Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 18 de Novembro de 2017






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Fazenda afirma que ajuste fiscal é “fator indispensável” para reverter a recessão

A economia brasileira está rodando num ritmo ainda mais lento do que calculava o Ministério da Fazenda, o que indica “uma extensão do período de ajuste” devido à persistência das incertezas. Em nota, o ministério enfatizou a necessidade de aprovação do ajuste fiscal para reversão de quadro desfavorável e ressaltou a importância do combate à inflação para assegurar o poder de compra dos brasileiros.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que a o Produto Interno Bruto (PIB) teve um tombo de 1,7% no terceiro trimestre ante o segundo, enquanto a Secretaria de Política Econômica (SPE) projetava queda de 1,1%.

“A consecução do ajuste fiscal, com mitigação do risco de perda do grau de investimento e que logre recuperar a confiança dos agentes econômicos, é fator indispensável para a reversão do cenário menos favorável em que tem se movido a economia brasileira nos últimos trimestres, notadamente a queda do investimento total, que persiste desde 2013″, afirma o ministério na nota.

A Fazenda chamou a atenção para a queda de 4% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) e de 1,5% do consumo da famílias. A avaliação é que a FBCF foi influenciada pela diminuição dos investimentos da Petrobras. Já o consumo das famílias sofre com a alta de preços. ” O combate à inflação, inclusive no setor de serviços e com a convergência da variação do IPCA para a meta de 4,5% ao ano, permanece, portanto, central para a manutenção do poder de compra e recuperação da atividade econômica”, diz a nota.

O ministério enfatizou que “o desempenho do PIB tem sido de modo geral afetado pela incerteza de natureza econômica e não econômica que persiste há vários meses no Brasil, além do natural processo de reequilíbrio pelo qual passa a economia brasileira em consequência da queda dos preços das commodities e do fraco nível da atividade econômica mundial, com a decorrente queda da confiança de empresas e consumidores”. O ministério não menciona na nota, mas, dentre os fatos não econômicos, estão os efeitos da Operação Lava-Jato.

Para a Fazenda, o desempenho do terceiro trimestre indica “uma extensão” do período de ajuste “por fatores que vão além do impacto do reequilíbrio fiscal na demanda agregada, e decorrentes da persistência de incerteza”. Por outro lado, o reequilíbrio externo prossegue com a variação cambial e a desaceleração da demanda interna.

Valor Econômico – 02/12/2015

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Recessão caminha para ser a maior e mais longa da história

Nas contas do Comitê de datação de Ciclos Econômicos (Codace), do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), o Brasil entrou em recessão no segundo trimestre do ano passado. A atual recessão, por essa metodologia, já dura seis trimestres. Ainda não é a mais longa da história, mas caminha para ser a mais duradoura e a pior delas.

O Codace mapeou os ciclos de negócios (expansão e recessão) desde o início dos anos 80 e encontrou oito períodos de retração da atividade. O pior deles foi no começo dos anos 80. Do primeiro trimestre de 1981 até o primeiro trimestre de 1983, a economia brasileira encolheu 8,5% ao longo de nove trimestres.

A recessão mais longa mapeada pelo Codace durou 11 trimestres e foi do terceiro trimestre de 1989 até o primeiro trimestre de 1992. No meio dele, esteve a pior contração do Produto Interno Bruto (PIB) de um único ano, a queda de 4,25% em 1990, no confisco do primeiro ano do governo do então presidente Fernando Collor de Mello, contra quem posteriormente foi aberto um processo de impeachment. Ao longo daqueles 11 trimestres, entre o pico anterior e o vale, que representa o começo da recuperação econômica, o PIB recuou 7,7%.

Nas oito recessões identificadas pelo Codace, a mais recente é a do estouro da crise internacional em 2008. Foi uma recessão curta. Entre o pico (terceiro trimestre daquele ano) e o vale (primeiro trimestre de 2009) foram dois trimestres. A queda, contudo, foi forte: 6,2%.

A recessão atual já dura – pela metodologia do Codace – seis trimestres, ao longo dos quais a economia já se contraiu 5,8%, considerando o pico (primeiro trimestre de 2014) e o terceiro trimestre deste ano. A questão é que este trimestre não parece nem um pouco com o vale do atual período recessivo. A crise atual é reforçada pela crise política, mas ela é fruto do esgotamento de um modelo que abusou da âncora do consumo das famílias. Além do componente da demanda (afetada por falta de crédito, aumento do desemprego e queda da renda) ela traz um forte recuo do investimento e a ausência de confiança tanto dos consumidores como dos empresários dos mais diversos setores. Esses dois componentes, juntos, reduzem ainda mais a perspectiva de uma recuperação da economia.

