Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 25 de Novembro de 2017






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IPCA sobe 7,64% até setembro e aponta inflação superior a 10% no fim do ano

A alta de 0,54% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em setembro teve contribuição importante do reajuste de tarifas administradas, mas também mostrou aceleração dos preços livres. Para economistas, a resistência dos serviços persiste mesmo em meio à queda da atividade e, ao lado de novos aumentos de itens monitorados e do repasse cambial ainda por vir, deve acelerar ainda mais os índices de inflação nos últimos meses de 2015.

Divulgado ontem pelo IBGE, o IPCA avançou 7,64% de janeiro a setembro, maior taxa para o período desde 2003, quando a inflação oficial foi de 8,05%. Até dezembro, a expectativa é que a inflação anual chegue a 10%, podendo superar esse nível.

Entre agosto – quando a inflação ficou em 0,22% – e setembro, os preços administrados avançaram de 0,32% para 0,92%. A maior pressão ficou por conta do gás de botijão, que, devido ao reajuste de 15% nas refinarias, no início do mês passado, subiu 12,98% e adicionou 0,14 ponto ao IPCA.

Também pesou na inflação de itens monitorados o aumento de 0,28% de energia elétrica, em função da alta de tarifas em Brasília e Goiânia, apesar da redução de 18% da bandeira tarifária vermelha, no começo de setembro, de R$ 5,50 para R$ 4,50 a cada 100 quilowatts-hora (KWh) consumidos.

Segundo Alberto Ramos, diretor para América Latina do Goldman Sachs, os preços administrados têm pressionado mais o IPCA neste ano, mas, apesar da recessão econômica, tanto a inflação de preços livres quanto a de serviços continuam em nível desconfortável, em 7,5% e 8,2% nos 12 meses até setembro, respectivamente. “A inflação de serviços está acima de 7,5% há 40 meses”, disse..

Na passagem mensal, o conjunto que reúne preços como empregada doméstica, aluguel e cabeleireira avançou de 0,32% para 0,67% nos cálculos de Ramos, aceleração influenciada principalmente pelas passagens aéreas, que subiram 23,13% no mês passado, depois de terem recuado 24,9% em agosto. Já a inflação de preços livres passou de 0,19% para 0,42%.

José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do banco Fator, calcula que, da variação de 0,54% do IPCA no mês passado, 0,32 ponto veio dos preços livres e 0,22 ponto, dos administrados. Para Gonçalves, a participação dos preços livres na inflação está dentro da normalidade, mas chama atenção a trajetória de aceleração dos serviços, não explicada apenas pela volatilidade das passagens aéreas.

Segundo Gonçalves, surpreenderam no mês passado a alta de 0,57% para 0,77% de alimentação fora do domicílio e o comportamento dos preços de empregada doméstica, que subiram 0,61% no mês, ante 0,53% em agosto, mesmo com o desaquecimento do mercado de trabalho. Para ele, a aceleração pode estar relacionada ao aumento da população ocupada no setor.

“Há perda de emprego na atividade comercial, que está indo para os serviços domésticos. Isso pode significar que há pessoas que antes não tinham empregada doméstica e agora passaram a ter”, afirma o economista-chefe do Fator. Nesse primeiro momento, diz, a contratação não deve ter ocorrido com preços mais baixos. “É uma defasagem dentro do mercado de trabalho. Quando a pressão [do aumento de mão de obra] ficar mais clara, os reajustes devem começar a desacelerar”, o que, para Gonçalves, vai ocorrer a partir de 2016.

Para Fabio Romão, da LCA Consultores, os dois anos seguidos de retração da economia devem levar a inflação de serviços a recuar um ponto entre este ano e o próximo, de 8% para 7%, número “aceitável” dadas as circunstâncias dos últimos anos, na opinião do economista. Gonçalves observa que, de 2011 até o fim deste ano, a alta desses preços diminuiu apenas 0,8 ponto, considerando sua estimativa de 8,2% para o fim de 2015.

