Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 23 de Setembro de 2017






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BC está menos pessimista do que mercado sobre atividade

O Banco Central está menos pessimista do que os analistas econômicos não apenas sobre a inflação em 2016, mas também quanto ao crescimento da economia. Provavelmente não será possível evitar uma retração, que pode chegar a 2%, porque há uma contaminação estatística da recessão deste ano para o próximo. Mas o desempenho não seria tão ruim como as projeções de queda de até 3,5% que circulam no mercado financeiro.

Os economistas do Departamento de Pesquisas Econômicas (Depep) do BC defenderam, em encontros com os diretores da casa, que o consumo das famílias não será tão fraco como neste ano. As exportações líquidas também teriam papel mais importante para sustentar a demanda agregada do que supõem os analistas do setor privado.

O diagnóstico nos escalões mais altos do BC é que, hoje, a economia já teria pago o preço em termos de recessão necessário para corrigir desajustes dos últimos anos, incluídos aí o setor externo, a política fiscal, o realinhamento de preços administrados e inflação de forma geral. Mas há uma queda adicional da economia ligada apenas a fatores políticos e não econômicos.

Dada a herança estatística deste ano para o próximo, uma eventual queda de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 poderá significar, na verdade, uma certa estabilidade da economia. O cenário de retração de 3,5% com que trabalham alguns economistas privados significaria retrações adicionais do PIB.

Mesmo em meio a tanta incerteza, avaliam os economistas do Depep, o consumo das famílias deverá garantir um nível de sustentação mínimo ao PIB. Isso porque, apesar do esperado aumento da taxa de desemprego, a massa salarial deverá se mostrar relativamente robusta em 2016.

Dois fatores devem contribuir. Um deles é o reajuste de dois dígitos do salário mínimo, que tende a puxar benefícios previdenciários e outros programas sociais e também os salários pagos por prefeituras. O mínimo tem ainda impacto forte sobretudo na renda do Nordeste.

Outro fator que deverá segurar a massa de rendimentos reais é a esperada queda da inflação. Mesmo na conta dos economistas do mercado, que são mais pessimistas sobre a inflação do ano que vem, haveria queda de 3,75 pontos percentuais no IPCA entre 2015 e 2016. O BC vai divulgar nas próximas semanas a projeção oficial para a inflação de 2016, que é mais otimista do que os 6,7% estimados pelos conjunto dos analistas econômicos no boletim Focus.

Do lado da demanda externa, o Banco Central tem chamado a atenção para a queda de quase 40% no custo unitário do trabalho na indústria, em dólares, desde o pico, observado em junho de 2014. Esse indicador mede a evolução do custo da mão de obra, expressa em dólares, de cada unidade produzida no país.

Num discurso na semana passada, o presidente do BC, Alexandre Tombini, disse que a queda do custo unitário do trabalho deverá incentivar a substituição de importações “com reflexos favoráveis não para a balança comercial, mas também para a atividade econômica”.

A leitura no BC é que, depois da queda muito forte em investimentos da Petrobras e de empresas ligadas à cadeia do petróleo em 2015, por causa da Operação Lava-Jato, não haveria muito espaço para retrações tão fortes também em 2016.

Ainda assim, o BC acha que ainda não é possível imaginar uma recuperação do item de demanda que tem mais caído – os investimentos – até que a questão politica se resolva. Um ponto fundamental é o que acontece depois do impeachment, quando se espera uma redução do nível de incerteza, independentemente do seu desfecho.

Economistas do BC dizem que um certo grau de desaceleração da atividade econômica seria inevitável para corrigir desequilíbrios acumulados nos dez anos anteriores. Haveria um lado “austríaco” positivo em qualquer recessão – uma referência à escola austríaca de pensamento econômico, que diz que períodos de juros muito baixo levam à euforia, maus investimentos e desequilíbrios, que devem ser corrigidos por períodos de recessão.