Valor Econômico – 02/12/2015

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Retração em impostos reflete ‘tombos’ da indústria e comércio

Entre os muitos sinais recessivos que podem ser observados nos dados do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, chama atenção a queda de 8,3% no indicador de impostos sobre produtos líquidos de subsídios, na comparação com igual trimestre de 2014. É a maior retração trimestral da série histórica do IBGE, iniciada em 1996. No acumulado de quatro trimestres, a queda é de 4,6%.

“Esse dado reflete a queda de IPI, ICMS e ISS, além do imposto de importação. São impostos que dependem da atividade econômica”, explica Claudio Considera, pesquisador associado do Ibre-FGV e ex-diretor de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A economia e a indústria, no entanto, já passaram por outros períodos de retração. O que torna o momento atual especialmente grave, diz Considera, é a “conjunção de retrações” em segmentos importantes da economia. “A indústria e o comércio estão levando um tombo muito grande, então isso faz com que a arrecadação de impostos caia.”

Não entram neste indicador do IBGE, destaca Considera, os impostos sobre a renda e o patrimônio, que aparecem nos dados de arrecadação do governo federal. O dado reflete a “brutal” queda da atividade econômica.

“Não se tem registro de uma crise tão violenta na atividade econômica, é recessão para ninguém botar defeito. É maior que aquela da década de 80. Pode ter havido retração parecida em 1929, mas não temos registro”, diz o economista, que não vê saída próxima. “As famílias estão endividadas, perdendo renda pela inflação, perdendo o emprego.

José Roberto Afonso, também pesquisador do Ibre e professor do Instituto Brasiliense de Direito Público, alerta que é importante diferenciar o dado do IBGE do desempenho da carga tributária global, que não é tão ruim. Na avaliação de Afonso, o desempenho da arrecadação de impostos sobre a produção só não é pior, no quadro econômico atual, que o dos impostos incidentes sobre lucros.

Aspecto curioso na análise do indicador de impostos sobre produtos líquidos, segundo Afonso, é que, como se trata de uma conta líquida de subsídios, um corte expressivo em tais benefícios acabaria por elevar o indicador, o que não aconteceu. “Aparentemente, ou os subsídios à produção não eram tão grandes quanto se dizia, ou não foram tão cortados quando se diz”, afirma o pesquisador.

Valor Econômico – 02/12/2015

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Para Castelar, é possível uma rápida reversão das expectativas

A paralisia de resposta da política econômica à crise e a consequente falta de horizonte de melhora são os principais responsáveis pelos resultados fracos do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados ontem pelo IBGE. A boa notícia é que as expectativas podem ser revertidas rapidamente caso governo e Congresso – que hoje parecem “simplesmente fazer de conta” que a recessão não existe – mudem de postura.

A avaliação é de Armando Castelar Pinheiro, coordenador de economia aplicada do Ibre-FGV e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Não está escrito em lugar nenhum que necessariamente continuaremos com esse desempenho negativo. Agora o que muita gente enxerga é que não está vindo o que vai fazer mudar.”

O pesquisador usa a expressão “dominância política” para descrever a atual situação do país que, para ele, se refletiu nos dados do PIB de julho a setembro: sem reação do governo à altura do problema, todos os agentes têm como principal preocupação manter sua liquidez. Para não comprometer seu caixa, as empresas não investem, as famílias preferem não consumir e os bancos não liberam crédito. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Valor:Como o sr. avalia os resultados do PIB do terceiro trimestre?

Armando Castelar: Os dados vieram um pouco piores do esperado e às vezes são afetados por fatores de dessazonalização, mas de qualquer forma é uma queda muito forte, depois de um trimestre em que o PIB já tinha caído 2,1%. É algo brutal. O investimento mostrou péssimo desempenho e a indústria de transformação sofreu mais um trimestre de fraco nível de atividade. O PIB mostra uma economia que está se contraindo de maneira muito forte e bastante espalhada.

Valor: Até que ponto o sr. acha que os números negativos podem ser explicados pela crise política?

