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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017






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IGP-M acelera para 0,95% em setembro e avança 8,35% em 12 meses

SÃO PAULO  –  A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) se situou em 0,95% em setembro, após marcar 0,28% um mês antes, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). A taxa ficou bem acima da média estimada por 16 instituições financeiras e consultorias consultadas pelo Valor Data, de 0,78%.

O indicador, que serve de referência para reajuste de contratos, como os de aluguel, acumula alta de 6,34% no ano e de 8,35% em 12 meses. Em setembro do ano passado, o IGP-M tinha aumentado 0,20%.

A aceleração foi puxada pelos preços mais altos no atacado, grupo que tem peso de 60% no IGP-M – o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) avançou 1,30% em setembro, seguindo alta de 0,20% em agosto. Esse movimento foi influenciado pela alta do dólar e pelo comportamento dos alimentos in natura, que registraram um abrandamento no ritmo de queda (-8,51% para -1,28%). Os preços dos produtos agropecuários deixaram para trás estabilidade e registraram incremento de 2,08% e os preços dos produtos industriais saíram de um acréscimo de 0,28% para 1,01%.

No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) – com peso de 30% no IGP-M – subiu 0,32% em setembro, vindo de uma elevação de 0,24% um mês antes. Seis das oito classes de despesa tiveram alta em suas taxas de variação, especialmente Alimentação (0,01% para 0,17%), que sentiu o impacto do item frutas (-2,41% para +0,19%).

Vestuário (-0,38% para 0,39%), Habitação (0,47% para 0,51%), Comunicação (0,17% para 0,34%), Despesas diversas (0,08% para 0,20%)  e Transportes (0,18% para 0,20%) foram puxados por roupas (-0,52% para 0,36%), móveis (-1,26% para 0,63%), mensalidade para TV por assinatura (1,47% para 2,08%), alimentos para animais domésticos (-0,51% para 1,11%) e serviços de oficina (0,08% para 0,95%), respectivamente.

Por fim, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) aumentou 0,22% em setembro, seguindo um incremento de 0,80% um mês antes.

Valor Econômico – 29/09/2015

 

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Cenário pior até 2018

A grave crise política que assola o país e a indefinição para aprovar no Congresso Nacional medidas do ajuste fiscal levaram os economistas a prever um cenário pior para o Brasil nos próximos anos. Sem cortes de gastos e com a rejeição dos parlamentares em deliberar pelo aumento de impostos para equilibrar as contas públicas, as expectativas dos analistas para o crescimento da economia e para a inflação, entre 2015 e 2018, pioraram, conforme o Relatório Focus, do Banco Central.

A mediana das projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2015 chegou a 9,46% e, para o próximo ano, a 5,87%. Em 2017, os analistas estimam que a carestia será de 4,9% — e de 4,53% em 2018. A elevação nas expectativas para a inflação levou os especialistas a estimar que a o ritmo de queda na Taxa Básica de Juros (Selic), hoje em 14,25%, será menor. O relatório do BC apontou que o mercado aposta em 12,5% no fim de 2016, 0,25 ponto percentual a mais do que na última publicação.

Para piorar a situação, os analistas avaliaram que a economia brasileira encolherá 2,8% até dezembro, 1% em 2016 e só voltará a ter uma tímida expansão de 1,07% em 2017. Na avaliação do analista da Tendências Consultoria Marcio Milan, com a deterioração fiscal e a percepção de que o ajuste não se restringirá somente a 2015, os agentes econômicos estão mais pessimistas em relação à capacidade do Brasil de sair do atoleiro.

Correio Braziliense – 29/09/2015

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BC volta a acionar bateria de leilões para conter o câmbio nesta terça-feira

A aceleração da alta do dólar no fim da tarde desta segunda-feira, sem que houvesse motivo novo para isso, fez o Banco Central anunciar novas operações de swap e de linha para amanhã. A instituição esperou os negócios fecharem para divulgar a realização de uma operação de swap de até US$ 1 bilhão e duas vendas com recompra de até US$ 2 bilhões. Ao todo, serão US$ 3 bilhões em dinheiro novo no mercado. Por isso, a tendência é de que o dólar abra com viés de baixa nesta terça-feira.

