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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017






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Exportadoras mostram queda

As empresas brasileiras apoiadas pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) exportaram US$ 55,1 bilhões no acumulado do ano até novembro, queda de 3,1% em relação a igual período de 2014.

As informações foram divulgadas, ontem, pelo presidente da Apex, David Barioni Neto. Também houve, na mesma comparação, aumento de 14,8% nas empresas atendidas (12.212).

Os dez principais destinos representam mais da metade do total exportado, com US$ 29,9 bilhões no período.

Entre os setores que mais cresceram suas exportações, estão produtos farmacêuticos, com avanço de 35,2% em 2015 sobre 2014, e veículos e autopeças, com expansão de 7%.

Além disso, cinco empresas brasileiras apoiadas pela Apex passaram a ter sócios internacionais em 2015. As parcerias resultaram na atração de R$ 518 milhões. A agência conta ainda com operações em que empresas brasileiras receberam R$ 10,015 bilhões em investimentos.

DCI – 11/12/2015

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Montadoras aumentam participação no mercado

As montadoras asiáticas sentiram menos o impacto da desaceleração do setor automotivo nos últimos anos do que as concorrentes europeias e americanas. Mesmo com a queda das vendas, Toyota, Honda e Nissan, por exemplo, conseguiram aumentar a participação no mercado brasileiro por diferentes motivos.

Para Rodrigo Baggi, economista da Tendências, as japonesas se beneficiaram do fato de serem mais novas no mercado, possuírem plantas modernas, que as tornaram mais eficientes, e por oferecerem veículos com características que agradam o consumidor, principalmente no que diz respeito a design, qualidade e tecnologia.

Por outro lado, a perda de market share das tradicionais GM, Fiat, Volkswagen e Ford é estrutural e já vinha sendo observada mesmo no período de demanda interna aquecida, entre 2004 e 2008. “Foi a partir da desaceleração do mercado, em 2013, que as japonesas conseguiram ganhar mais espaço.”

Segundo Baggi, dados de janeiro a outubro de 2015 mostram que a Toyota e a Honda têm, juntas, uma participação de 13%, mesma fatia da Volkswagen, a terceira colocada no ranking nacional das montadoras, enquanto as líderes GM e Fiat controlam 16% do mercado. Em 2005, as duas últimas absorviam 23% do mercado e a Toyota e a Honda possuíam cada uma 4% de market share.

De acordo com Baggi, o mercado automotivo deve terminar o ano com 2,5 milhões de unidades comercializadas, ante as 3,3 milhões apuradas em 2014.

Para compensar a queda nas vendas, que foi de 10% entre janeiro e outubro em comparação ao mesmo período de 2014, a Nissan pretende aumentar a exposição da marca durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, dos quais é um dos patrocinadores, e aproveitar o câmbio favorável para iniciar exportações para a América Latina.

Segundo François Dossa, presidente da Nissan, o plano é fazer da fábrica de Rezende (RJ) uma base de abastecimento dos vizinhos da região. “Estamos trabalhando na adaptação do motor flex, mas é difícil dimensionar o volume de exportações porque depende da situação econômica dos países”, diz.

A Toyota reduziu os custos internos, inclusive o da área de produção, e não alterou o cronograma de lançamentos de novos modelos no mercado com a perspectiva de chegar ao final de 2015 com o mesmo volume de vendas registrado em 2014, de 196 mil unidades. Em novembro foi lançada a picape Hilux, importada da Argentina.

Isso sinaliza aos consumidores que a montadora tem produtos atualizados, ressalta Ricardo Bastos, diretor adjunto de relações públicas e governamentais da Toyota. Com planos de manter a fatia de 7% que detém do mercado, a Toyota contratou em novembro 500 funcionários para as fábricas de Sorocaba e Porto Feliz (SP).

A Honda, que tem uma estratégia de negócio voltada ao atendimento dos consumidores de maior poder aquisitivo, tem apostado na renovação da sua linha para amenizar o impacto da crise. A montadora lançou novos modelos do Honda Civic, Fit e City e apresentou quatro novas versões do utilitário esportivo HR-V, que desde março vendeu mais de 38 mil unidades.

A expectativa de Paulo Takeuchi, diretor de relações institucionais da Honda, é de crescimento de 13% nas vendas de toda a linha em relação ao ano passado. A montadora adiou, porém, a inauguração de sua segunda fábrica, em Itirapina (SP), na qual investiu R$ 1 bilhão, que dobraria a sua capacidade produtiva, para 240 mil veículos por ano.

