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Tera-feira, 26 de Setembro de 2017






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Argentina teme invasão de produtos brasileiros

A desvalorização contínua do real colocou em alerta a indústria argentina, que, além de perder compradores no Brasil (principal destino das exportações do país), passou a temer uma enxurrada de produtos brasileiros no seu mercado.

Empossado nesta terça-feira (22) na presidência da União Industrial Argentina (UIA), Andrián Kaufmann, presidente-executivo da empresa de alimentos Arcor na Argentina, demonstrou preocupação com a competição de produtos brasileiros, que, com a desvalorização do real, ficaram 30% mais baratos só neste ano.

“A Argentina é o principal mercado de produtos industriais do Brasil. Ou seja, nos preocupa as duas coisas [as exportações e as importações do Brasil], por isso falamos também da necessidade de proteger a indústria argentina do que pode acontecer”, disse o executivo.

Sem acesso ao mercado internacional de crédito, a Argentina mantém desde 2011 controles rígidos à importação. Isso vem contendo as compras de produtos brasileiros nos últimos anos, o que é alvo de constantes queixas de empresários do Brasil.

A Argentina, porém, comprometeu-se na OMC (Organização Mundial do Comércio) em eliminar a mais famosa de suas restrições, as DJAIs (declaração juramentada de autorização à importação), até 31 de dezembro deste ano.

Kaufmann, porém, adiantou que elas terão sobrevida.

“Sabemos que as DJAIs terminam no fim do ano, mas pelo que ouvimos haverá entre 60 e 90 dias mais até que elas sejam eliminadas por completo”, afirmou.

O presidente-executivo da Arcor acrescentou que ficou no ar se o novo presidente argentino adotará outras medidas de proteção comercial. O mandato de Cristina Kirchner termina em 10 de dezembro.

“Há setores mais sensíveis que outros e que necessitam de um tempo para superar essa conjuntura. Hoje a realidade é que as DJAIs vão deixar de existir, e o que sabemos é que todos os países têm distintas formas de proteger a sua indústria. Acredito que o governo que virá também o fará”, respondeu ele à Folha.

Segundo ele, a crise econômica no Brasil está afetando exportadores argentinos de maneira generalizada, mas as queixas mais frequentes vêm dos setores automotivo e de frutas. As vendas argentinas para o Brasil recuaram 23% de janeiro a agosto ante o mesmo período de 2014.

Para o economista argentino Marcelo Elizondo, da consultoria DNI, a desvalorização brasileira está desmascarando a baixa competitividade da indústria argentina, que é particularmente afetada pelos aumentos de custos provocados por uma inflação que ronda 27% ao ano segundo cálculos de consultorias –o dado do governo, contestado, aponta alta de 14,7%.

“As importações do Brasil só não pesam mais na Argentina porque o governo está restringindo as compras”, disse o economista.

“Mas quando a nova administração, que assume em 10 de dezembro, regularizar as importações, corre-se o risco de que os produtos brasileiros tenham muita facilidade em entrar na Argentina. Por isso, sim, é uma ameaça.”

Folha de S.Paulo – 24/09/2015

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Atividade industrial menor reforça temor com a China

Um indicador privado da atividade industrial chinesa caiu para o seu nível mais baixo dos últimos seis anos e meio. O recuo expõe os desafios que a economia chinesa enfrenta num momento em que seus velhos motores de crescimento estão negando fogo.

Uma venda em massa mundial dos ativos de maior risco ganhou impulso depois que a medida preliminar do Índice dos Gerentes de Compras, apurada pela Caixin Media e consultoria Markit Economics, caiu para 47 pontos em setembro. O resultado foi inferior às expectativas e ao índice de 47,3 pontos de agosto. Indicadores estão abaixo de 50 pontos desde março, o que indica contração.

A meta de crescimento do premiê chinês Li Keqiang, de cerca de 7% para este ano, está sendo contestada pela queda da atividade industrial e das exportações, enquanto o setor de serviços e o consumo ainda resistem. O presidente Xi Jinping, em visita aos EUA, minimizou o temor de enfraquecimento da economia. Num discurso em Seattle, reiterou que a China manterá crescimento de médio a alto.

