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Região Sudeste puxou retração nas vendas externas neste ano até agosto

São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo ampliaram o volume de suas vendas, mas viram as receitas provenientes de exportações caírem neste ano. A região é a mais afetada pela instabilidade do comércio internacional.

Os ganhos com exportações caíram 18% no Sudeste, de US$ 77,8 bilhões para US$ 63,5 bilhões. A diminuição aconteceu mesmo com o aumento no volume de produtos vendidos, que cresceu de 198 milhões de toneladas para 220 milhões de toneladas. Esses resultados aparecem na comparação entre os oito primeiros meses de 2014 e igual período deste ano.

O problema é visto, em menor escala, em todo o País. Os ganhos caíram também nas regiões Norte (-26%), Centro-Oeste (-20,4%), Sul (-11%) e Nordeste (9,7%). Ainda que as perdas em receita no Sudeste não tenham sido as maiores, o valor proporcional das vendas cai quando se adiciona à conta o volume dos produtos negociados. A região só não ampliou mais a porção exportada do que o Nordeste, superando as variações registradas nas demais regiões.

“Parte das vendas do Sudeste é composta por manufaturados. Grande parcela desses produtos é exportada para países do Mercosul e encara barreiras comerciais”, explica Antônio Carlos Alves dos Santos, professor de economia da PUC-SP. “Isso acontece, principalmente, nas negociações com a Argentina, e pode explicar a diminuição dos ganhos apesar do aumento do volume exportado”, conclui o economista.

Vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Fábio Faria segue o raciocínio de Santos: “Os automóveis, vendidos para países da América do Sul, valem menos hoje, o que afeta essa alteração no saldo”. O especialista também destaca as vendas de commodities pelos estados da região: “São Paulo exporta bastante açúcar, produto que teve queda grande de preço; Minas Gerais tem o mesmo problema com o minério de ferro; e o Rio de Janeiro passa por essa situação com o petróleo”. Sobre os produtos citados vendidos por cariocas e mineiros, Faria ressalta que “são pesados, o que causa aumento do volume, e têm preço baixo proporcionalmente, com consequente queda nas receitas”.

Na comparação entre os oito primeiros meses de 2014 e igual período deste ano, São Paulo negociou quase dois milhões de toneladas a mais e ganhou US$ 4 bilhões a menos. Espírito Santo fez exportações superiores em oito milhões de toneladas e teve receitas inferiores em US$ 1 bilhão. Rio de Janeiro vendeu sete milhões de toneladas a mais e recebeu US$ 4 bilhões a menos. O resultado mais surpreendente foi registrado em Minas Gerais: o volume subiu em cinco milhões de toneladas e as receitas caíram mais que US$ 5 bilhões no mesmo período.

Faria lembra que o cenário é visto em todo o País. “Vivemos uma piora dos termos de troca no Brasil. O preço dos produtos vendidos caiu muito. O aumento do volume das vendas acontece como uma tentativa para compensar essa queda.” Ele completa: “Quando há maior quantia exportada, os custos operacionais, como os relacionados a frete e seguro, aumentam. Por isso, a receita líquida, atualmente, diminui ainda mais”.

‘Câmbio favorável’

A desvalorização recente do real, intensificada neste ano – na sexta-feira, um dólar custava mais que R$ 3,85 – ameniza o impacto da diminuição dos ganhos, mas não altera o caminho traçado pela economia brasileira. “Há dois movimentos que afetam o País: o primeiro indica que o setor industrial, responsável por produtos de maior valor agregado, tem sua participação no PIB reduzida. O segundo é a queda na demanda de commodities, que diminui o preço desses bens”, diz Santos.

Para o professor, o enfraquecimento da indústria acontece por causa do “aumento nos salários desse setor, da defasagem estrutural e, até pouco tempo atrás, do real valorizado”. A depreciação da moeda brasileira pode ser positiva nesse sentido: “com câmbio favorável, pode haver melhora na competitividade do setor industrial”, afirma o economista. Por outro lado, Santos não acredita em um aumento no valor das commodities, já que esse cenário “depende de um crescimento da demanda chinesa e não há indicação de que isso vá acontecer”.

Com as importações caindo mais que as exportações, a balança comercial brasileira segue positiva neste ano, em 7,3 US$ bilhões até agosto.