Valor Econômico – 11/12/2015

 

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Ministros apoiam acordo comercial de UE e Mercosul

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro, disse ontem que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia tem o apoio da maior parte dos ministros do bloco europeu.

“O resultado é que, dos 27 ministros, 22, de maneira inequívoca, defenderam o acordo [com o Mercosul] por entenderem que ele era prioritário. Portanto, há já um consenso. A oferta do Mercosul está absolutamente finalizada”, declarou Monteiro.

O ministro evitou nomear os cinco países que permaneceriam contrários ao acordo. Ele destacou apenas que há o respaldo “de países importantes, como Alemanha e Reino Unido”.

Exportações

Ainda segundo Ana Junqueira Pessoa, do Departamento de Competitividade no Comércio Exterior, do MDIC, o objetivo do governo é reduzir em 40% os prazos de exportação, passando dos atuais 13 para oito dias. No caso de importações, a meta é reduzir o prazo de 17 para dez dias.

“Essas metas são prazos compatíveis com a média da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico [OCDE]. Isso significa que o Brasil estaria em outro patamar em termos de agilidade no fluxo comercial”, comentou Junqueira.

Ela apontou que essa redução no prazo de exportação significaria que as cargas ficariam quase metade do tempo atual nos portos, ou seja, a capacidade portuária brasileira seria praticamente duplicada, sem um centavo de investimento na infraestrutura.

O governo também tenta eliminar a necessidade de aprovação a cada operação de exportação, fazendo com que um único certificado sirva para diversas exportações. Outra área de atuação é a digitalização, com redução do envio de documentos em papel.

DCI – 11/12/2015

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Impasse amplo ameaça reunião da OMC sobre Doha

Enquanto os países caminham para um histórico acordo na área climática, em Paris, outra negociação global começará na terça-feira, em Nairóbi (Quênia), com perspectivas muito sombrias. Os mais de 160 países membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) chegarão profundamente rachados sobre se acabam de vez ou não com a combalida Rodada Doha, que deveria liberalizar o comércio agrícola, industrial e de serviços.

O Valor teve acesso ao rascunho da declaração para a conferência ministerial, que ocorrerá entre os dias 15 e 19 na capital queniana sob forte segurança por temor de ataques terroristas. O texto está repleto de trechos em que há profundas divergências entre os países. A situação chegou a tal ponto que existe o risco de sequer haver declaração dos ministros, algo incomum.

Parece um filme já visto na OMC: mais uma vez com uma negociação corre o sério risco de sucumbir com o confronto entre os Estados Unidos e a Índia. Do outro lado, encontram-se o Brasil e a União Europeia (UE), que tentam alguma solução para evitar o fiasco total, com uma certo apoio da China.

Os EUA querem acabar de vez com a Rodada Doha e continuar a negociar os temas que não foram fechados, mas em novas bases. O alvo de Washington é principalmente a China, mas também Brasil, Índia e outros países emergentes, para que sejam qualificados como grandes economias em desenvolvimento e assim obrigados a fazer mais concessões de abertura de seus mercados.

Negociadores relatam que os EUA foram gradualmente diminuindo disposição de negociar os mais diferente itens da agenda, a tal ponto que mesmo um modesto compromisso para disciplinas de créditos e garantias na exportação agrícola, prioritário para o Brasil, parece a esta altura quase fora do radar.

A Índia mostra um comportamento “impossível”, segundo diferentes negociadores. Vincula suas recusas a uma exigência para uma solução permanente para seus programas de estoques públicos para segurança alimentar, com subsídios – na prática detonando também o que poderia restar da negociação global.

A China, embora seja o alvo número um dos americanos, não aceita a decretação do fim da Rodada de Doha. Mas, ao mesmo tempo, tem mantido nas negociações postura mais prudente do que os próprios EUA e a Índia, segundo negociadores.

A esse quadro de dificuldades se soma, como era previsto na reta final, o argumento de vários países de que em Nairóbi na semana que vem não haverá mais tempo para fechar compromissos, por causa dos temas muito complexos na mesa.

A delegação brasileira, chefiada por Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, avisou porém que chegará a Nairóbi levando alternativas técnicas para tentar acomodar diferentes preocupações, apesar da pouca determinação dos principais parceiros.

