Sindicato Nacional da Indústria de
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Tera-feira, 21 de Novembro de 2017






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BC admite que juro baixo causou inflação

O Banco Central recalibrou o seu supermodelo de projeções econômicas, o Samba, e descobriu que ele próprio – o BC – foi responsável por uma boa parte das pressões inflacionárias de 2013 para cá, depois de colocar os juros básicos no menor nível da história, em 7,25% ao ano.

O modelo também revela que, ao contrário do que a presidente Dilma Rousseff vem repetindo, choques externos não são a principal causa da desaceleração econômica. A queda da produtividade é o fator mais representativo.

Segundo boxe do Relatório de Inflação do Banco Central de setembro, cerca de metade das pressões inflacionárias negativas ocorridas em 2013 decorrem do agressivo ciclo de corte de juro entre 2011 e 2012.

Em 2013, os fortes reajustes salariais, os juros baixos, a alta do dólar e o aumento de margem de lucro das empresas puxaram a inflação para cima em cerca de 4,3 pontos percentuais. Desse total, os juros baixos responderam por cerca de 2,2 pontos.

Naquele ano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 5,91%, quase igual aos 5,84% de 2012. A inflação só não subiu mais graças à ajuda, sobretudo, do represamento de reajustes de tarifas, como energia elétrica e gasolina, que teve um efeito favorável de 2,2 pontos.

Os juros baixos provocaram pressão inflacionária de cerca de 1,2 ponto percentual em 2014. Isso equivale a cerca de um terço dos fatores que pressionaram os preços, incluindo alta de salários, câmbio e margem de lucros. Nesse ano, a inflação subiu para 6,41%. Só não foi maior porque a contenção de reajustes de tarifas teve um efeito baixista de cerca 1,4 ponto percentual no IPCA.

Os juros de 7,25% ao ano reverberaram até o começo deste ano, pressionando a inflação em cerca de 0,5 ponto nos 12 meses até junho. Já as tarifas, que tinham segurado a inflação, tornaram-se o principal fator de pressão, com impacto de 1,5 ponto percentual.

Os dados foram apresentados em dois gráficos no boxe “Revisão do Modelo Estrutural de Médio Porte – Samba”, publicado no Relatório de Inflação. O Samba, o mais sofisticado dos modelos do BC, usa técnicas da chamada “economia artificial” para replicar em laboratório as condições reais da economia brasileira.

Periodicamente, o BC recalibra os seus modelos para checar, por exemplo, como apertos monetários e expansões fiscais afetam a inflação. Os economistas do BC aplicaram retroativamente o modelo para decompor as causas da alta da inflação e da debilidade do Produto Interno Bruto (PIB).

Ironicamente, o Samba foi usado como justificativa em 2011 para baixas de juros, quando o Copom começava o ciclo agressivo de distensão que levou a taxa básica a 7,25% ao ano. Naquela época, o modelo dizia que a crise na Europa e nos Estados Unidos teria forte poder desinflacionário no Brasil.

Em explicações ao Valor, fontes do BC ponderam que “o modelo não capta em sua estrutura mudanças na economia que influenciam esses choques mostrados na decomposição”. Além disso, na recalibragem do modelo, o efeito da ação da política monetária está mais defasado, ou seja, leva mais tempo para se fazer sentir.

Assim, uma política de juros que era adequada num período poderia deixar de ser devido a mudanças na economia e uma defasagem maior do que estimada quando ela foi decidida.

No caso do PIB, de fato choques externos pesaram no menor dinamismo da economia, mas não tanto quanto sustentado pelo governo. Seu efeito foi tornar o PIB de 2013 cerca de 0,6 ponto percentual menor, num ano que a economia cresceu 2,74%.

Em 2014, quando o crescimento foi de apenas 0,15% e a economia entrou na recessão atual, os choques externos subtraíram 0,5 ponto percentual do PIB. No primeiro semestre deste ano, a economia afundava na recessão, mas os choques externos não tiveram influência relevante no PIB.

O Samba mostra que outros choques pesaram bem mais na evolução desfavorável da economia. Em 2013, por exemplo, o modelo calculou que os reajustes salariais acima da produtividade comeram 1,2 ponto percentual do PIB. A partir de 2014, o vilão é a queda na produtividade da economia, com um efeito de 2,2 pontos percentuais. Nos 12 meses até o primeiro semestre, a queda da produtividade subtraiu 4 pontos do PIB. A queda do consumo e do investimento, em boa medida afetados pela baixa dos índices de confiança, também explica a queda.

Sobre as causas da desaceleração do PIB, fontes do BC disseram que “não há dúvidas sobre o papel dos fatores externos na desaceleração da economia”. O descompasso entre o crescimento da economia e o nível de emprego dos fatores se traduz na baixa produtividade mostrada na decomposição dos fatores que influenciaram o PIB.

