Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017






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Indústria do aço chinesa deve ser forçada a fazer cortes maiores na produção

Ruby Lian e David Stanway

As siderúrgicas chinesas devem ser forçadas a fazer cortes mais profundos em sua produção nos próximos meses, com a diminuição da demanda, os crescente prejuízos e o crédito mais restrito minando as companhias do país líder mundial em produção de aço, disseram analistas e autoridades do setor.

A indústria tem desafiado a pressão para fazer grandes cortes até agora, apesar de o resultado final do setor siderúrgico estar em dificuldades e os esforços para ampliar exportações terem irritado produtores rivais em vários países, desde a Índia até os Estados Unidos.

As principais siderúrgicas sofreram prejuízos totais de 28,12 bilhões de iuanes (4,42 bilhões de dólares) nos primeiros três trimestres de 2015, disse a Associação de Ferro e Aço da China.

“Desde 2010, departamentos do governo emitiram 20 documentos de políticas para eliminar capacidade ineficiente, e algumas foram fechadas, mas o excesso de capacidade ainda não caiu”, disse à Reuters o vice-presidente da associação, Zhu Jimin.

Mas com os preços do aço em seus níveis mais baixos em décadas, as siderúrgicas estatais estão começando a fechar usinas.

Já as siderúrgicas privadas operando com prejuízo correm o risco de irem à falência se os bancos exigirem o pagamento dos empréstimos.

“É uma tendência clara que o crédito está ficando cada vez mais restrito. Uma vez que a corrente de dinheiro seja cortada, as siderúrgicas vão falir”, disse a repórteres Xu Lejiang, presidente da Baosteel. (Reportagem adicional por Coco Li)

Fonte: Reuters

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Exportações de minério de ferro crescem, mas receita cai

Estrela do comércio de Minas Gerais e do Brasil com o exterior, o minério de ferro vive numa encruzilhada de desafios no mercado internacional, mas não perdeu toda a majestade na balança brasileira. Os embarques da matéria-prima terminaram setembro em ciclo de alta acumulada no ano de 6,13% e devem manter o ritmo até dezembro, a despeito de a receita das vendas ter despencado 47,11% na comparação com os primeiros nove meses de 2014. Entre a boa e a má notícia, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), os números mostram que o carro-chefe da produção mineral do país puxa uma nova corrida das grandes empresas exportadoras, a Vale e a Samarco Mineração, diante de seus concorrentes no mundo. A briga é para aumentar a oferta de minérios mais ricos em ferro, portanto mais caros, e processados a custos menores.

A ordem é disputar cada palmo da demanda dos maiores compradores na China, Japão, Europa e Oriente Médio, num ambiente que alimenta as baixas dos preços, próximas de 50% no último ano, contudo, deslocando fornecedores menores da comodity. Como mandam as leis da economia, a oferta execessiva pressiona as cotações, o que exige maior esforço das mineradoras e ajustes que implicaram, neste ano, cortes na produção da Vale em Minas Gerais, ao mesmo tempo em que, agora, começa a crescer o processamento para elevar os teores de ferro nas jazidas de Itabira e de São Gonçalo do Rio Abaixo, na porção central de Minas.

A movimentação das empresas difere de ondas anteriores de mercado, quando a corrida dos concorrentes se deu em longo período de preços ascendentes. As cotações da tonelada de ferro saíram de US$ 20 no começo de 2005 para atingir US$ 140 em 2011. Em janeiro último, estavam na faixa dos US$ 60. Estimativas da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) indicam fôlego para os volumes embarcados no Brasil continuarem a crescer e avançar mais 5%, pelo menos, em 2016, num cenário de continuidade da queda do valor da tonelada exportada.

De janeiro até o mês passado, o preço da tonelada brasileira exportada foi de US$ 40,70, ante US$ 81,67 registrados de janeiro a setembro de 2014. “A briga se dá entre as gigantes do setor. Se alguém abrir espaço, ele é ocupado pelo concorrente”, afirma o presidente da entidade, José Augusto de Castro. Estima-se que as multinacionais Rio Tinto, BHP, Vale e a companhia australiana Fortescue Metals Group tenham respondido por mais de 70% da oferta mundial no ano passado. As três competidoras da Vale anunciaram aumento ou recorde de produção, assim como fez a companhia brasileira nesta semana.

