Sindicato Nacional da Indústria de
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Tera-feira, 26 de Setembro de 2017






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Cruzando fronteiras

A perda de fôlego da economia doméstica, a perspectiva de retração do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 e 2016 e a recuperação da economia internacional são fatores que, juntos, tendem a intensificar os projetos de internacionalização de empresas brasileiras. Seja pela aquisição de concorrentes no exterior, a construção de novas unidades fabris ou a ampliação de estruturas existentes nos países em que já atuam, a tendência é que o mercado externo se torne uma alternativa cada vez mais utilizada na tentativa de compensar o arrefecimento da demanda local. Um cenário que também é explorado pelos exportadores, em busca de reforço nas receitas pela forte desvalorização do real nos últimos 18 meses.

O quadro foi identificado na edição 2015 do Ranking das Multinacionais Brasileiras da Fundação Dom Cabral (FDC), que buscou entender os impactos da atual situação política e econômica na estratégia de internacionalização das empresas. Dentre as empresas que alegaram prejuízo com a crise interna, 29,5% ampliaram investimentos no exterior em 2014 e mantiveram a estratégia no mercado doméstico. Já 13,6% ampliaram os investimentos externos e reduziram aportes locais. As projeções para 2015 também confirmam que a internacionalização deve se intensificar.

Enquanto 32,6% das empresas planejam manter estáveis as operações no exterior, 58,7% pretendem expandir sua atuação internacional – 6,5% projetam grandes expansões. Os dados devem reforçar os índices médios de internacionalização do ranking, que apontam para crescimentos consecutivos entre 2012 e 2014 em receitas, ativos e número de funcionários de empresas brasileiras no exterior. “O aumento da internacionalização está em curso e ocorrerá de duas maneiras: aumento das exportações e reforço das operações em países em que essas empresas já atuam”, afirma a pesquisadora do núcleo de estratégia e negócios internacionais da FDC, Lívia Barakat.

O processo de internacionalização teve impulso a partir de meados da década passada, em três fases. A primeira, a partir de 2005, com o setor extrativo mineral cruzando fronteiras em busca de matérias-primas – em 2006, a Vale se tornou a segunda maior mineradora global com a aquisição de 75,66% da canadense Inco. A partir de 2008, lembra o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luis Afonso Lima, grupos como Odebrecht e Camargo Corrêa passaram a prospectar com afinco clientes no mercado externo.

A terceira etapa, até 2011, tornou mais heterogênea a internacionalização, com empresas de menor porte de ramos tão diversos como prestação de serviços, tecnologia de informação e até franquias desbravando novos mercados. O movimento foi de certa maneira arrefecido após a crise financeira internacional e, sobretudo, com o crescimento e o maior dinamismo da economia brasileira. Isso levou as empresas a se voltarem para o mercado interno. Agora, o sinal começa a se inverter e, seja como resposta ao momento débil da economia brasileira, seja pela estratégia de se aproximar de mercados-chave, uma “nova onda” de internacionalização está em andamento.

Segundo o Banco Central, o fluxo de investimentos brasileiros diretos no exterior – destinados à criação, ampliação ou aquisição de novos negócios -, após atingir o ápice em 2010 (US$ 30,22 bilhões), recuou para US$ 13,71 bilhões em 2012. Mas voltou a crescer, atingindo US$ 24,12 bilhões em 2014. A marca dessa nova etapa de internacionalização, ao que tudo indica, é a de menor concentração nos setores que desbravam o mercado externo e de maior diversidade nos destinos dos investimentos. “A perspectiva é positiva. E mais pulverizada. Setores como a indústria de transformação tendem a buscar o mercado externo”, diz Lima.

O incremento nos planos de internacionalização levou a Confederação Nacional da Indústria (CNI) a retomar o projeto de reunir grandes empresas brasileiras com investimentos no exterior em um grupo de discussão centrado em temas como tributação de lucros no exterior, financiamento ao investimento externo e intensificação do apoio diplomático às empresas com negócios no estrangeiro. Em 2014, ocorreu a primeira reunião do Fórum de Empresas Transnacionais (FET), que reúne cerca de 30 companhias. “Desenvolvemos estudos e pesquisas e a ideia é que o fórum seja um órgão de interlocução com o governo para que políticas de apoio à internacionalização avancem”, diz o secretário-executivo, Fabrízio Panzini.

