Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

Filiado a FIESP

Sbado, 23 de Setembro de 2017






Associe-se!
Clique aqui e conheça as vantagens

Na Colômbia, Monteiro diz que economia depende da base aliada estável

BOGOTÁ  –  O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Armando Monteiro Neto, confirmou nesta noite, em entrevista coletiva em Bogotá – onde aterrissou ao lado da presidente Dilma Rousseff para a visita de Estado à Colômbia -, os termos do principal acordo de comércio com o país vizinho, que permitirá a redução a zero da tarifa de importação de uma cota de veículos fabricados no Brasil. Sobre a reunião ministerial que Dilma comandou nesta quinta-feira, Monteiro disse que os aliados têm que mostrar “solidariedade” ao governo e que isso se reflete na economia.

“Todos têm que ter, evidentemente, uma posição de solidariedade em relação ao governo”, disse o ministro, que participou da reunião ministerial no Palácio do Planalto. “O compromisso é estabilizar a base de apoio, que é também a condição para estabilizar a economia”.

A presidente Dilma Rousseff desembarcou em Bogotá, na companhia de Armando Monteiro e do chanceler Mauro Vieira, por volta de 23h30 (horário local), e não quis falar com a imprensa, que aguardava no hotel.

Coube a Monteiro destacar o esforço brasileiro de aproximação comercial com a Colômbia, que avançou, nos últimos anos, nos tratados de livre comércio com os Estados Unidos, com a União Europeia e os países da costa do Pacífico. Ele confirmou o acordo para zerar a alíquota de exportação de uma cota de veículos automotivos fabricados no Brasil.

“Vamos firmar agora, nessa visita, um acordo automotivo, que inicialmente se dá com o estabelecimento de uma cota, e dentro da cota temos tarifa zero”, adiantou.

O Brasil também tenta antecipar o cronograma do acordo de livre comércio com a Colômbia, que prevê alíquota zero de importação para os produtos brasileiros somente a partir de 2018.

“O grande desafio é descongelar o cronograma de desgravação (das alíquotas) que estava congelado, mas a partir do acordo que fizemos (nos setores) têxtil e siderúrgico, vamos antecipar de tal modo que o comércio esteja integralmente desgravado até 2017”.

Monteiro Neto disse que a visita marca um “relançamento da relação do Brasil com a Colômbia”. Segundo o ministro, o desafio é aproximar o Brasil dos países da região do Pacífico na América do Sul. “Em relação ao Chile, já temos comércio desgravado, o desafio agora é acelerar com Peru e a Colômbia, construir essa ponte no interesse dos dois blocos”.

Valor Econômico – 09/10/2015

continue lendo:

Tombini: ajuste mais lento que o esperado

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou ontem em seu discurso no Instituto de Finanças Internacionais ( IIF, na sigla em inglês) que o ajuste fiscal está sendo realizado em velocidade mais lenta que a esperada e que “fatores domésticos não econômicos” têm ampliado a volatilidade do mercado, em uma referência indireta aos problemas políticos do governo. Por outro lado, ele vê impactos positivos da desvalorização do real — que permite que os exportadores sejam motores da retomada do crescimento —, segundo documento liberado pela assessoria de imprensa do BC, já que o evento ocorreu a portas fechadas.

Para Tombini, o real mais desvalorizado pode beneficiar setores que representam cerca de 15% do Produto Interno Bruto ( PIB), que podem ampliar as exportações com a mudança nos preços relativos. O presidente do BC avaliou que o país está mais preparado para grandes choques de câmbio, com reservas de mais de US$ 370 bilhões, o que permite evitar fortes desequilíbrios financeiros, como houve no passado, em caso de fortes desvalorizações.

— O setor empresarial no Brasil não é excessivamente exposto a riscos cambiais. A maior parte da dívida em moeda estrangeira das empresas é de propriedade de companhias que são grandes exportadoras, têm ativos substanciais no exterior ou hedge de suas exposições por meio de derivados. Em qualquer caso, estamos monitorando de perto a evolução no setor corporativo — disse Tombini em Lima, lembrando que o déficit em conta corrente está diminuindo e que será totalmente financiado pelo investimento estrangeiro direto.