Valor Econômico – 13/10/2015

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Controle da inflação vai depender menos do BC, dizem analistas

O controle da inflação nos próximos anos pode depender cada vez menos do Banco Central e da política monetária, avaliam alguns economistas ouvidos pelo Valor. Diante do aumento do déficit nominal – que alcançou 9,2% do Produto Interno Bruto (PIB) nos 12 meses encerrados em agosto – e da dificuldade em colocar as contas públicas no rumo, analistas argumentam que o BC está praticamente de mãos atadas para lidar com a piora das expectativas de inflação para 2016 e 2017.

Isso porque novas altas de juros, em vez de tornar a dívida mais atrativa, aumentariam o risco de calote por piorarem ainda mais o balanço das contas públicas, com efeitos adversos sobre a percepção de risco do país. Essa deterioração levaria a uma nova rodada de desvalorização cambial, com efeitos negativos sobre as expectativas inflacionárias.

O Brasil, dizem, se já não está nesta situação, que costuma ser descrita na literatura econômica como dominância fiscal, pode estar muito próximo a ela. Para esses analistas, a política fiscal é hoje o instrumento correto para reduzir a inflação e é necessário um plano consistente de ajuste das contas públicas para o longo prazo.

Tiago Berriel, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio), explica que a situação de dominância fiscal ocorre quando o mercado – e os detentores de dívida – deixam de acreditar que o governo fará maior esforço fiscal, apesar do aumento do endividamento público. “Implicitamente, a gente sempre assume que o objetivo da política fiscal é estabilizar a relação entre dívida e PIB. Se em algum momento os agentes econômicos acreditarem que essa reação deixou de existir, estamos em dominância fiscal.”

Com aumento da aversão ao risco, os investidores se desfazem de títulos públicos e correm para ativos mais seguros, como o dólar. A desvalorização cambial aumenta a inflação, que acaba corroendo o valor nominal da dívida. Ou seja, a inflação passa a ser determinada pelo lado fiscal da economia.

Essa realidade, afirma, não é óbvia no caso brasileiro atual, mas é uma possibilidade real. “As expectativas fiscais precisam ser muito ruins para prazos mais longos”, comenta. O problema, diz, é que o superávit primário necessário para estabilizar a dívida é cada vez maior – algo como 3% do PIB hoje, diante da piora das projeções para o crescimento potencial e a situação fiscal difícil – e um ajuste fiscal dessa magnitude é considerado cada vez mais improvável diante do impasse político.

José Julio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), afirma que, provavelmente, o Brasil está em situação de dominância fiscal. O raciocínio, diz Senna, é que para levar a inflação para a meta, ainda que somente em 2017, a alta da Selic teria que ser de tal magnitude – algo como 4 pontos – que agravaria ainda mais a crise fiscal. “Ou seja, o BC já perdeu o controle pleno da inflação”, que depende cada vez mais da condução da política fiscal, diz.

O quadro, lembra Senna, não é inédito no Brasil. Na década de 80, a penúria das contas públicas brasileiras era tal que o processo de hiperinflação só seria debelado com o Plano Real, em 1994. O economista observa que a situação era muito distinta da atual, com taxas de inflação muito mais elevadas e regime cambial indexado ao diferencial de preços externos e internos, mas que ainda assim o diagnóstico a ser feito pode ser o mesmo.

Olivier Blanchard, hoje economista-chefe do FMI, defendeu que o Brasil viveu sob dominância fiscal entre 2002 e 2003. Em artigo de 2004, ele afirmou que, como o aumento de juros ampliava as chances de não pagamento da dívida, os títulos públicos ficavam menos atrativos e a o câmbio se desvalorizava, agravando a crise fiscal, já que parte da dívida era denominada em dólar. As altas de juros geravam mais, e não menos, inflação.

Para Aloísio Araújo, professor da Escola de Economia e Finanças da FGV, as implicações desse processo hoje são diferentes, porque o Brasil é credor externo líquido, com R$ 370 bilhões em reservas cambiais. Apesar do aumento da dívida bruta nos últimos anos, com forte impacto adverso da política de swaps cambiais do BC, o endividamento líquido, que considera os ativos da União, ficou praticamente estável nos últimos meses.

Para Araújo, que também é professor do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), a situação ainda tem que piorar um pouco para que se possa falar em dominância fiscal. “Se a dificuldade para acertar as contas for episódica, agravada pela forte recessão, não acredito que estamos sob dominância fiscal. Mas é preciso voltar a fazer superávits primários”, diz.