O que pode postergar os planos de investimentos no exterior, é o câmbio, uma vez que o dólar na casa dos R$ 4 onera os preços dos ativos – seja a aquisição de um concorrente no exterior ou o investimento em novas unidades fabris. Mas, mesmo com a cotação do dólar desfavorável, muitas empresas aproveitaram os baixos preços dos ativos no ápice da crise internacional e investiram. “Faz sentido, agora, que busquem expansão em mercados onde já atuam, no lugar de novas aquisições”, diz Lívia, da FDC.

Em contrapartida, a perda superior a 40% do real ante o dólar em 2015 tende a reforçar a estratégia em outra frente: as exportações. Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, o câmbio favorável e o mercado interno retraído “empurram” as empresas para o exterior. Para manufaturados, os EUA surgem como opção mais evidente. “É o que mais cresce. Mas, é preciso reconquistar mercado”, diz.

Setores voltados para o mercado externo têm reforço certo nos resultados. É o caso da Suzano Papel e Celulose, com 64% da receita provenientes das vendas ao exterior. “O peso das exportações sobre a receita deve aumentar”, diz Marcelo Bacci, diretor financeiro e de relações com investidores. Com clientes em 31 países, o mercado externo respondeu por 85% das vendas de celulose nos doze meses encerrados em junho. Em papéis, o mercado externo absorve 30% das vendas atualmente, para 60 mercados de destino.

Valor Econômico – 30/10/2015

 

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Com crise e real barato, país terá mais aquisições em 2016

Negociação: pelo aumento de transações em fase inicial no trimestre, Intralinks prevê mais acordos em 2016

Luísa Melo

Por conta da desvalorização do real e das dificuldades econômicas, o próximo ano deve começar com muitas fusões e aquisições no Brasil e também na América Latina.

De acordo com levantamento da companhia de tecnologia Intralinks, as transações em estágio inicial no subcontinente cresceram 48,6% no terceiro trimestre ante o mesmo período de 2014.

Em outros locais, o avanço do número de operações foi bem menor. Tanto na Ásia Pacífico quanto na América do Norte o aumento foi de 3%, na mesma comparação. Já na região EMEA (que abrange Europa, Oriente Médio e África) o acréscimo foi de 11%.

“Especificamente no Brasil, com a recessão e a variação cambial, as empresas estão com valores menores e, portanto, mais atraentes para os investidores internacionais”, explicou Cláudio Yamashita, Diretor Geral da organização no Brasil.

Segundo ele, o efeito da recuperação do mercado de fusões e aquisições no país e na região “será observado em sua totalidade em 2016, quando elas continuarão crescendo”.

Por setor

Segundo a Intralinks, na América Latina, as fusões e aquisições costumam ser mais frequentes no segmento de metais e mineração, que tem sofrido com o aumento dos preços das commodities nos últimos 18 meses.

No terceiro trimestre deste ano, porém, aumentaram os negócios em fase inicial para o setor de consumo.

O cálculo

Desde 2008, a Intralinks divulga o Deal Flow Perdictor (previsor de fluxo de negociações, em tradução livre).

Por meio da coleta dados do mercado, ela monitora transações que estão chegando à fase de duo dilligence – na qual uma companhia investiga informações sobre possíveis parceiras, antes de fazer uma proposta para comprar ou se fundir a elas.

A partir daí, é possível prever os negócios que terão anúncio público dentro dos próximos seis meses, com índice de precisão de 95%.

Fonte: Exame

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Parceria estratégica entre Brasil e Irã pode triplicar comércio bilateral, diz Monteiro

A parceria estratégica que resultará da reaproximação entre Brasil e Irã pode triplicar a curto prazo a corrente de comércio bilateral, num momento em que as sanções ao governo iraniano estão sendo retiradas, estimou ontem o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro Neto.

O ministro liderou nos últimos dias uma missão empresarial ao Irã, que no ano passado importou US$ 1,439 bilhão em produtos brasileiros. O Brasil comprou US$ 5,025 milhões do Irã no período. No acumulado entre janeiro e setembro de 2015, o Brasil exportou ao Irã US$ 1,142 bilhão e importou US$ 2,810 milhões.

