Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 23 de Setembro de 2017






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Atividade econômica do Brasil afeta produção de aço

Insumo produzido até setembro teve queda de 1,2%

Leonardo Francia

A produção nacional de aço bruto alcançou 25,253 milhões de toneladas no acumulado ano até setembro, 1,2% menos que o volume produzido nos mesmos meses de 2014 (25,555 milhões de toneladas). Nos últimos 12 meses o País produziu 33,594 milhões de toneladas de aço. Os números foram divulgados ontem pelo Instituto Aço Brasil (IABr).

As siderúrgicas instaladas em Minas Gerais produziram 8,021 milhões de toneladas de aço bruto entre janeiro e setembro, o que equivale a 31,7% do total do País para o período. Só a produção de laminados e semiacabados no Estado alcançou 7,414 milhões de toneladas no acumulado do ano até o mês passado.

A produção brasileira de laminados (aços planos e aços longos) atingiu 17,393 milhões de toneladas de janeiro a setembro sobre 18,949 milhões de toneladas ante o mesmo período de 2014, uma retração de 8,2%. O volume de laminados produzido nos últimos 12 meses totalizou 23,359 milhões de toneladas e respondeu por 70% do total de aço produzido no intervalo em todo o Brasil.

Com base nas informações divulgadas pelo IABr, o volume de aços planos, usados pelo setor automotivo e para a produção de eletrodomésticos da linha branca, totalizou 10,197 milhões de toneladas até setembro, volume 4,8% menor do que o do mesmo período do exercício anterior (10,708 milhões de toneladas).

A produção nacional de aços longos também caiu. O volume do insumo, usado majoritariamente pela indústria da construção civil, produzido entre janeiro e setembro somou 7,195 milhões de toneladas, 12,7% de queda em relação às 8,241 milhões de toneladas produzidas no mesmo período de 2014.

Ainda de acordo com os dados do IABr, a produção de semiacabados (placas, blocos e tarugos) somou 6,624 milhões de toneladas de janeiro a setembro, volume 36% maior do que o de igual período do exercício anterior, que somou 4,872 milhões de toneladas.

Já as vendas acumuladas de produtos siderúrgicos ao mercado brasileiro no acumulado até setembro de 2015 somaram 14,2 milhões de toneladas, redução de 14,3% em comparação com o mesmo período de 2014. Ainda segundo o IABr, o consumo aparente nacional de aço chegou a 16,9 milhões de toneladas no acumulado do ano, retração de 14% frente ao mesmos meses de 2014.

Compras externas – No que se refere às importações, o País importou 2,8 milhões de toneladas de produtos siderúrgicos até setembro, praticamente 12% menos do que nos mesmos meses do ano passado, quando as comparas de aço no exterior totalizaram 3,2 milhões de toneladas.

Conforme o IABr, apesar das condições adversas do mercado internacional as exportações de produtos siderúrgicos até setembro de 2015 totalizaram 10 milhões de toneladas, o que rendeu US$ 5,2 bilhões de dólares, crescimento de 48,6% em volume e de 6,1% em valor, quando comparados às do mesmo período do ano anterior.

O resultado, segundo o Instituto se deve, principalmente, ao aumento de operações “inter companies”, a partir do 2º semestre de 2014, para fornecimento de semiacabados a plantas na Europa e nos Estados Unidos, e, também, devido às ações emergenciais do setor para evitar redução ainda maior do grau de utilização da capacidade instalada.

Fonte: Diário do Comércio

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Copom avalia rever toda sua estratégia

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central vai reavaliar, em reunião que começa hoje, a sua estratégia de política monetária como um todo, e não apenas um eventual adiamento de 2016 para 2017 da convergência da inflação para a meta, de 4,5%.

Nessas discussões, um aspecto central será definir um novo “forward guidance” para a política monetária, sinalizando como pretende guiar as suas decisões futuras para a taxa de juros.

A estratégia atual, que segue válida até sinal em contrário e inclui manter os juros em 14,25% ao ano por um bom tempo, contempla a convergência da inflação ao centro da meta ao fim de 2016.

