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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017






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Mercado prevê que economia brasileira vai encolher 5% até o fim do ano que vem

O Brasil deve amargar uma inflação de dois dígitos neste ano. A pesquisa semanal que o Banco Central faz com economistas mostrou que a aposta para o IPCA, índice oficial, subiu de 9,91% para 9,99%. A recessão deve ser ainda mais forte. Não bastava 2015 ser considerado perdido. O ano de 2016 está cada vez mais comprometido. A economia deve encolher nada menos que 5% nesses dois anos.

A estimativa para a queda da atividade é de 3,1% neste ano e de 1,9% em 2016. Com esse cenário, o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil fica atrás apenas de países como Rússia e Ucrânia, países impactados pela guerra.

— O problema é que o Brasil não está em guerra. E não tem literatura econômica que resolva isso: desatar nó político — alertou o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini.

A crise política afeta a economia porque aumenta a desconfiança em relação ao país. Investimentos minguaram com as incertezas. Mas outros fatores contribuem para agravar a crise. O reajuste das tarifas públicas, principalmente da energia, fez com que a inflação ficasse indomável neste ano. A previsão para o ano que vem já está próxima do teto da meta. A projeção é de IPCA de 6,47%, e o teto é de 6,5%.

CORTE MAIS LENTO DE JUROS

Com dúvidas em relação ao dólar e, principalmente, aos gastos públicos, os analistas ouvidos pelo BC esperam que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza menos os juros básicos no futuro, do que previam nas projeções anteriores.

Até a semana passada, a estimativa era que a taxa Selic cairia dos atuais 14,25% ao ano para 13% anuais em 2016. Agora, a previsão é que o BC será mais cauteloso, e os juros chegarão no fim do ano que vem em 13,25%.

O Globo – 10/11/2015

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IPCA longe da meta

O governo Dilma Rousseff não entregará a inflação na meta, de 4,5%, até 2018, conforme o Boletim Focus, do Banco Central (BC). A mediana das expectativas dos analistas aponta que a carestia será de 9,99% em 2015 e de 6,47% em 2016. Os economistas projetaram que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) será de 5% em 2017 e de 5% em 2018. A elevação do custo de vida só convergirá para o centro do alvo em 2019, quando um novo presidente chegar ao Palácio do Planalto.

O mercado ainda projetou que a Taxa Básica de Juros (Selic) será de 13,25% no fim do próximo ano. Até julho, a mediana das expectativas apontava que os juros chegariam a 12% em dezembro de 2016. Em sua primeira reunião com economistas, realizada ontem em São Paulo, o diretor de Política
Econômica do BC, Altamir Lopes, ouviu dos analistas que a inflação só convergirá para a meta se o governo conseguir executar o ajuste fiscal e equilibrar as contas públicas.

Lopes permaneceu a maior parte do encontro calado e fez perguntas pontuais para os presentes quando tinha alguma dúvida sobre a intervenção. Os analistas detalharam que o BC está de mãos atadas para conter a carestia enquanto não houver ancoragem fiscal. Eles ainda afirmaram que o quadro é de dominância fiscal. Isso ocorre quando a ação de política monetária perde a eficácia. A alta de juros não controla a carestia e faz explodir a dívida pública.

Correio Braziliense – 10/11/2015

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Inflação de transportes é a maior desde 2006

As famílias estão gastando cada vez mais para se deslocarem. Encher o tanque do carro ou recorrer ao transporte público, tudo ficou mais caro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação do grupo de transportes — um dos nove que compõem o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — registrou aumento de 9,5% nos 12 meses terminados em outubro. Foi a maior alta desde fevereiro de 2006, quando chegou a 9,7%. No mês, a taxa subiu 1,72%, a mais elevada desde fevereiro deste ano, puxada sobretudo pelos aumentos dos combustíveis.

Há semelhanças entre as pressões dos transportes no IPCA de fevereiro e de outubro. No segundo mês do ano, quando a inflação de transportes saltou 2,20%, o movimento foi puxado pelo aumento nas alíquotas do PIS/Cofins e pelos reajustes de tarifas de ônibus urbanos em oito capitais. Em outubro, o incremento dos preços combustíveis, de 6,09% nas bombas, foi acompanhado da disparada das passagens aéreas, de 4,01%.