Segundo o ministro, seus interlocutores do governo iraniano sinalizaram interesse em ter uma “parceria preferencial” com o Brasil, uma vez que o governo brasileiro apoiou politicamente o país num momento delicado. Potências ocidentais aplicaram as sanções em razão do programa nuclear iraniano, embora Teerã sustentasse que a iniciativa tivesse fins pacíficos. Agora, as partes chegaram a um acordo e as sanções serão retiradas, o que tem gerado uma corrida ao mercado iraniano.

“Fizemos uma missão na hora certa”, disse o ministro ao Valor. Ele ponderou que isso dependerá em grande parte da normalização das relações interbancárias. A missão contou com representantes do Banco do Brasil, Banco Central e BNDES. Os dois países também criaram uma comissão para discutir o assunto e outra para tentar impulsionar investimentos e a formação de joint ventures.

As cerca de 60 empresas e associações setoriais que integraram a comitiva não fecharam negócios de imediato. “Foi muito mais uma missão de posicionamento, de construção de canais”, explicou o ministro. Mas foram prospectadas oportunidades sobretudo para as exportações de equipamentos hospitalares, autopeças, aviões regionais e alimentos. O Brasil também pode começar a comprar gás liquefeito do Irã, produto que já importa do Catar.

Antes de retornar ao Brasil, Monteiro reuniu-se com empresários e autoridades em Londres, onde articulou apoio do Reino Unido ao acordo Mercosul-União Europeia e o posicionamento britânico contra a taxação imposta pelo bloco europeu ao açúcar brasileiro.

A empresários de vários setores, o ministro falou do ambiente de negócios e das perspectivas no Brasil. Também tratou do envio de 15 startups para o intercâmbio com centros de pesquisas.

Valor Econômico – 30/10/2015

 

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Governo busca empresas inovadoras

O governo chinês concede benefícios para setores considerados prioritários em um plano quinquenal, e publicados no catálogo “Guia de Investimentos”, que classifica os setores da economia nas categorias: encorajado, permitido, regulamentado ou proibido para o investimento estrangeiro. Para as empresas encorajadas, o governo concede benefícios fiscais. Para os demais, as facilidades já não são as mesmas da década de 90, quando se consolidou a grande base manufatureira chinesa.

“Neste momento, o maior interesse deles é por empresas e produtos de alta tecnologia, menos dependentes de mão de obra em larga escala. Empresas de tecnologia da informação e comunicação, energias alternativas e novos materiais. Eles já não são tão flexíveis sobre vistos de trabalho e abertura de escritórios de representação para qualquer setor”, afirma Larissa Waccholz, diretora da consultoria Vallya. “Mesmo assim, as oportunidades vão além dos setores prioritários.”

A China passou por momentos distintos em termos do tipo de investimento buscado. Nos anos 80 surgiram as produções de baixo valor agregado, como têxteis, calçados e brinquedos. Na década de 90, verificou-se um aumento do parque industrial automotivo e eletroeletrônico. Nos anos 2000, novos investimentos no setor aeroespacial, tecnologia da informação e comunicação ingressaram no mercado chinês.

Segundo estudo publicado pelo Conselho Empresarial Brasil China (CEBC), “O novo Catálogo Guia de Investimentos”, revisado em 2011, que apresenta os setores estratégicos recém-contemplados pelo 12º Plano Quinquenal, orienta a entrada de capital estrangeiro para formação de centros de pesquisa e desenvolvimento e para setores ligados à preservação do meio ambiente, como novas fontes de energia, energias renováveis, novos materiais e biotecnologia. Outros investimentos são sugeridos em máquinas e equipamentos de tecnologia avançada, bem como na próxima geração de TI.”

Dados da consultoria Mckinsey apontam que em 2014 a China investiu aproximadamente US$ 200 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, o segundo maior por país, equivalente a cerca de 2% do seu PIB. As universidades chinesas formam mais de 1,2 milhão de engenheiros por ano e o país lidera os pedidos de patente, com 825 mil em 2013, comparados a 570 mil dos Estados Unidos. Foram criados mais de 13,2 milhões de novos empregos urbanos em 2014.