Mas o BC prometia subir os juros se as suas projeções de inflação se desviassem significativamente de seu objetivo. Isso ocorreu no Relatório de Inflação de setembro, devido à alta do dólar e à deterioração das expectativas de mercado provocadas pelas incertezas sobre a política fiscal. O Copom, porém, decidiu não agir de imediato, argumentando que seria necessário esperar para avaliar o quanto da piora recente do cenário seria permanente.

Hoje, o BC já tem uma ideia mais clara sobre o patamar da taxa de câmbio que deve se manter, e está estimando quanto da solução em andamento do problema fiscal vai bater na inflação.

As contas estão sendo refeitas, mas já dá para saber que há um desvio da inflação em relação à meta de 2016. Essa alta, porém, tende a ser temporária. A valorização do dólar se transmite para a inflação mais rapidamente, se concentrando até meados de 2016, enquanto a atividade vai pesar mais na inflação daí por diante, trazendo o indice de preços à meta em 2017.

Em fins de 2014, o BC havia decidido levar a inflação à meta em dois anos, até 2016, para suavizar os custos em termos de desemprego e queda da economia para cumprir a meta. Com a economia caindo quase 3% em 2015, o sacrifício é hoje maior que o previsto. Consultado pelo Valor, o BC negou oficialmente que vá adiar para 2017 o cumprimento da meta.

Valor Econômico – 20/10/2015

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IGP-M sobe 1,86% na 2ª prévia de outubro e aumenta 10,06% em 12 meses

SÃO PAULO  –  A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) acelerou para 1,86% na segunda prévia de outubro, vinda de 0,65% no mesmo período um mês antes, de acordo com a Fundação Getulio Cargas (FGV). A alta foi puxada, em especial, pelos preços no atacado, em especial produtos influenciados pela depreciação cambial, como minério e grãos. O indicador, usado como referência para o reajuste de contratos, como os de aluguel, registrou elevação de 8,32% no ano e de 10,06% em 12 meses.

No atacado, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) subiu 2,63% na segunda prévia deste mês, após avançar 0,89% na parcial de setembro. Enquanto os produtos agropecuários foram de 1,44% para 3,55% de alta, os produtos industriais passaram de 0,69% para 2,27% de aumento.

Na análise por estágio de produção, as Matérias-primas brutas aceleraram de 1,47% para 4,37% em decorrência do comportamento de itens como minério de ferro (-0,18% para 5,46%), milho em grão (3,04% para 12,82%) e soja em grão (4,20% para 7,12%). Os Bens intermediários também avançaram mais, de 1,04% para 2,18%, com destaque para materiais e componentes para a manufatura (1,33% para 2,98%). Os Bens finais passaram de 0,28% para 1,65%, puxados por alimentos processados (0,83% para 2,69%).

No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,57% na segunda prévia deste mês, depois de elevação de 0,23% na leitura correspondente de setembro. Cinco das oito classes de despesa componentes do indicador apresentaram taxas mais altas, com destaque para Transportes (0,27% para 1,22%), puxados por tarifa de ônibus urbano (0,27% para 2,78%).

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), por sua vez, teve acréscimo de 0,14%, seguindo alta de 0,11% na segunda leitura de setembro. O índice relativo a materiais, equipamentos e serviços registrou variação positiva de 0,30% enquanto o índice que representa o custo da mão de obra ficou estável.

Valor Econômico – 20/10/2015

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IPC-Fipe aumenta para 0,89% na segunda medição de outubro

SÃO PAULO  –  A inflação acelerou na cidade São Paulo na segunda prévia deste mês, puxada principalmente pelo aumento nas despesas com alimentos. Os gastos com Habitação subiram menos, mas ainda assim foram expressivos, conforme levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) avançou 0,89% na segunda leitura do mês, vindo de uma alta de 0,79% na abertura de outubro. Alimentação saiu de alta de 0,43% para 0,98% e foi responsável por 0,24 ponto percentual na formação do indicador. Outro avanço expressivo ocorreu nas despesas com Transportes, que passaram de 0,46% para 0,89% de incremento. Também houve aceleração em Saúde (0,69% para 0,76%), Despesas pessoais (1,01% para 1,07%) e Vestuário (0,55% para 0,79%).

