Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017






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Inflação é a mais alta para outubro desde 2002 e chega a 9,93% em 12 meses

A inflação em outubro ficou em 0,82%, o que representa aceleração em relação a setembro, quando havia sido de 0,54%.O indicador é o mais alto para o mês desde 2002 (1,31%).

Em outubro do ano passado, a alta dos preços havia sido de 0,42%.

Em 12 meses, a inflação atingiu 9,93%, a maior desde novembro de 2003 (11,02%). O valor está acima do limite máximo da meta do governo; o objetivo é manter a alta dos preços em 4,5% ao ano, mas com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo, ou seja, podendo oscilar de 2,5% a 6,5%.

Em 2015, no acumulado de janeiro a outubro, a inflação chega a 8,52%%. O valor é o mais elevado para o período desde 1996 (8,7%).

Os dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) foram divulgados nesta sexta-feira (6) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Combustíveis e alimentos puxaram inflação

O aumento nos preços dos combustíveis foi o principal responsável pela aceleração da inflação em outubro. Com peso de 4,89% no IPCA, eles ficaram 6,09% mais caros no mês.

A alta é consequência de um reajuste de 6% no preço da gasolina e de 4% no do Diesel nas refinarias, estabelecido pela Petrobras no final de setembro.

Em média, a gasolina ficou 5,05% mais cara nos postos, mas a alta chegou a 6,21% em São Paulo (SP) e a 6,12% em Curitiba (PR).

O outro item que puxou a a elevação dos preços foi o de alimentação e bebidas (0,77%).

A alimentação fora de casa teve alta de 0,93%, mais intensa do que os alimentos consumidos em casa (0,68%). Com isto, a inflação do grupo de alimentos e bebidas chega a 10,39% nos últimos doze meses.

Preço do frango sobe quase 6%, e da cebola cai 33%

De setembro para outubro, os preços de grande parte dos alimentos subiram. O frango foi o produto com maior alta, de 5,98%, seguido pelo açúcar (4,43%).

Por outro lado, o preço da cebola, que já passou por sucessivas altas neste ano, foi o que mais caiu entre os alimentos. O produto ficou 32,64% mais barato. Outro destaque, a batata inglesa ficou 10,69% mais barata.

Economistas esperam alta de quase 10% no ano

De acordo com a última edição do Boletim Focus, levantamento feito pelo Banco Central com instituições financeiras, é esperada inflação de 9,91% neste ano. Os economistas têm subido a projeção de inflação há sete semanas.

Quando a inflação estoura o teto da meta do governo (6,5%), o presidente do Banco Central precisa redigir uma carta explicando os motivos.

Inflação e juros

A inflação alta tem sido uma das principais dores de cabeça para o Banco Central nos últimos anos.

A taxa de juros é um dos instrumentos mais básicos para controle da alta de preços.

Quando os juros sobem, as pessoas tendem a gastar menos e isso faz o preço das mercadorias cair (obedecendo à lei da oferta e procura), o que, em tese, controlaria a inflação.

Na última reunião, o BC manteve, a Selic, em 14,25%, interrompendo uma sequência de sete altas.

Essa taxa de juros é a mais alta desde agosto de 2006, quando ela também estava em 14,25%.

(Com Reuters)/Uol – 06/11/2015

 

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IGP-DI avança para 1,76% em outubro e sobe 10,58% em 12 meses

SÃO PAULO  –  A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) acelerou para 1,76% em outubro, após se situar em 1,42% um mês antes. O resultado foi impulsionado pelo aumento dos preços dos alimentos processados e combustíveis no atacado e itens administrados no varejo, como gás, luz, ônibus e gasolina. Em outubro de 2014, o índice subiu 0,59%.

No ano, o IGP-DI acumula alta de 8,91%; em 12 meses, houve aumento de 10,58%, informa a Fundação Getulio Vargas (FGV).

No atacado, o Índice de Preços Amplo (IPA) acelerou para 2,38% em outubro, de 2,02% em setembro. Essa alta foi puxada pelos Bens finais, que saíram de avanço de 0,87% para 2,06%, por causa principalmente dos alimentos processados, que subiram de 1,83% para 3,10%. Bens intermediários também registraram elevação mais expressiva, de 1,72% para 2,20%, influenciados por combustíveis e lubrificantes (de -0,84% para 2,79%).

