Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

Filiado a FIESP

Sbado, 23 de Setembro de 2017






Associe-se!
Clique aqui e conheça as vantagens

Instabilidade política e subida do IPCA abrem margem para elevação da Selic

Com o aumento da instabilidade política e a inflação em alta, a elevação da taxa de juros volta ao radar dos brasileiros. A última ata do Copom mostrou que dois diretores do Banco Central (BC) já são a favor da Selic em patamar superior.

A abertura do processo de impeachment “pode ter impacto em contratos ou em produtos que são influenciados pelo câmbio”, explica André Chagas, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Assim, nova pressão inflacionária pode acontecer “sobre itens que já estão pressionados, como o açúcar”, completa.

Uma piora no cenário político também intensifica o risco Brasil e “pode aumentar a necessidade de melhora do prêmio de risco para investidores que queiram entrar no País”, completa Virene Matesco, professora de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV). A especialista lembra que dois membros do Comitê de Política Monetária (Copom) “já queriam aumentar” a Selic antes do início do processo de impeachment.

Os diretores do BC, Tony Volpon (Assuntos Internacionais) e Sidnei Corrêa Marques (Organização do Sistema Financeiro), consideram “que seria oportuno ajustar, de imediato, as condições monetárias, de modo a reduzir os riscos de não cumprimento dos objetivos do regime de metas para a inflação”. A posição foi tomada na última reunião do Copom, realizada na semana passada, cuja ata foi divulgada ontem.

Para Volpon e Marques, o ajuste das condições monetárias se daria com um novo aumento da taxa básica de juros, de 0,5 ponto percentual. Os outros seis integrantes do Copom defenderam a manutenção da Selic no patamar atual.

A possibilidade de um aumento da taxa de juros passou, também, a ser considerada pelo mercado. O Relatório Focus, que um mês atrás esperava a taxa Selic em 13% ao final de 2016, elevou a estimativa para 14,13% para o mesmo período.

Gasolina na fogueira

Matesco é assertiva ao criticar a possível mudança. “A elevação da taxa de juros aumenta ainda mais o endividamento do governo, piorando o problema fiscal. E as contas públicas já estão completamente descontroladas”, afirma. “Seria como jogar gasolina no fogo.”

Caso o aumento de 0,5 ponto percentual aconteça em 2016, a Selic chegará aos 14,75%, acumulando alta de três pontos percentuais em relação a dezembro de 2014.

Luiz Alberto Machado, professor de economia da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), comenta que o aumento da taxa de juros “não tem resolvido o problema da inflação”. Segundo ele, “a alta dos preços pela demanda está sendo contida pela retração atual da economia”.

O professor destaca que “o grande problema, atualmente, é a economia parada”, assim como a “falta de estímulo para investimento em produção”. Para ele, o cenário pode ficar ainda mais complicado “caso o dinheiro fique mais caro”, mencionando a possibilidade de novo aumento da taxa Selic.

Matesco acrescenta que tem efeito hoje as inflações de custos e de expectativa, sobre as quais “o Banco Central não tem muito que fazer”. Para a especialista, “o BC foi negligente com a inflação quando podia agir e agora faz uma espécie de mea culpa”.

Rebaixamento

O aumento da instabilidade política pode, também, causar o rebaixamento da nota de risco de crédito (rating) do Brasil e a retirada do grau de investimento pelas agências que ainda o mantem.

“Caso isso aconteça, o risco para investidores entrarem no País aumentaria ainda mais e a necessidade de um prêmio mais elevado poderia estimular novos aumentos da Selic”, projeta Matesco.

Entretanto, Machado diz não apostar em uma elevação da taxa no ano que vem. “Será desnecessário. O acumulado da inflação deve diminuir com o fim do efeito de preços que eram represados e com o congelamento da demanda.”

DCI – 04/12/2015

continue lendo:

Aposta em alta de juros ganha força após ata do Copom

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) consolidou uma mudança importante nas expectativas do mercado para a política monetária. A projeção de alta de juros, sequer citada na sondagem anterior, realizada às vésperas da reunião de novembro, agora é apresentada por 10 dos 17 economistas consultados pelo Valor, ou 58,8% da amostra. Apenas dois entrevistados esperam corte de juro ao longo do próximo ano, enquanto quatro veem a Selic estável até o fim de 2016, em 14,25% ao ano.

