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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017






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Brasil aparece mal de novo na foto da reunião do FMI

Mais uma vez o Brasil vai aparecer muito mal na foto, na reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial esta semana em Lima, no Peru. O País será de novo um destaque negativo, tanto pelo estado e pelas perspectivas de sua economia quanto pelos escândalos de corrupção. Em reuniões anteriores, a Operação Lava Jato e a pilhagem da Petrobrás já apareceram em documentos e entrevistas. Ontem, a corrupção foi assunto da imprensa peruana e tema inevitável das conversas entre os jornalistas.

O tabloide Correo, publicado na capital, trouxe como manchete ontem uma reportagem sobre “Los e-mails del caso Lava Jato”. O texto cita mensagens enviadas por uma “operadora do empresário José Dirceu” a ministros peruanos. Os e-mails, encontrados pela Polícia Federal brasileira, cuidavam dos interesses da Engevix em relação a projetos no Peru.

O FMI divulgará hoje novas projeções para a economia mundial. Não haverá surpresa se o desempenho previsto para o Brasil for pior que o da revisão de julho. Desde a semana passada, foram distribuídos capítulos analíticos de alguns relatórios.

Em todos, o Brasil aparece entre os mais vulneráveis a novos choques globais, pelo mau estado de suas finanças públicas e pelo alto endividamento de boa parte das empresas. O quadro ficará mais completo e mais claro nos próximos dias – e provavelmente mais feio.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, estarão em Lima para participar de vários encontros. Em nenhuma reunião anual do FMI, nos últimos 12 anos, representantes brasileiros encontraram expectativas tão ruins a respeito das condições econômicas e políticas do País.

O Estado de S.Paulo – 06/10/2015

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FMI prevê cenário difícil para commodities

LIMA  –  O relatório Panorama Econômico Mundial (WEO da sigla em inglês) do Fundo Monetário Internacional (F MI) traz diversos alertas sobre a queda nos preços das commodities, e não vislumbra possibilidade de melhorias aos países exportadores no curto prazo. Divulgado nesta terça-feira, o documento projeta que os produtos primários, excluindo os combustíveis, devem cair 17% neste ano, estimando recuo de 46% para as cotações do petróleo.

Chamado “Ajustando-se à queda nos preços de commodities”, o documento faz previsões de baixa para vários mercados, como alimentos, metais e combustíveis, e contém advertências para países exportadores desses produtos, como o Brasil.

Segundo o FMI, os preços das commodities caíram 14% desde fevereiro de 2015, o período utilizado para o relatório anterior, divulgado em abril, quando também foi prognosticada uma baixa as vendas. Os preços dos metais e das commodities agrícolas caíram 13% e 8%, respectivamente.

O Fundo verificou que a diferença entre produção global e consumo global – o chamado excesso de fluxo de suprimentos global – continuou a crescer, em 2015, devido ao forte abastecimento, apesar da dramática queda de investimentos no setor de petróleo.

Segundo o documento, após uma recuperação inicial, os preços do petróleo caíram devido à forte oferta dos países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e do acordo nuclear entre os Estados Unidos e o Irã, além de preocupações com a demanda futura. O relatório diz ainda que, nos países da Opep, a produção aumentou, apesar da queda nos preços. A Rússia está produzindo em níveis recordes.

O FMI analisou os preços futuros e chegou a uma média anual de US$ 51,62 por barril em 2015, US$ 50,36 em 2016 e US$ 55,42 em 2017. O Fundo argumenta que a perda de confiança nos mercados financeiros globais pôs pressão negativa nos preços do petróleo em agosto. Mas os contratos futuros apontam para uma elevação das cotações. “Ainda há substancial incerteza sobre o patamar de referência para os preços do petróleo, mas ainda é ligeiramente menor do que se verificou em abril passado.”

As cotações das commodities excluindo os combustíveis também sofreram queda. “Os preços dos metais caíram devido a uma desaceleração no crescimento da demanda da China e a aumentos substanciais no suprimento da maioria dos metais”, diz o relatório.