A inflação das Matérias-primas brutas desacelerou de 3,84% para 2,99% por conta de itens como soja em grão (8,44% para 3,18%), leite in natura (-0,66% para -3,11%) e suínos (13,13% para 5,63%). No entanto, houve incremento maior em bovinos (0,67% para 2,38%), café em grão (0,27% para 4,20%) e cana-de-açúcar (0,79% para 1,59%) .

No corte por origem, os preços dos produtos agropecuários arrefeceram o ritmo de alta entre setembro e outubro, de 3,40% para 2,75%, enquanto os dos produtos industriais ganharam ímpeto, de 1,49% para 2,23%.

No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,76% em outubro, ante 0,42% no mês anterior. Cinco das oito classes de despesa componentes do índice subiram, com destaque para Transportes (0,32% para 1,92%), com peso da gasolina (-0,24% para 5,27%), do etanol (0,32% para 9,21%) e da tarifa de ônibus urbano (1,19% para 1,67%).

Por fim, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou incremento de 0,36%, acima do resultado de setembro, de 0,22% de aumento. O índice relativo a materiais, equipamentos e serviços passou de 0,47% para 0,77% de acréscimo e o indicador sobre o custo da mão de obra não teve variação pelo segundo mês consecutivo.

Valor Econômico – 06/11/2015

 

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Levy diz que sem tributo haverá déficit de R$ 32 bi

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou ontem que o país só vai sair da recessão depois de resolvido o problema fiscal, e reforçou que o governo persegue 0,7% do PIB como meta de superávit primário para 2016. Olhando outras experiências de ajuste, é possível observar resultados positivos das medidas num prazo de dois trimestres, disse Levy, que participou de seminário na Fiesp em parceria com OCDE.

Segundo o ministro, já há algumas “nuances” de estabilização de indicadores de confiança, porque a discussão fiscal “melhorou um pouquinho”. Durante o painel sobre eficiência orçamentária em época de ajuste fiscal, Levy voltou a mencionar a estratégia “1, 2, 3” de política econômica do governo para lembrar empresários e diretores da Fiesp presentes ao evento que, após a crise ocorrida em 1997/1998, o “monstro de que os senhores não gostam”, criado em 1999, permitiu que o país crescesse 4,5% em 2000″.

O ministro não identificou o “monstro”, mas todos entenderam que ele se referia à CPMF, imposto cuja volta, na avaliação de Levy, é fundamental para o ajuste, mas que encontra resistência no setor privado e no Congresso. Segundo Levy, a não aprovação da CPMF significa déficit R$ 32 bilhões, o equivalente aos gastos do governo com o Bolsa Família, ou com seguro-desemprego. “Sem determinado recurso, vamos ter de descobrir o que vamos deixar de gastar.”

Logo após a consolidação fiscal, viriam a retomada da confiança e da demanda e, em seguida, a necessidade de estimular a oferta por meio de reformas estruturais. Segundo Levy, a economia brasileira tem uma série de pontos de rigidez que não se referem somente ao Orçamento: concorrência, abertura da economia, simplificação de impostos e do mercado de trabalho precisam ser enfrentados e o governo já está trabalhando nessa agenda em medidas como a reforma do PIS e do Cofins, disse.

Do lado das despesas, o ministro voltou a criticar a vinculação à Constituição dos gastos da União, um “entulho” herdado da época da hiperinflação, que não faz mais sentido e atrapalha o ajuste. Como exemplo, citou os gastos da Saúde, em que é preciso gastar certa quantia, “faça chuva ou faça sol”.

“Se eu quero dar mais liberdade, a gente tem que dizer que hoje há tamanha confiança no governo que essa obrigação de que você tem que gastar tanto não é necessária. Isso significa tirar a vinculação”, sugeriu. Já nas despesas obrigatórias, como gastos com aposentadorias, pensões e seguro-desemprego, é possível discutir como serão feitos os reajustes dos benefícios: se acima ou abaixo da inflação, tendo ou não o salário mínimo como piso.

