Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 18 de Novembro de 2017






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Governo tenta mudar comércio com ‘blocos’

Apesar de querer ampliar as relações bilaterais com os países vizinhos, como é o caso da Colômbia, o governo pretende também criar medidas para se aproximar com as nações da Bacia do Pacífico.

Na sexta-feira passada, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro, defendeu, em Bogotá – que também contou com a visita da presidente brasileira Dilma Rousseff -, a ampliação das parcerias entre Brasil e Colômbia com a criação de mecanismos de facilitação das relações comerciais. Entre as ações, está a de fortalecer o mercado automotivo entre os países, ao estabelecer, por exemplo, uma cota de veículos que terão tarifa de importação zerada.

Embora seja a terceira maior economia da América do Sul, a Colômbia é apenas o sétimo parceiro comercial do Brasil no continente americano. A nação vizinha está na lista de 32 países considerados estratégicos pelo governo brasileiro no Plano Nacional de Exportações, lançado em junho.

A corrente de comércio bilateral totalizou US$ 4,1 bilhões em 2014, registrando crescimento de 165% desde 2005.

Por outro lado, o ministro salientou a necessidade de maior aproximação entre os países que compõem o Mercosul e os países sul-americanos da Bacia do Pacífico. “Esse relativo afastamento que existia aqui na América do Sul entre esses dois blocos, eu acho que o nosso desafio é construir essa ponte, no interesse de ambos”, frisou.

DCI – 13/10/2015

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Parceria Transpacífico, liberalização competitiva

ESPAÇO ABERTO

Depois de longos e difíceis entendimentos,a conclusão da Parceria Transpacífico (PTP), de 12 países com acesso ao Pacífico, incluídos EUA e Japão, representando 40% daprodução mundial,abre uma nova etapa nas negociações comerciais.APTP vai além de um acordo de livre-comércio tradicional,limitado à redução ou eliminação de tarifas e ao exame das barreiras tarifárias e não tarifarias (subsídios, antidumping), controladas nas fronteiras.

A PTP e outros entendimentos, como o acordo EUA-União Europeia, inauguram uma forma de interdependência
econômico-comercial regional mais profunda. Esses acordos ampliarão as cadeias produtivas globais, em que o foco, ao contrário dos acordos negociados até aqui, são as regras existentes dentro do território de cada país-membro relacionadas com o comércio (competição, investimento, propriedade intelectual, serviços, trabalhistas, meio ambiente), que passarão a ser harmonizadas.

A PTP é a primeira negociação importante, nas últimas décadas, levada a efeito por motivações geopolíticas.

Liderada pelos EUA, a PTP ampliou os interesses e a visibilidade norte-americana na Ásia e excluiu a China, com o objetivo de responder à crescente presença deste país e ao temor dos países da região de uma eventual ameaça de Pequim.

Não cabe aqui analisar as principais disposições e regras do acordo, mas examinar as consequências para o comércio internacional dessa parceria inovadora.

A PTP vai impactar fortemente o sistema multilateral de comércio. Os países não participantes poderão tentar reviver a Organização Mundial de Comércio (OMC ),mas a parceria deixará os EUA ainda menos interessado em salvar a OMC e mais propenso a acelerar o acordo com a União Europeia.

O feto de a definição das regras ter sido feita fora da OMC enfraquece as negociações multilaterais e marginaliza a instituição. A Rodada Doha, iniciada há quase 15 anos, fracassou e deve ser encerrada melancolicamente, em dezembro,na reunião ministerial de Nairóbi, como pretendem os EUA, apesar da oposição da China e da índia.

As novas regras do PTP tenderão a ser gradualmente estendidas aos países que tiverem interesse em se juntar aos novos megablocos. Países como o Brasil, que ajudavam a definir as regras no âmbito multilateralda OMC, passarão a ter de aderir a elas com poucas chances de mudá-las, como ocorre com a Coreia do Sul, que já declarou sua intenção de se juntar ao PTP.

Novos padrões estão sendo estabelecidos para o comércio internacional e terão implicações em todos os países.

