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Tera-feira, 21 de Novembro de 2017






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Comércio entre Brasil e Rússia recua, apesar de oportunidades com sanção

As exportações brasileiras para a Rússia diminuíram 36% e as importações recuaram 20% em 2015. Crises econômicas nos dois países afetam as relações comerciais entre ambos.

A recessão econômica na Rússia pode chegar aos 3,8% neste ano, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), resultado pior que o previsto para o Brasil, de retração em 3%. E essa não é a única similaridade entre as duas nações: no país euroasiático, a inflação supera os 10%, o rublo passa por desvalorização e a queda nos preços do petróleo também afeta a economia.

“O enfraquecimento dos dois países é o grande fator que causa essa queda nas trocas comerciais”, confirma Matheus Andrade, consultor da Barral M Jorge. Ele ressalta que a “queda nos preços do gás natural” também tem impacto negativo para a economia russa.

Até outubro deste ano, o Brasil exportou US$ 2,1 bilhões em produtos para a Rússia e importou US$ 2 bilhões. Em igual período do ano passado, os resultados foram bem superiores: US$ 3,3 bilhões em vendas e US$ 2,5 bilhões em compras.

Andrade comenta que a Rússia está “substituindo carnes bovinas”, produto mais comprado do Brasil em 2014, “por carnes de aves, que são mais baratas”. Ele completa: “é um movimento interno da população local, que busca proteína de menor preço”.

A venda de carnes para a Rússia, tradicionalmente elevada, despencou neste ano. Até outubro, foram exportados US$ 489 milhões em desossadas de bovino, apenas 42% do que foi registrado em 2014. Também houve queda nas negociações de suínos, de US$ 656 milhões no ano passado para US$ 531 milhões em 2015. De mesma forma, caíram as exportações brasileiras de outros produtos, como açúcares de cana (-37%) e soja (-28%), afetadas pelo desaquecimento da economia russa.

Renato Flôres, professor de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), lembra que os russos passam por “ano bastante difícil”, com “conflito ucraniano e consequentes boicotes dos Estados Unidos e da União Europeia, além da recente entrada polêmica no conflito da Síria”.

O professor também menciona as trocas comerciais brasileiras neste ano com outros países do BRICS: “a China atingiu um patamar superior que não pode ser comparado com o de nenhum outro país, mas o contraste com a Índia é mais interessante: os indianos passam por momento econômico completamente diferente do russo e têm demonstrado um grande interesse em ampliar as relações comerciais com o Brasil. E esse interesse tem sido bem sucedido”.

Entre os emergentes do BRICS, a Rússia só comprou mais produtos brasileiros que a África do Sul, sendo superada por Índia e China. Outros países de menor expressão econômica, como Bélgica e Uruguai, também ficaram à frente dos russos.

Investimento direto

Em 2015, a Rússia não aparece entre os países que mais investiram no Brasil, nem em participação no capital e tampouco em empréstimos intercompanhias. Nos documentos do Banco Central (BC), figuram nações de poder econômico bem menor, como Angola, Peru e Cingapura.

Para Andrade, “a aproximação entre os países ainda é relativamente nova e os russos ainda têm dificuldades com os padrões regulatórios brasileiros”. O especialista também afirma que “as empresas russas ainda estão descobrindo o Brasil” e dá destaque para “o interesse russo nas áreas de defesa e energia”.

Flôres aponta que “na questão do investimento, a Rússia tem dado maior atenção a outros países, como Quirguistão, Uzbequistão, Cazaquistão e outros antigos membros da União Soviética”.

Futuro

Contudo, as perspectivas dos entrevistados pelo DCI para as relações econômicas entre Brasil e Rússia são positivas, em um prazo mais longo.

Andrade diz que “o governo brasileiro está se aproximando de Moscou, principalmente para aumentar a exportação de frutas e carnes”. Segundo ele, as sanções econômicas impostas por norte americanos e europeus deixam, “espaço” no setor de alimentos. “A expectativa para os próximos anos é de aumento das trocas e investimentos”, conclui.

Flôres também menciona que “a imposição do boicote traz oportunidade interessante para nós” e diz que esse espaço “ainda pode ser melhor aproveitado pelos brasileiros”. O professor acredita também que “a Rússia é um parceiro que pode ser muito interessante, principalmente para exportações” e destaca que o país “pode aparecer como alternativa importante para as importações brasileiras, por exemplo, da área de defesa russa, que tem equipamentos bons, de fácil manejo e baratos”.