Para o BC, a dose de recessão paga pela economia, porém, já superaria a necessária para curar os males do Brasil. Se não fosse a crise política, provavelmente o país já estaria colhendo os benefícios do ajuste no setor externo e da correção relação entre os preços livres e os administrados – inclusive com a baixa dos juros básicos, em vez de novos aumentos que vem sendo contemplados pelo Banco Central.

Valor Econômico – 14/12/2015

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Meta de superávit primário em 2016 poderá ficar entre zero e 0,7% do PIB

Embora ainda não tenha decidido qual será a meta de superávit primário para 2016, a tendência da presidente Dilma Rousseff é escolher “um número intermediário” entre 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e zero, informaram ontem fontes qualificadas do governo. A meta fiscal terá que constar da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que o governo espera votar na sessão do Congresso Nacional marcada para amanhã.

As mesmas fontes disseram que a presidente Dilma Rousseff recebeu uma avaliação de seus ministros políticos de que a base aliada do governo é, majoritariamente, contrária à meta de superávit primário de 0,7% PIB, pois entende que sua obtenção significará cortes em programas sociais e em investimentos essenciais.

Como exemplo, eles citaram a decisão do relator da proposta orçamentária de 2016, Ricardo Barros (PP-PR), de cortar R$ 10 bilhões do programa Bolsa Família, como forma de alcançar a meta de 0,7% do PIB. A proposta de Barros será votada na Comissão Mista de Orçamento do Congresso nesta semana e o governo terá que mobilizar seus aliados para derrubar o corte no Bolsa Família. Eles terão, por sua vez, de apresentar uma alternativa. Se a meta fiscal for reduzida, raciocinam alguns líderes governistas, não haverá necessidade de cortar qualquer programa social.

A ala política do Palácio do Planalto argumenta que, neste momento de grande instabilidade, não é possível brigar com aliados no Congresso, sob o risco de perder apoio contra o pedido de impeachment da presidente Dilma. “A quase totalidade da base política do governo quer uma meta zero de superávit primário para 2016”, disse uma autoridade ao Valor PRO , serviço em tempo real do Valor. O problema da presidente será controlar a sua base para que, durante a votação da LDO, não seja aprovado a meta de resultado primário zero, que Dilma também não quer.

Houve certa tensão no Palácio do Planalto depois que os jornais publicaram que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ameaçava deixar o cargo se a meta de 0,7% do PIB fosse reduzida. Na sexta-feira passada, quando a notícia foi publicada, Levy negou que tenha dito isso. Ele estava participando de uma reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), em Maceió, e foi chamado às pressas para uma reunião com a presidente Dilma. Levy retornou a Brasília, mas o encontro com Dilma terminou não ocorreu “por questão de agenda da presidente”.

No sábado, Levy chegou a relativizar a meta fiscal do próximo ano, dizendo que o mais importante para o governo é fazer as reformas necessárias para que o país volte a crescer, como a reforma do PIS/Cofins e do ICMS. Ontem, circulou a informação, não confirmada pelo Palácio do Planalto, de que Levy falou com a presidente Dilma sobre a meta fiscal. No fim do dia, Dilma iria viajar para Porto Alegre, onde deve comemorar o seu aniversário com familiares, só retornando a Brasília para uma reunião, à tarde, com prefeitos.

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, sempre defendeu, desde o início do governo, a adoção de uma banda para a meta de superávit primário, que possa acomodar as frustrações da receita da União. A meta teria, portanto, um intervalo, como já foi no passado, quando era possível descontar os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O ministro Levy sempre foi contrário a essa proposta, com o argumento de que o compromisso do governo com uma meta fiscal, que aponte para a sustentabilidade da dívida pública no médio e longo prazo, é o melhor caminho para resgatar a credibilidade da política fiscal e, com isso, restaurar a confiança dos investidores, o que é base para a retomada do crescimento.

