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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017






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‘Câmbio segue vulnerável e dólar pode ir a R$ 4,40’

A valorização de mais de 10% do real desde o começo de outubro está longe de refletir uma melhora concreta dos fundamentos para Brasil e decorre da trégua propiciada pelo exterior e pela cena política local, segundo o estrategista para mercados emergentes do banco francês Société Générale, Bernd Berg.

Para ele, o real é uma das moedas emergentes mais vulneráveis aos dois principais riscos globais no radar: a alta de juros nos Estados Unidos ou um eventual “pouso forçado” da China. O técnico acredita que o real pode estar próximo do seu ponto máximo e mantém a previsão de que a moeda brasileira se voltará a se depreciar a R$ 4,40 por dólar no apagar das luzes de 2015.

Apesar das persistentes incertezas domésticas, Berg diz já notar maior interesse de estrangeiros por investimentos de médio e longo prazo em ativos brasileiros, sobretudo em participações de empresas por causa da combinação de preços baixos com a desvalorização cambial.

Valor:O real chegou a acumular queda de 40% ante o dólar no ano até o setembro. Desde então, já recuperou 12% de seu valor ante a moeda americana. Esse movimento no câmbio, bem como em outros ativos domésticos, é um sinal de que o pior para o Brasil ficou para trás?

Bernd Berg: Acho que depois da forte liquidação vista em julho, agosto e setembro, o que estamos vendo é uma melhora no mercado brasileiro, mas que na verdade faz parte de um movimento global de alívio. Para moedas de juro alto, caso do real, essa reviravolta começou com dados fracos do mercado de trabalho americano divulgados em outubro. Desde então o que temos visto é um ambiente melhor para moedas emergentes. No caso brasileiro, contudo, essa melhora tende a ser temporária, e alguns investidores podem começar a realizar lucros com o rali recente do câmbio. O fato é que nada mudou em termos de fundamento para o Brasil. A presidente Dilma Rousseff conseguiu garantir alguma segurança no poder agora, o que adia o impeachment. E a Fitch avaliou que o risco de impeachment seria negativo para o Brasil. Portanto, o país passa, sim, por um momento de trégua, mas que, como toda trégua, tende a ser temporária.

Valor:A redução das apostas negativas em Brasil nada mais é então do que um movimento tático?

Berg: Tem essa característica, sim. Você reuniu melhora nos preços das commodities e esperança de suporte econômico por parte de alguns BCs globais, como o BCE e o Banco do Japão. Não à toa várias classes de ativos têm experimentado um rali desde outubro.

Valor:O real é negociado atualmente em torno de R$ 3,78 por dólar. Estamos nos aproximando do teto para a moeda brasileira?

Berg: Acredito que, sim, a força do real pode estar chegando ao seu limite no curto prazo. Esse movimento de recuperação não deve durar, especialmente agora que o Fed sinalizou mais claramente alta de juros no próximo mês. Se o Fed adiar o aperto monetário até podemos ver o rali do real durando um pouco mais, com o dólar podendo cair para R$ 3,70 ou até mesmo R$ 3,65. Porém, se os dados dos Estados Unidos continuarem surpreendendo positivamente e se o Fed confirmar a alta de juros em dezembro, teremos um ambiente de novas turbulências. O pano de fundo para mercados emergentes vai piorar novamente. E então podemos ver o dólar fechar o ano em torno de R$ 4,40.

Valor:O sr. considerou recentemente a possibilidade de o dólar alcançar R$ 5. Essa avaliação ainda é válida mesmo com o rali recente?

Berg: Acho que se a crise política sair do controle, se esse imbróglio prosseguir por mais 12 meses, com impasse entre Congresso e Planalto e sem solução à vista para o problema fiscal, há risco claro de o dólar bater R$ 5 no próximo ano, ainda que por um curtíssimo período. É para esse quadro que tenho ouvido algumas projeções de queda do PIB de 3% ou mesmo de 4% para o próximo ano, depois do declínio de 3% previsto para este. Nossa previsão oficial é de um declínio de 1%. Mas o risco de um tombo maior aumenta caso a China não consiga se estabilizar, o que afetaria os preços das matérias primas.

Valor:O juro de 14,25% ao ano ainda salta aos olhos do estrangeiro ou o aprofundamento dos problemas domésticos tirou o apelo do Brasil no mercado externo?

