Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 23 de Setembro de 2017






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Importações sobem 22%, e balança comercial tem déficit

Após sucessivas semanas com resultados positivos, a balança comercial brasileira teve déficit de US$ 250 milhões na terceira semana de outubro. Uma alta de 22% nas importações e recuo de 8,2% nas exportações, na comparação com a semana anterior, reverteram a escalada positiva da balança. O desempenho é atípico: durante o ano tem havido um recuo maior das importações do que das vendas externas.

Ao todo, foram US$ 2,932 bilhões em exportações e US$ 3,183 bilhões em importações. A balança não apresentava saldo negativo desde a quinta semana de agosto.

A queda nas vendas ao exterior é resultado de um recuo generalizado em todas as categorias de produtos ( básicos, semimanufaturados e manufaturados). O destaque são os itens básicos, como petróleo bruto e soja em grão, que tiveram uma queda de 12,8%.

Já o aumento nas importações é explicado principalmente “pelo aumento nos gastos com combustíveis e lubrificantes, equipamentos mecânicos, aparelhos eletroeletrônicos, químicos orgânicos/ inorgânicos, veículos e partes e adubos e fertilizantes”, diz a nota do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. No acumulado de outubro e do ano, o saldo entre exportações e importações ainda é positivo. No mês, o superavit é de US$ 777 milhões e, no ano, de US$ 11,025 bilhões.

PRESIDENTE DEFENDE AJUSTE
A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem, em evento durante visita à Suécia, que o Mercosul está pronto para apresentar sua proposta à União Europeia ( UE) para um acordo comercial entre os blocos. UE e Mercosul negociam há vários anos um acordo de livre comércio entre os blocos, que se tornou ainda mais importante para suas economias em virtude da assinatura, neste mês, de um acordo comercial entre os Estados Unidos e mais 11 países do Pacífico, a chamada Parceria Transpacífico ( TPP).

— O Mercosul está preparado para apresentar sua oferta comercial à União Europeia e, a partir daí, estabelecer um acordo comercial ambicioso e extremamente vantajoso para ambas as partes — disse Dilma em discurso na cerimônia de abertura de seminário empresarial Brasil- Suécia, em Estocolmo. — Este acordo abre para a União Europeia, e em especial para a Suécia, todo o mercado da América do Sul e, certamente, a partir daí, funcionará como uma plataforma para o restante do continente.

A troca simultânea de ofertas entre Mercosul e União Europeia é um passo decisivo para as negociações de um acordo de livre comércio, considerado por Dilma uma prioridade para o bloco de países sul- americanos neste ano. As partes, no entanto, ainda não definiram uma data para a apresentação das ofertas.

Em seu discurso no fórum empresarial, Dilma também reiterou o compromisso do governo com a política de ajuste fiscal, reforçando que o governo vem trabalhando para garantir o equilíbrio das contas públicas.

— Nossa economia tem fundamentos sólidos, e estamos trabalhando de maneira decidida para fortalecer sua saúde fiscal, retomando o equilíbrio, reduzindo a inflação, consolidando a estabilidade macroeconômica, para aumentar a confiança e garantir a retomada do crescimento — afirmou.

No domingo, em entrevista a jornalistas, a presidente afirmou que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, permanece no cargo, após especulações de que ele deixaria o governo, e voltou a defender a necessidade de aprovação da CPMF pelo Congresso para que o país volte a crescer.

O Globo – 20/10/2015

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Para analista, ‘Chinzila’, conexão de Brasil e China, é ameaça global

“Chinzila”, interação entre Brasil e China admirada no passado, tornou-se a maior ameaça à economia mundial, argumenta o estrategista mundial da Moore Europe Capital Management, Gene Frieda, em artigo no jornal britânico “Financial Times”.

Segundo ele, o impacto da desaceleração chinesa nos preços das commodities “transformou pequenas fissuras financeiras em linhas de ruptura sísmicas” nos mercados emergentes.