A Vale deverá se confirmar no posto de maior exportadora do país em 2015, já tendo despachado ao exterior embarques gerais avaliados em US$ 8,541 bilhões de janeiro a setembro. O diretor administrativo do Sindicato da Indústria Mineral de Minas Gerais (Sindiextra), Cristiano Monteiro Parreiras, afirma que, com a forte demanda apresentada pelo mercado chinês nos últimos anos, as companhias expandiram a produção de olho na cotação do minério de ferro no mercado internacional. Segundo ele, a expectativa era que os chineses mantivessem a demanda em alta, inclusive com a entrada de outros consumidores, mas isso não ocorreu. Pelo contrário, a desaceleração do crescimento do país resultou em estagnação da demanda. “O problema do minério não é a demanda. O que se tem é uma sobreoferta do minério australiano”, disse.

Nesse sentido, as mineradoras com melhor custo/benefício têm conseguido se manter em alta, inclusive com elevação da produção. No Brasil, é o caso principalmente da Vale e da Samarco. Em outros países, fora do rol de tradicionais no setor, o que se observa é a paralisação na produção. A quarta maior mineradora do mundo, Glencore, paralisou a produção em minas importantes na Austrália e no Peru. Segundo Parreiras, as companhias brasileiras apresentam bom nível de competitividade, mas, dada a ferrenha disputa por mercado no atual cenário, as empresas vão procurar ampliar a produção em minas com melhor custo/benefício. “Esse acréscimo de produção demonstra a competitividade do setor mineral, que, mesmo em crise, continua a buscar espaço no mercado”, destaca o diretor do Sindiextra.

Eficiência a todo custo Grandes ajustes de custos e o desembolso de recursos com o objetivo de melhorar a produtiviade, para continuar gerando retorno atrativo aos investidores, ainda estão por vir, num momento de preços baixos, como observa o relatório Mine 2015, publicado pela empresa de consultoria PwC, que aborda os rumos da indústria global de mineração, com destaque para as 40 maiores mineradoras do mundo, incluindo a Vale. Os maiores efeitos desse ambiente desafiador serão sentidos nos produtores de minério de ferro, em razão do declínio dos preços, segundo o sócio da PwC Brasil, Ronaldo Valiño. “Além da noticiada demanda mais lenta da China, as quedas de preço estão muito relacionadas ao excesso da oferta atual no mercado”, afirmou o especialista, ao divulgar o relatório em meados deste ano.

Itabira investe para retomada

Berço da atuação da Vale, as reservas de Itabira, na Região Central de Minas Gerais, vão retomar, com minério de alta qualidade, o nível de produção, que vinha caindo desde 2006. Três grandes projetos de processamento e retirada de impurezas de minério pobre em ferro, do tipo itabiritos, vão permitir à companhia elevar a produção no município, estimada em 35 milhões de toneladas neste ano para 39 milhões em 2016 e 50 milhões em 2018. Se confirmada a progressão, será o melhor resultado em 13 anos.

As intervenções estão sendo feitas a partir de atualização tecnológica de processos e equipamentos nas minas de Conceição e do Cauê, como parte de um pacote de investimentos em fase de conclusão orçado em US$ 5,5 bilhões, lembra Antônio Padovezi, diretor do Departamento de Ferrosos Sudeste da Vale. Os recursos contemplaram também a mina de Vargem Grande, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A mineradora investiu outros US$ 423 milhões nos últimos sete anos e acaba de pôr em marcha a expansão de sua maior jazida mineira, de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo, com o mesmo objetivo de elevar a qualidade do minério e ampliar a vida útil de seus ativos.

“Em termos de qualidade e custos competitivos, estamos bem posicionados em Minas”, disse Antônio Padovezi ao Estado de Minas. Com a implantação dos projetos, a companhia passa a explorar minérios lavrados com 42% de teor de ferro e que ao fim dos processos de beneficiamento nas reservas apresentam grau de pureza de 68%. Padovezi observa que a referência de preços usada no mercado internacional são minérios com teores de 62% de ferro. Acima disso, o produto recebe prêmios pela qualidade.