DCI – 14/09/2015

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Argentina, Venezuela e Equador são os parceiros mais complicados

Com sérias dificuldades econômicas e em meio a crises político- institucionais, Argentina, Venezuela e Equador são os países mais problemáticos para se fazer negócios na América do Sul, na opinião de empresários brasileiros de médio e grande porte que exportam para a região. Os parceiros comerciais menos reclamados são Uruguai, Paraguai e Bolívia. Os dados fazem parte de um estudo inédito da Confederação Nacional da Indústria ( CNI), repassado ao GLOBO com exclusividade.

A forte concorrência de países de fora, como China, União Europeia ( UE), entre outros; o excesso de burocracia; as barreiras não tarifárias; e os problemas de transporte e logística estão entre os principais obstáculos citados pelos 150 médios e grandes empresários de 20 setores, entre os quais, automotivo, de alimentos, de máquinas e equipamentos, de químicos, de metalurgia e têxteis. São pedras no caminho que causaram perdas até agora irreparáveis ao comércio do Brasil com a região.

— A Argentina, principal destino das nossas exportações, tem sistematicamente nos imposto barreiras tarifárias e cotas totalmente inadequadas e inaceitáveis em uma zona de livre comércio como o Mercosul. Do outro lado, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Peru têm se mostrado parceiros cada vez mais significativos para o Brasil, com um ambiente de negócios favorável e pouco burocrático, inclusive para investimentos bilaterais. E com a Colômbia também há uma grande oportunidade de negócios. Precisamos acelerar o processo de nosso acordo comercial — disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil ( Abit), Rafael Cervone.

EXPORTAÇÕES ESTAGNADAS
As exportações brasileiras para a América do Sul estão estagnadas desde 2011. Em 2014, o saldo comercial com a região, de US$ 6,9 bilhões, foi o menor dos últimos dez anos. As vendas de bens industrializados aos mercados sul- americanos estão abaixo do nível pré- crise, de 2008. Com a perda de competitividade brasileira, outros países estão aumentando sua presença, com destaque para os europeus e a China.

O economista Fabrizio Panzini, um dos autores do estudo da CNI, denominado “Interesses da Indústria na América do Sul”, explicou que as duas modalidades de barreiras não tarifárias mais mencionadas pelos exportadores brasileiros foram inspeção sanitária e requisitos técnicos, largamente adotados por Argentina e Venezuela. Outro problema com esses dois países e com o Equador é a instabilidade da situação cambial, o que afeta diretamente o fluxo de comércio na região.

Chile, Colômbia e Peru precisam ser conquistados pela promoção comercial. Com colombianos e peruanos, especificamente, o Brasil também trabalha pela redução das tarifas de importação.

— Colômbia, Chile e Peru fazem parte da Aliança do Pacífico, que é o grande foco da indústria brasileira na América do Sul — disse o economista, acrescentando que, enquanto esses países estão fechando acordos comerciais com diversos mercados, como União Europeia, Estados Unidos e China, o Mercosul vai ficando de fora.

Para o presidente da Associação Nacional dos Veículos Automotores ( Anfavea), Luiz Moan, a exportação é um caminho fundamental para que as empresas do setor possam sobreviver. Sobre a necessidade de acordos bilaterais para aumentar o intercâmbio de veículos e autopeças, Moan brincou:

— Estou virando caixeiro- viajante, para acelerar os acordos. Já fechamos um acordo com o Uruguai recentemente e, dentro de duas semanas, esperamos chegar a um entendimento com a Colômbia — ressaltou o presidente da Anfavea.

RECESSÃO DE 7% NA VENEZUELA
Um setor que pode servir de exemplo positivo nessa empreitada é o químico, que já tem o comércio liberalizado com todos os países da região. É o que afirma a diretora de assuntos de comércio exterior da Associação Brasileira da Indústria Química ( Abiquim), Denise Naranjo.

— A América do Sul é o principal destino de nossas exportações. Estamos longe de ter esse problema.

Junto com o Brasil, Argentina e Venezuela são os únicos, entre os vizinhos sul- americanos, que terão retração em suas economias este ano. No caso dos venezuelanos, a baixa atingirá 7%, conforme projeção do Fundo Monetário Internacional ( FMI). Para a Argentina, o FMI prevê uma queda de 0,3% no PIB.