Berg: Há duas histórias nesse caso. Alguns investidores que aplicaram nos últimos anos no Brasil precisaram reduzir posições depois do rebaixamento da nota de crédito soberano. Esses investidores, de portfólio, ainda estão mais céticos, porque um segundo rebaixamento do rating pode abalar os preços dos ativos de forma geral. Mas a demanda por investimento produtivo, de forma geral, ainda continua bem. Recentemente voltei a perceber movimentos do lado de ‘private equity’ tornando a olhar para o Brasil em busca de ativos mais baratos. É um movimento que leva um tempo para se consolidar, mas que já está em curso.

Valor:Então alguns agentes já consideram que o Brasil pode estar chegando ao fundo do poço?

Berg: Para essa classe de investidores mais de longo prazo pode ser, sim, que o Brasil esteja se aproximando de seu pior momento do ponto de vista de preço dos ativos, que agora parecem muito mais atrativos no médio e longo prazos.

Valor:Essa melhora de percepção tem se estendido à dívida pública brasileira?

Berg: Há alguns focos de interesse por causa principalmente do juro alto, mas esses investidores estão muito céticos. Eles colocam na conta que todo esse ambiente pode impactar os preços dos bônus. E não ajuda a leitura de que o país está sofrendo agora com a dominância fiscal.

Valor:O sr. acredita que o Brasil enfrenta um contexto de dominância fiscal?

Berg: Sim. Acredito que esse é o motivo de o BC possivelmente não mais elevar os juros até o próximo ano. Não bastasse o ambiente recessivo, agora a limitação na política monetária vinda do problema fiscal é um fator-chave para o BC agora.

Valor:O BC voltou a atuar mais ativamente no câmbio nos últimos dias. Isso é justificável?

Berg: O BC não deveria mexer na dinâmica do mercado de câmbio agora. O real se estabilizou, até se valorizou, o que tira essa urgência de mais intervenção. De forma geral as oscilações se reduziram muito, aqui e lá fora. O BC deveria guardar munição para eventos de maior impacto, como, por exemplo, o “payroll” [dados do mercado de trabalho dos EUA]. Eventos assim é que exigem possíveis intervenções, não o momento atual.

Valor:O que devemos temer mais: alta de juros nos EUA ou desaceleração mais forte na China?

Berg: A China exige mais cuidado. O país foi durante muito tempo o motor do crescimento dos mercados emergentes, principalmente em termos de comércio exterior. O resultado disso é uma dependência muito relevante desses países à demanda chinesa, o que é um problema mais claro agora com a desaceleração da economia do país. Mas os efeitos de um “hard landing” na China não se restringiriam apenas aos mercados emergentes, afetando na verdade todo o crescimento global. No caso dos juros nos EUA, embora temido, é um evento de alguma forma esperado, devendo ser gradual. Mas a ponderação para aí. Com o fim do superciclo de commodities e as preocupações com a China, os déficits de alguns países emergentes dispararam, deixando-os ainda mais vulneráveis a movimentos fortes de saída de capital. E essa migração de recursos pode ocorrer mais fortemente com uma alta de juros nos EUA. Daí vem a preocupação maior com o aperto monetário americano, ainda que seja gradual. Em suma, a alta de juros nos EUA está mais precificada. O “hard landing” na China, não.

Valor:Diante desses riscos, quais as moedas emergentes mais e menos vulneráveis?

Berg: As moedas da América Latina, África do Sul e Rússia são, sem dúvida, as mais vulneráveis aos desdobramentos nos EUA e na China, sobretudo pelo impacto que eventos nessas duas maiores economias do mundo têm sobre os preços das commodities. Não à toa, os países mais vulneráveis são grandes exportadores de matérias-primas. Por outro lado, acredito que as divisas de Turquia, Índia e México consigam ser mais resilientes a esse cenário, embora não estejam imunes a uma piora no cenário para emergentes.

Valor Econômico – 06/11/2015

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Bernanke cita Mantega e nega ter feito guerra cambial

Ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke descartou ontem a noção de que a política monetária ultra-expansionista dos EUA foi uma forma de guerra cambial, lembrando das críticas do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que reviveu a expressão em 2010.

Segundo Bernanke, não há “base teórica ou empírica” para reclamações de que o Fed lançou mão da estratégia, que visaria desvalorizar o dólar e, com isso, aumentar a competitividade das exportações. No caso do Brasil, um dos motivos para as críticas ao Fed eram os temores de perder mercado para a China, indicou Bernanke, notando que o país asiático tinha um câmbio desvalorizado e era muito competitivo.

