Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017






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IPC-Fipe avança 0,97% na segunda medição de dezembro

SÃO PAULO  –  A inflação apurada pelo Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) desacelerou de 1,04% para 0,97% da primeira para a segunda prévia de dezembro, influenciada por uma alta menos intensa nos preços dos alimentos.

O grupo alimentação saiu de alta de 2,26% para 2,08%, mas ainda foi responsável por metade (0,50 ponto percentual) da taxa da segunda quadrissemana deste mês. Também houve variações positivas menores entre uma pesquisa e outra em Habitação, de 0,40% para 0,36%; Transportes, de 0,99% para 0,82%; Saúde, de 0,56% para 0,52%; Vestuário, de 0,61% para 0,50%, e Educação, de 0,15% para 0,12%.

Despesas Pessoais, contudo, foram de 0,98% para 1,21% de aumento. Este grupo representou o segundo maior peso no IPC-Fipe, sendo responsável por 0,16 ponto do indicador.

Valor Econômico – 17/12/2015

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IGP-10 inaugura lista de índices anuais de 2 dígitos

Primeiro índice de inflação do ano fechado, o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) confirma a expectativa de que as altas médias dos preços rodarão acima dos 10% este ano: encerrou em 10,54% – a maior taxa desde 2010 (11,16%), pressionada por reajustes em preços administrados; maior frequência na variação do dólar – que deixou importados mais caros – e aumentos em preços dos alimentos.

Na prática, como o IGP-10 antecipa o comportamento da família dos IGPs, o resultado indica também alta recorde para esses indicadores no maior patamar nos últimos cinco anos, comentou o Superintendente Adjunto de Inflação do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Salomão Quadros. Para ele, isso traz preocupação para 2016, que deve começar com inércia inflacionária expressiva.

Mesmo em alta no desempenho anual, a taxa do indicador desacelerou no resultado mensal. Entre novembro e dezembro, a inflação apurada pelo IGP-10 diminuiu entre 1,64% para 0,81%, favorecida pelo movimento recente de commodities em baixa no setor atacadista, que levou à menor variação de preços no atacado como um todo (de 2,15% para 0,80%), setor que representa 60% do resultado total do IGPs.

Entre as quedas e desacelerações de preços de commodities mais expressivas, observadas de novembro para dezembro, estão as de trigo (de 5,41% para 2,14%); milho (de 4,79% para 1,22%); soja (de 1,01% para -3,37%); e minério de ferro (-0,07% para -7,41%).

Entretanto, no caso dos itens com origem agropecuária, o repasse dessas quedas e desacelerações de preços ainda não chegou ao varejo. Houve aceleração de novembro para dezembro (de 0,76% para 1,07%). Isso porque o setor sofre com um “repique” de alta dos alimentos in natura (18,83%), que fortaleceu a inflação dos alimentos como um todo no varejo (de 0,77% para 1,92%).

Para Quadros, o cenário delineado pelo IGP-10 sinaliza a evolução dos IGPs não só no fechamento do ano como também a trajetória de atacado e varejo no começo de 2016. Ele comentou que, até o momento, todos os sinais são de permanência dos preços das commodities em baixa por um tempo, o que deve continuar a pressionar para baixo a inflação atacadista, pelo menos no começo do ano.

No entanto, o início do ano é, historicamente, de alta de preços dos produtos in natura, devido ao clima errático do período, que prejudica oferta de lavouras curtas – sendo que esse tipo de alimento já está mais caro no varejo, em dezembro. Isso, na prática, deve continuar a ajudar a elevar a inflação percebida pelo consumidor em janeiro, admitiu ele.

Outro aspecto preocupante é que, mesmo com trajetórias opostas, em seus resultados mensais de dezembro, tanto atacado quanto varejo no âmbito do IGP-10, encerraram o ano com inflação em dois dígitos, respectivamente de 11,14% e de 10,25%.

Valor Econômico – 17/12/2015

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A raiz da crise

Míriam Leitão – 17/12/2015

O governo acabou. No dia de ontem isso ficou muito claro. O Supremo Tribunal Federal (STF) está definindo o rito do impeachment, o país perdeu o grau de investimento, a área econômica bate cabeça, com decisões sobre o Ministério da Fazenda sendo tomadas sem que o ministro seja ouvido. No Congresso, a oposição é que se mobiliza para defender o erário.