No curto prazo, os economistas ouvidos avaliam que a correção da gasolina nas refinarias, a sazonalidade de alta dos alimentos e o repasse da depreciação cambial vão levar o IPCA a níveis próximos de 0,70%. “A gente vai vivendo de choque em choque”, diz Luis Otávio de Souza Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil, que prevê aumento de 0,75% para o índice em outubro. Neste mês, diz, sairá da inflação o impacto do aumento do gás de botijão, mas ele será substituído pelo efeito da alta de 6% da gasolina aos distribuidores.

Com esse resultado, Leal calcula que o IPCA acumulado em 12 meses alcançará 9,85% em outubro, chegando a 10% em dezembro. Romão, da LCA, diz que, se a CPMF não for aprovada, o IPCA avança 10,7% em 2015. Com a aprovação da medida, a previsão é de alta de 9,6%. Isso porque, sem essa receita, o governo teria de elevar a Cide sobre combustíveis para ajudar a cobrir o rombo fiscal, explica o economista.

Sem a CPMF, Romão estima que o governo reajustará a Cide de R$ 0,10 para R$ 0,60 por litro da gasolina, aumento que seria de R$ 0, 40 com a volta do “imposto do cheque”, no cenário da LCA.

Valor Econômico – 08/10/2015

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CNI projeta para 2015 a maior recessão desde o plano Collor

BRASÍLIA  –  A Confederação Nacional da Indústria (CNI) espera para este ano a maior retração do Produto Interno Bruto (PIB) desde o plano Collor, em 1990. O “Informe Conjuntural”, que contém as estimativas do setor para as principais variáveis macroeconômicas, divulgado nesta quinta-feira, traz a previsão de uma queda de 2,9% no PIB do Brasil em 2015.

“É uma avaliação mais negativa do que já tínhamos em julho”, disse o gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flavio Castelo Branco. Na última edição do estudo, divulgada no início de julho deste ano, a expectativa era de uma queda de 1,6% no PIB. “A recessão está sendo mais intensa do que era esperado”, disse o economista.

“O setor industrial é o que mais se recente dessa recessão. Ela se manifesta com mais intensidade no setor industrial porque ele é mais sensível às condições de competitividade”, afirmou Castelo Branco. A nova projeção da CNI é de uma queda de 6,1% no PIB industrial. Em julho, a CNI esperava uma retração de 3,8%.

Esse movimento deve ser puxado por uma forte queda nos investimentos. A projeção da CNI para a formação bruta de capital fixo prevê um recuo de 13,4% na variável, ante estimativa anterior de queda de 7,7%. “A retração de investimentos reflete a falta de horizonte e baixa confiança da indústria”, disse Castelo Branco.

O quadro recessivo deve levar a taxa de desemprego dos 4,8% apurados em 2014 para 6,9% da população economicamente ativa no fim deste ano. Antes, a CNI previa que o desemprego fechasse o ano em 6,7%. Sobre a inflação, a avaliação da entidade patronal é que ela “deve beirar os dois dígitos, bem acima do teto da meta, de 6,5%”, disse o economista. A previsão da CNI é que ela deve terminar o ano em 9,6%. A projeção anterior era de 8,9%.

Para reverter o quadro negativo, “é absolutamente necessário a consecução de um ajuste fiscal”, apontou Castelo Branco. A expectativa da entidade patronal é que o setor público tenha um déficit primário de 0,05% do PIB, ante expectativa anterior de superávit de 0,4% do PIB. “O equilíbrio das contas públicas é essencial para o crescimento”, disse.

E para ele, este equilíbrio é “um pouco mais amplo do que a discussão de superávit primário em 2015 e 2016. É preciso ir além, pensar em ajuste fiscal de longo prazo, o que implica a revisão de critério e mecanismos que determinam o crescimento automático de despesas que nós temos”.