Esses padrões poderão exercer influência sobre outros acordos que vierem a ser examinados com membros ou não do PTP e sobre a negociação de acordos plurilaterais fora do âmbito da OMC, como o de serviços.

A exclusão de todos os países do Brics (Brasil, Rússia, China e África do Sul) chama a atenção. Não seria o caso de esses países pensarem em estudar uma negociação voltada para a colaboração comercial que pudesse no médio prazo caminhar na mesma direção dos novos megablocos?

Quando for ratificado (o que levará algum tempo em vista da reação interna de alguns países, como os EUA, pela ameaça à sua indústria automobilística e farmacêutica), deverá haver significativo desvio de comércio, tanto na área agrícola quanto na de manufaturas, pela presença dos EUA e do Japão gozando de preferências em relação aos países não membros.

Quanto ao Brasil, ainda é cedo para antecipar as consequências da entrada em vigor do PTP, mas é certo que haverá desdobramentos afetando negativamente os interesses comerciais brasileiros. Hojeo Brasil exporta cerca de US$ 54 bilhões para 12 dos países-membros do PTP; poderá haver desvio de comércio com a substituição de produtos agrícolas brasileiros por norte-americanos e australianos, mais competitivos e preferenciais no âmbito da parceria.

Por outro lado, as novas regras impactarão futuras negociações do Brasil, a começar com a União Europeia, se forem levadas adiante no próximo ano. A parceria EUÀ-União Europeia, quando aprovada, deixará ainda mais flagrante o isolamento do Brasil das negociações que envolvem os fluxos dinâmicos do comércio global. Essa nova forma de intercâmbio comercial, que hoje representa quase 70% das trocas mundiais, se desenvolve por meio das cadeias produtivas globais em que o Brasil ocupa uma posição marginal pela sua baixa competitividade em bens e
serviços.

O divórcio entre política macroeconômica, política industrial e a de comércio exterior acentuou a perda da competitividade da economia brasileira. Segundo o Fórum Econômico Mundial, o Brasil despencou 18 posições no índice de competitividade, caindo para o 76º lugar.

O PTP deveria acender uma luz amarela no Brasil, que há 13 anos vem se emaranhando em opções estratégicas equivocadas no comércio exterior e na política externa. Sob forte influência político-partidária, essas opções se desdobraram em políticas que isolaram o Brasil das negociações comerciais globais e estão acarretando um custo para a balança comercial com a queda das exportações e das importações. Os preconceitos antiglobalização e a prioridade Sul-Sul marginalizaram o Brasil dos entendimentos para negociações com países comercialmente
relevantes fora da região.

Espera-se que a assinatura do acordo entre EUA, Japão e países asiáticos possa estimular os formuladores de política do governo petista a retomar a discussão de uma agenda para reduzir o custo Brasil (reformas estruturais – tributária, trabalhista, Previdência -, o custo da energia, infraestrutura, burocracia, taxa de juros). Sem isso será difícil iniciar um processo de negociação de acordos comerciais que recoloque o Brasil no fluxo dinâmico das cadeias
produtivas e da inovação, com mais investimentos e emprego.

RUBENS BARBOSA PRESIDENTE DO CONSELHO DE COMÉRCIO EXTERIOR DA FIESP

O Brasil ocupa posição marginal nas cadeias produtivas globais pela baixa competitividade

Estado de São Paulo – 13/10/2015

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Empresas e emissões de CO2

Entre 30 de novembro e 11 de dezembro, Paris será sede da COP 21, Conferência das Partes que reunirá neste ano 196 integrantes da ONU para definir parâmetros para lidar com as mudanças climáticas em todo o mundo. A COP 21 será uma conferência crucial. Está em jogo um novo acordo internacional sobre o clima, aplicável para todos os países, visando manter o aquecimento global abaixo de 2°C a 3°C.

O relatório da ONU, feito por cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), afirma ser necessário aumentar as ações para diminuir as emissões de gases de efeito estufa, que poderão provocar aumento da temperatura do planeta a níveis catastróficos. Para cumprir o objetivo de limitar o aumento médio de temperatura da Terra a 2°C até o final de 2100, países desenvolvidos, como os EUA, se comprometem em reduzir 50% de suas emissões de gases de efeito estufa.

