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Sexta-feira, 19 de Julho de 2019






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Ajuste está aquém do necessário, diz Arminio

Para Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central e sócio da Gávea Investimentos, a meta de superávit primário perseguida pela equipe econômica é insuficiente para estancar o aumento da dívida bruta diante da alta dos juros e da deterioração das perspectivas de crescimento da economia. Para colocar a dívida (tanto líquida quanto bruta) em trajetória de queda como proporção do PIB, seria necessário resultado primário superior a 3% do PIB.

Em entrevista ao Valor, ele diz que no ano passado, quando foi o principal assessor econômico da campanha de Aécio Neves (PSDB), seus cálculos indicavam necessidade de um ajuste fiscal de 3% do PIB, a ser alcançado ao longo de três anos, até 2017.

De lá para cá, as premissas usadas perderam a validade. A equipe que elaborou o programa de Aécio previa a recuperação da economia já no segundo semestre deste ano e reformas que levariam a capacidade de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) para 3% a 4% ao ano. Os juros reais seriam de cerca de 4% ao ano.

Hoje, o governo paga 6,5% reais ao ano na dívida pública, e a média de crescimento da economia tende a ficar em 1% no segundo mandato de Dilma Rousseff, afirma. “A continuar nesse passo, a dívida chegará a 100% do PIB rapidamente, em quatro a cinco anos.”

Arminio diz que o governo deveria “fazer mais e melhor” e cuidar da qualidade do ajuste, preservando investimentos públicos e fazendo reformas pró-crescimento, para restabelecer a confiança e expandir o PIB. “O receio é que se fique no pior dos mundos. Faz um certo ajuste, mas o investimento não decola”, afirma. Ou seja, aprofunda a recessão “e ainda vão dizer que foi culpa da austeridade; que foi pouca e mal feita.”

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor:A guinada na política macroeconômica coloca o país no caminho certo?

Arminio Fraga: O caminho geral de fazer um ajuste após as eleições, com grandes desafios nas áreas fiscal, monetária, cambial e, igualmente importante, ajustes setoriais, está sendo parcialmente atendido. Mas, infelizmente, o que estamos vendo hoje está longe do necessário.

Valor:Por que?

Arminio: Na área fiscal, existe uma necessidade quantitativa e qualitativa bastante grande. Não é fácil fazer essa correção quando a gestão máxima do país continua nas mesmas mãos. Isso cria constrangimentos. Penso que o ajuste poderia até ser feito ao longo de três anos, mas teria que ser maior. Esse é o lado fiscal.

Valor:E como andam os outros ajustes macroeconômicos?

Arminio: Na área monetária, penso que é saudável essa inflação corretiva. Mas faz tempo que anda acima de 6%. É esperado que a inflação neste ano suba. O objetivo de chegar a 4,5% no ano que vem é bastante ambicioso, mesmo com o estado lastimável da economia. Esse é o desafio número dois.

Valor:Quais são os demais?

Arminio: No balanço de pagamentos, e aqui eu concordo parcialmente com o governo, existe um problema no preço de nossas exportações que é bastante sério. Isso não ajuda. Hoje o Brasil, apesar de estar com nível de atividade muito fraco, provavelmente entrando em recessão, ainda tem um déficit em conta corrente alto em um ambiente difícil para nós e que, potencialmente, pode ficar mais difícil também lá fora quando o Fed se mexer. E há os grandes temas que seriam de natureza mais qualitativa, setorial, um imenso trabalho por fazer.

Valor:Quais setores?

Arminio: O setor de petróleo de forma geral e a Petrobras, mais especificamente. E o setor de energia, onde infelizmente um programa de racionalização, redução de consumo, já deveria ter começado. Agora, em função das mexidas feitas no setor, os preços estão na estratosfera. Além disso, tem a seca, no final de um processo sem planejamento e que, portanto, não produziu o investimento necessário. O risco, que é altíssimo, seria maior se a economia estivesse crescendo. Depois há temas de natureza microeconômica.

Valor:Quais?

