Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017






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Crise aumenta relevância do mercado externo

Como ocorreu em outras crises vividas pelo Brasil, a forte desvalorização do real, combinada à retração acentuada da demanda doméstica, está estimulando o setor industrial a exportar. O que difere o momento atual das turbulências anteriores, especialmente as de 1999, 2002/2003 e 2008, é que agora a demanda externa está fraca – contrariando tendência histórica, o comércio mundial está crescendo abaixo do ritmo de expansão da economia mundial.

Mesmo com o real tendo perdido 31,42% de valor ante o dólar neste ano, as exportações estão caindo em relação ao ano passado. Em novembro, a média diária de vendas ao exterior diminuiu 11,8% em relação ao mesmo mês do ano passado. O que tem favorecido o aumento do saldo positivo da balança comercial é a queda das importações – a média diária recuou 30,2% no mês passado. Como se sabe, a desaceleração da China tem derrubado os preços das commodities, prejudicando de forma significativa as exportações brasileiras.

Em estudo recém-concluído sobre comércio exterior, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) constatou, porém, que o mercado externo ganhou importância para a indústria brasileira. “Mais de um terço das empresas está tomando ações de promoção das vendas externas, incluindo exportadoras e não exportadoras. A busca por novos mercados e a redução de custos são as principais ações. Contudo, a burocracia e o sistema tributário brasileiro impõem dificuldades para o êxito dessas medidas”, diz o documento, antecipado com exclusividade a esta coluna.

Câmbio ajuda as exportações, mas não é panaceia

Para fazer o trabalho, a CNI ouviu 2.344 empresas, sendo 967 pequenas, 834 médias e 543 grandes. Constatou-se, por exemplo, que 39% das indústrias consultadas usam matérias-primas ou insumos importados. O percentual é idêntico ao observado em 2005, muito próximo ao de 2006 (40%) e inferior ao de 2009 (50%), quando o país passou por uma breve recessão, provocada pela crise mundial. A tendência, por causa da desvalorização do real, é que ocorra, gradualmente, a substituição de insumos importados por nacionais.

“Das empresas que utilizam insumos importados, 23% pretendem reduzir o uso nos próximos 12 meses. O percentual se mantém praticamente inalterado entre os diferentes portes [de indústria]. Entre os setores, alcança 37% em máquinas, aparelhos e materiais elétricos e 35% em veículos automotores”, diz a sondagem da CNI.

Apesar de a desvalorização do real encarecer o produto estrangeiro, 23% das empresas ouvidas na pesquisa esperam que a concorrência com os produtos importados se mantenha estável nos próximos 12 meses. Os técnicos da CNI elaboraram índice de 0 a 100 pontos para medir esse aspecto nos vários setores. Na escala, os valores acima de 50 indicam expectativa de aumento da concorrência e de diminuição, quando abaixo de 50.

Considerando a média do setor industrial, chegou-se a 56,5 pontos, o que revela que a expectativa dos empresários é que a concorrência internacional se mantenha acirrada. Os setores que mais acreditam nisso são os de calçados (64,3 pontos), vestuário (61,2), produtos de metal (61,1), produtos diversos (60,2), extração de minerais não metálicos (60) e de outros equipamentos de transporte (59,2). O setor de bebidas (45,8) acredita que haverá queda da concorrência com os importados, enquanto os fabricantes de produtos minerais não metálicos (50) apostam em estabilidade da competição e os de madeira (51,8), couros (52,5), alimentos (53,5) e veículos automotores (53,6), num aumento menor da concorrência.

A pesquisa constatou um aumento na disposição das empresas em exportar. Entre as que exportaram nos últimos 12 meses (28% do total pesquisado), 57% querem aumentar as vendas ao exterior nos próximos 12 meses, enquanto 39% esperam manter inalterado o atual volume de exportações. Os setores mais interessados em incrementar as vendas ao exterior são os de máquinas e equipamentos (83%), têxtil (74%) e de minerais não metálicos. São setores que sofreram em demasia com a perda de competitividade internacional nos últimos anos e que estão padecendo bastante com a grande recessão brasileira.

