Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

Filiado a FIESP

Sexta-feira, 19 de Julho de 2019






Associe-se!
Clique aqui e conheça as vantagens

Dilma veta preferência generalizada por produto nacional em licitação

O governo federal vetou o artigo que generalizava a preferência para todos os produtos e serviços nacionais nas licitações públicas, em detrimento dos estrangeiros, até o ano de 2020. Trata-se do artigo 127 do projeto aprovado pelo Congresso Nacional no lugar da Medida Provisória 656/2014.

Na mensagem de justificativa dos vetos, encaminhada ao Poder Legislativo, a presidente Dilma Rousseff diz que o Executivo está discutindo o aprimoramento do modelo atual de margens de preferência e promete que apresentará oportunamente um novo desenho.

Com 50 artigos parcial ou integralmente vetados, em um total de 169, o projeto foi sancionado por Dilma, dando origem à Lei 13.097, publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira.

A versão aprovada pelos parlamentares mandava adotar margem de 25% nas licitações do governo federal. Os Estados e municípios, por sua vez, ficariam autorizados a praticar a mesma margem. Assim, mesmo até 25% mais caros que os estrangeiros, quaisquer produtos nacionais teriam preferência nas aquisições dos governos.

Ao optar pelo veto, Dilma considerou que a proposta do Congresso estenderia de modo irrestrito a margem de preferência a todos os produtos manufaturados nacionais ou serviços nacionais, sem delimitar os critérios para o benefício.

Esse tipo de incentivo a bens “made in Brazil” já existe desde 2011, quando foi lançado o programa Brasil Maior, mas sempre de modo restrito.

Cada segmento da indústria até agora tem sido beneficiado por decreto específico. As margens têm se situado entre 8% e 20%, com algumas exceções em 25%, como é o caso de motoniveladoras e equipamentos médicos. O prazo de cobertura varia de 2015 a 2017.

Fonte: Folha de S.Paulo

continue lendo:

Aumento de PIS/Cofins pode ser questionado, diz Fiesp

A elevação de PIS/Cofins sobre combustíveis teoricamente deveria obedecer a anterioridade de 90 dias, diz Helcio Honda, diretor jurídico da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo ele, será preciso verificar o texto do decreto que trará a elevação de R$ 0,22 por litro para gasolina e R$ 0,15 para diesel.

“Numa primeira análise, sem o texto do decreto, que ainda não foi divulgado, creio que seja necessário prazo de 90 dias”, diz Honda. “Não imagino como essa elevação pode ser feita com PIS e Cofins sem esse prazo.” Segundo ele, se o decreto for publicado e não ficar clara a base jurídica para a cobrança antes dos 90 dias, a aplicação imediata tem grandes chances de ser questionada.

A elevação da tributação sobre combustíveis foi anunciada segunda-feira pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Antes da divulgação das medidas pelo ministro, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, divulgou artigo no qual defendeu que o ajuste se concentrasse em corte de despesas que não comprometesse o bom andamento do serviço público, e sem que fosse “necessário sacrificar investimentos e penalizar a sociedade com mais tributos”. “Este é o nosso limite: não podemos e não vamos aceitar mais aumento de impostos”, argumentou Skaf.

Fonte: Valor

Para Marco Aurélio Mello, aumentar impostos já elevados é ‘confisco’

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou nesta terça-feira o aumento na carga tributária anunciado na segunda-feira pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o veto da presidente Dilma Rousseff à correção da tabela do Imposto de Renda. Para o ministro, o governo está “forçando a mão”. Ele disse que, diante dos impostos elevados que o brasileiro já paga, qualquer aumento percentual significa “confisco”.

— Eu fico triste quando eu percebo menoscabo em relação à ordem jurídica constitucional. O Estado tem que adotar uma postura que sirva de norte ao cidadão. Ante a carga de impostos sofrida pelos brasileiros, qualquer aumento tributário é confisco. O que eles têm que fazer é enxugar a máquina administrativa, reduzir os gastos. Na sua casa, você gasta mais do que a receita? Não. Nós brasileiros já contribuímos em muito. Esperamos que o que é arrecadado não vá pelo ralo — protestou o ministro.