Em Habitação, apesar de um alívio no ritmo de aumento entre a primeira e a segunda quadrissemana de outubro, de 1,26% para 0,87%, a classe de despesa foi a com maior peso na formação do IPC-Fipe do período, com 0,27 ponto percentual. Educação, por sua vez, saiu de elevação de 0,29% para 0,20%.

Valor Econômico – 20/10/2015

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Gasolina e energia puxam IPCA-15, dizem analistas

Uma nova rodada de aumentos de preços administrados em outubro, com destaque para gasolina e energia elétrica, deve adicionar pressão sobre a inflação no mês, o que levará a prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) a se aproximar de 10% no acumulado em 12 meses, segundo economistas. De acordo com a média das estimativas de 17 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, o IPCA-15 subiu 0,67% em outubro, após alta de 0,39% em setembro.

As projeções para a prévia da inflação oficial, a ser divulgada amanhã pelo IBGE, vão de aumento de 0,58% a 0,71%. No acumulado em 12 meses, o índice vai continuar a acelerar, estimam os economistas. Após alta de 9,57% até setembro, o IPCA-15 deve subir 9,78% nos 12 meses encerrados em outubro.

fabio

Fabio Romão, economista da LCA Consultores, estima alta de 0,68% do índice entre setembro e outubro e avalia que o grupo transportes deve explicar boa parte dessa aceleração. No mês passado, comenta, esse grupo subiu 0,78%, variação que deve acelerar para 1,29% nesta leitura. Além do reajuste de 6% da gasolina nas refinarias anunciado no fim de setembro, diz Romão, os preços do etanol também estão bastante pressionados.

“Grande parte da frota de veículos hoje é flex e os produtores de etanol estão aproveitando para recuperar margem. Além disso, a sazonalidade favorece aumentos”, comenta. Para o etanol, Romão estima alta de 6% no IPCA-15, avanço até maior do que o esperado para a gasolina, para o qual o economista projeta elevação de 2,5%.

Até o fim do mês, essas variações devem se acentuar, com a captura completa do reajuste anunciado pela Petrobras, diz. As passagens aéreas, afirma, devem ter alta mais branda do que os 23% registrados no mês anterior, mas vão continuar a subir em outubro.

Outro reajuste de itens monitorados, dessa vez da energia elétrica, terá peso sobre o grupo habitação, observa Romão. A conta de luz deve ficar 0,69% mais cara nesta leitura, após deflação de 0,37% em setembro. “Não são aumentos expressivos como vimos no início do ano, mas dado o peso da energia elétrica no índice, essa mudança é importante”, ressalta.

O Itaú calcula que a alta de preços administrados deve ser de 1,17% em outubro, diante dos reajustes de transportes e habitação. O IPCA-15 deve subir menos – 0,68% nas projeções do banco – por causa do comportamento dos preços livres, para o qual os economistas estimam avanço de 0,53%. Nesse caso, a principal fonte de pressão vem de alimentos e bebidas, que devem adicionar 0,13 ponto ao índice deste mês.

Romão, da LCA, nota que, dentro desse grupo, são vários os produtos com alta. “Arroz, feijão e frutas, por exemplo, que estavam em campo negativo, voltaram a subir. Carnes, aves e ovos devem ter aumentos maiores do que há um mês, assim como bebidas”, diz. Ele projeta alta de 0,41% para alimentos e bebidas este mês.

Valor Econômico – 20/10/2015

 

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Economistas projetam maior pressão inflacionária em 2016

Economistas de instituições financeiras continuam vendo maior pressão inflacionária neste e no próximo ano, mesmo com a economia chegando a uma contração de 3% em 2015.

Diante disso, elevam a perspectiva para a taxa básica de juros em 2016.