O ministro também lamentou a aprovação, pela Câmara, de decreto que revoga a portaria que suspendia o pagamento do seguro-defeso por até 240 dias. A medida ainda precisa ser aprovada pelo Senado. Segundo o ministro, o programa conta com mais de um milhão de beneficiários, número muito acima do identificado pelo IBGE no último Censo, e deve custar neste ano mais de R$ 3 bilhões aos cofres públicos. “US$ 1 bilhão em pescadores artesanais”, disse.

“Se imaginarmos que a produção desses pescadores em três meses vale US$ 1 bilhão, a pesca artesanal do Brasil deveria valer algo como US$ 10 bilhões ou US$ 12 bilhões, o que, infelizmente, acho que não é o caso”, afirmou, em tom jocoso.

O ambiente na Fiesp ontem, no entanto, mostrava que o trabalho de convencimento de Levy não vai ser fácil. Enquanto a plateia aguardava o início do painel, a Fiesp transmitia repetidamente um vídeo contra a alta de impostos. Na tela, o presidente da entidade, Paulo Skaf, incitava as pessoas a “dizer não” aos impostos. Antes de participar do seminário, contudo, o ministro almoçou na sede da Fiesp.

Valor Econômico – 06/11/2015

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O Brasil precisa sair da longa estagnação

O problema de uma produtividade que cresce devagar demais dá o tom das análises do economista José Alexandre Scheinkman sobre o Brasil: além da força de trabalho com educação insuficiente e da tímida taxa de investimento, todos os vícios institucionais, legais, sociais e econômicos do país contribuem para que, desde a década de 1970, a economia brasileira tenha um desempenho inferior ao seu potencial.

De todas as reformas necessárias para enfrentar essa longa estagnação, três medidas de curto prazo são apresentadas como mais factíveis: 1) a integração à economia mundial, revertendo a histórica tendência brasileira ao protecionismo; 2) o incentivo à competição nos mercados internos, deixando de favorecer empresas estabelecidas; 3) a instalação de políticas de inovação eficazes, seguindo o modelo bem-sucedido da Embrapa.

Crítico ferrenho das escolhas de política econômica tomadas pela primeira gestão da presidente Dilma Rousseff, o economista lamenta também os erros cometidos durante a preparação da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada do próximo ano. O maior deles, para o professor carioca, foi a incapacidade de despoluir a baía de Guanabara, que banha o Rio.

Scheinkman, de 67 anos, vive nos Estados Unidos desde a década de 70, foi professor na Universidade de Chicago e hoje leciona nas universidades Columbia e Princeton. Realizou pesquisas em diversas áreas, desde bolhas financeiras até a distribuição da criminalidade em áreas urbanas. Em 2002, em parceria com outros 16 economistas, publicou o livro “A Agenda Perdida”, em que se discutiam as causas e as soluções da dificuldade que o Brasil tem para crescer. No mesmo ano, foi assessor econômico de Ciro Gomes, que era candidato à Presidência da República.

Nesta semana, Scheinkman debate em São Paulo os problemas da economia brasileira, durante o lançamento da plataforma digital interativa Por Quê? (www.porque.com.br), que se propõe a apresentar a um público amplo os problemas cotidianos da economia em linguagem acessível. Desenvolvido pela Editora BEI, o projeto “pretende preencher uma lacuna de formação e oferecer instrumentos para uma avaliação racional dos caminhos e das propostas hoje em jogo no país”. O lançamento ocorre na sede da faculdade de economia do Insper. No mesmo dia, a BEI lança o livro “A Riqueza da Nação no Século XXI”, de Bernardo Guimarães, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Valor:No ano passado o senhor comentou que o Brasil não estava tão bem em 2009 – como se dizia naquele momento – nem tão mal como pensávamos. Como estamos hoje?

José Alexandre Scheinkman: É verdade que estávamos pior do que se pensava no ano passado. E duas coisas aconteceram de lá para cá. Estamos pior do que parecia, acredito, embora eu fosse já bem pessimista. Mas também acho que o pessimismo aumentou mais ainda. O pessimismo e a situação real estão apostando corrida! O Brasil ainda tem muitas coisas boas e somos capazes de resolver os problemas atuais. A novidade é a crise política. Em 2014 não havia essa dificuldade suplementar.

Valor:Que problemas chamam atenção?