“Os consumidores estão ficando sem opção”, admite Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Partners. Para ele, a inflação deste ano passará de 10% e, em 2016, ficará muito próxima de 7,5%. “Não haverá alívio tão cedo. Nem mesmo o aprofundamento da recessão será suficiente para levar o custo de vida para o centro da meta, de 4,5%, como promete o Banco Central. As tarifas públicas continuarão subindo e haverá o impacto defasado do câmbio”, afirmou.

Em Brasília, a carestia foi sustentada pelo governo local, que, para engordar o caixa, reajustou as passagens de ônibus e de metrô. Pelos cálculos do IBGE, as tarifas de ônibus urbano aumentaram, em média, 23,08% no mês passado. Em Porto Alegre, os ônibus intermunicipais ficaram 9,04% mais caros. O jeito, ressaltaram os especialistas, é colocar todos os gastos no papel e ver qual é a melhor opção: transporte público ou carro. Encher um tanque de 45 litros com gasolina custa hoje, em Brasília, R$ 170.

Mais ICMS

As despesas com transportes permanecerão pressionando o orçamento das famílias. Na primeira semana de novembro, a gasolina subiu 4,46%, informou ontem o Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV). Com isso, o Índice de Preços ao Consumidor — Semanal (IPC-S) avançou 0,78% na primeira prévia de novembro, taxa 0,29 ponto percentual maior que a registrada no mesmo período do ano anterior.

Entre as cinco despesas com as maiores altas no período, quatro são controladas pelo governo. Somente o etanol não pertence ao grupo dos preços administrados, mas, como 27% da gasolina se referem ao combustível verde, a queda na produção de cana-de-açúcar acabou influenciando o derivado de petróleo. Na avaliação de Paulo Piquet, economista do Ibre-FGV, pode haver desaceleração nos aumentos dos combustíveis nas próximas semanas, pois haverá a absorção total do reajuste anunciado pela Petrobras no fim de setembro.

“O pico do reajuste autorizado pela estatal provocou um choque maior na inflação em outubro. Acreditamos que, ao longo das próximas semanas, exercerá pressão menor”, disse Piquet. Ele destacou que, enquanto a gasolina ficou 5,27% mais cara em outubro, na primeira semana de novembro a alta desacelerou para 4,46%. Porém, o economista chamou a atenção para o fato de, em 1º de novembro, ter entrado em vigor a elevação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em 18 estados e no Distrito Federal. Os postos estão repassando de R$ 0,10 a R$ 0,12 aos consumidores. “Esse movimento ainda não foi captado pela nossa coleta, e será observado ao longo do mês”, assinalou.

Pé no acelerador (em %)

Reajustes dos combustíveis pesam cada vez mais no bolso nos consumidores. Taxa acumulada em 12 meses
Nov/14 4,2
Dez/15 3,8
Jan/15 5,7
Fev/15 8,1
Mar/15 7,1
Abr/15 6,9
Mai/15 7,9
Jun/15 7,4
Jul/15 8,6
Ago/15 8,0
Set/15 8,0
Out/15 9,5

Fonte: IBGE

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Preços de alimentos já subiram até 68% nos últimos 12 meses

A falta de chuva ao longo do ano e a alta do dólar fizeram alguns alimentos subirem bem acima da inflação. No Rio, a batata-inglesa ficou 68,89% mais cara em 12 meses e o filé mignon, 40,40%. Depois do forte impacto da falta de chuvas e da alta do dólar sobre o preços dos alimentos, o risco de agravamento da greve de caminhoneiros que acaba de começar pode pressionar ainda mais os preços. Nos doze meses encerrados em outubro, os alimentos subiram 10,39%, superando os 9,93% da inflação medida pelo IPCA. No Rio de Janeiro, a alta dos alimentos foi de 9,81%. Especialistas dizem que os aumentos devem continuar nos próximos meses, corroendo ainda mais o poder de compra do consumidor.

