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Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017






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Deterioração das expectativas eleva a projeção do Focus para IPCA em 2016

As perspectivas do mercado financeiro para a trajetória da inflação continuaram a se deteriorar na semana passada, após a piora no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em setembro. De acordo com o boletim Focus, divulgado ontem pelo Banco Central (BC), a projeção para o indicador acumulado nos próximos 12 meses subiu pela quinta semana seguida, de 6,11% para 6,24%. Já a estimativa para o encerramento do índice este ano avançou de 9,53% para 9,70%.

O IPCA acelerou para 0,54% em setembro e ficou ligeiramente acima da expectativa média do mercado – apurada pelo Valor Data. Em 12 meses, a inflação acumulou avanço de 9,49% e, para os economistas, deve continuar acelerando em outubro.

Para 2016, as cerca de cem instituições financeiras que alimentam o Focus semanalmente, elevaram a estimativa para o IPCA de 5,94% para 6,05% – décima semana consecutiva de piora na projeção.

Mesmo com as projeções para a inflação apontando para cima, o Focus estima que o Banco Central manterá em 14,25% a taxa Selic para este ano. Para o ano que vem, o mercado elevou a projeção para a taxa de juros de 12,50% para 12,63%.

Entre as instituições que mais acertam as previsões – Top 5 – a previsão para o IPCA em 2015 foi ajustada para baixo de 9,66% para 9,61%, pela mediana de médio prazo. Para 2016, a estimativa avançou de 6,46% para 6,72% no mesmo grupo. Em relação à Selic, as instituições Top 5 mantiveram a projeção de 14,25% para 2015 e reduziram de 12,38% para 12,13% em 2016.

O mercado financeiro piorou novamente a projeção para o desempenho do Produto Interno Bruto neste e no próximo ano. As cerca de cem instituições que alimentam semanalmente o boletim Focus reduziram de -2,85% para -2,97% a estimativa para o PIB em 2015. Para o ano que vem, a previsão piorou de -1% para -1,20%.

Boa parte da expectativa para este ano está concentrada na previsão de queda da produção industrial. Até a semana passada, o Focus previa retração de 6,5% para o setor e, esta semana, passou a antever recuo de 7%. Para o ano que vem, a projeção de encolhimento passou de 0,29% para 1%.

Embora o dólar tenha recuado no encerramento da semana passada, os analistas do mercado financeiro mantiveram a projeção de câmbio a R$ 4 no fim do ano. Para 2016 as projeções subiram de R$ 4 para R$ 4,15. A projeção para o superávit da balança comercial subiu de US$ 12 bilhões para US$ 12,99 bilhões. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior projeta superávit de US$ 15 bilhões.

Valor Econômico – 14/10/2015

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Juros sobem em setembro pelo 12º mês consecutivo, diz Anefac

As taxas de juros das operações de crédito para pessoas físicas e jurídicas subiram em agosto pelo 12º mês consecutivo e renovaram os maiores patamares desde 2009, segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

No caso das pessoas físicas, novamente houve aumento nos juros em todas as seis linhas pesquisadas: juros do comércio (crediário); cartão de crédito rotativo; cheque especial; CDC bancos-financiamento de veículos; empréstimo pessoal – bancos; e empréstimo pessoal -financeiras). O juro médio subiu 0,09 ponto porcentual em setembro ante agosto, para 7,23% ao mês (131,10% ao ano), o maior nível desde junho de 2009.

No cartão de crédito, a taxa subiu 0,22 ponto porcentual, para 13,59% ao mês (361,40% ao ano) em setembro, o maior nível desde março de 1996. Em relação aos juros do comércio (crediário), houve alta em todos os 12 tipos de lojas pesquisadas, com a média geral subindo 0,02 ponto porcentual, para 5,32% ao mês (86,26% ao ano). A taxa mais alta foi registrada em Minas Gerais, com 5,42% ao mês (88,40% ao ano). Nos financiamentos de veículos, o prazo médio se manteve em 36 meses.

Entre as pessoas jurídicas, houve alta nas três linhas (capital de giro, desconto de duplicatas e conta garantida). O juro médio avançou 0,03 ponto porcentual no mês passado ante o anterior, para 4,12% ao mês (62,33% ao ano), o patamar mais alto desde maio de 2009. No caso da conta garantida, a taxa subiu 0,04 ponto porcentual, para 7,03% ao mês (125,98% ao ano), o patamar mais elevado desde outubro de 1999.