A Stefanini é uma das empresas brasileiras com operações na China. A empresa entrou no grande mercado em 2010, por meio da aquisição da empresa americana Techteam, que tinha uma planta na China. Hoje tem 200 funcionários em 11 cidades, sendo três centros de serviços para atender clientes globais, como a John Deere, Caterpillar, e outras.

Apesar de tímida em volume, a presença do investimento brasileiro é diversificada em 34 segmentos, com predominância para tradings, consultorias e empresas de mineração. Entretanto, como destaca o estudo do CEBC, “não é possível observar um alinhamento estratégico claro entre os setores de atuação das brasileiras e os novos setores estratégicos apontados pelo governo chinês. Isso se aplica particularmente a áreas em que o Brasil tem revelado fortes vantagens comparativas, a exemplo de energias renováveis.”

Valor Econômico – 30/10/2015

 

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China prevê expansão moderadamente elevada até 2020

O Partido Comunista da China aprovou um plano de cinco anos, uma visão estratégica do país, propondo acelerar a urbanização, incentivar o consumo e buscar “crescimento moderadamente elevado”. Detalhes do plano de 2016-20 – o primeiro elaborado na gestão do presidente Xi Jinping – não serão divulgados até março, quando ele será enviado para o Legislativo.

Economistas estão acompanhando de perto para ver se ele irá fixar metas de crescimento ambiciosas ou mais moderadas e se ajudará a transformar as tão discutidas reformas em ações decisivas.

A mídia oficial informou que o plano foi aprovado ao fim da Quinta Sessão Plenária, que reuniu os principais líderes do partido. O plano quinquenal (o 13º da China desde 1953) representa um amplo mapa econômico, político e social para a política governamental para aquele período.

Muitos economistas esperam que a meta de crescimento nesses cinco anos fique entre 6,5% – o mínimo necessário para atingir a meta do PC de dobrar o tamanho da economia e a renda per capita entre 2010 e 2020 – e os 7% do atual plano. O limite inferior sinalizaria uma tolerância para um crescimento menor e a realização de reformas, dizem economistas, enquanto o limite superior indicaria a preferência por estímulos que podem aumentar a alavancagem e incentivar as fábricas a continuar produzindo além da demanda.

“Considerando o nível de dívida do sistema e o volume de investimentos ineficientes, é de esperar que escolham a meta de crescimento baixa”, diz o professor Victor Shih, da Universidade da Califórnia. “Entretanto, com a obsessão em superar o Ocidente em algum momento do futuro próximo, a liderança quase certamente irá definir uma meta que exigirá mais investimentos ineficientes.”

Guiado pelo atual plano quinquenal, com meta de crescimento anual de 7%, o objetivo deste ano é de justamente 7%, abaixo dos 7,5% de 2014.

Em meados deste ano, os mercados globais caíram com a perspectiva de crescimento menor da China e de colapso nas bolsas. No terceiro trimestre, a economia cresceu 6,9%, indicando que a meta de cerca de 7% de 2015 não seria atingida, no menor ritmo de expansão em 25 anos. O próximo plano quinquenal, analisado numa reunião fechada num hotel altamente vigiado em Pequim, onde estavam cerca de 300 dos principais líderes do partido, foi elaborado num momento crucial para a segunda maior economia do mundo, à medida que os motores tradicionais de crescimento estão falhando e Pequim tenta migrar da produção industrial para o consumo.

Em nota vaga emitida na conclusão da plenária, o partido disse que iria afrouxar as restrições para que os residentes de zonas rurais se mudem para as cidades, estimularia o crescimento guiado pelo consumo e tornaria a inovação parte central do planejamento econômico, informou a agência de notícias Xinhua, sem dar detalhes.

Isso ocorre num momento em que a China tenta se tornar mais competitiva tecnologicamente, crescer em setores de maior valor agregado e identificar novos motores de crescimento.

Espera-se que o plano quinquenal da China se concentre em questões de meio ambiente, como parte de uma aposta para melhorar a qualidade de vida das pessoas e construir uma “sociedade moderadamente próspera”, com implicações para muitos setores, incluindo o de energia. Anteontem, Li Haofeng, vice-diretor da Agência Nacional de Energia, disse que o governo irá limitar o consumo de carvão nos próximos anos.