A taxa perto dos 10% é uma média, mas muitos produtos tiveram reajustes bem mais expressivos. Como a batata-inglesa, cujo preço subiu 68,86% na Região Metropolitana do Rio nos 12 meses encerrados em outubro. No mesmo período, o valor do alho avançou 59,38%, enquanto o filé mignon teve alta de 40,40%, e a cebola, de 29,30%. Não adianta nem correr para uma carne de segunda: o músculo ficou 20,86% mais caro.

— Foi um ano de aumento principalmente dos produtos in natura, enquanto o preço dos grãos teve comportamento melhor. O ano foi de estiagem, com muito calor em algumas áreas e chuvas abundantes em outras. Todo ano é assim, mas a intensidade este ano parece ter sido maior — afirma a técnica do Ipea Maria Andréia Parente, do Grupo de Análises e Previsões.

Para piorar o clima, a forte valorização do dólar também pressiona os preços. De um lado, encarece itens que dependem do trigo importado, como pão francês, que ficou 8,73% mais caro no Rio, macarrão, que subiu 11,54%, e biscoito, 7,75%. Do outro, torna os produtos brasileiros mais competitivos lá fora, incentivando as exportações. Isso reduz a oferta desses itens no mercado doméstico, pressionando os preços. Foi o que aconteceu, por exemplo, com as carnes, que ficaram 20,91% mais caras no Rio e 17,16% no país.

— O aumento do preço da carne é mais um resultado da redução da oferta que da demanda, apesar da crise que estamos vivendo. Com o dólar mais alto, o produtor direciona a produção para as exportações — afirma o economista da banco Brasil Plural Raphael Ornellas.

A greve dos caminhoneiros acaba sendo um fator a mais de risco. Segundo Ornellas, a paralisação de rodovias pode ter efeito nos preços caso se prolongue por mais dias. Maria Andréia lembra que mesmo alguns dias podem ter efeito nos preços de alimentos, sobretudo os mais perecíveis.

— A greve de caminhoneiros pode ter impacto, mas é preciso que as paralisações sejam amplas e afetem as rodovias próximas das regiões pesquisadas pelo IBGE — afirma o economista da osenberg & Associados Leonardo França Costa. PREÇO DO DIESEL PREOCUPA Preocupação adicional é um possível aumento do preço do diesel. O governo estaria considerando elevar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) dos combustíveis, se a criação da CPMF não for aprovada. O diesel pressiona o custo do frete, que, em última instância, é repassado aos preços dos alimentos.

— As estatísticas de safras não sugerem problemas, mas há outros fatores. Se vier outro aumento de diesel, afeta o frete. Se a greve dos caminhoneiros ocorrer por um tempo suficientemente longo, também há efeito. E temos o dólar valorizado, que nos faz supor pressão adicional nos preços de alimentos — explica a técnica do Ipea.

A avaliação é compartilhada por Costa, que vê continuidade do cenário atual, com alimentos pressionando a inflação. Sua projeção para a alta de preços de alimentos nos domicílios para 2015 é de 9,7%, seguida de alta de 9,5% em 2016. Em 2014, a taxa foi de 7%.

O Globo – 10/11/2015

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Planalto cobra de Levy plano para reerguer economia

Diante da piora das expectativas sobre a retração da economia no próximo ano, assessores presidenciais cobram mais criatividade da equipe econômica para lançar uma agenda de retomada do crescimento que dê resultado já nos próximos meses.

Segundo a Folha apurou, a avaliação de auxiliares próximos da presidente Dilma Rousseff é que o governo não pode entrar em 2016 sem um plano para dar esperança aos agentes econômicos na recuperação do ritmo de atividade da economia.

Um assessor palaciano disse à Folha que a cobrança por mais criatividade da equipe do ministro Joaquim Levy (Fazenda) não significa pedir a adoção de medidas mágicas, mas de iniciativas que possam ser lançadas enquanto o governo busca aprovar o pacote fiscal apresentado ao Congresso Nacional.