Para Monica de Bolle, autora de proposta polêmica para lidar com a questão (ver texto abaixo), não há dúvidas de que o Brasil está sob dominância fiscal, num quadro em que o déficit nominal saltou seis pontos percentuais em menos de dois anos e a relação entre dívida e PIB “pode chegar rapidamente a 80% a 90%” – em agosto, essa proporção ficou em 65,3% do PIB.

Laura Carvalho, professora da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), diz que não é a situação fiscal que está pressionando a taxa de câmbio e as expectativas para a inflação. “O ajuste fiscal funcionou bem para que as expectativas convergissem para a meta nos próximos anos, apesar de seu caráter contraproducente sobre a atividade e a arrecadação. O que aconteceu é que o BC reagiu desproporcionalmente ao aumento de preços, dado pela realinhamento de tarifas”, diz. Essa alta piora o déficit nominal e as expectativas para estabilização da dívida.

Apesar das avaliações divergentes, a maioria dos economistas concorda que o momento é de uma posição mais cautelosa por parte do BC. Para Senna, do Ibre, “não há um mínimo de disposição na área econômica para subir juros nesse momento”. Ele diz que o BC, ao traçar um ciclo de alta de juros, precisa estar convencido de que sua estratégia vai dar certo, o que não é viável agora, já que “há chance altíssima de um aperto monetário confirmar a tese de dominância fiscal”.

O ambiente político, com forte recessão e aumento do desemprego, também é bem pouco favorável ao arrocho das condições monetárias, afirma ele, apesar da piora das projeções de inflação para 2016. Nas últimas quatro semanas, as projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiram 0,36 ponto percentual, para 5,94%.

“Não adianta subir juros com um déficit fiscal desse tamanho, é algo que já venho falando há algum tempo”, diz José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. Para ele, o BC reconheceu, de certa forma, esse cenário no Relatório Trimestral de Inflação, ao piorar as projeções para inflação em 2016 sem sinalizar novos aumentos de juros. “É uma questão de tempo até reconhecer que não será possível entregar inflação na meta no ano que vem”. O economista estima que o IPCA atingirá em 6,5% em 2016.

A sinalização recente do BC, diz Berriel, que também é responsável pela área macroeconômica da Pacífico Gestão de Recursos, indica prudência. Se o país estiver sob dominância fiscal, o BC não estará acelerando o processo. Ao mesmo tempo, caso haja resolução do impasse político e a situação fiscal caminhe, a distensão dos preços dos ativos, especialmente do câmbio, tende a melhorar as projeções de inflação.

Valor Econômico – 13/10/2015

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Sem CPMF, governo deve elevar a Cide até o fim do ano, prevê Jensen

Diante das dificuldades para aprovar a volta da CPMF, o governo deve recorrer a mais um aumento da Cide sobre combustíveis até o fim do ano, na tentativa de melhorar o resultado das contas públicas de 2016. O efeito secundário desse novo aumento de preços da gasolina, porém, será uma taxa de inflação que deve alcançar 10,2% ao fim de 2015, na avaliação de Juan Jensen, sócio da 4E Consultoria.

Para Jensen, apesar da reforma ministerial anunciada recentemente, o governo continuará a enfrentar resistências, principalmente na Câmara dos Deputados, o que limita as chances de aprovação da volta da CPMF, uma das medidas do pacote fiscal anunciado pela equipe econômica após a perda do grau de investimento pela Standard & Poor’s.

Por isso, a opção deve ser, em um primeiro momento, em dezembro, aumentar o PIS e a Cofins que incidem sobre combustíveis e, passados 90 dias, voltar a elevar a Cide sobre a gasolina, à semelhança do que foi feito no início do ano. Neste cenário, a inflação, que até setembro alcançou 9,49%, deve encerrar o ano em 10,2%.

Para 2016, diz Jensen, a perspectiva é de leve respiro, mas o índice oficial de preços vai continuar acima do teto da meta perseguida pelo BC, ao encerrar o ano em 6,6%. Os estoques muito elevados, diz, estão segurando o repasse da desvalorização cambial para os preços, mas esse movimento tende a acontecer ao longo do próximo ano, o que explica a piora das expectativas de inflação para o ano que vem. O BC não deve reagir a essa deterioração em função da atividade econômica, diz o economista. Jensen projeta queda de 2,9% do PIB neste ano e de 1,4% no próximo.

De saída da Tendências Consultoria, Jensen montou, ao lado de mais três sócios, a 4E Consultoria, que terá maior enfoque em mapeamento de risco para empresas. Um dos riscos, no momento, diz, é um eventual impeachment da presidente Dilma Rousseff. Após a rejeição das contas de 2015 pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a 4E atribui a esse cenário uma probabilidade de 40%. Jensen avalia que o elevado nível de incerteza que um processo como esse teria no curto prazo poderia levar a taxa de câmbio a R$ 4,80, o que jogaria a inflação em 2016 para 7,4%.