Segundo a Anefac, as altas podem ser atribuídas a alguns fatores, como o cenário macroeconômico que aumenta o risco de elevação da inadimplência, o avanço das taxas de juros futuras por conta da turbulência política e econômica, a maior carga tributária e o rebaixamento da nota de crédito do País pela agência de rating Standard & Poor’s. “A tendência é de que as taxas de juros das operações de crédito voltem a ser elevadas nos próximos meses”, diz a entidade.

A Anefac lembra que, considerando todas as elevações da Selic promovidas pelo Banco Central desde março de 2013, houve um aumento de 7,00 pontos porcentuais (ou alta de 96,55%) na taxa básica de juros, para o nível atual de 14,25%. No mesmo período, a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma elevação de 43,13 ponto porcentual (+49,03%). Já na pessoa jurídica houve uma elevação de 18,75 ponto porcentual (+43,02%).

O Estado de S.Paulo – 14/10/2015

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PIB voltará ao nível de 2012

Se as projeções do mercado se confirmarem, no fim de 2016, o Produto Interno Bruto (PIB) do país voltará aos níveis do início do governo Dilma Rousseff. As estimativas do Boletim Focus, divulgadas ontem pelo Banco Central, apontam que a economia vai encolher 2,97% em 2015 e 1,2% no próximo ano. A partir desses dados, a TOV Corretora estimou que o PIB voltará ao patamar do primeiro trimestre de 2012. Dilma tomou posse em janeiro de 2011.

O Focus ainda apontou que, na avaliação dos especialistas, a atividade produtiva terá uma tímida expansão, de 1%, em 2017, e de 2% em 2018. Com isso, a variação média do PIB no segundo mandato de Dilma será negativa em 0,3%. Será o pior resultado desde o governo Collor, quando houve retração média anual de 1,65%.

Para calcular o nível do PIB, o economista-chefe da TOV Corretora, Pedro Paulo Silveira, levou em consideração as contas nacionais trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ele estimou que, no fim deste ano, o índice que aponta a variação do PIB a preços de mercado chegará a 168,03 pontos, a menor marca desde o segundo trimestre de 2012. Em 2016, se confirmada a retração de 1,2%, o indicador cairá para 166,01 pontos, o pior resultado desde o primeiro trimestre daquele ano.

Silveira comentou que os erros do governo na condução da política econômica fizeram o país andar para trás. Entretanto, avaliou que, após o encaminhamento de projetos de ajuste fiscal ao Congresso, deputados e senadores assumiram parte da responsabilidade pela piora das expectativas. “Quanto mais tempo eles demorarem para aprovar as medidas, mais pessimistas ficarão os agentes econômicos. Com isso, as previsões para o PIB despencarão”, explicou.

Silveira considera que as estimativas do mercado, de uma expansão de 1% em 2017, estão subestimadas. Ele explicou que, historicamente, o Brasil costuma a mostrar recuperação forte após períodos de retração do PIB. “Isso ocorre porque o espírito animal domina e aumenta significativamente o apetite do empresário”, disse.

Desemprego

Para o professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) José Luis Oreiro, o fato de o PIB voltar aos níveis do início de 2012 é muito ruim, considerando que um dos principais efeitos da retração econômica é o aumento do desemprego. Nas contas dele, a taxa de desocupação ultrapassará os dois dígitos no fim do primeiro semestre de 2016.

Oreiro destacou que a crise política precisa acabar para que os agentes econômicos tenham previsibilidade em relação ao país. Apesar do cenário nebuloso, o economista observou que a alta do dólar tem levado empresas brasileiras a substituir importações pela produção doméstica. Segundo ele, esse movimento dará fôlego à produção industrial, que também se beneficiará do aumento das exportações.

O ajuste nas contas externas será positivo para a recuperação da economia e, se o governo reduzir os entraves burocráticos, segundo Oreiro, poderá licitar projetos de infraestrutura no segundo semestre de 2016. “Esses investimentos são importantes para impulsionar a retomada do crescimento”, comentou.

Correio Braziliense – 14/10/2015

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Ajuste fiscal está emperrado

Um mês depois do anúncio do novo pacote fiscal, com corte de R$ 26 bilhões em gastos e de R$ 45,6 bilhões em aumento de impostos, incluindo a volta da CPMF, o governo não conseguiu realizar a maior parte desse ajuste e o ano está acabando.