Sobram pelo momento um pequeno pacote de medidas para ajudar os países mais pobres do mundo, que eles mesmo julgam ser nulo, e medidas de transparência para subsídios nas áreas de pesca, antidumping e serviços.

É difícil prever discussão produtiva sobre opções, em Nairóbi, para a OMC encontrar outros modelos de negociação e superar a imagem pública de fiascos. Na OMC, em todo caso, tudo pode mudar rapidamente. Há dois anos, em Bali (Indonésia), um jornal chegou a publicar em manchete no sábado que a conferência fora um fiasco, enquanto os negociadores terminavam uma noite de negociação com um acordo para facilitação de comércio que vale centenas de bilhões de dólares.

Para certos negociadores, se por um lado um fracasso confirmaria a posição americana de que não dá para negociar com base no mandato de Doha, por outro o fato de Washington ser em parte responsabilizada por um fracasso na terra do pai do presidente Barack Obama não é exatamente confortável politicamente.

Valor Econômico – 11/12/2015

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Juros devem encerrar 2016 entre 1% e 1,25% nos EUA, diz Harris, do BofA

O Federal Reserve (Fed, banco central americano) deve iniciar na semana que vem a normalização da política monetária nos Estados Unidos, movimento que pode ser seguido de mais três altas de juros até o fim de 2016. Assim, a taxa básica, que hoje está entre 0% e 0,25%, deve encerrar o ano que vem entre 1% e 1,25%. Essa é a previsão do corresponsável de pesquisa econômica global do Bank of America Merrill Lynch, Ethan Harris, que esteve no Brasil para evento do banco.

Em entrevista ao Valor, Harris, que é economista-chefe do banco para os Estados Unidos, afirma que boa parte do efeito da esperada decisão do Fed já está refletido nos mercados, embora os investidores esperem um ciclo de aperto monetário mais gradual do que o BC americano tem indicado. Para ele, países de América Latina e Ásia são os mais vulneráveis a esse movimento.

Valor: Na semana que vem teremos a última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) neste ano. Qual a sua expectativa em relação à decisão do Fed?

Ethan Harris: Hoje é mais certo que o Fed eleve a taxa básica de juros. Eu acho que o verdadeiro debate é sobre como será a linguagem e como ele vai sinalizar essa mudança no comunicado. Muitas pessoas no mercado esperam que ele suba a taxa de juros, mas o faça de forma amigável, sinalizando um ritmo lento no aperto monetário. O Fed já tem dito que o ciclo de alta de juros será gradual, mas isso para eles significa quatro altas de juros, enquanto que para o mercado normalmente são duas a três altas. Então, os mercados estão precificando um ritmo mais lento em comparação ao que o Fed tem sinalizado por meio dos “dots” [“dot plot”, as projeções dos membros do Fomc] no comunicado, onde eles dizem quantas altas eles esperam para o próximo ano. A média dos membros do comitê é de quatro altas no próximo ano, é uma previsão simples porque significa que eles vão se mover a cada duas reuniões e não houve nenhuma grande notícia para fazê-los mudar de ideia. Acho que o mercado vai ficar um pouco desapontado porque o Fed não está sinalizando um ritmo mais gradual do movimento.

Valor: Qual a sua projeção para a taxa de juros nos Estados Unidos no fim de 2016?

Harris: Esperamos que o Fed faça três altas da taxa de juros em 2016, que deve encerrar o ano que vem entre 1% e 1,25%.

Valor: Qual o impacto disso para os mercados emergentes? Boa parte desse evento já está refletida nos preços dos ativos?

Harris: Acho que a maior parte do efeito já está refletido nos preços dos ativos. O Fed recentemente tem sido claro e, por isso, os mercados estão certos de que ele subirá a taxa de juros na próxima semana. O único risco é do Fed soar “dovish” [inclinado ao afrouxamento monetário], o que não chega a ser uma decepção para os investidores. Uma das coisas que vai levar o Fed a subir a taxa de juros é realmente o voto de confiança na economia americana e quando o Fed finalmente for explicar por que está fazendo isso, ele deve descrever uma melhora contínua da economia, a probabilidade da inflação voltar ao normal e, por isso, será uma mensagem otimista sobre como eles vão alcançar o objetivo daqui por diante. Então, podemos ver uma situação em que os mercados emergentes e de ações nos EUA podem realmente ter um ligeiro rali mesmo com uma pequena alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano.

Valor: Qual o impacto da divergência entre as políticas monetárias adotadas pelo Fed e pelo Banco Central Europeu (BCE) para os mercados emergentes?