O Brasil está a caminho de atingir a meta de redução da emissão de gases do efeito estufa, firmada há seis anos, segundo dados da 6ª edição dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) 2015, do IBGE. Porém, ainda há muito que ser feito por aqui. Apesar de o governo federal não normatizar o uso de tecnologias que reduzam o consumo de energia e a redução de emissão de CO2 nas empresas, cabe às empresas tomar ciência de seu papel na manutenção do meio ambiente.

Não só os líderes de países devem se envolver com os objetivos da COP, as corporações também podem ter papel atuante nessas discussões. Nosso objetivo na COP 21 como empresa atuante na discussão é ajudar as cidades e os países a alcançarem suas metas de 2050 para energia e emissões. É preciso inserir o tema nos planejamentos estratégicos das companhias e ter consciência de que é possível combater as mudanças climáticas por meio de tecnologias já disponíveis.

DCI – Julio Molinari – 13/10/2015

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Dólar comercial sobe 1%, mas ainda está abaixo de R$ 3,80

SÃO PAULO  –  O dólar comercial abriu em alta nesta jornada. Em mais de 20 minutos após o início dos negócios, a moeda americana estava cotada a R$ 3,7967, aumento de 1,01%.

No Brasil, os riscos relativos a um impeachment aumentam e podem reforçar a cautela. No exterior, dados mais fracos vindos da China justificam a queda das divisas emergentes.

As exportações e importações da China caíram em setembro refletindo a demanda global fraca, tanto interna como externamente. Esses números confirmam que a situação do mundo emergente segue incerta e geram, portanto, busca por ativos mais seguros.

Os investidores têm em mãos ainda a última pesquisa Focus, do Banco Central (BC), que contempla que a projeção para a Selic no fim de 2016 voltou a subir e se encontra em 12,63%, ante 12,50% projetados antes. Já a expectativa para o aumento do IPCA em 2016 foi para 6,05%, em relação a 5,94% na pesquisa antecedente. Para este ano, os analistas consultados pelo BC esperam inflação de 9,70%, em vez de 9,53%.

Valor Econômico – 13/10/2015

 

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Exportação da China recua 1,1% ao ano em setembro, melhor que previsto

PEQUIM  –  Atualizada à 0h39 – Apesar da queda, as exportações chinesas em setembro não foram o desastre que o mercado previa. Dados divulgados pelo governo nesta terça-feira apontam queda de 1,1% nas exportações em setembro ante o mesmo mês do ano anterior, um recuo bem menor que os 6% previstos pelo mercado. Em agosto, houve queda de 6,1% ao ano.

Já as importações em setembro caíram 17,7% ao ano, acima dos 16% esperados pelo analistas, também nos dados em yuan. A queda em agosto foi de 14,3%.

Com a queda mais forte das importações, o superávit comercial ampliou-se em setembro, para 376,2 bilhões de yuan.

Os cálculos de exportação e importação de setembro foram feitos com base em valores em yuan.

Em dólar

Mais tarde, nesta terça-feira, o governo divulgou dados referentes aos cálculos em dólar, que mostraram que as exportações da China caíram 3,7% em setembro em relação ao mesmo mês do ano passado, depois de terem caído 5,5% em agosto.

O dado de setembro ficou melhor do que a mediana das previsões de um grupo de 12 economistas consultados pelo “The Wall Street Journal”, de uma queda de 6,5%.

As importações em setembro caíram 20,4% em setembro ante um ano antes, pior do que a queda de 13,8% em agosto, também nas contas feitas em dólar. A previsão dos economistas para as importações era de queda de 16,5%.

O superávit da balança comercial da China ampliou-se ligeiramente em setembro, para US$ 60,3 bilhões, ante US$ 60,2 bilhões em agosto, também excedendo a mediana das previsões, de US$ 47,6 bilhões.

Apesar do resultado melhor que o previsto, os mercados asiáticos reagiram com desconfiança. A retração nas exportações é mais um dos vários sinais de desaceleração na segunda maior economia do mundo.