Uma instituição omitiu a projeção para o fim de 2016, mas já conta com elevação da taxa no encontro de 19 e 20 de janeiro, para 14,75% ao ano. E essa é a expectativa da maioria: dez economistas projetam elevação de 0,5 ponto percentual no próximo encontro de política monetária, baseados tanto no placar dividido da reunião do Copom – dois diretores votaram a favor de uma elevação para 14,75% – quanto no teor da ata divulgada ontem.

Com tal mudança de cenário, o contrato futuro de juros de janeiro de 2017, que indica a expectativa para a Selic no fim de 2016, subiu de 15,66% para 15,76%, contemplando, assim, uma elevação de 230 pontos-base durante o ano.

“Antes do comunicado, estava achando que o BC ficaria inerte diante da piora das expectativas de inflação. O discurso do BC estava muito vago e parecia que, de alguma forma, a instituição estava trabalhando com o cenário de dominância fiscal”, observa a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, que trabalha agora com um ciclo de alta entre 150 pontos e 200 pontos-base em 2016. “A mudança do comunicado da ata e o voto dos dissidentes alterou essa minha visão.” Para ela, ainda que o problema da inflação só possa ser resolvido em paralelo a uma política fiscal muito mais apertada e crível, a ação do BC é de extrema importância

Para o sócio-diretor do Modal, Luiz Eduardo Portella, o BC pode começar a elevar o juro em 0,50 ponto percentual em janeiro e levar a taxa para 15,75% no fim de 2016. A questão fiscal, diz ele, é um dos elementos que justificarão esse movimento. Ele lembra que no parágrafo 16 da ata, o BC ajustou sua projeção para resultado primário de um superávit de 0,15% do PIB em 2015 para um déficit de 0,85%. Mas o Copom manteve a estimativa de superávit primário de 0,7% do PIB para 2016. “Esse superávit não será feito. Portanto, há um potencial de piora às projeções de inflação do BC vinda do fiscal, o que reforça a chance de alta de juros”, diz.

O BNP Paribas também alterou seu cenário e agora espera uma alta de 150 pontos base da Selic em 2016. “Enquanto o BC tem, muitas vezes, optado por começar e terminar seus ciclos com aumento de 0,25 ponto, os votos dissidentes na semana passada reforçam o argumento para um ritmo de 0,50 ponto”, aponta o banco em relatório. O BNP ressalta que, enquanto o aprofundamento da recessão limita uma alta de juros, as perspectivas para inflação parecem ter piorado suficientemente rápido para levar o BC a agir.

O risco para essa previsão, segundo o banco francês, é que o ambiente político instável possa potencialmente requerer que o BC espere antes de retomar o ciclo de alta de juros. “O início do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff esta semana ilustra o quão rapidamente as coisas podem mudar e pode haver outros desenvolvimentos antes da próxima reunião de política monetária em janeiro”, aponta o banco. Isso, segundo o BNP, poderia levar o BC a esperar até março para subir os juros.

Já o diretor do grupo de pesquisas econômicas para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, mantém a projeção de manutenção da Selic em 2016, aguardando mais detalhes no Relatório Trimestral de Inflação, no fim do mês. “Tudo vai depender do que o BC irá considerar em termos de projeção para atividade”, diz Ramos. Ele lembra que projeções para atividade pioraram muito com o recuo de 1,7% do PIB do terceiro trimestre, divulgado após a reunião do Copom.

Valor Econômico – 04/12/2015

continue lendo:

Tarifas devem subir mais

Os brasileiros devem preparar o bolso porque o tarifaço promovido pelo governo e que encareceu o preço dos combustíveis, da conta de luz, das passagens de ônibus e do gás de cozinha deve permanecer até o fim de dezembro e continuar 2016. Nas contas do Banco Central, os preços administrados terão alta de 17,7% em 2015, ante estimativa de outubro que apontava elevação de 16,9%. A autoridade monetária projetou que o valor da gasolina subirá 17,6%, o botijão de gás 21,7% e o da energia elétrica 52,3%.

