Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

Filiado a FIESP

Sbado, 25 de Novembro de 2017






Associe-se!
Clique aqui e conheça as vantagens

País apostou num cenário que não se confirmou’

ENTREVISTA

Wilson Ferreira Junior, presidente da CPFL

Para sair da crise, será necessário implementar uma ampla reforma tributária e da previdência, diz Junior

Comandante de um dos maiores grupos privados do setor elétrico, Wilson Ferreira Junior, diretor-presidente da CPFL Energia, acredita que só a implementação de uma agenda de reformas conseguirá tirar o Brasil da crise em quese encontra. Para ele, queestá à frente da empresa desde 2000, o País está capturando as consequências do que foi feito e do que não foi feito na economia. Com oito distribuidoras deenergia,6 hidrelétricase 34 parques eólicos, a CPFL detém na sua composição acionária os principais fundos de pensão do País, Petros (dos funcionários
da Petrobrás) e Previ (do Banco do Brasil), além de Camargo Corrêa. A seguir trechos da entrevista:

Como o sr. vê o atual momento da economia brasileira?
Toda crise tem uma origem. No inicio do governo da presidente Dilma, o diagnóstico era convergente. Sabíamos
que o câmbio era um impeditivo ao crescimento das indústrias, que os juros altos atrapalhavam, que a desoneração de tributos era necessária e que o preço da energia elétrica precisava cair. O que ocorreu é que algumas coisas foram além do que podia ser feito. A política de dar crédito para as pessoas consumirem também saturou. O cenário mudou. Tínhamos uma política que funcionava com a economia a todo vapor. Ela não podería parar. Agora
a economia está capturando os efeitos da aposta num cenário que não se confirmou.

Como se recuperar?
É difícil para qualquer um administrar um superávit fiscal só podendo trabalhar com parte das despesas.

Hoje o único instrumento de gestão do superávit representa 10% ou 15% do orçamento. O resto não pode mexer porque tem vínculo. É um trabalho difícil.

Não dá para enfrentar uma crise, com queda na arrecadação, mexendo só em 15% do orçamento.

Mas então qual o caminho?
Precisamos arrumar a casa. Só vamos resolver o problema se fizermos uma agenda de reforma que permita mexer nos 85% do orçamento. Temos de mexer no tema da previdência, da tributação e das despesas vinculadas. É preciso ter mais racionalidade nos gastos.

No Brasil, se investe 12% em educação. Na China, esse número é de 5% e eles têm mais registro de patentes e o nível de escolaridade é maior.

Mas esse tipo de reforma só faz com força política.

Esse governo tem liderança para isso?
Eumgoverno eleito. Então tem.O próprio partido do vice-presidente (Michel Temer) propôs algumas medidas que caminham numa boa direção.A maior despesa que temos aqui no Brasil é a despesa previdenciária. Temos um problema a enfrentar. As pessoas estão vivendo mais. Será que é coincidência que um dos países que mais se aposenta mais cedo seja a Grécia.

Os diagnósticos estavam certos, mas o governo não se perdeu em algumas medidas, como foi o caso da energia?

Havia um consenso de que se deveria usar a renovação das concessões para reduzir o preço da energia.

Só acho que se tivesse mais conversa, talvez o resultado podería ter sido melhor, uma vez que era preciso ter a adesão de 100% dos agentes. O problema é que 30% não aceitaram as condições estabelecidas e isso coincidiu com a crise hídrica.

Virou a crise que vemos hoje. Se o governo aceitasse elevar o preço deR$ 30 oMWhpara R$ 40 ou R$ 45, talvez a adesão fosse maior.

Podemos ter esperança de que a tarifa vai cair?
Uma parte do aumento da tarife é a bandeira tarifária.

Tendo uma melhora do cenário hidrológico, o nível dos reservatórios sobe, as térmicas são desligadas, a bandeira é revisada e a tarifa diminui. Há uma outra parte que refere-se à energia de Itaipu, em dólar, e CDE (Contribuição do Desenvolvimento Econômico).

Isso vai continuar. Vamos levar uns três a quatro anos para reduzir estruturalmente a tarifa.

Com essa crise, as empresas têm enfrentado problemas decrédito e de confiança. Como tem sido para aprovar investimentos?

Esse momento requer cuidado. Temos um rating muito bom, mas o mercado está mais caro e mais curto.

A gente olha anualmente cinco anos pra frente e debatemos com o conselho sobre novos investimentos.

Agora o mercado está menor, portanto, tem menos investimento. Se o mercado não demanda isso, a gente investe menos.Num momento como esse, a viabilidade dos projetos exige uma taxa maior de retorno por causa do aumento de custo de capital do acionista, mas também acompanha o aumento da taxa de juros, seja a TJLP (usada pelo BNDES) ou os juros de uma debênture.

O fato de umdos sócios (aCamargo Corrêa) estar envolvido na Lava Jato trouxe mudança para a empresa?

Há informações de que ele quer vender a participação na CPFL Não. Como presidente da empresa nunca recebi uma comunicação formal, seja de uma intenção ou decisão de venda da participação na empresa Acompanho pelos jornais as notícias e os desmentidos.

Há um pessimismo exagerado entre os empresários?
Estamos no meio deuma crise. Todo mundo está tendo faturamento menor e estoque maior. Talvez a gente não tenha uma convergência de como sair da crise.

Na CPFL, temos tido prudência nos investimentos.

Mas trabalhamos muito a questão das despesas também.

Hoje temos uma despesa recorrente quase 25% menor que há quatro anos em termos reais. A empresa é mais produtiva hoje. No País, estamos capturando umpouco das consequências do que fizemos e do que não fizemos na economia. Há uma agenda a cumprir para sair da crise. Mas às vezes acho que temos a esperança de tuna solução de super homem para sair da crise. Isso só acontece com inteligência, sacrifício, trabalho e com propostas.

Quem é
Formado em engenharia elétrica e administração de empresas pelo Mackenzie.

É presidente do conselho de administração da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base

Estado de São Paulo 16/11/2015

Redação On novembro - 16 - 2015
  • Central de atendimento
  • Telefone: (11) 3285-3522 / e-mail: sicetel@sicetel.com.br
Associe-se!
        Clique aqui
Cadastre seu e-mail e receba periodicamente notícias do SICETEL.