Para ele, porém, o momento posterior seria de certa melhora da confiança de empresários e consumidores, com um pouco mais de facilidade para aprovação de projetos que facilitem o ajuste fiscal. Por isso, a economia tenderia a se recuperar mais rapidamente em 2017 e 2018.

Em ambos os cenários, porém, o Brasil deve perder o selo de bom pagador por mais uma das agências de classificação de risco no primeiro semestre de 2016.

Valor Econômico – 13/10/2015

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Economista propõe abandono temporário de regime de metas

O debate sobre dominância fiscal ganhou fôlego nas últimas semanas com a proposta de Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics (PIIE), para enfrentar a situação. Para ela, sob dominância fiscal, o Brasil deveria abandonar temporariamente o regime de metas de inflação e adotar uma banda cambial variável, com desvalorização mensal embutida.

Seria algo como o regime de câmbio que vigorou no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. “O piso e o teto vão mudando a cada mês. O tamanho da desvalorização determina quanto tempo você consegue jogar esse jogo com o mercado. Se estabelecer uma banda ampla, que pode ser comunicada de maneira tácita ao mercado, o uso de reservas pode ser limitado.”

Para Monica, o câmbio hoje já é a âncora por excelência. “No Brasil, estamos fingindo que temos regime de metas de inflação e câmbio flutuante”, diz. Ela argumenta que por meio dos swaps cambiais – “caros e ineficientes” – o Banco Central já está, na prática, adotando sua proposta.

Monica admite que tornar o câmbio semifixo não é sustentável no longo prazo, sob o risco de o BC ter de se desfazer rapidamente das reservas, se as incertezas fiscais e políticas permanecerem. Há ainda a possibilidade de a medida “tampão” ser bem-sucedida a ponto de reduzir os incentivos para medidas mais duras de ajuste fiscal. “Ele é um tapa-buraco, enquanto o país não restabelece uma âncora nominal [o regime de metas]”.

De qualquer forma, afirma, ficar de braços cruzados no momento é a pior opção possível. “Se nada for feito, o caminho necessariamente é inflacionário, com reindexação da economia.”

Para José Julio Senna, do Ibre, há dois pontos na análise que estão corretos e são bastante oportunos. “Primeiro, a avaliação de que estamos em situação de dominância fiscal. Segundo, o reconhecimento de que o sistema de preços de determinada economia funciona melhor com uma âncora”. Para ele, o problema da proposta é trocar a âncora atual, do regime de metas de inflação, pelo câmbio. “Não conheço país que tenha abandonado regime de metas. A sensação seria de que jogou a toalha.”

Para Monica, em situação de dominância fiscal, falar em abandono do regime de metas é uma questão semântica. “O Banco Central perde o instrumento de política monetária e, portanto, as metas não funcionam. Se quiser falar em suspensão temporária, não há problema”, diz a economista.

A sugestão de adotar uma política de câmbio semifixo também é vista com ressalvas por economistas. “No meio de uma crise vamos lembrar que temos reservas? Um seguro que pagamos a vida inteira e na hora que precisamos, vamos vender?”, questiona Senna, do Ibre.

Laura Carvalho, professora da Faculdade de Economia e Administração da USP, diz que o único lado “positivo” do momento atual do país é que não há crise cambial iminente, justamente porque o BC tem US$ 370 bilhões nos cofres. “Se a intenção é reduzir volatilidade nos mercados cambiais, melhor do que usar as reservas seria regular alguns instrumentos, como os derivativos cambiais, para evitar esses movimentos rápidos”, diz.

Para Laura, a desvalorização do câmbio nos últimos meses é mais resultado do cenário internacional, com crescimento menor na China e perda de valor das moedas dos países emergentes, do que das dificuldades internas.

Tiago Berriel, da PUC do Rio, afirma que a tentativa de fixar o câmbio em situação de dominância fiscal seria o equivalente a impedir redução do valor nominal do endividamento público. “Dificilmente funcionaria, porque geraria corrida dos títulos públicos para outros ativos, como o dólar, exaurindo as reservas rapidamente.” Berriel argumenta que a saída, inevitavelmente, passa por reformas estruturais que garantam a sustentabilidade do gasto no longo prazo.

Valor Econômico – 13/10/2015

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Brasil está à beira do precipício, mas crise pode ser evitada

Nouriel Roubini, o economista que foi um dos poucos a prever a crise financeira de 2008, adverte: “O Brasil está à beira de um precipício”.

Segundo ele, sem o ajuste fiscal, o país perderá o grau de investimento por outras agências de rating, a exemplo do que aconteceu com a S&P em setembro, os “spreads” (custo de tomar empréstimos) de empresas e do governo vão explodir, o real vai entrar em queda livre e a economia vai encolher ainda mais.