Segundo o FMI, a depreciação da moeda chinesa e as medidas de correção do mercado de ações naquele país aumentaram as preocupações sobre a força da demanda por metais. A China representa metade da demanda global pelos metais e tem sido, segundo o Fundo, “o principal motor do crescimento mundial desde 2002”. Mas os preços dos metais sofreram projeção de queda de 22%, em 2015, e 9%, em 2018.

Os preços futuros vão continuar baixos, mas com crescente incerteza devido à demanda, especialmente da China, e ao forte abastecimento.

De maneira geral, o FMI verificou que os preços dos metais estão em declínio desde 2011. “Alguns analistas argumentaram que nós estamos numa conjuntura crítica, apontando para o fim do superciclo das commodities. É difícil dizer com segurança, mas a prolongada queda nos preços dos metais é consistente com um típico ciclo de boom e queda das commodities”, diz o documento.

O Fundo aponta que, depois de um período de alta nos preços dos metais durante a década de 2000, o investimento e a capacidade do setor aumentaram substancialmente. Ao mesmo tempo, preços altos levam à queda nos ajustes no lado da demanda. Esses ajustes contribuíram para um declínio gradual nos preços dos metais desde 2011, o que levou a um menor investimento no setor, especialmente nas minas de alto custo, considerando as expectativas de lucros mais baixos.

Quanto mais prolongada for a queda nos preços dos metais, mais difícil será uma eventual reversão desse movimento, adverte o FMI. “Compreender a evolução dos mercados de metais é importante por ao menos duas razões”, diz o documento. “Primeiro, em nível global, metais são o coração da economia mundial porque eles são a chave para levar a resultados na produção industrial e na construção.” Os mercados de metais são modelados de acordo com as mudanças no volume e na composição da demanda global, continua o Fundo. “Assim, as transformações nos mercados de metais também são um sinal importante de mudanças na economia mundial.” Em segundo lugar, para alguns países as exportações de metais são uma porção grande do total de suas vendas para o exterior, e as flutuações nos preços podem ter consequências macroeconômicas importantes.

O Fundo apontou que, do ponto de vista econômico, o ferro é de longe a mais importante base entre os metais, com US$ 225 bilhões de vendas mundiais. O aço é mais usado para construção, transporte de equipamentos e maquinário. O FMI constatou que, no passado, os preços do ferro eram majoritariamente determinados pelas negociações entre os mercados de aço e produtores japoneses. Mais recentemente, o mercado se tornou mais transparente, com o preço de entrega aos portos chineses sendo utilizado como referência de mercado.

A maior produtora de ferro é a China, cuja participação equivale à metade da produção mundial, seguida da Austrália e do Brasil.

Segundo o FMI, a desaceleração no ritmo de investimento da China, a queda no mercado de ações do país, desde junho, e o amplo suprimento de metais levaram a pressões nos preços dos metais. “Considerando que o declínio dos preços começou bem antes, faz sentido perguntar o que pode ser esperado. Conforme mencionamos, os mercados futuros apontam para uma queda nos preços e o declínio deve alcançar o ponto mais baixo”, prevê o Fundo.

Ainda de acordo com o relatório, no lado da demanda a economia chinesa deve se desacelerar ainda mais, embora gradualmente, mas com considerável incerteza tanto com relação ao tempo em que ocorrer essa desaceleração quanto com relação à extensão dela.

Estudos econométricos do FMI mostram que a queda nos preços dos metais pode ser explicada pelo declínio da produção industrial. Atualmente, 60% da variabilidade dos preços dos metais são explicados por flutuações na produção industrial chinesa. Além disso, a simples regressão sugere que a queda na produção industrial chinesa nos meses recentes pode produzir mais declínios nos preços.

Por outro lado, o FMI verificou que a redução nos preços de energia ajudou, de fato, a reduzir os custos da mineração e do refino, incluindo os de cobre, aço e alumínio. Já as minas de alto custo serão as primeiras a fechar negativamente, adverte o Fundo.