“Sem administração e coordenação cuidadosas, é possível que essas fissuras se tornem sistêmicas, e o yuan chinês pode se tornar o catalisador”, escreve Frieda.

Especialista em políticas econômicas globais, o economista afirma que a queda recente das Bolsas chinesas e a desvalorização cambial “mal conduzida” mostram que as autoridades chinesas superestimaram seu grau de controle sobre a economia.

“O Brasil, o beneficiário mais proeminente da ascensão chinesa, também foi o mais prejudicado pelo enfraquecimento subsequente. Com o impasse político impedindo redução significativa do deficit, o país subitamente vê a dinâmica de sua dívida em trajetória explosiva.”

CONTAS CORRENTES

Frieda afirma que a única saída para evitar um agravamento da economia brasileira é que as contas correntes se ajustem o suficiente para lidar com saídas de capital anormalmente grandes.

“A única solução é uma forte desvalorização cambial e aperto monetário que, em primeira instância, exacerbará a pressão pela redução do endividamento e o prejuízo com transações de crédito.”

Para isso, seria importante que a China se recuperasse por meio de “um forte estímulo fiscal do governo central orientado ao consumo e não à infraestrutura e reformas no mecanismo de intermediação de crédito e na previdência social”, consideradas politicamente difíceis.

“A pressão por desvalorização do yuan é um efeito colateral dos erros cometidos nas políticas do passado. Permitir que essa pressão escape (…) causará uma onda de deflação no planeta.”

Folha de S.Paulo – 20/10/2015

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Governo quer ampliar parcerias com Suécia

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro, afirmou ontem que empresários brasileiros identificam, na Suécia, um parceiro estratégico na área de tecnologia e inovação.

“Há um grande número de empresas suecas no Brasil e isso vai desencadear um comércio entre companhias. Os grupos suecos poderão utilizar o País como plataforma para ampliar a presença em toda a América Latina. “, disse Monteiro, que acompanha a presidenta Dilma Rousseff em visita oficial à Suécia.

Em Estocolmo, a presidenta citou o Plano de Nacional de Exportações que, segundo ela, com a alta do dólar, permitiu a reversão positiva da balança comercial.

“Nós saímos de um déficit de US$ 4 bilhões e acreditamos que chegaremos a um superávit em torno de US$ 16 bilhões. Isso significará que as exportações vão dar sua contribuição”, afirmou a presidente Dilma.

Monteiro ressaltou que o realinhamento do câmbio oferece a oportunidade de o Brasil aumentar as exportações. “O Brasil experimenta o aumento do volume exportado. Este é um ciclo virtuoso que está se abrindo para a economia brasileira”, disse.

Prévia

A balança comercial da terceira semana de outubro de 2015, com quatro dias úteis, registrou déficit de US$ 250 milhões, resultado de exportações de US$ 2,932 bilhões e de importações de US$ 3,183 bilhões. Porém, no ano, as exportações totalizaram US$ 153,017 bilhões e as importações US$ 141,991 bilhões, o que gerou um superávit US$ 11,025 bilhões. Os dados foram divulgados ontem pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC.

DCI – 20/10/2015

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China perde fôlego, mas ainda é gigante

A notícia de que o crescimento da China ficou abaixo de 7% pela primeira vez desde 2009 reforçou as preocupações com seu impacto para a economia mundial. No terceiro trimestre, o gigante asiático cresceu 6,9% frente ao ano anterior, o pior número desde o primeiro trimestre de 2009. Apesar da desaceleração, economistas lembram que o tamanho da economia chinesa é hoje muito maior do que há alguns anos. Em 2014, o Produto Interno Bruto ( PIB) chinês chegou a US$ 10,360 trilhões, o dobro dos US$ 5,05 trilhões de 2009.

O país responde por um décimo ( 10,4%) de todas as importações mundiais e 12,6% das exportações, números que refletem sua crescente importância no comércio mundial. Quando se trata de importações, no entanto, ainda está atrás dos Estados Unidos ( 12,5%). Em pouco mais de dez anos, entre 2005 e 2014, os chineses investiram US$ 1,01 trilhão em projetos em todo o mundo, quase metade na área de energia ( US$ 460 bilhões).