Para o próximo ano, o BC espera que os preços administrados subam pelo menos 5,9%. Segundo Marcio Milan, analista da Tendências Consultoria, esses reajustes pesarão no bolso dos consumidores em 2016 e terão uma alta de pelo menos 8,35%. Nas contas dele, o preço da gasolina deve aumentar pelo 15%, porque a Petrobras será pressionada pelo preço do petróleo, cotado em dólar. Além disso, há risco de que a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) seja reajustada para aumentar a arrecadação de impostos.

André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), ressalta que mesmo com a melhora do regime de chuvas, que pode reduzir o custo da energia, os impostos pagos pelo setor podem ser repassados aos consumidores.

Correio Braziliense – 04/12/2015

continue lendo:

Entre perdas e ganhos

Mesmo cercado por incertezas, o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, acolhido na quarta-feira pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, foi visto pelo mercado financeiro e por empresários como uma possível saída para a crise política que afeta a economia brasileira há pelo menos um ano. Ontem, investidores reagiram à notícia com euforia: a Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 3,29%, a maior em um mês, enquanto o dólar recuou 2,24%, a R$ 3,749. Economistas de diferentes tendências concordam que o processo — seja qual for seu desfecho, com a saída de Dilma ou a sua permanência, porém mais fortalecida — pode ajudar a melhorar o ambiente de negócios, por encerrar a interminável crise política. No entanto, alertam que, caso as discussões sobre o impeachment se prolonguem por tempo demais, podem abalar a já combalida economia brasileira, com aumento da instabilidade e um freio ainda maior nos investimentos.

No primeiro momento, o que agradou investidores e empresários foi a ideia de que está sendo dado um passo inicial para resolver o impasse político que se arrasta desde o início do segundo mandato de Dilma. O governo tem se esforçado para aprovar as medidas do ajuste fiscal no Congresso, por exemplo. A perspectiva de destravamento dessas negociações animou os mercados.

— A reação inicial foi positiva, porque o consenso é que o cenário político e econômico se deteriorou tanto que qualquer chance de mudança agrada aos agentes do mercado. Qualquer mudança política hoje é bem-vinda. No caso do impeachment, o mercado entende que o Temer teria um maior apoio político dos outros partidos, facilitando a aprovação do ajuste fiscal — afirmou Bernd Berg, estrategista-chefe para mercados emergentes do banco Societé Générale.

Berg acredita que o processo será longo e pode resultar em frustração, principalmente diante da possibilidade de rebaixamento da nota de crédito do Brasil pelas agências de risco, até fevereiro.

Muitos empresários compartilham a avaliação dos investidores de que um desfecho para a crise política — qualquer que seja ele — é bem-vindo. Mas eles torcem por uma celeridade na análise do processo de impeachment, para que o país encontre seu caminho e volte a crescer.

— A única coisa que espero como industrial é que possamos superar rapidamente essa fase da crise e que o Congresso seja o mais célere possível. Porque qualquer decisão que seja tomada vai sinalizar para o mundo e para a sociedade uma solução da crise política. A gente vira essa página e começa a pensar no país — disse Carlos Pastoriza, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Apesar do otimismo, o consenso entre economistas que acompanham os indicadores macroeconômicos do país é que um pedido de impeachment deve piorar, no curto prazo, os índices de confiança que já estão muito ruins. Para Fábio Silveira, diretor de pesquisas econômicas da GO Associados, o primeiro reflexo será o adiamento de investimentos, enquanto empresários aguardam os desdobramentos da crise política. Por isso, ele defende que o processo seja feito da forma mais rápida possível, abreviando o período de incertezas.

— Quanto mais essa novela se arrasta, mais a gente paga caro. O ideal seria tornar mais breve esse longo ciclo de crise política, que já vem desde o ano passado, para que a gente possa enfrentar a questão econômica. Não é automático: a solução da crise política não resolve, por si só, a crise econômica. Mas é algo que precisa ser feito — afirma o especialista.

Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, também vê a agilidade como imprescindível, mas vai além: acredita que os efeitos seriam mais positivos para a economia em caso de saída da presidente Dilma.

— Achar logo uma solução para esse impasse político é o melhor dos mundos. O que não dá mais é para ficar nessa paralisia que decorre da incerteza sobre a presidente. Saber se ela vai ficar ou não já é um grande resultado por si só.

