Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 25 de Novembro de 2017






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Metade das empresas que entra em recuperação judicial não vai se recuperar

Mais de 50% das empresas que estão entrando em recuperação judicial não conseguirão se reerguer e vão falir, avalia o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, Carlos Henrique Abrão, conselheiro fundador do Instituto Nacional de Recuperação de Empresarial (INRE). “As empresas estão em recuperação para ganhar tempo. Muitas não vão se recuperar.”

Pelos dados do desembargador, apenas 5% dos pedidos de recuperação judicial requeridos em dez anos de vigência da lei não terminaram em falência. Para o advogado Jorge Lobo, o poder judiciário apenas deveria ser acionado depois que especialistas, com notória capacidade técnica e indiscutível idoneidade moral, verificassem se a empresa é econômica e financeiramente viável.

Em recente artigo, ele afirma que a causa do fracasso da recuperação judicial não está na lei, mas na “equivocada utilização da ação baseada em desejos de ver a empresa se reerguer e na esperança de ver surgir uma solução milagrosa”.

A grande maioria dos pedidos de recuperação feita pelas construtoras foi acatada pela Justiça. Muitas delas já tiveram os planos aprovados pelos credores e estão tentando implementar as medidas. A última foi a Alumini, em recuperação desde janeiro. Na sexta-feira, a empresa conseguiu aprovar em assembleia o plano de recuperação.

A dívida da empresa somava, no começo do ano, R$ 1 bilhão, sendo o Banco do Brasil credor de um quarto desse valor. O plano prevê que os trabalhadores serão os primeiros a receber.

Reporter Diário – 28/09/2015

 

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Construtoras sofrem com demanda em baixa

Com sérias dificuldades financeiras, agravadas pelo ambiente econômico adverso, o setor de construção civil é um dos piores em alavancagem. Nessa seara, PDG e Rossi figuram como os casos mais preocupantes, apontam especialistas.

Tradicionalmente, as construtoras têm um longo ciclo de negócios e operam muito alavancadas. Algumas estão atualmente em fase de entrega de projetos, quando supostamente seria o momento de folga no caixa, mas isso está acontecendo em meio a uma conjuntura extremamente ruim, com demanda reprimida para imóveis, custo do crédito em elevação e reduzida capacidade de endividamento por parte das famílias.

Diante disso, a PDG Realty já fez aumento de capital de R$ 500 milhões neste ano e, depois do prejuízo do segundo trimestre, anunciou plano de reestruturação das dívidas para adequar o perfil do endividamento às perspectivas de curto, médio e longo prazos, reforçar o capital de giro e fortalecer sua estrutura de capital. O assessor financeiro contratado foi o Rothschild. Enquanto os resultados da reestruturação não aparecem, as ações da companhia despencam na bolsa. A queda é de quase 90% só neste ano.

A incorporadora afirma ter traçado um plano tático para acelerar seu processo de redução de alavancagem e enfrentar os desafios impostos pela conjuntura econômica em 2015. “A PDG continuará focando seus esforços na aceleração do seu processo de desalavancagem, no alongamento antecipado das dívidas corporativas vincendas em 2015 e na aceleração da venda de ativos não estratégicos”, diz a empresa, em nota.

O momento também é difícil para a Rossi, que contratou as consultorias RK Partners Assessoria Financeira e Gestão de Recursos e Maxcap Real Estate Investment Advisors para reestruturar suas operações e revisar os objetivos estratégicos. A companhia contabilizava dívida líquida de R$ 1,75 bilhão ao fim do segundo trimestre e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) negativo no período.

Em entrevista ao Valor, o diretor de relações com investidores da Rossi, Fernando Miziara, diz que a companhia está focada em proteger o caixa e diminuir a alavancagem. De acordo com o executivo, a incorporadora está perto de encerrar um ciclo de negócios iniciado entre 2012 e 2013, mas que deve se estender até o início de 2017. Com as entregas, afirma Miziara, aumentam os repasses – quando o financiamento do imóvel pelo consumidor sai da construtora e passa para o banco -, assim como o ingresso de recursos no caixa.