Scheinkman: Temos dois conjuntos mais urgentes. Primeiro, o do curto prazo: déficit fiscal, inflação, o que resta dos erros cometidos em nome da nova matriz econômica. Depois, um problema estrutural. Desde 1991, os gastos do governo crescem mais rápido do que a renda. Temos urgência de reformas para quebrar essa trajetória. Se não fizermos isso, vamos ter problemas sérios. Mas quero frisar o terceiro problema. Exceto em episódios curtos, o Brasil tem crescido pouco há quase quatro décadas. Nossa produtividade cresce menos até do que a dos países avançados. Tentamos alcançá-los, mas se nossa produtividade cresce menos, vamos sempre ficar comparativamente mais pobres. Outros países têm conseguido diminuir a distância de produtividade.

Valor:Quando as pessoas comentam esse problema, costumam insistir na educação.

Scheinkman: Educação é muito importante, mas não é a única coisa. O Brasil tem uma força de trabalho muito pouco educada e portanto menos produtiva. É um país que investe pouco e isso não ajuda a aumentar a produtividade. Além disso, mesmo considerando a educação e os investimentos que existem, produzimos pouco com os insumos que temos. Faltam insumos e os usamos mal.

Valor:Os investimentos foram mal alocados?

Scheinkman: Há muitas razões para o que acontece no Brasil. Vou enfatizar algumas. Primeiro, fizemos baixos investimentos em infraestrutura. Mesmo para um país que investe pouco, deveríamos ter investido mais em infraestrutura. Temos um sistema de impostos complicado, não é isonômico, faz a vida das empresas muito difícil. Temos um ambiente legal e regulatório complicado. Mas as três razões em que podemos agir no curto prazo são: primeiro, integrar o Brasil mais na economia global. Nossa falta de integração baixa a produtividade. Segundo, temos uma tradição de legislação que dificulta a competição, porque favorece as firmas estabelecidas. Terceiro, não temos uma política adequada de incentivo à inovação.

Valor:Qual é o efeito da falta de abertura?

Scheinkman: Nossas empresas não têm acesso a insumos mais baratos e melhores. Além disso, a falta de contato com o resto do mundo faz as nossas empresas terem menos know-how. Em grande medida o conhecimento que as empresas adquirem vem do comércio. Ou porque compram máquinas sofisticadas, que têm uma nova tecnologia, ou porque, no contato de importar e exportar, aprendem novos modos de trabalhar. As firmas ligadas ao comércio internacional aumentam sua produtividade através de novas tecnologias e métodos.

Valor:Isso se soma às cadeias globais de produção?

Scheinkman: Estamos ausentes delas. A produção hoje é descentralizada. A Apple faz telefones montados na China, mas com peça coreana, japonesa, design europeu, software americano. Temos uma história de protecionismo. A indústria automobilística é a única “indústria infantil” nascida em 1953. Está na idade da aposentadoria, mas as pessoas continuam com o argumento de proteger essa indústria para aprender como fazer. Na literatura econômica, esse é o argumento da indústria infantil: proteger por um tempo até ela ficar adulta e poder competir. Mas cada vez que se protege a indústria automobilística para fazer caminhão no Brasil, toda uma cadeia produtiva que usa caminhão no Brasil paga por isso.

Valor:E o problema da competição?

Scheinkman: Um exemplo recente é o desastre da chamada política de campeões nacionais, pela qual o Brasil escolhia algumas empresas e tornou muito difícil a outras competir. Os empréstimos do BNDES favoreceram empresas poderosas. É muito difícil abrir uma empresa no Brasil e cumprir as obrigações fiscais. Numa dada indústria, 75% dos ganhos de produtividade vêm da realocação de produção. Se uma só empresa fica mais produtiva, a média de produtividade não aumenta muito. Mas se grande parte do mercado mudar das concorrentes para ela, aí sim a produtividade cresce. As firmas mais produtivas ganham fatia de mercado. Assim a economia se torna mais eficiente.

Valor:No início do ano, economistas argumentavam que o ajuste fiscal anunciado deveria ser modesto em 2015 e estender-se pelos anos seguintes, porque ajuste ambicioso no curto prazo seria inviável e o mercado não faria fé. Hoje, o senhor acha que o planejamento está correto?