Mas o dr. Apocalipse, como é conhecido o economista por suas previsões sombrias, não está tão pessimista em relação ao futuro do país. “O Brasil não está fadado a ter uma crise, é possível evitá-la”, diz. Para isso, no entanto, não há atalhos, é preciso fazer um superavit primário de pelo menos 0,7% em 2016, diz.

Ele estima que o PIB brasileiro vai encolher cerca de 3% neste ano e ficar estagnado ou levemente positivo em 2016, desde que haja ajuste (segundo o relatório Focus, o mercado espera queda do PIB de 2,85% em 2015 e de 1% em 2016). O economista estava em Lima, no Peru, para a reunião do FMI e faz uma visita rápida a São Paulo e Brasília.

Folha – Em um artigo no diário inglês “Financial Times”, em agosto, o senhor afirma que o Brasil deveria ter sido rebaixado pelas agências de risco em 2014. Por que o país enfrenta a crise atual? E o senhor espera que outras agências rebaixem o Brasil até o fim do ano?
Nouriel Roubini – É consenso que as políticas macroeconômicas do Brasil nos últimos anos foram equivocadas. Houve afrouxamento fiscal excessivo. Além disso, o aumento na oferta de crédito, tanto pelo sistema financeiro, como pelas instituições públicas, foi excessivo, uma forma de estímulo fiscal.

Enquanto havia ventos favoráveis no mundo, com a China crescendo de 10% a 11%, preço das commodities em alta e o Fed com taxa de juros zero, tudo estava bem. Em 2013, as coisas começaram a mudar: a China passou a desacelerar, commodities começaram a baixar, o Fed passou a indicar que iria iniciar o processo de subir juros.

Isso atingiu em cheio os chamados “cinco frágeis” –Índia, Indonésia, Brasil, Turquia e África do Sul, que tinham em comum deficit fiscal e em conta-corrente, inflação em alta e crescimento em queda.

No Brasil, o BC estava atrasado, mas passou a elevar agressivamente a taxa de juros. Houve uma oportunidade para fazer ajuste fiscal, mas não ocorreu, porque havia o período eleitoral. A mesma coisa ocorreu com preços administrados, cujo aumento foi adiado. Então depois das eleições sobrou esse ajuste fiscal muito maior para ser feito e o reajuste de tarifas gerou inflação. Perdeu-se a confiança na política fiscal.

A falta de comprometimento para fazer o que é necessário no lado fiscal causou o atual estresse. Se o governo conseguir fazer o Congresso aprovar legislação que eleve receitas e corte gastos e, assim, indicar de forma crível um superavit primário de 0,7% em 2016, será possível evitar rebaixamentos. Mas será que é possível? Todo mundo sabe que o governo é fraco, tem baixa popularidade, convive com escândalos e que há uma coalizão muito fragmentada. Mas seja este governo ou outro, seja este o ministro da Fazenda ou outro, o país tem de fazer ajuste fiscal, não há escapatória.

Se fizermos o ajuste neste ano, será possível voltar a crescer no ano que vem?
Se fizerem o ajuste necessário, não haverá rebaixamentos e vai melhorar a confiança na política fiscal. Isso vai deixar as pessoas mais confortáveis para voltarem a gastar. A moeda já se desvalorizou a ponto de ficar mais competitiva, e as exportações devem aumentar, embora não muito, por causa do cenário global. No meio do ano que vem, a inflação deve baixar, porque não mais haverá os efeitos da alta de preços administrados e a recessão vai fazer com que a alta dos salários seja menor.

Assim, o BC poderá cortar juros e isso vai restabelecer parte do crescimento. O PIB do Brasil deve recuar 3% neste ano, talvez até 4%. Em 2016, se for feito o ajuste, acho que haverá recessão no primeiro semestre, mas a economia chega ao fundo do poço no meio do ano e começará a se recuperar. Com isso, em 2016, o PIB brasileiro fica estagnado ou levemente positivo.

O Brasil não está fadado a uma crise. Existe um caminho, embora seja difícil e exija coragem política de quem quer que esteja no poder. Para as coisas se estabilizarem, é necessário um ajuste fiscal, não há escapatória.

Entre os “cinco frágeis”, qual país é o mais vulnerável?
O Brasil é o mais vulnerável. A situação melhorou na Índia, que cresce bem, e na Indonésia, que fez ajuste fiscal. A África do Sul tem problemas, mas não tão grandes quanto o Brasil. A situação política brasileira e a turca são bastante complicadas.

E o Brasil é grande e sistemicamente importante para a América Latina e outros emergentes, então é fonte de preocupação.