“Continuamos com uma média de repasses de R$ 250 milhões por mês. Nos últimos 12 meses, chegamos a quase R$ 640 milhões”, diz Miziara. “Estamos buscando melhorar a eficiência interna, para reduzir custos de pessoal, e antecipando conversas com bancos para acelerar pagamento de dívidas e diminuir a alavancagem.” Questionado sobre a possibilidade de rolar dívida, ele afirmou que não há nada previsto nesse sentido até o próximo ano. A emissão de capital também é descartada no curto prazo, mas uma eventual venda de ativos para a diminuir a alavancagem pode ser considerada. Nesse caso, negócio precisaria, no entanto, ser “muito bom”.

A missão da Rossi, no entanto, não será fácil, a julgar pela opinião da Fitch. Em relatório, a agência de classificação de risco destaca as elevadas incertezas em relação à capacidade de recuperação dos indicadores operacionais e de crédito da incorporadora nos próximos dois anos.

 

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Efeito câmbio leva Abinee discutir acordo com Apex para estimular exportações do setor

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) está trabalhando junto à Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) para delinear um convênio visando a criação de um projeto de apoio às exportações do setor eletroeletrônico. Na quinta-feira, 24, as empresas associadas da entidade participaram de reunião, para ouvir contribuições e sugestões sobre o formato da parceria e ações a serem adotadas.

O presidente da Abinee, Humberto Barbato, afirmou que o momento é propício para a iniciativa. “Com esta nova realidade cambial, podemos voltar a olhar para o mercado externo”, disse. Ele lembrou que, nos últimos anos, o Brasil não fez nenhum esforço maior para prestigiar as exportações de produtos manufaturados e permitiu que a sua moeda se sobrevalorizasse, o que culminou na perda de competitividade interna e externa. “Isso fez com que a indústria caísse para uma representação de apenas 9% do PIB”, enfatizou.

Agora, em um novo cenário, o presidente da Abinee acredita que o apoio da Apex contribuirá para abrir uma nova frente em que o setor eletroeletrônico possa trabalhar na busca pela recuperação dos mercados perdidos. “É uma possibilidade de diminuir o déficit do setor via incremento das exportações”, afirmou.

Durante o encontro, o gerente de promoção comercial da Apex, Maurício Manfré, afirmou que aproximação com a Abinee se dá com o objetivo de estimular as exportações do setor eletroeletrônico, conferindo maior valor agregado na pauta exportadora brasileira. Ele explicou as formas de atuação e ações básicas com a utilização de recursos da agência, que abrangem promoção (missões, feiras, projeto comprador), estruturantes (planejamento estratégico, branding, inteligência comercial) e comunicação e marketing (material promocional, comunicação digital, etc.).

Ele destacou, porém, que o modelo do projeto com a Abinee será realizado a partir das demandas das empresas do setor, como forma de abarcar as características e especificidades de cada segmento que compõem a indústria elétrica e eletrônica, representada pela entidade. Neste sentido, o desenho do projeto prevê a criação de segmentos verticais e um comitê gestor, com a participação de representantes da Apex e das empresas.

Segundo Manfré, entre as primeiras ações do projeto, num prazo de 12 meses, é a realização de duas missões inicialmente para a América Latina e África, conforme identificado em sondagem feita com empresas do setor, que apontaram esses destinos como prioridade. Há também, a possibilidade de realização de projeto comprador no Brasil, além de um trabalho de defesa de interesses na área de convergência regulatória e, também, de transferência tecnológica.

Em paralelo ao acordo, a Abinee também tem desenvolvido outras iniciativas visando o estímulo ao comércio exterior, como a participação em missões organizadas pelo Itamaraty, o acompanhamento das negociações de acordos comerciais e trabalhos de convergência regulatória, junto ao Inmetro e órgãos internacionais de normalização e avaliação da conformidade.