Expectativa melhor

Para o governo, a desvalorização recente do yuan deve ajudar a impulsionar as exportações da China. Em agosto, o banco central da China surpreendeu o mercado ao desvalorizar a moeda nacional. O movimento foi considerado um recurso do governo para apoiar as exportações declinantes do país, tornando os produtos made in China mais baratos, embora as autoridades chinesas tenham alegado que o objetivo foi dar ao mercado uma possibilidade maior de influir no câmbio.

Huang Songping, porta-voz da Administração Geral de Alfândegas da China, afirmou em entrevista que as exportações da China devem retomar o rumo do crescimento no quarto trimestre, depois de cair no segundo e terceiro trimestres deste ano.

Huang também disse que a queda nas importações de setembro, de 17,7%, também devem se recuperar no último trimestre deste ano, diante do lançamento de medidas para impulsionar o comércio, as quais ele não detalhou.

(Dow Jones Newswires)

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Taiwan quer dobrar vendas para a AL

Com a Europa em crise, China e Estados Unidos crescendo menos, os mercados emergentes passaram a ser uma boa opção para escoar a produção de países asiáticos, que veem na expansão da classe media uma oportunidade de negócio. A república chinesa de Taiwan é um dos principais exemplos. O país quer ampliar as exportações para toda a América Latina, especialmente para o Brasil. Segundo dados do Ministério de Economia de Taiwan, a previsão é de dobrar, nos próximos dois anos, as vendas de eletrônicos e instrumentos de alta tecnologia, atualmente em 3% (do total global de US$ 189 bilhões).

Essa é uma das estratégias de retomada do desenvolvimento de Taiwan, que, depois de crescer em 2014 3,77%, tem perspectiva de expansão, neste ano, de apenas 1,56%, e, segundo o presidente do Instituto de Pesquisa de Taiwan, David Hong, “não deve chegar a 1%”. “As exportações de Taiwan, em agosto de 2015, caíram 14,77%, em relação ao mesmo período do ano passado. E as importações declinaram 16,69%, na mesma comparação”, destacou.

Os dados apontam que o desemprego vem aumentando: o último levantamento, de julho passado, mostra que o mercado de trabalho recuou 3,82%, no mês e, por esse motivo também, Taiwan tem urgência em levar a cabo o plano nacional de desenvolvimento,
que começou a ser desenhado após a crise de 2008, para entrar com mais força, não só no Brasil, como também em países como Rússia, México, Turquia, Myamar, Emirados Árabes, Índia, Vietnã, Indonésia, Filipinas, e focar ainda mais no comércio bilateral com a China.

As mudanças mais profundas na economia de Taiwan, no entanto, vão depender dos resultados das próximas eleições. Durante as comemorações do Dia Nacional, em 10 de outubro, o presidente Ma Yung-jeou, que em maio termina seu segundo mandato, destacou que é importante que seu sucessor não quebre os acordos celebrados com Pequim.

Taiwan mantém uma política de liberdade, mas sem proclamar a independência formal da China. E a candidata Tsai Ing-wen, favorita em todas as sondagens, poderá eventualmente vir a mudar essa realidade. Uma pesquisa feita em julho deste ano (Unificação ou Independência) mostrou que mais de 80% da população quer manter a atual situação, mas entre os descontentes estão, em grande parte, os mais jovens que apoiam Wen.

Segundo Ma, uma mudança no processo pode fazer o país retroceder às dificuldades que teve nos últimos anos nas relações internacionais, criar um clima ruim com a antiga China comunista e provocar uma queda ainda maior das exportações (26% de tudo que e produzido vai para a China, 12,9% para Hong-kong, 10,7% para os EUA), com impactos negativos também no turismo.

Correio Braziliense – 13/10/2015

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Membro do Fed traça cenário cauteloso para economia global

WASHINGTON  –  A diretora do Federal Reserve Lael Brainard defendeu nesta segunda-feira o argumento para o banco central americano esperar para ver como os riscos para a perspectiva econômica vão se desenvolver, considerando as limitadas opções políticas para lidar com qualquer deterioração no cenário.