O que vai acontecer se o Brasil for rebaixado por outras agências de rating?
O dólar ficará bem acima de R$ 4, não dá para saber quanto. Quanto mais fraca a moeda, maior é o valor real das dívidas em dólar das empresas. Se houver o rebaixamento, o “spread” [custo de tomar empréstimos] vai aumentar. Com essa combinação: economia fraca, real fraco e “spreads” maiores, muitas empresas e até instituições financeiras brasileiras poderão ficar em uma situação difícil.

Por isso é tão importante evitar o rebaixamento.

O sistema político e o Congresso precisam entender que o Brasil está à beira do precipício. Se o ajuste fiscal não for feito, o Brasil será rebaixado de novo, os “spreads” de empresas e do governo vão explodir, o real vai entrar em queda livre e a economia vai encolher ainda mais. Não existe opção.

Qual seria o impacto sobre o Brasil de um pouso forçado [desaceleração brusca] da economia da China e da elevação dos juros dos EUA?
Acho que a probabilidade de um pouso forçado na China é de apenas 20% a 30%. Os países já estão sofrendo com a China reduzindo crescimento para 6,5%. Mas um pouso forçado causaria uma enorme queda nos preços de commodities e recessão na maioria dos emergentes.

Já a nossa previsão para o Fed é que a instituição comece a elevar os juros em dezembro, mas de forma bem lenta e gradual, e talvez as taxas de juros de longo prazo não se alterem tanto porque outros bancos, como o Banco do Japão e o Banco Central Europeu, mantêm o afrouxamento monetário e ainda há um excesso de liquidez global.

Além disso, já está precificado nos emergentes [os investidores já levam isso em conta aos decidir sobre seus investimentos].

Uma vez que o crescimento calcado em commodities em alta e aumento do consumo parece estar esgotado, qual deve ser o novo modelo de desenvolvimento do Brasil?
O Brasil, como muitos emergentes na última década, não adotou as reformas estruturais necessárias para aumentar seu potencial de crescimento. O país se voltou cada vez mais para um capitalismo estatal, com papel excessivo do Estado na economia, atuação exagerada de bancos estatais na alocação de crédito, nacionalismo nos recursos naturais e até certa substituição de importações, como nas regras de conteúdo nacional para a Petrobras.

De forma geral, o Brasil precisa de reformas estruturais para liberalizar o mercado, além das reformas de longo prazo que todo mundo sabe.

Como o senhor encararia uma possível troca do ministro da Fazenda no Brasil?
Joaquim Levy é sólido, respeitado e sabe o que é preciso ser feito. Se puserem outra pessoa no ministério, ela terá de fazer as mesmas coisas que ele está fazendo, não há saída. Por isso, já que será preciso arrumar outro Levy, é melhor simplesmente manter o Levy atual.

Folha de S.Paulo – 13/10/2015

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‘Apesar da crise, o Brasil não vai acabar’, diz sócio-gestor do Pinheiro Neto Advogado

Em meio ao turbilhão da crise econômica e política pelo qual o Brasil passa, Alexandre Bertoldi, sócio-gestor do Pinheiro Neto Advogados, um dos maiores escritórios de advocacia do País, especializado em negócios, não acredita em um futuro catastrófico.

Do posto de observação privilegiado, acompanhando as fusões, aquisições, quebras e reestruturações financeiras dos maiores grupos empresariais do País, Bertoldi acha que estamos vivendo um momento de transição. Muitos vão quebrar, grandes grupos nacionais vão encolher, multinacionais japonesas e coreanas vão aproveitar que as empresas estão baratas para avançar no Brasil. E, ao fim do processo, as companhias estarão mais fortes. “O Brasil sairá da crise e, quando sair, será rápido”. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como o sr. vê o atual momento pelo qual o Brasil passa?

Minha referência é um modelo liberal, com pouca intervenção do Estado na economia. Só que não acredito que esse modelo, por si só, vá diminuir as distâncias sociais. Esse era um problema muito grande. Vejo como grande mérito a melhora na parte social nas duas gestões do governo Lula (ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva) e da Dilma (Rousseff). Não sei se agora, com tudo que está acontecendo, vai haver uma devolução dos ganhos conquistados. Mas acho que o modelo liberal puro não necessariamente garante uma diminuição. Ele melhora a economia, melhora o PIB, vai criar mais oportunidades. Mas, para um País que tinha uma situação tão grave, uma distância tão grande, não sei se o liberal puro, por si só, vai resolver.

O sr. diz que há coisas boas olhando para a frente. O que seriam?