TI Inside – 28/09/2015

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Dólar alto e PIB fraco pioram endividamento de empresas

(Atualizada às 09h05) A piora do cenário econômico tem aumentado, para níveis considerados alarmantes, a alavancagem financeira das empresas, dada pela relação entre o nível de endividamento e sua capacidade de geração de caixa.

Segundo o diretor-sênior de ratings corporativos da agência de classificação de risco Fitch, Ricardo Carvalho, a alavancagem média das empresas brasileiras, medida pela relação entre dívida líquida e o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), deve encerrar o ano em 4,5 vezes.

Levantamento feito pelo Valor Data mostra que a alavancagem média de 240 empresas brasileiras de capital aberto já havia aumentado consideravelmente no último ano e, no fim do segundo trimestre, estava em três vezes, ante 2,46 vezes em junho de 2014. Essa era a situação antes da disparada do dólar, cujos efeitos só vão aparecer nos balanços do terceiro trimestre. Alavancagem acima de três vezes põe em alerta analistas e investidores.

O Bank of America Merrill Lynch tem números preocupantes: a relação entre dívida líquida e Ebit (lucro antes de juros e impostos) das empresas que acompanha já estaria em cinco vezes, ligeiramente acima dos níveis de 2002 – quando a eleição do ex-presidente Lula gerou grande turbulência nos mercados – e muito acima do patamar de duas vezes de 2010.

A retração econômica está derrubando as receitas justamente quando a maxidesvalorização do real traz forte impacto sobre as dívidas em moeda estrangeira. Ocorre ainda num momento em que juros altos e maior seletividade na concessão de crédito encarecem e reduzem as chances de rolagem das obrigações, primeira opção das companhias.

Com o mercado extremamente difícil para a emissão de capital e novas dívidas, principalmente após o Brasil perder o grau de investimento pela Standard & Poor’s, muitos grupos consideram a opção de venda de ativos. A iniciativa, porém, não é tão fácil de ser concretizada. O ambiente de incertezas desvaloriza os ativos e reduz o interesse de investidores. Do lado positivo, há o fato de os ativos estarem baratos em dólar para investidores estrangeiros, que podem ter boa oportunidade de crescer no país.

Valor Econômico – 28/09/2015

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Dívida de curto prazo representa 18% do total

(Atualizada às 09h09) O volume de obrigações que as companhias brasileiras têm a pagar no curto prazo – em termos contábeis, 12 meses – é outro ponto que chama a atenção do mercado. Dentro do seu universo de cobertura, o Bank of America Merrill Lynch (BofA) estima que 18% da dívida total das empresas vencem nesse horizonte, o equivalente a R$ 278 bilhões. Conforme a instituição, os grupos com endividamento mais expressivo no curto prazo, descontando os recursos em caixa, são Cemig, CCR, JBS, Tereos, Triunfo, Heringer e Taesa.

O BofA pondera, no entanto, que a posição de caixa das companhias está em 1,5 vez a dívida de curto prazo, ou 1,2 vez, se a Petrobras for excluída da conta. “Isso limita os problemas de liquidez, mas acreditamos que as companhias privadas podem enfrentar maiores restrições de balanço”, afirmam os analistas Felipe Hirai e Ligia Araujo em relatório.

Depois de um aumento de 300 pontos base no juro de dez anos e depreciação de 15% do real frente ao dólar em apenas um mês, os especialistas acreditam que a alavancagem geral das empresas pode gerar pressão no mercado acionário. Pelos cálculos do BofA, a dívida líquida das companhias listadas no Brasil está em 20,5% do PIB, com o dólar a R$ 4,10, acima do pico de 17% de 2002, última vez que o dólar esteve a R$ 4. Além disso, o indicador dívida líquida sobre Ebit (lucro antes de juros e impostos) situa-se em quase cinco vezes, levemente acima dos níveis de 2002 e muito superior ao de 2010, quando era de duas vezes.