Especialistas dizem que o plano pode ainda incluir metas rígidas de consumo de carvão – passo necessário se a China quiser cumprir sua promessa de limitar emissões de carbono até 2030. “O carvão não vai voltar”, disse Lin Boqiang, especialista em política energética chinesa da Universidade Xiamen.

O maior país industrial do mundo está lutando contra o excesso de capacidade nos setores de vidro, cimento, automobilístico e siderúrgico, entre outros. Um plano inicial, divulgado no site do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, parece sinalizar uma consolidação. Em dez anos, a China deve ter entre três a cinco siderúrgicas gigantes, informou o ministério. Atualmente, o país possui cerca de 20 grandes siderúrgicas.

A China recentemente delineou um plano para criar poucas, mas grandes estatais e implementar a participação de mais acionistas externos. Alguns críticos, porém, disseram que ele não foi adiante.

Valor Econômico – 30/10/2015

 

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Nova crise ameaça reunião da OMC com impasse total

As negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC) entraram em nova crise. Agora é sobre o que deve resultar da conferência ministerial de Nairóbi (Quênia), em dezembro.

As últimas discussões em Genebra apontam para um impasse completo entre os países que pode levar a um “pacote zero”, e afetar ainda mais a credibilidade do sistema multilateral de comércio.

De um lado estão os EUA, apontados como os principais culpados da situação por importantes negociadores, pela insistência em reduzir a zero o que eles precisariam conceder, e ao mesmo tempo exigir mais dos outros. No outro lado se destaca a Índia, que lidera um grupo protecionista agrícola que se choca também com parceiros como o Brasil, Argentina e outros exportadores do setor.

Washington, que já tinha excluído compromisso sobre redução de subsídios à produção agrícola ou corte de tarifas, agora complica um pacote envolvendo competição nas exportações agrícolas, que parecia já definido.

O acordo sobre competição nas exportações tem quatro elementos. No primeiro, a ideia é eliminar os subsídios diretos à exportação agrícola, hoje só praticados por Suíça, Noruega e Canadá, além de a União Europeia (UE) ter o direito de fazê-lo se quiser.

O segundo envolve garantias de crédito à exportação, que foi alvo do caso do algodão ganho pelo Brasil contra os Estados Unidos. Washington agora pede uma série de limitações ao que estava previsto como disciplina nesse segmento, enfraquecendo o pacote.

No terceiro, de ajuda alimentar, os EUA são contra disciplinas internacionais para evitar efeitos distorcivos dessa prática. Normalmente, Washington compra alimentos de seus produtores e os envia a países pobres, onde organizações que prestam esse auxilio podem vender até 15% do volume para financiar suas atividades. Só que fazem isso praticando dumping e podendo derrubar o preço internacional. O quarto elemento é sobre as tradings agrícolas, que Canadá e Austrália ainda têm.

O sentimento entre importantes negociadores é de que os EUA desejam resumir a reunião de Nairóbi a uma declaração da proibição de subsídios à exportação agrícola, o que a UE não aceita, ou em última instância a um pacote de ajuda aos 34 países mais pobres.

Outro foco de tensão é a insistência do G-33, grupo liderado pela Índia e que inclui a China, para adoção de uma salvaguarda especial (SSM, na sigla em inglês) pela qual poderiam impor sobretaxa na importação agrícola no caso de repentino aumento do comércio. O grupo diz que essa SSM é imprescindível. Mas tanto os países industrializados como os exportadores em desenvolvimento tinham avisado antes que estavam dispostos a conversar sobre essa salvaguarda num contexto em que houvesse acesso ao mercado (corte de tarifas) no comércio agrícola.

Como não haverá isso em Nairóbi, o Brasil e outros exportadores julgam que essa SSM seria um retrocesso, ao permitir novas barreiras. Salvaguarda só tem sentido quando o país vai abrir seu mercado e quer ter um mecanismo para evitar entrada excessiva de produtos que ameace produtores locais.

Ao reunir os representantes dos mais de 160 países ontem, o diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, constatou a deterioração da situação. Se a impossibilidade de conciliar persistir, em Nairóbi não haverá pacote e tampouco declaração ministerial com menção ao futuro das negociações.

China e Índia insistem em manter o mandato da negociação de Doha, que já dura quase 15 anos. Os Estados Unidos preferem partir para outra solução.