“A busca de produtividade não para. Não significa que chegamos nesse patamar e estamos satisfeitos”, completa o diretor da Vale. Em razão dessa meta, a empresa cortou 13 milhões de toneladas de capacidade anual de produção em jazidas consideradas muito antigas e improdutivas de Minas Gerais. A companhia informou, durante a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, que espera reduzir o custo de produção de minério de ferro para US$ 10 por tonelada, depois do pleno funcionamento dos projetos nas reservas de Minas e da entrada em operação do S11D, a nova megaexpansão de Carajás (PA), com capacidade para produzir 90 milhões de toneladas de ferro por ano. De julho a setembro, cada tonelada foi produzida pela companhia a US$ 12,70. (MV e PRF)

Estado de Minas – 26/10/2015

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Setor industrial dá sinais de que a economia dos EUA está tropeçando

O lucro e o faturamento trimestrais de grandes empresas americanas estão prestes a mostrar um recuo pela primeira vez desde a recessão, à medida que algumas companhias industriais alertam para uma retração nos gastos, apesar de bolsões de crescimento no setor de tecnologia.

Empresas de todos os setores, de ferrovias a gigantes manufatureiros e produtores de petróleo, afirmam que estão enfrentando uma desaceleração prolongada na produção, nas vendas e nas contratações que deve se estender até o próximo ano. Algumas delas afirmam que já entraram em recessão.

“Não importa o que digam, o ambiente industrial está em uma recessão”, Daniel Florness, diretor financeiro da Fastenal Co., disse a investidores e analistas no início deste mês. Um terço dos 100 principais clientes da Fastenal, que fabrica porcas, parafusos e outros produtos para os setores de manufatura e construção, reduziu seus gastos em mais de 10% e quase 20 deles cortaram as despesas em mais de 25%, disse Florness. “Eles estão pessimistas porque seus negócios estão muito negativos.”

Na semana passada, a Caterpillar Inc. reduziu sua previsão de lucro, citando a demanda fraca por suas máquinas pesadas, e a 3M Co., cujos produtos vão de esponjas de cozinha a colas usadas em automóveis, informou que vai demitir 1.500 trabalhadores, ou 1,7% do total, porque o crescimento das vendas de uma ampla gama de produtos desacelerou.

As empresas industriais estão sendo golpeadas em várias frentes. A queda nos preços do petróleo e gás tem dilapidado a demanda por equipamentos de perfuração e outros suprimentos.

A expansão econômica da China e de grandes mercados emergentes, como o Brasil, dos quais as empresas americanas têm dependido para o crescimento de suas vendas, está desacelerando.

E a valorização do dólar corroeu os lucros no exterior de empresas que conseguiram obter resultados positivos.

As travas no lucro e as projeções de crescimento lento para o próximo ano ocorrem num momento em que o Federal Reserve, o banco central americano, considera elevar as taxas de juros pela primeira vez em nove anos. A fraqueza das empresas e seu impacto no emprego e na economia podem fortalecer aqueles que defendem adiar qualquer aumento de juros para o próximo ano.

O lucro e a receita estão caindo em conjunto pela primeira vez em seis anos. Agora que mais de 30% das empresas do índice S&P 500 já divulgaram os resultados do terceiro trimestre, os analistas esperam que as integrantes do índice registrem um declínio de 2,8% no lucro por ação em comparação com o terceiro trimestredo ano passado, segundo a Thomson Reuters.

As vendas caminham para apresentar um recuo de 4% – o terceiro declínio trimestral consecutivo. A última vez que as vendas e os lucros caíram no mesmo período de três meses foi no terceiro trimestre de 2009.

Em algumas empresas, os efeitos do câmbio, sozinhos, têm reduzido o lucro ou as vendas de forma significativa. A fabricante de produtos de papel Kimberly- Clark Corp. previu que as oscilações cambiais reduziriam seus lucros em 25% este ano, enquanto a Johnson & Johnson informou que os movimentos do dólar reduziriam o crescimento das vendas em quase 7% este ano, mesmo sem novas flutuações cambiais.

Esta semana, outros 30% das empresas do índice S&P 500 devem divulgar seus resultados, incluindo gigantes como a Apple Inc., a United Parcel Service Inc. e a Exxon Mobil Corp.

Grande parte do declínio esperado se deve à abatida indústria de petróleo e gás, que deve registrar uma queda de mais de 30% nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado e um recuo de 65% nos lucros, de acordo com previsões da Thomson Reuters. Empresas que fabricam materiais básicos devem enfrentar uma queda de 17% nos lucros, e as vendas do setor industrial devem diminuir mais de 5%.

A United Technologies Corp., que fabrica os elevadores Otis e aparelhos de ar-condicionado Carrier, informou que espera que os lucros fiquem inalterados ou caiam em três dos seus quatro segmentos operacionais no próximo ano, apesar da força em suas operações nos Estados Unidos.