Marco Aurélio lembrou que, no início do governo Lula, durante o julgamento de um processo no STF, foi o único a votar pela correção da tabela do Imposto de Renda, para que o contribuinte fosse menos onerado.

ESPAÇO FISCAL DE 4,5%

O ministro de Relações Institucionais, Pepe Vargas, disse nesta terça-feira que a presidente Dilma vai encaminhar nos próximos dias ao Congresso uma medida provisória corrigindo a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) em 4,5%.

– O governo anunciou a sua disposição, que é o que cabe dentro do espaço fiscal que temos hoje, de um reajustamento da tabela do Imposto de Renda de 4,5%, mas o Congresso aprovou 6,5%. Sempre tem alguém que diz que pode ser melhor. É da vida. O espaço fiscal que temos é de 4,5%. Então, o governo vetou os 6,5% e deve encaminhar uma nova medida provisória prevendo o reajuste de 4,5%. Agora, nos próximos dias, com certeza – afirmou o ministro.

A oposição já avisou que vai tentar derrubar o veto à correção de 6,5% do Imposto de Renda.

Fonte: O Globo

Oposição quer derrubada do veto à correção do IR em 6,5%

A oposição fez duras críticas à presidente Dilma Rousseff e avisou nesta terça-feira que vai tentar derrubar o veto à correção de 6,5% do Imposto de Renda. O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse que os brasileiros têm sido a “grande vítima da incompetência e das contradições do governo do PT”, ao criticar o veto da presidente Dilma Rousseff à correção do IR em 6,5%.

Por meio de nota, Aécio disse que a presidente está “traindo” os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral, ao aumentar impostos e cortar direitos trabalhistas. Para o tucano, ao não corrigir a tabela pela inflação de 2014, estará havendo, na prática, aumento do imposto a ser pago. Candidato do PSDB nas eleições de outubro, o tucano foi derrotado por Dilma em outubro.

Ele disse que a oposição vai “se mobilizar no Congresso para impedir que medidas que penalizam parcelas expressivas da população, em especial o trabalhador brasileiro, sejam implantadas”.

Em seguida, o senador ressaltou que a presidente tinha outra postura durante a campanha eleitoral.

“A presidente Dilma inicia o seu novo mandato cortando direitos trabalhistas e aumentando impostos. Com isso, trai os compromissos assumidos com a população durante a campanha eleitoral. Hoje, a presidente vetou o reajuste de 6,5% da tabela do Imposto de Renda para Pessoa Física (IRPF) que havia sido aprovada no Congresso Nacional com o objetivo de garantir a correção da tabela pela inflação. Na prática, isso significa que o governo está aumentando o imposto de renda a ser pago pelos brasileiros. O brasileiro tem sido a grande vítima da incompetência e das contradições do governo do PT”, diz Aécio, na nota.

Autor da emenda que incluiu na MP 656 a proposta de correção, o líder do DEM na Câmara, deputado Mendonça Filho (PE), disse que Dilma está penalizando a classe média e o trabalhador.

A oposição vai atuar em duas frentes: tentar derrubar o veto presidencial e reapresentar a emenda prevendo a correção de 6,5%, a ser incluída em eventual medida provisória que a presidente prometeu encaminhar ao Congresso com uma correção de 4,5% na tabela do IR.

Mendonça disse que vai cobrar do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que o veto seja apreciado em votação nominal e pelo painel eletrônico e não em cédulas de papel papel, para que a posição de cada parlamentar fique explícita. Para ele, o aumento de impostos, dentro do pacote anunciado anteontem, também afetam principalmente as classes média e baixa da população.