Assessores chegam a dizer que, sem avanço das medidas fiscais, Levy pode aproveitar para deixar o governo na virada do ano sob a justificativa de que sua receita para recuperar a economia, que passa primeiro pelo reequilíbrio das contas públicas, não foi aceita no Congresso.

Interlocutores do ministro da Fazenda negam que esse seja seu plano. Levy, afirmam, faz questão de dizer que a presidente Dilma está fechada com sua proposta de ajuste fiscal e ele está comprometido com a missão de ajudá-la a superar a atual crise econômica.

PRESSÕES

Nesta segunda-feira, dois auxiliares próximos da presidente disseram à Folha que não está nos planos da chefe trocar o ministro da Fazenda, apesar das seguidas pressões do PT e do ex-presidente Lula para substituí-lo.

Eles reconheceram, porém, que o governo está preocupado com as previsões de piora da retração econômica em 2016. A pesquisa do Banco Central com economistas do mercado já aponta para uma desaceleração de quase 2% no ano que vem.

Para o Planalto, não dá mais para ficar esperando a aprovação do ajuste, o que dificilmente ocorrerá neste ano, para reanimar a economia.

Para 2016, alguns analistas do mercado preveem um tombo próximo ao que deve ocorrer neste ano, com retração projetada de 3% do PIB (Produto Interno Bruto).

Essas previsões, na avaliação de assessores, reforçam a necessidade de adotar medidas que garantam um início de recuperação do ritmo da economia brasileira.

Caso contrário, dizem, o governo Dilma e o PT serão os principais alvos de críticas da campanha eleitoral do próximo ano, gerando um cenário de desgaste político que pode inviabilizar, de vez, qualquer possibilidade de um nome ligado ao petismo na eleição presidencial de 2018.

ANGÚSTIA

Interlocutores de Levy dizem que o ministro compreende a angústia do PT, mas afirma que, sem ajustar as contas públicas, qualquer medida para retomar o ritmo da economia fracassará.

O próprio ministro da Fazenda passou a reforçar em suas entrevistas a necessidade de retomar o crescimento da economia, elencando ações para atingir este objetivo no médio prazo.

Levy publicou recentemente documento intitulado “Reequilíbrio fiscal e retomada da economia”, apontado como um sinal de flexibilização de seu discurso antes só focado no reequilíbrio das contas públicas.

No texto, o ministro da Fazenda reconhece, no capítulo “O caminho do crescimento, os próximos passos”, que a expansão da economia passa pelo “relaxamento das condições de crédito”, uma das reivindicações do ex-presidente Lula.

A equipe do ministro afirma ainda que ele tem discutido dentro e fora do governo medidas para melhorar o ambiente econômico, como a modernização das regras das parcerias público-privadas (PPPs) e a reforma da Previdência Social.

Folha de S.Paulo – 10/11/2015

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Só o político pode salvar o economista

Por Antonio Delfim Netto

Temos insistido que a economia é uma disciplina na qual se enfrentam sempre os mesmos problemas. O que muda são suas soluções, de acordo com a ampliação do entendimento de como funciona o sistema econômico; dos avanços da psicologia, que mostra que o homem é um bicho mais complicado do que costumava ser, que no seu processo decisório combina, em graus diferentes, a “razão” e a “emoção”; de como se manejam os novos instrumentos analíticos de que se dispõe para simplificar (e entender) essas decisões e de como se aproveita o ensinamento da história, que vai acumulando os efeitos das soluções fracassadas.

O reconhecimento da complexidade que domina a interação dos indivíduos, imersos numa sociedade na qual emerge uma certa ordem “espontânea” e que pode produzir “emergências” (a quebra de todo “equilíbrio”), está impondo um comportamento cada vez mais humilde ao economista. Este torna-se perigoso quando é portador de uma “ciência”, ou de uma “ideologia”, que recusa os resultados da organização social a que chegamos pela seleção histórica e que combina, de fato, ainda que imperfeitamente, uma certa liberdade de iniciativa, uma crescente igualdade e uma relativa eficiência produtiva, que levaram 20 ou 30 nações do mundo ao nível de bem-estar de que dispõem hoje. Acredita que o homem e a sociedade, na qual ele vive, responderão mansamente aos seus desígnios (o que a história demonstra que nem o poder “absoluto” é capaz de produzir).