Diante dos dados do terceiro trimestre, um certo ceticismo em relação à veracidade dos números se espalhou pelo mercado. Há quem tema que a perda de ritmo seja ainda maior do que a divulgada oficialmente pelo governo.

O Globo – 20/10/2015

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China cresce 6,9%, mas economistas desconfiam da estatística oficial

Minutos após a China ter divulgado dados de crescimento melhores que o esperado pelo mercado, uma onda de ceticismo atingiu os economistas sobre a precisão da taxa oficial, que mostra um avanço de 6,9% da economia no terceiro trimestre.

As dúvidas dos economistas se centram em parte na aparente desconexão entre os dados principais e os subjacentes. Tanto as exportações quanto as importações caíram durante o terceiro trimestre, e a produção industrial foi mais fraca do que o esperado. A indústria registrou 43 meses consecutivos de queda nos preços e – apesar de uma onda de gastos do governo em infraestrutura – os investimentos em ativos fixos desacelerou em setembro.

Embora o varejo e o setor de serviços tenham se mantido em alta, e novos dados de empréstimos em setembro apontem para um aumento na demanda, esses fatores não são suficientes para compensar os dados negativos, dizem os economistas. “Ao olhar para os números, não é muito fácil ver como o crescimento do PIB se manteve tão bem”, diz Klaus Baader, economista do Société Générale CIB.

Os relatórios fracos que antecederam a divulgação do PIB reforçaram a impressão de que a China está cada vez mais pressionada para atingir a meta de crescimento para este ano, de cerca de 7%, que já seria a menor em 25 anos.

Economistas dizem que a segunda maior economia do mundo está longe de um colapso, embora alguns digam acreditar que o crescimento atual real esteja um ou dois pontos percentuais abaixo dos dados oficiais.

As estatísticas oficiais da China sobre o crescimento há tempos são vistas com ceticismo. Embora a metodologia tenha melhorado exponencialmente desde os dias do Grande Salto Adiante, campanha de Mao Tsé-Tung entre 1958 e 1960 para tornar a China um país desenvolvido, quando oficiais eram incentivados a inflar os números para satisfazer ao líder, muitos dizem que ainda há a intenção de alcançar a meta pré-determinada, mesmo quando as condições subjacentes mudam.

O banco central da China, o Ministério das Finanças e a agência de estatísticas não comentaram imediatamente. Em setembro, a Comissão de Desenvolvimento e Reforma Nacional, o principal órgão de planejamento chinês, desconsiderou o ceticismo sobre a taxa de crescimento de 7% no primeiro semestre como “muito arbitrário”. O banco central chinês informou este mês que o país adotaria o rigoroso sistema estatístico do Fundo Monetário Internacional para “melhorar ainda mais a transparência estatística, a credibilidade e a comparabilidade da China”.

Em 2010, uma mensagem diplomática americana vazada citava o atual primeiro-ministro, Li Keqiang, então secretário do partido na província de Liaoning, dizendo que os dados de crescimento chinês eram “produzidos pelo homem”, sugerindo que uma forma melhor de calcular o crescimento seria olhar os volumes das cargas ferroviárias, o consumo de eletricidade e os empréstimos concedidos pelos bancos. Seus comentários impulsionaram toda uma indústria artesanal de medidores alternativos de crescimento, a maioria concluindo que a atual expansão está entre 4% e 5%.

Entre esses indicadores alternativos, a produção de eletricidade caiu 1,3% na comparação anual e os volumes de carga nos portos cresceram 1,4% no terceiro trimestre, enquanto o tráfego de fretes domésticos aumentou 5,8% em média em julho e agosto.

Há mais sinais de empresas chinesas em dificuldades.

Na semana passada, a trading de aço Sinosteel Co. quase se tornou a primeira empresa estatal a não honrar seus títulos de dívida, antes que um resgate adiasse em um mês o pagamento de dois bilhões de yuans (US$ 315 milhões) em bônus. Ontem, a Standard & Poor’s Service afirmou que a aparente intervenção do governo suscita dúvidas sobre o compromisso da China de permitir que o mercado tenha um papel mais ativo na economia.