A instituição observa que, recentemente, as companhias com os maiores índices de alavancagem lideraram as desvalorizações de papéis na bolsa. A lista é encabeçada pela Gafisa, seguida de Gol, CSN, BR Properties, Marfrig, Oi, Usiminas, BR Malls, Petrobras e CPFL.

Outro destaque do levantamento é que 55% da dívida das empresas é denominada em moeda estrangeira, sobretudo dólar. Nesse grupo, 96% das obrigações são de exportadoras e produtoras de commodities, mas, com o preço mais baixo desses insumos e a incapacidade de repassar reajustes aos mercados locais, a alavancagem dessas companhias pode aumentar significativamente, diz a análise. Sabesp, Gol, Hypermarcas, General Shopping e CCR são as empresas cobertas pelo BofA com maior exposição ao câmbio, em termos absolutos.

Valor Econômico – 28/09/2015

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Volks aprova PPE na fábrica de motores em São Carlos

A exemplo do parque industrial da montadora em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, a fábrica de motores da Volkswagen em São Carlos, no interior paulista, vai participar do Programa de Proteção ao Emprego, o PPE. A adesão foi aprovada ontem em assembleia dos trabalhadores na sede do sindicato dos metalúrgicos da região e, assim como na fábrica do ABC, prevê a redução de 20% da jornada de trabalho, com corte proporcional, para a empresa, no pagamento dos salários.

Para os operários, a perda salarial cai pela metade – ou seja, para 10% -, em virtude da complementação dos salários feita pelo governo com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

A vigência do PPE é de seis meses, prorrogável por mais seis meses. Em contrapartida, a Volkswagen fica proibida de demitir de forma arbitrária ou sem justa causa por oito meses, ou 16, caso o acordo seja renovado.

Essas mesmas condições já foram negociadas pela Volks com o sindicato dos metalúrgicos de Taubaté, também no interior paulista, onde a montadora produz o subcompacto Up!. A proposta, nesse caso, deve ser votada amanhã pelos trabalhadores em assembleia.

Em São José dos Pinhais, no Paraná, onde são montados os modelos Fox e Golf, a Volkswagen está discutindo um novo acordo coletivo e a expectativa dos sindicalistas da região é de que a montadora também coloque o PPE na mesa de negociações.

A proposta aprovada na unidade de propulsores em São Carlos preserva, conforme o sindicato, o acordo celebrado em 2012, que garante um reajuste de 2,5% acima da inflação a partir deste mês e um aumento real de 2,3% a partir de setembro de 2016.

De acordo com Erick Silva, presidente do sindicato que representa os trabalhadores da Volks, a tabela salarial em São Carlos é inferior às das demais unidades da montadora em São Paulo, nas quais, além da adesão ao PPE, acordos coletivos foram revistos para congelar salários dos operários. Segundo Silva, a expectativa é que o PPE comece a valer no mês que vem, após a montadora ter a habilitação ao programa aprovada pelo governo.

Há três meses, a Volks anunciou investimentos adicionais na fábrica de São Carlos, de R$ 460 milhões, incluindo na conta recursos já desembolsados para a produção no local dos motores auxiliados por turbo que equipam o Up!.

Valor Econômico – 28/09/2015

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Mercado de trabalho sofre uma acelerada deterioração

Enquanto o governo e o Congresso Nacional se mantêm vacilantes sobre a execução do ajuste fiscal, que é essencial para restabelecer a confiança na economia, cria-se uma tragédia de grandes proporções no mercado de trabalho. O Instituto Brasileiro de Geografia de Estatística (IBGE) registra uma taxa de desemprego de 7,6% em agosto, a maior para esse mês do calendário gregoriano desde 2009. Já chega perto de um milhão os empregos formais destruídos nesta recessão, nos dados acumulados em 12 meses até agosto, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho.