— O governo está tentando conseguir qualquer receita extra, mesmo que seja arrochando a classe média e o trabalhador. O presidente Renan se comprometeu a fazer a votação desse veto em votação no painel e vou cobrar isso. É um desrespeito ao trabalhador, é um desrespeito ao Congresso Nacional que decidiu ajustar a tabela à real situação do país. Vamos trabalhar para derrubar o veto e provar mais uma vez a independência do nosso Parlamento — disse Mendonça.

No Senado, o líder do PSDB na Casa, senador Aloysio Nunes Ferreira (SP), disse que a medida é antipopular.

— Vamos trabalhar para derrubar o veto. É mais uma medida contra o trabalhador, uma medida antipopular, um confisco — disse Aloysio.

Na mesma linha, o líder do PSDB, deputado Antonio Imbassahy (BA), criticou o veto da presidente.

“Ela (Dilma) bem que avisou que faria o diabo. Não só o fez com uma campanha eleitoral baseada em mentiras, como está fazendo mais do que o diabo faria sentada na cadeira do Palácio do Planalto. Ao colocar em prática o que disse que não faria, no caso dos tributos, e vetar o que se comprometeu a fazer – reajustar a tabela do Imposto de Renda, a presidente mentiu e traiu os brasileiros”, disse Imbassahy por meio de nota.

— Contra este estelionato de Dilma, já que está fazendo o contrário daquilo que prometeu na campanha eleitoral, defendemos que o Congresso se reúna imediatamente após o recesso para derrubar este veto. Paralelamente, vamos apresentar emenda para restituir na nova MP aquilo que a presidente e a equipe da maldade retiraram do trabalhador brasileiro — acrescentou o líder do PPS na Câmara, deputado disse Rubens Bueno (PR).

Fonte: O Globo

Nova MP vai corrigir a tabela do IR

No dia em que a presidente Dilma vetou um reajuste de 6,5% na tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física, o ministro Pepe Vargas afirmou que o governo enviará ao Congresso uma medida provisória propondo uma correção menor, de 4,5%.

“O espaço fiscal que temos hoje é de [um reajuste de] 4,5%”, afirmou Vargas ontem, durante café da manhã com jornalistas setoristas do Palácio do Planalto.

A atualização das faixas do Imposto de Renda se transformou num impasse desde que Dilma anunciou, no último Dia do Trabalho, que encaminharia ao Legislativo uma proposta de reajuste de 4,5%. Uma briga em torno de uma emenda do senador Aécio Neves (PSDB-MG) impediu que a MP fosse aprovada e ela perdeu a validade. No apagar das luzes de 2014, uma manobra da oposição conseguiu inserir em outra medida provisória uma correção de 6,5%, derrotando o governo e forçando o veto de Dilma. Na ocasião, o próprio PT da Câmara, insatisfeito com a pouca interlocução com o Planalto, se rebelou e votou pela aprovação do reajuste maior.

CPMF

Pepe Vargas, responsável pela articulação do Palácio do Planalto com o Congresso, também disse que a recriação da CPMF – uma contribuição para o financiamento da saúde – não deve ser encampada pelo governo. “Esse debate não está posto no governo até o presente momento”, disse.

Segundo ele, o pacote de aumento de impostos anunciado na segunda-feira, 19, pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é o que está no radar do governo atualmente sobre questões tributárias.

PPS e DEM contra o veto

O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), afirmou que vai trabalhar pela derrubada do veto presidencial à correção da tabela de imposto de renda em 6,5%. A presidente Dilma Rousseff vetou a iniciativa, aprovada pelo Congresso, na Medida Provisória 656.

“Vai se ter uma pressão muito grande, a Câmara e o Senado aprovaram uma coisa de absoluta justiça. Não tem nenhuma razão os trabalhadores pagarem por causa dos desmandos do governo”, afirmou.

O líder do Democratas na Câmara, Mendonça Filho (PE), criticou a decisão da presidente Dilma Rousseff de vetar a emenda, apresentada por ele, que corrige em 6,5% a tabela do Imposto de Renda para Pessoa Física, proposta na Medida Provisória 656.