Caso ela caia, entretanto, a reação na economia deve ser positiva. Especialmente em infraestrutura e no ajuste fiscal devemos ter uma aceleração benéfica para o país. Caso ela fique, será mais do mesmo em termos de administração, o que significa que a recessão se prolonga para 2017 — afirma o especialista, em entrevista por e-mail.

ENTRAVE PARA VOTAÇÕES IMPORTANTES
Já André Biancarelli, analista de conjuntura do Instituto de Economia da Unicamp, também destaca a importância da celeridade, mas afirma que o melhor para o país seria o processo ter outro desfecho: a manutenção de Dilma no cargo.

— Tocar para frente um processo de impeachment, sob essa justificativa, seria uma irresponsabilidade sem tamanho. Não vejo como trocar o presidente possa melhorar o cenário do ponto de vista econômico. Qualquer presidente encontraria o Brasil em uma situação já conflagrada. E essa instabilidade política tem um fator que piora decisão de investimento — diz.

Além do aumento das incertezas, também preocupa a paralisia do Congresso Nacional, que deve ser dominado pelas discussões do pedido de impeachment. Com isso, pautas importantes do ajuste fiscal, como a votação da volta da CPMF e o Orçamento de 2016, podem atrasar. É o que teme o economista Paulo Levy, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

— Temos a aprovação da CPMF, da DRU (Desvinculação das Receitas da União) que podem acabar ficando em segundo plano devido ao foco no processo. A economia já está derrubada. A repercussão do processo em si num primeiro momento não será grande, já que o quadro já é de paralisia há algum tempo.

O Globo – 04/12/2015

continue lendo:

BC reforça que pode subir mais os juros para conter a inflação

Apesar de o país atravessar a recessão mais grave em pelo menos duas décadas, o Banco Central (BC) reforçou o sinal de que pode elevar ainda mais os juros num futuro próximo para conter a inflação. Na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, a mensagem é que a crise deve ser mais profunda, mas a preocupação com a inflação aumentou e pode levar à elevação da taxa básica de juros. O BC deixou claro na ata que pretende usar a política monetária para reduzir a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e trazê-la a um patamar limitado ao teto da meta (6,5%) ainda em 2016. E reforçou o objetivo de alcançar o centro da meta (4,5%) em 2017.

“O Comitê adotará as medidas necessárias, de forma a assegurar o cumprimento dos objetivos do regime de metas, ou seja, trazer a inflação o mais próximo possível de 4,5% em 2016, circunscrevendo-a aos limites estabelecidos pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), e fazer convergir a inflação para a meta de 4,5% em 2017”, diz a ata.

O BC ainda explicou porque dois diretores defenderam na reunião do Copom o aumento da Selic em 0,5 ponto percentual: “Parte de seus membros argumentou que seria oportuno ajustar, de imediato, as condições monetárias, de modo a reduzir os riscos de não cumprimento dos objetivos do regime de metas para a inflação. No entanto, a maioria dos membros do Copom considerou monitorar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião para, então, definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”. BC ESPERA ALTA DE 17,6% NA GASOLINA O objetivo do BC é ancorar as expectativas para que a inflação deste ano e a de 2016 não contaminem 2017. A expectativa do mercado é que em 2015 a inflação fique em 10,38% e em 6,64% no próximo ano. Já para 2017, a projeção é de um índice em 5,12%.

Em evento fechado para economistas organizado pelo JP Morgan, em São Paulo, o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Tony Volpon, afirmou que o país vive uma preocupante alta nas expectativas de inflação com uma duração maior que a usual. O diretor avaliou que a inflação acima de 10% tem uma “carga simbólica que não deveríamos ignorar” e incentiva a indexação da economia, ou seja, o repasse da inflação passada para os preços dos produtos e serviços.

Volpon foi um dos diretores que votou pelo aumento dos juros na última reunião do Copom.