Entre as indústrias que não exportaram nos últimos 12 meses (48% do total pesquisado), 13% pretendem exportar nos próximos 12 meses. Nesse grupo, quanto maior a empresa, maior o interesse em disputar o mercado internacional. Os destaques são: os fabricantes de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (37% do total das empresas não exportadoras do setor), máquinas e equipamentos (36%), produtos diversos e limpeza e perfumaria (ambos com 35%).

Considerando as empresas que pretendem exportar, o estudo revela que 42% esperam aumento ou aumento acentuado da participação das exportações em seu faturamento bruto nos próximos 12 meses, enquanto 45% esperam estabilidade. Na análise setorial, o que se vê é que o farmacêutico (64,5 pontos), o de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (63,3), o de máquinas e equipamentos (63,1), o de madeira (62,5), o de limpeza e perfumaria (61,7) e o de veículos automotores (60,4) são os que mais acreditam em aumento da participação das exportações no faturamento.

Um aspecto interessante da pesquisa é que os industriais, mesmo beneficiados pela maxidesvalorização do real, não a consideram uma panaceia. Isso fica claro quando se analisam as respostas sobre as principais dificuldades – para vender ao exterior – apontadas pelas empresas exportadoras e não exportadoras. A taxa de câmbio é vista ainda como um problema por apenas 22% das exportadoras e por 9% das não exportadoras. A principal dificuldade apontada ainda é a burocracia (respectivamente, 39% e 34%), seguida do sistema tributário (31% e 24%) e da infraestrutura de transporte (25% e 7%). O câmbio ocupa o 4º no ranking das preocupações.

Cristiano Romero é editor-executivo e escreve às quartas-feiras

E-mail: cristiano.romero@valor.com.br.

 

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Importações argentinas terão filtro por setor

Maiorparte dos itens terá renovação automática de licença de importação, mas categorias como eletrodomésticos
e calçados seguirão com restrições

Rodrigo Cavalheiro
O governo argentino substituirá a Declaração Jurada Antecipada de Importação (DJAI) por dois tipos de licença.

Um deles terá renovação automática e o outro não, o que permitirá manter o controle sobre a entrada de produtos em setores da economia mais vulneráveis à competição.
Héctor Méndez, presidente da Câmara da Indústria do Plástico que dirigiu até setembro a União Industrial Argentina (UIA), principal organização empresarial do país, afirmou ao Estado que em alguns casos haverá conflito sobre os artigos que entrarão em uma outra categoria, mas era preciso uma mudança.
“As peças que não são produzidas na Argentina devem ter uma certa liberdade de entrada. Uma jarra chinesa ou coreana, às vezes, se consegue uma matéria-prima diferente, que não há aqui”, exemplificou.
AsDJAIs deixarão de ser usadas a partir de janeiro.O país já estava obrigado a abandoná-las por ordem da Organização Mundial do Comércio (OMC ),que considerou ilegal seu uso após uma reclamação de países europeus, EUA e Japão.
O governo do presidente Maurício Macri chegou a cogitar um pedido de extensão da D JAI por até três meses, mas recuou. A ferramenta foi criada pelo kirchnerismo para amenizar a supervalorização do peso e a fuga de dólares.
A Casa Rosada deve anunciar ainda nesta semana a unificação do câmbio, controlado desde 2011 numa tentativa de amenizar a falta de reservas do Banco Central, de US$ 25 bilhões hoje o dólar vale 9,76 pesos no câmbio oficial e 14,77 no paralelo.
Essa medida também desperta preocupação em parte dos setores da UIA. Algumas atividades serão prejudicadas
pela desvalorização, justamente por permitir o ingresso de artigos em princípio mais baratos.
Os grandes exportadores,em contrapartida,estão otimistas com a desvalorização da moeda local.
“Há produtos que devem sim ser um pouco controlados pelo Estado”, opina Méndez, salientando que nem todos os casos serão claros. Alguns produtos terão algum equivalente na Argentina que será pior e mais caro. “Nessas situações virá a luta com o governo. O certo é que nenhum país fechado vai sobreviver.
Oqueo kirchnerismo fez foi ruim para muitos setores. Alguns cresceram, mas artificialmente.
O crescimento genuíno, que tem eficiência, preço e qualidade, tem de ser respeitado”, acrescentou o empresário, que esteve 12 anos na presidência da UIA.
O novo organismo de controle dos produtos vindos do exterior ficará sob responsabilidade do Sistema de Monitoramento de Importações.
Para Diego Coatz, economista-chefe da UIA, a mudança a partir de janeiro não alterará todo o sistema de importação imediatamente. “O processo de adaptação ao que a OMC pediu será avaliado por uns seis meses. Nesse período, é provável que tenhamos reclamações de competição desleal, que serão tratadas em particular”, prevê.
A previsão do novo governo é que 18 mil das 19 mil categorias de produtos entrarão nas licenças de renovação automática. As mil restantes, em que o controle estatal será mantido, atingirão setores de calçado, roupas e eletrodomésticos e outras subáreas industriais.
Embora as categorias não tenham sido divulgadas com precisão, fontes da indústria automobilística local dizem ter recebido a garantia de que pertencerão ao primeiro grupo, que terá licença automática para fazer o intercâmbio comercial.
Durante a última semana, algumas empresas do setor de automóveis protestaram contra a falta das autorizações
do governo para importação, em razão da transição conturbada do governo de Cristina Kirchner para o de Macri.