Castelar: O que está acontecendo é uma crise de credibilidade, de confiança mais do que de credibilidade, talvez. Estamos vendo a economia piorar, um problema fiscal muito sério e não há resposta à altura. Isso assusta todo mundo, que corre para ficar líquido. As empresas não querem gastar dinheiro em investimento, porque isso vai comprometer caixa e exigir financiamento, os consumidores preferem não consumir, os bancos preferem não emprestar. A crise política, se definida só como discussão no Congresso, é apenas parte do problema. Também há a crise gerada pela falta de resposta da política econômica.

Valor:Quais respostas eram esperadas e foram frustradas?

Castelar: Principalmente em relação às contas públicas. O déficit público como um todo aumentou muito, a dívida pública começou a subir num ritmo muito forte e, se continuar subindo nesse ritmo, vai ficar impagável. Então, aí você pode imaginar o desarranjo de uma economia que é totalmente lastreada em dívida pública.

Valor:Devemos ter mais um rebaixamento do rating de outra agência de risco por conta disso?

Castelar: Acho muito provável.

Valor: A indústria começou a recuar antes dos demais setores e não dá sinais de estabilização…

Castelar: A indústria tem um problema de competitividade muito sério, refletido em indicadores de custo unitário do trabalho, o que está relacionado à queda produtividade. Tentamos resolver isso da maneira errada, protegendo o setor. A indústria também sofre com o fato de não termos feitos acordos comerciais, o que não tem permitido que ela aproveite o câmbio, que está muito mais desvalorizado do que a média histórica. Ficamos muito isolados e isso dificulta uma reação.

Valor:Os investimentos recuaram pelo nono trimestre consecutivo. O PIB potencial está em queda?

Castelar : Muito provavelmente. Isso é de se esperar com menos investimento, mas também com um desarranjo grande na economia. A produtividade do trabalho está caindo. A minha avaliação, a partir da queda do investimento, da falta de investimento em infraestrutura e do próprio desarranjo quando há queda muito generalizada e sem perspectiva clara de para onde você vai sair, é que o potencial de crescimento cai.

Valor:O resultado do 3 º trimestre traz desafios para a política monetária? O que o sr. acha da tese de que estamos sob dominância fiscal?

Castelar: Acho que a gente não está. Cunhei um termo em algo que escrevi, falando que estamos mais sob dominância política do que fiscal. A política fiscal continua expansionista. A falta de credibilidade bate no dólar, a taxa de câmbio acrescenta pressão [na inflação] e muitas empresas reagem reduzindo o nível de atividade. É um quadro complicado para a política monetária, mas não elimina o fato de que a inflação continua preocupação bastante relevante.

Valor:Quando o país vai voltar a crescer?

Castelar: Mesmo que nada aconteça, a economia vai cair quase 2% no próximo ano por causa do efeito estatístico de 2015. Agora, o que vai ocorrer no trimestre contra trimestre depende da política econômica. Hoje, parte importante do “establishment” político simplesmente faz de conta que a crise não existe. A notícia boa é que uma mudança de postura pode gerar mudança de expectativas com bastante rapidez. Não está escrito em lugar nenhum que necessariamente continuaremos com esse desempenho negativo. Agora, o que muita gente enxerga é que não está vindo o que vai fazer mudar.

Valor: O que o sr. acha que pode fazer esse quadro mudar?

Castelar: O principal problema hoje é o fato de que os interesses políticos estão muito voltados para a eleição de 2018. O governo tem que acordar de alguma maneira para isso. Difícil dizer o que vai fazer ele acordar, talvez uma piora do mercado de trabalho, que vai sentir mais em 2016. Este ano não sentiu, o emprego e a renda ficaram parados. Isso não vai ser tão bom no próximo ano e pode aumentar a pressão para que se comece a olhar a crise e se comece a fazer uma coisa um pouco mais séria, com mudanças que reduzam o crescimento do gasto público.

Valor Econômico – 02/12/2015

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Retração em impostos reflete ‘tombos’ da indústria e comércio

Entre os muitos sinais recessivos que podem ser observados nos dados do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, chama atenção a queda de 8,3% no indicador de impostos sobre produtos líquidos de subsídios, na comparação com igual trimestre de 2014. É a maior retração trimestral da série histórica do IBGE, iniciada em 1996. No acumulado de quatro trimestres, a queda é de 4,6%.

