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Viciados em juros – 03/11/2015 – Benjamin Steinbruch – Colunistas

Leandro Narloch

Na semana passada, ficamos sabendo que o deficit fiscal brasileiro neste ano é um número que pode variar de R$ 50 bilhões a R$ 118 bilhões, dependendo de concessões de hidrelétricas e de como será encarado o problema das pedaladas fiscais.

Ficamos todos horrorizados com esses números. Afinal, são muito altos e indicam que o governo vai gastar muito mais do que deve arrecadar no atual exercício. Esse deficit é aquele que os economistas chamam de “primário” e decorre de atuação ineficiente e/ou irresponsável na administração dos recursos públicos.

Há, porém, outro deficit, muito maior, com previsão de atingir R$ 350 bilhões neste ano. É aquele que advém das despesas financeiras do setor público, ou seja, do custo da dívida pública de R$ 2,7 trilhões.

O curioso é que não se vê ninguém -ou quase ninguém- horrorizado com esse deficit financeiro monumental. Mais curioso é que esse rombo financeiro não se dá porque a dívida pública é exorbitante.

Ela é elevada, mas, girando em torno de 65% do PIB, parece até moderada quando comparada com as de outros países muito respeitados, como Estados Unidos e Japão, que devem 80% e 125% do PIB, respectivamente.

Lá nesses países, a dívida elevada não incomoda tanto por uma razão simples: os juros pagos para carregá-la giram em torno de 1% ao ano. Aqui, nossa taxa é superior a 14% ao ano.

Toma-se como líquido e certo que essa taxa, uma jabuticaba genuinamente nacional, é a mais apropriada para o Brasil, ainda que nenhum país adote hoje algo parecido, ainda que ela não esteja tendo o efeito desejado para conter a inflação, ainda que abra um buraco nas contas públicas até sete vezes maior do que o deficit fiscal.

Discutem-se cortes nos programas sociais que socorrem as populações mais pobres do país —querem tirar R$ 10 bilhões do programa Bolsa Família do ano que vem—, mas não se discutem cortes de juros, aumento de crédito e outras medidas para retirar barreiras ao consumo e ao crescimento da economia.

O país está viciado em juros. Os cartões de crédito cobram inacreditáveis 414% ao ano, taxa que foi motivo de chacota no jornal “The New York Times”. Os bancos, 264% ao ano no cheque especial e até 27% ao ano no crédito consignado, que concedem com risco zero. Lojas oferecem compras com parcelamento em cinco vezes, sem acréscimo no discurso, mas naturalmente com juros embutidos.

Estamos cercados de juros por todos os lados. Quem perde e quem ganha com isso? Perdem todas as pessoas, sejam elas físicas ou jurídicas, que pagam impostos para sustentar os deficit financeiro e fiscal bilionários.

Perdem também as empresas dos setores produtivos, atingidas pelos custos exorbitantes do crédito e pela retração do consumo.

Ganham os que vivem de renda e, naturalmente, o setor financeiro. Basta observar os resultados do terceiro trimestre que os bancos começaram a publicar na semana passada, com lucros invejáveis. Já o setor produtivo, em especial a indústria, amarga prejuízos.

O país precisa entrar em uma clínica de recuperação para se livrar da intoxicação de juros. Enquanto não superar esse problema, dificilmente vai tomar um rumo sustentável de crescimento econômico, que possa criar empregos e oferecer oportunidades de uma vida saudável para os brasileiros. É uma pena.

Folha São Paulo – 03/11/2015

 

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Governo faz acordo com indústria e desiste de MP do ajuste

A ideia é que o Sistema S se torne o responsável pelo desembolso dos recursos por meio de convênio a serem assinados pelo governo federal e as confederações.O governo deve ceder às pressões das entidades que formam o chamado Sistema S (como Sesi, Sesc e Senac) voltando atrás em uma das medidas anunciadas no último pacote de medidas do ajuste fiscal.

O Palácio do Planalto espera finalizar nesta semana as conversas com as entidades ligadas ao sistema para selar o acordo no qual essas instituições passam a assumir despesas da ordem de R$ 5 bilhões referentes a programas que até agora eram subsidiados pelo governo federal.

A ideia é que o Sistema S se torne o responsável pelo desembolso desses recursos por meio de convênio a serem assinados pelo governo federal e as confederações. Os recursos são aplicados em programas como o de ensino técnico, o Pronatec, e na área de saúde, por exemplo. O processo de negociação está sendo conduzido pela Casa Civil.