Não sou otimista. Talvez não seja tão pessimista. Tem algumas coisas que vejo que são boas. A principal delas, e acho que não é enaltecida o suficiente, é a força e a resiliência das instituições do Brasil. É interessante ver que a Polícia Federal tem autonomia para investigar quem quer, desde empresários influentes, políticos e até ministros. Não ouvi, até agora, nada que interrompa o trabalho da PF. Um juiz também consegue, bem ou mal, levar as investigações que são sensíveis e ninguém questiona. A divisão dos poderes está bem respeitada. As instituições se mostraram muito fortes, talvez até mais do que a gente supusesse.

Mas o governo acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar impedir que o Tribunal de Contas da União avalie as contas da presidente Dilma.

Isso não é decisão. O governo quer criar argumentos para que isso não ocorra. Faz parte do jogo. Tentar influir, mas dentro das regras. Se fosse uma canetada… Mas tentar construir argumentos para que isso ocorra, acho válido.

Como o sr. vê essa discussão do impeachment? Há motivos legais para se tirar a presidente?

Pessoalmente, sou contra. Houve eleição, mas muita gente não gostou do resultado, que deve ser respeitado. O impeachment não é necessariamente um processo legal. É um processo muito mais político. Muitas pessoas justificam a necessidade dele por ter de aguentar mais três anos de governo, que está muito fraco. Se houver algo sério, sob o ponto de vista legal, passaria a ser a favor. Mas por questões meramente políticas e econômicas, prefiro que as instituições sejam preservadas.

Do jeito que está, com o TSE falando em analisar as contas da campanha presidencial, corre-se o risco de judicialização do mandato? A presidente pode ficar pendurada por uma liminar?

Acho que pode haver discussões. A Dilma ou qualquer outro presidente não sai por uma decisão do Judiciário. É uma decisão do Congresso. Ou seja, política. O que pode haver são discussões jurídicas que podem alimentar a discussão política e até dar argumentos para que o impeachment seja exercido. Dificilmente vejo como uma decisão jurídica.

Como os investidores veem esse cenário?

Há alguns anos, o Brasil virou o País da moda. Ficava até constrangido de ver os (grupos e fundos) estrangeiros pagando preços irreais e até injustificáveis pelos ativos aqui. Se olhar agora, temos uma crise política enorme e uma crise econômica – essa, sim, não me surpreende. A intensidade da crise política, para mim, é uma grande surpresa. Essa combinação é perigosa. Temos dois tipos de investidores. Comparo com o período de 2002, quando havia indefinição se o Lula iria ser ou não eleito, e ninguém sabia o que iria acontecer. Quem entrou no Brasil naquele momento político fez excelentes negócios. Os investidores mais cautelosos, que não estão comprometidos com o Brasil, tiraram o pé do acelerador, suspenderam os negócios. Por outro lado, há investidores que veem essa crise como oportunidade. Há negócios muitos bons, como agronegócios, e setores que devem ser consolidados, como papel e celulose. Temos um mercado interno grande que não vai desaparecer. Além disso, há ativos que serão vendidos por necessidade, por causa de endividamento, e outras (empresas) envolvidas na Lava Jato.

A volatilidade atual do câmbio prejudica as transações?

O câmbio alto torna os ativos brasileiros bastante atraentes, mas enquanto não se estabiliza, complica mais. Corre-se o risco de entrar por R$ 4 e sair por R$ 3 ou entrar por R$ 3 e sair por R$ 4. Mas existe um grupo de investidores que já está aqui e olha para o País a médio e longo prazo. Vai ter um movimento de concentração e, com a situação das empreiteiras, muitas concessões vão mudar de mãos. Vejo com otimismo outras áreas que não decolaram no Brasil porque havia uma interferência muito grande do Estado e, pelo que parece, o BNDES vai interferir menos por falta de caixa. Vejo duas áreas fundamentais para a maturidade do País : ‘project finance’ (captação de recursos no mercado financeiro para financiar infraestrutura) e mercado de capitais. Antes, era mais fácil correr para o BNDES, arrumar um sócio, ou um empréstimo com condições mais vantajosas, sem ter um projeto tão arredondado.

Haverá uma mudança de perfil das empresas?

Teremos empresas melhores. Elas terão de ser boas para entrar no mercado de capitais. Pode demorar um pouco. O Brasil precisa de investimento em infraestrutura. Essa rodada de negociações vai precisar de dinheiro privado. Claro que estamos sem o ‘investment grade’ (grau de investimento), mas não acho que inviabilize os projetos. Há grupos com visão de médio e longo prazo. Uma certeza eu tenho: o Brasil não acabou com essa crise. A gente já passou por outras. E acho que o Brasil vai voltar. E quando voltar, será rápido.

Mesmo com esse cenário pessimista, há oportunidades para entrada de novos investidores? Ou só os mais tradicionais ficam?