Em palestra no Fundo Monetário Internacional (FMI), em que falou sobre “A política do Fed no contexto internacional”, Bernanke destacou as declarações de Mantega no fim de 2010, à época em que o BC americano lançou a segunda rodada de compra de ativos, para manter baixas as taxas de longo prazo.

Para Bernanke, um dos motivos das reclamações dos emergentes é que esses países muitas vezes têm metas independentes do equilíbrio interno da economia para a taxa de câmbio, como incentivar as exportações. Razões políticas também podem estar por trás das críticas, segundo ele.

Bernanke lembrou que o relaxamento monetário nos EUA tem efeitos que contribuem para diminuir e aumentar a demanda em outros países. De um lado, uma política mais expansionista do Fed contribui para valorizar as moedas de outras nações, o que prejudica as exportações desses países; de outro, tende a fortalecer a economia americana, elevando o apetite dos EUA pelos produtos estrangeiros.

O ponto é que o efeito sobre o câmbio dos emergentes tende a ocorrer de modo instantâneo, enquanto o impacto da demanda mais forte dos EUA pelas exportações de outros países leva mais tempo para se materializar, notou o comandante do Fed entre 2006 e 2014. Ele ressaltou ainda que o comércio exterior teve contribuição praticamente nula na recuperação dos EUA depois da crise financeira global, e que o dólar não se desvalorizou nos últimos anos.

Valor Econômico – 06/11/2015

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Dados sinalizam mercado de trabalho americano saudável

O número de norte-americanos que entraram com pedido de auxílio-desemprego registrou o maior aumento em oito meses na semana passada, mas manteve-se em níveis consistentes com mercado de trabalho saudável.

O número de pedidos iniciais de auxílio-desemprego subiu em 16 mil, para 276 mil segundo números ajustados sazonalmente, na semana encerrada em 31 de outubro, informou ontem o Departamento do Trabalho. Esse foi o maior ganho semanal desde fevereiro. Economistas esperavam alta para 262 mil.

Durante boa parte de outubro, o número semanal de pedidos de auxílio-desemprego vinha oscilando pouco acima das mínimas em 42 anos. O dado da semana anterior não foi revisado. Foi a 35º semana consecutiva em que o número de pedidos ficou abaixo do marco de 300 mil, que normalmente é associado com um mercado de trabalho forte.

A média móvel de quatro semanas, considerada uma medida melhor das tendências do mercado de trabalho já que minimiza a volatilidade semanal, subiu 3.500, para 262.750, na semana passada. O dado não influencia o relatório de empregos do governo dos EUA, divulgado hoje.

DCI – 06/11/2015

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UE prevê expansão maior na zona do euro, mas alerta sobre riscos globais

A queda nos preços do petróleo e o relaxamento monetário vão ajudar a zona do euro a crescer mais do que o esperado este ano, mas a desaceleração em países emergentes e o aumento das incertezas globais poderão prejudicar o desempenho econômico da região, segundo avaliação da União Europeia.

Em relatório de projeções divulgado ontem, a Comissão Europeia (CE), braço executivo da UE, afirma que, embora o petróleo mais barato e a política monetária acomodatícia do Banco Central Europeu (BCE) tenham impulsionado o consumo e as exportações, o ritmo de crescimento no bloco se mantém relativamente limitado.

A comissão alertou que as consequências da crise financeira da Europa – como o aumento das dívidas dos governos e empresas e o enfraquecimento da economia global – vão continuar pesando nos próximos anos.

“Dado o ímpeto menor de ventos favoráveis, a continuidade do efeito negativo de legados da crise, como as pressões de desalavancagem e fraqueza nos setores bancários de alguns países-membros, e a fraca expansão econômica global, o crescimento em 2016 e 2017 deverá ser mais modesto”, comentou o economista-chefe da CE, Marco Buti.

A CE agora estima que o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro, formado por 19 países, deverá crescer 1,6% este ano, um pouco mais do que a alta de 1,5% projetada em maio. Para 2016, no entanto, a projeção de expansão do bloco foi reduzida, de 1,9% para 1,8%. Para a UE, que engloba o bloco e outros nove países, a projeção de crescimento para 2015 subiu de 1,8% para 1,9%, mas a do próximo ano caiu de 2,1% para 2,0%.

Cautela

Apesar da visão cautelosa para os próximos dois anos, a comissão avaliou que as restrições de crédito estão “claramente diminuindo” e que o financiamento de mercado continuará a ter um papel cada vez maior na sustentação dos investimentos, que deverão se tornar um catalisador mais forte do crescimento.