Arminio: Eles dizem respeito a tudo o que interrompeu os ganhos de produtividade. Isso inclui todo o mundo regulatório, que afeta os dois setores que mencionei e os outros também. O Brasil deveria estar vivendo um “boom” de investimentos de infraestrutura. Tem o sistema tributário distorcido, repleto de isenções desprovidas de justificativa econômica ou social. O mesmo se pode dizer da grande parte dos subsídios concedidos através dos bancos públicos, sobretudo do BNDES. Isso gera um quadro de alto risco e de alto custo de oportunidade quando se pensa no crescimento.

Valor:Consertando tudo isso estaria resolvido o problema do baixo crescimento?

Arminio: Em outras áreas também vejo muito espaço para o governo melhorar. A educação certamente está no topo da lista. A não inserção do Brasil na economia mundial é muito preocupante. O Brasil está, em função disso tudo, com juro real de longo prazo de 6,5%. É um número que não tem paralelo e assusta.

Valor:Por quê?

Arminio: Hoje, a dívida bruta está em cerca de 70% do PIB. O país está com toda pinta de que vai crescer 1% ao ano no próximos quatro anos. Se as coisas continuarem do jeito que estão, talvez possa até ser menos. Com juro real de 6,5% e um primário também difícil de corrigir, e que está sendo corrigido na marra – com corte de investimentos e aumento da carga tributária -, estamos falando de uma dinâmica da dívida bem perversa.

Valor: Sobre a qual incide um juro implícito de 20%…

Arminio: Pois é. Usando os juros reais de 6,5%, com resultado primário pequeno e um PIB que não cresce, é possível que a dívida aumente uns cinco pontos percentuais do PIB por ano. A continuar nesse passo, a dívida vai para perto de 100% do PIB rapidamente, em quatro a cinco anos. Não é uma trajetória que dê tranquilidade a ninguém.

Valor:Qual é a meta de superávit primário necessária para dar sustentabilidade à dívida?

Arminio: Lá atrás, na campanha, eu imaginava levar o primário para até 3% do PIB. Isso teria que ser feito com total transparência e em uma discussão bem diferente da atual. No contexto atual…

Valor:3% do PIB seria o esforço necessário para estancar a dívida?

Arminio: Para colocar a dívida em trajetória declinante. Num país que tem o juro que temos e que ainda não chegou a um modelo de crescimento adequado, isso seria necessário. Nas atuais circunstâncias, o superávit primário teria que ser mais alto ainda.

Valor:O que mudou no cenário desde as eleições?

Arminio: Tudo.

Valor:O crescimento será menor, é isso?

Arminio: Eu imaginava que o Brasil fosse caminhar tranquilamente para crescer 3% a 4% rapidamente, acho que no segundo semestre do ano, como aconteceu em 1999. E com o juro real bastante menor, sei lá quanto seria, mas 4% no longo prazo é alto para um país arrumado. Nesse contexto, as coisas se estabilizariam com superávit primário menor. Bem menor.

Valor:Do ponto de vista macroeconômico, um superávit fiscal feito na marra fica muito a dever a um superávit mais estrutural?

Arminio: Fica, claro que fica. As coisa são feitas de maneira não sustentável. O governo precisa investir mais. Essa discussão tem que acontecer. Em ambiente de crescimento o ajuste fica mais viável.

Valor:A equipe econômica sustenta que, ao consertar a macroeconomia e restabelecer a confiança, voltará o crescimento. O que o sr. acha da afirmativa?

Arminio: É genérica e, portanto, como quase toda afirmativa genérica, tende a ser correta. Mas é acreditar que muita coisa vai mudar e os primeiros sinais não são esses. É mais o desejo de alguns do que uma realidade neste momento.

Valor:Então, o sr. não acredita que a confiança vai se restabelecer agora?

Arminio: Não, não acredito. Diria que no momento está acontecendo o oposto. A confiança vem caindo. Teria que acontecer uma virada impressionante.

Valor:O discurso da presidente é que essa é uma crise temporária e que no segundo semestre estará superada.

Arminio: Não vejo assim com tanta facilidade, infelizmente.

Valor:E em 2016?

Arminio: Por enquanto, também não. Sou brasileiro, moro aqui, minha vida profissional está aqui e gostaria muito que isso acontecesse. Vocês estão me pedindo respostas analíticas e não meu desejo. Vejo isso com muita dificuldade, infelizmente.