Harris: Eu acho que os mercados emergentes são mais sensíveis aos EUA e ao dólar, e há maior preocupação em relação ao Fed. Regiões como os mercados emergentes da Europa estão melhores porque o BCE está fazendo uma política de afrouxamento monetário agressiva. Haverá divergência em termos de impacto líquido das mudanças dessas políticas, mas isso já está refletido nos mercados. Na verdade, na reunião do BCE, no início de dezembro, ele não foi “dovish” o suficiente, porque todo mundo estava esperando que ele fizesse mais do que o previsto pelo mercado, esperando uma extensão maior do programa de compra de ativos e um corte maior da taxa de depósito. Mas os mercados agora estão adotando a ideia de que o BCE vai ser muito agressivo no programa de compra de ativos e eles vão continuar a inundar os mercados globais de liquidez. Independentemente da decisão agora, não há um fim à vista para o programa de compra de ativos na Europa. Isso é semelhante ao que vimos nos Estados Unidos e semelhante ao que ocorre agora no Japão. Então, a única preocupação em relação aos mercados emergentes é que alguns são mais sensíveis à liquidez do Fed, tais como a Ásia e a América Latina, e o oposto na Europa, onde eles provavelmente são mais beneficiados.

Valor: Qual é a sua previsão para o crescimento da economia americana no ano que vem?

Harris: O PIB dos EUA deve crescer 2,5% em 2016. O impacto dos principais fatores que afetaram o crescimento este ano, a desaceleração dos investimentos no setor de mineração e alta do dólar, deve ser menor em 2016. O grande risco para a recuperação da economia americana agora é de natureza global, como um colapso da China, ou um evento imprevisível como uma ruptura no Oriente Médio ou a queda do preço das commodities. Mas não esperamos um pouso forçado da China. O crescimento da China deve continuar a desacelerar e o governo chinês manterá as medidas de estímulo.

Valor: Sei que o senhor não é especialista em economia brasileira, mas gostaria de saber sua opinião sobre como o risco de impeachment da presidente Dilma Rousseff afeta o Brasil.

Harris: Eu não tenho uma posição convicta sobre o que eles vão fazer, mas, do ponto de vista econômico, não acho que estamos no fundo do poço ainda, e acho que 2016 pode ser mais difícil que 2015. E os componentes que devem impactar o crescimento são os problemas políticos, como o impeachment, as investigações de escândalos de corrupção, é o tipo de crise que pode durar mais do que o esperado. De uma perspectiva global, o grande desafio é o enfraquecimento dos preços das commodities. Nossos analistas observam que há muitas empresas que estão expostas ao setor de mineração, que globalmente está muito fraco, as companhias cortaram investimentos.

Valor Econômico – 11/12/2015

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Frentes de negócios

Vistos pela ótica do “copo meio cheio”, os laços de amizade e diplomacia que completam 120 anos em 2015 transformaram o Japão em um dos mais importantes parceiros comerciais do Brasil. Em 2014, o país asiático foi o quinto destino das exportações brasileiras e o nono maior mercado de origem das importações. O “copo meio vazio”, porém, aponta para um viés de baixa no intercâmbio. Após quase triplicar até o início da década, a corrente de comércio patina – em 2015, as relações comerciais atingiram o menor nível desde 2009. Retomar o crescimento no comércio entre os dois países requer a derrubada de uma série de barreiras.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, em 2005, as trocas comerciais entre Brasil e Japão somaram US$ 6,88 bilhões. Exceção ao recuo de 2009, na ressaca da crise financeira internacional, o comércio bilateral manteve trajetória de crescimento robusto nos seis anos seguintes, culminando com trocas de US$ 17,3 bilhões em 2011, o ápice histórico. A partir de 2012, entretanto, os negócios desaceleraram, caindo para US$ 12,6 bilhões em 2014.

As causas para o avanço e o declínio têm raízes similares. O grande incremento na relação comercial até 2011 é respaldado por um real altamente valorizado frente ao dólar, que tornou mais acessíveis os produtos japoneses no Brasil. Não por acaso, as importações passaram de US$ 3,4 bilhões, em 2005, para US$ 7,8 bilhões, em 2011, concentradas em automóveis, autopeças, maquinário e produtos eletrônicos. Já as altas históricas nos preços das commodities favoreceram as receitas dos exportadores brasileiros, que foram de US$ 3,4 bilhões para US$ 9,4 bilhões no período. Mas a curva se inverteu.