A Capital Economics, que estima que a economia chinesa esteja crescendo realmente em torno de 4,5%, informou que, antes de 2012, havia pouco risco do crescimento não atingir as metas porque elas ficavam bem abaixo das altas taxas de expansão da China. Agora, o menor crescimento coloca mais pressão política nos estatísticos para que as metas sejam atingidas, afirmou.

O sistema estatístico de todos os países possui deficiências que produzem erros, que em muitos lugares tendem a ser compensados, enquanto na China, os erros tendem a ser todos na mesma direção, afirmou a Capital Economics. Segundo grupo de pesquisa, “atualmente, é difícil encontrar alguém que acredite que os dados do PIB da China possam ser considerados como declarado”.

Um sinal de alerta para os economistas é a falta de oscilação nas taxas de crescimento da China de trimestre para trimestre. Quando o Benford’s Law – um método de análise digital para detectar anomalias em conjuntos de estatísticas – é aplicado aos números de crescimento da China, há uma forte sugestão de uniformização, diz Huw McKay, economista do banco Westpac. Acadêmicos aplicaram o método aos dados da Grécia em 2011, que apoiou uma investigação anterior da Comissão Europeia que encontrou manipulação flagrante de dados.

Os economistas dizem que a China ainda está desenvolvendo e melhorando seus métodos de divulgação econômica e que ela está no meio de uma transição desafiadora de crescimento liderado pelo consumo interno e serviços – ambos mais difíceis de computar que a indústria e os investimentos estatais.

Mas mesmo em desaceleração, a China continua crescendo a um ritmo invejável. A economia do país tem hoje quase o dobro do tamanho de há apenas seis anos, ou seja, mesmo com um crescimento mais baixo, ele continua sendo um importante motor para o consumo e a produção global.

Valor Econômico – 20/10/2015

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Política externa chinesa busca criar uma nova ‘Rota da Seda’

“Os paióis grãos de todas as cidades estão repletos de reservas, e os cofres cheios de tesouros e ouro em valor de trilhões”, escreveu Sima Qian, historiador chinês do século 1 a.C. “Há tanto dinheiro que os cordões usados para manter moedas unidas apodrecem e se quebram, uma quantia inimaginável. Os paióis de grãos da capital estão tão cheios que os grãos se espalham pelas ruas, apodrecem e não podem ser comidos”.

Ele estava descrevendo os lendários superavits da dinastia Han, uma era caracterizada pela primeira expansão chinesa rumo ao oeste e sul, e pelo estabelecimento de rotas comerciais que mais tarde se tornariam conhecidas como “Rota da Seda”, que se estendiam de Xi’an, a capital chinesa do período, a Roma.

Passado um milênio ou dois, a conversa sobre expansão volta a surgir, em um período de alta dos superavits chineses. Não há cordões para organizar os US$ 4 trilhões em reservas do país —as mais altas do planeta— e além de silos repletos de alimentos a China também tem superavits de imóveis, cimento e aço.

Depois de duas décadas de rápido crescimento, Pequim uma vez mais volta a buscar oportunidades de investimento e comércio longe de suas fronteiras, e para fazê-lo está recuando à sua antiga grandeza imperial e à familiar metáfora da “Rota da Seda”. Criar uma versão moderna dessa antiga rota comercial se tornou a principal iniciativa da política externa da China na presidência de Xi Jinping.

“É um dos poucos termos que as pessoas recordam de suas aulas de História e que não envolve poder bélico… são exatamente essas associações positivas que os chineses desejam enfatizar”, diz Valerie Hanson, professora de História da China na Universidade de Yale.

A GRANDE IDEIA DE XI

Se todos os compromissos assumidos por Xi forem computados pelo valor de face, a nova Rota da Seda deve se tornar o maior programa de diplomacia econômica desde o Plano Marshall, que os Estados Unidos conduziram para promover a reconstrução da Europa no pós-guerra, cobrindo dezenas de países com população total de mais de três bilhões de pessoas.