O dilema de Dilma sobre a meta fiscal, portanto, não é alimentado só pelas divergências entre os seus dois ministros. As atenções da presidente estão voltadas agora para o Congresso Nacional e, principalmente, para a obtenção de apoio contra a abertura de um processo que pode resultar em seu afastamento da presidência da República.
Valor Econômico – 14/12/2015

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“Se sair com impeachment, não vai ter sossego”

Dada a forte intensidade, essa pode ser a pior crise econômica pela qual já passou Luiz Gonzaga Belluzzo. Para o economista, o grande problema é que a presidente Dilma Rousseff “comprou” e “botou para funcionar” o programa de seu adversário e agora colhe os resultados. Olhando os dados com muito cuidado, diz o professor da Unicamp e sócio da Una Consultoria Econômica, a economia vinha desacelerando desde 2012 ou 2013, mas nada se mostrava tão “trágico”. “Quando ela adotou o programa adversário, jogou o país na depressão”.

A comparação que faz é com um pugilista que apanhou bastante no primeiro round e, meio grogue, leva um murro do treinador para ser reanimado – mas, obviamente, acaba desmaiando. “Foi o que aconteceu com a economia. Ou alguém acreditou nessa história de que iria recuperar a confiança com choque de juros e a promessa de corte nos investimentos?”, questiona.

Sem ignorar que essa é a crença de boa parte do mercado financeiro e também do governo, representado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, Belluzzo diz que essa é a parte “incrível dessa história toda”. “A presidente está executando o programa de seus opositores e os opositores estão dizendo que ela está causando a crise”.

Segundo Belluzzo, a previsão de queda de quase 30% do investimento em dois anos (neste e no próximo ano) é uma resposta dos empresários à mensagem dada pelo governo – a partir da adoção do programa adversário – de que pioraria as condições de crédito e desaceleraria a economia, ao dar um choque poderoso nos juros. “O governo jogou as expectativas no ralo e os caras responderam”, explica o economista que se incomoda com a ideia de que o ajuste precisa ser feito a qualquer custo. “Como assim, ‘é preciso’ fazer ajuste?”, diz ao ressaltar que o déficit nominal de 3% de 2013 deve passar de 10% neste ano. “A ideia de ajuste é algo maníaco no sentido psicanalítico do termo”.

Que ninguém, contudo, se engane com as críticas. Belluzzo diz achar “péssimo esse negócio de impeachment”, um instrumento que serve para responder a alguma situação grave e emergencial, mas corre o risco de ser banalizado em circunstâncias que hoje diferem muito do início da década de 90. “Toda hora que não gosta do cara, você tira? Muda a regra, então”, diz ele, para logo depois ressaltar que recursos como o ‘recall’ -a possibilidade de o povo cassar o mandato do seu representante quando este se mostrar insensível à causa pública – talvez não fosse bom para a estabilidade da sociedade e da economia.

“Se ela sair com impeachment, isso aqui não vai ter sossego”, avisa, sem esquecer que o Partido dos Trabalhadores (PT), quando estava na oposição, também fez uso do instrumento. Belluzzo chega a condenar a posição de alguns economistas que se dizem a favor da medida. “O que me preocupa muito nos economistas cada vez mais é essa visão tecnocrata, como se a sociedade não existisse”, afirma.

Questionado se uma boa parte da opinião pública não pensaria da mesma forma, ele reconhece que a ideia é chancelada por uma parcela da sociedade que, no caso de algumas regiões do Brasil, não seria desprezível. “As redes sociais tiveram o dom de destampar o que estava abafado. E não são os ricos que fazem isso, mas os bem remediados, que querem se diferenciar. Eles acham que isso vai dar certo. Não vai”, avisa.