Se, por um lado, Tombini afirma que a situação cambial não gera muitos riscos, ele faz alertas para a inflação:

— Estamos observando níveis anormais de incerteza ( da inflação), e ainda não sei se eles vão persistir. Neste contexto, é importante que o BC não reaja de forma exagerada aos movimentos de curto prazo, o que poderia realmente adicionar volatilidade.

AJUSTE NA AMÉRICA LATINA
Mais cedo, Tombini observou que parte da alta da inflação no país decorre do ajuste fiscal e da demora na aprovação deste. Ele lembrou que o ajuste elevou a cotação do dólar e resultou no fim de subsídios no setor de energia, o que afetou os preços:

— O ajuste fiscal está em velocidade diferente do que imaginávamos e isso tem a ver com questões políticas, mas há um consenso crescente em torno do ajuste fiscal, e isso vai ajudar. Mas o ajuste fiscal mais lento teve impacto na taxa de câmbio, e isso trouxe certas dificuldades para reancorar as expectativas.

Ele concordou com colegas que participam do seminário de que a América Latina precisa se ajustar à queda do preço das commodities ( produtos básicos, como soja e minério de ferro) e às novas condições globais, incluindo a desaceleração da China e o aumento do juro nos EUA, ressaltando que não cabe apenas ao BC enfrentar estes desafios.

O Globo – 09/10/2015

continue lendo:

TCU liga gastos sem controle à inflação

O relatório dos técnicos do TCU (Tribunal de Contas da União), órgão que reprovou a prestação de contas da presidente Dilma Rousseff de 2014 na quarta (7), relaciona a crise econômica que o país vive às irregularidades constatadas pela fiscalização.

“Observa-se que o descontrole de gastos e o descumprimento de normas de finanças públicas, aliados às condições econômicas desfavoráveis, resultaram em deficit fiscal expressivo, elevação da dívida pública, inflação, aumento da taxa de juros, recessão econômica e perda do grau de investimento”, afirmam auditores.

O texto defende a importância da Lei de Responsabilidade Fiscal como base para a estabilidade e o crescimento econômico do país. Além disso, ressalta a importância da decisão do órgão de reprovar as contas como forma de mostrar aos demais entes federativos que a norma que defende a transparência, planejamento e controle dos gastos deve ser respeitada.

“É temerário flexibilizar suas regras [da LRF], utilizando-se de interpretações e procedimentos conforme a conveniência do momento, pois isso abre precedente para a aplicação desses entendimentos distorcidos também por parte dos Estados e municípios”, explicam os auditores.

O relatório afirma ainda que o governo usou dinheiro de bancos públicos –as chamadas pedaladas fiscais– de forma “deliberada” para manter uma política de gastos “insustentável”.

Os técnicos analisaram os argumentos da defesa apresentada pelo governo. O resultado foi que, das 15 irregularidades apontadas inicialmente, o TCU considerou que a defesa não foi capaz de descaracterizar 12.

Folha de S.Paulo – 09/10/2015

continue lendo:

Variação cambial pressiona e inflação da alta renda chega a 11,89% em 12 meses

A população mais pobre não foi a única afetada pela inflação mais elevada neste ano. Segundo um novo indicador calculado para o segmento de alta renda, o aumento de preços para consumidores que ganham acima de 30 salários mínimos por mês chegou a 11,89% nos 12 meses encerrados em setembro. No mesmo período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 9,49%.

Criado pela gestora de patrimônios Versus Quantitative Finance e divulgado também mensalmente, o Índice de Preços ao Consumidor de Alta Renda (IPCAR) foi construído a partir de uma estratificação do indicador oficial de inflação. Ele mede a variação de preços para 1,5% da população brasileira, que tem R$ 20.631,22 como renda média mensal. O índice do IBGE, por sua vez, é calculado para uma faixa mais ampla, que vai de 1 a 40 salários mínimos, ou com rendimento mensal de R$ 2.458,26, em média.

Na passagem de agosto para setembro, o IPCAR mensal acelerou de 0,85% para 1,36%, puxado pela desvalorização do real no período. Já no IPCA, que aumentou de 0,22% para 0,54%, os efeitos da alta da moeda americana ainda foram modestos. O índice subiu devido ao encarecimento de tarifas públicas, passagens aéreas e alimentos.

Ricardo Couto, diretor-executivo da Versus e professor do Ibmec de Minas Gerais, explica que o índice de alta renda foi feito para atender à demanda dos clientes da gestora de patrimônios. “Decidimos criar esses dados, porque percebemos que a realidade de consumo da população que se encaixa nessa faixa é muito diferente”, diz.