De um lado, o arrefecimento da atividade econômica no Brasil e a escalada do dólar diminuíram o apetite dos importadores. Do lado dos embarques, após o recorde histórico nas cotações até 2011, os preços internacionais das principais commodities despencaram. “Os preços das commodities explicam o crescimento e o declínio do intercâmbio. O fato é que o Brasil exporta basicamente commodities para o Japão e fica dependente das cotações internacionais”, analisa o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Os produtos básicos respondem por 64,5% de tudo o que o Brasil embarca para o Japão, com destaque para o minério de ferro, a soja e o milho. Os manufaturados representam 15,5%. Como base de comparação, em 2000, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), os manufaturados representavam 21,8% dos embarques brasileiros. Em suma, a pauta de exportação brasileira ao Japão se tornou mais dependente dos produtos básicos.

As oportunidades para o incremento no comércio e para cavar espaço para itens de maior valor agregado existem, especialmente na área de biocombustíveis, papel e celulose, madeira e moda. O Japão foi um dos 32 mercados definidos como estratégicos no Plano Nacional de Exportações, lançado em julho pelo Mdic.

A Apex-Brasil também vira os holofotes para a terra do sol nascente. Em 2014, a agência realizou ações na Isetan e na Sogo & Seibu, duas cadeias de lojas de departamento locais, para promover principalmente produtos dos setores de moda. Em 2015, uma nova ação na Isetan deve gerar quase US$ 4 milhões em negócios. “O Japão é um país que nos interessa especialmente e as ações vão se intensificar cada vez mais até 2018”, diz David Barioni, presidente da Apex-Brasil.

Em outra frente, foi criado um grupo de trabalho reunindo presidentes de grandes empresas brasileiras e japonesas, como Vale e Mitsui, que se encontram anualmente – com posterior interlocução com os governos -, com o intuito de criar oportunidades de negócios. “Do lado brasileiro, há interesse em expandir as oportunidades no agronegócio e em áreas como a de petróleo”, revela um dos membros do grupo criado em 2010, o ex-ministro da Agricultura e coordenador do GVAgro, da FGV, Roberto Rodrigues.

Um dos grandes desafios no incremento do comércio é a redução de barreiras. O Japão é conhecido pelo rígido protecionismo e suas barreiras, sobretudo as sanitárias e não tarifárias, dificultam a inserção de muitos produtos brasileiros naquele mercado, como as frutas. “Foram 23 anos para que autorizassem a importação da manga”, recorda Rodrigues. O mesmo ocorreu com o etanol. Em setembro, o país abriu queixa na Organização Mundial de Comércio (OMC) contra o programa Inovar Auto, que afetaria os estrangeiros de forma “injusta”.

Algumas barreiras, entretanto, começam a ser derrubadas. Em maio de 2013, o país autorizou a importação de carne suína de Santa Catarina. Em 2014, os seis frigoríficos habilitados embarcaram 4,2 mil toneladas, num total de US$ 17,7 milhões. Os montantes são pequenos se considerarmos que o Japão é o maior importador global desse produto, com compras que superam 900 mil toneladas e gastos acima de US$ 5 bilhões. Mas a vitória reflete os esforços diplomáticos e das empresas brasileiras em abrir o mercado para esse produto.

Ao levantar o embargo, o Japão abriu uma rara exceção e atendeu ao princípio da regionalização no controle da febre aftosa da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE). Historicamente, o Japão trabalha na base do tudo ou nada. Na prática, se o país inteiro não estiver livre da doença, não há negócio. “O Japão abriu a exceção com o conceito de que Santa Catarina é o único Estado livre da aftosa sem vacinação. A meta será fazer com o suíno o mesmo trabalho que fizemos com o frango”, diz o presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra. Em 2014, 84% das importações globais de frango in natura do Japão eram de origem brasileira.

Os esforços, agora, se concentram na carne bovina. O Japão, ao lado de China e África do Sul, suspendeu as compras da carne brasileira em 2012, na época da confirmação de um caso não-clássico de vaca louca que ocorreu no Paraná em 2010 – um animal que não foi levado ao abate e sequer desenvolveu a doença. A China suspendeu o embargo em 2014. O Japão resiste, mas a autorização para o retorno deverá acontecer.

Valor Econômico – 11/12/2015

 

Redação On dezembro - 11 - 2015
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