Para Belluzzo, no entanto, esse seria um sintoma de uma fissura social que se agravou nos últimos anos, cuja face mais conhecida é a não aceitação do diferente. “O individualismo liberal, que é uma coisa boa, foi de tal maneira avacalhado que as pessoas acham que venceram pelos seus próprios méritos. Sendo que se você fizer uma introspecção, sabe que não foi bem assim, que dependeu de muita gente e seu ponto de partida foi diferente.”

Para Belluzzo, a questão em jogo é muito simples: o respeito à normalidade democrática. “Quando vejo uma carta enviada pelo vice-presidente da República, depois de quatros anos de convivência, dizer que, na verdade, não é ouvido”, diz em referência ao manuscrito endereçado por Michel Temer à presidente na semana passada. “É algo esdrúxulo e fora de propósito. E quem conhece um pouco a história do século XX sabe que esses chiliques institucionais, não terminam muito bem”, diz.

O que mais inquieta o economista atualmente é o desrespeito dos poderes da República às suas competências e funções. Uma das preocupações, diz, seria certa “malemolência” de juízes com relação aos ritos e normas compatíveis com a normalidade democrática.

“Existem algumas ações um pouco midiáticas que acabam se traduzindo em transgressões das regras de comportamento que seriam normais”, diz. “Por isso digo que é uma ilusão achar que estamos em um ambiente em que as instituições estão funcionando. Não estão. E isso é agravado por uma situação econômica muito grave”.

Para ele, aparecem pouco no debate os riscos de se ter uma crise sistêmica no segmento bancário. Isso porque as “grandes empresas, as fornecedoras das grandes e as fornecedoras das fornecedoras” estariam com problemas de liquidez. Para ele, uma paralisia dessa monta no sistema de crédito não ajuda a tirar o país da crise e mostra que a gravidade dela é muito grande.

“A gente não pode esquecer que por muito menos, logo depois do Plano Real, o governo FHC foi obrigado a fazer o Proer [Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro], em razão dos efeitos que a queda brutal da inflação provocou sobre os bancos”, diz.

Ironia da vida, Belluzzo lembra que o programa foi um dos motivos alegados por aqueles que demandaram à época o impeachment de Fernando Henrique Cardoso que, na avaliação do economista, estava “certíssimo”. “Tinha que fazer o Proer mesmo. Foi ele que tornou o sistema bancário brasileiro muito sólido”.

Entre as ameaças atuais ao sistema, Belluzzo cita, ao lado do nível de endividamento em moeda estrangeira de boa parte das empresas – que tem uma fração importante disso intermediada pelos bancos -, a dívida em moeda local das grandes companhias, que, na avaliação do economista, estaria sendo “empurrada um pouco com a barriga” antes de ser provisionada. “Isso é algo muito preocupante e está passando ao largo. E à medida que a recessão se aprofunda, a situação delas se agrava e de outras também, que não estão diretamente metidas nisso.”

O economista diz não saber para que lado penderia mais a balança do impeachment nesse momento, mas ressalta que, se mantiver o mandato, a presidente terá que responder a ele governando e tomando decisões. Se ocorrer o impeachment, quem assumir deve carregar o mesmo peso nas costas, lembra. O ideal, porém, é que ela fique e tome as decisões que têm que tomar para o bem ou para o mal, com outro ministério ou não, afirma.

Questionado de que forma avalia a aceitação imediata do programa do PMDB, ‘Ponte para o Futuro’, pelo mercado financeiro, Belluzzo optou por fazer uma conjectura “impossível”, avisou. “Termina logo esse negócio e faz um governo de composição. Chama o Serra”, disse em referência a seu amigo de muitos anos. O senador José Serra (PSDB), aceitaria um convite da presidente? “Tem hora que é preciso abrir mão das suas idiossincrasias”, devolveu.

Para Belluzzo, o governo errou ao protelar o enfrentamento do impeachment, cujo processo no caso de FHC, diz ele, foi reprovado rapidamente. “Tem horas que é preciso desassombro e desapego”. E já que a medida foi aprovada, ainda que impropriamente, diz que é preciso resolvê-la para não deixar o país “gemendo sob um governo que não toma decisão”.