Valor:Os subsídios deveriam ser todos revistos para melhorar o funcionamento da economia?

Arminio: Estamos com essa política há muito tempo e o resultado está aí, sem deixar dúvidas: não está gerando mais investimento, mais produtividade e nem mesmo melhora na distribuição de renda. Gerou, sim, um monstro de corrupção, de lobby. É tudo desperdício e precisa mudar. Não da noite para o dia. E requer um trabalho paralelo que, de certa maneira, compense esse período de ajuste.

Valor:Como assim?

Arminio: Precisa desmontar a coisa a partir de uma análise bem feita de tudo. O geral me parece totalmente equivocado. Em contrapartida, junto com o trabalho mais estrutural na área fiscal, isso traria uma queda nos juros. Que seria muito bem-vinda para todos, e não só para quem acessa as linhas baratas, cujo custo nem é transparente. Enfim, precisaria caminhar para uma economia mais arrumada, uma infraestrutura melhor, uma reforma tributária caprichada. Aí você poderia ir desmontando as distorções. E também limitar o gasto público, fazendo com que o gasto crescesse menos do que o PIB.

Valor:O limite ao crescimento do gasto deveria ser estabelecido em lei, mais institucional?

Arminio: Teria que se discutir e fazer o que fosse necessário. Não quero minimizar as dificuldades, mas acho que é possível. Nesse ambiente político-policial-econômico nada disso é muito fácil. Mas o caminho existe.

Valor:O governo acena com uma reforma tributária que inclui mudar o PIS/Cofins, em que tudo vira crédito, e unificar o ICMS. A proposta é boa?

Arminio: O detalhe é razoavelmente bem conhecido. Crédito financeiro e uniformização das regras, na área do ICMS em particular, em que cada Estado tem suas regras, que não se entendem entre si. Seria possível fazer uma drástica simplificação, que desoneraria imensamente a vida de quem produz e teria impacto extraordinário.

Valor:As reformas permitiriam maior crescimento do PIB?

Arminio: O conjunto do que nós estamos falando faria o Brasil crescer a 4% mole, mole. Como o Brasil é um país com renda per capita de menos de 20% da renda per capita dos países avançados, existe um espaço enorme para crescer.

Valor:O governo já não está cortando subsídios e reduzindo o papel dos bancos públicos?

Arminio: Teria que ser feito mais e melhor. O ministro da Fazenda fez um belo discurso de chegada. A questão é fazer. Não quero descartar a possibilidade de que seja feito. Hoje, a sensação que se tem é que vai ser feito esse ajuste meio na marra. Mas o lado da confiança, que poderia compensar, não está vindo e não está claro que vem. Isso complica tudo e faz com que a economia política das reformas fique ainda mais difícil.

Valor:O aumento da TJLP não foi na direção certa?

Arminio: Teve aumento, mas inferior ao aumento da Selic. É um processo e deve haver uma direção clara de até onde se deseja que isso vá. Como o lado qualitativo não vem, surge o receio de que você fique no pior dos mundos: faz um certo ajuste, mas o investimento não decola.

Valor:Aprofunda a recessão?

Arminio: Aprofunda a recessão. Olha só o drama. E ainda vão dizer que foi culpa da austeridade. Que foi pouca e mal feita. E, assim mesmo, tudo indica que ela vai levar a culpa.

Valor:Como rever o papel dos bancos públicos sem pesar mais a mão na economia?

Arminio: É verdade que eles sinalizaram isso, o BNDES ia ter menos capital para trabalhar. Já tem um balanço enorme, vai reciclar uma parte. Para isso acontecer e a economia não sentir teria que ter do outro lado um mercado de capitais pujante, que ocupasse esse espaço, inclusive para capital de risco, dinheiro em bolsa. Mas o custo de capital está muito alto, não há muita disponibilidade.

Valor: A agenda do governo para o crescimento, que incluiu o realismo tarifário e a readequação da taxa de retorno dos projetos, não fala também em mais financiamento privado?