O governo pretendia encaminhar medida provisória ao Congresso estabelecendo que cerca de 30% do que é recolhido para o Sistema S – aproximadamente R$ 6 bilhões – seria redirecionado para a Previdência. Esses recursos subsidiavam programas do Sesi, Sesc e Senac.

Para evitar polêmicas e problemas na aprovação da medida provisória, o governo preferiu fazer uma espécie de acordo com as confederações para que os projetos não sejam prejudicados e o governo não tenha de continuar responsável por esses desembolsos, já que está com problemas de caixa e promovendo ajuste fiscal.

Colaboração

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, disse que a ideia de enviar uma medida provisória ao Congresso Nacional está afastada. “O Sistema S vai colaborar com o ajuste fiscal no sentido de oferecer com os seus orçamentos uma contribuição ao governo que se daria assumindo programas que estão dentro do orçamento público e ações que compatibilizam com que ele faz”, afirmou.

“Esse acordo vai implicar em atender os mesmos objetivos que o governo pretendia que é contar com os recursos do sistema neste momento difícil do ajuste fiscal do País”, completou o ministro, que já foi presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Esse alívio, disse Monteiro, acontece porque o governo terá as despesas orçamentárias com os programas reduzidas e repassadas em parte para as entidades. “A negociação foi concluída de maneira satisfatória”, afirmou. A negociação foi conduzida pelo presidente da CNI, Robson Andrade.

Fonte: AE

 

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Ajuste fiscal pode reduzir PIB do Brasil no futuro, diz Nobel de economia

O ajuste fiscal no Brasil pode levar a um desempenho econômico mais fraco no futuro, afirma o Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz. Para ele, a prioridade do governo deve ser reduzir a inflação —e, como consequência, os juros, que prejudicam os investimentos.

Autor do ensaio “Do 1%, pelo 1%, para o 1%”, que inspirou o movimento Occupy Wall Street, o economista ajudou a trazer a desigualdade para o centro do debate mundial. E defende que cortar os programas sociais no Brasil como parte do ajuste seria um erro.

Contrário a políticas de austeridade adotadas em todo o mundo, Stiglitz defende iniciativas como o Banco dos Brics para estimular investimentos e a economia global. Ele afirma ainda que os Estados Unidos devem apoiar essas instituições e aceitar, finalmente, que não serão mais o poder econômico dominante no cenário mundial.

Stiglitz participa nesta quarta (4) do ciclo de conferências Fronteiras do Pensamento, em São Paulo.

*

Folha – O senhor é um crítico feroz da austeridade na zona do euro e, especialmente, na Grécia. Mas quando o Syriza [o partido de esquerda] tentou mudar as regras do jogo, o tiro parece ter saído pela culatra. O que poderia ter sido feito?

Joseph Stiglitz – O [primeiro-ministro grego] Alexis Tsipras fez uma avaliação política de que era melhor permanecer em depressão econômica e se submeter às políticas de austeridade do que sair da zona do euro, ainda a maioria da população desaprovasse as medidas.

Como economista, eu acho eles deveriam ter saído do euro —e há vários colegas que concordam comigo. Era possível fazê-lo, não sem um grau de agitação, e isso teria tirado o país da recessão atual.

Se a Grécia tivesse rejeitado a austeridade e se concentrado em políticas voltadas ao crescimento econômico, o país estaria melhor agora?

Com certeza, mas eles não tiveram essa escolha. A Grécia, por si só, não podia fazer nada, e a Europa não ajudou o país a ter qualquer tipo de política para o crescimento. O resultado é a depressão econômica em que estão, basicamente, desde 2010.

A Europa está condenada pelos próximos anos?

Sim. Se as demandas da Alemanha por austeridade continuarem —e tudo aponta para isso—, a recessão também continuará. O que me surpreende é que o [ministro das Finanças alemão, Wolfgang] Schäuble veio a Columbia e disse, basicamente, que temos de nos acostumar com o baixo crescimento, esse é o novo mundo.

Não há nenhuma razão para isso, exceto as políticas impostas por eles. Não há natureza herdada, não é uma consequência inevitável da forma como o mundo foi constituído. São as políticas que a Alemanha e os EUA estão implementando.

Há chances de mudança?

Bom, nos Estados Unidos há uma paralisação no Congresso. E se o Partido Republicano mantiver o controle da Câmara dos Deputados após as eleições de 2016, vamos continuar paralisados e com austeridade moderada.

A Europa vai continuar em austeridade, mesmo que reduzida, e a China vai desacelerar. Para onde quer que olhemos, veremos crescimento lento. Há quem acredite que 2016 pode ser melhor, mas não vejo fundamento para esse tipo de otimismo.