Valor Econômico – 14/12/2015

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Semana é decisiva para estratégia fiscal

Envolvido em uma teia de problemas que se retroalimentam, o Congresso Nacional entra hoje em sua última semana de atividade com toda a estratégia fiscal de 2016 pendente. A aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que deveria ter ocorrido até agosto, ainda não foi votada e a meta de superávit primário prevista na proposta é objeto de embate dentro do governo. Sem a lei, não há previsão legal sequer para o pagamento de despesas obrigatórias no próximo ano.

Ao cenário soma-se um Legislativo em compasso de espera da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), prevista para quarta-feira, sobre o rito do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, o que resulta em uma série de medidas com a tramitação travada – como a volta da CPMF, a repatriação de recursos no exterior e mudanças no auxílio-reclusão, necessárias para tornar o Orçamento de 2016 factível.

O governo ainda tem que aprovar o Plano Plurianual (PPA) e, depois, a LDO para que a proposta de Orçamento possa ser analisada. Os dois primeiros itens da estratégia fiscal estão na pauta da sessão do Congresso Nacional marcada para amanhã, mas a prioridade será de cinco vetos presidenciais que estão na fila. Presidente do Congresso, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) já indicou que, para limpar a lista, vai convocar nova votação na quarta, mesmo dia em que os deputados e senadores voltarão suas atenções ao Supremo para saber o desfecho sobre o rito do processo que pode apear Dilma do cargo.

O parecer do Orçamento de 2016, feito pelo vice-líder do governo, Ricardo Barros (PP-PR), foi mal recebido por parte da base aliada e até por oposicionistas, ao propor corte de R$ 10 bilhões dos R$ 28,8 bilhões que seriam destinados ao programa Bolsa Família.

A tesourada, no entanto, foi feita para que a peça possibilitasse a manutenção do superávit primário R$ 34,4 bilhões (0,7% do PIB) exigido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. A ala do PT no Congresso alinhada ao ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, vai apresentar proposta para que a economia fiscal seja flexibilizada. Em conversas com parlamentares, Levy tem ameaçado deixar a cadeira se a mudança for levada a cabo.

Líder do governo na Comissão Mista de Orçamento, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) vai apresentar a emenda. “Uma meta de 0,7% do PIB é demasiada. Ou reduz isso ou retira [os gastos com] o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do cálculo”, sugere. O petista quer evitar o corte no Bolsa Família e em investimentos estratégicos, mesmo que isso contrarie o titular da Fazenda. “Quem aprova o Orçamento é o Congresso. Não é fulano ou ciclano que vai decidir”.

Depois que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deflagrou o processo de impeachment, as votações no Congresso ficaram travadas à espera da decisão final do Supremo, que deve ser proferida esta quarta. Dilma, Renan e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviaram documentos na sexta-feira que serão usados pelos ministros da Corte. Os três defenderam que, mesmo diante de uma decisão da Câmara de admitir o impeachment, ela só poderia ser afastada por 180 dias após o Senado chancelar a medida, o que não seria um ato automático. A Presidência pediu ainda a anulação de todos os atos de Cunha relacionados ao impeachment – da instauração do processo à criação da comissão especial.

As maiores chances de o governo ver projetos de seu interesse avançarem na Câmara estão nas comissões, poupadas pelo movimento de obstrução. Parte do pacote de ajuste fiscal, a proposta que prorroga e amplia a Desvinculação de Receitas da União (DRU) pode avançar amanhã, quando deve ser conhecido o parecer.

No plenário da Casa, duas medidas provisórias (MPs) continuam trancando a pauta. Uma delas faz parte da reforma administrativa, extinguindo e modificando cargos públicos. A outra eleva a tributação de bebidas e produtos eletrônicos. O texto foi modificado pelo relator, senador Humberto Costa (PT-PE), que aliviou a alta de encargos. Cunha, no entanto, já declarou que não acredita que haverá votações em plenário esta semana.