O excesso de capacidade “numa série de setores, bem como a fragilidade da demanda, tanto interna quanto externa, continuam sendo os principais desafios enfrentados pelos setores manufatureiros”, escreveu em relatório Grace Ng, economista de China do JPMorgan Chase em Hong Kong. Ela disse que o nível da oferta de produtos acabados, que subiu ao segundo maior patamar da história, “aponta para novos obstáculos à atividade industrial no curto prazo”.

O Índice Composto da Bolsa de Xangai fechou com queda de 2,2%, em 3.115,89 pontos, enquanto o Índice Hang Seng, de Hong Kong, recuou 2,3%. O yuan “offshore” sofreu sua maior depreciação das últimas três semanas, tendo registrado queda para 6,4328 em relação ao dólar ontem em Hong Kong.

O baixo resultado da atividade industrial “refletiu principalmente a fraca demanda externa”, disse a economista Julia Wang, do HSBC, em Hong Kong. “Pelo fato de a China ter lançado um grande número de medidas pró-crescimento nos últimos meses, a demanda interna chinesa pode ter se estabilizado.”

Wang prevê mais respaldo da política econômica e mais um corte, de 150 pontos-base, no depósito compulsório imposto aos maiores bancos. Disse que o índice da Caixin cobre empresas mais expostas às exportações, e que indicadores poderão mostrar nas próximas semanas que a economia chinesa não está tão anêmica.

Os indicadores de produção, novas encomendas e nível de emprego caíram a um ritmo mais acelerado, de acordo com a pesquisa.

“A nova curva descendente do Índice dos Gerentes de Compras da indústria redobra as pressões para que o governo permita que as forças do mercado guiem a desvalorização do yuan no câmbio com o dólar antes do fim do ano”, escreveu William Adams, economista da PNC Financial Services.

Refletindo a desaceleração dos antigos motores do crescimento da China, os investimentos em ativos fixos tiveram nos primeiros oito meses do ano seu ritmo de expansão mais lento dos últimos 15 anos, e a produção industrial ficou aquém das estimativas de analistas em agosto. Desativações temporárias de fábricas em Pequim e nas províncias adjacentes para a parada militar de 3 de setembro, na capital, também podem ter se refletido no setor manufatureiro.

Para a presidente do Fed (o BC dos EUA), Janet Yellen, que se referiu ao receio com as perspectivas da China para explicar sua decisão de não elevar as taxas de juros neste mês, o enfraquecimento dos dados pode reforçar os argumentos em favor da prudência, escreveu o economista Tom Orlik, da Bloomberg, em nota. “Os dados da Caixin não mudam fundamentalmente o quadro, mas a fragilização dos números entre o dia de hoje e a próxima reunião do Fed, no fim de outubro, obviamente reforçará a posição em favor da cautela.”

O indicador oficial chinês de produção industrial caiu em agosto para seu nível mais baixo dos últimos três anos. O índice de serviços teve resultado melhor, num momento em que os novos motores da economia contribuem para sustentar o panorama de crescimento. Indicadores alternativos, como dados extraídos da ferramenta de busca mais empregada na China, da maior loja on-line do pais e de sua principal rede de cartões bancários, sinalizam estabilização da economia chinesa.

Economistas da Nomura Holdings dizem que há risco de redução da estimativa de crescimento do PIB, de 6,9% no terceiro trimestre. “Continuamos a prever uma política monetária de fomento ao crescimento”, diz nota. “Mantemos a previsão de que a política fiscal desempenhará papel maior para impulsionar o crescimento.”

Valor Econômico – 24/09/2015

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Crise na Volkswagen ameaça prejudicar a economia alemã

O escândalo na Volkswagen abalou o establishment político-empresarial da Alemanha, e analistas alertam para o risco de a crise na montadora crescer a ponto de tornar-se a pior ameaça à maior economia da Europa.

A Volkswagen é a maior montadora de carros e uma das maiores empregadoras da Alemanha, com mais de 270 mil funcionários da empresa no país. Suas fornecedoras têm um número ainda maior.

O executivo-chefe da empresa, Martin Winterkorn, pagou caro pelo escândalo de fraude em testes de emissões de gases, e renunciou ontem. Agora, economistas tentam avaliar o impacto do caso numa economia até então saudável.