Arminio: Esse é um bom caminho. Assim como também a depreciação do câmbio, embora ponha pressão no curto prazo, é muito bem-vinda. São fatores positivos. Mas, ainda assim, o consenso é de que vai ter queda no crescimento e que esse trabalho qualitativo vai ser feito com dificuldades. Mexe com muitos interesses, com convicções ideológicas enraizadas do grupo no poder. Não é trivial. Depois, dentro da aliança política que está aí, o quadro parece difícil.

Valor:Essa equipe econômica não teria, então, condições de levar o país a um bom porto?

Arminio: Acho que o Joaquim [ministro da Fazenda, Joaquim Levy] e o Tombini [presidente do Banco Central, Alexandre Tombini] podem fazer a diferença. A presença deles é positiva, destoa. É como se o Joaquim fosse escalado numa equipe que, de certa maneira, não é muito a dele. Não resolve tudo. Precisa ser algo com mais convicção e que venha de forma muito mais ampla.

Valor:Para trocar o sinal da confiança, então, só trocando de governo?

Arminio: Não chegaria a tanto. Não ouso me meter nessa área. Penso que esse governo poderia mudar. Mas é uma mudança pouco provável na magnitude necessária para fazer o país crescer. E do ponto de vista do clima, está ficando cada vez mais tenso. O governo segue com uma estratégia de tentar tapar o sol com a peneira, como sempre enrolando, mentindo, e agora acirrando os ânimos no país. Isso também não ajuda. Ninguém se sente bem. Falam do exército de um, exército de outro. Não vejo isso com a cara boa não.

Valor:A oposição não está a reboque dos movimentos de rua e do acirramento dos ânimos?

Arminio: Não sou do ramo, mas entendo que a oposição não quer parecer oportunista com relação aos movimentos. Acho que a oposição vai ter que se posicionar com clareza tanto na crítica quanto na construção de um país melhor e penso que isso será feito.

Valor:O sr. acha factível reduzir a inflação a 4,5% em 2016?

Arminio: Acho difícil. Tem que fazer uma simulação com a hipótese de que tudo vai se estabilizar e isso, no momento, talvez não seja um cenário tão fácil.

Valor:O que seria essa hipótese de “tudo se estabilizar”?

Arminio: O lado da oferta da economia funcionar melhor; o câmbio achar o seu nível e parar esse processo de alta. Talvez até o câmbio, nesse ano, passe do nível correto e possa, no ano que vem, voltar um pouco. Do lado dos preços públicos, a situação do setor elétrico se acalmar, começar a se resolver para permitir uma queda de tarifas em algum horizonte de tempo, talvez no ano que vem seja muito cedo. No lado da Petrobras, o governo foi de um lado para o outro. A Petrobras estava sangrando, depois estava recompondo um pouquinho o caixa, mas não muito, porque o câmbio deve ter comido bastante desse espaço. A inflação para este ano está sendo revisada para 8% ou acima de 8%. Tem a inércia, que é um risco também. Muita coisa teria que dar certo para se chegar à inflação de 4,5% em 2016.

Valor:Mas estaria na direção para chegar a 4,5% logo adiante, em, algum momento de 2017?

Arminio: Faz tempo que a inflação não anda por lá. Então é saudável ter certo grau de ceticismo. Eu respeito. Este ano estamos tendo um quadro recessivo, o BC já aumentou bastante os juros. Claramente o governo está se mexendo.

Valor:O mercado está empurrando o BC para uma alta de juros de 0,75 ponto percentual em abril.

Arminio: Acho que a realidade é que está. O mercado não tem essa força toda. Ele espelha o que está acontecendo. Às vezes, exagera para um lado ou para o outro. Mas é o quadro geral que preocupa.

Valor:O dólar subiu muito, pouco acima de R$ 3,20. Isso já resolve o balanço de pagamentos?

Arminio: Houve perda relevante nos preços das exportações. Isso põe pressão no câmbio e na inflação. Com a queda relevante na relação de trocas e perda de confiança na economia, não dá pra dizer que, nesse nível, o câmbio, dadas as circunstâncias, seja um exagero.

Valor:É suficiente para reduzir o déficit de conta corrente dos atuais 4% do PIB para algo como 2%?

Arminio: Acho possível que, com recessão e câmbio, o déficit em conta corrente vá cair. Mas não é bom que caia assim.