A emenda do deputado Mendonça Filho foi aprovada no fim do ano passado em votação simbólica.

Fonte: DCI

Ajuste já se aproxima da meta, mas ainda depende de “restos” de 2014

As medidas de ajuste fiscal anunciadas pela equipe econômica, somadas a uma expectativa de corte de gastos próxima a R$ 25 bilhões, já representam uma economia equivalente à meta fiscal de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) anunciada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Mesmo assim, elas ainda são insuficientes para garantir o cumprimento da meta porque existe uma herança fiscal não conhecida de 2014 e porque o ano caminha para uma recessão econômica, cenário bem pior do que o crescimento de 0,8% desenhado na revisão do Orçamento de 2015. O risco de racionamento, que cresceu essa semana, complica mais a tarefa de ajuste fiscal.

Nas contas do economista-chefe do Banco J. Safra, Carlos Kawall, as medidas já anunciadas envolvem um ajuste fiscal em torno de R$ 43 bilhões (na sua conta o impacto das regras para seguro-desemprego e abono seriam de R$ 9 bilhões esse ano), que serão acrescidos de um corte que ele estima em R$ 25 bilhões (que “substituiria” o contingenciamento de 1/18 avos do Orçamento anunciado semana passada).

Somados, esses valores chegariam perto de R$ 67 bilhões, o que garantiria 1,2% do PIB. Mas o superávit de 2015 vai depender de quantas despesas de 2014 foram jogadas para este ano, se o ano passado teve déficit primário ou não e do ritmo da economia em 2015, observa Kawall. Ele trabalha com uma retração de 0,5% do PIB neste ano e lembra que cada um ponto de queda do PIB tira R$ 10 bilhões da receita da União.

Fernando Montero, economista-chefe da corretora Tullet Prebon, faz outra conta para chegar a conclusão de que o esforço até agora anunciado ainda é insuficiente e que serão necessárias novas medidas. A partir dos gastos de 2014, Montero projetou o crescimento já definido (com o salário mínimo, compensações e subsídios já contratados). De “pedaladas”, só considerou R$ 1,5 bilhão da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Ele chegou a despesas de R$ 1,142 trilhão, das quais descontou R$ 68 bilhões em função dos anúncios já feitos e da expectativa de cortes adicionais (R$ 22 bilhões de custeio, R$ 20 bilhões de investimentos, R$ 18 bilhões de benefícios em FAT e Previdência e R$ 9 bi em CDE). Mesmo com o corte, os gastos variariam 4,5% nominais, equivalente a uma queda real de 1,8%.

Para compensar esse aumento de gasto (que não considera uma herança de “pedaladas” de 2014 para 2015) e ainda gerar um superávit de 1% do PIB, ou R$ 55 bilhões, a arrecadação precisaria crescer 10,3% nominais ou 3,6% em termos reais. “Mesmo considerando o aumento de arrecadação de R$ 21 bilhões e mesmo comprando os anúncios pelo seu valor de face, o que é exagerado nas despesas, faltaria muita grana”, diz Montero.

Mansueto Almeida, especialista em contas públicas, avalia que a redução de gastos anunciada pelo governo não está clara, o que coloca em risco o alcance da meta de superávit primário para o ano. O economista afirma que a estimativa de economia de R$ 18 bilhões com regras mais restritas para concessão do abono salarial e do seguro-desemprego parece muito otimista. “Quem trabalhou um mês no ano passado tem direito adquirido de receber abono, o que limita esse ganho”, avalia o especialista. Além disso, o provável aumento do desemprego em 2015 deve levar a um crescimento natural dos pedidos de seguro “Em termos líquidos, talvez a economia seja na realidade de algo como R$ 11 bilhões”.