De acordo com Couto, a principal diferença entre o IPCAR e o indicador-base é o repasse cambial, que ocorre de forma mais rápida e intensa no índice dos mais ricos. Por meio de pesquisa realizada com cem clientes da Versus, Couto observou que essas famílias gastam, em média, US$ 10 mil ao ano com viagens internacionais.

Tomando como base esse valor, o economista criou o item “viagem ao exterior”, que tem peso de 11,7% no IPCAR e, indexado à variação cambial, teve escalada de mais de 50% nos últimos 12 meses. Esse preço explica, sozinho, 5,94 pontos da alta do indicador geral no ano terminado em setembro. “As famílias contempladas pelo IPCAR sentem a variação do dólar assim que ela ocorre”, diz Couto.

Outro dispêndio que compromete uma parte maior do orçamento dos consumidores de renda mais elevada é o setor de educação, que representa 20,5% do IPCAR, maior peso no índice na análise por grupos. No IPCA, a despesa responde por 4,6% do índice. De forma geral, diz o professor do Ibmec, é possível afirmar que as famílias de renda maior gastam mais com serviços, que têm figurado como uma das principais pressões sobre a inflação nos últimos anos.

O conjunto que reúne preços como aluguel, cabeleireiro e empregada doméstica é responsável por 36,4% do IPCAR. No IPCA, a fatia é um pouco menor (35,4%). Dentro desse grupo, outra diferença em relação ao índice oficial é o aumento do item empregado doméstico, calculado com base em despesa mensal equivalente a dois mínimos. No IPCA, esse preço subiu 6,31% de janeiro até setembro. No IPCAR, a alta foi de 8,84%.

Por outro lado, despesas básicas tiveram pouco influência na inflação da alta renda, ao contrário do que ocorreu no indicador do IBGE, que foi fortemente pressionado pelo reajuste de tarifas públicas ao longo do ano. Pelos cálculos da Versus, os preços administrados comprometem apenas 12,6% do orçamento das famílias pesquisadas para o IPCAR, ante 34% no IPCA. Por isso, o grupo habitação – em que estão gastos como tarifa de energia elétrica, botijão de gás e taxa de água e esgoto – responde por apenas 0,84 ponto do aumento do índice de alta renda nos 12 meses encerrados em setembro.

Também perdem importância no consumo da alta renda os gastos com alimentação e bebidas, que têm peso de 14,25% no orçamento desse segmento bem abaixo dos 25% calculados pelo IBGE para o IPCA. “Sabemos que o dispêndio absoluto da alta renda com alimentos é maior, mas em termos relativos ele diminui”, diz Couto. Para ele, a tendência é que o IPCAR continue rodando em nível acima do IPCA, devido ao câmbio, que ainda pode mostrar depreciação adicional até o fim do ano.

Valor Econômico – 09/10/2015

continue lendo:

 

IGP-M sobe a 1,64% no início de outubro puxado pelos preços no atacado

SÃO PAULO  –  Liderada pela alta da soja e de outros produtos agropecuários, a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) deu um salto na primeira prévia de outubro. O indicador acelerou para 1,64%, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV), após subir 0,56% na medição inicial de setembro. No ano, o IGP-M acumula alta de 8,09% e, em 12 meses, de 9,82%.

Os três componentes principais do IGP-M registraram aumento mais marcado na primeira prévia de outubro, com destaque para os preços no atacado. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) avançou 2,36%, depois da alta de 0,75% no início de setembro.  No recorte por origem dos produtos, os preços dos bens agropecuários avançaram de 0,89% para 3,42%, enquanto os dos bens industriais subiram de 0,70% para 1,95%.

Ao observar os estágios da produção, o maior impacto foi o das Matérias-primas Brutas, que subiram 4,24% no começo de outubro, vindo de uma alta de 0,93% na mesma leitura do mês anterior. Entre os destaques, apareceram soja em grão (2,39% para 7,32%), minério de ferro (-0,50% para 4,92%) e milho em grão (1,63% para 10,69%).

No caso do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), a taxa quase dobrou ao passar de 0,25% na leitura inicial de setembro para 0,40% na primeira prévia de outubro, com metade das oito classes de despesa tendo acréscimo em suas taxas de variação. A principal pressão partiu do grupo Transportes (0,19% para 0,66%). Também subiram mais Alimentação (0,04% para 0,22%) e Educação, leitura e recreação (0,20% para 0,49%). Vestuário deixou para trás queda de 0,18% para incremento de 0,96%.