A escala demonstra as imensas ambições em jogo. Mas diante de um pano de fundo de crescimento hesitante e do crescente poderio de suas forças armadas, o projeto assume importância imensa como forma de definir o lugar da China no planeta e suas relações —ocasionalmente tensas— com os países vizinhos.

Em termos econômicos, diplomáticos e militares, Pequim usará o projeto para afirmar sua liderança regional na Ásia, dizem os especialistas. Para alguns, isso expõe o desejo de estabelecer uma nova esfera de influência, uma versão moderna do Grande Jogo do século 19, quando Grã-Bretanha e Rússia disputavam o controle da Ásia Central.

“A Rota da Seda foi parte da história chinesa, datando das dinastias Han e Tang, dois dos maiores impérios da China”, diz Friedrich Wu, professor da Escola S Rajaratnam de Relações Internacionais, em Cingapura. “A iniciativa é um lembrete oportuno de que, sob o Partido Comunista, a China está construindo um novo império”.

De acordo com antigos funcionários do governo chinês, a grande visão para uma nova Rota da Seda surgiu modestamente, dos escalões inferiores do Ministério do Comércio chinês. Em busca de uma maneira de enfrentar o grande excesso de capacidade dos setores siderúrgico e industrial, as autoridades do comércio começaram a desenvolver um plano para elevar as exportações. Em 2013, o programa recebeu endosso inicial da parte do primeiro escalão, quando Xi anunciou a nova Rota da Seda, em uma visita ao Cazaquistão.

Desde que o presidente dedicou um segundo grande discurso ao plano, em março —quando as preocupações quanto à desaceleração econômica estavam em alta—, ele ganhou força como iniciativa política, e um nome mais desajeitado: “Um cinturão, uma estrada”. O cinturão se refere à rota terrestre que liga Ásia Central, Rússia e Europa. A estrada, estranhamente, é uma referência a uma rota marítima, pelo oeste do Pacífico e Oceano Índico.

Em alguns países, essa pressão de Pequim encontra só portas abertas. O comércio entre a China e os cinco países da Ásia Central – Cazaquistão, Quirguízia, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão – cresceu dramaticamente desde 2000, atingindo os US$ 50 bilhões em 2013, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A China agora deseja construir as estradas e oleodutos necessários a facilitar o acesso aos recursos de que necessita para manter seu desenvolvimento.

Xi começou a oferecer mais detalhes sobre o plano alguns meses atrás, ao anunciar US$ 46 bilhões em investimentos e linhas de crédito para um corredor econômico China-Paquistão, com terminal em Gwadar, um porto no Mar da Arábia. Pequim anunciou planos para injetar US$ 62 bilhões de suas reservas cambiais em três bancos estatais que financiarão a expansão da nova Rota da Seda. Alguns dos projetos, que já estão em estudos, parecem ter sido adotados como parte do novo esquema por burocratas e empreendedores que correm para enquadrar seus planos à política de Xi.

“Eles estão aplicando um novo slogan a coisas que desejavam fazer há muito tempo”, diz um diplomata ocidental.

“É como uma árvore de Natal”, diz Scott Kennedy, diretor assistente do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington. “Pode-se pendurar muitos objetivos de política externa nela, mas ninguém conduziu a análise econômica necessária. O dinheiro do governo que eles estão investindo não é suficiente; eles esperam atrair capital privado, mas será que o capital privado está interessado? Os projetos darão dinheiro?”

Além de oferecer um vislumbre das ambições da China, a nova Rota da Seda oferece uma janela que revela como Pequim conduz sua política macroeconômica —muitas vezes de improviso, com os burocratas correndo para dar substância a declarações vagas e ocasionalmente contraditórias vindas dos escalões superiores. “Parte acontece de cima para baixo, parte de baixo para cima, mas por enquanto no meio não existe nada”, disse um antigo funcionário do governo chinês.