“Não devemos tomar o continuado vigor do crescimento da demanda doméstica como algo garantido”, afirmou. “Embora a perspectiva para a demanda doméstica seja positiva, as forças globais estão pesando sobre as exportações e a inflação [nos Estados Unidos] e os riscos do exterior parecem estar se inclinando para o lado da baixa”, acrescentou.

Em discurso preparado para o encontro anual da Associação Nacional de Economia Empresarial (NABE, na sigla em inglês), Brainard declinou em fazer uma previsão sobre quando o Fed pode promover a primeira elevação na sua taxa de juro básica de curto prazo em quase dez anos.

Embora ela tenha citado avanços positivos em direção ao pleno emprego, a diretora do Fed disse que “o fraco crescimento dos salários sugere que ainda há espaço para melhora e a inflação tem se mantido persistentemente abaixo de nossa meta”.

(Dow Jones Newswires)

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Síndrome de Peter Pan

O governo do PT sempre viu com desconfiança iniciativas de abertura comercial.

Rejeitou sumariamente o projeto da Alca (Área de Livre-Comércio das Américas), não avançou nas negociações do Mercosul com a União Europeia e pouco ou quase nada fez para participar de outras negociações entre países ou entre blocos comerciais.

Na última segunda-feira, Estados Unidos, Japão e mais dez outros países da Ásia e da América Latina (México, Peru e Chile) anunciaram um superacordo que dá preferência comercial recíproca a um mercado conjunto equivalente a 40% do PIB mundial. Trata-se da Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), cujos termos negociados ao longo de oito anos ainda devem ser referendados pelos seus respectivos Congressos. É um acordo de amplo significado geopolítico que parece fadado a mudar a geografia comercial do Planeta.

O Brasil não consegue emplacar um acordo de livre-comércio nem com seus sócios do Mercosul, bloco que pretende ter nível de integração superior, o de união aduaneira. O comércio entre os dois países mais próximos, Brasil e Argentina, por exemplo, segue bloqueado por travas de todo tipo e por retrancas mutuamente consentidas de caráter protelatório, como o automotivo.

Os sucessivos governos do PT vêm justificando essa falta de energia comercial com a alegação de que a opção estratégica foi por canalizar todos os esforços na direção de acordos multilaterais, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). Mas as negociações da Rodada Doha, que deveria cumprir esse objetivo, estão emperradas desde 2001. Assim, a opção seria por negociar acordos de preferência bilaterais ou acordos entre blocos. Mas, salvo iniciativas isoladas, o Brasil não vem colocando empenho nessas hipóteses. É uma postura atrasada, de quem não quer conversa séria sobre abertura comercial.

Por trás desse jogo está o medo de desproteger a indústria à medida que forem feitas concessões tarifárias. O medo é o de que, com a derrubada das alíquotas do Imposto de importação, o produto estrangeiro chegue mais barato e alije do mercado o produto nacional.

O resultado é desastroso, por duas razões. Primeira, porque não dá competitividade ao produto brasileiro no exterior, ao contrário, tende a reduzi-la ainda mais, na medida em que a indústria não consegue aumento de escala. E, segunda, porque a falta de competição com o produto fabricado lá fora, deixa nanico o setor produtivo local. É a síndrome de Peter Pan, que não consegue crescer.

Embora pareça protegida contra a concorrência externa, a indústria brasileira vai-se enfraquecendo ainda mais e cada vez mais incapaz de concorrer em igualdade de condições com os produtores externos. Ou seja, mesmo sem acordos comerciais, considerados predatórios, a indústria brasileira definhou. Agora são os próprios dirigentes da indústria que reclamam mais agressividade na negociação de novos acordos comerciais.

A TPP está fadada a ser novo obstáculo de vastas proporções para todo o setor produtivo do País e não só para a indústria. Dará preferência ao setor produtivo de outros países e não ao do Brasil.