Valor:Como se faz o ajuste do porte que tem que ser feito em um ambiente recessivo. Alguém fez isso? A Grécia? A Espanha?

Arminio: A Grécia fez na marra porque não tinha financiamento. Aqui também o governo não tem colocado papel de longo prazo, há um número enorme, não sei de cabeça, rolado no over.

Valor:Cerca de 25% da dívida está sendo rolada no overnight. Esse quadro nos levaria a um colapso?

Arminio: Não diria isso. Mas pode vir uma recessão dura e prolongada. Depende também do quadro político. Hoje há tensões por todos os lados.

Fonte: Valor Econômico

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Para BC, inflação de 4,5% em 2016 é factível

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, reiterou ontem que é “factível” o objetivo de levar a inflação ao centro da meta no ano que vem.

Segundo ele, o Comitê de Política Monetária (Copom) vai se manter vigilante “para assegurar que a inflação mensal em patamar elevado fique circunscrita aos primeiros meses de 2015 e, principalmente, para assegurar a convergência da inflação acumulada em 12 meses para o centro da meta em 2016”.

Em apresentação num evento do Goldman Sachs, em São Paulo, Tombini elencou cinco fatores que ajudarão a levar a inflação a 4,5% no próximo ano. Além da tradicional afirmação de que a política monetária ficará “vigilante”, o presidente do BC apontou um alinhamento das políticas macroeconômicas; a concentração do “significativo” reajuste de preços administrados no primeiro trimestre de 2015; um mercado de trabalho “menos tensionado” e, por último, o comportamento dos preços das commodities e o enfraquecimento de moedas como o euro, que ajudam a mitigar os efeitos da alta do dólar.

O presidente do BC afirmou que a política monetária tem levado em conta o fato de que a economia brasileira está crescendo abaixo de seu potencial, “qualquer que seja esse potencial”.

No início de sua palestra, Tombini destacou que 2015 será um ano de transição para a economia brasileira, que passa por um ajuste “importante e necessário” para retomar o crescimento sustentável. “O governo federal está adotando amplo, profundo e consistente conjunto de medidas fiscais, que inclui contenção de despesas correntes e parafiscais, eliminação de subsídios, realinhamento de tarifas públicas, bem como medidas de cunho mais estrutural”, disse.

A expectativa do mercado de que o presidente do BC aproveitaria a ocasião para dar algum sinal sobre a prorrogação do programa de swaps cambiais foi frustrada. Tombini não mencionou o assunto em sua apresentação e, questionado sobre o tema, não deu nenhuma pista. Ele disse que a decisão do Banco Central sobre a continuidade do programa será tomada “nas próximas semanas”. A oferta de contratos de swap cambial está prevista até o dia 31.

O presidente do BC disse que o programa foi criado para oferecer proteção ao setor produtivo não financeiro diante da percepção do Banco Central, há dois anos, de que haveria uma transição na política monetária global.

Anteontem, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, sinalizou que a oferta de swaps cambiais será encerrada. “O BC já anunciou que a política é de rolar suas posições. Mas prefiro que o Tombini fale sobre isso”, disse em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE). Ontem, Barbosa disse ao Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor, que cabe ao BC decidir sobre a continuidade do programa.

No evento do Goldman Sachs, Tombini destacou que a economia global continua em recuperação, mas de forma desigual. Enquanto os Estados Unidos se consolidam como principal motor da economia mundial, a Europa mantém níveis de atividade fracos e os países emergentes apresentam perda de dinamismo.

Segundo ele, o conjunto de indicadores de atividade positivos nos EUA pode dar suporte a uma elevação dos juros americanos. “O consumo naquele país tem se expandido e registrou em 2014 a maior contribuição ao Produto Interno Bruto dos últimos anos. O mercado de trabalho tem mostrado consistente recuperação e fortalecimento, e já há sinais iniciais de aumento de salários”, ressaltou.

Enquanto Tombini discursava, o Fed, banco central americano, anunciava o resultado de sua reunião de política monetária. Como se esperava, foi retirada do texto do comunicado a palavra “paciência”, abrindo caminho para uma possível elevação do juro básico. Porém, os membros do BC americano esperam que o ritmo dos aumentos seja menos agressivo do que se projetava em dezembro.