“De uma hora para a outra, a Volkswagen tornou-se um risco de perdas para a economia alemã maior do que a crise da dívida grega”, disse Carsten Brzeski, economista-chefe do ING. “Se as vendas da Volkswagen desabarem na América do Norte nos próximos meses, isso terá impacto não apenas na empresa, mas na economia alemã como um todo”, afirmou.

A Volkswagen venceu quase 600 mil carros nos EUA em 2014, cerca de 6% do total mundial, de 9,5 milhões de unidades.

A Agência de Proteção Ambiental dos EUA disse que a empresa poderia receber multas de até US$ 18 bilhões, mais do que todo seu lucro operacional em 2014. Embora o valor da multa esteja mais do que coberto pelos € 21 bilhões que a empresa tem atualmente em caixa, o escândalo levanta temores de grandes cortes de empregos.

A maior preocupação do governo alemão é que outras montadoras, como a Daimler e a BMW, possam sofrer impactos colaterais com o desastre da Volkswagen. Não há indícios de irregularidades em nenhuma das duas, e alguns analistas dizem que tais impactos seriam limitados.

O governo alemão pronunciou-se ontem dizendo que a indústria automotiva continuará sendo um “importante pilar” da economia, apesar do agravamento da crise na Volkswagen. “Este é um setor altamente inovador e muito bem-sucedida na Alemanha, com muitos empregos”, disse uma porta-voz do Ministério da Economia.

Analistas, contudo, dizem que é exatamente essa dependência em relação ao setor automotivo que pode tornar-se uma ameaça para a economia, cuja previsão de expansão para este ano é de 1,8%. A Alemanha já vai ter de enfrentar a desaceleração da economia chinesa.

“Se as vendas de automóveis caírem, isso pode atingir fornecedores e, com eles, toda a economia”, disse Martin Gornig, especialista no setor do centro de estudos DIW.

Em 2014, cerca de 775 mil pessoas trabalhavam no setor automotivo na Alemanha. É quase 2% de toda a força de trabalho.

Além disso, automóveis e autopeças são as exportações de mais sucesso da Alemanha – o setor vendeu mercadorias no valor de mais de € 200 bilhões a clientes no exterior em 2014, quase 20% das exportações totais alemãs.

“É por isso que esse escândalo não é coisa pequena. A economia alemã foi atingida em seu cerne”, disse Michael Huether, chefe do instituto econômico alemão IW.

Também há quem diga, entretanto, que o impacto na economia como um todo não será exagerado. “Não creio que a indústria automotiva alemã venha a ser agrupada como uma só”, disse Joerg Kraemer, economista-chefe do Commerzbank. “Não vai haver uma recessão apenas por uma única empresa”, acrescentou.

A associação de comércio exterior alemã, BGA, também tentou acalmar a opinião pública e destacou não haver sinais de que os clientes no exterior estejam começando a duvidar da qualidade e confiabilidade das empresas alemãs. “Não há uma suspeita geral contra produtos com o selo ‘Made in Germany’ “, disse o diretor-gerente da BGA, Andre Schwarz.

Ele admite, no entanto, que há certa preocupação entre as empresas alemãs de que o escândalo por tentar enganar os testes de emissão de carros a diesel nos EUA possa ter um efeito dominó em seus negócios, corroendo o tão apreciado selo “Made in Germany”. Alguns observadores também veem certa ironia no escândalo.

A economia alemã conseguiu desafiar a crise da dívida da zona do euro e, por enquanto, a desaceleração da economia chinesa, mas agora pode se deparar com uma de suas próprias empresas originando seu maior risco. “A ironia é que a ameaça agora poderia vir de dentro, e não de fora”, disse Brzeski.

Valor Econômico – 24/09/2015

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Membros do Fed não descartam alta de taxa básica neste ano

Após o Federal Reserve decidir manter os juros próximos de zero e passar uma mensagem considerada “dovish” (inclinada ao afrouxamento monetário) por muitos analistas, alguns diretores do banco central americano fizeram discursos em sentido contrário, enfatizando que o mais provável é que as taxas comecem a ser elevadas ainda neste ano.