Scheinkman: Até agora, praticamente nada foi aprovado do ajuste. Mas uma coisa importante em qualquer política econômica é manter a credibilidade. A consistência entre o que se promete e o que é possível fazer é sempre uma vantagem. Um exemplo: pelo menos desde 2010 o Banco Central promete chegar ao centro da meta de inflação no ano seguinte. Todo ano essa promessa é feita. Como nunca cumpriram, a credibilidade do BC foi diminuída. Isso dificulta qualquer política de controle da inflação.

Valor:Esse foi o caso do ajuste fiscal?

Scheinkman: Logo quando se anunciou o ajuste, economistas apontaram que os números pareciam exagerados. Eu mesmo, em janeiro, achei que chegar a um ajuste tão grande, tão rápido, não era possível. Dizia-se que teria sido melhor propor um ajuste menor e continuado pelos anos. Foi o que o governo acabou fazendo, porque logo depois teve que revisar a meta.

Valor:Voltando à crise política: pode-se estimar o quanto contribui para inibir o investimento e, assim, perenizar a recessão?

Scheinkman: Não tenho como dar números, mas é evidente que a instabilidade política diminui o apetite para investimento, principalmente do investidor estrangeiro. As pautas-bomba também trazem grau de incerteza e tornam mais aguda a recessão. Se forem aprovadas algumas dessas medidas, a crise fiscal do governo fica ainda mais difícil. E ninguém vai querer investir numa economia que tem risco de crise fiscal no futuro próximo.

Valor:Um motor dos gastos nos últimos anos foram a Copa do Mundo e a Olimpíada. Esses eventos são mais prejudiciais ou benéficos?

Scheinkman: Estudos mostram que, em muitos países e muitas cidades, os gastos desses eventos, em particular os estádios, não se pagam, mesmo levando em consideração os efeitos colaterais. Mas fizemos ainda pior. Por exemplo, o estádio em Manaus. No ano passado houve poucos eventos lá. Nunca vai conseguir arrecadar algo compatível com o custo. Foi um desperdício grande. Como sou carioca, quero falar da Olimpíada: para mim, a grande pena é que ela teria valido a pena por si só se tivéssemos conseguido limpar a baía de Guanabara. O Rio tem toda uma região, ao norte, com infraestrutura, e com a baía limpa teria valorização enorme. Em vez disso, fizemos mais investimento na Barra da Tijuca.

Valor:Cujas lagoas estão poluídas…

Scheinkman: E também é uma maneira estúpida de expandir a cidade. Seria mais vantajoso fazer como Nova York, que recuperou o Brooklyn. É uma área enorme, que tinha uma infraestrutura muito boa. Só com intervenções ecológicas e melhoras na segurança se tornou uma área muito atrativa.

“O Brasil tem crescido pouco há quase quatro décadas. Nossa produtividade cresce menos até do que a dos países avançados”

Valor:Há um projeto para a zona portuária.

Scheinkman: É muito pouco. O mais importante que se pode fazer no Rio é limpar a baía. Imagine morar na Ilha do Governador com a baía limpa, como ia ser agradável! Toda a Zona Norte. A zona portuária é uma área pequena. A limpeza da baía teria efeito sobre área enorme.

Valor:A economia urbana é um dos seus temas principais. Como vê as cidades brasileiras?

Scheinkman: São cidades difíceis. Privilegiamos o transporte individual, temos transporte público de má qualidade. As pessoas dão preferência ao carro. Houve abandono de áreas que poderiam ser preservadas ou restauradas, favorecendo que as pessoas morem cada vez mais longe do centro e percam tempo no transporte. As cidades brasileiras têm que ser repensadas. Não precisamos inventar muito. Várias cidades conseguiram melhorar com intervenções ecológicas. E é preciso repensar o transporte urbano, investindo em transporte público. Isso tem que ser combinado com medidas de diminuição do uso do automóvel. Até há pouco, as construções eram obrigadas a ter número mínimo de vagas. Em Nova York, têm um número máximo! Para desencorajar as pessoas de ter carro. A terceira coisa é a segurança.

Valor:O bônus demográfico está passando e crescemos abaixo do que podíamos. Vamos cair na armadilha da renda média?