Para Tombini, o processo de valorização do dólar é um fenômeno global e com implicações para os Estados Unidos, que podem perder um pouco do ímpeto da expansão econômica, e também para outros países.
Fonte: Valor Econômico

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Levy diz que espaço para atenuar tributos é pouco e pode ficar menor

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, avisou o comando do Congresso que o governo aceita mudanças no projeto que reduz a desoneração da folha de pagamento, mas disse que o “espaço” para concessões é pequeno e pode ficar ainda menor se a medida não for votada rapidamente.

A proposta anterior, enviada como medida provisória e devolvida pelo Senado, aumentava as alíquotas de 56 setores incluídos na desoneração. As que pagavam 1% do faturamento teriam que pagar 2,5%. As que pagavam 2% passariam a pagar 4,5%.

Nesta quarta, Levy reuniu-se com os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a fim de pedir rapidez na votação da proposta, que será reencaminhada ao Congresso, segundo o ministro, “nos próximos dias”.

Sobre as alterações, Levy afirmou que o governo está “discutindo os contornos do que isso pode ser”. “Ainda não definimos qual tratamento desse contorno, mas ele deve estar atendendo às necessidades de financiamento da Previdência, do setor público, ao mesmo tempo em que facilite, responda algumas preocupações do setor privado, da mão de obra.”

Segundo a Folha apurou, o governo deve ceder principalmente no caso dos setores intensivos de mão de obra, para evitar aumento de demissões –num momento em que já ocorre corte de vagas no mercado de trabalho.

Uma das possibilidades em estudo é reduzir o aumento das alíquotas proposto antes. Outra hipótese é poupar alguns setores da mudança.

“Foi uma conversa boa em que nós pudemos discutir perspectivas econômicas, a nova situação econômica do Brasil”, disse Levy, depois de sair do gabinete de Cunha.

Segundo o ministro, a conversa tratou também da perspectiva econômica de médio prazo. “Falamos da importância de criar base fiscal que nos permita ter segurança nos próximos anos, de tal maneira que as pessoas tenham tranquilidade para investir.”

Cunha disse achar positiva a iniciativa de Levy de discutir as medidas. “Se todos que querem aprovar matérias fizessem desse jeito, facilitaria muito, principalmente se viessem antes de as matérias serem oferecidas”, afirmou o presidente da Câmara.

O governo ainda não decidiu se reencaminhará a proposta como projeto de lei com pedido de urgência ou emenda a uma medida provisória que já esteja tramitando.

Essa segunda opção é a defendida pelos técnicos, porque aceleraria a sua aprovação. A estratégia, porém, depende de aval do presidente do Senado.

Fonte: Folha São Paulo

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Brasil entrará em recessão este ano, na avaliação da OCDE

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê que o Brasil entrará em recessão em 2015. A estimativa, divulgada ontem, reúne as principais economias desenvolvidas do planeta. Entre 11 países e regiões econômicas listadas nas previsões da OCDE, o Brasil é o único que deve ter contração neste ano.

A previsão da OCDE para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2015 caiu de uma expectativa de alta de 1,5%, conforme cenário divulgado em novembro de 2014, para um recuo de 0,5%. Entre os demais emergentes, a China deve crescer 7% e a Índia deve avançar 7,7%. A previsão para a China caiu 0,1 ponto ante novembro e para a Índia subiu 1,3 ponto porcentual.

Para 2016, a estimativa para o Brasil também piorou e a aposta da OCDE de crescimento foi reduzida de 2% para 1,2%. Apesar de estar no campo positivo, a previsão para o País é a mais fraca do grupo. O País deve crescer menos que a Itália (+1,3%) e o Japão (+1,4%) em 2016. Entre os emergentes, a China deve desacelerar para 6,9% e a Índia deve acelerar a 8% no próximo ano.

Fonte: DCI

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Corte em abono e seguro-desemprego chega a R$ 6,9 bi

O Orçamento deste ano, aprovado ontem pelo Congresso, já prevê um corte dos gastos com seguro-desemprego e o abono salarial de cerca de R$ 6,9 bilhões sobre o realizado em 2014 e de R$ 11,6 bilhões sobre a despesa projetada para este ano.