Durante a sessão desta segunda-feira, operadores citavam a possibilidade de o Banco Central voltar a intervir nos negócios, em especial durante a tarde, quando a moeda se distanciou do patamar de R$ 4,00. Operadores lembravam que especuladores que, na quinta-feira passada, haviam conduzido a moeda americana para perto dos R$ 4,25 continuavam na ativa, puxando as cotações. E isso sem que tivessem surgido notícias na área política que justificassem uma aceleração.

Como o dólar no balcão encerrou nos R$ 4,080 (alta de 2,80%), novamente acima dos R$ 4,00, o BC aparentemente decidiu não deixar a pressão aumentar ainda mais amanhã. Por isso, anunciou os US$ 3 bilhões extras, ainda que esta terça-feira seja o penúltimo dia do mês – véspera da definição da ptax que liquidará os derivativos que vencem em outubro e, por isso, quando a disputa entre comprados e vendidos pela taxa tende a se acirrar.

Vale lembrar ainda que, na quarta-feira, quando a ptax será determinada, o BC por tradição tende a não atuar via leilões, justamente para não influenciar a disputa final pela taxa. Resta saber se, em um ambiente de alta pressão, será possível ao BC apenas observar os negócios.

Entenda. O swap cambial é uma troca oferecida pelo Banco Central aos investidores por meio da venda de contratos em leilões no mercado. No swap cambial tradicional, o Banco Central oferece ao investidor receber remuneração em juro, em troca da remuneração em dólar.

Esses contratos foram muito vendidos nas épocas de forte valorização do dólar. Como nos contratos de swap cada uma das pontas se compromete a pagar a oscilação de uma taxa, se a variação do juro for maior que a do câmbio no período de vigência do contrato, o investidor receberá mais do que precisará pagar.

Já os leilões de linha são feitos por meio da venda de moeda norte-americana no mercado à vista. Nesse caso, o BC coloca dólares no mercado, por tempo determinado, e depois recompra a moeda. Na prática, essa medida pode tirar pressão do movimento de alta do dólar.

O Estado de S.Paulo – 29/09/2015

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O ambiente de negócios no país vive um caos absoluto

O ambiente de negócios vive o caos e os investidores estrangeiros estão perplexos com o governo. O rebaixamento por outras agências de risco é inevitável. A opinião é de um dos principais assessores financeiros do país, Ricardo Lacerda, que, desde que fundou seu banco de investimento, BR Partners, em 2009, fez mais de 90 operações, ultrapassando R$ 70 bilhões.

Eleitor de Marina no primeiro turno e de Dilma no segundo, ele afirma que errou nas previsões ao dar um voto de confiança à presidente em artigos publicados em 2014.

“A presidente e seu círculo mais próximo nunca abriram mão da condução da economia. O objetivo ao aceitar nomear Levy era apenas usar sua credibilidade para recuperar o apoio dos mercados”, diz Lacerda, que também tem no currículo a presidência do Goldman Sachs no Brasil e do Citigroup na América Latina.

Folha – O sr. estava mais otimista em 2014 e votou na presidente. Errou nas previsões?
Ricardo Lacerda – Fui um dos primeiros empresários a apontar publicamente os erros do ex-ministro Guido Mantega. Previ a reeleição da presidente Dilma e uma condução mais ortodoxa da política econômica. Mas errei ao achar que a presidente faria isso com convicção, que optaria por um ajuste claro e profundo, que poderia resgatar rapidamente a confiança dos mercados. Hoje está claro que prevalece na cúpula do governo a crença de que existem saídas menos dolorosas para a crise. É justamente essa distância da realidade que aprofunda ainda mais a crise.

Há risco de o país ser rebaixado por outra agência?
A menos que haja um comprometimento imediato e claro com um profundo ajuste fiscal, o que já não parece provável, é certo que o Brasil será rebaixado por todas as agências. Seus critérios são similares e há rápida deterioração dos indicadores econômicos. Creio que esse efeito já está em boa parte refletido no preço dos principais ativos brasileiros –mas claro que um rebaixamento em cadeia será muito negativo.