Scheinkman: Em 2002, já se falava muito no bônus demográfico, quando a força de trabalho cresceu mais rapidamente do que a população. Mede-se a renda per capita, mas quem produz é o trabalhador. Foi uma oportunidade perdida no sentido de que poderíamos ter crescido mais do que crescemos. Mas são coisas que não podemos mais mudar. Estamos no fim do bônus demográfico, mas isso em si não nos condena a ser uma economia de tamanho médio. É por isso que insisto no tema da produtividade. Mesmo levando em conta a falta do bônus demográfico, poderíamos ter um crescimento muito mais alto.

Valor:Em que medida a atual desvalorização do real ajuda na recuperação da economia, para além de seus efeitos sobre os custos?

Scheinkman: É sempre muito difícil determinar se o câmbio desvalorizou o suficiente ou demais. Em termos de comércio internacional, o Brasil tem outros problemas além da taxa de câmbio. Obviamente uma taxa adequada de câmbio é melhor, mas não é o que vai nos transformar num país que se beneficia do comércio mundial. Para isso, precisamos de mudanças na lei e na mentalidade.

Valor:Desde 2013, o Brasil se tornou um país mais agitado. Como o senhor, que mora em outro país, vê esse momento?

Scheinkman: Houve aumento da rispidez da discussão política no Brasil, mas acho que não é só um fenômeno brasileiro. A internet, entre outras coisas, favorece um certo discurso bastante ríspido. Há quase uma estética da rispidez. Nos EUA, houve certo acirramento das discussões políticas também. Por exemplo, com o Tea Party. O Brasil está passando por um processo importante. Há razões concretas para frustração no Brasil. O que se está descobrindo sobre a corrupção, por exemplo, leva a população a frustrar-se com o governo e a política.

Valor:O senhor mencionou motivos de otimismo para o Brasil. Quais seriam?

Scheinkman: Falei da baixa produtividade, mas há setores que conseguiram resultados importantes. Um é o agronegócio. O crescimento da produtividade agrícola é maior do que em praticamente qualquer país nas últimas décadas. Como conseguimos isso? Teve a Embrapa, iniciativa governamental para criar tecnologia adequada para a agricultura brasileira. Criaram laboratórios, programas com universidades, e deram a tecnologia para todo mundo usar.

Valor:Alguns economistas afirmam que as causas da crise de 2008 foram apenas contornadas e que, em breve, o mundo vai mergulhar em nova recessão. O senhor concorda?

Scheinkman: A recessão de 2008 foi muito causada pela bolha. Quando estourou, todo o sistema financeiro, nos EUA e na Europa, estava comprometido. É difícil uma economia sofisticada crescer se o sistema financeiro entra em colapso. O estouro da bolha desestruturou o sistema financeiro dos países avançados. Hoje, o mundo está crescendo pouco. A Europa tem problemas graves. Os EUA crescem, mas a uma taxa menor que no pré-2007. Muita gente diz que é o novo normal. O bom da economia americana é que continua sendo muito inovadora. Em 2007, grande parte da indústria de telefonia celular estava na Europa e na Ásia: Nokia, Eriksson, Sony. Hoje, toda a parte que tem valor adicionado, dos softwares, está em empresas americanas: Google e Apple.

Valor Econômico – 06/11/2015

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Relator eleva receita para 2016, mas sem CPMF

O relator das receitas do Orçamento de 2016, senador Acir Gurgacz (PDT-RO), apresentou ontem seu parecer, no qual aumenta em R$ 38,9 bilhões a estimativa de arrecadação em relação aos R$ 1,401 trilhão anteriormente encaminhados pelo governo.

O montante, no entanto, não será suficiente para cobrir o rombo nas contas. Segundo técnicos da Comissão de Orçamento (CMO), o Executivo requisitava aumento da previsão de receita da ordem de R$ 47 bilhões, já líquidos das transferências para Estados e municípios, além de redução de despesas de R$ 26 bilhões em 2016. Da ampliação de receitas apresentada por Gurgacz, no entanto, R$ 7,6 bilhões serão repassados a Estados e municípios por transferência constitucional, ficando para a União acréscimo de R$ 31,3 bilhões de receita líquida.

O relator não contabilizou em seu parecer recursos que poderiam vir com a aprovação da volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), com a qual o governo espera arrecadar R$ 32 bilhões. Tampouco previu um aumento da Cide sobre combustíveis, defendida pelo relator-geral do Orçamento, deputado Ricardo Barros (PP-PR), que traria mais R$ 12 bilhões para os cofres públicos, com elevação da contribuição em R$ 0,10. A retenção de recursos repassados ao Sistema S, que poderia render mais R$ 8 bilhões, foi levantada pelo governo, mas como a mudança jamais foi encaminhada, Gurgacz não agregou a previsão ao relatório.