Iniciativas de financiamento de países emergentes, como o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura [AIIB] e o Banco dos Brics, pode melhorar o cenário global, por meio de novos investimentos?

Eu estou bastante animado com essas iniciativas. Elas são uma forma de utilizar parte das reservas desses países para investir em infraestrutura na Ásia, na África e em outros emergentes e acho que vão contribuir. Mas a escala é muito pequena para trazer de volta o crescimento global.

Os Estados Unidos não parecem tão animados…

Eu fiquei bastante desapontado quando os Estados Unidos tentaram se opor ao AIIB, foi um erro geopolítico de enorme magnitude. Os EUA têm tido muita dificuldade de aceitar que não serão mais o poder econômico dominante —eles ainda serão o poder militar, mas mesmo essa influência é limitada.

Infelizmente, o presidente Barack Obama e os políticos republicanos estão achando difícil aceitar essa nova realidade geopolítica. Em vez de reagir de forma construtiva, estão lidando com isso de maneira bastante improdutiva. O TTP [Tratado Transpacífico] é outro exemplo disso.

Por que o TTP?

Porque ele é um acordo comercial bastante ruim. E, para promovê-lo, o presidente defendeu que os EUA precisam escrever as regras da economia global, não a China. Isso está errado.

As regras estão sendo escritas pelas grandes corporações americanas para si próprias, não para a população dos EUA ou de outros países do Tratado. E a China, como o maior consumidor global, tem que ser ouvida, e será. A ideia de que eles não terão voz é absurda.

O sr. defende que os EUA se preocupam demais com o deficit do governo. Isso se aplica a outras economias?

É diferente para cada país e cada situação econômica. Nos EUA, é possível fazer empréstimos com juros reais negativos, e nós temos uma necessidade enorme de investimentos em infraestrutura e tecnologia. Com a economia fraca, é um erro não investir.

No caso de outros países, acredito que se você pode pegar empréstimos e investir com retorno maior que os custos do capital, deveria fazer isso. Há um fetiche excessivo em torno do deficit. Quando você pensa em um país como uma empresa, você quer olhar para o balanço: a dívida, o passivo e os bens.

O governo brasileiro prevê neste ano um deficit primário de R$ 52 bilhões. No caso do país, considerando que temos uma das mais altas taxas de juros do mundo e uma retração de 3% projetada para 2015, o deficit é preocupante?

Há algo bastante peculiar sobre o Brasil: o fato de o país ter juros tão altos. Isso mostra que o setor financeiro não está funcionando como deveria. Quando você pega dinheiro emprestado com um juro tão alto, obviamente a dívida cresce muito rápido.

Quando o governo tentou baixar os juros, que chegaram a 7,25% ao ano em 2012, a inflação voltou a ficar acima da meta.

Sim, tem algo especial sobre o processo inflacionário no Brasil e isso pode requerer uma cooperação maior entre trabalhadores e empresas, alguns acordos de congelamento de preços e salários, para quebrar o ciclo inflacionário. O Brasil está pagando um preço muito alto por isso, um ciclo bastante incomum entre os países emergentes.

Dados os efeitos contracionistas, o sr. acredita que o ajuste fiscal é a melhor solução para a crise brasileira?

Muito provavelmente não, porque o país já está passando por uma recessão e a austeridade vai piorar isso. Essas políticas irão, muito provavelmente, reduzir ainda mais o crescimento econômico.

E o que mais me preocupa é que uma recessão afeta não só o resultado hoje, mas tende a levar a um crescimento fraco no futuro, porque você não está investindo no capital humano, em novas tecnologias. Por isso, os efeitos são de longo prazo.

Se o Brasil conseguisse baixar a inflação, seria possível ter uma taxa de juros menor e isso permitiria crescer mais rápido. Além disso, se o governo precisar tomar dinheiro emprestado, o peso da dívida não será tão grande.

O governo considera cortar recursos gastos com programas sociais como parte do ajuste. É uma boa ideia?

Cortar programas sociais no meio de uma recessão é particularmente preocupante, porque os beneficiados são também as pessoas que serão mais afetadas. Uma das conquistas do Brasil, de que se fala em todo o mundo, é o sucesso na redução da pobreza e da desigualdade nos últimos 20 anos. Se você corta programas sociais, está prejudicando isso.

O Federal Reserve [o banco central dos EUA] sinalizou que poder elevar os juros em dezembro. É a hora de fazê-lo?