Na ausência de declaração ministerial, o Brasil e outros exportadores agrícolas tampouco aceitam um resultado limitado de competição nas exportações. Querem continuar a negociar o desmonte de subsídios e reduções de tarifas.

valor Econômico – 30/10/2015

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PIB dos EUA perde força, mas deve se recuperar

A economia americana cresceu a uma taxa anualizada de 1,5% no terceiro trimestre, mostrando uma expansão firme do consumo privado e um avanço moderado do investimento das empresas. Houve desaceleração expressiva do Produto Interno Bruto (PIB) em comparação à alta de 3,9% do trimestre anterior, mas que se deveu em grande parte à acumulação mais lenta de estoques, que tirou 1,4 ponto percentual do crescimento.

Para o economista-chefe para os EUA do BNP Paribas, Paul Mortimer-Lee, os detalhes indicam um desempenho melhor do que sugere a alta do PIB de 1,5%. A demanda doméstica final, que exclui os estoques e o setor externo, avançou a uma taxa anualizada de 2,9%, um número saudável.

pibeua

O consumo privado continua sendo o principal motor da economia americana. Cresceu 3,2% no trimestre, um período em que a renda real (descontada a inflação) disponível subiu 3,5%. Isso se deveu em parte ao forte tombo dos preços da gasolina no fim do trimestre, segundo Paul Ashworth, economista-chefe para os EUA da Capital Economics. Em nota, ele diz que há dúvidas quanto à possibilidade de a renda real manter esse ritmo. “As cotações da gasolina se estabilizaram, a criação de empregos desacelerou e os salários ainda não decolaram”, resumiu.

O setor externo teve impacto praticamente neutro no PIB, uma vez que exportações e importações tiveram uma expansão muito próxima, de 1,9% e 1,8%, pela ordem. Com o dólar forte e a desaceleração da economia global, o resultado foi melhor do que o esperado.

No quarto trimestre, porém, o comércio exterior deve ter uma influência mais negativa para a economia, acredita Mortimer-Lee. O câmbio valorizado torna mais difícil as exportações e estimula as importações. Os estoques, por sua vez, devem pesar menos.

Para Mortimer-Lee, a economia entrou no terceiro trimestre com gás, mas encerrou o período num ritmo mais fraco, como apontam os indicadores do setor manufatureiro. O economista Ryan Wang, do HSBC, também destaca esse ponto, ao escrever que as empresas do segmento tiveram uma desaceleração notável nas encomendas desde o começo do ano, refletindo em parte uma demanda global mais fraca do que se esperava.

O investimento empresarial cresceu 2,1%, bem abaixo dos 4,1% do trimestre anterior. Os gastos com estruturas encolheram a uma taxa anualizada de 4%, um possível reflexo dos cortes expressivos do investimento nos setores de petróleo e gás, devido ao tombo dos preços do petróleo.

Para o quarto trimestre, a expectativa de analistas é que o PIB cresça cerca de 2,5%. As perspectivas para o consumo são positivas, ao passo que o investimento tende ainda a ser afetado pelos desdobramentos no setor de petróleo. Para 2015, o crescimento deve ficar próximo de 2,5%, talvez um pouco menos. Uma expansão dessa magnitude deve se repetir em 2016.

Valor Econômico – 30/10/2015

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PIB da Espanha desacelera e cresce 0,8% no trimestre

LONDRES  –  O Produto Interno Bruto (PIB) da Espanha cresceu 0,8%, na margem, no terceiro trimestre e 3,4% na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatísticas, o INE.

Para Gizem Kara, economista do BNP Paribas, o desempenho do trimestre indica que a economia espanhola permanece em ritmo sólido, embora em linha com a percepção de que alguma perda de dinamismo venha a ocorrer nos próximos trimestres, em um cenário de piora da demanda dos grandes mercados emergentes e de elevação das importações.

Assim, o crescimento de 1%, na margem, observado no segundo trimestre tende a ser a marca mais elevada do atual ciclo econômico, avalia a analista.

(Dow Jones Newswires) – 30/10/2015

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Mais países aderem a pacto contra evasão fiscal

O movimento global contra evasão fiscal vai aumentar nesta sexta-feira, chegando a mais de 90 jurisdições que prometem adotar a troca automática de informações entre os fiscos – o que significa o futuro fim do segredo bancário.