Na segunda-feira,o presidente da Fiat, Cristiano Rattazzi, reclamou por ter parado a produção por falta de peças importadas do Brasil, que foram barradas na fronteira. Segundo a empresa, a situação foi normalizada ontem à tarde. A Associação de Fabricantes de Automotores (Adefa) confirmou que já não havia falta de DJAIs. Com o fim da exigência das autorizações pelo governo, terminará também a obrigação das empresas de informar sobre suas vendas e respectivo lucro.

Mudança das licenças
18 mil
categorias de produtos terão renovação automática

1 mil
categorias, entre elas calçados, roupas e eletroeletrônicos, terão controle mantido.

Estado São Paulo – 16/12/2015

 

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Mercado espera sinais do Fed sobre ritmo e extensão do ciclo de alta de juro

Difícil, senão impossível, encontrar alguma instituição financeira que atribua alguma probabilidade de o Federal Reserve (Fed, banco central americano) não dar início ao ciclo de alta de juros hoje – que seria o primeiro aperto monetário desde junho de 2006. A questão para o mercado passou a ser, então, o ritmo da alta e até que ponto chegará.

Essas duas questões são difíceis porque dependem exclusivamente do comportamento da economia americana e também dos fatores externos que podem exercer sobre ela efeitos negativos nos próximos meses e anos. Cabe aqui o quadro de contínua queda dos preços de petróleo (e outras commodities) e a desaceleração dos emergentes.

O Valor consultou a opinião de 11 casas estrangeiras, expressas em seus relatórios de antecipação à decisão do banco central americano: UBS, BNP Paribas, Capital Economics, BofA, Goldman Sachs, Rabobank, HSBC, Credit Suisse, J.P. Morgan, Deutsche Bank e Nomura.

Sem exceção, a percepção das instituições é que o Fed elevará a meta para a taxa referencial da faixa de 0% a 0,25% para 0,25% a 0,50%, dando início, assim, à sua estratégia de saída da política extremamente acomodatícia e não convencional dos últimos anos.

Esta reunião, além de ser a mais importante dos últimos anos, será determinante para formar expectativas e, portanto, os preços de ativos nos meses que se seguem. Para tal, o comunicado da decisão, a conferência de imprensa da presidente Janet Yellen e o resumo atualizado das projeções dos integrantes do comitê de política monetária (Fomc), incluindo o chamado “gráfico de pontos”, com as suas previsões individuais, serão decisivos.

Os pontos médios das expectativas para a “Fed Fund Rate” em setembro eram de 1,38% em 2016, 2,63% em 2017 e 3,25% em 2018. Para o Deutsche, “um gráfico de pontos inalterado poderia ser problemático porque os mercados financeiros estão precificando uma trajetória muito mais lenta para a taxa de juros”. Para o fim do ciclo, continuam a descontar uma taxa de juros de cerca de 2% apenas.