Para a CE, o progresso feito na superação dos legados da crise, como os altos níveis de empréstimos inadimplentes e o desemprego elevado, devem contribuir para a expansão da economia. Mas as reformas estruturais que foram realizadas na zona do euro até o momento não foram suficientes para conseguir elevar o potencial de crescimento de forma significativa. A entidade também ponderou que a crise de refugiados na UE deverá resultar em gastos maiores dos governos de vários países da região, impulsionando a demanda.

“A análise mostra que, se administrada de forma adequada, a entrada de refugiados (na UE) terá um pequeno efeito favorável para o crescimento no curto e médio prazos”, disse Buti. “Isso vai depender principalmente de políticas para integrar os refugiados aceitos no mercado de trabalho”, completou.

Quanto à inflação, a CE continua prevendo que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro terá leve alta de 0,1% este ano, como já havia estimado em maio. Para 2016, o órgão reduziu sua projeção de inflação, de 1,5% para 1,0%. A expectativa para 2017 é que os preços ganhem força e a inflação atinja 1,6%.

Os números previstos por analistas para os próximos anos, no entanto, continuam abaixo da meta anual de inflação do BCE, que é de taxa ligeiramente inferior a 2,0%.

As projeções da CE, que são divulgadas três vezes por ano, servem de base para negociações orçamentárias entre autoridades da UE em Bruxelas e dos governos europeus.

No ano de 2013, a UE adotou regras fiscais mais severas para evitar uma repetição da crise soberana. Essas normas permitem a Bruxelas revisar orçamentos antes que os projetos sejam submetidos à aprovação parlamentar e solicite mudanças em planos de gastos.

DCI – 06/11/2015

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Braskem acredita em acordo de longo prazo de matéria-prima em dezembro

A Braskem acredita que será capaz de fechar um novo contrato de longo prazo com a Petrobras para o fornecimento da principal matéria-prima do setor, a nafta, até 15 de dezembro, quando vence o último aditivo que ainda garante o abastecimento do insumo.

O presidente da maior petroquímica das Américas, Carlos Fadigas, afirmou ontem que a negociação do acordo com a petroleira continua, mas admitiu que as conversas já não caminham mais na direção da proposta inicialmente colocada pela empresa. De acordo com ele, o debate vem sendo acompanhado de perto por quatro ministérios e por vários municípios onde estão localizados os polos petroquímicos do País, o que mostra a importância da questão.

A discussão em torno da nafta se estende desde 2013 e, segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), trava cerca de R$ 8 bilhões em investimentos que poderiam ser destinados a toda a cadeia industrial.

Para resolver o impasse, a Braskem propunha um modelo variável de preços para o insumo. A ideia era que o valor pago pela nafta aumentasse quando houvesse uma retração das cotações do petróleo e diminuísse quando ocorresse desvalorização. Fadigas revelou, entretanto, que a negociação já não segue esses termos porque a Petrobras se recusa a aceitar uma precificação inferior à cotada no mercado europeu, de forma que o novo contrato deverá ser baseado em uma taxa fixa com referência nos preços do circuito ARA, que corresponde a região de Amsterdã, Roterdã e Antuérpia.

Em entrevista com jornalistas para comentar os resultados da empresa no terceiro trimestre, o executivo informou também que a reabertura da planta de Mauá (SP), atingida por um incêndio no dia 14 do mês passado, deve ser completada por volta da terceira semana de novembro. Ele garante que não houve dano físico relevante aos equipamentos da unidade, mas revelou que a fábrica deixou de arrecadar algo em torno de R$ 180 milhões no período em que ficou paralisada devido ao incêndio.

As causas do acidente ainda não foram muito bem esclarecidas, conta Fadigas, que disse saber apenas que o fogo se iniciou no rompimento de uma linha. Toda a produção da planta continua parada, disse ele, e o fornecimento aos compradores será garantido com o redirecionamento de produtos que iriam para exportação.

Balanço trimestral

Entre julho e setembro, o lucro líquido da Braskem alcançou os R$ 1,482 bilhão, ante R$ 230 milhões registrados no mesmo período do ano passado. Segundo a companhia, o resultado foi impulsionado por um desempenho operacional considerado bom e pela estratégia de proteção contábil contra as variações do dólar, cujo efeito sobre a dívida foi amortecido.