No Senado, a pauta está recheada de medidas sobre as quais não há acordo. O projeto que regulariza recursos mantidos no exterior e não declarados ao Fisco, de onde o governo espera arrecadar R$ 21 bilhões em 2016, está entre eles.

Provenientes da comissão especial da Agenda Brasil, patrocinada por Renan Calheiros, há duas medidas: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do senador Aécio Neves (PSDB-MG), cria limites para a ocupação de cargos comissionados na administração pública. Outra, do senador Romero Jucá (PMDB-RR), acelera a liberação de licenças ambientais para empreendimentos de infraestrutura considerados estratégicos. Os senadores têm de analisar ainda o projeto, do senador José Serra (PSDB-SP), que libera a Petrobras das obrigações de ser operadora única no pré-sal e da participação mínima de 30% dos blocos licitados.

Valor Econômico – 14/12/2015

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IPCA sobe mais que ‘inflação do PIB’ e complica contas públicas

Valor Econômico – 14/12/2015

Uma questão que parece meramente técnica na evolução do Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 mostra um grande complicador para as contas públicas, principalmente no ano que vem. Depois de cerca de 15 anos, no mínimo, a variação de preços ao consumidor medida por índices como o IPCA ou o INPC irá ficar acima da variação do deflator implícito do PIB, uma espécie de “inflação do PIB”. Na prática, isso significa que no ano que vem despesas importantes do governo, como Previdência e salário mínimo, indexados pelo INPC, irão crescer acima das receitas, que têm evolução refletida na “inflação do PIB”.

Projeções do economista Fernando Montero, da corretora Tullett Prebon, mostram que em 2015 o deflator implícito do PIB deve fechar o ano em 7,4%, enquanto o IPCA médio ficará em 9% – usa-se a média para o cálculo e não a variação na ponta do índice, que deve ficar acima dos 10% anuais. Os dados mostram uma “virada” no que vinha acontecendo nos últimos 15 anos, período no qual a “inflação do PIB” jogou a favor das receitas, enquanto o IPCA rodava a um índice menor.

Samuel Pessôa, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV), lembra que de 1999 a 2010 a situação era oposta. Durante esses 12 anos o deflator do PIB caminhou 1,8 ponto percentual acima do IPCA. “Isso significa que o governo era como uma empresa na qual o preço de venda de bens e serviços ao mercado aumentava 1,8 ponto percentual ao ano acima da custo unitário desses mesmos bens e serviços.” Agora, porém, o quadro se inverteu. O “custo unitário” do país irá aumentar mais que a sua receita.

Montero faz um cálculo parecido, mas para períodos diferentes. Entre 2004 e 2011, o deflator implícito do PIB, calcula ele, ficou em média 2,2 pontos percentuais acima do IPCA. Nos três anos seguintes, o deflator implícito continuou correndo acima do IPCA, mas em nível menor (em média 1,4 ponto percentual) e com uma diferença decrescente até chegar em 0,6 ponto percentual no ano passado. Este ano, estima Montero, essa relação vira e o deflator implícito do PIB passa a “perder” da inflação.

A atual discrepância entre a inflação e o deflator implícito do PIB, explica Montero, vem da queda nos termos de troca, com a redução dos preços de exportação em ritmo muito mais acelerado que a dos preços de importação. Esse recuo, calcula o economista, tirou 1,94 ponto percentual do deflator nos primeiros três trimestres deste ano. O deflator só não é menor, afirma Montero, devido à disparada no serviço de intermediação financeira, que reflete maior valor em spreads.

No passado, foi exatamente a alta de preço das commodities que ajudou a levantar os preços de exportação e os termos de troca. Entre 2004 e 2011, diz Montero, o setor externo adicionou 0,5 ponto percentual ao deflator implícito do PIB, contribuindo para o índice rodar acima do IPCA.