Por sua vez, o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC) registrou elevação de 0,12% na abertura de outubro, acima do resultado de um mês antes, de 0,09%. O índice relativo a materiais, equipamentos e serviços acelerou de 0,19% para 0,25%. Já o índice que capta o custo da mão de obra ficou estável em outubro, mesma situação observada na parcial de setembro.

O levantamento do primeiro decêndio do IGP-M de outubro compreende o intervalo entre os dias 21 e 30 do mês de setembro.

Valor Econômico – 09/10/2015

 

continue lendo:

 

Confiança no varejo cai ao menor nível em 4 anos

A ausência de perspectiva de melhora nas condições de consumo do brasileiro levou a confiança do empresário do comércio a mostrar, em setembro, o pior patamar em quatro anos. O cenário acendeu sinal de alerta para o mercado de trabalho formal – o setor é um dos maiores empregadores da economia.

É o que mostrou ontem a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) ao anunciar o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec). O indicador caiu 4,1% de agosto a setembro, para 81,5 pontos, 11ª queda mensal consecutiva, que conduziu ao pior patamar da série histórica, iniciada em março de 2011.

Na comparação com setembro do ano passado, o recuo do indicador foi de 26,6%. O mesmo indicador, que abrange amostra de 6 mil empresas, evidencia que 61,1% dos empresários pesquisados pretende reduzir contratação de funcionários, a maior parcela para essa item na pesquisa.

Ao se aprofundar sobre a piora do cenário do setor em setembro, Fábio Bentes, economista da confederação, explicou que, aparentemente, no mês, houve uma espécie de “tempestade perfeita” nas condições do comércio. Na prática, todos os fatores que poderiam conduzir a uma melhora na demanda para o setor varejista apresentaram piora.

Segundo Bentes, o varejista teve que lidar com alta de juros, mercado de trabalho com corte de vagas, inflação pressionada e dólar em alta, o que eleva a cautela e inibe consumo. O enfraquecimento mais intenso da demanda na atividade do comércio no mês, segundo ele, foi notada pelas empresas.

Valor Econômico – 09/10/2015

continue lendo:

À beira da depressão

As previsões mais sombrias para a economia brasileira estão se confirmando. E, se a deterioração continuar na velocidade que se viu nos últimos meses, da recessão que assusta a todos, o país poderá mergulhar na depressão. Essa visão pessimista se baseia nas dificuldades que o governo enfrenta para resgatar a confiança. A presidente Dilma está ameaçada pelo impeachment e o ajuste fiscal prometido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, dificilmente sairá do papel. A perspectiva é de que o Produto Interno Bruto (PIB) caia pelo menos 3% neste ano e 1% em 2016. Há o risco de, também em 2017, haver contração da atividade, caso a crise política deixe a chefe do Executivo sangrando, sem condições de tocar os projetos que o Brasil tanto precisa para sair do atoleiro.

Na opinião do economista Jorge Arbache, professor da Universidade de Brasília, o quadro atual é dramático, e não há luz no fim do túnel, como disse Dilma. Para ele, dada a atual conjuntura política e econômica, de inflação alta, aumento do desemprego, juros subindo, renda em queda e crédito escasso, o PIB só voltará a ter variação positiva em 2017, mesmo assim, pequena, de 0,5%. “Os problemas são muito sérios. Este ano está ruim, mas eu aviso: em 2016, a situação vai piorar e o desemprego aumentará mais. A população terá saudades de 2015”, disse.