O diretor financeiro, Akhil Johri, disse a investidores na semana passada que as vendas da divisão Otis na China caíram 19% no terceiro trimestre, num reflexo da desaceleração do setor de construção comercial.

Outras empresas manifestaram pessimismo similar. “Se você olhar para um tipo de índice amplo de produção industrial, você vê a produção industrial sequencialmente indo para baixo”, diz Fredrik Eliasson, diretor de vendas e marketing da operadora ferroviária CSX Corp.

A CSX está reduzindo algumas operações em resposta ao declínio nos embarques de carvão, à medida que as usinas de energia adotam outros combustíveis. A firma está eliminando cerca de 500 vagas e, no atual trimestre, planeja reduzir a folha de pagamentos em 2% em relação ao nível do terceiro trimestre.

A produção industrial dos EUA cresceu em setembro em seu ritmo mais lento em mais de dois anos, informou o Institute for Supply Management (ISM),no início deste mês. A atividade econômica em 11 indústrias monitoradas pelo grupo se contraiu durante o mês, enquanto apenas sete divulgaram crescimento.

Ao mesmo tempo, os fabricantes informaram ao ISM que os estoques de clientes se mantiveram elevados, contribuindo para uma desaceleração de novas encomendas.

Alguns investidores e analistas temem que empresas acostumadas a dar impulso aos lucros cortando custos, recomprando ações e refinanciando dívida terão, em breve, de enfrentar a realidade da desaceleração no crescimento das vendas. “A capacidade das empresas de transformar um ganho de 1% a 2% na receita e transformá-lo em um crescimento de 5% a 6% no lucro está diminuindo”, diz Charlie Smith, diretor de investimentos da Fort Pitt Capital Group. “Elas estão ficando sem coelhos para tirar da cartola.”

Ainda assim, o corte de custos continua. Muitas empresas, desde o Twitter Inc. e a Biogen Inc. até o Wal-Mart Stores Inc.e a Monsanto Co., anunciaram demissões nas últimas semanas.

Isso poderia aumentar a taxa de desemprego nos EUA, que encerrou setembro em 5,1%, seu nível mais baixo desde abril de 2008.

“A situação está definitivamente um pouco mais frágil do que estava vários meses atrás”, diz Joseph LaVorgna, economista- chefe do Deutsche Bank. “Mas os EUA estão, fundamentalmente, em boa forma”, acrescentou. De fato, os baixos preços dos combustíveis têm impulsionado as vendas de automóveis e os lucros das companhias aéreas no país, e o mercado da construção nos EUA permanece robusto.

Mesmo entre os fabricantes, a indústria aeroespacial vai bem. Gigantes da tecnologia como Amazon.com Inc., Microsoft Corp. e Alphabet Inc., a dona do Google, apresentaram resultados robustos semana passada.

Tal força sugere que é pouco provável que a economia como um todo sucumba ao pessimismo do setor industrial, diz Jeremy Zirin, estrategista-chefe de ações nos EUA para a divisão de gestão de fortunas do UBS. “O amplo mosaico de dados sugere que a economia americana ainda está indo bem”, diz Zirin.

“Essa não é uma visão muito otimista, ela apenas afirma que as coisas não estão tão ruins quanto se temia.”

Outros temem que a desaceleração esteja se espalhando para as empresas de consumo.

O Wal-Mart recentemente advertiu que suas vendas provavelmente ficarão inalteradas este ano, em comparação com projeções anteriores de crescimento de 2%. A gigante varejista cortou sua meta de lucro para o próximo ano, já que aumentará os salários.

E as transportadoras alertamque não estão registrando a alta habitual na demanda à medida que o Natal se aproxima por causa de estoques persistentemente altos, diz Alex Vecchio, analista de transporte do Morgan Stanley. “As empresas de transporte são tipicamente um indicador importante, e nossos dados não são bons”, diz ele.

Valor Econômico – 26/10/2015

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Investimento estrangeiro surpreende e vai a US$ 6 bi em setembro

Os investimentos externos no Brasil surpreenderam positivamente em setembro. No mês, o Investimento Direto no País (IDP), como são chamadas essas entradas segundo nova metodologia do Banco Central, recebeu US$ 6,037 bilhões – volume significativo em relação aos US$ 3,5 bilhões esperados pelo Bradesco ou aos US$ 4,5 bilhões projetados pelo Itaú Unibanco. Para outubro, as indicações do BC são de entradas novamente robustas, ao redor de US$ 6 bilhões.