O FMI prevê que os preços dos alimentos devem cair em 17%, em 2015, com o crescimento do abastecimento aliado a níveis mais altos de estoques, ultrapassando mais vagarosamente o crescimento da demanda. “Quedas acentuadas são esperadas nos preços de cereais e óleos vegetais, particularmente trigo e soja”, diz o FMI. Para 2016, é esperada queda relativamente pequena, de 5%, seguindo declínios marginais na produção projetada para a maioria das colheitas.

O FMI e o Banco Mundial realizam nesta semana o seu encontro anual em Lima, no Peru.

Valor Econômico – 06/10/2015

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Parceria Transpacífica coloca boa pressão no Mercosul-UE, diz Monteiro

BRASÍLIA  –  O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, disse que o fechamento da Parceria Transpacífica (TPP) coloca uma “boa pressão” em torno do avanço nas negociações do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.

Segundo ele, a troca de ofertas entre os dois blocos deve ocorrer até a primeira semana de novembro. Negociadores sul-americanos e europeus se reuniram na sexta-feira passada, em Assunção (Paraguai), para um último encontro antes da apresentação de propostas.

“Isso [o TPP] coloca mais ainda uma boa pressão em cima do acordo Mercosul-UE”, disse Monteiro, após a posse de dez novos ministros, no Palácio do Planalto. Essa pressão, de acordo com ele, não se dá apenas em torno do Brasil e de seus parceiros na vizinhança. “Os europeus também precisam se fortalecer na América do Sul”.

Para o ministro, a assinatura do TPP já era iminente. “O acordo estava sendo negociado havia oito anos. As indicações que nós tínhamos apontavam para uma forte possibilidade de fechamento do acordo”.

Na avaliação dele, o acordo demonstra que a estratégia comercial brasileira está correta, ao focar os países latino-americanos voltados para o Pacífico. O Brasil tem buscado a ampliação de acordos com o Peru e o México, que fazem parte do TPP, e com a Colômbia — que o ministro considera candidata a entrar na parceria transcontinental no futuro próximo.

Além disso, conforme lembrou Monteiro, o governo brasileiro tem depositado esforços em avançar na agenda regulatória com os Estados Unidos e em acordos de serviços, investimentos e compras governamentais com os vizinhos. “Estamos nos movendo na direção correta”.

Para ele, o TPP terá mais impacto nessa agenda do que na queda de barreiras tarifárias. Monteiro lembrou que as tarifas industriais nos Estados Unidos, por exemplo, já são muito baixas — em torno de 3,5% — e o Brasil ainda guarda competitividade por causa do Sistema Geral de Preferências (SGP).

Os reflexos devem ser analisados em cada segmento, segundo o ministro, mas a “perspectiva mais ampla” é de ganhos para o Brasil — seja porque coloca pressão adicional no avanço das negociações em que o país está envolvido, seja porque empresas brasileiras com subsidiárias nos países signatários do TPP ganham um mercado ampliado.

Valor Econômico – 06/10/2015

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O que muda com a TPP?

Jorge Arbache – 06/10/2015

Ontem foi um dia histórico para as relações econômicas internacionais. Depois de anos de discussão, muitas idas-e-vindas nos bastidores, incluindo ameaças de bloqueio por parte dos congressistas democratas e republicanos, os negociadores dos Estados Unidos e outros 11 países que compõem a Trans-Pacific Partnership (TPP) superam controvérsias em torno de temas técnicos que pareciam instransponíveis e selaram o maior acordo comercial das últimas décadas. A TPP será agora submetida aos parlamentos dos respectivos países membros para eventual ratificação.

A relevância da TPP pode ser medida pela significativa fatia de 40% do PIB global das economias envolvidas. Mas também tem a ver com outras dimensões. Uma delas está associada a aspectos geopolíticos. Estados Unidos e Japão querem, com a TPP, conter a crescente influência econômica da China na região do Pacífico e mesmo na América Latina. Como a China não é membro do acordo, espera-se que os laços que unirão as economias do bloco venham a, no mínimo, alterar o ritmo com que a China atrai países membros como Vietnã e Malásia para participar de suas cadeias de valor, e a Austrália, pelas vias das compras e investimentos em commodities.