A pesquisa Focus do Banco Central, divulgada ontem, apontou que a expectativa para a alta do IPCA em 2016 é de 6,12%, na 11ª piora seguida.

Para 2015, o levantamento semanal com uma centena de especialistas mostrou piora de 0,05 ponto percentual na projeção para a alta do IPCA.

A valorização do dólar também pesa sobre a alta dos preços, devendo se prolongar para o ano que vem. Entretanto a projeção para a moeda norte-americana permaneceu em R$ 4 para este ano e caiu a R$ 4,13 em 2016, contra os anteriores R$ 4,15.

A estimativa é de que a Selic seja mantida, terminando 2015 no patamar de 14,25%.

A projeção agora é de retração do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,22% em 2016, contra queda de 1,20% antes. Para 2015 é esperada contração de 3%, após projeção de -2,97%.

DCI – 20/10/2015

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Governo estuda acordo para quitar ‘pedaladas’

O Ministério da Fazenda trabalha numa proposta de acerto de contas entre a União e o BNDES para quitar o estoque de R$ 24,5 bilhões das “pedaladas fiscais” e cumprir a exigência feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de que as contas sejam regularizadas.

A decisão dependerá da estratégia fiscal do governo para este ano e 2016. Apesar de já estar claro que a União não cumprirá a meta, já reduzida, de superávit primário de 0,15% do PIB para este ano, o governo ainda discute a magnitude do que pode ser considerado um déficit aceitável que não piore ainda mais as avaliações da nota de crédito do país.

O Valor apurou que há grande resistência na equipe econômica em fazer simplesmente o pagamento dos subsídios atrasados. A avaliação é que isso significaria na prática uma transferência de recursos para o BNDES, elevando a capacidade de empréstimo da instituição. O governo também quer garantir que não haja impacto na dívida bruta da União, principal indicador da solvência do país, que já atingia 65,3% do PIB em agosto. Em qualquer cenário – a quitação das pedaladas ou o acerto de contas – haverá déficit primário para a União.

Atualmente, o crédito das pedaladas está contabilizado no patrimônio de longo prazo do BNDES. Se o Tesouro Nacional emite títulos para pagar a dívida, esse crédito melhora de qualidade e passa a ser equivalente a dinheiro no caixa. Com isso, o banco passa a ter mais liquidez para conceder financiamentos. O resultado acaba sendo praticamente o mesmo das transferências de mais de R$ 300 bilhões que a União fez ao BNDES e que foram suspensas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Da mesma forma que o BNDES é credor do Tesouro, o Tesouro também tem créditos com o banco oficial. A proposta em estudo é que, ao mesmo tempo em que o Tesouro faça o pagamento ao BNDES, o banco faça um adiantamento no mesmo valor do pagamento de juros que deve à União sobre os empréstimos feitos para financiar o Programa de Sustentação ao Investimento (PSI), além da política anticíclica do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.

O BNDES renegociou a dívida com o Tesouro Nacional em março de 2014, quando o desembolso dos juros sobre os empréstimos da União aumentaria. Além de reduzir os juros cobrados, o banco ganhou seis anos de carência para começar a pagar juros (2020) e 26 anos para o pagamento do principal (2040). Os juros pagos entre o sétimo e o 21º ano serão equivalentes a um terço da TJLP e sempre limitados a 6% ao ano.

A discussão no momento é se o governo precisa de uma lei para autorizar o encontro de contas com o banco. A Fazenda estuda se a operação não pode ser vista apenas como um adiantamento do BNDES a seu controlador. O argumento contrário é que será preciso de autorização legal para mudar as condições contratuais acordadas com o banco de fomento.

Outra dificuldade é o impacto que o pagamento pode ter sobre a capacidade de o BNDES honrar os empréstimos que já foram feitos, assim como a capacidade do banco fazer novos financiamentos nos próximos anos. Essas contas, que estão sendo feitas pelos técnicos do governo podem definir, inclusive, o valor que o governo considera possível pagar nesse ano.