Mesmo em ambiente econômico e político bastante incerto, a percepção é que a lógica de longo prazo que pauta esse tipo de investimento ainda consegue se impor. Andréa Bastos Damico, economista do Bradesco, ressalta outros fatores que justificam os bons números, como o preço atrativo das empresas brasileiras em dólares, mercado consumidor razoavelmente forte, vantagens comparativas especialmente na agricultura e instituições fortes.

No ano, contudo, o volume de IDP cai de maneira expressiva. A baixa é de 34% para um total de US$ 48,208 bilhões. Segundo Andréa, a queda não reflete com precisão o apetite do investidor produtivo pelo país. Para ela, a nova metodologia incorpora no conceito de IDP as emissões externas feitas por empresas como Petrobras e Vale , o que tem derrubado os números, já que as empresas não emitem em meio a um cenário ruim.

“O que eu argumento é que o investidor que detém um papel desses faz operação de renda fixa e em dólar. Totalmente diferente da lógica do investimento estrangeiro direto, em que normalmente uma empresa entra no país, compra reais e investe aqui”, diz Andréa.

A economista continua alimentando a série antiga de investimento estrangeiro direto (o IED) e diz que a diferença entre as metodologias é importante. No ano, até setembro, o ‘velho’ IED também cai, mas bem menos (-9%), oscilando em torno de US$ 60 bilhões desde 2012. Curiosamente, o banco revisou para baixo a projeção para o novo IDP em 2015 (de US$ 70 bilhões para US$ 65 bilhões). Mas elevou a estimativa para o antigo IED, de US$ 50 bilhões para US$ 56 bilhões em 2015, ante um volume de US$ 62,5 bilhões em 2014.

Andréa admite que o volume de IED no conceito antigo vai cair tanto em 2015 quanto em 2016 em razão do PIB negativo. “Mas a queda não é tão forte quanto a nova metodologia faz parecer.”

Luis Afonso Lima, economista-chefe da Mapfre Investimentos, faz algumas ressalvas. Ele lembra que a Unctad usa justamente a metologia abandonada pelo Brasil e, seguindo o conceito antigo, espera alta de 3,3% para o IED voltado a países em desenvolvimento em 2015 – bem diferente da queda de 9% registrada pelo IED brasileiro até setembro.

Lima diz ainda que o déficit externo está caindo, mas o seu financiamento pelo IDP cai mais ainda, o que significa que a necessidade de financiamento externo por investimentos de portfólio está aumentando. De fato, o déficit em conta corrente em 2014 foi de 4,42% do PIB e o IDP representou 4,13% do PIB. Em 12 meses até setembro, o déficit está em 4,18% do PIB e o IDP, em 3,79% do PIB. Em relatório, a economista Julia Gottlieb, do Itaú, vai na mesma direção, ao dizer que o financiamento tem ficado mais apertado, com queda nos fluxos de investimento direto no país e investimento estrangeiro no mercado de capitais.

Valor Econômico – 26/10/2015

 

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Crise traz perdas a estrangeiros

Os investidores estrangeiros sofreram uma perda de pelo menos US$ 224 bilhões em seus capitais aplicados no Brasil de junho a setembro passado, quando o mercado financeiro foi sacudido pelas incertezas sobre a política fiscal e pelo rebaixamento da nota soberana pela Standard & Poor’s (S&P).

Segundo dados do balanço de pagamentos compilados pelo Banco Central, a crise recente provocou uma queda significativa no valor contábil do estoque de investimentos estrangeiros diretos, de aplicações em bolsas e na carteira de títulos do Tesouro negociados dentro do país.

O montante total desses investimentos encolheu de US$ 1,220 trilhão em junho para US$ 995 bilhões em setembro, uma queda de 18,5%. Dois fatores principais explicam a retração: a depreciação cambial, que reduz o valor de investimentos estrangeiros feitos em reais, e a queda nas cotações de ações e títulos.

Entre junho e agosto, o real – moeda em que estão aplicados os recursos estrangeiros – teve uma desvalorização de 21,9%, depois de o mercado de câmbio ser afetado por más notícias fiscais, como a revisão das metas de superávit primário em julho e o envio de uma proposta orçamentária prevendo déficit em agosto.