Outra dimensão está associada a aspectos de política interna. Para o presidente Barack Obama, o TPP será seu principal legado na área do comércio e do investimento. Já para o primeiro ministro Shinzo Abe, a TPP será instrumento fundamental para a recuperação da economia e para o intricado xadrez político das relações entre o Japão e a China.

Uma terceira dimensão, e talvez a mais importante, tem a ver com o estabelecimento de novos padrões para o comércio mundial. O virtual colapso da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio precipitou e estimulou arranjos em nível plurilateral no âmbito dos quais se busca definir novos padrões comerciais. No caso da TPP, tarifas são um detalhe, posto que as barreiras tarifárias entre os países envolvidos já são bastante baixas. A grande novidade está associada a temas como serviços, propriedade intelectual, mecanismos de soluções de controvérsias, compras governamentais, investimentos, mercado de trabalho, meio ambiente, empresas estatais e competição.

As mudanças propostas são significativas e sem precedentes e terão grandes implicações para os países envolvidos e para os não envolvidos.

Considere o caso dos serviços que, juntamente com propriedade intelectual, foram os principais itens da agenda americana no acordo. Para o maior exportador mundial de serviços, os Estados Unidos, a liberalização do setor promete trazer grandes benefícios para o crescimento e para a criação de empregos. As novas tecnologias de produção e de organização da produção, as mudanças nos padrões de consumo e as mudanças tecnológicas que estão permitindo que serviços possam ser produzidos e comercializados em nível cada vez mais global, como se foram bens, estão fazendo com que os serviços venham a ser a principal fonte de criação de valor.

De fato, quando calculado em valor adicionado, os serviços já representam 54% do comércio global, mas estima-se que eles responderão por nada menos que 75% até 2025. Mesmo áreas que eram consideradas próprias de comercialização em nível local, como comércio de bens de consumo, serviços de táxi, saúde e educação, já começam a se tornar parte do dia a dia das pessoas – pense no e-commerce, no Uber e nas aulas e atendimentos médicos on-line providos a partir do exterior.

Considere, agora, a propriedade intelectual. Embora não se conheça em detalhes os termos da TPP em razão do caráter secreto das suas negociações, sabe-se que os termos negociados nessa disciplina foram particularmente restritivos para atender aos interesses de grandes corporações, notadamente da área farmacêutica. A despeito da crescente evidência empírica de que legislações ultraprotecionistas de propriedade intelectual têm efeitos negativos para a competição e para a expansão do conhecimento e das inovações, e a despeito das fortes oposições de vários países aos termos de propriedade intelectual propostos pelos americanos, ao que parece os interesses de lobbies bem organizados prevaleceram no acordo.

Na medida em que a TPP envolve duas das maiores economias do mundo e partiu na frente de outros acordos plurilaterais ora em discussão, é provável que os termos ali definidos venham a influenciar as discussões e parâmetros de outros acordos que estão na mesa. A participação de novos membros será por adesão aos termos já negociados e vários países já expressaram intenção de se juntar no futuro próximo ao bloco, como é o caso da Coreia do Sul. Logo, a TPP deverá, no mínimo, inspirar o padrão de comércio mundial, notadamente nas áreas que mais caracterizam o século XXI, como serviços, propriedade intelectual e conhecimento.

Muitos exercícios foram feitos com vistas a se estimar os potenciais impactos econômicos da TPP para os seus membros. Via de regra, encontrou-se que haverá crescimento econômico e ganhos de comércio. No entanto, não é um exagero dizer que os efeitos da TPP são, grosso modo, ainda desconhecidos, em razão do caráter menos dominado pelos economistas da dinâmica e implicações da liberalização de serviços para as economias. Entramos, por isto, num novo capítulo da globalização. Até mesmo os europeus, que ora negociam com os Estados Unidos um acordo plurilateral, o “Transatlantic Trade and Investment Partnership”, já demonstram apreensão quanto aos efeitos da liberalização de serviços para as suas economias.

Tampouco sabemos bem quais serão os efeitos potenciais dessa nova fase do comércio para países como o Brasil, que são pouco competitivos em bens, serviços e em propriedade intelectual. É muito provável que a TPP venha a ser mais um desafio para as nossas pretensões de voltar e de nos inserir pela porta da frente na economia global.