Após a reunião do Fed da semana passada, o mercado passou a considerar uma probabilidade menor de os juros subirem em dezembro. É possível que agora o Fed esteja querendo calibrar as expectativas, lembrando que seu “plano A” ainda é dar início ao ciclo de aperto monetário em 2015. Se as adversidades externas – leia-se a desaceleração de países emergentes, especialmente a China – evoluírem dentro do esperado, sem prejudicar as perspectivas para a economia americana, a maior parte do comitê ainda está disposta a subir as taxas este ano.

Os discursos de membros do Fed parecem tentar preparar o terreno e tranquilizar o mercado, não apenas indicando que há intenção por parte do banco central de começar a subir os juros até o fim do ano, mas também afirmando que o ritmo do aperto será bem gradual e que a economia será capaz de receber este movimento.

Na opinião do estrategista de países do G-10 do Standard Bank, Steven Barrow, o Fed só irá subir o juro em dezembro se o mercado estiver embutindo nos preços esta ação. Na reunião da semana passada, os contratos de juros futuros americanos consideravam menos de 30% de chance de o Fed elevar os juros, e Barrow acredita que esse percentual tem que ser significativamente mais alto para o banco central se sentir confortável em agir. “Isso significa que o Fed precisa estar suficientemente convencido de que o nível de antecipação é suficiente para que uma alta de juros não cause enormes efeitos colaterais adversos”, afirma Barrow, em relatório a clientes.

Dentre os discursos de membros do Fed feitos nos últimos dias, o mais enfático foi o de Dennis Lockhart, presidente do Fed de Atlanta, que tem direito a voto no comitê neste ano. Ontem, ele argumentou que ainda é provável que o Fed eleve as taxas de juros este ano e disse que a decisão de setembro foi apertada, embora ele tenha votado a favor da manutenção. Em outro discurso, na segunda-feira, Lockhart disse que “nada em dezembro iria impedir uma alta de juros pelo Fed” e que a reunião de outubro continua sendo uma oportunidade para alterar as taxas.

O presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, afirmou em discurso que o crescimento lento da China “não é novidade” e disse que é possível que um “pouso forçado” da economia chinesa seja algo que não se consiga evitar. Ele reiterou sua oposição à decisão do banco central de manter os juros estáveis na semana passada e disse que o Fed deveria “agir cedo e agir gradualmente”, já que, com aumentos graduais nas taxas de juros, a política monetária americana continuará acomodatícia pelos próximos três anos.

Jeffrey Lacker, presidente do Fed de Richmond, foi na mesma linha de Bullard, defendendo que, mesmo após a elevação, as taxas continuarão acomodatícias. “Eu defendi elevar em 0,25 ponto percentual a taxa de juro neste encontro. Mesmo depois de uma alta de 0,25 ponto, os juros continuarão excepcionalmente baixos”, afirmou o diretor, que é membro votante do Fomc este ano e foi o único dissidente da decisão do comitê da semana passada. Segundo o executivo, a economia dos EUA já está forte o suficiente para justificar uma alta dos juros. “É hora de reconhecer que foi alcançado um progresso substancial e alinhar as taxas de acordo com isso”, disse ele.

Valor Econômico – 24/09/2015

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Para Passos, inserção externa exige “liderança de governo”
BRASIL
Flavia Lima e Fernando Taquari
De São Paulo

A reinserção do Brasil no mercado internacional depende, dentre outros fatores, de uma redução unilateral de tarifas de importação e de uma revisão do modelo de conteúdo local, disse Pedro Luiz Passos, presidente do conselho de administração da Natura e ex-presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Em seminário ontem em São Paulo, Passos foi enfático ao afirmar que, mesmo com a vantagem aparente de câmbio mais competitivo, o Brasil deve demorar a se reinserir no cenário internacional, pois tem sido pouco agressivo no front externo, ao limitar parcerias e grandes acordos comerciais. Para chegar lá, disse ele, o país precisa abandonar a postura protecionista.

Essa agenda, disse ele, é “dura” porque mexe com interesses corporativos. “Mas não é com consulta empresarial que se resolve. É preciso ter liderança de governo”, disse Passos. O empresário defendeu ainda que o Mercosul seja “revisto de alguma forma”.