Mansueto afirma que, até agora, o único corte concreto de gastos é a eliminação das transferências do Tesouro Nacional para a CDE, mas essa economia pode ser facilmente revertida se o governo começar a pagar as despesas com equalização de juros subsidiados no Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Para Mansueto, o ajuste é forte do lado da despesa, mas repete a fórmula de aumento de carga tributária e corte de investimento usada no passado.

Montero, da Tullet Prebon, avalia que o ajuste ainda é “pequeno”, mas faz uma ressalva. Como a conjuntura de menor crescimento não ajuda, é preciso fazer medidas mais estruturais, e elas estão no “pacote”. Ele cita as novas regras para concessão de benefícios previdenciários e o desmonte do modelo de ajuda do Tesouro ao setor elétrico. “Essas medidas terão impacto além de 2015”, pondera.

“As sinalizações que a nova equipe econômica tem feito são positivas e tornam a meta mais crível”, diz Rafael Ihara, do Banco Brasil Plural. O economista, porém, avalia que será muito difícil alcançar o objetivo estipulado. Mesmo com contingenciamento de R$ 60 bilhões de despesas no Orçamento de 2015, Ihara projeta superávit primário de 1% do PIB neste ano, por questões como alta do salário mínimo e “pedaladas”. O principal risco, porém, é a atividade econômica. “E é algo que a equipe nova não tem muito controle, como o risco de racionamento”.

Para Solange Srour, economista-chefe da ARX Investimentos, a queda de atividade (sem racionamento ela projeta queda de 0,5% do PIB), com piora do mercado de trabalho, torna mais difícil o ajuste fiscal. Mesmo com o quadro da economia real mais desafiador, ela pondera que as medidas de segunda-feira, além de representar um aumento de receita equivalente a 0,4% do PIB, foram mais uma sinalização importante no sentido de mostrar que Levy recebeu uma carta branca da presidente Dilma Rousseff, o que ajuda a confiança. O aumento do IOF sobre crédito para pessoas físicas em um cenário que já é de recessão e de aumento do desemprego é um exemplo disso, pondera a economista.

Kawall considera que a administração do lado macro da economia e o conjunto de medidas está na direção correta, o que é positivo. O impacto real sobre as contas fiscais de 2015, contudo, depende do que foi feito no final de 2014 e do cenário da economia em 2015. “Apesar da crise, a meta pode ser cumprida”, avalia o economista-chefe do Safra, alertando que o racionamento, se vier, vai complicar essa tarefa. Por outro lado, a inflação maior pode entrar como um componente de ajuste porque eleva a arrecadação nominal, enquanto algumas despesas não serão impactadas por ela neste ano.

Mansueto é mais cético. “O ajuste anima o investidor em renda fixa, mas não desperta o espírito animal nos empresários”, diz o especialista em contas públicas, para quem falta clareza em qual será a política econômica perseguida para retomar o crescimento.

Fonte: Valor

Copom amplia viés recessivo

Hoje é apenas o 14° dia útil de 2015, mas, para o Banco Central, o ano já acabou: o IPCA vai estourar o teto de 6,5% da meta de inflação e ele nada pode fazer para evitar isso. Sim, os oito membros do Comitê de Política Monetária (Copom) irão hoje à tarde elevar a Selic de 11,75% para 12,25%, conforme já está previamente decidido e comunicado ao mercado financeiro. Depois, em março, encerrarão o atual ciclo de alta do juro básico com uma elevação de 0,25 ponto. Ponto final: a Selic será congelada em 12,50% e seja o que Deus quiser. Já neste início de ano, o IPCA galgará o novo patamar de 7% no acumulado de 12 meses. Irá oscilar em torno disso ao longo de 2015, e fecha acima de 7%. Então porque subir a Selic agora se não vai adiantar nada?

Primeiro, porque ele precisa dar a impressão, para salvar a sua reputação, de que está “especialmente vigilante” e de que fará tudo “o que for necessário” no combate à inflação. Qual inflação? A de 2016. Segundo, porque deve agir coordenadamente no mesmo sentido primário do ajustamento ortodoxo da economia, o de poupar o capital financeiro. As sucessivas medidas fiscais até agora anunciadas pelo Ministério da Fazenda aspiram dinheiro apenas dos setores produtivos e dos trabalhadores. São cerca de R$ 43 bilhões carreados da economia real para os cofres públicos.