— Estamos também evidenciando comportamento preocupante da própria inflação nesses últimos meses. A superação do nível de 10% ao ano tem uma carga simbólica que não deveríamos ignorar, potencialmente incentivando um comportamento mais defensivo via indexação por parte dos agentes econômicos — disse o diretor.
O Copom indicou que os impactos do câmbio e do tarifaço nos preços administrados podem ter terminado, ao mudar na ata o tempo verbal. No documento, o BC diz que esses ajustes “fizeram” com que a inflação se “elevasse” neste ano. Na ata anterior, os dois verbos estavam no presente.

Ao mesmo tempo, o Banco Central aumentou a projeção de inflação dos preços das tarifas públicas neste ano, de 16,9% para 17,7%. O BC espera alta da gasolina de 17,6% e não mais de 15%. Revisou de 19,9% para 21,7% a estimativa de reajuste no preço do bujão de gás e espera que a conta de luz suba 52,3% neste ano, contra uma projeção de 51,7% da ata passada.

Para o futuro, as contas públicas continuam a ser a principal preocupação do BC. O Copom intensificou o discurso de que precisa que o governo faça um ajuste nas contas o mais rápido possível. Colocou na ata que a incerteza tem tido impacto negativo nas expectativas de inflação.

— Hoje, o aumento de juros em janeiro está mais provável do que ontem, mas está tudo meio em aberto. Toda semana tem surpresas: uma semana é Delcídio (o senador Delcídio Amaral), outra é impeachment. A gente não sabe o que vai acontecer até janeiro. Os eventos econômicos são menos importantes que os eventos políticos agora — avaliou Luis Otavio Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil.

O Globo – 04/12/2015

continue lendo:

Orçamento de 2016 avança

A Comissão Mista do Orçamento (CMO) do Congresso aprovou ontem o relatório preliminar do Orçamento de 2016. Mesmo após ajustes, o texto ainda tem um rombo que ultrapassa R$ 10 bilhões em relação à meta fiscal de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse buraco precisa ser coberto até o fim da tramitação. Uma das alternativas, defendida pelo relator do texto, deputado Ricardo Barros (PP-PR), seria um corte no programa Bolsa Família.

Para que seja cumprida a meta de superavit primário proposta para o governo central (Tesouro, INSS e Banco Central) de R$ 34,4 bilhões seria necessário um esforço fiscal de R$ 64,9 bilhões. Isso porque a proposta de Orçamento que chegou ao Congresso em agosto previa um deficit de R$ 30,5 bilhões, no ano que vem.

Após ajustes nas contas do relatório — acréscimos de receitas, como a da CPMF, e cancelamento de despesas —, ainda faltam R$ 10,4 bilhões para fechar a conta. Segundo o relator, um impasse entre Câmara e Senado no projeto de repatriação de recursos, ainda em tramitação, ainda pode aumentar o rombo nas contas para R$ 20 bilhões.

No total, os parlamentares apresentaram 54 emendas ao relatório preliminar. De acordo com Barros, foram aceitas aquelas que pediam autorização para ajustes setoriais. O pedido apresentado pelo líder do governo na CMO, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), para manter os recursos previstos para o programa Bolsa Família, foi rejeitado.

Correio Braziliense – 04/12/2015

continue lendo:

Rebaixamento cada vez mais perto

O pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff pode acelerar o rebaixamento da nota de crédito do Brasil pelas agências de classificação de risco. Em comunicado divulgado ontem, a analista-chefe de riscos soberanos para América Latina da Fitch, Shelly Shetty, afirmou que a denúncia intensifica o ambiente de incerteza política no país e pode travar o processo de ajuste fiscal, exigido pelos investidores para manter a confiança no país.

A executiva lembrou que, em outubro, a agência cortou a nota brasileira para BBB-, patamar ainda dentro do grau de investimento, mas colocou a avaliação em perspectiva negativa. “A Fitch continuará a acompanhar a evolução dos fatos e avaliar como os recentes acontecimentos vão ter impacto sobre a implementação de políticas, a trajetória fiscal do Brasil, o desempenho econômico e qualidade de crédito soberano”, afirmou a analista.

Das três grandes agências de risco, a Fitch ainda mantém o grau de investimento do país, ao lado da Moody’s. A Standard & Poor’s já colocou o Brasil na categoria especulativa, em setembro passado. Para o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, o rebaixamento é inevitável e pode ocorrer antes do Natal. “E é bom que venha logo. O quanto antes o jogo for zerado, melhor para ganhar algum espaço para a administração fiscal”, disse ele, em relatório encaminhado a clientes.