Até o começo do ano, economistas estavam surpresos com a robustez do mercado de trabalho, em meio a uma fraca atividade econômica. A expansão do Produto Interno Bruto (PIB) havia caído abaixo de seu potencial em 2013 e 2014, mas as empresas procuraram não demitir. O receio era não conseguirem repor a mão-de-obra quando houvesse a recuperação econômica, depois que mudanças demográficas e programas sociais reduziram a oferta de trabalho. Agora, com uma recessão profunda e ainda sem perspectivas de acabar, o ajuste nas folhas salariais ocorre com mais força.

O total de desempregados nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE chegou próximo de dois milhões de pessoas em agosto, uma alta perto de 50% em relação ao mesmo mês do ano passado. A falta de trabalho tem se agravado, em particular, na faixa de idade entre 25 e 49 anos, cuja taxa de desemprego subiu de 4% para 6,6%, sempre na comparação entre agosto de 2014 e de 2015 “Isso preocupa porque essa população pode ser arrimo de família, quem sustenta a casa”, disse o coordenador da pesquisa de emprego e salário do IBGE, Cimar Azeredo.

Não menos grave é o aumento do desemprego entre jovens, entre 18 e 24 anos, que passou de 12,9% para 18%. A oferta de mão de obra pelos mais jovens tinha se reduzido nos últimos anos, quando o aumento da renda da família e programas sociais permitiram que essa parcela da população se dedicasse aos estudos. Agora, eles voltam ao mercado, e não acham vagas.

Também está aumentado o tempo em que trabalhadores ficam sem trabalho. Em um ano, subiu de 17,7% para 19,7% a proporção de pessoas desempregadas há mais de um ano no universo de desocupados. Quanto mais tempo alguém fica sem emprego, maior o risco de perder suas qualificações.

Relatório do banco Goldman Sachs, divulgado na semana passada, destaca que houve uma avanço de 2,2% no emprego por conta própria, sempre na comparação entre agosto de 2014 e de 2015. Isso nada tem a ver com uma maior empreendedorismo da população. Como o mercado formal de trabalho caiu 3,8%, e o informal, 4,1%, trabalhadores têm procurado se virar como podem para sobreviver.

Em agosto, foram cortadas 86,5 mil vagas com carteira assinada, segundo dados do Caged. A destruição de empregos superou as estimativas dos analistas econômicos, que em média esperavam fechamento de 72,3 mil postos de trabalho. Também ocorre num período do ano em que as empresas costumam contratar. Em agosto de 2014, o país havia criado 101 mil vagas.

Os especialistas preveem desemprego ainda maior. Economistas do Bradesco, por exemplo, esperam 60 mil cortes de vagas formais em setembro e outras 50 mil em outubro – e, até o fim do ano, seriam perdidos 1,5 milhão de postos. A consultoria Tendências projeta uma taxa média de desemprego de 7% em 2015 e de 9% em 2016.

O viés das estimativas, certamente, é de alta. O Banco Central conta com uma recessão mais profunda neste ano, de 2,7%, ante 2,2% estimados em junho. O mercado financeiro já dá como certo que a contração econômica vai se repetir em 2016, com um encolhimento adicional de 0,8%.

O quadro, que já era preocupante, tende a se agravar com o fortalecimento do dólar e aumento dos juros futuros, depois da crise fiscal criada pelo governo e Congresso com a revisão das metas de superávit primário, uma proposta orçamentária desastrada e a ameaça de derrubada de vetos. As condições financeiras sofreram aperto adicional e as expectativas de agentes econômicos foram novamente abaladas. Se nada for feito para corrigir o problema fiscal, esses eventos financeiros negativos vão se transmitir para a economia real, levando a novos cortes de empregos.