Esses mecanismos, apontou ele, são aqueles vinculados ao reajuste do salário mínimo, como os benefícios previdenciários, que são gastos obrigatórios e só podem ser cortados com alterações legais, muitas delas na constituição. “Se não atacar os gastos obrigatórios, o ajuste fiscal não vai ocorrer”, disse ele.

O lado positivo do “Informe Conjuntural” é a estimativa de melhora na balança comercial, cujo saldo deve ser de US$ 10 bilhões em 2015, estima a CNI. Antes, a previsão era de US$ 5 bilhões. Contudo, o saldo só deve melhorar por conta de uma retração maior nas importações do que nas exportações. “Isso se deve à própria fraqueza da economia e devemos rever esse quadro para que a contribuição do setor externo seja realmente positiva”, avaliou Castelo Branco.

A CNI prevê que as vendas para o exterior sejam de US$ 188 bilhões neste ano (ante previsão anterior de US$ 202 bilhões) enquanto as importações devem ser de US$ 178 bilhões. No “Informe Conjuntural” anterior, a expectativa era de importações de US$ 197 bilhões. Em 2014, as exportações foram de US$ 225,1 bilhões e as importações de US$ 229 bilhões.

Valor Econômico – 08/10/2015

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Levy quer desindexar a economia

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse ontem que o Brasil precisa avançar numa agenda de desindexação da economia. Segundo ele, embora tenha conquistado a estabilidade monetária, o país ainda tem resquícios do período de hiperinflação. Isso, destacou Levy, faz com que os contratos sejam reajustados com base na inflação passada e gera uma inércia que dificulta o trabalho do Banco Central ( BC) para conter a alta dos preços.

— A gente ainda tem essa lembrança do tempo inflacionário, em que tudo tem de ter um reajuste igualzinho, olhando para trás. Com isso, acabamos tendo uma inércia na economia que torna a política monetária mais difícil de ser conduzida, mais onerosa. Assim, começar esse trabalho da desindexação é importante — disse o ministro, acrescentando:

— Ao desindexar a economia, a gente diminui os grilhões que nos amarram ao passado.

Levy lembrou que o governo já começou a dar os primeiros passos nesse campo na área de energia. Ele afirmou que as regras dos contratos do setor elétrico intensivo, que estão sendo negociadas no Congresso, já avançam na desindexação. O ministro destacou que novas medidas desse tipo serão adotadas, mas destacou que elas não serão “radicais”. Levy participou da abertura do V Congresso Internacional de Informação de Custos e Qualidade do Gasto no Setor Público.

O Globo – 08/10/2015

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Brasil não cumprirá metas fiscais, diz FMI

O governo ficará longe de cumprir as metas fiscais neste ano e no próximo. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil terminará 2015 com deficit primário nas contas públicas equivalente a 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB), um rombo muito maior do que o de 0,15% (R$ 8,7 bilhões) previsto pela equipe econômica em julho, quando encaminhou ao Congresso a proposta de Orçamento para 2016. No ano que vem será ainda pior: enquanto o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, trabalha com a esperança de conseguir um superavit de 0,7%, a estimativa do organismo internacional é de mais um resultado negativo — de 0,9%.

As previsões foram divulgadas ontem, durante a reunião anual do Fundo e do Banco Mundial, na capital peruana. A deterioração das contas públicas do país levou dirigentes do FMI a alertar o governo para a necessidade de fazer um ajuste o mais rapidamente possível. “O quadro fiscal de médio prazo está sendo colocado em dúvida pelos mercados financeiros internacional e doméstico. Portanto, a sustentabilidade das contas públicas devem ser demonstrada de modo muito mais claro”, disse Alejandro Werner, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo. Na avaliação dos técnicos do organismo, o Brasil tende a apresentar resultados fiscais positivos somente a partir de 2017. Apesar de recomendar urgência no ajuste fiscal, o Fundo reconhece que a tarefa não é fácil. O relatório observa que a crise política e a corrupção investigada pela Operação Lava-Jato têm sido determinantes na piora das condições do país. Além disso, bloqueiam a tramitação das medidas econômicas no Congresso, como a recriação da CPMF, considerada indispensável pelo governo para reduzir o rombo orçamentário.