Os dois casos. Países como Japão e Coreia do Sul têm vontade de aumentar a participação deles no Brasil. A China já não está tão pujante. As empresas querem vir para o Brasil para ganhar dinheiro. Se entram em um momento de baixa e conseguem comprar ativos que vão se valorizar um dia, tem muito negócio a ser feito. Há muitos grupos que estão comprometidos e que têm parte relevante da receita gerada aqui ou não podem mais crescer nos seus países de origem. Além de grupos novos que veem o Brasil como oportunidade.

Mas, neste caso, o câmbio não afugenta?

Há mecanismos financeiros de proteção, que são caros. Não precisa ter um câmbio fixo, mas é preciso ter uma ideia de até quando testar os limites. Quando tiver com a banda (mais clara), dá para fazer as contas. O que está claro é que não vamos ver, até pelo menos 18 meses, uma queda significativa da taxa de juros.

Então, o dinheiro no Brasil vai ficar bem caro, o que pode ser inibidor para investimentos locais. Talvez abra mais oportunidades para os estrangeiros.

O sr. falou de empresas em dificuldade que estão vendendo ativos e de
oportunidades para investidores de fora. Tem comprador para tudo isso?

Depende do setor e da empresa. Há empresas que não estão em dificuldade, mas estão planejando o futuro. Quando se tem queda de receita, como várias tiveram, a proporção de sua dívida em relação ao seu faturamento explode e há problemas para se administrar essa dívida. Tem a questão do endividamento externo. Embora muitos grupos tenham aprendido com a crise de 2008 (sobre os derivativos), por incrível que pareça há empresas que não têm todas as suas posições “hedgeadas” (protegidas). E tem gente ganhando com câmbio. Infelizmente, alguns grupos vão sair desta crise bem menores e bem mais fracos do que são hoje, e vão falar que estão mais focados.

Os escândalos de corrupção paralisaram muitos negócios.

Em um primeiro momento, há um impacto muito negativo na economia. Há paralisação de alguns setores na expectativa de ver o acontece. Corremos o risco de pecar pelo excesso de investigações. Sabemos como começa, mas não onde acaba.
Os acordos de leniência vão crescer mais?

Tudo o que aconteceu no Brasil envolvendo essa questão de corrupção pode trazer maior transparência em negócios que envolvem o Estado, principalmente, e a concorrência entre as empresas. Faz parte de um movimento que está em um caminho muito certo. No médio prazo, vai melhorar muito a situação aqui. Teremos preços mais justos, obras públicas realizadas com valores mais realistas, uma competição maior e efetiva.

As empresas vão sobreviver a esse processo?

Vão. Estamos falando de empresas grandes, como Petrobrás, Eletrobrás e outras. No fundo, a Petrobrás teve muito azar. Se o barril de petróleo estivesse a US$ 100, a situação seria diferente hoje. É o mesmo que está acontecendo com o Brasil.

Temo uma crise econômica, política, preços das commodities muito baixos. Se os preços das commodities estivessem um pouco melhores, a situação seria diferente também. É uma conjunção desfavorável. Tivemos um cenário extremamente favorável há cinco, seis anos. E, mais do que reclamar do momento atual, a gente tem de se lamentar de não ter aproveitado a conjunção favorável lá atrás.

Como deveriam ser os acordos de leniência? Punir pessoas físicas e preservar as empresas? Ou as empresas têm de ser punidas até o limite da solvência?

Não é uma coisa extremamente lógica penalizar só os indivíduos. Quem obteve o grande lucro foi a empresa. Acho que não se pode tirar totalmente a culpa do indivíduo, mas o foco das investigações deveria ser nas empresas, que se beneficiaram disso. Mas a punição tem de ser proporcional. Boa parte das penalidades é baseada na receita da empresa, mas, em muitos casos, a receita não tem a ver com o lucro das empresas. Há empresas que têm margens muito pequenas e as multas que se aplicam são absolutamente impagáveis. Então, acho que teria de ter um bom senso de se aplicar multas que sejam doídas, mas que não aleijem as empresas.

O efeito educativo da Operação Lava Jato é suficiente para atacar o problema de corrupção no Brasil?

Tivemos vários efeitos educativos no Brasil contra a corrupção. Sempre achamos que aprendemos, mas não. Teve o Mensalão, agora a Lava Jato. Sem dúvida, o Brasil vai emergir desse tsunami da Lava Jato para um País menos corrupto. Acho que o tamanho da corrupção é diretamente proporcional ao tamanho da interferência do Estado na economia. A Lava Jato tem um efeito didático muito interessante. No mínimo, vão pensar duas ou três vezes no futuro antes de fazerem coisas que antes eram feitas quase no automático.

O Estado de S.Paulo – 13/10/2015

Redação On outubro - 13 - 2015
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