Pessôa explica que no longo prazo a tendência é que o deflator do PIB acompanhe os índices de inflação. Segundo ele, períodos com a inflação do PIB girando mais rapidamente que o IPCA ou INPC não devem voltar. “Isso aconteceu por conta dos ganhos dos altos preços das commodities.”

Olhando para 2016, o INPC, que deve chegar este ano a 10,82%, indexará gastos importantes como o da Previdência Social, calcula Montero. O PIB nominal do próximo ano, estima ele, deverá subir apenas 5%. “A menos que o governo consiga zerar todas as demais pressões nominais, seu gasto avançará o PIB no ano que vem.”

Um agravante da situação, diz Montero, é que o aumento de gasto não deverá ter contrapartida favorável do lado das receitas. Ele destaca que o PIB desacelera muito, mas a absorção interna – soma do consumo das famílias, do governo e dos investimentos – desacelera em ritmo maior, o que deve dificultar ainda mais a geração de receitas pelo governo. Isso é uma má notícia, explica o economista-chefe da Tullett Prebon, porque a evolução da absorção doméstica é muito mais próxima da base tributável do que o PIB.

Em termos nominais, enquanto o PIB cresceu 3,2% no terceiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 2014, a absorção interna cresceu apenas 1,3%. Em volume, PIB e absorção caem 4,5% e 7,4%, respectivamente. A absorção interna, diz o economista, está mais próxima da base tributável que o PIB e revela o “desempenho pífio” que a arrecadação federal deverá ter este ano, quadro que não deve mudar muito no ano que vem.

O descolamento da absorção interna do PIB nunca foi tão grande e no ano que vem, além da manutenção da tendência de retração do PIB, a expectativa é de uma inflação menor que a de 2015, outro fator que irá pressionar a arrecadação para baixo, diz José Roberto Afonso, especialista em contas públicas do Ibre-FGV.

Ente 2004 e 2011, lembra Montero, a absorção doméstica, assim como o deflator implícito do PIB, também correu acima da inflação. Já nos três anos seguintes, os termos de troca começaram a subtrair 0,6 ponto percentual do deflator do PIB, mas a absorção doméstica continuou acima da inflação. Agora, analisa, a absorção interna está mais próxima da inflação e os termos de troca em queda, contribuindo para um menor crescimento do deflator do PIB. “Todos os sinais se inverteram”, diz Montero.

Valor Econômico – 14/12/2015

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Commodities conduziram política, afirma Levy

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou, na última sexta-feira, que o fim do boom das commodities obrigou o governo federal a adotar uma política de maior disciplina do ponto de vista fiscal.

Em gravação transmitida na cerimônia de inauguração do Encontro Anual da Indústria Química (Enaiq), Levy salientou que o Brasil enfrenta um período desafiador, situação agravada por implicações políticas e dificuldades no âmbito econômico e que exige uma série de medidas como forma de resposta e de sustentação para a retomada do crescimento econômico.

“Sabemos que, em havendo condições, o mercado responderá favoravelmente. Precisamos enfrentar os gargalos, como, por exemplo, é o caso da infraestrutura. Temos que trabalhar para que os investimentos privados sejam destravados”, afirmou Levy.

O ministro defendeu a reforma do ICMS, atualmente em discussão no Congresso, e também do PIS/Cofins. “É uma reforma que estamos enviando para o Congresso e que já está na Casa Civil”, explicou.

Com um cenário mais favorável, de acordo com o ministro, a prioridade do governo seria viabilizar reformas necessárias para o Brasil. “As reformas estruturais são fundamentais para que consigamos realmente pavimentar a trajetória de crescimento no Brasil”, complementou Levy.

O ministro ainda disse que discutir sua saída do governo caso o Congresso zere a meta de superávit fiscal de 2016, é “um pouquinho irrelevante”, e foi enfático ao afirmar que uma possível revisão da meta trará uma série de repercussões negativas ao País.

