Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Tera-feira, 19 de Fevereiro de 2019






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O governo brasileiro mantém consultas com a União Europeia (UE) para tentar convencer o bloco a não dificultar as importações de sete produtos siderúrgicos do Brasil. O objetivo é chegar a um acordo que exclua o aço brasileiro do sistema de cotas previsto para entrar em vigor no dia 2 de fevereiro. Segundo o Itamaraty, o governo acompanha o assunto desde março do ano passado. A UE alega que as indústrias locais sofrem com a concorrência dos produtos importados e anunciou que pretende aplicar salvaguardas a todos os países exportadores. A proposta será votada esta semana pelo Parlamento europeu.

A UE notificou a Organização Mundial do Comércio (OMC), no início deste mês, sobre sua intenção de controlar as importações de aço via cotas — ou seja, apenas um determinado volume entrará no mercado europeu sem sobretaxa. O excedente será tributado a uma alíquota de 25%. Essa decisão é reflexo das medidas impostas pelos Estados Unidos ao aço importado. Os produtores tiveram de buscar outros mercados, e a UE acabou tendo excesso de oferta.

A proposta de salvaguardas da UE atinge 26 produtos. No caso brasileiro, seriam afetadas as exportações de laminados a frio, folhas metálicas, laminados de aço inoxidável, laminados a quente, chapas grossas, perfis e tubos sem costura.

Os produtos semiacabados de aço, maior volume do que é vendido aos europeus (2 milhões de toneladas em 2018), ficaram de fora. O setor ainda não estimou o impacto financeiro das barreiras, mas se queixa de que elas restringem o seu potencial exportador. Atualmente, a indústria do aço brasileira usa pouco mais de dois terços (69%) de sua capacidade instalada.

— Os EUA fecharam as portas, a União Europeia também. É preocupante, pois era um mercado em potencial para o Brasil conseguir expandir o uso da sua capacidade instalada. Se não pensarmos em criar proteções semelhantes, viraremos meros depositários. A América do Sul é a única região sem salvaguardas — diz o presidente do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes.

Ele ressalta que os produtos semiacabados ficaram fora das cotas porque a demanda é muito alta. Dentre os itens sujeitos a restrições, o que o Brasil mais exporta para a UE são os laminados a frio (usados em automóveis, máquinas e equipamentos). Só no ano passado foram 188 mil toneladas. A cota anual destinada ao Brasil ficou em 168 mil toneladas no primeiro ano.

Segundo Lopes, em reunião por videoconferência entre membros da Comissão Europeia e do Ministério das Relações Exteriores brasileiro, ontem, o país questionou os europeus sobre a imposição de barreira para os laminados a quente, usados na produção de placas e blocos, já que eles não estavam na lista inicial divulgada pela UE.

Em 2018, o Brasil exportou, para todo o mundo, 14 milhões de toneladas de aço, o equivalente a US$ 8,8 bilhões. A UE fica com cerca de 15% desse total.

Fonte: O Globo / Infomet

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País já fez consultas à UE sobre limites à compra do aço brasileiro, diz Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores informou ao Estadão/Broadcast, por meio de sua assessoria de imprensa, que consultas do governo com a União Europeia já estão em andamento para tratar da questão das barreiras que podem ser impostas à compra de aço do Brasil.

Uma proposta da União Europeia, que vai a votação nesta semana, prevê sobretaxas para 26 produtos do setor siderúrgico, considerando todos os países exportadores. No caso do Brasil, sete produtos seriam atingidos.

“O governo brasileiro vem acompanhando como parte interessada a investigação de salvaguardas da União Europeia sobre importações de aço desde seu início, em março de 2018”, informou o Itamaraty. “No último dia 4 de janeiro, a União Europeia notificou a OMC (Organização Mundial do Comércio) acerca dos resultados da investigação e de sua decisão de impor proximamente salvaguardas sobre as importações de aço provenientes de todo o mundo”, acrescentou.

Conforme o Itamaraty, estão sendo realizadas consultas à União Europeia para tratar do assunto. Como o Estadão/Broadcast informou no domingo, 26 produtos do setor siderúrgico serão sobretaxados pela União Europeia. Para cada país, uma cota será oferecida. Caso o volume supere as cotas, entrará em vigor uma tarifa extra de 25%. A China, por exemplo, sofrerá restrições em 16 produtos diferentes, contra 17 da Turquia e 15 da Índia. No caso do Brasil, a notificação enviada pela UE para a OMC cita sete produtos.

O Brasil exporta cerca de 15 milhões de toneladas de aço por ano (US$ 9,5 bilhões), dos quais 25% vão para a Europa. Em 2017, foram exportados para o bloco 3,9 milhões de toneladas. Uma parte desse volume é de produtos semiacabados, que não foram incluídos na lista de restrição.

O impacto nas exportações brasileiras será nas vendas de laminados a frio (usado pelas indústrias automobilísticas, de máquinas e equipamentos), chapas grossas (voltadas para indústria naval) e metálicas (embalagens), entre outros tipos de aço.

Fonte: Estadão / Infomet

Como enfrentar as novas barreiras ao aço brasileiro

O aço brasileiro, que já enfrentava barreiras no mercado americano, agora deverá receber limites também da União Europeia. A comissão da UE vota esta semana a criação de cotas para produtos siderúrgicos, o que pode nos afetar. É mais um problema concreto para o comércio exterior brasileiro.

O governo Bolsonaro se aproxima de uma adesão automática à política americana. O chanceler Ernesto Araújo, inclusive, trata Donald Trump como o salvador da civilização ocidental. Mas as barreiras comerciais impostas ao aço e ao alumínio não foram derrubadas. Agora, a indústria siderúrgica tem dois problemas. Após as limitações nos EUA, a União Europeia também deve aplicar limites ao produto nacional.

O Brasil tem que ter uma política externa que trate de questões reais e não de pontos hipotéticos, como o combate ao globalismo. O país está perdendo tempo com discursos grandiloquentes e com as idas e vindas na Apex. As empresas precisam de mais apoio para um comércio externo sem barreiras e cotas. Há problemas concretos afetando os interesses brasileiros.

Fonte: O Globo – Opinião – Miriam Leitão

Redação On janeiro - 15 - 2019
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