“O resto da burocracia está tentando recuperar o atraso e chegar aos lugares em que Xi fincou a bandeira chinesa”, diz Paul Haenle, diretor do Centro Carnegie-Tsinghua, em Pequim. “Quando Xi anuncia alguma coisa, a burocracia precisa levar a ideia diante. Precisam revestir de carne aquele esqueleto”.

Surgiram algumas pistas em março quando a poderosa Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, a organização chinesa de planejamento central, publicou um desajeitado documento, “Visões e Ações para a Construção Conjunta do Cinturão Econômico da Rota da Seda e da Rota da Seda Marítima do Século 21”.

O texto oferece profusão de detalhes quanto a algumas coisas —como por exemplo a realização de feiras de livros— mas é vago quanto a outras, por exemplo os nomes dos países incluídos. Peru, Sri Lanka e até o Reino Unido constam de algumas versões dos mapas semioficiais do projeto, mas não constam de outras.

No entanto, ao que parece existe uma lista completa. Em 28 de abril, o Ministério do Comércio anunciou que os países da Rota da Seda respondem por 26% do comércio internacional chinês, uma estatística notavelmente precisa. No entanto, um pedido do “Financial Times” de detalhes mais específicos sobre a lista de nações não foi atendido.

Tampouco existe indicação de como o sistema será operado —por meio de uma burocracia própria ou de departamentos separados em diferentes ministérios e bancos de desenvolvimento. Com os governos estrangeiros e bancos multinacionais acompanhando atentamente os pronunciamentos oraculares de Pequim a fim de tentar compreender o que significam, a confusão e indefinição não passaram despercebidas.

“Se queremos conversar sobre a Rota da Seda”, disse um diplomata de um país vizinho, “não sabemos a quem telefonar”.

À medida que os interesses econômicos internacionais do país se expandem, seu imenso aparato de segurança e suas forças armadas provavelmente se verão atraídos a desempenhar papel regional mais importante.

A China não tem bases militares no exterior e insiste firmemente em que não deseja interferir na política interna de qualquer outro país. Mas um anteprojeto de lei de combate ao terrorismo pela primeira vez torna legal o envio de soldados chineses a bases no exterior, com o consentimento do país anfitrião.

As forças armadas da China também estão ávidas por seu quinhão nos generosos recursos reservados para a campanha da nova Rota da Seda. Um antigo funcionário do governo norte-americano diz ter sido informado por generais de alta patente nas forças armadas chinesas de que a estratégia de “um cinturão, uma estrada” precisa ter um componente de segurança.

Projetos em áreas instáveis inevitavelmente representarão um teste para a política chinesa de evitar envolvimentos externos quanto a questões de segurança. O Paquistão dedica 10 mil soldados a proteger projetos de investimento chineses, enquanto no Afeganistão soldados norte-americanos até o momento vêm protegendo uma mina de cobre que conta com investimentos chineses.

A construção de portos em países como o Sri Lanka, Bangladesh e Paquistão levou alguns analistas a questionar se o objetivo último da China não seria desenvolver instalações logísticas de duplo uso que poderiam ser colocadas em serviço para permitir que o país controlasse rotas de navegação —uma estratégia que leva o apelido de “colar de pérolas”.

Conquistar a confiança de vizinhos cautelosos, entre os quais Vietnã, Rússia e Índia, não pode ser considerado como automático, e as exibições de poderio bélico de Pequim em outras áreas não ajudam. No Mar do Sul da China, por exemplo, os confrontos navais vêm crescendo, diante das agressivas reivindicações marítimas chinesas.

EXCESSO DE CAPACIDADE

A teoria de Lênin de que o imperialismo é causado por excedentes de produção em países capitalistas parece ser confirmada, estranhamente, por um dos últimos países (ostensivamente) leninistas do planeta. Não é coincidência que a estratégia da Rota da Seda coincida com o pós-jogo de um boom de investimento que resultou em vasto excesso de capacidade de produção e na necessidade de encontrar novos mercados no exterior.