O Valor apurou que o Panamá vai se comprometer nesta sexta-feira com a troca automática após forte pressão internacional. A expectativa é que outro paraíso fiscal particularmente hostil às regras internacionais, as Ilhas Cook, acompanhe o Panamá.

Outros anúncios devem ser feitos em reunião do Fórum Global sobre Transparência e Troca de Informações para Fins Tributários, com a participação de 128 países, em Barbados, tornando menor o espaço internacional para sonegadores de impostos.

Três jurisdições que tinham sido taxadas de pouco cooperativas – Luxemburgo, Chipre e Seychelles – em reunião anterior, agora vão receber a avaliação de que as mudanças em suas regras de segredo bancário são “amplamente compatíveis” com o padrão internacional. Luxemburgo, no coração da Europa, vinha sob pressão dos próprios membros da União Europeia, sobretudo da Alemanha, sobre a opacidade de seu setor financeiro de € 3 trilhões.

Além disso, outras jurisdições entre as mais secretas no mundo e com forte indústria bancária “offshore” – Barbados, Belize, Bulgária, Granada, Ilhas Marshall, Niue, São Vicente e Granadinas, Santa Lúcia e Samoa, além do Japão – vão assinar o acordo multilateral que pavimenta o terreno para a troca de informação futura.

A coleta de informações financeiras começará em 1º de janeiro de 2016 em cerca de 50 jurisdições. Para isso, governos estão mudando leis nacionais para cada banco reportar as contas bancárias de todos os seus clientes não residentes e, de forma automática, enviar as informações a partir de 2017 aos países de origem desses clientes.

Serão recolhidas todas as informações consideradas úteis, como saldo de conta, ganhos financeiros, dividendos, transações para calcular a mais valia. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que abriga o fórum, acha que dá para atacar elementos da cadeia de simulação, como “trustes” e empresas de fachada.

O Brasil, por sua vez, só participará da troca automática de informação depois que o Congresso Nacional ratificar o Acordo de Cooperação Mútua na área tributária.

Em Barbados, o fórum global contra evasão vai adotar relatórios sobre o estado de 16 praças financeiras. Costa Rica e Samoa vão receber a avaliação de que só “parcialmente” cumprem os requisitos sobre os novos padrões internacionais. Liechtenstein e Letônia, de que estão agora “amplamente em conformidade”. Colômbia receberá selo de “conformidade”.

Dominica, Brunei e Guatemala são jurisdições que continuam no radar, para fazerem mais progressos.

Valor Econômico – 30/10/2015

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A chama do bolivarianismo está se apagando

Os argentinos que foram às urnas no domingo deram um claro recado: querem mudanças na condução do país. Seja qual for o presidente eleito em segundo turno no mês que vem – o kirchnerista Daniel Scioli ou o oposicionista Mauricio Macri -, ele terá de oferecer novos rumos para os argentinos.

O ex-embaixador brasileiro na Argentina José Botafogo Gonçalves, vice-presidente emérito do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), diz não ter dúvidas sobre a necessidade de mudanças no país vizinho. Como ocorreu no Brasil, o governo gastou demais: “Na Argentina, assim como no Brasil e em outros países, ficou mais do que evidente aquela máxima de que ‘não existe almoço grátis’. Chegou a hora de pagar a conta. Está muito claro que chegamos ao fim do ciclo do distributivismo populista no continente, seja quem for o próximo presidente”.

Nos últimos 45 anos, Botafogo Gonçalves ocupou diversos cargos na área diplomática, quase sempre relacionados a assuntos econômicos e comerciais. Em 2000, foi o embaixador especial para assuntos do Mercosul. Logo depois ocupou o posto de embaixador brasileiro na Argentina (2002-2004).

Leia, a seguir, trechos da entrevista:

Valor: Qual é a sua avaliação do resultado das eleições presidenciais na Argentina onde, pela primeira vez na história, haverá segundo turno?

José Botafogo Gonçalves: É evidente que houve uma reação muito clara contra a política econômica. A Argentina vive uma situação bastante difícil na economia. Preços distorcidos, inflação, tarifas públicas controladas. A presidente Cristina Kirchner continua tendo uma capacidade de comunicação e de sedução junto à população argentina muito grande. Mas ficou evidente que só isso não basta.