 Valor Econômico –  06/10/2015
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FMI elogia acordo, e OMC vê inspiração para Doha

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, disse esperar que o acordo de liberalização comercial anunciado ontem entre os 12 países da Parceria Transpacífico (TPP) sirva de inspiração para o desbloqueio da Rodada Doha no fim do ano na conferência ministerial de Nairóbi (Quênia). Já a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, saudou o acordo como “um acontecimento muito positivo”.

“Espero que o resultado em Atlanta [do TPP] sirva como uma inspiração para os membros da OMC, na medida em que procuramos resultados substanciais em Nairóbi”, afirmou Azevêdo.

A Câmara de Comércio Internacional (conhecida pela sigla inglesa ICC), que representa milhões de empresas, manifestou a mesma expectativa, dizendo esperar que o TPP gere estímulo para a conclusão da Rodada Doha, que já dura 15 anos.

Para a ICC, os benefícios econômicos e estratégicos do TPP não dever ser subestimados.

“Com os fluxos do comércio internacional em declínio no primeiro semestre deste ano, o TPP tem o potencial para dar um estímulo muito necessário para a economia mundial, com os benefícios podendo ser sentido bem além de seus 12 signatários”, diz a ICC.

Segundo a entidade, para as pequenas e médias empresas, em particular, o TPP vai beneficiar enormemente com simplificação ao acesso ao mercado para um bloco cobrindo 40% da produção mundial.

Christine Lagarde, do FMI, lembrou por sua vez que tem pedido aos países adotarem políticas para evitar um “novo medíocre” na economia global, afirmando que o comércio é um “componente essencial dessa agenda”. Para ela, o acordo não é importante apenas por causa do tamanho, mas também por avançar a “fronteira do comércio e investimento em bens e serviços para novas áreas em que os ganhos podem ser significativos”.

Lagarde disse que será preciso revisar todos os detalhes do acordo antes de oferecer uma avaliação ampla, como efeitos de transição e impactos sobre outros países. Mas ela acredita que a TPP pode pavimentar o caminho para uma nova geração de esforços mais profundos de integração comercial.

Valor Econômico – 06/10/2015

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Acordo deve desviar comércio e prejudicar as exportações brasileiras

A conclusão do acordo da Parceria Transpacífico (TPP) terá impacto importante sobre as exportações brasileiras, concordam analistas. A abertura comercial e a convergência regulatória dos 12 países deve provocar desvio comércio desfavorável ao Brasil tanto para produtos agrícolas quanto manufaturados.

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a assinatura do TPP torna urgente a celebração pelo Brasil de novos acordos e a ampliação dos já existentes. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) diz que não se deve descartar a possibilidade de o Brasil estudar a adesão ao TPP.

Na parte agrícola, o TPP vai provocar forte desvio dos fluxos de comércio do Brasil para a Ásia, em favor de EUA, Canadá e Austrália, avalia Marcos Junk, diretor de assuntos corporativos na Ásia-Pacífico da BRF, sediado em Cingapura. Para ele, a concretização do mega-acordo “é um imenso alerta para o Brasil, que já perdeu mais de uma década, sair também correndo atrás de seus acordos comerciais”.

Em termos financeiros, o TPP cobre dez vezes mais comércio agrícola do que o acordo que está sendo negociado entre os EUA e a União Europeia (UE), conhecido pela sigla TTIP, calcula o International Centre for Trade and Sustainable Development (ITCSD), em Genebra. A entidade estima que, atualmente, o comércio agrícola entre os membros do TPP alcance US$ 311 bilhões.

Além da redução de tarifas, o impacto mais importante sobre o Brasil pode vir através da chamada “coerência regulatória” no novo bloco econômico, com a tentativa de harmonizar todas as regulações ligadas a questões técnicas e de segurança de alimentos. Isso deve elevar as barreiras contra importações de fora do bloco. Padrões mais altos devem causar custos adicionais e afetar a competitividade de exportadores agrícolas. Para Pedro de Camargo Neto, especialista agrícola brasileiro, o Brasil, que já está ameaçado de ganhar quase nada na Rodada Doha, sai perdendo também com o TPP.