Apesar dos volumes maiores vendidos no exterior, a receita líquida da empresa foi diretamente prejudicada pela queda dos preços de produtos petroquímicos no mercado internacional, pressionados pelo cenário de maior desvalorização do petróleo e da nafta. A companhia somou ganhos de cerca de US$ 3,7 bilhões no terceiro trimestre, uma queda de 28% em relação a 2014. A valorização do dólar, por outro lado, impulsionou as receitas da companhia contabilizadas na moeda brasileira, que chegaram a R$ 13,2 bilhões, 12% maiores na comparação anual.

As vendas de resinas termoplásticas no mercado doméstico caíram 11% no terceiro trimestre de 2015 em relação aos mesmos meses de 2014 e chegaram a 1,219 milhão de toneladas. Em nota, a fabricante comenta que os números foram pressionados principalmente pela demanda fraca nos setores de bens duráveis, não duráveis e construção civil.

A queda foi compensada por um aumento de 43% nas exportações dos produtos, que somaram 454 mil toneladas no período. O volume exportado dos principais petroquímicos básicos, por sua vez, somou 482 mil toneladas, uma alta de 19% em relação a 2014.

O grupo destacou ainda a alta das vendas de resinas produzidas por suas plantas nos Estados Unidos e na Europa, em função da melhora na economia norte-americana. A comercialização de polipropileno nessas duas fábricas somou 502,3 mil toneladas entre julho e setembro, um aumento de 7% ante o ano passado.

A companhia aposta agora na inauguração do novo polo petroquímico em Coatzacoalcos, no México, onde passará a produzir 1,05 milhão de toneladas de eteno por ano já no começo do ano que vem. Fadigas, o presidente da empresa, conta que as obras da nova fábrica já estão 98% concluídos e que foram investidos só neste ano R$ 552 milhões no projeto. Segundo o executivo, a Braskem mantém sua meta de investir algo em torno de R$ 2,1 bilhões até o final do ano, sendo que R$ 1 bilhão deve ir para a operação e R$ 819 milhões para a unidade mexicana.

DCI – 06/11/2015

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As lições das intervenções chinesas

Yu Yongding – 06/11/2015

O mercado de ações chinês tem sido um tema muito discutido desde o verão, quando uma rápida alta deu lugar a um mergulho, provocando uma onda global de vendas de ações. A questão agora é o que fazer para evitar volatilidade maior.

Para responder a essa pergunta é preciso compreender como a China chegou a esse ponto. Durante anos, sob incentivo das autoridades, empresas de valores mobiliários chinesas não pouparam esforços para incorporar às bolsas de valores da China instrumentos financeiros e práticas atraentes com o único objetivo de obter ganhos de capital decorrentes de aumentos dos preços (dividendos raramente são distribuídos).

Como resultado, após anos de fraco desempenho, o Índice Composto de Xangai subiu mais de 100% em menos de sete meses, um nível não justificado pelos fundamentos econômicos chineses.

O mais importante instrumento que puxou essa alta foram “compras de margem”, o que permitiu aos investidores tomarem grandes empréstimos para comprar ações. De acordo com David Cui, estrategista do Bank of America, cerca de 7,5 trilhões de yuans (US$ 1,2 trilhão) em posições de mercado estão sendo mantidas com base nesse esquema, “equivalente a cerca de 13% da capitalização de mercado de ações “classe A” e 34% de sua livre flutuação”.

Parte do problema foi que os negócios de margem não se limitaram a investidores institucionais. Firmas muito pouco regulamentadas, por exemplo, distribuíam empréstimos de margem para praticamente qualquer pessoa, o que resultou na captação agregada de aproximadamente 2,3 trilhões de yuans via internet e 1 trilhão de yuans fora da internet, com uma taxa de alavancagem de até 5:1 nesta última modalidade.

Em meados de junho, a alta prolongada nos preços das ações levou finalmente a então nervosa Comissão Regulamentadora do Mercado de Títulos Chinês a impor restrições a esse tipo de fundos privados fora da internet. A decisão desencadeou uma liquidação de papéis e o Índice de Shanghai caiu 2% em apenas um dia.

Inicialmente, isso pareceu uma correção natural. Mas a escala dos negócios de margem fizeram com que a queda se transformasse rapidamente numa fuga desordenada. Primeiro, quando os preços das ações despencaram a ponto de as corretoras começarem a emitir chamadas de margem, forçaram os investidores a alocar mais recursos para manutenção das margens. Quando estes não conseguiram cumprir essas obrigações a tempo, as ações desses participantes foram vendidas pelas corretoras, pressionando as cotações das ações ainda mais para baixo.