O Globo – 14/09/2015

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Crise exportada aos ‘ hermanos’

O agravamento da crise econômica brasileira já começa a ultrapassar as fronteiras e afetar os países vizinhos da América Latina. Até agora, esses efeitos eram restritos aos parceiros comerciais mais próximos do Brasil. Porém, a retirada do selo de bom pagador do país, após o rebaixamento pela agência Standard & Poor’s ( S& P), pode estender as consequências da crise brasileira para outras economias da região, já abaladas pela desaceleração global, o freio no crescimento chinês e a queda no preço das principais commodities exportadas pela América Latina. A região deve crescer apenas 0,5% este ano, no pior desempenho desde a crise global de 2009.

Segundo dados compilados pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe ( Cepal), a Argentina é o país mais vulnerável à crise brasileira. De tudo que exporta, 20,8% têm como destino o Brasil. Integrante do Mercosul, o Paraguai também vende muito para compradores brasileiros — 30,8% do total. Já a Bolívia, que vende gás para o país, tem 29,7% de sua pauta de exportações ligada à economia brasileira.

— A Argentina é a mais afetada, porque o Brasil aumentou seu saldo comercial com esse país no primeiro semestre e porque nossa integração intraindustrial ( intercâmbio de produto numa mesma indústria) é maior lá. As exportações da Bolívia para o Brasil caíram em valor, devido à queda do preço do gás no mercado internacional, mas em quantidade houve aumento de exportações de gás boliviano ao Brasil — afirma Antonio Prado, secretário executivo adjunto da Cepal.

PIB DA REGIÃO TERÁ O PIOR RESULTADO DESDE 2009
A entidade estima que a América Latina crescerá só 0,5% neste ano. O número modesto é influenciado por uma previsão de retração de 1,5% do PIB brasileiro — mais otimista do que a média das projeções dos analistas do mercado, que veem contração de 2,4%. Maior país da região, com um PIB de US$ 2,35 bilhões — quase o dobro do México, que terminou 2014 com US$ 1,28 bilhão, segundo dados do Fundo Monetário Internacional ( FMI) — o Brasil é determinante para as estatísticas da América Latina. Afinal, a economia brasileira responde por 40% do PIB da região.
Mas o efeito da contração brasileira não é distribuído igualmente por todos os países.

— O número não significa que o Brasil afete diretamente o crescimento de toda a América do Sul. Por um motivo simples: os países que têm exportações significativas para o Brasil são basicamente os do Mercosul. Os andinos ( como Peru e Chile) têm poucas exportações para o país. A nossa integração comercial com eles é muito pequena. Para se ter uma ideia, o Brasil, nas exportações colombianas, tem um peso de 3%. Para o Equador tem peso de 0,5% — afirma.

Se são menos afetados pelas relações comerciais, países de fora do Mercosul correm risco de se contaminarem com o agravamento das incertezas causado pela deterioração dos indicadores brasileiros, que acabam dando o tom da economia regional. No início de setembro, o ministro da Economia do Peru, Alonso Segura, disse que a crise brasileira é mais um fator de risco para o país, que, assim como outros emergentes, sofre com a desaceleração da China e com a turbulência causada pela expectativa de elevação dos juros nos EUA.

— Há novos riscos que se somam a este horizonte de fontes externas, um deles é o desempenho da maior economia da região, que é nosso vizinho Brasil, que está em uma recessão que está se acentuando. Isso tem um impacto direto no Peru através de suas relações econômicas, mas também pelo efeito de incerteza que pode gerar na região — disse Segura, em discurso ao Congresso peruano no dia em que apresentou o projeto do Orçamento para 2016.

O efeito sobre a confiança de investidores deve ser o maior motivo de preocupação para economias como o Peru, segundo analistas. Para o economista Paulo Eduardo Nogueira Gomes, da AZ FuturaInvest, o risco é que os países vizinhos sejam julgados pelo desempenho do Brasil, a maior economia da América Latina.
— O que vai determinar é se a percepção de risco é maior e a avaliação se a região está indo ou não para o caminho certo — afirma.