A decisão já tomada pelo TCU, da qual o governo recorre e ainda não tem resultado, exige que o Banco Central contabilize a dívida do BNDES, além das demais “pedaladas”, na dívida pública. Quando isso for feito, haverá impacto imediato sobre a dívida bruta. O efeito do acerto de contas sobre o primário será integral, mas é diferente nas dívidas líquidas e bruta.

Na contabilidade da dívida líquida, um crédito da União contra o BNDES, que são os contratos de empréstimo, será substituído por um fluxo de caixa, na forma do adiantamento de juros. O resultado final sobre a dívida líquida, porém, será negativo. A dívida sobe nesse conceito contábil, porque haverá déficit primário quando o Tesouro pagar ao BNDES.

No caso da dívida bruta, o efeito será neutro. O endividamento bruto aumenta quando o governo reconhece e paga a dívida junto ao BNDES, devido ao mesmo resultado primário negativo. Mas cai em valor equivalente ao dinheiro que receber do banco.

Valor Econômico – 20/10/2015

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Nakano: inflação pode sair do controle se crise de confiança piorar

RIO  –  O diretor da escola de Economia da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (EESP/FGV), Yoshiaki Nakano, acredita que o processo inflacionário pode sair do controle do governo, caso a crise de confiança se agrave. “Só um governo fraco pode entrar num processo de desajuste desse jeito”, disse durante palestra da FGV Rio sobre ajuste fiscal e reformas orçamentárias, nesta segunda-feira.

A “leniência fiscal”, na avaliação de Nakano, aumenta o risco país e eleva o canal pelo qual a taxa de câmbio pode disparar e com isso levar os preços junto para cima. “A crise financeira é sempre detonada por uma crise de confiança extrema”, afirmou.

“Será que o governo é capaz de fazer um ajuste?”, questionou para ele mesmo responder: “eu acho que não”. Para Nakano, o governo já vem sinalizando que não conseguirá alcançar o ajuste necessário, com o próprio PT — partido da presidente Dilma Rousseff — pedindo a saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. No atual cenário, o governo tem que “ceder, ceder, ceder”, destacou.

Nakano afirma que o ajuste fiscal deve ser realizado pelo corte de gasto, e não pelo aumento de impostos. Governos que aumentam impostos, afirma o economista da FGV, têm novo problema fiscal em média após quatro anos. Enquanto os que reduzem gastos são mais bem-sucedidos, afirmou. “Primeiro você deve cortar despesa corrente, e não fazer o ajuste do lado da receita, que normalmente dá errado”. O aumento de imposto eleva a receita, mas não muda a trajetória ascendente da dívida pública, segundo ele.

Antes de Nakano, o professor de economia da FGV Rubens Penha Cysne afirmou que o problema do país não é de dominância fiscal, mas de “dominância política”.

O economista classificou a situação econômica do país como uma “cirrose fiscal”, quadro em que se conjuga leniência fiscal com taxa de câmbio flexível. Para Cysne, o Banco Central eleva os juros para conter a “leniência fiscal”, atrai moeda estrangeira, valoriza o real e vai destruindo aos poucos a situação fiscal, situação que se retroalimenta.

Nos cálculos do professor da FGV, o imposto inflacionário é semelhante ao que o governo entrega no Bolsa Família: “Você dá com uma mão e tira com a outra”, disse.

Valor Econômico – 19/10/2015 – 22h12

 

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Gasto e sistema tributário esquentam debate entre economistas

SÃO PAULO  –  O debate sobre a necessidade de revisar a trajetória de crescimento de gastos e o sistema tributário brasileiro proporcionaram os momentos de debate mais acalorado em evento promovido pelo Insper entre economistas ortodoxos e heterodoxos, nesta segunda-feira.

Ao ser questionado pelo mediador sobre a necessidade de uma reforma da Previdência, Pedro Paulo Zahluth Bastos, professor da Unicamp, afirmou que talvez seja necessário, “eventualmente”, discutir algumas “superaposentadorias”. “Mas me causa espécie que se discuta apenas o lado do gasto, e particularmente do gasto social. Não ouço as pessoas preocupadas com estrutura tributária brasileira, que é uma das mais regressivas do mundo. Por que a gente culpa o salário mínimo, o benefício de prestação continuada?”