De forma generalizada, as instituições destacam que o cenário desenhado pelo Fomc em setembro pouco deve mudar e que a mensagem “gradualista” para o aperto monetário deve prevalecer. Yellen e outros diretores frisaram, em diversos discursos, a orientação de que a volta à normalidade da política deve ser feita aos poucos, de forma gradual, sem causar sobressalto nos mercados. Mas o que é ser “gradual”?

Em geral, as casas esperam que o aperto em 2016 seja menor do que os membros do Federal Reserve esperavam em setembro, com uma alta de 100 pontos-base, ou um ponto percentual, depois de um aumento de 25 pontos nesta reunião. E que haja, portanto, uma redução dessa expectativa mediana.

Apesar da recuperação do mercado de trabalho, quase ao ponto de a economia estar em pleno emprego, “outros sinais têm sido menos claros”, pondera o BNP. “A inflação permanece deprimida, juntamente com o crescimento dos salários, os mercados de crédito estão nervosos e as perspectivas de crescimento em mercados emergentes é um desafio”, diz o banco.

Para o HSBC, “é certo que esta seria uma forma mais gradual de aperto do que a feita a partir de meados de 2004, quando as taxas foram elevadas em 200 pontos no primeiro ano; mas, vindo de zero, 100 pontos ainda equivaleriam a um aperto significativo”, diz a casa. Considerando que outros bancos centrais de economias desenvolvidas subiram os juros após a crise e foram “forçados” a voltar atrás, o aperto vislumbrado em setembro pelo Fed “parece ambicioso”.

O UBS destaca que um aumento de 100 pontos-base é totalmente factível, já que a composição do Fed em 2016 deve ser “um pouco mais ‘hawkish’ [inclinada ao aperto]” do que neste ano e esse “viés pode ser uma razão para questionar o ritmo extraordinariamente lento para as altas assumidas pelos participantes do mercado em relação à própria perspectiva já gradual do Fed”. O mercado, de fato, precifica apenas dois apertos ao longo do ano que vem, mais “otimista” que o próprio BC americano, que antevia quatro em setembro.

O BofA afirma que o Fed indicou que seria “paciente” ao avaliar o momento de iniciar o aperto no início deste ano e que linguagem semelhante poderia acontecer em janeiro de 2016. Por outro lado, reitera a instituição, “o Fomc é muito reticente em dar qualquer calendário explícito ou orientação de ritmo posterior”. Em particular, “o Fed não vai amarrar suas mãos e o mercado pode ficar consternado com o fato de a dependência de dados ter prioridade”.

Este ponto é importante dado que ser gradual, em si, nada significa. Se a economia estiver mais forte, o ritmo de aperto será mais rápido e o inverso também pode ocorrer.

Sobre as demais projeções, o Goldman Sachs espera que o cenário do mercado de trabalho melhore por conta dos resultados recentes, que haja mais cautela no que tange o comportamento da inflação (decisiva para a perspectiva dos juros) e que não haja a adoção “oficial” (embora seja quase-oficial) do termo “gradual” como orientação de política monetária americana daqui para frente.

Valor Econômico – 16/12/2015

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Banco central americano decide elevação da taxa de juros nesta quarta

Se as projeções de economistas e mercados ao redor do mundo estiverem corretas, o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) realizará nesta quarta (16) a primeira elevação dos juros americanos em quase uma década.

Mas o que é chamado por parte do universo financeiro de “o acontecimento econômico da década” pode não causar tantos estragos no cenário brasileiro como se temia. É o que dizem economistas ouvidos pela Folha.

De acordo com eles, considerando os problemas internos enfrentados hoje pelo país, ficam em segundo plano os efeitos negativos de uma possível elevação de juros nos Estados Unidos —hoje entre zero e 0,25%, eles devem ter um aumento de 0,25 ponto percentual.

“Para o Brasil, as questões domésticas são muito mais relevantes do que a trajetória da taxa de juros a ser adotada pelo Fed”, diz Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco.

“[O aumento] é favorável para o Brasil? Não seria a resposta mais razoável”, afirma Nilson Teixeira, economista-chefe do Credit Suisse.