Pode parecer um mero detalhe, mas é um exemplo desse clima de fim de governo. A Receita Federal é contra a nova mudança e ampliação do Simples Nacional. Uma já foi aprovada no ano passado. Entre outras razões, argumenta que isso significaria perda de R$ 6 bilhões em 2016, de R$ 12 bilhões em 2017 e R$ 18 bilhões em 2018.

Estados e municípios perderiam de R$ 5 bi a R$ 7 bi por ano. A Receita fez uma nota técnica mostrando os riscos da mudança, mas o Projeto de Lei Complementar 125/2015 está sendo ardorosamente defendido pelos governistas.

Os senadores do PSDB Aloysio Nunes Ferreira e Cássio Cunha Lima tentaram barrar o projeto para debatê-lo, mas a bancada do governo o defende. Quando o senador Aloysio procurou o líder do governo na Comissão Mista de Orçamento, Paulo Pimenta, com a nota técnica da Receita, mostrando os argumentos, ele disse que isso era coisa de “burocrata”. O senador oposicionista disse que a Fazenda era contra, mas o deputado disse que a Casa Civil era a favor. Foi aprovado na Câmara.

A área técnica do governo não consegue interlocução com os próprios governistas. Fatos assim alimentam o pessimismo em relação ao Brasil. Uma agência, quando analisa o país, olha a tendência de longo prazo. O Brasil, depois de dois anos com déficit primário, terá uma meta flexível, que poderá ser zero. Houve mais um espetáculo de desautorização pública do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
Daqui para diante haverá mais fluxo de capital para os Estados Unidos e menos interesse em países em desenvolvimento. Ontem os juros começaram a subir nos Estados Unidos depois de sete anos de juros zero. Não foi apenas um movimento.

Haverá outros. É uma mudança na política monetária da maior economia do mundo e isso tem reflexos. O Brasil está na pior situação possível neste momento: sendo rebaixado por agências de risco.

O rebaixamento pela Fitch era esperado, mas tem efeitos. A partir de agora o Brasil não é grau de investimento. Os investidores institucionais exigem duas agências classificando nesse nível para que o país seja colocado no mapa das inversões. A única nota boa que o país tem é da Moody’s, mas a agência já comunicou rebaixamento para breve.

Como foi que chegamos até aqui? Com o ataque sistemático e continuado às bases da Lei de Responsabilidade Fiscal, com o desprezo pelos fundamentos da estabilidade monetária e fiscal que tem caracterizado a administração Dilma Rousseff.
A presidente agora deverá enfrentar um rito diferente do que foi defendido pelo advogado-geral da União no processo de impeachment. O processo é longo, e ela terá tempo de se defender. Mas do que é acusada a presidente Dilma? De atentar contra a Lei Orçamentária, de desrespeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal. E ela tem feito exatamente isso, tanto que o país chega ao fim de cinco anos de seu governo em trapos do ponto de vista fiscal.

Na nota técnica da Receita Federal contra a nova mudança e ampliação do Simples — que inclui até empresas de bebidas na renúncia fiscal e dobra os prazos para pagamentos de dívidas tributárias — um dos argumentos é que ela fere a Lei de Responsabilidade Fiscal. Só quem se preocupa com as ponderações dos técnicos do governo é a oposição, porque os governistas aprovaram o regime de urgência ao projeto sem ouvir o que a Receita está dizendo.

A ideologia de Dilma é incompatível com a estabilidade monetária e fiscal. Não foram apenas seis decretos de crédito suplementar. Foi toda a política implantada por ela. O Brasil perdeu o selo de bom pagador pelo qual lutou durante anos nos governos Fernando Henrique e no primeiro mandato de Lula. A vitória foi conquistada passo a passo. A perda é também o resultado de erros repetidos. Eles começaram no final do período Lula, mas ganharam vulto na administração Dilma.

O Globo – 17/12/2015

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CNI projeta 2016 sem perspectiva de melhora

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta 2016 como um ano “sem perspectiva de melhora” e vê empresários do setor “ainda desanimados e com grande desalento em relação ao que pode acontecer em 2016”, avaliou o presidente da entidade patronal, Robson Braga de Andrade, ao apresentar o “Informe Conjuntural” de dezembro. O documento contém estimativas da economia para 2015 e as projeções para 2016. “Queremos que 2015 acabe rápido, mas não queremos que 2016 comece, porque não temos soluções para o próximo ano”, resumiu.