Valor: Qual é o principal problema econômico da Argentina?

Botafogo Gonçalves: A atual política econômica está chegando no limite. Na Argentina, assim como no Brasil e em outros países, ficou mais do que evidente aquela máxima de que “não existe almoço grátis”. Chegou a hora de pagar a conta. Está muito claro que chegamos ao fim do ciclo do distributivismo populista no continente, seja quem for o próximo presidente. Perceba que é uma situação mundial. Aconteceu também na Grécia. A população não queria, mas acabou tendo que aceitar as medidas de austeridade. Esse modelo distributivista acabou.

Valor: O senhor vê semelhanças entre o que ocorre no Brasil e na Argentina?

Botafogo Gonçalves: Sim. Guardadas as peculiaridades de cada um dos dois países, há esse paralelismo. Creio que a Argentina tem uma capacidade de recuperação mais rápida do que o Brasil, pelas suas peculiaridades, como a forte classe média. Nossa situação é muito mais grave. Mas não há dúvidas de que é chegada a hora de seguir uma política de austeridade.

Valor: Mas o Brasil não consegue seguir essa política econômica. As medidas propostas pelo governo não encontram respaldo no Congresso.

Botafogo Gonçalves: Esse é um grande obstáculo. Fala-se em acabar com o Bolsa Família. Ninguém quer acabar com o Bolsa Família. Trata-se apenas de o governo dizer onde vai cortar despesas. Porque precisa cortar. Não contesto os méritos dessa política. No Brasil, ela trouxe melhorias para a população. Tirou milhões da pobreza, mas temos que pensar na sustentabilidade dessa e das demais políticas distribucionistas.

Valor: O senhor diria que a América do Sul vive uma onda onde os governos tidos como de centro-esquerda vêm perdendo espaço para os mais conservadores?

Botafogo Gonçalves: Acho que vivemos um momento em que os governantes da região, de formas diferentes, estão dando prioridade à austeridade. Embora o presidente Evo Morales mantenha seu discurso, há bastante tempo a Bolívia se afastou das fantasias do bolivarianismo. O Chile também pratica uma política econômica bastante ortodoxa. O recente Tratado do Pacífico é o sinal mais claro. A Colômbia vem exibindo ótimos indicadores. O Peru também. Até mesmo a Venezuela, onde haverá eleições e não se vislumbram saídas políticas, mas confrontos que podem levar a uma ruptura social grave, terá que mudar. Eles não têm mais condições de manter a atual política. A chama do bolivarianismo está se apagando.

Valor: Seja qual for o resultado das eleições presidenciais na Argentina, o senhor acha que haverá mudanças substanciais na relação com o Brasil e o Mercosul?

Botafogo Gonçalves: O Mercosul já não dá conta dos desafios da inserção no mercado internacional. De agora em diante só podemos regredir.

Valor: Os dados mostram que um quarto dos produtos vendidos pelo Brasil no exterior tem o Mercosul como destino e a Argentina é nossa principal parceira…

Botafogo Gonçalves: Sim, mas temos que pensar em novos conceitos para uma integração regional. O ideal seria uma convergência de políticas macroeconômicas. O que vem acontecendo é que as importações de produtos brasileiros pela Argentina têm diminuído. Isso não é um problema em relação ao Brasil. A Argentina está em crise, sem dinheiro. Diminuiu o que compra do Brasil porque tem dado prioridade aos países, como a China, com oferta de mais crédito.

Valor: Na sua opinião, enquanto a Argentina não resolver seus problemas na economia, a tendência é continuar nessa curva em declínio?

Botafogo Gonçalves: A situação ruim está em ambos os países. A balança comercial brasileira também teve uma brutal queda nas importações. O Mercosul foi criado como uma zona de livre comércio e da união aduaneira. A união aduaneira, ainda que com defeitos, existe. O item de maior dinamismo, no entanto, não é o livre comércio. Do ponto de vista técnico, ele não existe. O Brasil tem que trabalhar, junto com a Argentina, pela integração não apenas entre si, mas no mundo. Veja a situação do Brasil: estamos entre as dez maiores economias do mundo e nossa participação é de 1% do comércio mundial. Somos anões do comércio.

Por Monica Gugliano

Valor Econômico – 30/10/2015

Redação On outubro - 30 - 2015
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