Em 27 de junho, o Banco do Povo da China reduziu a taxa de exigência de reservas e a taxa de juro de referência. Mas o Índice de Xangai continuou a cair, chegando a 4.200 pontos em 1º de julho.

Nesse momento, a CSRC deflagrou uma sucessão de medidas desesperadas: suspendeu ofertas públicas iniciais, permitiu que empresas parassem de negociar e limitou vendas a descoberto. Também organizou uma “seleção nacional” de 21 grandes corretoras, lideradas por uma empresa financeira controlada pelo governo, para adquirir ações visando dar sustentação ao Índice.

Ao agir dessa maneira, a autoridade regulamentadora mudou muitas regras bem estabelecidas do jogo praticamente do dia para a noite. E embora a enorme intervenção oficial possa ter interrompido a fuga desordenada, isso pode ter comprometido permanentemente a credibilidade da agência. E a intervenção sequer foi justificada: os bancos não estavam excessivamente expostos, por isso não havia riscos sistêmicos.

Mas os erros de políticas que alimentam este fiasco no mercado de ações vêm de ainda mais longe, da gigantesca ampliação do crédito alimentada pelo governo desde a crise financeira mundial. Sem ela, as corretoras não disporiam de tanta liquidez para conceder empréstimos para negócios de margem.

Depois que a crise se manifestou, em vez de reconhecer o declínio no crescimento potencial e fazer os necessários ajustes, o governo manteve-se implicitamente comprometido com uma meta irrealista de crescimento anual de 10% do PIB. Mas, embora o pacote de estímulo de 4 trilhões de yuans tenha sustentado temporariamente o crescimento, o retorno sobre o investimento estava se deteriorando, porque o crescimento potencial já estava abaixo do crescimento real. Em consequência disso, a demanda por crédito estava relativamente fraca; em muitos casos, os bancos comerciais tinham de convencer as empresas a aceitar empréstimos, com uma grande proporção do crédito, em última instância, alocado à compra de ativos no mercado de capitais.

Inicialmente, o excesso de liquidez alimentou bolhas imobiliárias. Depois que o governo reprimiu empréstimos para obras residenciais e comerciais, a atividade no sistema bancário paralelo se intensificou. Depois que o governo apertou o cerco também contra isso, a liquidez foi canalizada para as bolsas de valores; depois que a bolsa despencou, a maré de dinheiro invadiu o mercado de títulos. Mas o mercado de títulos não é suficientemente grande para absorver todo esse montante, de modo que uma parte já retornou às bolsas de valores, o que produziu uma recuperação parcial das ações.

O declínio do crescimento econômico fortalece a tentação de afrouxar a política monetária. Mas no atual ambiente deflacionário, apenas expansão monetária típica pouco pode fazer para ajudar a economia real, porque o dinheiro permanece ocioso ou alimenta bolhas de ativos e saídas de capital.

Para que o governo da China evite que uma espiral de deflação da dívida cause um pouso forçado, ele deveria mudar seu foco, assumindo uma política centrada numa meta fiscal expansionista. Com um déficit orçamentário de 2,3% do PIB, a China certamente tem condições de bancar um aumento dos gastos governamentais e redução de impostos.

Seria essencial que o pacote fosse financiado por títulos públicos emitidos pelo Ministério das Finanças, e não por bancos comerciais através de veículos de financiamento de governos locais. Qualquer afrouxamento da política monetária deveria ser focado diretamente em uma acomodação da política fiscal. Dessa maneira, os recursos financeiros seriam canalizados para a economia real, em vez de inflar bolhas de ativos.

Para respaldar esse esforço, o governo da China deveria afrouxar seu controle sobre a taxa de câmbio, simultaneamente mantendo controles de capital adequados. A internacionalização do yuan não deveria ser uma prioridade da política.

A experiência da China em anos recentes trouxe lições valiosas para os líderes do país. Com uma abordagem mais equilibrada a intervenções que reflita essas lições, as lideranças poderiam colocar a economia em caminho muito mais estável. Dito isso, tendo em vista que a China está passando por uma transição econômica estrutural, o potencial estabilizador de políticas macroeconômicas é limitado. Sem reformas mais fundamentais, até mesmo uma combinação impecável de políticas macroeconômicas não iria funcionar. Reformas levam tempo, o que significa que a China pode ter de preparar-se para mais problemas e um período prolongado de crescimento lento .

Valor Econômico – 06/11/2015

Redação On novembro - 6 - 2015
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