Na avaliação de analistas de mercado, restam poucos coelhos para os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, tirarem do chapéu.

Na avaliação da economista Monica Baumgarten de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics e diretora da consultoria Galanto/MBB, o pacote fiscal do governo é como a Viúva Porcina, da novela Roque Santeiro, “aquela que foi sem nunca ter sido”. “O ajuste de fato não aconteceu e não mudou a trajetória de aumento dos gastos públicos. Desde o início do ano, o que ocorreu foram aumentos de impostos e redução de investimentos, sem cortes expressivos de despesas”, lamentou.

A proposta da PEC para recriar a CPMF, que, com a alíquota de 0,20%, engordará os cofres públicos em R$ 32 bilhões, não deverá transitar no Congresso a tempo de entrar em vigor em janeiro. Outras duas medidas que mexem nos repasses do Sistema S e deveriam gerar impacto de R$ 8 bilhões para o governo não foram adiante. E, as poucas que avançaram, como a que eleva as taxas sobre os ganhos de capital, têm impacto fiscal pequeno e não devem reverter o rombo de R$ 14 bilhões do governo central, registrado até agosto deste ano.

O economista Fabio Klein, especialista em contas públicas da consultoria Tendências, classifica o quadro fiscal atual como preocupante, dada a forte deterioração do cenário econômico, que afeta os juros futuros e o câmbio. A queda nas receitas e o aumento real das despesas devem levar o governo a um novo deficit em 2015.

Pelas contas de Klein, o rombo deste ano será de 0,3% do PIB, ou seja, R$ 17,5 bilhões, e de em 2016, o deficit será de 0,1% do PIB. “Essas projeções não consideram a CPMF. “Tentar voltar com esse imposto foi uma contradição do governo e dificilmente será aprovado no Congresso devido ao elevado custo político da medida”, alertou.

Klein destacou que apesar de o governo tentar demonstrar que “está cortando na carne”, mas o gesto é mais simbólico do que efetivo. “Esse tipo de medida é importante para o monitoramento dos gastos, mas não implica redução expressiva”, destacou.

O economista José Matias-Pereira, professor de administração pública da Universidade de Brasília (UnB), vê poucas chances de o governo implementar as medidas de redução de gastos públicos e de aumento de receitas diante do impasse com o Legislativo. “Só será possível reencontrar o caminho de ajuste fiscal com mudança de governo dentro da normalidade do processo democrático. A presidente Dilma Rousseff e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sequestraram o país”.

Correio Braziliense – 14/10/2015

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Alta do dólar será novo vilão das contas de luz

A escalada do dólar deve ser o novo vilão da conta de luz dos brasileiros. Além dos efeitos da estiagem, que neste ano representaram aumentos superiores a 50%, agora é a moeda americana que vai pressionar os próximos reajustes tarifários das distribuidoras do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A explicação está na cota que cada empresa tem de energia da Hidrelétrica de Itaipu, calculada em dólar.

Cálculos feitos pela comercializadora Comerc mostram que apenas o impacto da moeda americana na fatia de energia da usina binacional pode representar aumentos entre 3,7% e 9,5% na conta de luz. As maiores altas devem ocorrer naquelas distribuidoras que ainda não tiveram reajuste neste ano, como é o caso de Bandeirante, CPFL Piratininga e Light. No reajuste extraordinário, ocorrido em janeiro, quando o governo repassou para a tarifa parte das oscilações do câmbio, o dólar estava na casa de R$ 2,80. Nas últimas semanas oscilou entre R$ 3,70 e R$ 4,22.

Na Bandeirante, que atende 28 municípios de São Paulo, o dólar na energia de Itaipu poderá representar 8,8 pontos porcentuais dentro do reajuste anual, calcula a Comerc, que considerou um câmbio médio de R$ 4. Na carteira de energia da empresa, 19% do total vem de Itaipu. Ou seja, qualquer oscilação no dólar tem impacto relevante nas contas da companhia.

O mesmo ocorre com a CPFL Piratininga, distribuidora que atende 27 municípios do interior e litoral de São Paulo. Pelos dados da Comerc, a parcela do reajuste devido a alta do dólar poderá chegar a 9,5 pontos porcentuais. Segundo a empresa, os valores ainda estão em fase de avaliação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Na Light, o reflexo no aumento anual poderá chegar a 8,4 pontos porcentuais. “Essa é a previsão de aumento fora a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)”, diz o presidente da Comerc, Cristopher Vlavianos.

O presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca, explica que as empresas sentem o impacto do aumento do dólar simultaneamente, mas só podem repassar para o consumidor na data dos reajustes. Segundo ele, se não tiver alteração no cenário energético, o câmbio deve ser o item que mais vai contribuir para o aumento das tarifas em 2016. “Mas não podemos prever em que nível os reajustes ficarão. Há uma série de incertezas que não permite previsões.” Uma delas é a questão da hidrologia. Se não chover o suficiente, o País terá novamente de acionar as térmicas, mais caras.

Outro fator que pode representar pressão sobre a tarifa são os leilões que vão ocorrer nos próximos meses. Se o valor ficar acima do praticado hoje, a diferença será repassada para a tarifa do consumidor.

A lista de incertezas inclui liminares que algumas empresas conseguiram na Justiça. Uma delas requer pagamento de R$ 3,7 bilhões pelas distribuidoras – leia-se consumidor. A Abradee conseguiu decisão judicial favorável às associadas. Mas, se a liminar cair, os valores seriam repassados para as tarifas.O mesmo ocorre com a CPFL Piratininga, distribuidora que atende 27 municípios do interior e litoral de São Paulo. Pelos dados da Comerc, a parcela do reajuste devido a alta do dólar poderá chegar a 9,5 pontos porcentuais. Segundo a empresa, os valores ainda estão em fase de avaliação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Na Light, o reflexo no aumento anual poderá chegar a 8,4 pontos porcentuais. “Essa é a previsão de aumento fora a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)”, diz o presidente da Comerc, Cristopher Vlavianos.

O presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca, explica que as empresas sentem o impacto do aumento do dólar simultaneamente, mas só podem repassar para o consumidor na data dos reajustes. Segundo ele, se não tiver alteração no cenário energético, o câmbio deve ser o item que mais vai contribuir para o aumento das tarifas em 2016. “Mas não podemos prever em que nível os reajustes ficarão. Há uma série de incertezas que não permite previsões.” Uma delas é a questão da hidrologia. Se não chover o suficiente, o País terá novamente de acionar as térmicas, mais caras.

Outro fator que pode representar pressão sobre a tarifa são os leilões que vão ocorrer nos próximos meses. Se o valor ficar acima do praticado hoje, a diferença será repassada para a tarifa do consumidor.

A lista de incertezas inclui liminares que algumas empresas conseguiram na Justiça. Uma delas requer pagamento de R$ 3,7 bilhões pelas distribuidoras – leia-se consumidor. A Abradee conseguiu decisão judicial favorável às associadas. Mas, se a liminar cair, os valores seriam repassados para as tarifas.

O Estado de S.Paulo – 14/10/2015

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Tensão retorna: dólar dispara e bolsa desaba

Depois de uma semana de bonança, os mercados voltaram à dura realidade. Ontem, o dólar subiu 3,58%, na maior alta em um dia desde 21 de setembro de 2011, fechando a R$ 3,894. E o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa), recuou 4%, encerrando o pior pregão do ano em 47.362 pontos. O tombo, o maior desde 1º de dezembro de 2014, veio depois de um rali de nove altas seguidas, com valorização de 12,24%.

As explicações para o mau humor generalizado estavam dentro e fora do país. O economista-chefe do Banco Modal, Álvaro Bandeira, destacou o problema doméstico. “O que mais atrapalha é o estresse político”, afirmou. Ontem, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu liminar que dificulta uma possível decisão para o início de um processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O economista sênior do banco Haitong, Flávio Serrano, também viu na política o fator preponderante para a turbulência. “Temos um quadro de indefinição, o que é muito ruim”, disse. “O dólar poderia seguir para R$ 3,80 em um contexto de tranquilidade, mas não é isso que temos”, afirmou.

Para o economista-chefe da AZ FuturaInvest, Paulo Nogueira Gomes, “a única certeza é que os mercados vão continuar com muita volatilidade”. Na sua avaliação, o cenário externo foi a principal motivo do comportamento do câmbio e das ações ontem. O que mais causou tumulto no mercado global foram a queda de 20% nas importações da China em setembro, ante expectativa de redução de 15%.