O Estado de S.Paulo – Celso Ming – 13/10/2015

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Diplomacia pobre

Opinião

*Josef Barat

Sendo o Brasil um país pobre do ponto de vista material, é natural que a atenção de estudiosos se volte para a pobreza. Trata-se de entender uma sociedade extremamente desigual, onde há ilhas de riqueza em meio à pobreza generalizada. Porém, surpreende a fascinação pela pobreza, sem termos tido, por séculos, a contra partida de medidas objetivas, consistentes e duradouras para superá-la. Isso porque a pobreza não é somente  material, mas também reflexo do “deserto de homens e ideias”, na célebre frase de Oswaldo Aranha. É neste deserto inóspito que a irresponsabilidade, a prepotência, o descaso e a corrupção brotam de forma endêmica e que, ao fim e ao
cabo, perpetuam a pobreza.

Mas, se o fascínio pela pobreza não resulta em ações concretas de superação, são abundantes as manifestações de “denúncia”, de “libelos” e de busca de explicações para a sua existência. Nesse sentido, é interessante reportar à “arte povera” que impregna, em grande medida, nossas manifestações artísticas e culturais.

A “arte pobre” foi uma expressão criada pelo crítico italiano Germano Celant, ao referir-se ao movimento artístico
que surgiu nadécadade1960 na Itália.

Os adeptos dessa arte utilizavam materiais não convencionais nas formas de expressão visual, como, por exemplo, sacos, jornais, resíduos e trapos, visando a “empobrecer” a obra de arte, reduzindo seus artifícios e eliminando barreiras entre a arte e o quotidiano.O objetivo era revelar sua crítica ao “empobrecimento” de uma sociedade guiada pelo acúmulo de riquezas materiais.

No Brasil, o fascínio pela pobreza atinge até hoje indiscriminadamente todos os segmentos da criação artística e cultural e, também, vejam só, os formuladores da nossa política externa. Nada mais charmoso que diplomatas e intelectuais buscando formas de inserir o Brasil numa espécie de diplomazia povera. Daí a insistência em manter o Pais atrelado a esta união de rotos do Mercosul, a ditadores africanos corruptos e, sobretudo, como vagão de 2ª classe à locomotiva chinesa. Isso é bom para atender aos anseios da construção pesada e de alguns segmentos pouco competitivos da indústria. Claro que temos uma pujante agricultura, que, no entanto, não controla a demanda e os preços das commodities numa relação colonial com a China.

Mas, concretamente, o que representa essa diplomazia povera para a economia brasileira, além dos mimos concedidos aos empresários amigos? Primeiro, as opções equivocadas da nossa política externa – com escolhas de parcerias irrelevantes – acarretaram um reforço à baixa competitividade de nossos produtos industriais e reduziram sua relevância na pauta de exportações. Com as exceções de praxe, cada vez mais agregamos menos valor ao que nossa industria exporta. A segunda consequência é que as decisões de excluir o Brasil dos grandes acordos transcontinentais (Pacífico e Atlântico) deixaram o País fora dos fluxos relevantes do comércio mundial parabéns industriais e serviços.

Não é por acaso que nosso comércio exterior é reduzido e se está reduzindo ainda mais.

Não há dúvida de que o crescimento das exportações de minério e soja para a China incrementou  consideravelmente as nossas exportações e induziu avanços tecnológicos na sua produção e produtividade.

No entanto, esse avanço não retirou dessas commodities a sua condição básica de vulnerabilidade ante as oscilações de demanda e preços.

Mas a excessiva dependência à demanda chinesa e a teimosia em recusar acordos com blocos e países que poderiam estabelecer fluxos de comércio mais equilibrados conosco puseram a nossa indústria também em situação de vulnerabilidade. Esta resulta da perpetuação da sua baba capacidade competitiva e da impossibilidade de inserção num mercado dinâmico pelos seus baixos níveis de produtividade e inovação.

Coma crise “made in Brazil” e a rápida perda de protagonismo no cenário mundial, é de esperar como diria o saudoso Millôr – que o fracasso não suba à cabeça dos formuladores da nossa política externa.

*ECONOMISTA. CONSULTOR DE ENTIDADES PÚBLICAS E PRIVADAS, É COORDENADOR DO NÚCLEO DE ESTUDOS URBANOS DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO

Estado de São Paulo – 13/10/2015

Redação On outubro - 13 - 2015
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