um ajuste fiscal se revelou mero corte de investimentos públicos (redução de 40% reais) e arrocho sobre os trabalhadores. Terminaremos o ano com um déficit primário de 1% do PIB ou de 2% do PIB com o pagamento das pedaladas fiscais. Em qualquer hipótese, o pior resultado já registrado. Ou seja, o buraco fiscal aumentou ao invés de diminuir. Agora, em plena recessão, a saída encontrada pelo PT é aumentar ainda mais os impostos. Assim não dá.

À paralisia e dificuldade em apontar rumos soma-se o cruel aparelhamento da máquina pública feito por um governo que parece acreditar que partido, governo e Estado são as mesmas coisas. Não são.

A verdade é que depois de 13 anos no poder o PT não tem respostas para os principais desafios do país, como educação e saúde com qualidade, oportunidades de trabalho, a simplificação tributária para quem empreende ou a reforma da previdência, entre outros tantos. Não sabe como lidar de maneira equilibrada com o orçamento público, não consegue levar adiante os projetos estruturantes necessários.

O atual governo perdeu a confiança da população, das forças produtivas e as condições básicas para formular e liderar uma ampla coalizão política pró-reformas, capaz de promover a retomada do nosso crescimento econômico. E essa é a base para a construção de soluções capazes de nos tirar do abismo em que fomos colocados: confiança.

O país só retomará o rumo da prosperidade, do desenvolvimento e da verdadeira superação das desigualdades sociais quando voltar a dispor de um novo governo com credibilidade e que inspire confiança em quem trabalha, em quem produz, em quem investe.

Esse caminho precisa ser construído com responsabilidade, dentro dos limites da Constituição, respeitadas as nossas instituições. É pelo que o PSDB vem lutando no Congresso, nas ruas e onde governa. Para o bem do Brasil e dos brasileiros.

Valor Econômico – 18/12/2015

continue lendo:

 

Redação On dezembro - 18 - 2015
  • Central de atendimento
  • Telefone: (11) 3285-3522 / e-mail: sicetel@sicetel.com.br
Associe-se!
        Clique aqui
Cadastre seu e-mail e receba periodicamente notícias do SICETEL.