Diego Bonomo, gerente de comércio exterior da CNI, diz que o desvio de comércio pode começar antes mesmo da parceria ser legalmente implementada. “Esse avanço faz com que as empresas dos países participantes do TPP já passem a dar preferência a parceiros comerciais dos demais membros, já tentando facilitar negociações que terão tarifas e condições mais favoráveis.” Isso se aplica, diz, principalmente às grandes empresas, que têm planos comerciais para os próximos cinco ou dez anos.

Thomaz Zanotto, diretor de relações internacionais da Fiesp, destaca a natureza do acordo, que pode acelerar a negociação da TTIP. Mesmo sem a China, diz, os dois tratados irão abarcar perto de 75% do comércio de bens e mais de 90% em termos de serviços financeiros e tecnologia. Para ele, a magnitude dos acordos e a aparente flexibilidade da TPP faz com que o Brasil não possa descartar estudar sua adesão. “Talvez a adesão do Brasil à TPP seja mais rápida e vantajosa, por conta da flexibilidade, do que a assinatura de acordo bilateral com os EUA ou o Nafta.”

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, disse esperar que a conclusão do TPP sirva de inspiração para o desbloqueio da Rodada Doha no fim do ano. “Espero que o resultado em Atlanta (da TPP) servirá como uma inspiração para os membros da OMC, na medida em que procuramos resultados substanciais em Nairóbi (Quênia).”

Valor Econômico – 06/10/2015

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Governo avalia reduzir tarifa de importação de carros elétricos

Até então resistente em estimular o consumo de carros elétricos, devido à crise energética, o governo atendeu às montadoras e voltou a considerar incentivos a automóveis com novas tecnologias de propulsão, agora que o risco de apagão foi praticamente anulado.

Após passar por análise técnica no Ministério do Desenvolvimento, uma proposta para desonerar os chamados “carros verdes” do imposto de importação agora tramita na Câmara de Comércio Exterior (Camex) para ser colocada em votação nas próximas reuniões do conselho de ministros do órgão.

A ideia é incluir esses carros na lista de produtos beneficiados pelo regime de ex-tarifário, que reduz as alíquotas de importação de mercadorias não fabricadas no Brasil. O governo estuda dar esse incentivo aos carros híbridos com tecnologia de recarga externa – os “plug-in” – e aos automóveis puramente elétricos, incluindo, nesse caso, tanto os veículos carregados na tomada como os movidos a célula de combustível, uma tecnologia mais recente, capaz de transformar hidrogênio em fonte de energia para as baterias. A expectativa é que a decisão seja tomada ainda neste ano, tendo em vista o prazo médio de 90 dias das análises desse tipo de incentivo.

Hoje, esses carros pagam 35% de imposto de importação. Mas se a proposta for aprovada, a alíquota dos híbridos – que combinam um motor convencional a combustão interna com outro elétrico – vai cair para percentuais de 2% a 7%, a depender da eficiência energética do automóvel. O tributo poderá ainda ser zerado se o carro for importado desmontado para montagem final no Brasil.

Quanto mais econômico – ou menos poluente – for o veículo, menor será o imposto cobrado. Dessa forma, a alíquota dos automóveis puramente elétricos, de emissão zero, seria reduzida para uma faixa de zero a 2%.

Aprovando as medidas, o governo estenderia a novas tecnologias os benefícios concedidos há um ano para os veículos híbridos de autogeração, que aproveitam a energia gerada pelo próprio automóvel para carregar a bateria, sem a tecnologia de recarga externa.

A inclusão dos híbridos de autogeração na lista de ex-tarifários – beneficiando, principalmente, o modelo Prius, da Toyota – foi aprovada pela Camex em setembro do ano passado, frustrando o pleito das empresas do setor por incentivos mais abrangentes. Na época, o governo tinha preocupação em fomentar as compras de carros carregados na corrente elétrica em virtude do risco de escassez de energia.

Com a recuperação dos reservatórios das hidrelétricas e a recessão econômica, a possibilidade de um apagão no país se tornou praticamente nula, o que permitiu o avanço do projeto.