Do setor financeiro, nada. A razão é que nada deve ser feito para irritar a porção vanguardista do mercado, frequentemente disposta a chiliques, composta pelas grandes agências internacionais de rating. De preferência, elas devem ser bajuladas e minadas com uma política econômica ultraconservadora, escorada no aumento de impostos, no corte de gasto público e no aperto monetário (cujo sucedâneo também é bem-vindo aos financistas, a apreciação cambial). A estabilização da dívida como percentual do PIB será feita para evitar o “downgrade”, impondo a destruição da economia real ao mesmo tempo em que amplia os lucros financeiros.

Enquanto isso, no mercado monetário os analistas dedicam-se ao seu esporte predileto: a discussão de platitudes fúteis. Toda a urgência do mundo está concentrada em saber se, hoje, ao cabo de sua primeira reunião do ano, o Copom irá manifestar-se “especialmente vigilante” ou “parcimonioso” em sua santa missão de fazer “o que for necessário” para trazer o IPCA à meta de 4,5% da inflação em algum momento do final de 2016. A rigor, tanto faz o que for escrito no comunicado que será distribuído nesta noite. O mundo e o Brasil mudaram desde a última reunião do Copom, em 3 de dezembro, e para pior, mas nem por isso a sinalização já dada e precificada será alterada. No Focus, a estimativa de taxa Selic para o fim do ano sustenta-se em 12,50% há seis semanas. A virtude da “restauração da credibilidade” tem, para o BC, o mesmo caráter fugaz do dispensado à Fazenda. Garante esparsos encômios embevecidos em relatórios de instituições, mas não altera em nada a realidade das ruas e das fábricas.

O mundo mudou, mas nada garante que o comunicado pós-Copom merecerá uma nova redação, sobretudo na frase “considerando os efeitos cumulativos e defasados da política monetária, entre outros fatores, o Comitê avalia que o esforço adicional de política monetária tende a ser implementado com parcimônia”. Se ele vai, em março, desacelerar a velocidade de avanço da Selic de 0,50 ponto para 0,25 ponto, a frase continua válida. Mas nem os “efeitos cumulativos e defasados”, nem os “outros fatores” (o rigor fiscal e uma onda de apreciação cambial decorrente de movimentos especulativos desfechados a partir do anúncio do afrouxamento quantitativo do Banco Central Europeu) irão garantir IPCA abaixo de 6,5% este ano.

O ajustamento das contas públicas tem um pesado viés recessivo, cujo alvo principal é uma demanda já moribunda. Sua principal âncora, até agora, é a retirada de recursos da sociedade para o governo. Os trabalhadores nada podem fazer a respeito. Os empresários podem tentar repassar o aumento de custos induzido pelo viés para os preços dos seus produtos. Irão tentar fazer isso mesmo produzindo menos. A economia encolhe com preços lá em cima. A Petrobras já deu o exemplo: o aumento da Cide será repassado ao consumidor. Será seguido pelos empresários. O governo está mexendo hoje com dois preços — combustíveis e energia elétrica — que se espraiam na cadeia de valor gerando inflação. “A alta da Cide vai toda para o IPCA. Com a já esperada alta no preço da energia elétrica, combustíveis adicionam mais pressão ainda sobre a inflação deste ano”, diz o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.