“Temos que ter bastante cuidado com relação ao ano que vem. Ter um outro ano de déficit primário é complicado”, comentou .

DCI – 14/12/2015

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Descontrole fiscal mantém juro alto

A possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) aumentar na próxima reunião, marcada para janeiro, a Selic, taxa básica de juros – hoje em 14,25% ao ano –, divide especialistas.

Uma ala vê essa opção como algo ruim para o país porque elevará ainda mais a dívida bruta e agravará a recessão. Outros economistas, entretanto, ressaltam que a autoridade monetária deve empenhar todas as forças de que dispõe no combate à inflação, que já dá sinais de descontrole, uma vez que as expectativas até 2019 estão desancoradas. Para esse segmento, a obrigação de conter a escalada da dívida é do Tesouro Nacional e do Ministério da Fazenda, não do BC.

Apesar das divergências, os economistas são unânimes ao ver como desastrosa para a trajetória da dívida a combinação de altas recentes da Selic com deficits primários. Em 2010, o país pagou R$ 195,4 bilhões com juros, o equivalente a 5,03% do Produto Interno Bruto (PIB). No ano passado, a despesa foi de R$ 311,4 bilhões, 5,64% da geração de riquezas no país. Nos últimos 12 meses encerrados em outubro, foram desembolsados R$ 506,9 bilhões, 8,79% do PIB.

Além da alta na Selic, o crescimento expressivo nas despesas com juros da dívida está ligado às perdas do BC com swaps cambiais. Desde que a autoridade monetária passou a intervir no câmbio para tentar conter a valorização da moeda norte-americana, os prejuízos com essas operações aumentaram exponencialmente.

Na opinião do economista Mansueto Almeida, especialista em finanças públicas, mesmo com um desequilíbrio fiscal sem precedentes, o BC tem que usar as armas necessárias para combater a inflação. “Se você estender a atuação da autoridade monetária para controle da dívida, o melhor é diminuir os juros. Mas isso é trabalho do Tesouro Nacional”, explica.

Incapacidade

Para Almeida, o Copom tem que conter a alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mesmo que, ao elevar os juros, agrave a recessão. “O maior problema nessa discussão é a falta de capacidade do governo de fazer superavit primário. Se o setor público conseguisse economizar, só isso reduziria a inflação”, diz. Com superavit primário, ressalta Almeida, a dívida se estabilizaria.

O economista ressalva que o trabalho para conter o avanço do IPCA está difícil porque a autoridade monetária cometeu erros em 2012, baixando os juros quando as expectativas do mercado subiam.

Para o ex-diretor do BC Carlos Eduardo de Freitas, os efeitos da omissão da autoridade monetária no controle da inflação poderão ser nefastos. “A inflação vai atacar a dívida pública por meio do imposto inflacionário. Isso tornará a política macroeconômica disfuncional e voltaremos à realidade dos anos 1980”, alerta.

Freitas comenta que o país precisa de reformas profundas para sair do atoleiro, mas um governo acuado, em meio a uma crise política e econômica, não conseguirá a aprovação de medidas necessárias no Congresso Nacional.

O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, Carlos Thadeu de Freitas Gomes, ressalta que o custo das obrigações financeiras do país não está atrelado somente à Selic: a dívida pré-fixada tem um custo maior que o da taxa básica. Os juros implícitos nos últimos 12 meses encerrados em outubro chegaram a 41,4% e, nos 10 primeiros meses do ano, a 34%.

Esse montante mostra, segundo ele, o tamanho do problema brasileiro. “Estamos perto de um cenário de dominância fiscal, no qual a alta da Selic perde o efeito sobre a inflação”, diz Freitas Gomes, também ex-diretor do BC.

Correio Braziliense – 14/12/2015

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Redação On dezembro - 14 - 2015
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