“O governo queria R$ 47 bilhões e demos R$ 38,9 bilhões. Conseguimos avançar um pouco sem aumentar imposto”, disse o relator. A contrariedade de boa parte dos parlamentares à criação ou aumento de impostos foi levada em consideração. “A CPMF não acatamos, não só porque somos contra, mas porque não foi votada. E aumento da Cide vai gerar inflação. É preciso um freio de arrumação sem aumentar impostos.”

A nova receita bruta para 2016, de R$ 1,44 trilhão, leva em conta arrecadação de R$ 11,1 bilhões de impostos e multas, recursos que podem entrar com a aprovação do projeto que legaliza recursos mantidos no exterior. Essa receita era aguardada para este ano, mas o projeto ainda não foi aprovado. Outros R$ 12,5 bilhões virão de concessões, sendo R$ 1,5 bilhão em licitações de portos e aeroportos e R$ 11 bilhões de leilões de hidrelétricas, que não ocorrerão mais este ano, além de R$ 2,3 bilhões da venda de ativos da Caixa-Seguridade.

A alienação de imóveis rurais na Amazônia Legal e urbanos em todo o país, previstos em emendas à MP 691, renderá mais R$ 10 bilhões aos cofres do governo. O restante se refere à variação de impostos. Gurgacz também diminuiu a perspectiva de crescimento para 2016, apontando retração em 1% do PIB. A previsão original era de crescimento de 0,20% do PIB.

Valor Econômico – 06/11/2015

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Centrais sindicais vão se reunir para discutir propostas para enfrentar a crise econômica

As seis centrais sindicais reconhecidas, incluindo Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Força Sindical, realizarão plenária conjunta na segunda-feira para discutir uma proposta de saída para a crise econômica. É a primeira vez que isso acontece e, de acordo com Clemente Ganz Lúcio, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a principal preocupação é o impacto da Operação Lava-Jato sobre empresas e emprego.

Segundo o economista, ainda “falta institucionalidade “aos órgãos envolvidos nas investigações de corrupção no Brasil para lidar com instrumentos como os acordos de leniência, o que coloca em risco mais empregos. Por isso, embora haja preocupação com a situação de toda a indústria, as centrais devem dar prioridade aos setores de petróleo e gás, naval e construção civil.

“A ideia é atuar em duas frentes: na mobilização dos trabalhadores e na construção de acordos com o empresariado. A percepção das centrais é que não temos chances se não construirmos uma aliança mais ampla”, disse Ganz Lúcio, que participou de debate sobre novas e velhas políticas industriais e de inovação, durante o seminário Desenvolvimento Produtivo e Inovativo, promovido pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Para o economista, o movimento sindical errou nos últimos anos ao não colocar na pauta de discussão com o governo e o empresariado a necessidade de uma política industrial que permitisse ao país ingressar na nova fase da indústria, marcada pela inovação. Empresários e trabalhadores se acostumaram, segundo ele, a buscar soluções junto ao governo. “Uma estratégia de desenvolvimento industrial não pode ser a soma das nossas demandas corporativas e empresariais”, disse.

“Esperamos que essa possibilidade de aliança possa encontrar no governo ambiente para construir uma política. Precisamos avançar na cultura política de pactuação e construção de acordos. Há resistência no setor sindical, mas a maior resistência ainda é no setor patronal”, afirmou Ganz Lúcio.

Outros participantes do seminário manifestaram preocupação com os efeitos da Lava-Jato sobre a política industrial. O economista José Eduardo Cassiolato, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), criticou o que chamou de “criminalização” do esforço de internacionalização de empresas brasileiras.

David Kupfer, também economista da UFRJ, avalia que falta legitimidade, no atual momento do país, para que o setor industrial tenha qualquer tipo de ativismo. “Estamos em um momento muito difícil, com uma política macro hostil e uma política industrial inexistente. A política industrial brasileira está destroçada. Nenhuma decisão é capaz de se legitimar”, disse.

Valor Econômico – 06/11/2015

Redação On novembro - 6 - 2015
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