Gomes explicou que esse dado, que mostra desaquecimento da segunda economia global, emite sinais ambivalentes, ampliando a volatilidade. De um lado, traz pessimismo com a recuperação da atividade e da demanda. De outro, aumenta as apostas de que o Fed (Federal Reserve, autoridade monetária dos Estados Unidos) vai deixar para o próximo ano a decisão de elevar os juros — algo que, quando ocorrer, vai provocar saída de recursos de países emergentes.

Desafios

Os analistas da Coinvalores Felipe Silveira e Daniel Liberato destacaram a repercussão na bolsa de declarações de membros do Fed, que mencionaram a possibilidade de elevação dos juros ainda em 2015. “A inflação ainda está muito baixa nos EUA. No entanto, alguns dirigentes acham que é possível a autoridade monetária subir juros já na reunião de dezembro”, afirmou Silveira. Na avaliação de Liberato, a queda nas importações da China foi responsável por derrubar a Bolsa. “Isso abala sobretudo os países que vendem muitas commodities, como o Brasil, porque derruba os preços dos produtos”, explicou.

Liberato ressaltou que, após o rali de nove altas seguidas no Ibovespa, os investidores aproveitaram para realizar lucros, vendendo ações que se valorizaram nos últimos pregões.

Um fator determinante foi a queda dos papéis dos quatro maiores bancos do país — Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander —, depois que o Credit Suisse reduziu a recomendação dessas ações, avaliando que as instituições devem enfrentar desafios diante das dificuldades da economia brasileira. Em conjunto, elas perderam ontem R$ 23,66 bilhões em valor de mercado.

Outro componente que contribuiu para a queda das ações foi o fato de ter sido o primeiro pregão depois de um feriado. Na segunda-feira, ações de empresas brasileiras negociadas na Bolsa de Valores de Nova York tiveram forte queda, algo que foi incorporado aqui, ontem, ao preço dos papéis. (Colaborou Simone Kafruni)

Prejuízos
As intervenções do BC no mercado por meio dos contratos de swap cambial já custaram R$ 74 bilhões aos cofres públicos entre janeiro e agosto. Em setembro, o custo pode ter chegado a R$ 30 bilhões, na estimativa do economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito. Para ele, o BC poderá diminuir a rolagem desses contratos, que equivalem à oferta de dólares no mercado futuro. Ele acha que a divisa terminará o ano abaixo da cotação atual, a R$ 3,80.

Correio Braziliense – 14/10/2015

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Os amortecedores da crise

A crise econômica e política é grave, as incertezas são muitas, mas ainda é cedo para afirmar que o Brasil tenha entrado ou esteja na iminência de ingressar numa trajetória explosiva. Ao contrário de outros momentos, o país dispõe neste momento de alguns amortecedores que lhe permitem caminhar sem ruptura, pelo menos durante um tempo, pelo atual cenário de turbulência.

Crises são caracterizadas como tais quando uma economia não consegue mais se financiar. Os investidores se recusam a financiar o Estado, os bancos internacionais cortam linhas de crédito à exportação, o governo não consegue mais honrar suas obrigações.

Há pelo menos dois colchões de liquidez que dão algum conforto à situação atual. O primeiro dos amortecedores são as reservais cambiais – de US$ 372,1 bilhões. O outro são os depósitos do Tesouro Nacional no Banco Central (BC), que, em agosto, somavam mais de R$ 1 trilhão (média de 14,1% do PIB de janeiro a agosto). “São verdadeiros ‘airbags’ para enfrentar algum tipo de descontrole do mercado”, diz uma fonte oficial.

Conta única do Tesouro e reservas explicam diferença na crise atual

Os recursos da conta única do Tesouro significam que o governo tem margem de manobra para administrar a dívida pública num momento de grande volatilidade. Em outras palavras, o Tesouro não está obrigado a sancionar as expectativas mais pessimistas. Foi pensando nisso que, durante a apresentação do último Relatório de Inflação, o presidente do BC, Alexandre Tombini, deu um recado que ajudou, desde então, a promover certa calmaria no mercado: “Nenhum instrumento está fora do alcance do BC”.

De um ano para cá, houve um salto no volume de recursos da conta única, explicada justamente pela valorização, em reais, das reservas cambiais, provocada pela forte desvalorização do câmbio. As reservas em moeda forte estrangeira, um seguro caro (graças ao seu elevado custo de carregamento), acabam servindo a seu propósito em momentos como o atual.