Há um amplo consenso de que a economia americana não está tão forte. O melhor sintoma de um mercado fraco é o que está acontecendo com a renda, que estagnou. E não há pressões inflacionárias, então é bastante difícil que só esse cenário justifique um aumento nos juros. Além disso, pesa a situação da economia global.

Agora, acho que eles podem, sim, elevar os juros em dezembro. Se o fizerem, vão parar em seguida, sem novo aumento, porque a economia não vai estar em boa forma. E não vejo no horizonte nada que possa trazê-la de volta a um cenário mais normal.

O senhor defende que a atuação do Fed contribui para o aumento da desigualdade nos EUA. Como isso acontece?

O Fed contribuiu para a desigualdade, historicamente, por concentrar sua atuação na inflação, e não no desemprego. Isso fez com que a autoridade monetária aumentasse os juros sempre que os salários começassem a subir.

Você tem o chamado efeito catraca: quando entra em recessão, os salários não acompanham a inflação e a renda real cai. Assim que eles começam a recuperar, o Fed aumenta os juros. E esse efeito é parte de um processo pelo qual a renda real não acompanha o crescimento da produtividade, e isso tem papel importante no aumento da desigualdade.

Além disso, quando você tem juros muito baixos, as empresas investem mais em tecnologias de capital intensivo [baseadas no uso de máquinas e na automação], substituindo trabalhadores de baixa renda. E o resultado disso no médio prazo é uma retomada sem empregos.

O também Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman disse à Folha que a mudança climática é o problema mais grave da atualidade, não a desigualdade. O sr. concorda?

Concordo com o Paul, porque a mudança climática pode destruir a viabilidade de todo o sistema global. É uma questão existencial, a nossa existência está ameaçada, e acho que as duas coisas estão bastante conectadas. Os mais pobres serão os mais afetados pelo aquecimento global. Dito isso, os dois problemas são terríveis e não há razão para que não consigamos lidar com os dois.

Do ponto de vista econômico, o que pode ser feito para lidar com aquecimento global?

Para mim, a melhor abordagem é impor um preço para o carbono. Há um custo social quando você emite carbono. Façamos, então, com que governos, empresas e famílias que contribuem para essas emissões paguem pelo custo social de suas ações. Eu tenho alguma confiança no mercado, e acredito que quando as pessoas se depararem com os custos, vão reagir emitindo menos.

No curto prazo, é preciso acelerar o processo. Sou a favor de proibir novas usinas que utilizem carvão, acho que devem ser totalmente banidas ao redor do mundo. E também deve-se expandir as pesquisas para energias renováveis.

*
RAIO-X
Joseph Stiglitz

ORIGEM
Nasceu nos Estados Unidos em 9 de fevereiro de 1943

FORMAÇÃO
Formado pela Faculdade Amherst (EUA) e PhD em Economia pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts)

CARREIRA
É professor da Universidade Columbia, em Nova York (EUA), e foi economista-chefe do Banco Mundial entre 1997 e 2000; recebeu o Prêmio Nobel de Economia em 2001

Folha de S.Paulo – 03/11/2015
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Projeção para taxa de juros em 2016 é mantida mas estimativa de inflação sobe a 6,29%

SÃO PAULO (Reuters) – A expectativa para a política monetária brasileira ao fim de 2016 foi mantida mas o cenário de especialistas para a inflação neste ano e no próximo voltou a se deteriorar após o Banco Central piorar sua previsão para a alta dos preços e elevar o tom sobre sua vigilância.

A pesquisa semanal Focus do Banco Central mostrou nesta terça-feira que a projeção para a taxa básica de juros no fim de 2016 permanece em 13 por cento e, para o fim de deste ano, continua no atual patamar de 14,25 por cento.

O BC piorou na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sua previsão para a inflação neste ano e no próximo e afirmou que permanecerá vigilante “independentemente do contorno das demais políticas”, imprimindo algum viés de alta para eventualmente elevar os juros básicos mais à frente.

Nesse sentido, o levantamento com uma centena de especialistas mostrou piora no cenário para a inflação, com expectativa agora de alta de 6,29 por cento do IPCA ao fim de 2016, 0,07 ponto percentual a mais do que na semana anterior. A meta para o próximo ano é de 4,5 por cento, com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

A alta dos preços administrados no ano que vem agora é projetada em 6,75 por cento, ante 6,60 por cento anteriormente.

Em relação a 2015, a piora na expectativa de alta do IPCA foi de 0,06 ponto percentual, a 9,91 por cento, na sétima semana seguida de alta. Nesse período, o avanço dos administrados deve chegar a 16,5 por cento, contra 16,11 por cento anteriormente.

