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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017






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Câmbio ajuda mineradoras a seguir crescendo, apesar dos preços em queda

Paul Kiernan e Rhiannon Hoyle, de Rio de Janeiro

Mesmo com o colapso dos preços das commodities, a gigante da mineração brasileira Vale SA VALE 3.38 % está montando uma operação de minério de ferro de US$ 16 bilhões que ela apresenta como “o maior projeto da nossa história e da mineração internacional”.

Como isso é possível? Porque os custos também estão despencando.

Da América do Sul à Austrália, as moedas desvalorizadas em países ricos em recursos minerais estão ajudando as mineradoras a manter suas operações funcionando — e contribuindo para um excesso de produção que tem saturado os mercados e derrubado os preços.

O custo de produzir muitas commodities está “caindo como uma pedra”, diz o diretor de pesquisa de commodities do Goldman Sachs, GS 1.05 % Jeff Currie, que o define como um círculo de “feedback negativo”. A dinâmica ajuda a explicar porque a explosão das commodities pode ter uma duração tão longa.

A esperança de recuperação dos mercados se baseia na perspectiva de que os produtores vão acabar descapitalizados ou cansados de acumular perdas e, então, devem começar a desativar suas instalações, equilibrando novamente a oferta com a baixa demanda.

Para as principais mineradoras do mundo, que operam em várias regiões, a desvalorização das moedas tem reduzido os efeitos negativos dos preços mais baixos das commodities. Ao longo do último ano, o dólar subiu 59% em relação ao real, 22% contra o rand sul-africano, 21% ante o dólar australiano e 17% sobre o dólar canadense.

Matérias-primas como ouro, minério de ferro e carvão são normalmente precificadas na moeda americana. Mas as empresas pagam salários, energia elétrica e muitas outras despesas em moedas locais.

Com a forte desvalorização do real, a Vale caminha para se tornar a produtora de minério de ferro com menor custo do mundo, afirmou no mês passado o Credit Suisse. CS 1.64 %

Incluindo despesas como frete e royalties, a Vale, que divulgou seu resultado do terceiro trimestre ontem, informou que conseguiu vender minério de ferro na China, seu principal mercado, a um custo total de US$ 34,20 a tonelada entre julho e setembro, abaixo do valor de US$ 58,50 de um ano antes.

Isso mais do que compensou a queda nos preços. A Vale vendeu minério de ferro a uma média de US$ 46,48 a tonelada no terceiro trimestre, em comparação com os US$ 68,02 obtidos no mesmo período do ano passado.

Na segunda-feira, a Vale informou que extraiu 88,2 milhões de toneladas de minério de ferro no período, sua maior produção trimestral já registrada. Com 75% dos seus gastos de capital em real, a Vale tem poucos motivos para diminuir os gastos em projetos que, segundo os executivos da empresa, vão tornar suas minas mais competitivas.

Analistas dizem que o real mais fraco deve ajudar a Vale a concorrer com rivais como a Rio Tinto RIO 1.16 % PLC e a BHP Billiton BBL 1.42 % PLC, que geograficamente estão mais próximas à China.

“A Vale certamente tem se beneficiado tremendamente da desvalorização da moeda”, diz Nev Power, diretor-presidente da mineradora australiana Fortescue Metals Group Ltd. FSUGY 1.69 % , a quarta maior exportadora de minério de ferro do mundo, depois da Vale, Rio Tinto e BHP.

Os custos também estão caindo para esses concorrentes. O diretor de tecnologia e inovação da Rio Tinto, Greg Lilleyman, diz que as mudanças no câmbio no Canadá e na Austrália podem ajudar a empresa a economizar um pouco mais de US$ 300 milhões este ano em investimentos do grupo. De acordo com a BHP Billiton, a moeda mais fraca da Austrália ajudou a reduzir os custos de produção em quase um terço nas suas operações de minério de ferro no país.

A Atlas Iron Ltd. AGO 0.00 % informou, no início do ano, que iria interromper as operações das três minas que opera na região australiana de Pilbara, rica em minério de ferro. Mas a paralisação foi breve. A queda do dólar australiano reduziu a pressão sobre a mineradora enquanto ela negociava com os prestadores de serviço para cortar despesas.

Apesar dos cortes de produção feitos pelas mineradoras com custos mais altos, Andreas Bokkenheuser, analista do setor de mineração do UBS, estima que o mercado de minério de ferro terá um excesso de oferta de 150 milhões de toneladas até 2018, já que produtores como a Vale e a Anglo American AAUKY -1.09 % PLC devem elevar a produção de grandes projetos.

A mina Roy Hill, da magnata australiana do setor Gina Rinehart, prevista para entrar em operação este mês, vai adicionar ao mercado 55 milhões de toneladas de minério de ferro por ano até o fim de 2016. Isso deve contribuir para empurrar o preço da tonelada para menos de US$ 40 no início do próximo ano, de acordo com previsão do Citigroup C 1.58 % Global Markets, pressionando ainda mais as margens das empresas.

A produção de minério de ferro da Austrália aumentou 14% no primeiro semestre, segundo estimativas do governo.

As moedas mais fracas também estão ajudando a manter em operação as minas de carvão, apesar do excesso do produto no mercado global ter derrubado os preços em aproximadamente 80% nos últimos anos.

A produção de carvão na Austrália subiu 6% de janeiro a junho, pelos dados do governo.

A Wood Mackenzie estima que a média do custo australiano de produção de carvão recuou 30% desde 2013. A consultoria atribui mais da metade dessa queda à desvalorização da moeda.

“Os preços do carvão não diminuíram muito nos países exportadores” quando calculados nas moedas locais”, diz Thomas Pugh, economista da Capital Economics, em uma nota. “Isso tem permitido que os produtores desses países mantenham a oferta e até a elevem em alguns casos.”

O efeito é sentido também em outros produtos. A mina de ouro sul-africana Gold Fields Ltd. GFI 0.54 % , que mantém operações na África do Sul, Gana, Peru e Austrália, informou que os custos de caixa caíram 3,1% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 1.059 por onça. “O câmbio nos ajudou”, diz o diretor financeiro, Paul Schmidt.

(Colaborou Alexandra Wexler, de Johannesburg.)

Valor Econômico – 23/10/2015

Redação On outubro - 23 - 2015
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