Como os investidores estrangeiros estão vendo o Brasil?
Há uma enorme perplexidade com a completa inabilidade do governo em propor um caminho viável para sair da crise. O ambiente de negócios vive momento de caos absoluto. O governo perdeu completamente a credibilidade e houve uma paralisação de gastos e investimentos. Os empresários estão com medo de quebrar, e os trabalhadores, com medo de perder emprego. Esse sentimento negativo reverbera mundo afora e afeta nossa credibilidade com o investidor estrangeiro.

Há quem veja oportunidade nessa crise?
Sim, oportunidades enormes. Muitos bons ativos estão sendo negociados a preço de banana. É muito menos arriscado para um investidor estrangeiro entrar no país hoje, com o dólar a R$ 4 e a Bolsa a 44 mil pontos, do que há três anos, com o dólar a R$ 2 e a Bolsa a 75 mil pontos. Mas, para que predomine a visão de que temos oportunidade, é preciso que os preços dos ativos se estabilizem. Entrar no Brasil com dólar a R$ 4 pode ser ótimo negócio, desde que não chegue a R$ 5 ou R$ 6 no curto prazo. Há hoje percepção de que o risco de descontrole da economia é real.

Até onde vão os juros?
Num ambiente de total falta de credibilidade da política econômica, o único elemento que pode tranquilizar investidores é a taxa de juros.

Mantido o cenário atual, eu diria que não só não encerramos o ciclo de aperto monetário, como é provável que ainda seja necessário um novo choque de juros, de mais 200 a 300 pontos-base. Os juros futuros mostram isso e podemos ver a Selic próxima a 20% ao ano. Pagaremos caro por termos mantido juros artificialmente baixos por tanto tempo.

Mudaria algo no ajuste?
Acho que a proposta do governo é absolutamente desconexa. A manobra de enviar ao Congresso um Orçamento com deficit foi desastrada e em seguida o governo não conseguiu articular nenhum raciocínio lógico para defendê-la. Em segundo lugar, o governo pode pedir que a sociedade faça sacrifício, é justo, mas tem que fazer sua parte e mostrar com clareza o que defende. Ele foi eleito para liderar, mostrar caminhos, não para enviar um Orçamento e pedir que se virem para equilibrá-lo. Acho que a sociedade não aceita mais alta de imposto, o governo terá de cortar mais gastos. Senão, a inflação cortará por ele.

Como combater a inflação?
Com políticas fiscal e monetária sérias. O Brasil não foi o único no mundo a relaxar tais políticas diante da crise de 2008. O erro foi exagerar em estímulos excessivamente de curto prazo e não propor reforma estrutural.

O governo não soube a hora de recuar nos incentivos para garantir a saúde das contas. Essa barbeiragem nos levou a uma combinação tóxica de baixo crescimento, explosão da dívida pública e inflação alta. Para reverter, é preciso competência e determinação por parte do governo. Não estamos vendo uma coisa nem outra.

O controle da inflação foi a maior conquista social do brasileiro nas últimas décadas e é lamentável que a presidente nunca tenha dado a ele a sua devida importância.

Levy ainda é considerado pelo mercado a tábua de salvação? Ou é hora de deixar a cena?
A presidente nunca endossou o ministro, nem seu receituário econômico, como o caminho para o país driblar a crise. O resultado é esse: governo com atuação conflitante e sem liderança. O ministro é um profissional sério, acadêmico respeitado, pessoa com espírito patriótico que tenta ajudar seu país. Será lamentável se ele deixar o cargo, mas creio que ninguém mais o vê como tábua de salvação. Para reverter expectativas, a presidente precisará mostrar uma mudança radical e inequívoca de suas próprias convicções.