DCI – 11/11/2015

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Ciclo de expansão nos EUA já é dos mais longos, mas em ritmo lento

A economia americana cresce a um ritmo modesto desde que saiu da recessão, em junho de 2009, mas o atual ciclo de expansão tem se mostrado resistente e duradouro. Os EUA avançam há 76 meses, o quinto período mais longo desde meados do século XX, e as perspectivas são de que o crescimento continue por mais alguns anos. Para o banco Goldman Sachs, há a chance de 60% de o ciclo atual durar uma década, o que igualaria o recorde de 120 meses atingido entre março de 1991 e março de 2001.

A força do consumo, amparada num mercado de trabalho mais firme e na retomada do setor imobiliário, sugere que a expansão deverá se manter em ritmo moderado nos próximos trimestres. O dólar valorizado e a fraqueza da economia global jogam contra um crescimento mais forte, mas contribuem para evitar pressões inflacionárias relevantes nos EUA.

O economista-chefe para os EUA do Barclays, Michael Gapen, diz que o ciclo atual tem fôlego para se estender por mais dois a quatro anos, podendo ser o mais longo da história americana. Para ele, a longevidade da expansão atual se deve a três motivos: a economia sofreu muito na Grande Recessão, que durou do fim de 2007 a meados de 2009; o crescimento pós-crise foi modesto; não há grandes desequilíbrios na economia. Segundo ele, os bancos não estão alavancados em demasia, e as empresas e famílias não têm um nível de endividamento exagerado.

Se chama a atenção pela extensão, o ciclo atual não é exatamente dinâmico, como destacam economistas do HSBC, em relatório. Desde que os EUA saíram da recessão, há pouco mais de seis anos, o crescimento anual ficou em média em 2,2%. Os dois ciclos mais longos no país tiveram taxas bem maiores. A etapa que durou 106 meses na década de 1960 teve um ritmo médio anual de 4,9%, enquanto que o ciclo de 1991 a 2001 mostrou avanço de 3,6%, num quadro marcado por aumento expressivo da produtividade, refletindo mudanças relacionadas à tecnologia da informação. “Em comparação com essas expansões recordes, o atual ciclo só pode ser descrito como morno”, resumem analistas do banco.

Para o economista Ryan Wang, do HSBC, há espaço para a economia continuar a crescer a um ritmo de 2% a 2,5% até 2017, exibindo força em setores como o de serviços e fraqueza na indústria manufatureira. Segundo ele, isso não é algo comum para o padrão de expansão dos EUA, mas pode seguir por mais tempo, uma vez que a manufatura tem hoje menos importância. A demanda doméstica, por sua vez, poderia crescer entre 2,5% e 3%. Condições financeiras ainda favoráveis – os juros devem subir, mas gradualmente – e uma política fiscal que não deverá pesar sobre a atividade darão fôlego à atividade econômica interna.

O economista Zach Pandl, do Goldman Sachs, vê chance considerável de o atual ciclo durar 10 anos. “Embora haja claramente alguns riscos para a economia americana, especialmente derivados de eventos externos, não esperamos que a expansão morra de velhice”, escreveu. Analisando 355 períodos de avanço econômico em 14 países desenvolvidos, Pandl nota que a duração dos ciclos de crescimento aumentou com o tempo. “Antes de 1950, a expansão média durava três anos, com apenas algumas levando 10 anos ou mais.” Depois disso, elas passaram a durar em média oito anos, com muitas alcançando ou superando uma década. Nos EUA, a média pós-1950 ficou na casa de cinco anos.

Com base nas informações a partir de 1950, o economista calculou a probabilidade de uma expansão continuar a partir de um determinado ponto. Segundo Pandl, no momento em que começa, o ciclo tem uma chance de 45% de superar seis anos. Já ao chegar a seis anos, como o atual, tem uma probabilidade de 60% de evitar uma recessão nos quatro anos seguintes, chegando a uma década.

Os analistas não contam com uma aceleração expressiva do ritmo de expansão dos EUA nos próximos anos. Boa parte estima que o crescimento potencial (aquele que não acelera a inflação) está hoje na casa de 2%. Para Gapen e Wang, o avanço mais lento da força de trabalho, em parte devido ao envelhecimento da população, e a alta menor da produtividade explicam o nível modesto dessa taxa.

Por mais um ou dois anos, é possível crescer acima do ritmo potencial sem pressões inflacionárias, porque ainda há ociosidade. Depois disso, acelerar a produtividade será decisivo. O que se vislumbra hoje, contudo, é uma atividade econômica que pode crescer por mais um bom tempo, mas a um ritmo modesto.

Valor Econômico – 11/11/2015

Redação On novembro - 11 - 2015
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