“A interação da crise econômica e da política alimentaram a incerteza e levaram a confiança empresarial e do consumidor a mínimas históricas, minando adicionalmente a atividade econômica atual e futura”, diz o documento, que menciona ainda as suspeitas de irregularidades na campanha eleitoral do ano passado e as pedaladas fiscais, que levaram ontem o Tribunal de Contas da União (TCU a rejeitar as contas de 2014 do governo Dilma Rousseff.

Salto da dívida

A piora dos indicadores fiscais, de acordo com a análise dos economistas do FMI, vai provocar um salto substancial na dívida bruta pública. De 65,2% do PIB, no ano passado, o endividamento total de estados, municípios e União subirá para 69,9% no fim de 2015 e para 74,5% em 2016. São patamares muitos superiores à média dos países emergentes, o que aumenta a preocupação de investidores e agências de classificação de risco em relação à solidez da economia brasileira.

Na terça-feira, o FMI divulgou previsões desanimadoras sobre a economia brasileira. Segundo os técnicos da instituição, o PIB vai encolher 3% em 2015 e 1% em 2016, na retração mais prolongada desde a grande depressão mundial ocorrida no início dos anos 1930. Nesse cenário, a dívida pública, medida como proporção do PIB, tende a crescer, em consequência de dois movimentos convergentes, destaca o relatório. De um lado, a arrecadação de impostos se reduz, devido ao desaquecimento econômico; de outro, o PIB diminui, o que deixa a dívida com um peso muito maior.

O relatório do Fundo nota ainda que a inflação está muito acima da meta de 4,5% perseguida pelo Banco Central (BC), mas afirma que a mudança de foco da política econômica, a partir deste ano, com elevação dos juros e a tentativa de reequilibrar as contas públicas, foi importante para evitar uma crise ainda mais severa. “O Brasil precisa continuar os esforços para a consolidação fiscal de modo a estabilizar a dívida pública, enquanto reduz a inflação elevada”, diz o documento.

Hora de folga
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, aproveitou a reunião do organismo internacional no Peru para conhecer o artesanato local. Ontem, o Fundo divulgou relatório com projeções sobre vários países-membros. No caso do Brasil, o documento observa que, embora a queda da atividade econômica possa, em parte, ser explicada por fatores externos, como a queda do preço internacional das commodities, o motivo principal foram os desequilíbrios econômicos internos e os erros de política econômica cometidos nos últimos anos. Segundo o documento, o diagnóstico equivocado de que o esfriamento da atividade, a partir de 2010, foi provocado por falta de demanda atrasou a adoção de medidas corretivas, que começaram a ser implantadas somente neste ano.

Correio Braziliense – 08/10/2015

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Sem CPMF, opções vão causar maior impacto na inflação

O ministro Joaquim Levy (Fazenda) diz que a alternativa a uma não aprovação pelo Congresso da CPMF seria o aumento de “outros impostos”, que, em sua avaliação, teriam maior ônus para a economia. Mas considera “menos provável” o cenário de a contribuição não passar.

Levy buscou evitar críticas ao Congresso. “O tempo parlamentar não é linear, não adianta ficar nervoso.”

Durante a entrevista, o ministro montou um aviãozinho de papel. Ao final, a reportagem perguntou se podia testar sua “engenharia”. O modelo de Levy voou pela sala e ele, sorrindo, disse: “A nossa engenharia aqui funciona”.

Folha – Até o setor produtivo reclama da falta de uma agenda microeconômica para destravar o crescimento.
Joaquim Levy – Nós apresentamos uma agenda de cooperação legislativa para o crescimento, para que haja melhores projetos [de investimento], tanto para o que é construído pelo governo quanto para as concessões. Você tem que facilitar também a execução dos investimentos.