RISCO DE INVESTIDOR POR ‘ TODOS NO MESMO SACO’
A economista Lia Valls, da Fundação Getulio Vargas ( FGV), destaca que sempre se considera o risco de que investidores coloquem “todos no mesmo saco” na hora de tomar decisões, embora lembre que, quando a Argentina anunciou o calote de sua dívida externa em 2001, pouco foi sentido fora de Buenos Aires.

— É mais uma questão sobre como fica a imagem da América Latina. Na década de 1990, quando teve a crise no México, esses fundos agiram olhando mercados regionais. Não sei até que ponto hoje eles distinguem ou colocam todo mundo no mesmo saco — diz a especialista.

O economista Alberto Ramos, que acompanha América Latina pelo banco Goldman Sachs, descarta um efeito manada dos fundos. Para ele, o mercado tem capacidade de distinguir cenários distintos nos países. O Chile, por exemplo, tem nota AA- pela S& P, considerado grau de investimento e sete degraus acima da nova nota brasileira, BB+.

— Quando a maior economia está passando um período difícil não é algo bom. Mas o investidor é sofisticado o suficiente para fazer diferenciação — afirma Ramos, que prevê retração de 0,4% do PIB da América Latina. — Há uma recessão que se aprofunda. Tem a Argentina também em recessão e com uma transição política complicada; a Venezuela com problemas institucionais gravíssimos; as pequenas economias andinas em desaceleração e o México que cresce menos. É um quadro não muito inspirador.

O Globo – 14/09/2015

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China vive desaceleração próxima a pouso forçado, diz analista do CFR

A economia chinesa vive uma desaceleração substancial, próxima a um pouso forçado, diz Robert Kahn, pesquisador-sênior do centro de estudos Conselho de Relações Exteriores (CFR, na sigla em inglês). Para ele, a falta de transparência torna muito difícil saber o quanto exatamente o país cresce, mas um número na casa de 4% parece “mais perto da verdade” do que os 7% que foram anunciados oficialmente como o resultado do segundo trimestre.

Kahn observa que o problema não é apenas econômico, mas também político. “Nós estamos preocupados não apenas porque o crescimento é baixo, mas também porque a resposta do governo foi muito inadequada e incorreta”, afirma ele, especialista em economia internacional. As autoridades chinesas têm adotado uma postura errática na condução da política monetária e da política fiscal, além de terem feito intervenções pesadas nos mercados, depois do crash das bolsas, nota Kahn.

“Além de isso não ser visto como crível no longo prazo, também quer dizer que os preços não têm significado para as pessoas”, diz Kahn, que tem passagens pelo FMI, o Banco Mundial e o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), além do Citigroup. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Valor: A economia chinesa passa por um pouso forçado?

Robert Kahn: O que nós vemos é bastante próximo do que eu e você chamaríamos de um pouso forçado. A desaceleração é muito substancial. É possível ver isso em muitos indicadores, como os do setor manufatureiro, na capacidade ociosa e também em observações sobre o que ocorre nas principais cidades. Nós estamos bastante próximos de um pouso forçado. Ainda é um crescimento positivo, [mas] muito mais lento do que eles já tiveram e muito mais lento do que eles reconhecem. Isso é um problema para a economia? Sim, mas também é um problema político. Nós estamos preocupados não apenas porque o crescimento é baixo, mas também porque a resposta do governo foi muito inadequada e incorreta.

Valor: Alguns dizem que a China está crescendo muito menos de 7%. O sr. concorda com essa avaliação?

Kahn: Concordo. É difícil dizer, porque a economia e as políticas do governo não são transparentes, mas muitos analistas acham que o país pode estar crescendo 4%, o que parece mais perto da verdade.

Valor: Antes, havia a avaliação de que as autoridades eram competentes e sabiam conduzir a economia. Essa crença acabou?

Kahn: Antes, os mercados tinham uma confiança impressionante de que a China tinha uma economia forte, muitas reservas e a disposição e a capacidade de lidar com qualquer choque. Isso foi obviamente abalado.

Valor: Quais os erros das autoridades chinesas que o sr. destacaria?