O projeto que irá a sanção presidencial estima em R$ 47 bilhões a despesa total com esses dois programas, valor 12,8% inferior ao gasto registrado no ano passado, que foi de R$ 53,9 bilhões. Com o reajuste de 8,8% do salário mínimo este ano, a despesa sobe para R$ 58,6 bilhões, sem considerar o efeito de uma provável elevação do desemprego em decorrência da recessão econômica.

A proposta orçamentária foi feita ainda na gestão de Guido Mantega no Ministério da Fazenda, no ano passado, mas já antecipava parte substancial dos efeitos da MP 665 que nem havia sido encaminhada ao Congresso. Os deputados e senadores ainda não aprovaram a medida provisória, mas já avalizaram o corte de gastos com o abono salarial e com o seguro-desemprego dela decorrente.

Fonte: Valor Econômico

‘Superávit de 1% evita perda de grau de investimento’

Diante de um cenário para atividade econômica pior do que esperado, um superávit primário em torno de 1% do PIB, um pouco abaixo da meta de 1,2%, deve ser suficiente para evitar a perda do grau de investimento pelo Brasil, avaliam economistas em debate promovido pela Liga de Mercado Financeiro da FEA-USP. Os economistas, porém, não descartam que a Moody’s ou a Fitch, agências nas quais a nota do Brasil ainda está dois graus acima da especulativa, rebaixem o país neste ano.

Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú, estima que o superávit primário deste ano será de 0,9% do PIB, o que em sua avaliação não é um esforço desprezível, ainda que abaixo da meta sinalizada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. “É um esforço de 1,5 ponto do PIB em relação ao déficit de 0,6% no ano passado”, disse. Para ele, que chegou a considerar o cumprimento da meta fiscal em 2015, houve revisão da estimativa porque as perspectivas para economia pioraram, o que torna o cenário para a arrecadação mais complexo.

A uma plateia de estudantes, Goldfajn brincou que o primário de 0,9% do PIB será suficiente para “passar de ano raspando”.

Eduardo Loyo, economista-chefe do BTG Pactual, estima superávit primário de 1% do PIB e diz que aqui está “o milagre da reputação pessoal, da imagem de esforço que a equipe econômica transmite com programa de ajuste”. Em sua avaliação, as promessas não precisam ser cumpridas quaisquer sejam as circunstâncias, especialmente com queda mais forte da atividade, mas é importante que o governo não ceda já na primeira dificuldade. “O governo tem o benefício da dúvida e pode ter o benefício do perdão posteriormente. Pode ter superávit de 1% se as circunstâncias forem piores do que esperado, mas sem que haja impressão de que houve relaxamento”.

Resultados mais fortes logo no início do ano, como o apresentado em janeiro são importantes, disse Andre Loes, economista-chefe para América Latina do HSBC. Por enquanto, parte do ajuste ainda é de intenções, mas as medidas impressionam pela “ambição do que foi proposto”.

Fonte: Valor Econômico

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É possível lucrar com a recessão?

Não resta muita dúvida que 2015 será um ano duro para o país. É difícil imaginar um fluxo de notícias muito pior do que estamos vendo neste início de ano. O processo de deterioração econômica tem sido mais ou menos contínuo, passando por notícias relacionadas à revisão das projeções de crescimento para baixo, aumento da inflação esperada para o ano, queda abrupta no investimento, riscos crescentes de racionamento de água e energia, aumento da incerteza em relação ao processo de aprovação do ajuste fiscal em curso devido ao nítido desgaste do relacionamento entre os poderes Executivo e Legislativo no Congresso, entre outras. Isso sem falar da novela “Petrobras” e das possíveis consequências da operação Lava-Jato. Difícil não caracterizar este início de ano como sendo uma “tempestade perfeita”.

A reação dos agentes econômicos e investidores a essa enxurrada de notícias ruins tem se manifestado em diversas frentes. No fronte econômico, estamos vendo um processo de revisão contínua das projeções de crescimento para baixo. Usando o relatório Focus como base, as projeções de crescimento do PIB para 2015 saíram de 0,15% no início do ano para -0,78% no início de março. As revisões para projeção de inflação também foram negativas, saindo de 6,38% em janeiro para 7,93% atualmente.