A agenda de desenvolvimento é garantir as condições para o crédito crescer, para que os contratos de governo não sejam do tipo ‘vamos entrar aí e a gente negocia na frente com sobrepreço’.

Mas essa agenda não está avançando no Congresso…
O tempo parlamentar não é linear. Não adianta às vezes você ficar nervoso, tem de ter paciência.

A elevação da Cide é uma alternativa?
Ela não deve ser descartada nunca, mas é preciso ter cuidado, inclusive em relação ao timing. Um reajuste da Cide agora contrata um impacto inflacionário muito significativo. A CPMF, na minha avaliação, é que tem menor impacto.

E se a CPMF não for aprovada?
Esse é o cenário menos provável.

Mas se não for?
Tem uma porção de outros impostos, que vão ter ônus maior sobre a economia. A CPMF tem menos impacto na inflação. É importante que seja provisória, com data para acabar. Enquanto isso você faz outras coisas.

Tudo indica que haverá deficit fiscal neste ano de novo.
A etapa zero é resolver os vetos. A partir daí a gente se engaja na discussão do Orçamento de 2016. 2015 é o ano de transição.

O governo não está adotando a mesma estratégia do primeiro mandato Dilma, de protelar o anúncio de um deficit?
Acho que não, a gente tomou medidas bastante fortes.

Folha de S.Paulo – 08/10/2015

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TCU rejeita por unanimidade contas do governo de 2014

Pela primeira vez desde 1937, um presidente da República teve sua contabilidade rejeitada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Após uma longa batalha política e jurídica, o plenário decidiu ontem por unanimidade que as diversas irregularidades identificadas nas contas da presidente Dilma Rousseff no exercício de 2014 tornaram impossível a aprovação das demonstrações.

Oficializado o resultado, o presidente do TCU, Aroldo Cedraz, deve entregar hoje o parecer ao presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL). Pelo rito legal, Renan levará os números à Comissão Mista de Orçamento (CMO), que após apreciar as contas encaminhará a documentação aos plenários do Senado e da Câmara. Senadores que se reuniram com Renan estimam que a votação pode ocorrer em fevereiro de 2016.

Se a reprovação for confirmada nas duas casas, um decreto legislativo é promulgado oficializando a rejeição das contas. Somente a partir daí é que se poderia utilizar a decisão sobre as contas para embasar um processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Os quase quatro meses de disputa com a corte de contas, estabelecida pelo Executivo, resultaram em um TCU coeso. Um a um, os oito ministros com direito a voto apresentaram pareceres sucintos contra as práticas adotadas durante a execução orçamentária pelo governo. O plenário rechaçou, sem pestanejar, todos os pedidos feitos pela Advocacia-Geral da União (AGU) na tentativa de inviabilizar a participação do ministro Augusto Nardes na relatoria das contas da presidente reltivas a 2014.

A disposição do plenário pôde ser percebida logo início da sessão, quando o presidente do TCU anunciou que o ministro-chefe da AGU, Luís Inácio Adams, não poderia fazer sustentação oral no processo que tratava do afastamento de Nardes. A fala do AGU, segundo Aroldo Cedraz, só poderia se dar na discussão do mérito, ou seja, das contas.

Diante da iminência da derrota no TCU, o governo usou como último recurso o pedido de impedimento do relator, e no momento final entrou com mandato de segurança no Supremo Tribunal Federal. Perdeu todos os recursos. Nardes era acusado de ter descumprido a lei ao antecipar seu voto em declarações públicas, sobretudo em entrevistas à imprensa. A AGU chegou a pedir que os jornalistas responsáveis pelas reportagens fossem ouvidos como testemunhas.

Os ministros negaram tudo com veemência. Designado para tratar do caso Nardes, o ministro Raimundo Carreiro, que é corregedor do TCU, disse que o relator não descumpriu a lei. Suas declarações, segundo Carreiro, foram baseadas em processos já julgados, como o que tratou das “pedaladas” fiscais, consideradas as protagonistas da inédita rejeição das contas.