Além disso, alguns dos ativos que investidores estrangeiros aplicavam também sofreram uma perda de valor medida em reais. As ações se desvalorizaram no trimestre, com a queda de 15,1% no índice Bovespa. Os títulos públicos também perderam valor, como os papéis de 20 anos indexados à inflação, um dos preferidos de investidores institucionais, que tiveram uma queda de 17,25% entre junho e setembro.

Essa é uma posição contábil apurada em setembro. Se essas perdas vão se traduzir num prejuízo permanente só o tempo vai dizer – boa parte dos recursos foram aplicados com a lógica de longo prazo e, em tese, o valor pode se recuperar. Investidores também podem ter atenuado parte das perdas com operações de “hedge” (proteção).

Um terceiro fator, menos importante, que explica a variação do estoque é o fluxo de investimentos no país. Em termos líquidos, entraram cerca de US$ 10 bilhões, já que os ingressos de investimentos diretos no terceiro trimestre somam US$ 17,2 bilhões e houve saída de US$ 7,5 bilhões em investimentos em carteira. Assim, levando em conta que entraram novos capitais no país, a queda do valor do estoque de investimentos estrangeiros é maior que US$ 224 bilhões.

Em termos absolutos, a maior perda sofrida pelos estrangeiros foi nos investimentos diretos, que encolheram US$ 105 bilhões no terceiro trimestre, uma queda equivalente a 14,7% do estoque de US$ 714 bilhões de junho. O estoque investido em ações se reduziu em US$ 75,6 bilhões, e as aplicações em títulos, US$ 43 bilhões.

O chefe adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha, afirma que a queda no estoque de capitais estrangeiros no país faz parte do processo de ajuste nas contas externas. “Hoje uma parcela dominante do passivo externo brasileiro é sob a forma de investimentos, enquanto que no passado era sob a forma de dívidas.”

O passivo externo, que engloba todos os tipos de capitais aplicados no Brasil, caiu de US$ 1,506 trilhão para US$ 1,260 trilhão entre junho e setembro. Além dos investimentos diretos, em ações e títulos descritos acima, o passivo externo inclui também empréstimos e outros créditos concedidos por estrangeiros, que somavam US$ 251 bilhões em setembro.

Em momentos de crise como o atual, investidores estrangeiros veem o Brasil como um mercado mais arriscado para investir, o que se traduz em menos disponibilidade de capitais para financiar o déficit em conta corrente. Nessas circunstâncias, a economia atravessa o que os economistas chamam de ajuste no balanço de pagamentos, que é basicamente a redução no déficit do país nas suas transações de comércio e de serviços com o resto do mundo.

Quando o passivo externo é formado sobretudo por investimentos, o ajuste nas contas correntes é mais rápido, argumentou Rocha. Isso porque desvalorizações cambiais e quedas cíclicas da economia afetam o estoque investido e as remessas de remuneração do capital, como lucros, dividendos e juros apurados em títulos denominados em reais.

O déficit em conta corrente ficou em US$ 49,362 bilhões de janeiro a setembro, o que representa uma redução de US$ 24,272 bilhões em relação ao mesmo período do ano passado. Quase um terço desse ajuste se deve à redução de remessas de lucros e dividendos, que neste ano somam US$ 13,690 bilhões.

Já a dívida externa – a outra parte do passivo externo – é insensível à desvalorização cambial e à atividade econômica. Os pagamentos de juros aos credores ficaram estáveis em US$ 17 bilhões entre o período de janeiro a setembro de 2014 e de 2015.

Valor Econômico – 26/10/2015

 

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Com acordos regionais, EUA perdem interesse em Doha

Com o avanço de megaacordos regionais, os EUA não mostram mais interesse em negociar cortes de tarifas na Organização Mundial do Comércio (OMC) e insistem em decretar o funeral oficial da Rodada Doha até o fim deste ano.

Primeiro, os EUA e outros 11 países, que fazem mais de 40% da produção mundial, concluíram recentemente a Parceria Transpacífico (TPP). Esse é o maior acordo comercial dos últimos tempos e eliminará quase todas as tarifas entre os 12 países, com perspectivas de bilhões de dólares adicionais de negócios – e redução no comércio com os que estão fora.

Alem disso, os EUA e a União Europeia (UE), que perfazem 40% do comercio mundial de mercadorias e quase 60% de serviços, querem concluir a negociação da Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP) até o fim de 2016, antes do fim do mandato do presidente Barack Obama.