“Esse dado reflete a queda de IPI, ICMS e ISS, além do imposto de importação. São impostos que dependem da atividade econômica”, explica Claudio Considera, pesquisador associado do Ibre-FGV e ex-diretor de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A economia e a indústria, no entanto, já passaram por outros períodos de retração. O que torna o momento atual especialmente grave, diz Considera, é a “conjunção de retrações” em segmentos importantes da economia. “A indústria e o comércio estão levando um tombo muito grande, então isso faz com que a arrecadação de impostos caia.”

Não entram neste indicador do IBGE, destaca Considera, os impostos sobre a renda e o patrimônio, que aparecem nos dados de arrecadação do governo federal. O dado reflete a “brutal” queda da atividade econômica.

“Não se tem registro de uma crise tão violenta na atividade econômica, é recessão para ninguém botar defeito. É maior que aquela da década de 80. Pode ter havido retração parecida em 1929, mas não temos registro”, diz o economista, que não vê saída próxima. “As famílias estão endividadas, perdendo renda pela inflação, perdendo o emprego.

José Roberto Afonso, também pesquisador do Ibre e professor do Instituto Brasiliense de Direito Público, alerta que é importante diferenciar o dado do IBGE do desempenho da carga tributária global, que não é tão ruim. Na avaliação de Afonso, o desempenho da arrecadação de impostos sobre a produção só não é pior, no quadro econômico atual, que o dos impostos incidentes sobre lucros.

Aspecto curioso na análise do indicador de impostos sobre produtos líquidos, segundo Afonso, é que, como se trata de uma conta líquida de subsídios, um corte expressivo em tais benefícios acabaria por elevar o indicador, o que não aconteceu. “Aparentemente, ou os subsídios à produção não eram tão grandes quanto se dizia, ou não foram tão cortados quando se diz”, afirma o pesquisador.

Valor Econômico – 02/12/2015

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CPMF entra na previsão de receita em 2016

A Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou ontem a inclusão da CPMF como fonte de receita em 2016, a partir de setembro. A arrecadação líquida esperada é de R$ 10,1 bilhões, já descontado o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), que será reduzido. A medida não havia sido contemplada pelo relator da receita, senador Acir Gurgacz (PDT-RO), em seu parecer, sendo agregada a partir de um destaque apresentado pelo líder do governo no colegiado, deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Para vigorar em setembro de 2016, a volta da CPMF terá de ser aprovada na Câmara, no Senado e promulgada até o fim de maio e cumprir a chamada noventena (90 dias) para o início da cobrança.

Ao mesmo tempo em que conseguiu aprovação até do PMDB para incluir a receita da CPMF no Orçamento de 2016, partidos da base, por intermédio do vice-lider do governo, Ricardo Barros (PP-PR), relator do projeto de lei orçamentária do ano que vem, começaram a negociar o aumento do déficit público deste ano, Orçamento de 2015, em cerca de R$ 9 bilhões para pagar Estados, municípios e fornecedores dos ministérios que os partidos aliados controlam.

A movimentação, liderada ontem por PMDB, PR, PSD e PP, visa pressionar o governo a elevar os Orçamentos dos ministérios da Saúde, Transportes, Cidades e Integração Nacional. Os valores para cada ministério não estão definidos, mas, segundo parlamentares envolvidos na negociação, seriam aproximadamente R$ 3 bilhões para as Pastas de PMDB e PR e R$ 1,5 bilhão para PSD e PP.

“Estamos estudando uma emenda para pagar fornecedores atrasados daquelas áreas em que não haverá dinheiro no ano que vem. O Dnit [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes] só tem previsão orçamentária para manutenção ano que vem, não tem para obra. Quem ficar com restos a pagar não vai receber”, disse Barros, que é relator do projeto de Lei Orçamentária Anual de 2016. As empresas que prestam serviços para o Dnit estão levando de cinco a seis meses para receber.

Barros levaria essa negociação de aumento do deficit para 2015 aos ministros do Planejamento, Nelson Barbosa, e da Fazenda, Joaquim Levy, ontem à noite. A ideia é apresentar uma emenda de plenário ao projeto que altera a meta fiscal de 2015 e que o governo se mobilizava para votar em sessão do Congresso até hoje.

“Vai ter que aumentar o déficit deste ano para pagar os fornecedores atrasados”, disse Barros. A meta fiscal de 2015 era economizar R$ 66 bilhões para pagar os juros da dívida pública, mas, com dificuldades de caixa, o governo pede autorização para registrar déficit de R$ 119,9 bilhões, incluindo as “pedaladas fiscais”.