As 12 irregularidades que basearam a reprovação das contas dizem respeito ao descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal e da Lei de Execuções Orçamentárias. Além das “pedaladas”, o governo foi acusado de não realizar contingenciamento obrigatório de despesas e de não contabilizar rombos na Dívida Líquida do Setor Público.

Durante a leitura de seu parecer, Nardes lembrou ter alertado Dilma sobre a fragilidade das contas. Segundo o ministro, se consideradas todas as irregularidades identificadas no ano passado, chega-se a uma distorção total de R$ 106 bilhões na contabilidade presidencial.

“O que se observou foi uma política extensiva de gastos sem responsabilidade fiscal e transparência”, resumiu o relator. “Essa posição é de 14 auditores concursados, portanto, técnica”, completou Nardes.

Sua posição foi seguida pelos colegas, inclusive os considerados alinhados com o governo. Integrante desse grupo, o ministro Benjamin Zymler disse que uma ou outra irregularidade até poderia ser afastada, mas que o “conjunto da obra é a falta de transparência e de compromisso com a estabilidade fiscal”.

Os ministros Bruno Dantas, Vital do Rêgo e Walton Alencar cumprimentaram o relator. Dantas reiterou a coragem com que o relator enfrentou o processo e saudou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux, que garantiu a realização do julgamento, ao negar um efeito suspensivo solicitado pelo governo. Três ministros – Ana Arraes, José Múcio e Raimundo Carreiro – se limitaram a emitir seus votos “com o relator”.

Adams assistiu impassível a mais de uma hora de contrapontos e críticas. No seu momento de falar, o chefe da AGU fez uma defesa enfática das contas de Dilma. Voltou a rejeitar o termo “pedalada” para definir as postergações de pagamentos a bancos públicos por parte do Tesouro Nacional, prática que movimentou R$ 40 bilhões em 2014. “É artificioso achar que se trata de violação da Lei de Responsabilidade Fiscal”, afirmou. O advogado-geral ainda criticou a politização do processo e foi hostilizado ao fim do discurso por algumas pessoas no auditório.

Na saída, Adams não descartou a possibilidade de novo recurso ao STF. “O jogo não acabou”, disse ele. A sessão foi acompanhada por manifestantes que durante toda a semana marcaram presença no TCU com faixas e músicas alusivas ao impeachment. Ontem, o boneco que retrata a presidente com um nariz de Pinóquio foi montado em frente à entrada principal do tribunal.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que a rejeição das contas não abre caminho para o impeachment, por se tratar de um mandato anterior da presidente. Mas afirmou que o resultado era esperado. “O governo praticamente antecipou o resultado ao pedir a suspeição do relator do TCU”, disse. “Foi um erro político grave.”

As principais lideranças da oposição na Câmara acompanharam o julgamento das contas governamentais de 2014 no plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) e viram a decisão como o “início do fim” da presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. “Aqui foi dada uma pá de cal “, disse o líder do PPS, Rubens Bueno (PR).

“O julgamento foi importantíssimo e nós apoiamos o impeachment”, afirmou o líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP). O líder do DEM, Mendonça Filho (PE), disse que “a decisão foi técnica e respaldada na legislação”.

A oposição no Senado avaliou que a decisão do TCU dá fôlego à possibilidade de a presidente Dilma Rousseff ser afastada do cargo. Líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB) disse que a decisão “confirma o estelionato eleitoral. Fica caracterizado o abuso de poder político e econômico além do crime de responsabilidade”. Ronaldo Caiado, líder do DEM, disse que o governo Dilma está em seus “últimos dias” e fez previsões. “A Câmara deverá votar a admissibilidade da petição protocolada por Helio Bicudo e Miguel Reale nos próximos 15 dias”

Valor Econômico – 08/10/2015

 

Redação On outubro - 8 - 2015
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