“Agora, quão desfavorável? Nessa primeira parte do ciclo de alta, não nos parece que seja muito desfavorável, apenas ligeiramente.”

REFLEXOS

Entre as questões internas mais relevantes para o cenário brasileiro atualmente, de acordo com os analistas, está a possibilidade de rebaixamento da classificação de risco do Brasil pelas agências Moody’s ou Fitch —que já sinalizaram que podem adotar essa medida em breve.

O país já perdeu o grau de investimento da Standard & Poor’s em setembro e a retirada do selo de bom pagador por mais uma instituição deve gerar fuga de investimentos do mercado brasileiro.

Um processo de impeachment lento, que prejudique ainda mais a execução de medidas que ajudem a tirar o país do quadro recessivo, também é citado. “Não há dúvida de que um aumento de juros importa menos que o rebaixamento ou o impeachment”, diz Teixeira.

Para Luis Stuhlberger, gestor da Verde Asset Management, os juros norte-americanos e a situação econômica da Europa e da China não influenciam negativamente no cenário interno.

“Rebaixamento, impeachment e essa briga doméstica pelo poder entre PT e PMDB, sim”, afirma.

SAÍDA DE RECURSOS

Na teoria, juros mais altos na economia norte-americana aumentam os custos de financiamento e reduzem a liquidez da economia mundial.

Considerado o mais seguro do mundo, o mercado norte-americano fica mais atraente para os investidores, que decidem redirecionar suas aplicações, hoje investidas em outros países.

Os principais perdedores são os países emergentes, como o Brasil, que podem ver suas moedas se desvalorizarem em relação ao dólar dada a saída de recursos dos mercados financeiros.

As consequências da alta já foram precificadas pelos investidores, dizem os analistas. “Já se sabe há muito tempo que o Fed vai subir os juros”, diz José Mauro Delella, estrategista do private banking do Santander. “Como se imagina hoje, a alta não é significativamente prejudicial para os emergentes”, afirma.

Todas as primeiras moedas emergentes perderam força ante o dólar neste ano —nenhuma mais do que o real, que recuou 31% em relação à divisa americana, sob efeito dos problemas internos da economia brasileira.

O risco, diz Delella, está na possibilidade de um aumento pelo BC dos EUA em ritmo mais acelerado que o previsto. “O mercado espera, em sua maioria, três aumentos em 2016. Se houver quatro, a tendência será de alta do dólar”, afirma Stuhlberger.

Folha de S.Paulo – 16/12/2015

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Agora é a UE que freia acordo com o Mercosul

A União Europeia (UE) rechaçou ontem nova cobrança do Brasil para que a negociação do acordo de livre comércio Mercosul-UE seja retomado o mais rápido possível.

Em reunião bilateral em Nairóbi, à margem da conferência ministerial da OMC, a delegação brasileira argumentou que a Europa não deveria esperar que o novo governo da Argentina melhore a oferta do Mercosul, pois isso tende a ocorrer durante a negociação.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou na conversa que o Brasil considera prioritária a retomada da negociação e tem pressa, na conversa com a comissária do Comércio da UE, Cecilia Malmström.

“Eu disse que estamos prontos, dentro dos parâmetros estabelecidos em 2014, para continuar a negociação”, disse o ministro depois do encontro com a representante europeia. “A comissária disse que estao fazendo consultas internas e de nosso lado esperamos que isso seja concluído o mais rápido possível.”

Conforme fontes, a comissária confirmou que não haveria este ano fixação de data para troca de oferta e nem quis se comprometer com data para 2016. Ela depois repetiu que poderia haver uma definição por parte de Bruxelas na primavera (entre março e maio).

Ela insistiu que todos os 28 países do bloco europeu julgam importante um o acordo comercial com o Mercosul. Mas lembrou que ainda há seis a sete países que querem continuar examinando quando deve ser o momento mais apropriado para a retomada.

Em Buenos Aires, a chanceler da Argentina, Susana Malcorra, disse acreditar que as negociações para o acordo vão avançar na reunião entre ministros e chefes de Estado em Assunção, Paraguai, na próxima semana.