Segundo o acadêmico, o país está caminhando para uma depressão da qual, para sair, levará anos. “O empobrecimento do país é explícito”, afirmou. Pelas contas dela, a renda per capita, que é a divisão de todas as riquezas produzidas em um ano pela população, vem encolhendo desde 2014 e continuará em queda até 2017. “Teremos, nesse período, uma queda de 7,45% no PIB per capita. Por isso, a recuperação vai demorar mais. Somente neste ano, a perda será de quase 4% e, no ano que vem, de 2,5%”, frisou, destacando que parte dessa queda é explicada pela inflação alta neste ano, de 10%, e no próximo, de 6,5%.
Desgosto
Para José Luís Oreiro, professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ainda não é possível falar em depressão econômica, pois os juros no Brasil estão muito altos e há espaço para o Banco Central reduzi-los rapidamente e, assim, estimular a atividade econômica. Além disso, alguns benefícios aos mais pobres, como o Bolsa Família, não vão acabar de uma hora para outra, o que permitirá que o quadro não se agrave tanto como o de uma depressão, com vários anos de desemprego elevado e de queda na atividade econômica, fechamento de empresas e de bancos. “O nosso sistema financeiro é muito sólido. Isso não deve ocorrer tão facilmente. A economia deverá voltar a crescer no fim do ano que vem”, apostou.

No entender do diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Octávio de Barros, apesar do quadro de fortes incertezas na área política, a economia brasileira deverá registrar retração neste ano e no próximo, mas voltará a crescer em 2017, quando o PIB avançará 1,5%, depois de encolher 3% neste ano e 1%, no próximo, conforme as suas mais recentes previsões. “Não consideramos no cenário base nenhuma alteração de governo”, avisou. Nas projeções de Barros, o principal motor do crescimento sustentado, o investimento, deverá continuar encolhendo. Para este ano, o tombo será de 11% e, em 2016, de 2%.

O economista Cláudio Porto, presidente da consultoria Macroplan, disse que a situação atual da economia é muito preocupante, mais ainda não se pode caracterizá-la como o de uma depressão. “Não consigo enxergar um cenário de depressão para o país, embora a atual recessão seja muito severa. A economia está se deteriorando numa velocidade que ninguém imaginava”, pontuou. “O desemprego está aumentando e os mitigadores dos riscos que podem levar à depressão, que são os gastos públicos, estão encolhendo. Com isso, as empresas e os investidores estão tendo um comportamento defensivo que favorece a piora do quadro recessivo. A incerteza é muito grande”, afirmou.

Precipício
Segundo Porto, a falta de traquejo político do governo é que vem piorando o quadro econômico. “Enquanto persistir a crise política, continuaremos nesse ambiente recessivo. Se ela não for solucionada nos próximos meses, o país destruirá muita riqueza. Vamos retroceder muitos anos. Antes de melhorar, ainda vai piorar muito”, alertou. Para ele, é inadmissível que um país como o Brasil, com um potencial enorme, esteja passando um momento tão complicado. “Muitas empresas estrangeiras continuam aqui porque sabem o tamanho do mercado interno, que não pode ser desprezado. Mas como as incertezas são tantas na política, eles não investem”, disse. “A leitura que a gente faz para o quadro atual é que estamos num pântano e temos o grande perdedor: a classe média, inclusive a nova, que se beneficiou muito do período de crescimento”, completou.

No governo, o clima é de apreensão. Apesar de o ministro da Fazenda difundir um discurso otimista, boa parte da equipe econômica já admite que o país terá pelo menos dois anos de recessão, fato que não se vê desde 1930 e 1931. Havia a expectativa de que, com as mudanças no ministério, que deram mais espaço ao PMDB, a presidente Dilma conseguisse virar o jogo. Mas o que se viu nos últimos dias foi um enfraquecimento maior do governo. Com isso, o ajuste fiscal, que inclui a aprovação da CPMF, ficou mais difícil. E sem o ajuste não há como se falar em retomada da confiança. “Estamos caminhando para o precipício. E só a presidente da República pode reverter esse processo”, assinalou um técnico com trânsito no Planalto.

Ajuda do câmbio
O economista José Luís Oreiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acredita que as exportações ajudarão o Brasil a sair do atoleiro no ano que vem. “O efeito da alta do dólar ainda não foi percebido na vendas externas do país. Creio que o real mais fraco favorecerá, sobretudo, os manufaturados, impulsionando a indústria”, destacou.

Correio Braziliense – 09/10/2015

continue lendo:

Opinião

De quem é a culpa pela crise?

Ainda que o descalabro econômico atual seja generalizado, o indicador mais doloroso é o desemprego, que já cresceu muito (veja o gráfico) e, infelizmente, deve se elevar ainda mais. Como pôde a economia piorar tanto em tão pouco tempo?