“O crescimento do setor de construção está se desacelerando, e a China não precisa construir muitas vias expressas, ferrovias e portos novos, o que significa que precisam encontrar outros países nos quais fazê-lo”, disse Tom Miller, da Gavekal Dragonomics, uma consultoria de Pequim. “Um dos objetivos claros da campanha é obter mais contratos para construtoras chinesas no exterior”.

Como o Plano Marshall, a iniciativa da nova Rota da Seda parece concebida para empregar agrados econômicos como forma de resolver outras vulnerabilidades. A região da fronteira oeste da China e os vizinhos do país na Ásia Central abrigam vastas reservas de petróleo e gás natural. A região de Xinjiang, que abriga uma das maiores reservas de energia da China e é crucial para a nova Rota da Seda, também é o lar de uma irrequieta minoria uigur, que tem raízes culturais turcas, é muito mais pobre que a população da região costeira chinesa e gostaria de romper seus elos com Pequim. A região registrou severas erupções de violência nos últimos anos.

Um avanço para a Ásia Central ocupará em parte o vácuo deixado pela retirada de Moscou depois da guerra fria, e pela retirada militar de Washington, que abandonará o Afeganistão no ano que vem. Já que Pequim afirma que está enfrentando crescente ameaça terrorista, estabilizar a região como um todo é prioridade.

Mas, ao fazê-lo, a China terá de resolver o mesmo dilema que prejudicou os Estados Unidos em seus esforços de “construção de nações”: decidir se segurança e estabilidade são pré-requisitos para o desenvolvimento econômico ou se, como Pequim parece acreditar, é possível pacificar conflitos locais por meio de um mar de investimentos e gastos com infraestrutura.

ISLAMISMO RADICAL

Se essa abordagem não funcionar, a China terá de encarar alternativas desagradáveis —ou bem abandonar o projeto ou bem correr o risco de se ver aprisionada por compromissos de segurança e envolvida em questões de política local.

O país já deixou claro que não deseja substituir os Estados Unidos no Afeganistão e nem se vê como polícia regional. “A China não comentará os mesmos erros”, diz Jia Jinjing, especialista em questões do sul da Ásia na Universidade Renmin, de Pequim.

O desenvolvimento econômico, argumentam os estrategistas de Pequim, removerá os atrativos do islamismo radical, na China, Paquistão, Afeganistão e Ásia Central. Mas os críticos apontam que políticas culturalmente insensíveis, forte presença de segurança e políticas que beneficiam as comunidades de etnia chinesa em detrimento das comunidades locais até agora só serviram para agravar as tensões em Xinjiang, região desértica que abriga 22% das reservas internas de petróleo e 40% dos depósitos de carvão da China.

Estradas e oleodutos atravessando o Paquistão e Mianmar permitirão, no futuro, que a China evite outra vulnerabilidade estratégica —o gargalo do Estreito de Malaca, pelo qual 75% de suas importações de petróleo têm de passar. Metade do gás natural chinês já chega ao país da Ásia Central, graças a uma dispendiosa estratégia dos predecessores de Xi para reduzir a dependência do país quanto a importações marítimas.

Embora alguns vizinhos devam receber o investimento positivamente, é menos claro que desejem absorver o excedente da capacidade de produção chinesa. Muitos desses países têm desemprego elevado e siderúrgicas deficitárias, ou ambições de desenvolver a indústria nacional, em lugar de importar produtos alheios.

Investimento em larga escala também poderia causar preocupação sobre a abertura das portas ao domínio econômico chinês —como aconteceu em Mianmar e Sri Lanka—, e com ele influência política. Mas a China espera que a atração dos grandes investimentos se prove um incentivo forte demais para que os vizinhos desejem resistir.

“Eles [Pequim] não têm muito poder brando, porque poucos países confiam neles”, diz Miller. “E ou não podem ou não querem usar a força militar. O que eles têm é muito dinheiro”.

Folha de S.Paulo – 20/10/2015

Redação On outubro - 20 - 2015
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