Embora o ajuste fiscal coloque um novo obstáculo à desoneração dos carros elétricos, o argumento das montadoras é que o governo, se conceder o incentivo, poderá sair ganhando com o aumento do consumo desses automóveis. Hoje, o imposto de importação é alto, mas incide sobre um mercado praticamente inexistente.

Entre janeiro e agosto deste ano, os brasileiros compraram apenas 582 veículos verdes, incluindo nessa conta os híbridos de autogeração, já beneficiados pelos ex-tarifários. Isso é menos de 0,1% do total de carros emplacados no período. Para montadoras interessadas nesse nicho, como Nissan, Renault e Mitsubishi, os carros elétricos ainda representam um mercado em teste no Brasil.

Se os ex-tarifários forem aprovados, as alíquotas seriam cortadas drasticamente, mas incidiriam sobre uma base potencialmente maior. “É melhor arrecadar algo do que nada”, diz uma fonte próxima às negociações com o Ministério do Desenvolvimento, que prefere não ter o nome divulgado.

Procurado pelo Valor, o ministério confirmou, via assessoria de imprensa, que a proposta de ex-tarifários a carros elétricos chegou à secretaria-executiva da Camex e está nesse momento “sob análise”. A concessão do benefício depende da anuência de pelo menos quatro dos sete ministros do conselho da câmara, que inclui os chefes das pastas da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa.

Valor Econômico – 06/10/2015

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EUA querem encerrar Rodada Doha neste ano; Índia e China se opõem

Os EUA querem declarar acabada a Rodada Doha de liberalização comercial dentro de exatamente três meses, em Nairóbi (Quênia). China e Índia resistem, pois acham que têm muito a perder se os mandato da rodada forem enterrados. E, para o Brasil, o que importa é que negociações continuem para liberalizar o comércio agrícola global, dentro ou fora de Doha.

Foi com essas discrepâncias, que envolvem bilhões de dólares de potencial de negócios, que os ministros de comércio do chamado G-7 na OMC – EUA, União Europeia (UE), China, Japão, Brasil, Índia e Austrália – realizaram ontem reunião em Istambul, com o diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, e a ministra de Relações Exteriores do Quênia, Amina Mohamed. Na ausência dos ministros, a delegação brasileira foi formada pelo subsecretário de Assuntos Econômicos do Itamaraty, Carlos Márcio Cozendey; o secretário executivo do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Fernando Furlan; o embaixador brasileiro junto à OMC, Marcos Galvão, e Renato Resende, da Secretaria de Comércio Exterior do MDIC.

O anfitrião do G-7, o ministro de Comércio da Austrália, Andrew Robb, e o principal negociador comercial dos EUA, Michael Fromam, não apareceram. Na última hora, tiveram que ficar em Atlanta (EUA) para fechar a TPP, como é conhecida a Parceria Transpacífico, após oito anos de negociações – as discussões sobre Doha já duram 15 anos.

O Valor apurou que, primeiro, os ministros discutiram o que poderia entrar num eventual pacote em Nairóbi. Embora os países não tenham definido de vez, a ideia é de incluir compromisso de eliminação dos subsídios à exportação, além de um programa de ajuda para nações mais pobres, e algumas regras de transparência em serviços, subsídios a pesca e antidumping.

O problema é o que virá depois desse pacote. De um lado, os EUA insistem que jamais participarão de um consenso que indique que a Rodada Doha continuará em 2016. Washington sinaliza que pode continuar negociando o que não foi resolvido até agora, mas não dentro da Rodada Doha. Considera que discutir com as metodologias adotadas dentro de Doha é perder tempo.

Na verdade, a questão é mais profunda. A China sabe que a pressa dos EUA para por fim a Doha é para acabar com status chinês de membro de acesso recente à OMC, que torna as obrigações de liberalização bem mais flexíveis para a economia chinesa. Por exemplo, os chineses, que dão mais de US$ 300 bilhões anuais de subsídios agrícolas, praticamente não precisariam se comprometer em reduzi-los.