O governo alega que foi a crise mundial que, de forma inesperada, causou a piora da nossa economia em 2015. Mas isso é uma falácia. Embora quase todos os países estejam crescendo menos do que no passado e do que se previa, o desempenho do PIB brasileiro é muito pior do que os demais. De todos os países que o FMI destaca em sua tabela principal sobre as perspectivas da economia mundial (World Economic Outlook, outubro de 2015, Tabela 1.1), o Brasil é o que tem o pior desempenho, só secundado pela Rússia, muito dependente de exportações de petróleo, cujo preço despencou, e que vem sendo afetada pelas sanções econômicas impostas em decorrência de sua interferência na Ucrânia. Num mundo que freia, o Brasil dá marcha-a-ré.

taxades

A principal razão do desempenho excepcionalmente ruim da economia brasileira está nas políticas econômicas praticadas pelos governos do PT desde a saída do ministro Antônio Palocci, em 2006. Como se sabe, o PT sempre comungou de uma cartilha econômica heterodoxa.

Quis a Providência que os economistas de grei heterodoxa não comandassem a equipe econômica que iniciou o primeiro governo do PT, em 2003. Provavelmente, o aprendizado de Lula com o Plano Real foi fundamental para que tivesse deixado os economistas do PT de fora do centro de sua primeira equipe econômica. Afinal, em 1994, quando Lula tentava sua segunda eleição presidencial, ele já havia botado à prova a competência de tais economistas.

Lula era franco favorito quando o Plano Real estava sendo lançado, em 1994. E os economistas do PT recomendaram que Lula se opusesse ao novo plano de estabilização, que, segundo eles, fracassaria como os anteriores. Como se sabe, o sucesso do Plano Real deu a Fernando Henrique Cardoso não só uma, mas duas vitórias, em 1994 e 1998, ambas em primeiro turno. Algo que Lula nunca conseguiu. Com tal demonstração de clarividência econômica pelos economistas do PT, nada mais natural que Lula tivesse recorrido ao dr. Palocci, arquiteto da “Carta ao Povo Brasileiro”, para ministro da Fazenda.

Infelizmente, a Providência nos abandonou, ou quis que trilhássemos nossos próprios caminhos. Em 2006, Palocci foi substituído por Mantega, um genuíno representante do pensamento heterodoxo do PT. Pior ainda, após a crise de 2008, quando países avançados começaram a experimentar a adoção de políticas que eram nossas velhas conhecidas, Mantega e sua equipe receberam a “licença para matar” dos filmes de James Bond.

Em relatório do FMI o Brasil é o que tem o pior desempenho. Num mundo que freia, o Brasil dá marcha-a-ré

Nascia então a malfadada NME: Nova Matriz Econômica. Basicamente, tratava-se de um conjunto de políticas de estímulo à demanda agregada via gastos públicos, reajuste de salário mínimo, expansão de crédito subsidiado e baixa de juros, acoplada com intervenções microeconômicas ad hoc. Apesar de toda a bonança proporcionada pelo boom dos preços das commodities, ainda foi necessário quebrar regras básicas das finanças públicas, com as “pedaladas fiscais”. Nesse meio insalubre, vicejaram os vermes da corrupção.

Com o fracasso inconteste da NME, há hoje distintas reações dos economistas por elas responsáveis. Alguns, mais espertos, tentam recauchutar seus currículos, negando a paternidade da NME e tentando agora professar princípios de retidão fiscal e monetária, a favor dos quais nada fizeram quando no governo. Outros, xiitas da causa heterodoxa, tentam culpar a curta e atribulada tentativa de ajuste fiscal que ora vivemos pela recessão iniciada em meados de 2014 e agravada em 2015. Parecem não estar convencidos do óbvio e querem dobrar a aposta na terapêutica que já quase matou o doente.

É fundamental que seja atribuída a devida culpa a quem de direito, para que nem eles, nem sobretudo suas ideias canhestras sobre economia voltem a comandar a política econômica brasileira. Como dizia Bertrand Russel, há tantos erros novos a serem cometidos que não há por que repetir os antigos, sobretudo erros crassos tão penosos.

Márcio G. P. Garcia, Ph.D. por Stanford, é professor do departamento de economia da PUC-Rio. Escreve mensalmente neste espaço.

Redação On outubro - 9 - 2015
  • Central de atendimento
  • Telefone: (11) 3285-3522 / e-mail: sicetel@sicetel.com.br
Associe-se!
        Clique aqui
Cadastre seu e-mail e receba periodicamente notícias do SICETEL.