Isso deveria nos ensinar duas coisas: 1) que o caminho para a sociedade civilizada é conhecido. É longo e pedregoso. Percorrê-lo exige paciência e persistência. Raramente admite atalhos que não sejam adaptar soluções que os que estão na frente conseguiram com sucesso; e 2) que é preciso respeitar a história, a geografia, as restrições físicas e os conhecimentos acumulados pela disciplina econômica ao longo de séculos, além de prestar atenção às novas respostas (sugeridas pelo esforço teórico) às velhas questões que nos acompanham.

Talvez seja hora de deixar de lado a reeleição

O problema é que a construção de uma sociedade “civilizada” (precariamente definida acima) não é um problema econômico: os economistas de todas as “escolas” (neoliberais, keynesianas, kaleckianos, marxianos e “tutti quanti”), se vivem no Brasil e não no país da Alice, conhecem as variantes do caminho. O problema é político: como educar e convencer a sociedade a rejeitar nas urnas a solução que oferece a alegria gratuita: a linha reta declinante sem obstáculos, no qual a força da gravidade (a “ideologia” ou a “demagogia”) faz o seu trabalho, mas que a história mostra que, mais dia menos dia, termina no inferno? Como levá-la a escolher o caminho mais virtuoso que exige sacrifício e paciência?

Para escapar da hipótese do “déspota esclarecido”, as sociedades hoje desenvolvidas assistiram a uma co-evolução da educação (frequentemente ligada à religião: a necessidade de ler a Bíblia) com a invenção do sufrágio cada vez mais universal, que moderou o poder da concentração do capital. Empoderou o trabalhador desamparado (produto da criação do direito à propriedade privada), transformando-o em eleitor, na construção do que hoje chamamos “capitalismo”. Este é, apenas, um instante histórico na busca continuada da sociedade civilizada a que o homem aspira.

A questão é, portanto, puramente política: como organizar e dar instrumentos de poder à liderança eleita pelo sufrágio universal para que possa implementar os mecanismos de administração relativamente eficientes, compatíveis com mais liberdade, mais igualdade e maior produtividade? A resposta parece ser: eleições livres, em distritos bem definidos e regras de barragem adequadas que permitam uma coalização majoritária estável, que proponha e aprove as soluções que nascem das experiências dos países democráticos bem-sucedidos.

Talvez seja hora de deixar de lado a reeleição que, sem qualquer controle social, revelou-se um mal. Seria melhor um parlamentarismo (infelizmente recusado em dois plebiscitos viesados) inteligente, que garanta ao governo a maioria eficaz, ou o leve à dissolução. É muito triste ter que reconhecer que o recente “esforço reformista” do Congresso afastou o Brasil ainda mais de um sistema político minimamente funcional.

Talvez estejamos nos momentos (Jânio e Collor) nos quais emerge o “que se vayan todos”, como sugere uma recente pesquisa de opinião. Infelizmente, os dois não souberam aproveitar o acidente que lhes deu a oportunidade de um protagonismo digno de figurarem com admiração na história nacional, mas, mesmo assim, mandaram para a casa todos os profissionais do atraso…

Nossa situação econômica só é um problema sem solução, porque dispomos de uma trágica organização política: 1) um presidencialismo de coalização em que a presidente nem assume o seu protagonismo, nem se coaliza; e 2) um Congresso perdido, ocupado com propostas que, com raras exceções, ignoram o interesse nacional e que insiste em dissipar sua energia num sinistro retrocesso civilizatório. Em 1986, quando fui candidato à Constituinte, publiquei um pequeno livro, “Só o Político Pode Salvar o Economista”. Trinta anos depois parece que isso ainda continua verdade…

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras

E-mail: ideias.consult@uol.com.br

Valor Econômico – 10/11/2015

Redação On novembro - 10 - 2015
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