O economista então começou a desfiar uma série de dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre o sistema de impostos brasileiros, como o fato de que os impostos diretos correspondem a 2/3 dos tributos em países capitalistas desenvolvidos – “segundo alguns, o que devemos mirar” -, enquanto no Brasil esse número é de 49%.

“Os 10% mais pobres no Brasil contribuem com 32% de sua renda, e os 10% mais ricos, com apenas 21%. Os trabalhadores com renda mensal de até dois salários mínimos contribuem com 54% da renda, porque a carga é concentrada em impostos indiretos. Ricos são isentos desde 1995 de imposto sobre lucros e dividendos, sobre capital. Podemos discutir gasto, mas temos que discutir sistema tributário brasileiro”, disse.

Incomodado, o presidente do Insper, Marcos Lisboa, disse que “a pior coisa é tentar transformar esse debate em disputa no qual alguém é contra pobre e a favor de rico”. Para ele, o problema não é o nível do gasto social brasileiro, e sim o fato de que ele é crescente, dado por mecanismos de indexação e pelo envelhecimento da população. “O gasto obrigatório cresce mais do que o PIB, e vai continuar a crescer acima da renda nacional por série de regras e por causa do envelhecimento”, disse.

O segundo problema, em sua avaliação, é que nem todo gasto social vai para o andar de baixo da pirâmide social, e por isso é preciso ter avaliação da despesa pública. “Quem recebe o gasto social? Vamos abrir item a item o gasto público brasileiro? Ele de fato precisa desse gasto? É eficaz? Parece que o Pronatec [Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego] não é. É preciso ter análise de impacto controlado para saber quais são as políticas mais eficazes e as menos”, disse o economista.

Lisboa também disse que é preciso rever a estrutura de impostos brasileiras, que é profundamente injusta, mas que o que mais afeta a estrutura de renda brasileira é o gasto, e não o sistema tributário.

O presidente do Insper ainda disse que não se trata de colocar o debate como “nós contra eles” e que a desigualdade é fundamental. “O que estou dizendo é que problema no debate é criar grandes polarizações. Claro que tem que falar de tributação sobre patrimônio, a desigualdade é importante, mas temos também problema por si só que é trajetória de crescimento do gasto”, afirmou Lisboa.

Para Luiz Gonzaga Belluzzo, professor da Unicamp, não dá para discutir financiamento e gasto do Estado sem discutir desigualdade social e o sistema tributário brasileiro. “O Brasil é um dos poucos países que não cobram imposto sobre dividendos e te garanto que isso é um absurdo total. Isso diz respeito ao equilíbrio social do país, é algo que precisa ser discutido e vou discutir isso até morrer”.

Ao tentar contemporizar o debate, Samuel Pessôa, chefe do Centro de Crescimento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), disse que há vários pontos que diferenciam sua avaliação sobre economia da de Zahluth Bastos, “mas se há algo que não nos separa é questão tributária e distributiva”.

Para ele, um dos aspectos dessa questão é que a carga tributária no Brasil é muito elevada em relação aos países de mesma renda per capita, o que exige peso grande de impostos indiretos e pequeno de impostos diretos. “Dito isso, não quer dizer que não há agenda interessante a ser feita em relação à tributação de dividendos e do lucro de empresas que pagam no sistema presumido e SuperSimples. Também precisa tributar herança, pela questão social, embora o potencial arrecadatório seja baixo”. Ainda assim, afirma, dificilmente uma reforma tributária que tornasse a estrutura tributária menos regressiva não elevaria muito a arrecadação.

“Essa mudança talvez atenderia ao problema distributivo, mas não resolve o problema estrutural do gasto. O tamanho do nosso problema é que o gasto não financeiro da União era 11% do PIB em 1991, e hoje é de 20% do PIB”.

Valor Econômico – 19/10/2015 – 22h54

Redação On outubro - 20 - 2015
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