Perfeito avalia que, com o aprovação do Congresso a um deficit fiscal de R$ 119,8 bilhões em 2015, dos quais R$ 57 bilhões correspondem às pedaladas fiscais, será praticamente impossível que as agências não retirem do Brasil o selo de bom pagador. Ele observou que, com os sucessivos rombos nas contas públicas, o pagamento de juros explodiu, atingindo R$ 506 bilhões nos últimos 12 meses, o que fará a dívida subir ainda com mais força.

A curto prazo, não há saída, reforçou o economista. O governo não conseguirá fazer o ajuste fiscal porque a recessão fez a arrecadação tributária cair de forma abrupta, e não há como cortar despesas em volume similar. “Mesmo que (o ministro da Fazenda, Joaquim) Levy queira, e ele quer, não poderá reverter a situação para números mais positivos sem subir impostos”, advertiu.

Sem defesa

Na briga para defender seu mandato, Dilma Rousseff não encontra aliados entre as principais lideranças do empresariado, embora, no setor, a avaliação predominante seja a de que o processo de impeachment aumenta a incerteza e dificulta ainda mais as mudanças necessárias para destravar a economia. Para os empresários, o importante é que o país saia do clima de paralisia política, como afirmou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade. (O impeachment) “é uma oportunidade para a presidente Dilma sair fortalecida dele, ou então o país terá de encontrar outro caminho, com outro governante”.

“O necessário, agora, é que o Congresso cumpra o seu papel com justiça e rapidez, para que se defina essa situação de forma que a economia possa voltar a caminhar”, afirmou Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). José Eduardo Gouveia Vieira, da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), lamentou a falta de interlocutores no governo para discutir reformas econômicas. “Temos aqui 400 pessoas a discutir onde está Wally”, ironizou, em referência ao personagem de livros infantis que se esconde em meio a multidões, ao participar de seminário, na capital fluminense.

Correio Braziliense – 04/12/2015

continue lendo:

“A economia está um bagaço”, diz Arminio

Uma das duas grandes incertezas que atormentavam os mercados foi dirimida com a decisão do presidente da Câmara, deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de acatar o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A primeira era sobre se haveria ou não um processo de impeachment. Ele começou. A segunda dúvida é sobre se o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, permanecerá ou não no comando da economia. Ele tem dito a interlocutores que só pretende continuar se o governo fixar a meta de superávit de 0,7% do PIB para 2016. Caso contrário, deixará o cargo.

O recado que os mercados deram ontem foi “ou o governo muda ou muda o governo”, na interpretação de fontes da área econômica. A mera permanência de Levy sem um programa fiscal firme e o início do processo de impeachment, no entanto, não resolvem os problemas dramáticos que tornam opaco o futuro do país. Há muito a acontecer nos próximos dias para ficar claro se o pedido de impeachment seguirá seu curso ou se acabará no nascedouro, com decisão do Supremo Tribunal Federal contra a ação de Cunha.

Ontem, o PT protocolou mandado de segurança no Supremo contra a decisão de Cunha, mas desistiu assim que a escolha do relator recaiu sobre o ministro Gilmar Mendes. O ministro, porém, negou o pedido de desistência do PT e a suspensão do processo e tornou-se o relator de eventuais futuros questionamentos.

Os desdobramentos da crise política, que se mistura e se realimenta das investigações da Operação Lava-Jato, ocorrem no momento em que o governo corre contra o tempo. A economia afunda em ritmo acelerado – os dados de retração do PIB divulgados pelo IBGE esta semana são apavorantes. O país caminha para uma depressão jamais vista na história contemporânea e, diferentemente de outras situações em que houve recessão, esta se instala depois de quatro anos de baixo crescimento.

Setores do governo veem a chance de Dilma renascer das cinzas, com renovado poder político, caso o STF aborte o impeachment, ou se ela for vitoriosa na obtenção dos votos necessários para barrar o processo na Câmara. Essa, porém, é uma avaliação que pode não corresponder à realidade de um governo que nasceu fraco e permanecerá assim até os seus últimos dias por várias razões, sobretudo pela inapetência para fazer um ajuste fiscal necessário e inadiável, sem o qual o futuro será sombrio.