As projeções para a economia também continuaram se deteriorando, com o cenário de recessão se fortalecendo diante das turbulências políticas, piora da situação fiscal e confiança fortemente abalada.

O Focus mostrou que a projeção para a contração do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano passou a 3,05 por cento, contra recuo de 3,02 por cento na semana anterior.

Sobre 2016, a pesquisa apontou retração de 1,51 por cento, contra queda de 1,43 por cento previamente. As estimativas para a produção industrial no ano que vem também pioraram, com contração projetada agora de 2 por cento, contra recuo de 1,5 por cento antes.

(Por Camila Moreira)

Uol – 03/11/2015

 

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Mercado prevê inflação maior e recessão mais profunda em 2015

SÃO PAULO  –  Analistas do mercado financeiro continuam a piorar as estimativas de inflação e atividade para o biênio 2015-2016, de acordo com o boletim Focus, do Banco Central (BC).

A mediana das projeções para o aumento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano subiu, pela sétima semana, de 9,85% para 9,91%. Para 2016, avançou de 6,22% para 6,29%. Em 12 meses, houve uma ligeira desaceleração, de 6,50% para 6,47%.

No caso do IPCA de outubro, que será divulgado nesta semana pelo IBGE, foi previsto uma elevação de 0,79%.

Apesar de esperarem uma inflação mais alta, os analistas não mexeram nas expectativas para o juro básico da economia. As projeções para a Selic ao fim deste ano e do próximo ficaram em 14,25% e 13%, respectivamente.

Entre os analistas Top 5, os que mais acertam as previsões, as estimativas para o IPCA estão mais altas que as do mercado em geral e eles também mantiveram suas projeções de Selic. Para o IPCA deste ano, a expectativa é de aumento de 10,03%, em vez de 9,95%, e, para o próximo, de 7,33%, em lugar de 7,30%. A Selic seguiu em 14,25% e 12,75%, nesta ordem.

Entre os fatores que influenciam a inflação, o Focus mostra uma nova deterioração nas estimativas para os preços administrados em 2015, indo de alta de 16,11% para 16,5%, e no próximo calendário, saindo de 6,6% para 6,75% de incremento. Ficaram estáveis as projeções para o dólar ao fim de ambos os anos, em R$ 4 e R$ 4,20.

Quanto à atividade, a projeção para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) saiu de queda de 3,02% para recuo de 3,05% neste ano (16ª revisão para baixo) e de contração de 1,43% para declínio de 1,51% no próximo exercício. A produção industrial deve se retrair 7% em 2015, mesma estimativa contemplada anteriormente. Em 2016, a queda deve se situar em 2%. Antes, o prognóstico era de recuo de 1,5%.

Valor Econômico – 03/11/2015

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‘O começo do ano que vem vai ser muito difícil’

Silvia Matos, coordenadora técnica do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), diz que o País está em recessão desde o segundo trimestre do ano passado. Para ela, o Brasil só vai se livrar desse ciclo no ano que vem.

Qual a expectativa para a economia brasileira no ano que vem?
Fizemos uma grande revisão nos números do boletim de setembro. Saíram dados de confiança que mostraram uma piora da economia. E revisamos a projeção do PIB para uma recessão de 3%. O nosso número era um pouco melhor, uma queda de 2,6%. A gente acha que o começo do ano que vem vai ser muito difícil, assim como o ano como todo, mesmo pensando num cenário um pouco melhor no segundo semestre. Isso faz com que o PIB continue bem negativo. A nossa projeção é de uma queda de 2,1%.

Qual é o tamanho da atual recessão?
O dado do Codace (Comitê de Datação de Ciclos Econômicos) é impressionante. É uma recessão que dura desde o segundo trimestre do ano passado e, pelo nosso dado, vai até o ano que vem. O que a gente consegue avaliar da economia é que haverá uma contração média de 0,2% por trimestre ao longo do ano que vem.

Qual a consequência desse cenário?
São três anos ruins com uma estagnação em 2014, uma queda de 3% em 2015 e um provável recuo de 2% em 2016. Essa extensão é muito importante, um cenário muito complicado.

Quais as causas dessa desaceleração?
As pessoas colocam a culpa (da desaceleração) na Lava Jato, mas as coisas são muito mais complexas. É claro que a Lava Jato pode ter antecipado um pouco o movimento, mas a construção civil já vinha piorando. A desaceleração já estava contratada. A questão é que poderia se criar um período positivo de esperança se houvesse um governo com menos dificuldade de assumir mudanças.