Os europeus insistem que sua oferta de liberalização é mais abrangente que a do Mercosul, que cobre 87% das linhas tarifárias. Representante brasileiro retrucou que, na verdade, a proposta europeia de 90% de cobertura inclui cotas (limites quantitativos e, na prática, comércio administrado).

O sentimento entre fontes que conhecem bem as discussões é de que Bruxelas parece estar esperando a situação piorar ainda mais no Brasil, para tentar arrancar oferta melhor mais tarde de acesso ao mercado do Cone Sul.

A discussão sobre acordo birregional ocorreu enquanto, na plenária da OMC, vários membros continuaram questionando a incapacidade da entidade em gerar acordos, podendo empurrá-los para entendimentos bilaterais ou regionais.

Valor Econômico – 16/12/2015

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Nem todo país emergente deve seguir a alta de juros dos EUA

Os investidores costumavam contar com uma alta dos juros nos mercados emergentes cada vez que o Federal Reserve, o banco central americano, elevava a taxa americana. Mas o colapso das commodities e a desaceleração da economia global mudou esse cenário.

Quando o Fed provavelmente elevar a taxa dos fundos federais hoje, pela primeira vez desde 2006, muitos bancos centrais nos mercados emergentes não seguirão os passos dos Estados Unidos. Em vez disso, os formuladores de política monetária, do México até a Turquia, vão embarcar num ciclo – o qual, segundo muitos analistas e operadores do mercado, pode durar um ano ou mais – em que serão obrigados a ter de constantemente escolher entre dois extremos infelizes: manter os juros baixos e aceitar a possibilidade de que essa decisão acione outra onda dolorosa de fuga de capital, ou optar por acertar o passo com o Fed e, potencialmente, levar suas economias já em dificuldade a uma recessão.

Os investidores também enfrentam escolhas incômodas. Os preços de ativos dos mercados emergentes foram bastante atingidos nos últimos 12 meses pela queda nos preços do petróleo e a desaceleração do comércio global, em parte devido à retração econômica da China. Os preços do petróleo já caíram mais do que muitos analistas estimavam e poucos gestores de fundos estão dispostos a investir em ações, dívida e em mercados de commodities mundo afora em meio a um período de volatilidade incomum num fim de ano.

Para os investidores, a divergência de políticas monetárias sugere que “a noção de que você pode comprar ativos de mercados emergentes como um grupo está sendo desafiada”, diz Jorge Mariscal, diretor de investimento de mercados emergentes da UBS Wealth Management, braço de gestão de riquezas do banco suíço UBS que administra US$ 1,9 trilhão em ativos. “Os investidores têm que escolher em que lugares querem estar.”

Comprar [ativos] nos mercados emergentes quando o crescimento nos EUA estava explodindo costumava ser simples, dizem investidores. Em 2004, quando o Fed iniciou seu mais recente ciclo de aumento de juros, as economias emergentes cresciam, como grupo, ao ritmo impressionante de 7,3%, segundo o Fundo Monetário Internacional. Com o encerramento do ciclo econômico dos EUA, os investidores podiam colher os ganhos dos mercados externos, que frequentemente estavam adiantados em sua própria trajetória de crescimento.

Mas a economia global agora parece mais sincronizada que antes, sem dizer menos vigorosa, o que se pode atribuir, em parte, à emissão massiva de dívida em resposta à crise de 2008.

Este ano, a expectativa é de que os países emergentes cresçam 4%, o ritmo mais fraco desde 2009. A inflação também está mais controlada, em 4,5% ao ano para os mercados emergentes, ante 5,8% em 2004, segundo o J.P. Morgan Chase & Co.

Analistas do J.P. Morgan esperam que a média da taxa básica de juros dos emergentes permaneça inalterada em 5,8% ao ano no fim de 2016. Entre aqueles que provavelmente seguirão a decisão do Fed, pelo menos em uma alta nos juros, estão o México, Israel, Hong Kong e Peru, cujas economias ou moedas estão mais diretamente atadas aos EUA.