“Achamos incrível, o Brasil tem [hoje] duas agendas: a agenda do Congresso, sobre a presidência da Câmara dos Deputados, e uma da presidente Dilma, se eles ficam ou não ficam. São as duas agendas tentando sobreviver e enquanto isso o restante da economia brasileira vai ficando relegada a um segundo, terceiro, quarto ou quinto plano”, analisou Andrade.

Segundo ele, a CNI não tem “um posicionamento político a favor ou contra o impeachment”. Isso porque, para a CNI, “o Congresso Nacional é que tem de fazer essa análise e julgamento”, continuou ele. “Somos a favor que esse rito seja seguido o mais rapidamente possível”, acrescentou Andrade.

Com base nesse cenário, a CNI espera uma retração de 3,3% no Produto Interno Bruto (PIB) deste ano e uma diminuição de 2,6% no próximo ano. Nos dois casos, a queda deve ser encabeçada pela indústria A redução no PIB do setor recuará 6,4% em 2015 e 4,5% em 2016, projeta a CNI.

Os dados negativos terão um impacto direto nos investimentos do setor. O “Informe Conjuntural” estima um recuo de 15,5% no investimento neste ano e uma retração de 12,3% nesse indicador no próximo ano. “Isso se reflete na taxa de desemprego, que deve ultrapassar dois dígitos em 2016”, avaliou o gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flavio Castelo Branco.

Para a CNI, o indicador deve passar para 8,3% em 2015 e 11% em 2016. “É desanimador, já fui mais otimista. Acho que teremos mais desemprego [em 2016]”, acrescentou o presidente da CNI.

O “Informe Conjuntural” também projeta uma inflação acumulada de 10,5% em 2015 e 6,8% em 2016, ainda acima da meta fixada pelo Banco Central. Apesar disso, a CNI não projeta um novo ciclo de aperto na taxa de juros.

Valor Econômico – 17/12/2015

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‘São medidas que dão uma folga, um fôlego, um alívio para o setor privado’

Professor da Unicamp afirma que há número expressivo de empresas prestes a pedir recuperação judicial, o que pode afetar o sistema bancário

As medidas recentes tomadas pelo governo de liberação de recursos mostram mudança na condução da política econômica?
São medidas laterais que dão um pouco de folga, de fôlego, de alívio ao setor privado que está encalacrado.

Por que o senhor acha que o governo tomou esse caminho?
Parece que caiu a ficha de que seria necessária alguma medida para contrabalançar, diante da continuidade de elevação dos juros e da redução, nessa proporção, do investimento público. Achavam que poderiam fazer um ajuste fiscal em uma economia desacelerando e recuperar a confiança. Não foi esse o resultado.

Desde 2012, o país apresenta sinais de instabilidade e desaceleração. A política econômica partiu desesperadamente para colocar a inflação na meta depois do choque de tarifas de 10%. É óbvio que houve uma combinação de expectativas de inflação mais alta, o Banco Central subindo mais os juros, o investimento público indo para o calcanhar, e o setor privado se encolhendo. Disseram que iam recuperar a confiança, mas destruíram a confiança.

E o efeito nas empresas?
Já é possível ver no balanço das empresas o efeito que causou essa política. Elas deixaram de pagar o principal da dívida, pagando só os juros. Há um número expressivo de empresas prestes a pedir recuperação judicial. Estou vendo a gente caminhando para uma crise de liquidez para ser administrada pelo BC, que quer subir os juros, agravando a situação e colocando os bancos no córner. Há muitas empresas do setor de óleo e gás que não conseguem pagar o serviço da dívida, mas ninguém fala.

Mas o ajuste fiscal não é necessário?
Tentar fazer reequilíbrio fiscal quando a economia despenca desse jeito, dando um choque desse tamanho, cai a receita fiscal. O país está indo para depressão.

O Globo – 17/12/2015

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Empresas brasileiras são rebaixadas

A Fitch rebaixou na noite de ontem o rating de uma série de empresas brasileiras na esteira do corte da nota de crédito do Brasil. A perspectiva dos ratings é negativa, mas a maioria das companhias manteve o grau de investimento.