É bom que fique claro: não há opção boa sem um ajuste, porque, dentre outras coisas, a dinâmica da dívida para os próximos anos é insustentável. Não existe a escolha entre fazer sacrifícios ou ser feliz, como tenta vender o PT. “O cardápio que existe hoje é fazer o ajuste e reorganizar a economia (para retomar o crescimento e a prosperidade) ou não reorganizar a economia e ter mais sacrifícios e o caos”, resumiu Arminio Fraga a esta coluna. Para o ex-presidente do Banco Central e sócio da Gávea Investimentos, escolhido como ministro da Fazenda do candidato Aécio Neves, derrotado nas eleições de 2014, a questão é clara: “Esgotaram-se as opções. Não há mais band-aid, esparadrapo ou CPMF que resolva. A realidade é outra e temos que encará-la”.

Com baixo crescimento e superávit primário das contas públicas insuficiente, a dívida bruta crescerá seis pontos percentuais ao ano e chegará em 2018 próxima a 90% do PIB, indica. Isso pressupondo juros reais constantes, PIB de -3% em 2016 e zero nos dois anos seguintes e déficit primário de 0,7% do PIB no ano que vem e de 0,5% em 2017 e 2018.

“A dinâmica da dívida é absolutamente avassaladora”, adverte Armínio. “E da produtividade, também”, completa. “A economia está um bagaço. O desemprego está subindo, o investimento cai 20% e a eventual aprovação da CPMF não ajuda coisa alguma. O país precisa dar uma parada, abrir a caixa-preta do Estado e zerar o jogo”, sugere ele, que recentemente escreveu uma síntese do que seria um programa econômico compatível com a gravidade da situação.

Pesquisa feita com base na carteira de empréstimos do BNDES para os próximos quatro anos indica uma queda de 20% dos investimentos até 2018. Ou seja, não se trata mais de discutir uma suposta piora no futuro. “O problema já aconteceu e é gravíssimo”, alerta Arminio. “É preciso uma coalizão política forte para abrir a caixa-preta do Estado e para fazer as reformas necessárias, de forma bem feita e abrangente. Sem o que, não há opção,” Por tudo isso, a abertura do processo de impeachment, ainda que pelas mãos do deputado Eduardo Cunha – que está sob suspeita de corrupção – pode ser o início de uma solução, acredita.

Se o caminho for o vice-presidente Michel Temer assumir a Presidência da República, também não será fácil para ele formar uma coalizão dada a fragmentação partidária com 30 legendas no Congresso. Nesse sentido, o ex-presidente Lula, mesmo exposto a atos de suspeição, é um fator de desequilíbrio na formação de um grande acordo político.

Não há no país um grupo político organizado que tenha preocupação com o longo prazo. Não há, na visão de Arminio, um “dono”, entendido como um conjunto de forças hegemônicas com legitimidade suficiente para fazer as reformas necessárias, não para evitar os problemas, pois eles, como reiterou, “já aconteceram e são gravíssimos”.

Talvez Temer, se não for candidato em 2018, consiga imprimir avanços nas reformas como está no programa recém-divulgado do PMDB, “Uma Ponte Para o Futuro”. O programa, pensado como instrumento de transição, converge ao pensamento dominante dos economistas e tem vasta gama de aspectos que constam também do programa que Arminio escreveu há poucos meses. Coincide, ainda, com a visão do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mas não com a de Dilma.

Talvez Temer, se não for candidato em 2018, consiga imprimir avanços nas reformas como está no programa recém-divulgado do PMDB, “Uma Ponte Para o Futuro”. O programa, pensado como instrumento de transição, converge ao pensamento dominante dos economistas e tem vasta gama de aspectos que constam também do programa que Arminio escreveu há poucos meses. Coincide, ainda, com a visão do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mas não com a de Dilma.

Valor Econômico – Claudia Safatle – 04/12/2015

Redação On dezembro - 4 - 2015
  • Central de atendimento
  • Telefone: (11) 3285-3522 / e-mail: sicetel@sicetel.com.br
Associe-se!
        Clique aqui
Cadastre seu e-mail e receba periodicamente notícias do SICETEL.