O sr. avalia que ele teve boa atuação até agora?
O mercado esperava que Levy representasse ruptura com a gestão anterior e uma oportunidade de fazer ajuste rápido, que traria de volta a credibilidade. Era minha aposta. Isso não ocorreu, pois a presidente e seu círculo próximo nunca abandonaram suas ideologias nem abriram mão da condução da economia. O objetivo ao aceitar nomear Levy era apenas usar sua credibilidade para recuperar o apoio dos mercados. Acho injusto julgar a atuação dele. Fica a impressão que ele foi sem nunca ter sido.

Mudar o governo ajuda? Quer impeachment?
No momento não há motivos técnicos para impeachment. Tudo leva a crer que a presidente é uma pessoa honrada. Mas, evidentemente, o impeachment tem dinâmica política, que já está em curso. A inépcia política da presidente e a relutância em buscar novos caminhos a coloca numa posição cada vez mais delicada. É possível que termine seu mandato, mas há o risco de isso acontecer sem que tenha apoio político ou popular e com economia em frangalhos.

Folha de S.Paulo – 29/09/2015

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Parcelamento de imposto é arma para tentar elevar receita

Endividamento crescente, gastos com a folha de pagamento em alta e arrecadação caindo junto com a atividade econômica. O desequilíbrio observado nas contas do governo federal atinge também as contas dos Estados. Seguindo o exemplo da União, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pará, Pernambuco, Espírito Santo, Ceará, Amazonas, Acre e Paraíba estão recorrendo ao parcelamento de dívidas de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para impulsionar as receitas em ano de crise.

Dados disponíveis no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) mostram que a arrecadação do ICMS, principal tributo estadual, sofreu queda real de 3% de janeiro a junho deste ano em 20 Estados e o Distrito Federal, em relação ao mesmo período do ano passado.

estadoscrise

Segundo Fábio Klein, analista da Tendências Consultoria, os resultados primários dos Estados vêm caindo continuamente entre 2011 e 2014. “Houve aumento da dívida líquida e aumento nas despesas com pessoal”.

Projetando um déficit primário de R$ 7 bilhões em 2015 e R$ 4 bilhões em 2016, a secretaria da Fazenda de Minas Gerais lançou o programa Regularize, que dá descontos de até 50% para pagamento à vista, parcelamento em até 60 vezes ou compensados com créditos acumulados do ICMS ou de precatórios. Hoje o Estado possui R$ 52,5 bilhões em impostos devidos e 98,6% são de ICMS.

“Herdamos aumento de R$ 5 bilhões nas despesas com folha de pagamento do governo anterior e esperamos queda real de 8% na arrecadação de 2015”, diz o secretário de Fazenda de Minas, José Afonso Bicalho Beltrão da Silva. Para equilibrar as contas, o Estado já fez cortes no custeio da máquina e praticamente não fará investimento com recursos próprios este ano.

Estados como Minas, São Paulo e Rio Grande do Sul têm sido ainda mais prejudicados pela crise por abrigarem indústrias como a automobilística e a siderúrgica, fortemente afetadas pela queda do consumo e dos preços do minério. Para José Roberto Afonso, professor do Ibre-FGV e do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), a recessão é o fator decisivo na deterioração das contas, mas “estruturalmente o ICMS já sofria da desindustrialização e da guerra fiscal”.

A crise na indústria é um dos principais motivos apontados pelo secretário de Fazenda de São Paulo, Renato Villela, para a queda real de 3,7% na arrecadação acumulada até agosto. “A queda nas receitas começou na área industrial em abril do ano passado e se acentuou nos últimos meses”, diz ele. Além do já anunciado contingenciamento de R$ 6,6 bilhões no orçamento, o secretário disse ao Valor que a secretaria está organizando um parcelamento de dívidas em atraso. “A intenção não é arrecadatória, mas é reduzir o contencioso judicial”, ressalva. Villela também destaca o efeito da política monetária sobre a arrecadação: “Com a alta dos juros, o contribuinte prefere não pagar imposto a se endividar”.