Kahn: Algumas vezes eles apertam a política monetária, em outras oportunidades, eles a relaxam. As autoridades também usaram a política fiscal para tentar compensar a desaceleração em alguns momentos, mas de um modo considerado inadequado pelos mercados. O mais importante, contudo, é que não houve nenhuma transparência sobre qual é a estratégia. Parece uma combinação de medidas que não estão bem coordenadas. Além disso, desde que o crash do mercado começou, eles fizeram intervenções pesadas, para reduzir o volume de negócios e tentar forças as empresas a comprar ações. Mais recentemente, eles tentaram punir pessoas que escrevem relatórios para contar a verdade. Além de isso não ser visto como crível no longo prazo, também quer dizer que os preços não têm significado para as pessoas. Não há nenhum motivo para você olhar para os preços atuais e dizer que eles são de equilíbrio ou são sustentáveis, porque resultam dessa intervenção pesada. É outro motivo para não se investir no país, porque não se tem confiança nos preços.

Valor: Como o sr. analisa a mudança na taxa de câmbio?

Kahn: Com o estouro da bolha no mercado acionário e o relaxamento da política monetária, começou a haver grandes fluxos de saída de capitais. Eles necessitavam deixar sair alguma pressão, e uma desvalorização era o correto a fazer. Eu não chamo isso de guerra cambial, porque não acho que eles a fizeram simplesmente para ganhar alguma vantagem competitiva, mas para conseguir mais equilíbrio na economia doméstica. E também é verdade que eles queriam liberalizar o mercado cambial havia algum tempo, e isso envolve a inclusão do yuan na cesta da moeda do FMI. É uma boa mudança. [Mas] Acho que ela foi conduzida de modo pobre e surpreendeu o mercado. Como o governo não foi transparente, ele criou um pouco de pânico. No fim, tenha em mente que a taxa de câmbio contra o dólar se moveu menos de 4% em agosto. O movimento foi muito modesto, mas criou enorme turbulência, muito maior do que a mudança do câmbio poderia justificar. Isso ocorreu por causa da incerteza.

Valor: O pânico no mercado de ações e a volatilidade causada pela mudança no câmbio podem parar as reformas em direção a uma economia com maior presença do mercado?

Kahn: Acho que pode justificar um movimento mais agressivo em direção a uma maior ênfase do papel dos mercados, mas também pode ser uma desculpa para não fazer reformas. E eu me preocupo que possa predominar o segundo motivo.

Valor: Como a turbulência vai afetar a economia global? Quais os países que serão mais afetados?

Kahn: A mudança de fato na taxa de câmbio não foi muito significativa. O efeito [maior] é sobre preços de commodities e outros preços de ativos, como ações. Ela afeta mais os países que têm maior comércio com a China e são grandes exportadores de commodities, como muitos mercados emergentes, incluindo o Brasil.

Valor: Nos últimos anos, houve o aumento da influência da China na África e na América Latina, por meio de investimentos estrangeiros diretos e empréstimos. Como a desaceleração da China vai afetar esse processo?

Kahn: Acho que, num primeiro momento, isso vai fazer os chineses quererem investir mais no exterior, não menos. Da perspectiva da China, poderá haver mais investimento internacional. A economia interna está desacelerando e há tremenda capacidade ociosa, o que agora tem sido reconhecido. As melhores oportunidades estão em outros lugares.

Valor: A China tem ajudado a financiar alguns países problemáticos, como a Venezuela. Eles podem mudar essa abordagem?

Kahn: Com o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura [AIIB], há um reconhecimento de que pode ser melhor fazer parte do financiamento internacional por meio dessas instituições multilaterais do que bilateralmente. Se você olhar os padrões a serem adotados, eles querem sair do tipo de empréstimo ao qual você se refere, para fazê-los com um caráter mais comercial.

Valor: O atual momento pode afetar a relação com os EUA?

Kahn: Em alguns momentos de crise, os países se juntam e resolvem problemas comuns. Em última instância, não acho que a taxa de câmbio seja a questão que mais divide os EUA e a China. Questões como segurança cibernética, direitos de propriedade intelectual e compras governamentais são mais importantes e problemáticas. Mas, se você seguir o debate no Congresso americano, a taxa de câmbio é algo que causa muita raiva. A China ser transparente e lidar bem com essa crise seria positivo para as relações entre os dois países.

Valor Econômico – 14/09/2015

 

Redação On setembro - 14 - 2015
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