Quando se analisa o balanço do setor público, o que se vê é que as reservas cambiais reduzem em grande medida o grau de vulnerabilidade da economia. Tomando-se um conceito conservador de medição da dívida líquida – dívida bruta do governo geral menos reservas, excluídos ativos como os do BNDES -, observa-se que o indicador caiu de posição superior a US$ 1 trilhão em meados de 2011 para US$ 659 bilhões em 15 de agosto deste ano.

Na crise de 2002, por exemplo, o país praticamente não tinha reservas. Com a desvalorização do real e a explosão da dívida, o indicador piorou em vez de melhorar. “Agora, não há uma trajetória explosiva”, sustenta uma fonte.

O Brasil possui hoje US$ 786 bilhões em ativos no exterior. Já o passivo é de US$ 1,3 trilhão. Em termos líquidos, o país deve US$ 555 bilhões. A abertura dos grandes números mostra o seguinte: do lado dos ativos, o setor privado tem US$ 316 bilhões investidos lá fora e as reservas cambiais somam US$ 372,1 bilhões. Já os grandes números do passivo são estes: o estoque de investimento estrangeiro direto monta a US$ 658 bilhões; o de investimento em carteira, a US$ 191 bilhões; o de títulos da dívida, a US$ 129 bilhões; e o de empréstimos, a US$ 239 bilhões.

O aspecto positivo desses números é que os ativos estão denominados em dólar e a maioria dos passivos, em reais. “Quando o câmbio desvaloriza, o ativo sobe e o passivo cai”, assinala um integrante da equipe econômica. “Em 2002, ocorria o contrário. Não havia reservas [eram inferiores a US$ 40 bilhões e cerca de metade era dinheiro do FMI], os setores público e privado eram devedores em moeda forte, a posição de investimentos brasileiros lá fora era muito pequena. A crise de desconfiança, provocada pelo temor em relação à ascensão da esquerda ao poder, levou a uma crise de solvência.”

Na reunião do FMI, em Lima, Tombini e o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Tony Volpon, sustentaram, em encontros fechados com representantes de bancos estrangeiros, que a combinação de reservas elevadas com um bom colchão de liquidez na conta única do Tesouro dá um tempo para o país fazer o ajuste fiscal necessário. Esse tempo, obviamente, não é infinito e ninguém no governo, diz uma fonte, acredita que a melhora da situação fiscal não seja importante.

Um risco que o país corre é o governo, premido pela crescente ameaça de impeachment da presidente Dilma Rousseff, dar uma guinada populista para tentar se salvar, como fez a Argentina nos governos que vieram depois do fim da Lei de Conversibilidade do peso. Na verdade, os governos do PT já montaram uma posição populista no segundo mandato de Lula e no primeiro de Dilma, que agora a presidente se recusa a desmontar, o que tem dificultado a realização do ajuste fiscal.

Um economista oficial diz que, no Brasil, os governos, pelo menos no passado recente, adotaram políticas populistas quando as coisas iam bem. Ele lembra que, tanto na crise de 1999 quanto na de 2002/2003, Brasília não pendeu para o populismo. É verdade, mas naqueles momentos não havia ameaça de perda de mandato. Ademais, a presidente Dilma adotou um discurso, segundo o qual, a situação fiscal está na penúria atual porque seu governo tomou a decisão de promover inclusão social.

Um outro tema que começa a tomar conta do debate econômico é a dominância fiscal, que estaria criando limites para o combate à inflação por meio do uso da taxa de juros. Para um importante economista do governo, a dominância fiscal ocorre quando, ao elevar os juros, o BC piora a percepção de sustentação das contas públicas, levando os investidores a vender ativos financeiros e sair do país. A fuga de capital provoca desordenada desvalorização cambial, o que, por sua vez, inflaciona os preços. No fim, em vez de derrubar a inflação, a elevação dos juros a aumenta.

“Não temos nem fuga de capitais nem desvalorização descontrolada do câmbio”, argumenta esse economista. “A desvalorização cambial hoje melhora a posição líquida de investimento tanto do setor privado quanto do público.”

Cristiano Romero é editor-executivo e escreve às quartas-feiras

E-mail: cristiano.romero@valor.com.br

Valor Econômico – 14/10/2015

Redação On outubro - 14 - 2015
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