Já enfrentando desequilíbrios estruturais no seu orçamento, as contas do Rio Grande do Sul se deterioram ainda mais com a queda na arrecadação. “São décadas de déficit e as medidas para cobri-los, infelizmente, estão esgotadas”, diz Mário Luis Wunderlich, subsecretário da Receita. Sem receita para cobrir as despesas, o Estado vem atrasando os salários dos servidores, aprovou aumento de impostos e cortou gastos de custeio.

O Rio Grande do Sul também lançou um programa de parcelamento, mas o Estado espera arrecadar somente R$ 300 milhões com o programa neste ano. “Já foi feito um plano de parcelamento do ano passado”, diz Wunderlich.

Além de sofrer com os efeitos da crise, Pernambuco foi atingido também pela crise na cadeia de óleo e gás. O secretário de Fazenda do Estado, Marcio Stefanni, cortou investimentos e contingenciou o custeio em todas as secretarias. Embora tenha encerrado um programa de parcelamento de dívidas em julho, ele crítica seu uso indiscriminado: “Evitamos repetir esse tipo de programa constantemente para que o contribuinte não crie o costume de não pagar o imposto à espera do próximo Refis”. Neste ano, as renegociações arrecadaram R$ 41 milhões, mas, de acordo com o secretário, a intenção era reduzir os litígios na Justiça.

Os Estados do Norte e Nordeste são também afetados pela redução dos investimentos do governo federal. Com uma queda real de 2% na arrecadação entre janeiro e junho, o secretário de Fazenda do Ceará, Mauro Filho, avalia que o ajuste fiscal e monetário realizado em Brasília é o principal peso sobre as contas do Estado. “Quando o governo federal corta o Programa de Aceleração do Crescimento e diminui os convênios com os Estados, a atividade econômica e a Receita caem”, diz ele. Além do parcelamento de dívidas, o Ceará também fez cortes de cerca de 20% nos investimentos e no custeio.

Afonso concorda que o aperto monetário vem prejudicando os Estados: “A crise de crédito também afeta duramente as receitas dos Estados – sem acesso a crédito bancário, muitos contribuintes preferem não pagar impostos”. Para ele, o principal equívoco dos Estados foi “acreditar no Tesouro Nacional” e ter se endividado forte e rapidamente.

Valor Econômico – 29/09/2015

 

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Na ONU, Dilma tenta justificar o ajuste

A presidente Dilma Rousseff aproveitou o palanque mundial montado na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, para defender as medidas do ajuste fiscal implementadas por ela. No momento em que o governo tem sido fortemente questionado pela oposição, aliados, movimentos sociais e até petistas sobre o remédio amargo adotado pela equipe econômica, Dilma garantiu que o país está reequilibrando o Orçamento e reduzindo os gastos. “Propusemos cortes drásticos de despesas e redefinimos nossas receitas”, disse ela.

Ainda que de maneira tímida, Dilma admitiu que o modelo de crescimento adotado pelos governos petistas nos últimos anos chegou ao limite, tanto por razões fiscais internas quanto externas. Ela ainda tentou defender a política econômica adotada nos últimos seis anos, afirmando que o Brasil buscou evitar os efeitos da crise de 2008. “Por seis anos, adotamos um amplo conjunto de medidas reduzindo imposto, ampliando crédito, reforçando o investimento e o consumo das famílias. Aumentamos os empregos, aumentamos a renda nesse período”, enalteceu.

Mas o Brasil acabou sucumbindo ao inexorável abismo. “A lenta recuperação da economia mundial e o fim do superciclo das commodities incidiram negativamente sobre nosso crescimento. A desvalorização cambial e as pressões recessivas produziram inflação e forte queda da arrecadação, levando a restrições nas contas públicas”, declarou ela.

Dilma, contudo, empenhou-se em retomar a confiança dos investidores internacionais. No início deste mês, a agência de análise de riscos Standard & Poor’s rebaixou o grau de investimento do Brasil, tirando do país o selo de bom pagador. “O Brasil não tem problemas estruturais graves, nossos problemas são conjunturais”, complementando que o país vem reduzindo gastos de custeios e até investimentos públicos no esforço para reequilibrar as contas.