Nesses dois megaacordos, a redução é sobre tarifas aplicadas. Já na OMC, é sobre tarifa consolidada, que é a taxa máxima que pode ser aplicada pelos compromissos atuais na entidade.

Para a conferência de ministros de Comércio em Nairóbi (Quênia), dentro de dois meses, vários países propuseram pelo menos um modesto corte nas alíquotas agrícolas e industriais, em meio ao cenário econômico global de baixo crescimento.

A ideia seria limitar-se a cortar as tarifas entre metade e um quinto da redução acertada em 2008. Naquele ano, o compromisso à mesa de negociação era que emergentes, como o Brasil, cortariam em 54% na média suas tarifas na importação de produtos industrializados. No entanto, o pacote fracassou em meio a disputa agrícola entre os EUA e a Índia.

Agora, os EUA se recusam até mesmo a tocar no tema de acesso ao mercado na OMC. De um lado, suas próprias tarifas já são baixas. Além disso, insistem que negociar tarifa consolidada significa “cortar água” e não abre mercado adicional para seus exportadores.

Na prática, a maioria dos países aplica tarifas bem mais baixas do que realmente poderia impor. No Brasil, por exemplo, a tarifa aplicada é cerca de 11%, mas a consolidada é 35%. E é sobre essa última que o país negocia concessões na OMC.

Para os EUA, esse tipo de redução tarifária está esgotada. Wa-shington exclui para Nairóbi tanto acesso a mercado como redução de subsídios à produção agrícola. Como não querem se mover, os americanos apresentam propostas agrícolas que sabem que serão inevitavelmente rechaçadas, principalmente por China e Índia.

O sentimento, para importantes negociadores, é de que os EUA querem ver o anúncio de um pequeno pacote em Nairóbi para reforçar sua narrativa de que a Rodada Doha é uma alma penada, que não dá resultados, e forçar outros modos de negociações na OMC.

Os EUA já defendem abertamente para o futuro negociações baseadas no Acordo de Tecnologia da Informação (ITA, na sigla em inglês), pela flexibilidade na participação dos países; e no Acordo de Facilitação do Comércio, pela flexibilidade nos compromissos.

Mas dois terços dos membros da OMC são países em desenvolvimento, que querem continuar negociando o que não conseguiram até agora. O Brasil diz que não abre mão de negociar redução de distorções no comércio agrícola. Tampouco aceita novos temas com mandato para negociação. Só aceita que prossigam em bases exploratórias, como já ocorre com comércio eletrônico.

Valor Econômico – 26/10/2015

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Jornal defende que China se una à TPP
ECONOMIA
A China devería se juntar à Parceria Transpacífica(TPP), defende o Study Times, influente jornal do Partido Comunista chinês. Segundo a publicação, as metas do pacto estão de acordo com a reforma econômica chinesa.
A China não está na lista de 12 países que aderiram ao TPP no início do mês.O ministro do Comércio chinês não acredita que o país seja um alvo do acordo, mas avaliará seu possível impacto.
Segundo a publicação, as metas da parceria,como a proteção do meio ambiente, também estão na pauta do país. “A China deve continuara prestar muita atenção e, em momento oportuno, de acordo com o progresso na reforma interna, se juntar à TPP”, defende o jornaL / REUTERS

Estado de São Paulo – 26/10/2015

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Premiê diz que meta para China crescer 7% nunca foi estabelecida

O premiê da China, Li Keqiang, disse ontem que a meta de crescimento de 7% para a economia chinesa nunca foi cravada oficialmente. Em comentários divulgados pelo governo, ele fez questão de ressaltar que o percentual nunca foi estabelecido por Pequim. O Comitê Central do Partido se reúne esta semana, para determinar as metas econômicas e sociais para os próximos cinco anos.

Os comentários do premiê coincidem com as declarações de uma autoridade sênior do banco central chinês, que afirmou, no último sábado, que a China seria capaz de manter um crescimento econômico anual de cerca de 6%a 7% durante os próximos cinco anos. As declarações ocorrem em um momento de preocupação nos mercados financeiros globais sobre enfraquecimento contínuo da segunda maior economia do mundo.

“NOVO NORMAL” É ENTRE 6%E 7%
O país vem adotando medidas para estimular o crescimento. Na última sexta-feira, a China reduziu as taxas de juros pela sexta vez em menos de um ano. O afrouxamento da política monetária de Pequim está em seu momento mais agressivo, desde a crise financeira global de 2008. Projeções de economistas indicam que o crescimento do país deve ficar abaixo dos 7% em 2015, o menor patamar em 25 anos.