Enquanto a China quer retardar ao máximo ter de pagar, ou seja, fazer concessões numa negociação na OMC, a Índia quer preservar flexibilidade e salvaguardas discutidas em 2008, mas nunca aprovadas, para bloquear mais facilmente importações agrícolas.

Os EUA rechaçam as duas posições. Em direção dos chineses, dizem que a entrada de Pequim na OMC foi em 2001 e que não há possibilidade de se fechar uma negociação de liberalização na OMC sem a China fazer concessões. Ou seja, recusa o escudo chinês de ter passe livre. Quanto à Índia, é difícil justificar flexibilidade para impor barreiras agrícolas, quando o objetivo é liberalizar.

Enquanto seus parceiros dos Brics têm postura defensiva e enfoque grande na manutenção dos mandatos de rodada, o Brasil mostra-se ofensivo e pressiona pelo concreto. A mensagem em Istambul foi de que, para Brasilia poder aceitar um resultado modesto em Nairóbi, precisa em contrapartida ter a garantia de compromisso político na forma de declaração ministerial, de que a negociação prosseguirá sobre temas que não foram fechados até hoje, como a redução dos bilionários subsídios para a produção agrícola.

Ou seja, para o Brasil é importante que continuem negociações para desmontar subsídios e outros problemas no comércio agrícola, seja sob qual nome for.

Ninguém ignora que o “selo Doha” está deteriorado. Semana passada, em fórum organizado pela OMC, a ex-representante comercial dos EUA, Susan Schwab, deu conselho que reflete a visão dos EUA: “Declarem o sucesso da Rodada Doha em Nairóbi, e acabem essa negociação, pois ela não vai a lugar nenhum nas bases atuais”.

O único acordo em Istambul ontem foi que a negociação volta a Genebra para se buscar um pacote de compromissos para Nairóbi, e ao mesmo tempo tentar delinear uma declaração ministerial com uma linguagem que contente a todos – o que parece improvável diante da firmeza dos EUA para declarar Doha encerrada. Nesta terça-feira, haverá reunião dos ministros de comércio do G-20, reunindo as maiores economias desenvolvidas e emergentes.

Valor Econômico – 06/10/2015

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Exportação de minério de ferro da Vale recua 12% em agosto, diz sindicato

Marta Nogueira

A Vale e suas coligadas exportaram em agosto 21,805 milhões de toneladas de minério de ferro, recuo 12 por cento ante o mesmo mês de 2014, informou nesta segunda-feira o Sindicato Nacional da Indústria da Extração do Ferro e Metais Básicos (Sinferbase).

Somando julho e agosto, os dois primeiros meses do terceiro trimestre, a maior produtora global de minério de ferro exportou 47,827 milhões de toneladas da commodity, uma alta de 0,5 por cento em relação ao mesmo período do ano passado.

Os dados de setembro ainda não foram publicados pelo Sinferbase.

A Vale deve publicar seu relatório de produção do terceiro trimestre em 19 de outubro e seu balanço financeiro trimestral, com dados sobre embarques, em 22 de outubro.

No acumulado dos oito primeiros meses do ano, a Vale exportou um total de 184,837 milhões de toneladas, crescimento de 3,6 por cento em relação ao mesmo período do ano passado, segundo os dados publicados pelo Sinferbase.

Ainda que os preços do minério de ferro tenham caído a mínimas históricas em 2015, com um aumento da oferta global, a Vale seguiu as mineradoras concorrentes e elevou sua produção, visando defender a sua participação de mercado.

No segundo trimestre deste ano, a companhia produziu 85,3 milhões de toneladas de minério, a melhor performance de extração para um segundo trimestre e a segunda maior produção trimestral de sua história.

O volume, excluindo a produção atribuível à Samarco (joint venture 50/50 da Vale e da BHP) foi 7,4 por cento superior ao mesmo período do ano passado e 14,4 por cento maior que o primeiro trimestre.

As outras exportadoras de minério do Brasil em agosto foram a Samarco, com vendas ao exterior de 2,528 milhões de toneladas, e a Anglo American, com 988 mil de toneladas.

Fonte: Reuters

 

 

Redação On outubro - 6 - 2015
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