O Estado de S.Paulo – 03/11/2015

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IPC-S acelera para 0,76% no fechamento de outubro

SÃO PAULO  –  Pressionada principalmente por itens administrados como gasolina, passagem de ônibus, gás e eletricidade, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) acelerou para 0,76% no fim de outubro, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV). Na terceira prévia do antepenúltimo mês de 2015, o indicador tinha avançado 0,67%. No fechamento de setembro, o IPC-S subiu bem menos, 0,42%. Com o resultado, o indicador acumula alta de 8,48% no ano e de 10,01% em 12 meses.

Sete das oito classes de despesa que compõem o IPC-S registraram taxas maiores, com destaque para Transportes (1,57% para 1,92% da terceira para a quarta quadrissemana), especialmente pressionado pela alta da gasolina, de 3,15% para 5,27%. Ainda neste grupo, o etanol subiu de 6,44% para 9,21%. A tarifa de ônibus urbano desacelerou de 2,70% para 1,67%, mas ainda continuou entre os itens que mais pressionaram o indicador.

Em Habitação (0,68% para 0,73%), houve alta na tarifa de eletricidade (0,77% para 1,13%) e em eletrodomésticos e equipamentos (0,19% para 0,70%). A elevação em gás de bujão abrandou de 10,15% para 6,60%, mas também liderou as pressões de alta no IPC-S.

Subiram mais ainda entre a terceira e a última medição de outubro os grupos Saúde e cuidados pessoais (0,54% para 0,65%), Alimentação (0,46% para 0,47%), Despesas diversas (0,07% para 0,15%), Educação, leitura e recreação (0,23% para 0,28%) e Comunicação (0,18% para 0,21%). Neles, sobressaíram os itens artigos de higiene e cuidado pessoal (0,17% para 0,68%), hortaliças e legumes (-10,91% para -10,13%), clínica veterinária (0,20% para 0,98%), salas de espetáculo (0,33% para 1,30%) e tarifa de telefone móvel (0,11% para 0,32%), respectivamente.

Exceção, Vestuário verificou redução no ritmo de alta entre uma pesquisa e outra, indo de 0,59% para 0,43%, por conta do item roupas, que passou de 0,62% para 0,44%.

O IPC-S mede a inflação semanalmente em sete capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Porto Alegre e Brasília.

Valor Econômico – 03/11/2015

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PIB per capita poderá ficar congelado por uma década

O padrão de vida do brasileiro corre risco de congelar ao longo desta década. Após recuar 0,7% em 2014, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita deve cair 3,5% em 2015, com nova queda esperada para 2016. Diante da forte desvalorização do real, já era esperado um recuo do produto per capita em dólares. Com a piora expressiva das expectativas para a atividade econômica neste ano e no próximo, porém, a população ficará mais pobre em reais mesmo e ainda terá que lidar com uma renda per capita estagnada até o fim da década.

Em 2020, o PIB per capita brasileiro estará nos níveis registrados em 2010, prevê Armando Castelar, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV). Segundo ele, tendo como base uma expectativa de queda de 3% para o PIB em 2015, de 2,1% em 2016 e esperando que o PIB volte a subir ao redor de 1% entre 2017 e 2020, é possível que o per capita encerre a década no zero a zero. “É uma década perdida em termos de padrão de vida”, lamenta.

Jorge Arbache, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), espera uma baixa ainda maior para o PIB per capita em 2015, de 3,8%, seguida de recuos de 2,5% em 2016 e de 0,4% em 2017. A volta para o terreno positivo ocorrerá apenas em 2018, em sua avaliação, período em que o per capita terá leve alta de 0,1%.

Mesmo em reais, o caminho para que o PIB per capita volte a mirar um bom avanço não será tarefa simples. Nas contas de Antonio Corrêa de Lacerda, sócio-diretor da ACLacerda Consultores e professor da PUC-SP, quando o per capita brasileiro crescia a uma taxa de 2,8% ao ano – algo que ocorreu de 2003 a 2010 -, havia fôlego para dobrar esse indicador a cada 26 anos. A uma taxa de 1,2% ao ano, como a registrada entre 2011 e 2014, o per capita dobraria em 59 anos. Com as novas projeções, o cenário se complica. “No fundo, é decepcionante”, diz.

Lacerda lembra que, em dólares, considerando a depreciação cambial e queda estimada perto de 3% para o PIB em 2015, o produto per capita deve cair de US$ 11.566 registrado no ano passado para US$ 8.490 – um retorno para níveis próximos aos de 2009. Em um prazo mais longo, também em dólares, o recuo do PIB per capita é ainda mais evidente.