A economia chinesa cresceu 6,9% no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados por Pequim na semana passada.

Em evento, na última sextafeira, na Escola Central do Partido, que realiza treinamento de oficiais do país, Li disse que as dificuldades econômicas no horizonte chinês não devem ser subestimadas.

“Nós nunca dissemos que deveríamos defender qualquer meta até a morte, mas que a economia deve operar dentro de uma margem razoável”, disse o governo chinês, parafraseando declaração de Li, em comunicado divulgado em seu site na noite de sábado.

Yi Gang, vice-presidente do Banco Popular da China, disse, sábado, que espera um crescimento entre 6%e 7% ao ano durante três a cinco anos. Segundo ele, esse é o “novo normal” da economia chinesa.

Segundo pessoas envolvidas na política interna do país que não quiseram se identificar, na reunião desta semana, os líderes chineses vão sinalizar que o crescimento é prioridade sobre a reforma e estabelecer meta de crescimento de cerca de 7% para o plano de longo prazo.

O Globo – 26/10/2015

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O que a Venezuela quer esconder

Clóvis Rossi – 26/10/2015

Se você quiser saber os motivos pelos quais o governo da Venezuela põe tantos obstáculos ao monitoramento das eleições parlamentares de dezembro até de uma organização, a Unasul, amiga e/ou omissa ante os desmandos do bolivarianismo, basta ler o que diz Alexander Guerrero, presidente da firma TecnoEconomica:

“É absolutamente patético. Estamos sendo testemunhas do colapso total de uma economia. Uma contração destas proporções [queda de 10% do PIB] poderia ser um caso único nos últimos 50 anos no mundo. Nem sequer o PIB do Iraque caiu nessa proporção durante a guerra.”

Acrescente uma inflação que, ao final do ano, baterá em 160%, como prevê o FMI, e o segundo maior número de homicídios por 100 mil habitantes, atrás apenas de Honduras, e tem-se uma situação em que governo algum pode ganhar qualquer eleição.

Tanto não pode que as mais recentes pesquisas, de quatro diferentes institutos, coincidem em dar vantagem à oposição venezuelana, com margens que variam de 18 a 25 pontos percentuais.

No entanto, o presidente Nicolás Maduro acaba de declarar que “as eleições, há que ganhá-las, seja como for”.

O “seja como for” inclui manobras como remanejar os distritos eleitorais, dando mais assentos no Parlamento aos que tradicionalmente votam mais pelo chavismo.

Inclui manter candidatos fortes como presos políticos.

Inclui manter em estado de exceção 23 municípios, que outorgam 9 dos 167 lugares em jogo.

Sem falar na onipresença do chavismo na televisão, a mídia que, no mundo todo, é a mais acompanhada pelo público.

É por essa razão que o Tribunal Superior Eleitoral brasileiro previa iniciar o processo de observação eleitoral na Venezuela no dia 15 de outubro, pouco menos de dois meses antes da votação (dia 6 de dezembro).

Seria o tempo mínimo para poder avaliar se há ou não equidade na disputa. O tribunal brasileiro já tivera uma primeira aproximação negativa a esse respeito quando dois de seus juízes estiveram na Venezuela para acompanhar as primárias que indicaram os candidatos da oposição.

Tiveram seu acesso limitado e estavam permanentemente acompanhados de funcionários do governo, o que, como é óbvio, inibe qualquer manifestação crítica ao processo.

Houve sucessivas manobras protelatórias de parte do chavismo até passar o prazo originalmente pensado (15 de outubro), o que “inviabiliza uma observação adequada”, conforme a nota oficial que o TSE emitiu ao anunciar que desistia de participar da missão de observação.

Agora, o destino dessa missão, fundamental para atestar (ou contestar) a lisura do processo, está no ar. O governo venezuelano diz que não vetou Nelson Jobim, designado pela presidente Dilma Rousseff para ser o chefe da delegação.

Mas, com a conivência da secretaria-geral da Unasul, pôs outros nomes na roda, em veto branco.

Criada a saia justa, o governo brasileiro diz que mantém a designação de Jobim, mas, como o TSE saiu do processo, perdeu-se a valiosa expertise que só ele pode dar, o que deixa Maduro à vontade para ganhar a eleição, “seja como for”.

Folha de S.Paulo

Redação On outubro - 26 - 2015
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