Valor Econômico – 28/09/2015

 

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Setores que se beneficiam na atual cena econômica

O Estrategista

Por André Rocha

Escolher segmentos econômicos que devam apresentar bom desempenho na conturbada conjuntura – PIB em queda, inflação alta, juros elevados, rebaixamento do risco soberano, déficit fiscal, crise política – parece uma tarefa hercúlea. Um analista irreverente poderia indicar escritórios de advocacia criminal, pois esses tendem a se beneficiar dos processos decorrentes da Operação Lava-Jato. Mas essa opção serviria apenas aos bacharéis em direito com inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Brincadeiras à parte, a análise fundamentalista apresenta instrumentos que podem nos ajudar a selecionar os setores e, por consequência, as ações de empresas que melhor devem navegar no cenário recessivo atual.

A análise fundamentalista apresenta duas abordagens. A primeira é a “top-down” na qual o analista projeta as variáveis macroeconômicas e escolhe os segmentos que melhor devem se aproveitar do cenário estimado. Assim, por exemplo, com juros elevados, evitam-se as empresas endividadas. Já na segunda ótica, a “bottom-up”, o analista se aprofunda sobre as demonstrações contábeis da companhia, esquecendo-se um pouco da conjuntura econômica e escolhendo as empresas que apresentem estabilidade e consistência financeira. Assim, mesmo que o segmento de atuação da companhia não seja beneficiado no momento, a empresa deve apresentar bom desempenho em um horizonte de longo prazo.

Assim, o investidor que queira escolher ações que se beneficiem da atual cena econômica devem adotar a análise “top-down”. E o que nos diz as projeções? Economia recessiva, juros elevados, inflação alta, moeda brasileira depreciada. Nesse caso, a escolha deve (ou deveria) recair sobre ações de beta baixo. O que é isso? São ações de companhias cujas receitas são mais estáveis, menos dependentes do ciclo econômico. São, em regra, empresas que vendem produtos essenciais.

O setor elétrico, em tese, seria uma boa aposta, pois o consumo de energia não tende a se reduzir acentuadamente mesmo em períodos de crise. Além disso, os contratos de concessão são reajustados pela inflação o que é interessante em um momento de índices de preço em alta. Contudo, a estiagem provocou um risco hídrico. O sistema tem aumentado a utilização da energia advinda das térmicas a fim de poupar as reservas das hidrelétricas. Com menor geração, as empresas hidrelétricas não possuem energia suficiente para honrar seus contratos, devendo buscar essa diferença no mercado à vista, cujos preços estão elevados o que aumenta as despesas e reduz o resultado. Além disso, o governo atual alterou o arcabouço regulatório, o que fez com que algumas empresas tivessem que devolver parte dos seus ativos como Copel, Cemig e Cesp, reduzindo a geração de caixa.

Descartado o setor elétrico, vamos analisar as possibilidades decorrentes da desvalorização cambial. De acordo com o Banco Central, o real depreciou-se 25% desde dezembro de 2011 em relação a uma cesta de moedas de 15 países que representam em torno de 60% do comércio exterior brasileiro. As ações das empresas de papel e celulose – Fibria, Suzano e Klabin – vêm aproveitando o bom momento. Outras com exportação relevante e ativos no exterior como as de alimentos JBS e BRF também se beneficiam.

TESTE

Apesar da economia em recessão, os grandes bancos tem apresentado bom desempenho graças aos juros altos. A partir do início do aperto monetário empreendido pelo Banco Central, Bradesco e Itaú Unibanco apresentaram forte elevação dos lucros em decorrência da elevação dos “spreads” e ganhos com tesouraria.

TESTE

Outras instituições de serviços financeiros também têm apresentado resultados consistentes. Tomando por base os resultados encerrados em junho de 2015, Cetip e Cielo tiveram crescimento médio anual do lucro de 17,1% e 20,6%, respectivamente, desde 2011.

TESTE

Companhias de fidelidade como Smiles e Multiplus também se beneficiam dos juros em alta, pois, ao contrário da maioria das empresas não necessita de capital de giro, pois o resgate dos pontos só ocorre em um momento posterior. Enquanto os recursos permanecem no caixa, a empresa gera uma receita financeira que se eleva conforme os juros sobem.

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Valor Econômico – 27/09/2015

Redação On setembro - 28 - 2015
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