A dívida bruta será estabilizada em relação ao PIB — ou seja, o governo vai mostrar que tem dinheiro para pagar suas dívidas, o que afasta o temor do “downgrade” — pelo seguinte preço: 2015 será pior do que 2014. O IPCA subirá de 6,41% para algo acima de 7% e o crescimento do PIB passará do 0,1% previsto pelo mercado para 0,3% (estimativa de ontem do FMI, que não leva em conta a possibilidade de racionamento de energia). E cairá o último baluarte da era Dilma: o pleno emprego. Tudo para que, restaurada a previsibilidade fiscal, os empresários voltem a ter confiança no governo e retomem os investimentos. Como isso poderá ser feito se a demanda estará no chão e a inflação em cima do telhado? É melhor aplicar o dinheiro em títulos públicos. Até que venha o paradisíaco ano de 2016.

Como não poderia deixar de ser, os mercados de câmbio e juros futuros adoraram o branco cegante da carta exigida na noite de segunda-feira pelo ministro Joaquim Levy ao anunciar quatro medidas fiscais. Como o mercado externo sancionava (crescimento chinês menos ruim e expectativa em torno do pacotão do BCE amanhã) uma desvalorização do dólar, os investidores se esqueceram do apagão da véspera e trataram de vender a moeda comprada no escuro e mais um pouco. O dólar fechou em queda de 1,54%, cotado a R$ 2,6150. Os DIs futuros também aplaudiram de pé. Até a taxa para a virada do ano caiu, de 12,69% para 12,64%. O juro para janeiro de 2021 voltou a patamar inferior a 12%, ao ceder de 12,05% para 11,80%.

Fonte: Brasil Economico

Gasolina pode subir mais de 8% com alta de tributo

O aumento de impostos sobre a gasolina e o diesel vai chegar ao consumidor. Até o preço do etanol, beneficiado pela medida, deve subir.

A Petrobras avisou que vai repassar a alta de PIS/Cofins e o retorno da Cide para o preço de venda nas refinarias.

A partir daí, haverá um efeito cascata: as distribuidoras vão elevar seus preços e os postos repassarão essa alta ao consumidor. Na bomba, o mercado estima que a gasolina deva subir entre 7% e 8%.

Mas, para José Alberto Gouveia, presidente do Sincopetro (sindicado dos postos do Estado de São Paulo), a gasolina deve ficar ainda mais cara ao consumidor, pois a base de cálculo para a cobrança de ICMS também muda.

Segundo ele, o ICMS é recolhido nas refinarias e tem como base um preço médio estipulado pelo governo estadual. No caso de São Paulo, o valor é de R$ 2,899 por litro de gasolina atualmente.

“Ainda não sabemos para quanto vai esse valor de referência, mas certamente vai aumentar. O preço final não vai subir apenas R$ 0,22.”

Com o preço da gasolina em alta, a demanda por etanol deve aumentar, o que também pode empurrar os seus preços para cima.

Segundo Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro, o potencial de aumento do etanol hidratado é de R$ 0,15 por litro, o equivalente a 70% (paridade entre o preço do álcool e o da gasolina) do R$ 0,22.

“Os preços podem aumentar com a pressão sobre a oferta de etanol, o que será bom para recompor as margens do setor, que hoje estão negativas”, disse a presidente da Unica, Elizabeth Farina.

Considerando apenas os reajustes previstos para gasolina e diesel, o impacto na inflação deste ano pode ser de até 0,3 ponto percentual, segundo especialistas.

Após as medidas, algumas consultorias aumentaram a sua previsão de inflação para 2014. A Gradual reajustou de 6,2% para 6,4% sua estimativa para o IPCA, enquanto a LCA aumentou em 0,2 ponto percentual sua projeção, que saiu de 7% a 7,2%.

Outros analistas já esperavam alta significativa dos combustíveis e, por isso, mantiveram suas projeções. É o caso da consultoria Tendências, que seguiu com 6,8%, e da GO Associados, que manteve a projeção de 6,4%.

Fonte: Folha SP

Redação On janeiro - 21 - 2015
  • Central de atendimento
  • Telefone: (11) 3285-3522 / e-mail: sicetel@sicetel.com.br
Associe-se!
        Clique aqui
Cadastre seu e-mail e receba periodicamente notícias do SICETEL.