Atrelado ao acordo, afirmou ele, o Brasil está perdendo oportunidade de se aproximar dos países de peso.

“Inserção externa é uma avenida que não está sendo devidamente explorada”, disse ele, contribuindo sobremaneira para a baixa produtividade do país.

No mesmo evento, durante debate com Passos, o embaixador e ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero concordou que a abertura gradual da economia é necessária, assim como os esforços para aumentar a competição e a imposição de limites temporais para subsídios concedidos a determinados setores. Ricupero ponderou, no entanto, que isso não pode ser feito com “choques”. “As coisas são mais complexas do que parecem”.

Segundo Ricupero, nas discussões sobre abertura comercial, os países-com algumas exceções como Cingapura-foram graduais nas reduções de tarifas, com destaque para os asiáticos, “notáveis pela parcimônia com que avançam”. Essa parcimônia, disse ele, se aplicaria, sobretudo, à China, bastante habilidosa em suas negociações. “Para quem é negociador comercial, isso [a abertura irrestrita] soa como ingenuidade.

Não se dá nada sem ter alguma coisa”, enfatizou.

Ricupero afirmou ainda que, no esforço de abertura comercial, algumas medidas são “irrealizáveis”e significariam “liquidar” setores, como o siderúrgico e o petroquímico. “Temos 80 anos de história. Não dá para dizer que a indústria automobilística foi um grande equívoco, vamos começar tudo de novo”, disse.

Passos afirmou ainda não ser contra políticas industriais, mas disse ser necessário articulá-las com inovação e uma nova política de comércio exterior.

Para ele, as empresas transnacionais poderiam funcionar como plataformas de inserção externa,como a indústria automobilística, que já teve uma participação maior nesse jogo, disse.

Valor Econômico – 24/09/2015

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Contendo a desaceleração chinesa

Por Lee Jong-Wha

Especialistas adoram debater sobre as perspectivas de crescimento da China e, ultimamente, é o lado dos pessimistas que está em vantagem. Muitos deles, porém, baseiam suas previsões nas experiências de outras economias, apesar de o crescimento econômico chinês nos últimos 30 anos ter contrariado todos os esquemas. Então, será que as perspectivas econômicas da China são tão ruins quanto a noção predominante parece indicar? E, se forem tão ruins, como podem melhorar?

A situação da China, certamente, é séria. A economia cresceu 7,4% em 2014, menor taxa desde 1990; é improvável que alcance a meta de expansão de 7% traçada para este ano e, segundo o Fundo Monetário Internacional, deverá crescer meros 6,3% em 2016. Claramente, a fraca atividade doméstica e a diminuição da demanda externa vêm cobrando seu preço.

A China também perde impulso para o crescimento de longo prazo, já que as quedas no índice de natalidade e no retorno sobre os investimentos enfraquecem a expansão da força de trabalho e o acúmulo de capital. E a China encontra cada vez mais dificuldade para aproveitar os ganhos de produtividade decorrentes da tecnologia.

A China deveria reduzir sua meta de crescimento para cerca de 6% nos próximos anos. Assim poderia promover as reformas profundas que são necessárias para levar a economia a um caminho de crescimento de longo prazo mais equilibrado e sustentável.

Todos esses desafios levaram Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, e seu colega de Harvard, Lant Pritchett, a argumentar que o crescimento da China poderia desacelerar-se para algo entre 2% e 4% nos próximos 20 anos, com o país sucumbindo ao padrão histórico predominante implicado pela “regressão à média”. No entanto, como o padrão de crescimento da China até agora foi excepcional, parece improvável a ideia de que, de repente, comece a seguir uma trajetória comum.

O ponto de vista de Justin Lin, ex-economista-chefe do Banco Mundial é similarmente falho. Lin argumenta que a China pode ter crescimento anual de 8% por mais 20 anos, graças à persistência de sua “vantagem de recém-chegado”, que, entre outros fatores, inclui os altos ganhos de produtividade trazidos pelo espaço para equiparação tecnológica em relação aos EUA. Isso, contudo, não leva em conta a teoria de crescimento padrão da “convergência condicional”: apenas economias com características estruturais comparáveis convergem para níveis de renda per capita similares.