“Todas essas iniciativas visam reorganizar o quadro fiscal, reduzir a inflação, consolidar a estabilidade macroeconômica, aumentar a confiança na economia e garantir a retomada do crescimento com distribuição de renda.” Mesmo com as sucessivas revisões para baixo do Produto Interno Bruto neste ano e no próximo, Dilma assegurou que a economia brasileira é “mais forte, sólida e resiliente do que há alguns anos”, o que oferece condições para que o país supere as atuais dificuldades e avance na trilha do desenvolvimento.

“Estamos num momento de transição para um novo ciclo de expansão mais profundo, mais sólido e mais duradouro. Além das ações de reequilíbrio fiscal e financeiro, de estímulo às exportações, adotamos medidas de incentivo ao investimento em infraestrutura e energia.” Dilma já havia destacado o pacote de concessões em infraestrutura em palestra feita a investidores americanos durante viagem aos Estados Unidos em julho. “Essas são as bases para este novo ciclo de crescimento e desenvolvimento, baseado no aumento da produtividade e na geração de mais oportunidades de investimento para empresas e de empregos para os cidadãos”, destacou.

Corrupção
Dilma também explorou, em seu discurso, outra questão responsável pela estagnação do Brasil — a crise política e os sucessivos escândalos de corrupção que corroem a imagem do governo petista. Segundo ela, todos os avanços conquistados nos últimos anos foram possíveis pelo aprofundamento da democracia brasileira. “Graças à plena vigência da legalidade e ao vigor das instituições democráticas, o funcionamento do Estado tem sido escrutinado de forma firme e imparcial pelos poderes e organismos públicos encarregados de fiscalizar, investigar e punir desvios e crimes”, disse ela.

Em um momento em que se discute abertamente a perda de status de ministério da Controladoria-Geral da União (CGU) — leia mais na página 3 —, Dilma assegurou que o “governo e a sociedade brasileiros não toleram e não tolerarão a corrupção. A democracia brasileira se fortalece quando a autoridade assume o limite da lei como o seu próprio limite”, garantiu.

Por fim, a presidente defendeu a civilidade no debate de ideias e uma imprensa livre com direito à opinião. “Queremos um país em que os governantes se comportem rigorosamente segundo suas atribuições, sem ceder a excessos. Em que os juízes julguem com liberdade e imparcialidade, sem pressões de qualquer natureza e desligados de paixões político-partidárias, jamais transigindo com a presunção da inocência de quaisquer cidadãos”, disse ela.

Críticas
No instante em que a presidente Dilma Rousseff defendia, na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, o pacote fiscal que será enviado pelo governo ao Congresso, a Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, lançava um documento em São Paulo com duras críticas às propostas. “A lógica que preside a condução do ajuste é a defesa dos interesses dos grandes bancos e dos fundos de investimento”, diz o documento.

A Fundação Perseu Abramo é presidida por Marcio Pocchmann, economista com livre trânsito no PT, ligado diretamente ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). O texto é ainda mais ácido em outros pontos. “Eles (os bancos e os fundos de investimento) querem capturar o Estado e submetê-lo ao seu estrito controle, privatizar bens públicos, apropriar-se da receita pública, baratear o custo da mão de obra e fazer regredir o sistema de proteção social”, acusa a fundação presidida por Pocchmann.

Setores do PT manifestaram apoio expresso ao documento. É o caso, por exemplo, dos integrantes da Mensagem ao Partido, que tem, como principais expoentes, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro. “O documento contempla várias posições minhas anunciadas ao longo desta crise”, justificou o petista.

Para o economista e professor da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzzo, o objetivo do documento lançado pela Fundação Perseu Abramo, centro de estudos criado e mantido pelo PT, é criar o clima “social e político” para mudança da atual política econômica do governo Dilma Rousseff.

Entre as críticas à atual condução da economia, Belluzzo avaliou que não se pode subir juros quando se está fazendo ajuste fiscal. Também criticou as metas fiscais estabelecidas pela equipe econômica. Na avaliação dele, não é possível tentar obter superavit primário com a economia desacelerando. Segundo ele, o clima de pessimismo que se instaurou na economia fez a recessão atual se aprofundar.