O rating da Vale foi rebaixado de “BBB+” para “BBB”, em observação negativa. As empresas Cielo, Localiza, Tractebel e Taesa tiveram suas notas cortadas de “BBB” para “BBB-“, com perspectiva negativa.

Ao mesmo tempo, a Fitch afirmou as notas da BRF (“BBB”), da Braskem (“BBB-“, com a perspectiva alterada de estável a negativa), Fibria (“BBB-“), Comgas (“BBB-“), Gerdau (“BBB-“), Klabin (“BBB-“) e Raízen (“BBB”).

Entre as empresas de capital fechado, a agência rebaixou o rating da Aché, Globo Comunicações e Itaipu Binacional, enquanto as notas da Votorantim e Odebrecht foram afirmadas.

Valor Econômico – 17/12/2015

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Governo ainda sinaliza falta de convicção fiscal, dizem economistas

A revisão da meta de resultado primário para 2016 por meio de emendas ao projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) mudou pouco o cenário fiscal de economistas consultados pelo Valor, que já projetavam déficit nas contas públicas no ano que vem. O vaivém nos parâmetros fiscais que serão perseguidos em 2016, porém, é visto como mais uma sinalização negativa em meio a uma série de incertezas sobre a disposição do governo em continuar a perseguir reformas que garantam a reversão da trajetória de aumento da dívida, que pode chegar a 80% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018.

Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria, faz parte desse grupo e estima dívida de 79% do PIB em 2018, resultado de déficit nominal de 0,8% do PIB em 2016 e de superávits primários muito fracos esperados para os dois anos seguintes. A mudança da meta fiscal pelo governo não alterou suas projeções, mas é vista como mais um sinal negativo dado pelo governo, que serviu de gatilho para a decisão da Fitch ontem. “A meta de 0,7% do PIB ainda mostrava alguma disposição para correr atrás de resultados melhores, algo em que o Levy insistia. Quando não tem nem essa pré-disposição, fica ainda mais difícil”, diz ela.

Embora seja considerada menos relevante para a sustentabilidade das contas públicas no médio prazo, a possibilidade de abatimento de investimentos da meta de 2016, que permitiria na prática superávit primário entre zero e 0,5% do PIB, foi considerada a “gota d’água” na decisão da Fitch de rebaixar a nota de dívida soberana do Brasil para BB+. Foi a segunda agência de classificação de risco a tirar o grau de investimento do país. Como resposta, a Comissão Mista de Orçamento do Congresso voltou atrás e estabeleceu que a meta de superávit primário será de 0,5% do PIB, sem possibilidade de abatimentos.

Alcançar um primário no ano que vem de mais ou menos 0,5% do PIB não é o grande problema econômico do país, diz Marcos Lisboa, diretor-presidente do Insper. A preocupação central é a trajetória de crescimento do gasto público obrigatório acima do crescimento da renda – algo visto já há muitos anos e que foi agravado, segundo ele, no fim do último governo.

Reverter essa trajetória, diz o ex-secretário de Política Econômica, requer uma agenda mais profunda de reformas, com revisão de políticas públicas e distorções existentes, além de passar por uma extensa agenda legislativa. Na medida em que essa agenda não avança, alerta, só há um caminho: o da piora do endividamento e das contas públicas, agravando ainda mais a crise pela qual passa o país.

Juan Jensen, sócio da 4E Consultoria, avalia que mais importante do que a meta é a definição sobre a permanência ou não no Ministério da Fazenda de Joaquim Levy, que já teria acertado sua demissão com a presidente. “Primeiro precisamos saber quem ocupará esse lugar. É difícil encontrar alguém com perfil igual ou melhor que o Levy na questão técnica. A chance de caminharmos para um ministro da Fazenda mais intervencionista começa a aumentar, e isso não está no preço”.

Diante do cenário cada vez mais incerto, Alessandra, da Tendências, revisou suas estimativas para a economia brasileira em 2016 no início da semana, com projeção de queda de 3% do PIB ano que vem. A estimativa para o déficit fiscal, que antes era de 0,5% do PIB, passou para 0,8% do PIB, entre outras razões porque a consultoria deixou de considerar receitas extraordinárias de R$ 10 bilhões com as dificuldades políticas que devem ser enfrentadas pelo governo no ano que vem com a abertura do processo de impeachment.