Brasil, Colômbia e Turquia também devem elevar as taxas porque seus bancos centrais estão tentando controlar a inflação. Mas na Rússia, Malásia e Polônia, as autoridades monetárias devem continuar a reduzir os juros para impulsionar o crescimento, segundo o J.P. Morgan.

O Fed deve anunciar um aumento nos juros quando concluir sua reunião de política monetária de hoje, e o mercado está cada vez mais esperando que alguns países emergentes reajam elevando seus juros também. A taxa básica de curto prazo no México, por exemplo, deve subir para 4,3% em 12 meses, ante os 3,3% atuais, indicam os mercados futuros.

Os investidores também já estão precificando aumentos no Brasil de até 2,37 pontos percentuais até setembro de 2016, de 0,6 ponto percentual no Chile nos próximos 12 meses e de 1,14 ponto percentual na África do Sul. Mas há uma incerteza considerável sobre o que realmente acontecerá em muitos desses países, devido às frágeis condições econômicas internas e os potencialmente grandes fluxos de capital em resposta a qualquer alteração nos juros.

Considere o México, por exemplo. Olga Yangol, especialista sênior em dívida de mercados emergentes do HSBC, espera que o banco central mexicano, o Banxico, siga os passos do Fed, devido ao fato de o México ser tão “integrado aos EUA”, diz ela. Como resultado, o HSBC possui hoje menos títulos de dívida mexicanos do que o padrão sugere, porque espera comprar títulos com rendimentos maiores depois que o Banxico elevar os juros.

Mas analistas do Barclays PLC esperam que o Banxico se desvincule do Fed e mantenha os juros inalterados até junho de 2016, quando ele terá mais clareza sobre sua economia local. A recente estabilização do peso mexicano, junto com a baixa inflação e o crescimento fraco do país, sugere que os formuladores de política monetária manterão os juros inalterados, disseram analistas em uma nota recente.

“Nós notamos uma mudança de sentimento desde a reunião de setembro”, quando o Banxico indicou que sua política monetária poderia permanecer sem alteração por mais tempo, diz Marco Oviedo, economista-chefe do banco britânico Barclays no México. O banco recomenda que os clientes mantenham seus títulos soberanos de dez anos em peso para garantir os rendimentos atuais.

Alguns economistas dizem que a trajetória das taxas de juros dos mercados emergentes também depende do ritmo do aumento nos EUA. Marios Maratheftis, economista-chefe do Standard Chartered Bank, diz acreditar que o ciclo nos EUA será breve, considerando a fraca recuperação, e que o Fed vai voltar a cortar os juros perto do fim de 2016.

Bernd Berg, estrategista de mercados emergentes do Société Générale, diz que um aumento dos juros pelo Banxico seria “um grande erro de política monetária”.

Alguns países em desenvolvimento, como a Malásia, estão confortáveis com o enfraquecimento de suas moedas, diz ele, porque grande parte de sua dívida é em moedas locais. “Eles não precisam entrar em pânico para elevar [os juros].”

Valor Econômico – 16/12/2015

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Grande importador de bens de TI, Brasil está fora de acordo

O Brasil figura entre os dez países que têm a maior proporção de produtos de tecnologia da informação em relação a suas importações totais, e estão fora do novo Acordo de Tecnologia da Informação (ITA), constata a Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).

No caso do Brasil, as importações desses produtos alcançaram US$ 20,7 bilhões em 2013, ou 14% das importações totais, enquanto no México o percentual foi de 27%, no Vietnã de 26% no Paraguai de 21%, na África do Sul e Argentina de 13%.

“Consumidores nessas economias não vão se beneficiar da eliminação de tarifas quando o novo ITA for implementado”, diz a Unctad, em referência à ampliação desse acordo, que será conformada na conferência ministerial da OMC em Nairóbi.

Um grupo de mais de 70 países participa da atualização do ITA, que eliminará tarifas de mais de 200 produtos de TI, com valor de US$ 1 trilhão por ano no comércio internacional. A lista de produtos inclui semicondutores e dispositivos médicos, por exemplo. Brasil e Índia estão fora do acordo.

Valor Econômico – 16/12/2015

Redação On dezembro - 16 - 2015
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