“A lógica que preside a condução do ajuste é a defesa dos interesses dos grandes bancos e dos fundos de investimento”
Trecho de documento com críticas ao ajuste fiscal divulgado pela Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT

“O objetivo é criar um ambiente de compreensão social e política que escape desse maniqueísmo atual. O ajuste vem produzindo resultados contrários”
Luiz Gonzaga Belluzzo, economista

Correio Braziliense – 29/09/2015

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Dólar sobe a R$ 4,109 por temor de rebaixamento do país pela Fitch

Em um pregão de mau humor generalizado, o dólar comercial voltou a superar os R$ 4 com o temor de que a curto prazo a Fitch corte a nota de crédito do Brasil. A moeda americana fechou a R$ 4,109, uma valorização de 3,37% ante o real, a maior alta em um único pregão desde novembro de 2008. O dólar subiu com mais força no fim do pregão, após declarações do diretor executivo da Fitch no Brasil, Rafael Guedes, indicando que a agência de classificação de risco poderá rebaixar a nota do país.

Com essa escalada do dólar, o Banco Central decidiu, logo após o fechamento dos negócios, anunciar uma nova intervenção no mercado cambial a ser realizada hoje. Essas operações podem somar até US$ 3 bilhões. Já o Ibovespa recuou 1,95%, aos 43.956 pontos, puxado por Vale e Petrobras em um ambiente de aversão global ao risco. Essa é a sétima queda consecutiva e o menor nível do índice desde 7 de abril de 2009, quando chegou aos 43.824 pontos.

FITCH: “A QUALQUER MOMENTO”
A autoridade monetária anunciou que fará hoje uma oferta de 20 mil contratos de swap cambial, que equivalem a uma venda de moeda ao mercado. Essa operação pode chegar a US$ 1 bilhão. Além disso, o BC fará um um leilão de linha de até até US$ 2 bilhões. Nesse tipo de operação, o BC vende dólares com o compromisso de recompra, sem impacto nas reservas cambiais.

Ontem, o diretor executivo da Fitch afirmou, em evento em São Paulo, que “uma mudança de rating do Brasil pode ocorrer a qualquer momento”.

Na Fitch, o país ainda está com um rating duas notas acima do grau especulativo. O Brasil já perdeu o selo de bom pagador pela Standard & Poor’s.

Segundo Guedes, da Fitch, a agência de classificação de risco não costuma fazer um rebaixamento de duas notas de uma só vez, mas ele lembrou que na crise de 2002 isso ocorreu com o Brasil.

— O governo não sabe como conseguir cooperação do Congresso. As medidas não são difíceis de passar, mas o Congresso dificulta — avaliou Guedes. Se o Brasil perder o investment grade por outra agência de classificação de risco, grandes fundos de investimento globais deixarão de destinar recursos ao país porque são obrigados, em seus estatutos, a aplicarem apenas em países com o selo de bom pagador por pelo menos duas das três grandes classificadoras de rating.

— As declarações do representante da Fitch causaram um estresse maior no final do pregão. Como não vemos capacidade do governo de reagir e mudar o cenário, a perda do grau de investimento deve ocorrer na sequência — avalia Felipe Silva, analista da Saga Capital.

Em entrevista coletiva ontem para detalhar a economia de custeio da máquina pública, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse esperar que as medidas de reequilíbrio das contas contenham as agências.

— Esperamos que essas medidas de equilíbrio fiscal vão melhorar gradualmente a posição fiscal do Brasil. Trabalhamos e esperamos que ela seja suficiente para manter uma boa avaliação da nota de crédito do país — disse.

Como fator de pressão adicional, ocorre amanhã, último dia útil do mês, o fechamento do dólar Ptax, que é calculado pelo BC e que serve de referência para uma série de contratos dos mercados financeiros. Os dados da dívida pública também não agradaram.

— O cenário externo não está ajudando. E essa semana é de formação da Ptax — afirmou Hideaki Iha, operador de câmbio da Fair Corretora.