Segundo Lacerda, em 2018 estará próximo de US$ 7.900, ou 12% abaixo do registrado dez anos antes. Para ele, a medida tem mais um efeito estatístico e de comparação, uma vez que a renda do brasileiro não é integralmente gasta em dólares. Sinaliza, contudo, que o caminho para alcançar os países desenvolvidos ficou mais longo.

Dados do Banco Mundial mostram que o Brasil se distancia mesmo de países que parecem enfrentar desafios econômicos ainda mais consideráveis. Em 2014, o per capita brasileiro, de US$ 11.612, era praticamente metade do PIB per capita grego, de US$ 21.682. Mesmo em relação a Portugal (per capita de US$ 22.080), o intervalo era grande. Já o PIB per capita americano, de US$ 54.629, era quase cinco vezes maior que o brasileiro.

O PIB per capita seria uma medida mais próxima dos ganhos de bem-estar da sociedade, já que é usado no cálculo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), junto com a escolaridade e a expectativa de vida. Como o per capita considera a demografia, se o PIB sobe 4% e a população cresce 5%, na verdade os habitantes ficaram mais pobres, independentemente de o país ter crescido. É também por isso que o per capita brasileiro enfrenta momentos tão ruins: as projeções são de queda de PIB no curto prazo, enquanto a população deve continuar crescendo, em média, 0,8% pelo menos até 2020.

Até 2012, diz Arbache, a aceleração do per capita em dólares deixou uma sensação de riqueza que trouxe consigo um estímulo ao consumo. “O salário mínimo em dólares subiu, as pessoas olhavam para os preços nos EUA e viam que estava tudo barato, alguns chegavam a passar um fim de semana na Disney”, brinca. “É claro que havia um problema e parte dele estava associado à valorização do real. Vivemos uma correção disso.”.

Para Lacerda, o quadro atual internacional é desfavorável e, internamente, vários dos instrumentos que foram utilizados para incentivar o mercado doméstico encontram-se esgotados, como a expansão dos gastos públicos e do crédito ao consumidor.

Arbache diz que a contração do PIB per capita é mais complicada em um momento que a economia mundial dá menos espaço para sair da crise. Um aspecto importante, diz ele, é que um per capita em queda acaba repelindo investidores externos ou multinacionais. “Não importa estar menos mal em relação à Venezuela, mas sim em relação à Índia e à Indonésia. Em relação ao grupo que importa, estamos perdendo espaço”, diz.

Segundo Lacerda, a saída para voltar à expansão econômica estaria no setor industrial. “Nesse sentido, o câmbio que joga contra o per capita em dólares e contra o PIB em valores correntes, é favorável ao crescimento no médio e longo prazo”, diz. Já Castelar afirma que os esforços devem se concentrar no investimento e na alta da produtividade. “O nível da atividade está restrito pela falta de confiança”, afirma.

Para Arbache, o desafio em tempos de PIB em alta era como distribuir o crescimento. A política de hoje é pensar o que fazer para mitigar os riscos da contração da economia, tentando preservar algumas políticas do passado, como o combate à miséria e desigualdade. Arbache avalia que o Brasil está próximo de um momento de ruptura, assim como o que antecedeu o fim do período de hiperinflação.

“O regime fiscal está, talvez, jogando sementes para um novo período que vai ser a base para voltar a fazer crescer o PIB per capita”, diz. “Mas muito mais importante do que crescer, é crescer de forma sustentada, com políticas fiscal e monetária coerentes.”

Flávia Lima

Valor Econômico – 03/11/2015

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Conta do PSI seguirá alta, mesmo com acerto de ‘pedalada’

Mesmo que o Ministério da Fazenda resolva zerar as pedaladas relativas ao Programa de Sustentação do Investimento (PSI) junto ao BNDES, essa conta continuará alta em 2016 e nos anos seguintes. Ela já caminha para superar R$ 10 bilhões ao ano e tende a ser crescente.

De acordo com dados do balanço do BNDES, ao longo do primeiro semestre deste ano a equalização de juros relativa aos empréstimos concedidos nos anos anteriores gerou passivo novo do Tesouro junto ao BNDES de R$ 4,369 bilhões. Esses valores novos fizeram com que a conta continuasse alta, apesar dos pagamentos feitos pelo Tesouro relativos aos valores do passado.