O grupo dissidente do PMDB da Câmara, que representa cerca de um terço da bancada, passou a apoiar a mudança da meta após o acordo para liberar recursos para a saúde já neste ano. “Faltam R$ 3 bilhões para pagar os serviços de média e alta complexidade. O projeto vai autorizar a União a emitir títulos do tesouro para podermos fazer esses atendimentos pelo SUS e os repasses aos Estados e municípios”, disse o deputado Hildo Rocha (PMDB-MA).

O PMDB foi fundamental também no apoio à inclusão da CPMF nas receitas. Em troca, teve atendida a demanda de elevar em R$ 10 bilhões os gastos com Saúde pública em 2016. O Ministério da Saúde é comandado pelo deputado Marcelo Castro (PMDB-PI). O montante, indicou o Planejamento em ofício encaminhado ontem, virá na receita extra esperada com a aprovação do projeto que regulariza recursos enviados ilegalmente ao exterior. O Executivo acredita que obterá R$ 21,1 bilhões com a medida, que passou pela Câmara dos Deputados e está no Senado.

A oposição acusou a base governista de “atropelar” os procedimentos para obter a aprovação da medida. Já Pimenta ironizou a contrariedade de oposicionistas ao imposto sobre movimentação financeira. “A CPMF é filha legítima do PSDB, contaram com ela durante todo o tempo em que foram governo”. O destaque foi aprovado por 18 votos a 11.

O relatório de receitas aprovado apontou receita bruta de R$ 1,451 trilhão, R$ 50 bilhões a mais do que o encaminhado pelo governo. A receita líquida, que era de R$ 1,180 trilhão, ficou em R$ 1,219 trilhão. Foram contabilizadas receitas com os leilões de energia (R$ 17 bilhões) e outros R$ 27 bilhões com alienação de bens. No ofício, o governo previu ainda mais R$ 1 bilhão com a chamada Raspadinha (Lotex) e R$ 600 milhões com aumentos em arrecadação de multas.

Ainda assim, segundo Ricardo Barros, faltam R$ 17,4 bilhões para fechar as contas dentro dos parâmetros fixados. Ele voltou a defender o corte de R$ 10 bilhões no programa Bolsa Família, mas não o incluiu no parecer prévio.

Valor Econômico – 02/12/2015

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BC quer aumentar juros

Apesar do agravamento da recessão, o Banco Central ameaça elevar a taxa básiva de juros (Selic) no início de 2016, caso a inflação não mostre sinais de arrefecimento. A atual Selic de 14,25% ao ano não foi suficiente para evitar que o custo de vida superasse os 10%, açoitando o orçamento das famílias e espalhando uma onda de incertezas que derrubou os investimentos produtivos. Em reunião na semana passada, dois dos diretores que integram o Comitê de Política Monetária (Copom) votaram pelo aumento de 0,5 ponto percentual dos juros.

A maior parte do mercado, porém, não acredita que o BC seja capaz de promover um novo arrocho na economia, diante do tombo de 4,5% registrado pelo Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre do ano frente ao mesmo mês de 2014. Muito analistas veem os sinais emitidos pelo BC como uma forma de pressionar o Congresso a aprovar a meta fiscal deste ano. Ontem, a presidente Dilma Rousseff comandou a articulação política para tentar resolver o impasse, que pode custar à petista mais problemas com o Tribunal de Contas da União (TCU).

O BC está de mãos atadas, pois sabe que mais juros significam o prolongamento da recessão e sérios problemas fiscais, com o aumento da dívida pública, que caminha para os 70% do PIB. Segundo os analistas, para derrubar a inflação e evitar que ela estoure o teto da meta em 2016, de 6,5%, a Selic teria que subir para pelo menos 16%, o que causa arrepios no Palácio do Planalto e no empresariado. “O BC está tentando, com o discurso de alta dos juros, recuperar a credibilidade e dar um susto no Congresso, que impede o início do tão esperado ajuste fiscal”, reconheceu um técnico do governo.

Dólar em baixa

Com tantos problemas enfrentados pelo governo e a economia afundando, os investidores estão em alerta. Ontem, porém, deram uma trégua, diante da calmaria no mercado internacional. O dólar encerrou a terça-feira cotado a R$ 3,855 para venda, com queda de 0,81%. Na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa), o Ibovespa, índice que mede a lucratividade das ações mais negociadas, registrou leve queda de 0,16%, aos 45.046 pontos.