O custo para a economia, caso o governo não consiga aprovar novas medidas de ajuste, será grande. Nas contas do diretor do Departamento de Pesquisa Econômica do Bradesco, Octavio de Barros, caso nenhuma das medidas em tramitação seja aprovada pelo Congresso, o déficit primário recorrente poderia ser de 1,5% do PIB até 2018, o que levaria a dívida bruta a 89,3% do PIB em 2018. Estabilizar o endividamento nesse nível vai exigir um superávit primário de 5,3% do PIB, diz ele.

“Esses números demonstram o quanto a postergação de reformas tende a agravar a situação das contas públicas, elevando a dificuldade em transformá-las novamente em superavitárias no futuro”.

Barros avalia que o governo deve conseguir a aprovação de medidas mais conjunturais – como já feito com a repatriação de recursos mantidos no exterior – e outras, como o Prorelit. Ainda assim, o governo não evitaria novo déficit primário nas contas públicas, de 0,6% do PIB no ano que vem, e nem trajetória ascendente da dívida, que pode chegar a 78,8% do PIB em 2018.

Valor Econômico – 17/12/2015

 

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Após rebaixamento, meta passa a 0,5% do PIB

O governo decidiu encampar a aprovação ainda este ano no Congresso Nacional de toda a estratégia fiscal de 2016 como uma resposta à decisão da agência de classificação de risco Fitch Ratings, divulgada ontem, que rebaixou a nota de crédito soberana do Brasil, com perda do grau de investimento.

De acordo com o líder do governo na Comissão Mista de Orçamento (CMO), deputado Paulo Pimenta (PT-RS), a base foi autorizada a negociar um acordo com a oposição em torno da mudança da meta fiscal, contida no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), de 0,7% para 0,5% do PIB, mas sem a previsão de abatimentos antes encaminhados pelo Palácio do Planalto. “O fundamental era garantir um acordo para que a LDO e o Orçamento sejam votados ainda este ano e evitar cortes no Bolsa Família. Conseguimos”, contou.

O Orçamento 2016 também foi aprovado ontem no colegiado, dentro da tática traçada de liberar as duas matérias para votação em sessão do Congresso o quanto antes. A articulação está em conformidade com as movimentações do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que suspendeu a sessão para que a CMO votasse o Orçamento. Nova sessão está marcada para hoje.

A nova meta de superávit contida na LDO acabou ajudando a acomodar embates dentro do governo. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que defendia meta de 0,7% do PIB, fez contato com integrantes da CMO e elogiou o acordo. “A meta de 0,5% será um excelente sinal que o Brasil dará ao mercado”, disse a parlamentares.

Mais cedo, Levy visitou Renan e insistiu que a saída para reverter o quadro negativo passa pela aprovação de medidas que possibilitem a entrada de recursos para um bom desempenho fiscal. “Na questão da meta, o mais importante é garantir o que vai permitir a gente fazer uma meta”, disse, referindo-se à aprovação de propostas que tramitam no Congresso, como volta da CPMF e medidas provisórias.

Para evitar o corte de R$ 10 bilhões na previsão de recursos do Bolsa Família, a meta foi diminuída no mesmo montante para o governo central. A nova meta de superávit primário será de R$ 30,5 bilhões (0,5% do PIB). Caberá ao governo economizar R$ 24 bilhões e a Estados e municípios, R$ 6,5 bilhões. O novo número substitui o previsto no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que era de R$ 43,8 bilhões (0,7% do PIB), no qual o governo federal teria de poupar R$ 34,4 bilhões.

Foram feitas outras alterações pontuais em relação ao texto-base, sem grande impacto no universo total da proposta, para atender demandas como a viabilização de R$ 500 milhões para o combate do Aedes Aegypti, vetor da dengue e do vírus zika.

A oposição aceitou a redução mediante a retirada de qualquer permissão de abatimento. A proposta do governo previa redução em até R$ 30,5 bilhões por frustração de receitas, investimentos e despesas com ações de vigilância sanitária, combate a endemias, reforço de recursos da saúde e gastos com combate à seca e recuperação de áreas afetadas por desastres. Na prática, o governo poderia não realizar esforço fiscal algum e a meta efetiva poderia ser zero.

Antes da suspensão da sessão, o Congresso aprovou o Plano Plurianual (PPA) 2016-2019. (Colaboraram Fernando Taquari e Thiago Resende).

Valor Econômico – 17/12/2015

 

Redação On dezembro - 17 - 2015
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