O ano de 2015 começou com saldo devedor de equalização de PSI (segundo balanço do BNDES) de R$ 23,9 bilhões. Ao longo do semestre, conta cresceu com R$ 4,369 bilhões de novos gastos com a equalização, mas como o Tesouro pagou R$ 4,5 bilhões ao banco, o saldo devedor no fim do primeiro semestre estava em R$ 24,5 bilhões (a conta também subiu por R$ 766 milhões relativos à atualização monetária). Considerando o total devido pelo Tesouro ao BNDES (não só PSI), a conta no fim do semestre estava em R$ 27,2 bilhões.

O Valor apurou que, em setembro, essa conta, após novos pagamentos do Tesouro (R$ 2,7 bilhões segundo dados do Tesouro) e novas “equalizações”, se manteve em torno de R$ 24 bilhões. Isso porque a conta também cresce pela absorção de novas despesas com equalização, que manterão essa rubrica pressionada em 2016, 2017 e mais alguns anos. Entre 2009 e 2014, o BNDES emprestou R$ 336 bilhões pelo PSI, segundo estatísticas do banco. Esse valor difere dos valores aprovados para serem emprestados com recursos subsidiados (R$ 402 bilhões desde 2009, dos quais R$ 30 bilhões estão sendo requisitados de volta pela Fazenda).

Pela regra aprovada pelo governo, um empréstimo do PSI começa a gerar despesa de equalização para o Tesouro 24 meses após o fechamento do semestre onde o desembolso é realizado. Para um desembolso feito em fevereiro de 2012, por exemplo, o prazo de 24 meses passa a contar no início do segundo semestre de 2012, gerando despesa de equalização no início do segundo semestre de 2014.

O valor é corrigido em TJLP mais 1%, tanto no período entre o desembolso e o fim do semestre quanto ao longo dos 24 meses. Entre outros pontos, no caso do PSI, o Tribunal de Contas da União (TCU) questiona o prazo de no mínimo 24 meses para o início do ressarcimento do Tesouro ao BNDES, que deu origem ao acúmulo da conta.

O BNDES, por sua vez, registra os valores a receber no momento em que recebe o pagamento do empréstimo pelo tomador do recurso, sistemática com a qual o TCU concorda. A Advogacia-Geral da União argumentou, na defesa do governo, que o “o pagamento da equalização deve ser concomitante ao pagamento das prestações pelo mutuário” e que “no caso do PSI, os empréstimos têm prazo de carência que variam de três a 48 meses”. No documento que analisou as contas de 2014, contudo, o TCU ponderou que não é isso que acontece, pois a equalização acaba ocorrendo depois que o contrato de crédito foi pago pelo tomador do empréstimo junto ao BNDES.

Valor Econômico – 03/11/2015

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Inflação e PIB preocupam companhias de capital aberto no País

Pesquisa feita com 70 companhias de capital aberto mostra que a alta da inflação e a recessão são os pontos negativos apontados, enquanto o comportamento das exportações oferece algum alento para atenuar o quadro geral.

O relatório Focus, no Banco Central (BC), aponta inflação anualizada pouco acima de 9%, mas 100% dos respondentes – cujas empresas representam 81% do valor dos negócios listados em Bolsa de Valores – da pesquisa realizada pela realizada pela Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) acreditam em índice superior a este.

“Deverá ser maior que o apontado pelo BC, evoluindo para a casa dos dois dígitos”, comenta Antonio Castro, presidente da Abrasca, acrescentando ainda que o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) “está se mostrando, crescentemente, maior que os números registrados até aqui, apontando para 3% negativos”.

A taxa cambial, na avaliação das empresas consultadas, favorece as exportações fazendo com que predomine a percepção de crescimento. “As exportações atenuam o quadro de crise econômica, certamente, mas na análise da atividade setorial o que preocupa é o nível de aumento de custos de cada setor, com dificuldade de repassar para os preços dos produtos”, observa Castro.

Ao mesmo tempo e diferentemente da reação de alguns setores da economia nacional, o nível de empregos deverá ser mantido em 2016. “Na pesquisa, 85% dos respondentes apontam a estabilização dos empregos, deixando-nos um indicador positivo de que as companhias abertas manterão o nível dos empregos”, comenta o presidente da associação.

Já em relação a investimentos, 77,3% indicam que os aportes programados estarão mantidos. “E estes deverão atrelar-se à eficiência, bem como na busca da redução dos custos de mão de obra e de outros custos”, pontua.

No item financiamento, 78,9% das companhias o farão com recursos próprios, seguidos da captação de linhas de créditos direcionados devido às taxas de juros mais baixas. O contraponto negativo disto é que praticamente 90% das companhias que responderam à pesquisa não têm plano de emitir ações em 2016.

DCI – 03/11/2015

Redação On novembro - 3 - 2015
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