LUCRO DE CHINESAS RECUA 8,8%
Além das questões internas, os investidores estão preocupados com a desaceleração da economia da China, que pode prejudicar ainda mais a retomada da atividade global. O lucro das empresas chinesas recuou 8,8% em agosto, resultado bem abaixo do esperado. Com isso, as ações de empresas ligadas a commodities são as que mais sofreram ontem, levando para baixo os principais índices de ações globais.

Na Europa, o DAX, de Frankfurt, fechou em queda de 2,12% e o CAC 40, da Bolsa de Paris, teve desvalorização de 2,76%. O FTSE 100, de Londres, recuou 2,46%, com a forte queda de mineradoras. Nos EUA, o Dow Jones recuou 1,92% e o S& P 500, 2,57%.

No Brasil, os papéis preferenciais da Vale tiveram desvalorização de 7,37% e os ordinários caíram 7,47%. No caso da Petrobras, as preferenciais registraram desvalorização de 5,57%, cotadas a R$ 6,44, e as ordinárias caíram 5,07%, a R$ 7,67.

O Globo – 29/09/2015

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Fitch avalia se piora da dívida soberana é transitória

O diretor-executivo da Fitch Ratings no Brasil, Rafael Guedes, avalia que o cenário base considerado pela agência em abril de 2015, quando a nota do país foi mantida, mas colocada em perspectiva negativa, não é mais válido. Segundo ele, é preciso avaliar como o contexto de crescimento e superávit menores afetam a dinâmica da dívida do país.

“Em abril, reafirmamos a nota do Brasil, colocando em perspectiva negativa, o que indica uma probabilidade maior de 50% de rebaixamento num período de 12 a 18 meses”, lembrou Guedes. “Em julho, houve a revisão das metas se superávit primário, indicando que fazer ajuste fiscal num momento de economia com crescimento mais baixo é extremamente difícil”, disse.

De acordo com o analista, as premissas iniciais do governo de crescimento e superávit primário não estão sendo entregues. “O orçamento mandado ao Congresso antevendo um déficit no ano que vem coloca pressão adicional sobre o rating brasileiro”, disse.

Apesar da nova proposta de Orçamento, com previsão de superávit, Guedes avalia que há um dificuldade do governo de obter o apoio necessário para a aprovação. “Existe o objetivo de entregar um superávit de 0,7%, mas depende de uma série de medidas que estão sendo discutidas e que o Congresso indica que não vão passar”, afirma, citando em particular a recriação da CPMF.

“Temos crescimento menor e superávit primário menor. É preciso avaliar como isso vai impactar a dinâmica da dívida, e se o cenário de estabilização que esperávamos para 2018 não vai ser atingido ou vai ser atingido um pouco mais tarde”, disse. Segundo ele, é preciso analisar se a piora na dinâmica da divida é momentânea.

Em abril, a Fitch revisou de estável para negativa a perspectiva da nota do país (“BBB”). Apesar do rebaixamento pela Standard & Poor’s neste mês (“BB+”), a Fitch mantém o país no grau de investimento, com dois níveis acima do especulativo. Na semana passada, técnicos da Fitch estiveram em Brasília para coletar dados. Para a Moody’s (“Baa3”), apenas um degrau separa a nota brasileira dos países com risco de calote.

A Fitch tradicionalmente não faz ajuste de dois degraus nas suas ações de rating, afirmou Guedes. Segundo ele, a não ser que haja um evento extraordinário, a agência de classificação de risco costuma optar por ajustes frequentes. Ele lembrou que cortes de dois degraus ocorreram, por exemplo, na crise da Comunidade Europeia, mas são raros.

No Brasil, em 2002, na crise antes da eleição de Luis Inácio Lula da Silva, foram feitos dois ajustes no mesmo ano, mas não de dois degraus ao mesmo tempo. O executivo participou, na semana passada, de reuniões entre técnicos da agência com membros do governo brasileiro.

Valor Econômico – 29/09/2015

Redação On setembro - 29 - 2015
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