Por esses motivos, tenho um ponto de vista moderado e projeto que a expansão média do Produto Interno Bruto (PIB) potencial da China vai cair para 5% a 6% em 2030. Essa expectativa é baseada em uma estrutura de convergência condicional baseada nos dados gerados pela experiência única de crescimento da China, assim como pelos números de outras economias, nos últimos 30 anos.

Diferentemente de Lin, acredito que a inevitável desaceleração econômica da China chegará em breve. Diferentemente de Summers, contudo, não acredito que necessariamente será terrível. A chave para esse cenário é que os líderes da China direcionem a economia para um caminho de crescimento mais equilibrado e sustentável, baseado em expectativas realistas.

O primeiro passo em qualquer estratégia eficiente precisa ser reconhecer que, em uma economia tão grande e imprevisível, o governo precisa adotar reformas para aumentar a produtividade e para neutralizar a pressão negativa sobre o crescimento.

Reformas no “mercado de fatores” – trabalho, terra e finanças – são essenciais. Os líderes da China precisam melhorar a flexibilidade do mercado de trabalho e a mobilidade do trabalho; tornar o uso, aquisição e remuneração da terra mais eficientes; e construir um sistema financeiro mais voltado ao mercado.

Como está estruturado, o sistema financeiro da China é altamente regulado e dominado por bancos, muitos dos quais estatais. Para mudar isso, o governo precisa promover uma alocação de crédito baseada no mercado. A China precisa de um setor financeiro eficiente e flexível, sustentado por um mercado de capital efetivamente regulado e supervisionado, para dessa forma evitar bolhas de ativos e apoiar firmas inovadoras e produtivas.

Da mesma maneira, políticas para promover uma atualização industrial e inovação tecnológica contínua podem aumentar a produtividade. E medidas para aumentar a capacidade de pesquisa doméstica – por exemplo, fortalecendo a proteção da propriedade intelectual – podem fomentar a inovação.

A reforma do imenso segmento de empresas estatais da China também elevaria a produtividade. As recém-anunciadas reformas das estatais são um passo promissor. Além de promoverem o controle misto (envolvendo capital privado), o fortalecimento da governança corporativa e a facilitação de operações comerciais, também prometem abrir os setores de energia, recursos naturais e telecomunicações a investidores não estatais.

Esses esforços para aumentar a produtividade são ainda mais importantes porque a China vem mudando de um crescimento puxado pelas exportações e investimentos para um modelo mais sustentável, baseado nos serviços e no consumo doméstico. Realocar recursos dos setores orientados à exportação para atividades de serviços poderia causar uma queda irreversível na produtividade.

Da mesma forma, embora políticas que encorajem as firmas a elevar salários possam aumentar a renda familiar e o consumo doméstico, os aumentos salariais podem corroer a competitividade das exportações e conter a entrada de investimentos externos diretos. Como é improvável que apenas políticas de reequilíbrio consigam elevar substancialmente o crescimento médio da produção, aumentar a produtividade é crucial para a prosperidade de longo prazo da China.

A peça final do quebra-cabeça para a China é o realismo. O governo chinês, por sua posição atual, está interessado em manter um crescimento decente, em torno a 7% ao ano, enquanto pressiona por reformas e por um reequilíbrio. O risco é que, até as reformas fazerem efeito, as autoridades possam recorrer a estímulos de curto prazo para cumprir as metas de crescimento, agravando a má alocação de recursos e as vulnerabilidades estruturais.

Considerando que a dívida total da China atingiu 282% do PIB em 2014 – superando o nível da dos EUA-, a concessão irresponsável de mais empréstimos a governos locais e empresas privadas pelo setor bancário paralelo deixaria a economia refém do crescente risco de uma crise financeira.

Para evitar tal resultado, a China deveria reduzir sua meta de crescimento para cerca de 6% nos próximos anos. Dessa forma, poderia promover as reformas profundas que são necessárias para levar a economia a um caminho de crescimento de longo prazo mais equilibrado e sustentável.

Lee Jong-Wha, professor de economia e diretor do Instituto Asiático de Pesquisas, na Universidade da Coreia. Copyright: Project Syndicate, 2015.

www.project-syndicate.org

Valor Econômico – 24/09/2014

Redação On setembro - 24 - 2015
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