Correio Braziliense – 02/12/2015

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Desempenho brasileiro só não foi pior do que o da Ucrânia

A forte queda do Produto Interno Bruto (PIB), de 4,5%, no terceiro trimestre em relação a igual período de 2014, manteve o Brasil na rabeira de um ranking de 42 países elaborado pela consultoria Austin Rating. Na 41ª posição da lista, a economia brasileira só não teve desempenho pior que o da Ucrânia, cuja guerra civil fez o seu PIB encolher 7% no trimestre passado. Até a Rússia, que além de crise econômica enfrenta embargos comerciais de países da Europa central e dos Estados Unidos, passou o Brasil. Com queda de 4,1% do PIB, ficou em 40º lugar.

— Nos resultados do acumulado do ano até o terceiro trimestre, o principal destaque negativo, mais uma vez, ficou por conta dos investimentos, que caíram 12,7%, refletindo o ambiente político extremamente conturbado e que afeta diretamente a contínua perda de confiança na economia — observa Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating e responsável pela elaboração do ranking, citando ainda o fato de que o consumo das famílias, que representa quase dois terços do PIB e que foi o pilar do crescimento recente do país, já cai 3,0% este ano.

Com exceção da Rússia, o Brasil se distanciou bastante de seus parceiros no chamado Brics. A Índia ocupa no topo do ranking dos países que mais crescem, com alta de 7,4% no PIB do trimestre passado, à frente da China, que, mesmo em meio à desaceleração doméstica, está em segundo, com 6,9%. Entre os latino-americanos, o Peru ficou na 12ª posição, com expansão de 2,9%. O México é o 14º, com 2,6%, e o Chile, com avanço de 2,2% no PIB, é o 22º.

O Globo – 02/12/2015

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Solução para situação fiscal passa pela via política, diz Delfim Netto

SÃO PAULO  –  A solução para a situação fiscal atual, com forte elevação da dívida pública, passa necessariamente pela solução política, diz o economista e ex-ministro da Fazenda Antonio Delfim Netto. “Só há uma solução, em que você readquira os instrumentos políticos para fazer quatro ou cinco mudanças que são fundamentais e que vão mudar a perspectiva da dívida.”

Entre as mudanças necessárias, o economista cita as vinculações de recursos. “Elas tiram o poder do Congresso e do Executivo. A vinculação é como colocar o país em piloto automático e esperar acabar a gasolina.” O ex-ministro também criticou as indexações salariais. “Elas não fazem o menor sentido. Há uma proposta da CUT que está há três anos na casa Civil propondo livre negociação entre empresas e trabalhadores, sob vigilância dos sindicatos. Não há nada mais retrógrado no Brasil que a justiça trabalhista, em que todo trabalhador é hipossuficiente e todo empresário é assaltante. Nenhuma empresa do Brasil conhece o passivo trabalhista.”

Para Delfim, a solução política demanda iniciativa da presidente Dilma Rousseff. “Dizem que ela foi guerrilheira. Ela devia readquirir o espírito guerreiro, apresentar as propostas para o Congresso e ir para a rua tomar panelada, dizer para o sujeito: ‘é para salvar o teu neto’”, diz o economista. “Ou então vai embora, se não quiser reassumir o seu protagonismo. Não existe a menor possibilidade quando, com 324 deputados, o governo só pode contar apenas com 120. Não tem como fazer a coisa funcionar.”

Celso Martone, professor de economia da USP, também avalia que há necessidade de iniciativa do governo. A recessão, diz ele, é grande redutora de bem estar, com efeitos cada vez nocivos à medida que se prolonga. “Em 2009 tivemos recessão curta, de cerca de seis ou nove meses. Ela não deixou marcas, mas essa recessão deixará marcas porque está destruindo muita coisa. Há urgência do aspecto político, ou impeachment, ou saída honrosa, ou retomar iniciativas, mudar ministério… Algo tem que acontecer. Não há proposta em cima da mesa.”

Delfim Netto destaca, porém, que mudança ministerial promovida por Dilma não deu resultados. “Depois da reforma, Dilma não ganhou nada. Venderam a ela o que não tinham.”

As declarações foram dadas nesta quarta-feira em São Paulo durante debate sobre como a política econômica do Brasil tem sido abordada na imprensa nas últimas décadas, evento promovido pelo Insper, Valor e CDN.

Valor Econômico – 02/12/2015

Redação On dezembro - 2 - 2015
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