Será que os economistas estão sendo muito pessimistas e a realidade pode se mostrar um pouco mais rósea do que as notícias atuais sugerem? Infelizmente, receio que não. Com os indicadores de confiança dos empresários e dos consumidores em níveis tão baixos quanto estão agora (inferiores inclusive ao pior momento da crise de 2008/09), é muito provável que a retração em investimentos e intenção de consumo seja ainda mais drástica do que a prevista pelos especialistas.

Adicionalmente, existe ainda o movimento de piora (já contratada) no mercado de trabalho, que deve acentuar ainda mais a sensação de falta de confiança do consumidor médio brasileiro (lembrando que um pouco menos de dois terços do PIB brasileiro vem do consumo das famílias). Nesse cenário, não é difícil imaginar uma queda do PIB para este ano mais próxima de -1,5% dos que os atuais -0,8% estimados, com repercussões ainda negativas para o crescimento de 2016. Se o governo for forçado a decretar algum tipo de racionamento formal de energia esses números podem ser ainda mais fracos.

O pior é que, mesmo com uma desaceleração relevante já contratada, a inflação não deve dar trégua no curto prazo, puxada ainda nos próximos um ou doi s meses pela recomposição no preço das tarifas públicas. São sintomas que qualquer livro-texto de economia classificaria como sendo uma “estagflação”: estagnação/recessão acompanhada de alta na inflação.

Como tirar proveito de um cenário tão difícil? Quais as estratégias de investimento que poderiam gerar algum ganho neste ambiente de grande incerteza? A primeira estratégia que vem à mente do investidor médio é comprar dólares (ou qualquer outra moeda forte). Afinal, se a situação interna está horrível, a solução seria sair do risco local e ir pra o risco global. É bem verdade que esta estratégia tem rendido bons frutos neste ano. Quem comprou dólares americanos no último dia de 2014 e deixou o dinheiro parado na conta corrente ganhou um pouco mais de 18% até meados de março. Sem dúvida alguma, uma estratégia vencedora.

A pergunta que fica, no entanto, é se essa estratégia ainda faz sentido depois do forte rali na moeda americana que vimos nos últimos dois meses. Aqui vale a pena diferenciar investimentos de curto e longo prazo. No curto prazo, não existem razões para acreditarmos que as incertezas descritas acima sumam da pauta de uma hora para outra, o que deveria continuar pressionando para cima a moeda americana. Em ambientes de incerteza como o atual, a válvula de escape tradicional do investidor local sempre foi fugir para o dólar. Esse comportamento valeu no passado e continua valendo atualmente. Assim, não seria difícil imaginar um cenário no qual o câmbio da moeda americana vá além dos R$ 3,25 atuais nos próximos meses.

Acontece que essa não é uma estratégia sem risco, principalmente para prazos mais longos. O risco dela é o de que o tempo atue contra aquele investidor comprado em moeda americana. Por quê? Porque, ao comprar dólares, o investidor abdica do direito de investir no mercado local, deixando

de ganhar os juros domésticos em troca de receber juros americanos. Como os juros lá ainda estão próximos de zero e por aqui o Banco Central continua a subir a Selic, esse diferencial de juros pesa muito conforme o tempo passa. Para ilustrar esse ponto, imagine um investidor que tenha comprado dólares hoje e resolva mantê-lo por um ano. Nesse caso, ou o dólar sobe acima de R$ 3,60 ou investidor ganharia mais fazendo uma aplicação que rendesse um pouco abaixo do CDI no mercado local. Obviamente, se o dólar subir muito no curto prazo, esse cálculo fica mais favorável ao comprador. Esse é um ponto importante: dado o rali recente do dólar, o investidor tem que continuar acreditando que a moeda americana vai continuar subindo bastante nos próximos meses. Caso contrário, ele poderia se dar melhor diminuindo sua “proteção” (ao menos parcialmente) e migrar parte dos recursos destinados a investimentos para uma classe de ativos que também oferece uma boa expectativa de retornos: os juros domésticos.

Paulo Clini é diretor de investimentos da Western Asset.

E-mail: paulo.clini@westernasset.com

Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Fonte: Valor Econômico

Redação On março - 19 - 2015
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